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Pouco há para comentar. O debate foi nulo e demonstrou à saciedade a total ausência de projectos para a capital, ficando os munícipes com a garantia de a CML não passar de mero entreposto para a circulação de personalidades cujos objectivos são claramente outros. Para trás ficaram os tempos da "Lisboa irreconhecível" do sr. Abecassis e a temporária estadia do sr. Sampaio antes de ascender ingloriamente à residência de Belém. Esquecida fica a obra cultural - inegável - de João Soares e a consequente despesa que isso representou. De Carmona lembramos - e homenageamos a coragem - a lápide colocada no local do regicídio e de Costa fica a memória dos contentores, do Hotel Altis à beira da Torre de Belém e do escabroso projecto do Terreiro do Paço martimonizado. Quanto a Santana, sobrou a miragem Gehry.
Os lisboetas podem ter a certeza de um esgrimir de argumentos fraquíssimos, inconsistentes e que na prática se traduzirão em mais demolições, mais estacionamentos em terrenos onde existiam prédios de habitação, mais terciário, mais fachadismo oficial, mais adulteração de espaços históricos. Em suma, o betão e os grandes interesses imobiliários especulativos nacionais e estrangeiros continuarão a ditar a lei. "Por Bem" prosseguirão as suspensões clandestinas do PDM, a retirada oportunista de edifícios do inventário municipal e claro, a tordesilhesca partilha de lugares cativos.
Como curiosidade, aqui deixo um e-mail enviado por um amigo residente na zona de S. Mamede, ao Príncipe Real. Dá-nos uma ideia do vergonhoso processo de parquimetrização da cidade e da caça à multa a todo o transe. Coisas sem importância para os srs. Santana e Costa e respectivos sucedâneos Zé e Roseta.
Olá, Nuno
Interessa-me apenas a política local, neste momento.
Recentemente, levaram daqui os parquímetros podres e marcaram a zona como reservada a residentes... só que não puseram parquímetros novos e os lugares estão ocupados em massa por forasteiros. Chega a Polícia Municipal, uns g... que não vêem um palmo à frente da cara, e vai de trancar e multar a torto e a direito, em zonas ao calhas, residentes com senha identificativa incluídos, como eu... dizendo, para cúmulo, aos de fora que puderam ouvir, que, estando do lado direito, se pusessem os carros fora do passeio não seriam multados... os guardas que vieram cobrar a massa das trancas, duas horas depois, disseram que isto era mentira. Fui à procura de um homem a quem disseram isto por dois carros e encontrei-o, estava numa obra ali perto... Ameaçaram-me com acusação de ofensas à autoridade.
A história é demasiado comprida para caber aqui. Estou farto de escrever à Câmara sobre isto: a repressão antes do ordenamento. Nunca conseguiram impor a lei, nem ordenar, ou seja, garantir o estacionamento prometido aos residentes, mas ainda facturam com isso. Mas tudo direitinho e de cabeça baixa, a pagar. Disse-lhes: «os senhores fazem um trabalho mau, mal informado, incompleto, não percebem nada do que se passa aqui há anos, em suma, são incompetentes, e ainda ganham dinheiro com isso!». Não gostaram de ouvir: «Vêm à caça. Matam meia dúzia de veados, e voltam para donde vieram, todos contentes. Amanhã está tudo na mesma. Os senhores não servem para nada. Não são bem vindos». Quando começo a mandar vir, já aprendi, vêm logo mais cinco portugueses a apoiar.
Os guardas, claro, começaram a dizer que já estava a falar de mais, etc.
Levaram-me 340 euros.
Abraço
F