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Pacto MFA - partidos foi o quê?

por João Pinto Bastos, em 26.04.13

Sim, foi o quê? Quando se fala tanto em troika, em constrangimentos políticos e em limitações à soberania nacional - os Galambas do regime são mesmo muito chatinhos -, esquece-se, convenientemente, diga-se de passagem, que nos idos de 75 a política do país foi dolorosamente cerceada pelo trambolho que intitula esta posta. Mais: a Constituição de 1976, nas suas linhas estruturantes, foi exactamente o quê? Um modelo de abertura e flexibilidade? Tenhamos um pouco mais de vergonha na cara. O 25 de Abril, que não vou discutir agora, teve, efectivamente, alguns proveitos. Mas se há algo que a experiência abrilista nos ensina é que o constrangimento à Política, isto é, a livre deliberação acerca dos destinos da comunidade, começou justamente quando o estamento militar vitorioso no golpe de estado de Abril decidiu impor aos partidos políticos uma agenda política fortemente ideologizada. É tão bom encher a boca com tiradas grandiloquentes a respeito da democracia, da liberdade ou da iguadade. Não é? Só lamento que esses ditirambos esqueçam as verdades inconvenientes do regime. Na verdade, não esquecem, pois o olvido deliberado está no âmago da proposta política dos fundadores desta república da treta.

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publicado às 13:46

"Miserávels e doidos"

por Nuno Castelo-Branco, em 25.04.13

Em 1907, D. Carlos concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Temps e o que disse - tudo aquilo que a maioria dos portugueses julgavam necessário dizer-se - foi apressadamente recolhido pela minoritária oposição ao regime, aproveitando-se a oportunidade para a descarada subversão e acusar o monarca de se colocar como chefe de partido. 

 

Miseráveis e doidos.

 

Há quem ainda não tenha percebido o que significa ter uma chefia de Estado republicana. Apenas lhe encontram indecências, quando o titular da coisa não lhes pertence e não lhes faz os ambicionados fretes. Isto serve para a esquerda e para a direita.

 

Miseráveis e doidos.

 

Em 2013 já nem sequer se poupam os epítetos, embora ainda não ousem chegar ao "canalha, Sardanapalo e cevado" com que os republicanos mimoseavam o Rei. Outrora, impunemente destilavam todo o tipo de calúnias e palavrões - um indulto real, era no dizer de A. José de Almeida em pleno Parlamento, "um broche oferecido pela Rainha Orleães" -, não existindo autoridade que impusesse o decoro. A omminosa Monarchia tudo permitia e não cuidava da protecção de reputações, da verdade e da sua própria legitimidade constitucionalmente garantida. Erros crassos que Portugal pagou e desmedidamente ainda paga. Felizmente a situação mudou, os enervados Galambas têm medo de exageros e as autoridades, no caso de lhes fazerem aquilo que outrora os seus antecessores fizeram a outrem, sabem como actuar.

 

Miseráveis e doidos.

 

O sr. Galamba soariza as bravatas, mas não foi tão longe quanto decerto pretenderia. No entanto, o que disse é suficiente para tirarmos o pulso à situação: “Cavaco quer cumprir o tratado orçamental mas queixa-se da austeridade generalizada em toda a Europa. É oficial: endoidou.” (...)  “Discurso miserável de um miserável Presidente. Que vergonha”.


Miseráveis e doidos.


Chegámos a isto, o que se seguirá? Já tivemos um Presidente que ao seu Primeiro-Ministro se referia em alta voz como "esse gajo" - ouviram-no dizer isto em pleno Bel Canto -, precisamente o mesmo que pouco antes de abandonar o cadeirão belenense, publicamente se sentiu bastante aliviado por ter nomeado um governo do seu partido. Gostava de "fazer desaparecer os agentes da autoridade para longe da sua vista". Também tivemos outro inenarrável fulano que a todos os latrocínios, incompetências, aldrabices e prepotências aquiesceu sem tugir nem mugir, após descaradamente ter dissolvido um Parlamento maioritário.


Miseráveis e doidos.


