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As eleições autárquicas desde sempre serviram de mero prolongamento do combate político protagonizado pelos principais partidos, cujo verdadeiro fim é a conquista ou manutenção do poder propiciado pelo exercício do governo. De facto e no que respeita aos principais centros urbanos, as próximas autárquicas apenas parecem confirmar esta péssima tradição que tão funestos resultados trouxe às populações e ao património histórico delapidado pela incúria, ganância e escandalosa incompetência com fortes indícios de corrupção.
Vivendo em Lisboa, sinto como dever cívico, participar pelos meios ao meu alcance - neste caso a net - no apontar de problemas e de uma forma despretensiosa, no alvitre de soluções para a minha rua, o meu bairro e porque não?, para a própria capital do país. A rubrica Lisboa Arruinada que no Estado Sentido tem sido rotineiramente actualizada, não se limitou aos nossos leitores, pois foi sempre pontualmente enviada à vereação municipal, aos grupos parlamentares na Assembleia da CML e ao próprio gabinete do presidente da dita Câmara. Se excluirmos o gabinete de Helena Roseta e uma breve e inócua resposta do sr. arquitecto Salgado acerca da vergonhosa demolição ocorrida na Duque de Loulé 35, o resultado parece ter sido nulo. Na verdade, os partidos presentes na actual Câmara, pouco ou nada se interessam pela opinião dos munícipes eleitores, de quem se lembram apenas nas semanas anteriores à realização de cada escrutínio, onde se decidirá a divisão de "pastas". Esta é a verdade.
Esta è a Câmara Municipal que retira edifícios do inventário, para logo depois possibilitar a sua destruição criminosa. Esta é a Câmara Municipal que suspende o PDM - Plano Director Municipal - com o fim de tornear as dificuldades por ele impostas aos especuladores, depredadores do património e agiotas ao serviço do betão. Esta é a Câmara Municipal que outorga a concessão de obras de martimonização do Terreiro Paço, de uma forma escabrosa, sem concurso público e claramente descaracterizadora da principal Praça da cidade. Esta é a Câmara Municipal que gastou milhões em projectos megalómanos sem exequibilidade. Esta é a Câmara Municipal que quis ceder aos lóbis que partilham o bolo daquilo que deve ser o interesse público. Esta é a Câmara Municipal que sacrifica o interesse colectivo, à cretina vaidade semi-imbecil de um irresponsável. Existem muitas e boas razões para nem sequer pensar por uma fracção de segundo, na hipótese de um voto na "lista" de António Costa, ou na do seu gémeo Santana Lopes. No caso da Câmara de Lisboa e podendo incorrer no negregado "politicamente incorrecto", estão em causa as políticas e também, as pessoas.
Responsáveis por um imenso rol de trapalhadas, poucas vergonhas, abusos, escândalos públicos e clara incompetência desrespeitosa da população, apenas nos resta uma certeza: estas autárquicas apenas servem para garantir aos dois aparentemente principais contendores, emprego ou posição no Partido respectivo. Para isto, mais vale ficar em casa. No passado Sábado foi isso mesmo que disse a Ribeiro Telles.
*Adenda: foi hoje anunciada a possibilidade do gabinete Roseta entrar na lista do senhor Costa. Isto apenas vem confirmar - infelizmente - aquilo que mais acima dizíamos. O que verdadeiramente está sempre em causa, é o interesse pessoal, em detrimento da defesa da cidade. Como é possível agora pactuar-se com uma situação sempre bastante criticada? De facto, alegremente seguindo os passos de outro ex-futuro dissidente do PS, a arq. Roseta vai atrás do lugar garantido? Esperemos para ver.
Já agora e órfãos do seu-Zé-que-nunca-o-foi, os actuais nacional socialistas-revolucionários ex-Lci, ex-UDP, ex-MDP/CDE, ex-Política XXI, ex-PSR - mais conhecidos por BE, -, devem andar em alucinações para encontrar um candidato que pelo menos lhes permita manter uma pouco confiável terceira posição no ranking eleitoral. Pelo que parece, a hipótese colagem/Roseta foi-se desta para pior e agora eis o dilema!