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Palavras certeiras no Portugal Contemporâneo

por Nuno Castelo-Branco, em 28.04.09

 Quem escreve estas linhas foi, ao longo de toda a sua vida, ferozmente republicano e ferozmente anti-monárquico. O raciocínio era muito frágil e baseava-se, essencialmente, não na dimensão política e histórica da monarquia, mas nas tristíssimas figuras dos nossos monárquicos. Estes, verdadeiramente, são numa imensa percentagem uma grotesca legião de patetas, que confunde a monarquia com o rei e com uma pretensa fidalguia a que julgam pertencer. Na sua generalidade, os monárquicos portugueses são imensamente saloios e provincianos, quando não genuinamente parolos. Acham que a monarquia seria um regime de corte, para a qual a fidalguia, a que por sangue imaginam pertencer, seria chamada para os mais altos feitos e responsabilidades. Para além do mais, confundem aristocracia com fados, guitarradas e faenas. Têm bigodes retorcidos e falam frequentemente com vozes alteradas e aflautadas. Uns pacóvios, em suma. Todavia, o erro que esta gente comete perante a natureza do regime de que se dizem seguidores, cometia-o eu, em sentido inverso, por razões não muito distantes das deles. De facto, não se pode confundir a monarquia com os monárquicos, sequer com a pessoa do rei. Muito menos nos países onde a monarquia constitucional vigora a “fidalguia” tem assento na mesa do estado. Ao invés da nossa república, onde algum do pariato do 10 de Junho e de muitas outras distinções e reformas precoces por “altos serviços” prestados ao estado se continua a banquetear à custa do contribuinte.


 
São as palavras finais de um post a ler com atenção. Escolhi propositadamente o epílogo, porque creio estar o Rui A. um tanto ou quanto equivocado acerca da realidade dos nossos dias. Os  monárquicos "de reposteiro" são hoje uma ínfima minoria, acompanhando alegremente os seus correspondentes republicanos do "porque sim". Ambos envoltos em bolinhas de naftalina, lá saem do baú de vez em quando para um ar da sua graça. Uns para uma fadistada e outros, para umas comendas no 10 de Junho. A diferença é que os primeiros passam despercebidos e são inócuos, enquanto os segundos, são a nobreza da república que todos pagamos de forma bem cara.

 

 

 

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publicado às 19:10


2 comentários

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De Vera Matos a 28.04.2009 às 21:31

As Amoras

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.





Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")


Melhores cumprimentos Nuno*
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De Nuno Castelo-Branco a 29.04.2009 às 11:14

Compreendi muito bem a mensagem :)

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