Por muitos alka-selzers que sejam necessários para digerirmos os discursos presidenciais, o sr. Cavaco Silva nada afirmou de extraordinário. Resumidamente, não são necessárias novas eleições, porque:


1. Existe uma maioria que não está pelos ajustes de uma nova sampaízação a soldo. 


2. Os mandatos existem para serem cumpridos. É precisamente esta, uma das características das democracias estabilizadas.


3. As eleições talvez trariam o outro partido para a chefia do governo, mas os ansiosos pretendentes apenas confirmariam tudo aquilo que até hoje tem sido feito. Sabemos o programa de cor, conhecemos demasiadamente bem os que querem ser os novos "retornados". Em suma, não vale a pena perdermos a paciência, tempo e dinheiro com mais fait-divers.


O Galamba faz-nos lembrar aquele médico que num hospício se ri por quase todos os pacientes julgarem ser Napoleão. O problema é que ele próprio ainda não reparou que usa um bicórnio e insiste em fazer repousar a sua mão direita no peito, ali mesmo entre o terceiro e o quarto botão da bata branca.


Tem razão, Galamba: miseráveis e doidos.

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publicado às 16:51

Vamos conquistar a cidadania!

por Pedro Quartin Graça, em 25.04.13

COMUNICADO do IDP - Instituto da Democracia Portuguesa sobre o 25 DE ABRIL

 

"Em 25 de Abril de 1974, pouco mais de cinquenta países no mundo podiam ser considerados democráticos. Passados quase 40 anos, a maioria dos 192 países do mundo são democracias. Portugal - como há 500 anos – passava para a dianteira de uma nova era mundial, inaugurando o que se conhece internacionalmente como a terceira vaga da democracia. Mas, passados todos estes anos, falta cidadania! Em 40 anos evoluímos, e Portugal desenvolveu-se de uma forma impressionante. Mais do que repetir números, basta olhar para os portugueses, basta “contarmos como foi” e perceber o abismo que nos separa do longínquo 1974. E no entanto, os momentos de hoje são de querelas e alheamentos quanto ao presente, e de desânimo e perplexidade quanto ao futuro. Aos 39 anos da revolução, falta conquistar a cidadania!

De 1974 até hoje recuperámos atrasos significativos, excluímos a fome e a miséria do nosso quotidiano e respirámos, de novo, a liberdade de expressão e de organização. Alcançámos a paz, terminando uma guerra impopular.

Mas agora temos de debater o custo desses benefícios! Estamos mais velhos. Menos atreitos ao risco. Nascem menos crianças. Emigram demasiados jovens e adultos.

Muitos vivem situações de catástrofe. A Península em que nos situamos atravessa uma turbulência inédita nos últimos séculos. A Europa vive um momento de ajustamento a realidades económicas, demográficas e políticas que a desafiam de fora.

O Mundo mudou com a integração de grandes espaços económicos continentais. Aos 39 anos da revolução, temos de olhar, de novo, para dentro! Temos razões para estar orgulhosos do que alcançámos em democracia. Mas estamos a sentir a derrota do que não alcançámos com a sociedade civil. Sentimos que as pessoas foram abandonadas pelas instituições e que muitas mergulham no alheamento. O sistema político que desenhámos sofre com a gestão económica danosa. Terá de ter alterações, a curto e a médio prazo, legitimadas pela vontade do povo. A data que hoje se comemora devolveu-nos direitos históricos que nos tinham sido retirados, abriu horizontes e permitiu o sonho. Mas hoje, precisamos de uma transição democrática que nos permita articular a sociedade civil.

Aos 39 anos da revolução, falta essa rede de sociedade civil que debata as boas políticas e que selecione os políticos que depois se apresentam a eleições. Hoje, mais do que nunca, uma sociedade civil forte será o elemento que faz a diferença, a chave que permitirá caminhar com passos firmes para uma nova fase da democracia. Tal como noutros momentos históricos, poderemos, de novo, ser precursores de uma nova era…. Orgulhamo-nos dos símbolos do que melhor temos de coletivo. A história não nos pesa. O que nos pesa são os erros do presente. Por isso, continuaremos a lutar pela cidadania!"

