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Numa atitude que pode ser classificada como parte da estratégia para a campanha eleitoral que se avizinha, Vital Moreira decidiu visitar o curro que outrora frequentou durante décadas. A resposta não se fez esperar e choveram os insultos, as garrafas de água e tudo aquilo que se lhe podia ser arremessado. E para os agressores, foi pouco, porque mais não podiam fazer.
Vital tem muita sorte, porque o vigente "sistema liberal-capitalista de exploração", permite-lhe mudar de partido sempre que as suas conveniências assim o ditem. Vital pode entrar e sair do país quando bem lhe aprouver. Vital pode escrever nos jornais, ser entrevistado na televisão, publicar livros ou tecer considerações sobre os mais diversos assuntos que lhe venham à cabeça, sendo ainda por cima prodigamente remunerado. Foi este sistema que lhe dá tanta segurança e liberdade de acção que ontem desgraçadamente falhou. Este lamentável percalço já outrora experimentado pelo antigo mortal inimigo e hoje camarada dr. Mário Soares - Marinha Grande, 1986 -, deve-se exactamente à mesmíssima gente que andou com Vital em conspirações, lutas, propagandas e esperanças de sombrias auroras prometidas por um certo proselitismo da religião vermelha.
Vital sabia perfeitamente o que lhe poderia acontecer, pois a violência, o total desrespeito para com o outro, a paranóia totalitária que idealiza cérebros amputados do córtex, sempre foram o recurso primeiro daqueles a quem outrora chamava de "vanguarda do povo", persistentemente industriados pelo Partido no sentido da prepotência.
Apenas para o sossego dos espíritos, seria interessante saber o que num certo tempo teria Vital Moreira dito acerca do regente Cirilo da Bulgária, de Masaryk, Imre Nagy e de tantos outros necessariamente eliminados em benefício da brutal ordem do "homem novo"? E já agora, o que diz o dr. Mário Soares de tudo isto? As fosquinhas que ciclicamente prodigaliza a essa gente não serão apenas uma demonstração de masoquismo?