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Incisivo e certeiro

por Samuel de Paiva Pires, em 10.07.09

 

É o mínimo que se pode dizer deste magnífico post do João Miranda, que não vai nada mal se dedicado a todos os Cainesianos, socialistas, estatistas e intervencionistas (em especial aos que nada conhecem de Keynes e o citam em conjunto com São Obama e São Krugman):

 

Nos últimos tempos emergiu em Portugal uma nova espécie de economista, o Cainesiano Tuga, que, embora aparentado, pouco tem a ver com o Keyneasiano Clássico. Seguem-se as diferenças:

1. O Keynesiano Clássico compreende que a sua teoria só faz sentido em grandes economias ou em economias fechadas. Defende até que as medidas devem ter um carácter proteccionista para o efeito não se perder para o exterior. O Cainesiano Tuga insiste em aplicar a teoria a uma pequena economia aberta que previamente já tinha um elevado défice comercial. O Cainesiano Tuga é por isso um adepto do estímulo à economia dos parceiros comerciais do seu país.

2. O Keynesiano Clássico defende medidas anti-ciclicas. Defende medidas expansionistas no pico da recessão e medidas contraccionistas no pico da expansão. Defende déficit público na contracção e superavit na expansão. O Cainesiano Tuga defende medidas expansionistas sempre. Durante os períodos expansionistas defende a despesa pública porque há dinheiro para gastar. Durante a recessão defende medidas expansionistas porque, apesar de não haver dinheiro para gastar, “é necessário combater a crise”.

3. O Keynesiano Clássico compreende que as medidas de combate ao desemprego só funcionariam numa economia dominada por trabalhadores indiferenciados. O Cainesiano Tuga quer aplicar a teoria a uma economia com trabalhadores especializados, esperando que as mulheres despedidas no Vale do Ave se dediquem à construção civil no Norte do Alentejo ou que a empresa habituada a fazer prédios de raiz se dedique à reconstrução de prédios históricos no centro das cidades.

4. O Keynesiano Clássico compreende que para a coisa funcionar os estímulos públicos têm que incidir em projectos de curta duração em sectores onde exista capacidade subutilizada. Esta regra é importante de forma a que o estímulo público não compita por recursos com a retoma natural que acabará por acontecer. O Cainesiano Tuga aproveita a oportunidade para defender obras públicas colossais que só poderão começar depois de começar a retoma e que se vão prolongar por vários anos após a crise.

5. O Keynesiano Clássico compreende que o investimento tem que ter retorno. Caso contrário o défice criado com o estímulo público pesará sobre a economia, via impostos, durante o período de retoma. O Cainesiano Tuga aproveita a oportunidade para defender os seus projectos-brinquedo, ou como ele diz, “projectos com retorno social”. “Projecto com retorno social” é um eufemismo para “projecto que só dá despesa”.

6. O Keynesiano Clássico compreende a teoria e consegue discuti-la em detalhe. O Cainesiano Tuga cita Caines, Obama e Krugman (Respeito. Ganhou um prémio Nobel. Vénia, vénia).

7. O Keynesiano Clássico acredita que a economia é uma ciência objectiva sobre a qual é possível falar com rigor. O Cainesiano Tuga é um “economista de esquerda” em luta contra os “economistas neoliberais”.

publicado às 01:17


4 comentários

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De Ricardo Gomes Silva a 10.07.2009 às 11:28

Isso veio daqui:
http://blasfemias.net/2009/07/09/em-nome-de-caines/

ab

bem haja
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De Ricardo Gomes Silva a 10.07.2009 às 11:35

...e não é assim tão brilhante quando se sabe que Portugal dificilmente pode aplicar planeamento económico diverso daquilo que se aplica no resto da Europa...é que não existe qualquer "caenisiano tuga" mas um discurso a nível europeu no sentido de grandes intervenções estatais

Mais uma vez limita-mo-nos a copiar aquilo que de pior se faz lá fora

Quanto à ignorância pedante de Socrates em matérias de economia, a Ferreira Leite que o é consegue ser pior.

..o que diz muito da qualidade dos politicos que temos à frente da moça do barrete...e do que podemos esperar eles para o futuro

ab

bem haja
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De João Pedro a 10.07.2009 às 13:12

Fico espantado ao ver João Miranda (que é aquilo que se pode chamar "um anarco-capitalista") defender Keynes!

"O Keynesiano Clássico acredita que a economia é uma ciência objectiva sobre a qual é possível falar com rigor"

Acho que ninguém com bom senso pode considerar a economia uma ciência objectiva; mas isso não são só os "cainesianos", mas também os "compagnons de route" de João Miranda.
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De Manuel Pinto de Rezende a 12.07.2009 às 00:21

João, de facto a escola neoclássica de economia tem uma visão semelhante à keynesiana no que toca ao carácter científico da economia.
mas eu penso que a visão de João Miranda nesse assunto é austríaca, logo, é outra conversa totalmente diferente...

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