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A entrevista de Sócrates para uma Lisboa Arruinada

por Nuno Castelo-Branco, em 22.04.09

 

 Chegar ao Porto dez minutos mais cedo, eis em resumo o que significa o mega-projecto do TGV. No exacto momento em que as cidades do país proporcionam um ridículo espectáculo de ruas esburacadas, prédios e casas a ameaçar derrocada, jardins ao abandono, transportes públicos deficientes e monumentos a carecer de intervenção urgente, as autoridades parecem querer insistir num erro vetusto de décadas. Se talvez se possa compreender a insistência na construção de uma linha de alta velocidade que nos ligue ao resto da Europa, as suas ramificações dentro do território nacional são por todos consideradas como teimoso desvario. 

 

Após a entrevista de ontem, o primeiro-ministro confirmou os piores receios, uma vez que se mostrou inamovível nas muito discutíveis opções de investimento. Continuamos então na senda das obras de fachada ao estilo aldeia de Potemkin, em vez de recuperarmos o imenso e quase fatalmente perdido património. As obras de pequena e média dimensão, proporcionam o trabalho de que as empresas tanto necessitam, dinamizando vendas, produção de materiais e consequentemente, ajudando a mitigar o problema do desemprego. Simultaneamente, prestar-se-ia um inestimável serviço a um país que pretende  apresentar-se ao mundo como um destino turístico de primeira categoria. Para assim ser, não basta desfiar-se um caricato rol de campos de golfe e hotéis de charme,ao mesmo tempo que se esquecem as praias poluídas e sem infraestruturas de acolhimento, ou as muito danificadas estradas secundárias que conduzem os visitantes ao apregoado turismo num interior praticamente desertificado.

 

Quem chega a Lisboa, depara com uma zona histórica cada vez mais invadida por intrusões da descaracterizadora especulação imobiliária, num galopante processo de suburbanização de toda a capital. Edifícios do Estado em ruínas - o Palácio da Ajuda, irónica sede da Cultura institucional é um ex-libris -, total desinteresse pela rápida recuperação das construções características de cada uma das zonas da cidade e destruição do espaço sagrado envolvente dos principais monumentos de Lisboa, são alguns dos problemas mais imediatos. Muito há para fazer, proporcionando o necessário trabalho por todos reclamado. Mas o programa parece ser outro, beneficiando uma vez mais, os interesses de uma restrita minoria.

 

Entretanto, a nossa Câmara Municipal de Lisboa, prossegue nas já sistemáticas malfeitorias e tem ainda o topete de se gabar através de cartazes que são um insulto à decência. Na foto acima, mais um prédio* que vai abaixo, na av. da república. Um dos últimos de uma outrora impressionante amostra daquilo que Lisboa foi há cem anos. É desencorajante.

 

 

 

*A antiga sede da Diese. Quantos lisboetas aí foram comprar produtos que ao tempo não existiam nos supermercados, como muesli, soja, bolachas integrais, etc?

publicado às 11:17


11 comentários

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De Ana Campos a 22.04.2009 às 13:22

Nuno,
A honra não se perde, e só não tem honra quem nunca honrado foi.
E nenhum politico neste país, tem honra e vergonha na cara.
Infelizmente para nós portugueses e para nós Lisboetas.
E assim, se continua a arruinar um país, a História de Portugal não me deixa mentir.

Beijos
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De António de Almeida a 22.04.2009 às 13:44

Caro Nuno
Que eu saiba a Mota-Engil não aposta na requalificação urbana, remodelar um prédio mantendo a sua traça também não possibilitaria ao ministério de Mário Lino as faustosas cerimónias de lançamento de obra, logo para quê investir nos centros urbanos se não mora lá ninguém? Jamé! Aquilo é um deserto...
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De Banda Zé Ninguém a 22.04.2009 às 15:09

Ouçam a nova música da Banda Zé Ninguém:

Corrupção

Corrupção em Portugal
Não vai nada nada mal
Este país é a loucura
Está pior que uma ditadura

O governo é uma piada
Nem o circo tem tanta palhaçada
Este país à beira mar
Vamos todos afundar

Por isso eu digo não
Por isso eu digo não
À corrupção
À corrupção

E depois, quem vai pagar!
Andamos todos a brincar!
Nem o gato nem o cão!
Eu aposto um milhão

Autarquia fraudulentas
Presidentas pestilentas
Sabem de quem estou a falar
Ou é preciso explicar?

