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A jornada do Constituição 2.0 promovida pela IDP, consistiu numa excelente oportunidade para contactar pessoas com quem não falava há décadas. Estando alguns arquitectos presentes, resolvi questioná-los acerca da actual situação autárquica em Lisboa. Gonçalo Ribeiro Telles amavelmente respondeu a todas as dúvidas e acabou por confirmar algumas das certezas que venho manifestando, através de rotineiras crónicas neste blogue. O actual caos urbanístico na capital, deve-se aos grandes interesses em jogo, a escandalosas ilegalidades da CML, à passividade cúmplice da política rotativa e facto indiscutível, ao proverbial situacionismo do "deixa andar" de um eleitorado desinteressado e sempre disposto a acatar directivas de quem se apresente como prestidigitador de todos os problemas. Poucos se interessam sequer pela sua rua, quanto mais pelo bairro, cidade ou país. Amodorrados por um sistema cruelmente imbecil e despoticamente exclusivista, os lisboetas assistem à degradação da sua cidade, apenas intervindo para "decidir" acerca do menos mau que se disponha a gerir uma Câmara onde o interesse público parece totalmente esmagado por outros bem identificados e que dão forma ao sistema.
Sumariamente, Ribeiro Telles declarou ter enviado o dossier completo acerca do projecto verde ao actual gabinete camarário e assim, aguarda uma resposta que nada menos poderá ser, senão um formal compromisso. Mais, tal projecto - que é essencial à qualidade de vida e sobrevivência da cidade -, encontra-se totalmente aberto a quem queira nele participar, acatando finalmente as medidas que são essenciais para reverter o actual e desastroso estado de coisas. Tive a oportunidade de dizer a GRT que até prova em contrário, nutro as maiores dúvidas acerca da sinceridade de certos apoios de última hora, habituados como os lisboetas há muito estão, de ver o prestigiado arquitecto ser usado ciclicamente como argumento eleitoral dos oportunistas do costume. Com um sorriso, este homem que demonstra uma espantosa lucidez, capacidade de diálogo e de discurso, fez-me entender que não está disposto a certos favores, pois o compromisso com o dossier/Lisboa deverá ser total e formalmente anunciado como projecto a realizar de facto. Ou sim na totalidade, ou não!
A única interrogação que fica, consiste na desconfiança que não posso deixar de sentir por uma actual vereação que nos últimos anos foi capaz de tentar forçar os lisboetas a enormidades como o terminal de contentores e mais recentemente, a deliberada adulteração do Terreiro do Paço que aliás, Ribeiro Telles também contesta veementemente. Tivesse Portugal um regime que correspondesse à sua história multisecular, este homem devia ser presidente da Câmara de Lisboa já há mais de quarenta anos! É sem qualquer margem para dúvidas, um gigante no meio pigmeus carreiristas. A grande diferença, consiste na sua repugnância por qualquer saco de ouro. Enfim, o que nestes dias de descontentamento, parece ser o principal móbil para a acção.