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Desenganem-se aqueles que pensam que a qualidade de vida ainda se encontra nas grandes cidades como Lisboa ou o Porto.
Na semana passada voltei após um interregno de alguns anos a Braga e fiquei surpreendido pela positiva. Nesta altura a dita será já a terceira maior cidade do país em termos demográficos, tendo ultrapassado a Amadora. Braga cresceu imenso tendo abandonado aquele carácter marcadamente provinciano que a caracterizava no passado. Actualmente desfruta-se de todas as vantagens de uma cidade de média dimensão (como o sossego e cortesia dos habitantes) e de uma grande cidade, visto encontrarmos disponíveis todos os serviços a que estamos habituados em Lisboa (grandes espaços comerciais, cinemas, equipamentos desportivos etc etc).
Os espaços públicos estão limpíssimos, os grafites nas paredes são inexistentes, os jardins extremosamente cuidados.
Os bracarenses mostram um orgulho e gosto na sua cidade que já não se encontra em Lisboa. Os edifícios antigos são por regra preservados e restaurados minuciosamente, trata-se de uma cidade com “alma”.
Encontrei turistas de todas as proveniências aos magotes, contentes a deambular descontraidamente pelas ruas e cafés, sem qualquer sentimento de insegurança. Achei escandaloso ver que esta cidade relativamente pequena em comparação com Lisboa, tenha uma quantidade de cafés em número e qualidade que não encontramos na capital e que se mantém abertos até altas horas (2h da manhã).
A vida nocturna de Braga é animada, encontrando-se gente de toda as idades a passear à noite, existe ainda um culto da vida de cafés que se encontrava também em Lisboa até a insegurança se instalar. A qualidade da pastelaria é de elogiar, pelo que todos abusam um pouco nos bolos, perdurando ainda um certo hábito de jantar pesadamente.
Em torno de Braga desenvolveram-se grandes urbanizações de qualidade, no estilo das telheiras, mas mais arborizadas, servidas de Health Clubs (que também dispõem de uma boa oferta em termos de pastelaria) , espaços comerciais amplos e numerosos cafés de rua com amplas esplanadas. Os seus habitantes são gente jovem, normalmente quadros técnicos que em pouco diferem dos que encontramos em Lisboa. Existe uma extensa e concorrida ciclo-via que rodeia a cidade e que passa junto da mancha verde que a cerca.
Na ultima década surgiu uma certa classe de gente endinheirada, ligada como sempre ao poder político local e às construtoras (como a Braga Parques).
Portanto, temos Jaguars e Bentleys a circular nas ruas e lojas de marcas dispendiosas, vitrinas cheias de Laliques e mais uma panóplia de coisas do género.
Passeando no centro encontrei casualmente o realizador Manuel de Oliveira a lanchar calmamente num dos melhores cafés da cidade.
Um aspecto menos curioso do que pode à primeira vista parecer e que poderá explicar o tal clima de relativa segurança generalizada, é o facto de praticamente não ter encontrado imigrantes (só emigrantes de férias). Portugal é uma criação sobretudo das gentes do norte. Historicamente foi o dinamismo demográfico dessa área que permitiu povoar o país e alimentar a corrente emigratória. Mesmo actualmente com a redução da taxa de natalidade e envelhecimento da população portuguesa, o Minho é a única região que mantém ainda um certo crescimento demográfico. Portanto não existem postos de trabalho disponíveis para imigrantes estrangeiros.
Resumindo, penso que no momento presente a qualidade de vida em certas capitais de distrito menos descaracterizadas pela imigração e pelo gigantismo, é muito superior à que é desfrutada em Lisboa ou no Porto.