Senhoras e senhores:
Bem vindos a Portugal!
O País mais corrupto da Europa!
Mais corrupto da Europa!
Não tenha medo, aqui ninguém vai preso!
Ninguém vai preso!
Mais corrupto da Europa!
Mais corrupto da Europa!

Este país é uma demência
É uma grande decadência
Autarquia fraudulentas
Presidentas pestilentas

E depois, quem vai pagar!
Andamos todos a brincar!
Nem o gato nem o cão!
Eu aposto um milhão

Por isso eu digo não
Por isso eu digo não
À corrupção
À corrupção

Banda Zé Ninguém
www.myspace.com/bandazeninguem
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De Nuno Castelo-Branco a 22.04.2009 às 15:57

Vou dar uma vista de olhos logo à noite
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De João Pedro a 22.04.2009 às 15:59

Já sei que edifício é. Mas vai mesmo abaixo, só vai o miolo ou é somente reabilitação?
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De Daniel João Santos a 22.04.2009 às 21:59

Defendo o investimento, mas com regras e com cabeça.
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De Nuno Castelo-Branco a 22.04.2009 às 22:15

Não me parece que io investimento tudo justifique. Até porque recuperar património é um óptimo investimento colectivo. Olhe, os alemães estão a reconstruir o Schlosspalast, um colosso barroco no centro de Berlim. Querem lá saber das conversas de café acerca da simbologia prussiana, etc. Por aqui, demolimos para construir lixo. Nada que valha a pena ver, quanto mais fotografar.
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De M. Mendonça a 22.04.2009 às 22:28

Boa Noite,

Concordo inteiramente com o que diz o Nuno
Castelo-Branco, nomeadamente quanto ao Palácio da Ajuda (está com ar de ruína desde sempre), ao estado lamentável dos nossos Jardins, aos maus Transportes Públicos e, acima de tudo com a diária e contínua degradação do Património Imobiliário de Lisboa, da qual é exemplo o edifício apresentado.

De resto, deixo aqui os meus Parabéns a todos os Conselheiros de Estado do Estado Sentido - gosto muito do vosso Blog!

PS: fiquei a conhecer-vos, por um comentário deixado pelo Nuno Castelo - Branco no Lisboa S.O.S.
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De Nuno Castelo-Branco a 22.04.2009 às 23:31

Obrigado, M. Mendonça. Amanhã terei outra novidade do estilo.
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De helder a 25.04.2009 às 00:37

Primeiro Ministro consultou os estudos errados para resolver a saturaçao da linha do Norte.

O Alfapendular so trasnporta 300 pessoas de cada vez o que é uma gota no oceano quando pensamos que entre Setubal e Vigo vivem mais de 10 milhoes de pessoas.

O comboio ideal para a linha do Norte é o IC2000 que trasnporta ate 1400 pessoas de cada vez nos seus dois andares a 200km/h e nem seriam precisas obras na linha do Norte.
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De Gastao de Brito e Silva a 29.03.2010 às 22:56

Pessoalmente tenho uma "cruzada" contra este tipo de vandalismo cultural, iniciei um trabalho à cerca de ano e meio tendo já fotografado e documentado perto de três centenas de ruínas.

Dei-me ao trabalho de enviar propostas aos ministros das obras públicas e cultura, ao PR, autarcas vários, vereadores, deputados e mais um rol de eminências...

As soluções são óbvias e sem ter conhecimento fazem-se em todos os países da Europa, tendo sido até aplicadas em casos paralelos na história de Portugal.

Vejam aqui a minha colecção : http://ruinarte.blogspot.com/

Ah!! E divulguem este projecto...

Bem Hajam!!

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