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Nova Rubrica

por João de Brecht, em 11.05.09

 

REVOLUCIONÁRIOS DE SOFÁ

 

 

 

 

 

 

                A máquina criativa não anda como devia e não tenho podido escrever tanto no Estado Sentido quanto o que desejava. Infelizmente durante os últimos tempos tenho sido congratulado com os mais diversos comentários de certos “castratis ideológios”, exemplar génese de submissos que chamam cinismo e falta de personalidade à minha mudança “radical” de pensamento.

                               

                Está agora na altura de confessar o porquê da mudança e perceber de que lado está o cinismo…

 

 

I. O comunismo e a democracia

 

                Um pouco por todo o lado, vemos cartazes do Partido Comunista, apelando à necessidade de defender a democracia. Se bem me lembro a primeira fase de uma revolução socialista é a instauração da Ditadura do Proletariado, que como o nome indica é um sistema democrático e baseado na defesa das liberdades. Durante esta fase é escolhido democraticamente (num grupo de aproximadamente cinco ou seis pessoas) um líder supremo cuja função é liderar o povo (que nos meandros da coisa continua submisso) na direcção do socialismo tomando um manifesto feito por dois burgueses como bíblia. Como o sistema consiste na eleição e rotatividade, o tal chefe tem um limite de mandato que vai até ao último suspiro, sucedendo-lhe um outro que possua as mesmas características ou simplesmente que conspire contra o principal candidato.

                É claro que em Portugal nada disto iria acontecer, prova disso foi o Verão Quente de 75 em que de uma forma democrática se procedeu à ocupação de casas e terrenos “não explorados” de forma a aproveitar o máximo de recursos da terra, beneficiando os proletários que tanto lutaram contra o “fascismo”. A nacionalização levada a cabo foi conduzida de uma forma inteligentíssima, tendo sido nessa altura criada a arma de destruição maciça utilizada até aos dias de hoje “estás contra nós, és fascista!”, hoje em dia já nos passa um pouco ao lado esta história do Fascismo, mas naqueles tempos era a pior e mais grave ofensa que se podia fazer a uma pessoa. Quer neste, quer noutros casos podemos perceber a tolerância destes caríssimos libertários.

 

 

II. O comunismo e as religiões

 

                Como sabemos desde sempre que houve um grande afastamento entre o comunismo e a Igreja Católica. A justificação dos comunistas é que o povo católico é submisso à vontade papal e à restrição de pensamento a um só livro, a extrema hierarquização da instituição e o terrível passado da mesma (principalmente dos tempos da Santa Inquisição), do lado da igreja dizem que o comunismo é desrespeitoso e uma ameaça à vontade de Deus. Não critico nenhum dos lados neste aspecto, uma vez que é normal haver disparidade entre instituições e ideais, só há um aspecto que penso ter de realçar…

                “Viva a Palestina”, “Respeitem o Islão e a cultura árabe”, entre outras coisinhas agradáveis de se ouvir gritar na cidade internacional da festa do Avante que conta todos os anos com umas barraquinhas de Kebabs e especiarias do género vindas do mundo muçulmano. Aqueles que nos anos 70 eram os filhos de uma certa senhora pelos mesmos motivos da igreja católica (já para não falar das tentativas frustradas de invasão por parte da União Soviética), são agora os heróis revolucionários contra o imperialismo americano! Uí, então isto quer dizer que quando estão contra nós, são umas bestas que maltratam mulheres, exploram trabalhadores e são fanáticos religiosos, mas quando estão na vanguarda do anti-imperialismo são grandes resistentes! Faz todo o sentido sem dúvida. Isto para não falar dos judeus…

 

III. O comunismo e os feriados

 

                Há três grandes datas que os comunistas celebram entusiasticamente, o 1º de Maio – Dia do Trabalhador, o 25 de Abril – Dia da Liberdade e o 17 de Outubro – Dia da Revolução Socialista na Rússia. Vamos ver com atenção; o 1º de Maio, apesar de parecer coisa engendrada por comunistas foi por acaso o resultado de uma manifestação pacífica nas ruas de Chicago que acabou por ser reprimida de forma violenta, esta foi levada a cabo por movimentos sindicalistas da capital que não tinham qualquer relação com ideais ou grupos de pressão socialistas (prova disso é que ainda hoje é celebrado nos E.U.A.). Vamos à segunda, o 25 de Abril, feito por Militares sem orientação política definida (muitos deles viraram comunistas devido à influência do Partido no MFA pós 25 de Abril) mas sem qualquer intervenção de comunistas no processo do golpe de estado. Quanto à única revolução legítima dos comunistas foi uma que já estava a meio, o Grande Outubro que já tinha sido o Grande Fevereiro, mas como a revolução era meio burguesa foi necessário que os alemães levassem o Lenine ao colo para ver se mantinham os russos ocupados na Iº Guerra Mundial!

                Os comunistas ficaram sempre na vanguarda ou na retaguarda das grandes revoluções?

 

 

 

P.S.C.: Apesar de estar incompleto, terei todo o prazer em responder aos comentários, em breve na rubrica “Revolucionários de Sofá” tentarei abordar novos temas, conto com a vossa participação!             

 

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publicado às 01:34


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