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Por vezes preferia enganar-me

por Samuel de Paiva Pires, em 17.04.09

A respeito desta medida do levantamento do sigilo bancário, concordando com o António de Almeida (aqui e ali), e com o Luís Rocha, recupero apenas algo que escrevi em Outubro de 2008:

 

 

Numa altura em que se assiste a um recuperar de forças e instrumentos por parte dos governos em detrimento do sector privado e se se vier a ter como provado o que tenho escrito sobre o reajustamento de todo o sistema internacional como reflexo desta crise, parece-me que a legitimidade moral das chamadas democracias liberais deixará de ser tão genericamente aceite e reflectida no sistema internacional, visto que China e Rússia passarão a desempenhar um papel cada vez mais activo, e sem esquecer os diversos emergentes que, podendo ser democracias eleitorais, dificilmente se poderão considerar como consolidadas democracias liberais.
 
Além do mais, mesmo nas chamadas democracias liberais, a tendência será para restringir liberdades, pois tendo mais instrumentos ao seu dispôr os Estados não hesitarão em utilizá-los. É elementar que quanto mais poder se tem mais se é tentado a utilizá-lo, numa analogia às palavras de Lord Acton de que o "poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente."
 
A combinação destas duas percepções, obviamente pessoais e não necessariamente correctas, causa-me a ligeira sensação de que daqui a uns tempos a sempre eterna discussão sobre o liberalismo vai voltar a centrar-se muito mais no campo das liberdades políticas e individuais do que no campo da economia. Devo dizer que sendo daqueles que acredita na acepção grega clássica do primado da política sobre as demais áreas ou saberes da governação, tal até não me parece mal de todo, pelo menos para mim é intelectualmente mais estimulante.

publicado às 00:13


1 comentário

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De Zé da burra o Alentejano a 17.04.2009 às 12:28

NÃO DEVERÁ TER O EFEITO QUE MUITA GENTE BEM INTENCIONADA ESPERA.

Como tudo acaba com o pagamento de uma percentagem elevada às finanças e pronto (ponto final), desconfio que a medida visa para já o aumento das receitas das finanças, uma vez que se vai fiscalizar os depósitos bancários acima de 100.000 euros (uma ninharia) e não se segue o "rasto do dinheiro": de onde vem, para onde vai e porquê? Não vão verificar os movimentos de milhões que circulam entre bancos e as offshores "? ou entre os bancos? ou entre as outras empresas (as verdadeiras e as que se criam especificamente para movimentar os milhões)?

Acredito que será o chamado "zé povinho" o principal fiscalizado e irá servir para um dia destes se reduzirem uma vez mais as despesas sociais do Estado, nas comparticipações da saúde, nas reformas, nos apoios ao desemprego, etc... (mesmo que tenha descontado a vida inteira para a SS).

As grandes transacções financeiras hão-de encontrar sempre uma qualquer forma de contornar a lei, mesmo que à partida isso não seja evidente...Talvez que pagamentos no estrangeiro ou em "cash" passe a ser a forma de pagamento nos casos de corrupção(?)

Zé da Burra o Alentejano

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