 

Lisboa, 24 abril 2013

 

A Direcção do Instituto da Democracia Portuguesa

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publicado às 12:23

E continua actual

por João Quaresma, em 25.04.13

Estava-se em 1982:

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publicado às 00:00

Eu também sofri um ataque à liberdade de expressão

por Samuel de Paiva Pires, em 24.02.13

Estava aqui a recordar um episódio que aconteceu em 2009, quando numa conferência de celebração do 25 de Abril, no ISCSP, que teve como ilustres oradores Adriano Moreira, Mário Soares e Odete Santos, resolvi, no período de debate, incendiar a sala, confrontando o painel com o facto de não se poder dizer que o Estado Novo tenha sido fascista, e afirmando ainda que a narrativa anti-fascista tem servido para muitos legitimarem os seus intentos mesmo que estes sejam de uma perigosidade atroz para a democracia. Os estudantes ficaram em polvorosa, a Vice-Presidente do ISCSP gritava "cale-se, ninguém quer saber as suas opiniões", Odete Santos espumava e gesticulava descontroladamente, Adriano Moreira sorria e anuía com a cabeça e Mário Soares tirou-me a palavra - para dizer, sublinhe-se, que do ponto de vista da Ciência Política, de facto não se pode dizer que tenha existido fascismo em Portugal. Pelos padrões que regem umas quantas cabecinhas por estes dias, sou agora levado a acreditar que fui vítima de um ataque à liberdade de expressão. Devia ter-me queixado na altura, porventura à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Talvez Miguel Relvas o possa fazer.

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publicado às 21:10

O fetiche da eliminação dos feriados

por Samuel de Paiva Pires, em 14.12.12

Aqui fica o meu artigo de hoje para o Diário Digital, publicado também no blog da Real Associação de Lisboa.

 

 

(1 de Dezembro de 2012, fotografia cordialmente cedida pela Real Associação de Lisboa)

 

No meio da catástrofe que se abateu sobre Portugal e os portugueses, uma tendência fetichista com a eliminação dos feriados emerge entre os que nos vão sujeitando a uma penosa navegação à vista. Ilustrativa quanto baste da perigosidade do Leviatã e dos que o manobram praticando o velhinho princípio cesarista de divide et impera, esta tendência torna-se ainda mais preocupante quando colocada em perspectiva nos contextos da intervenção internacional a que o consulado socrático infelizmente nos trouxe e da crise da União Europeia que muitos parecem querer ultrapassar com uma fuga para a frente em direcção a um federalismo muito pouco federalista e democrático, o que me traz à memória uma célebre gaffe de João Pinto, antigo jogador do Futebol Clube do Porto: “Estávamos à beira do abismo e fizemos o que tínhamos a fazer: demos o passo em frente.”

 

Não constando do memorando de entendimento com a troika ou do programa do actual governo quaisquer referências à redução do número de feriados, não deixa de ser intrigante assistir a esta tendência apresentada como forma de penitência, visando a redenção perante os parceiros internacionais e ajudando a reforçar ideias perigosas como a de que em Portugal trabalha-se poucas horas, quando na verdade trabalhamos mais horas que a média europeia, ou a de que a culpa da crise que vivemos é da nossa total responsabilidade, quando se é certo que os governantes erraram em muita coisa nas últimas décadas, também não deixa de ser porque o sistema financeiro europeu e as políticas da União Europeia contribuíram em larga medida para os desvarios que nos trouxeram ao estado a que chegámos.

 

Primeiro foram os quatro feriados que o governo achou por bem negociar em sede de concertação social, como se esta tivesse qualquer mandato para tal – o que é revelador não só da falta de conexão entre as confederações que ali têm assento e a nação, mas também dos tiques autoritários que perpassam este governo. Há dias, foi notícia a intenção do governo de tornar o 25 de Abril um feriado de celebração opcional nas embaixadas, missões bilaterais e serviços consulares portugueses. Sendo o feriado fundacional do regime, não deixa de ser estranho que a sua celebração deixe de ser obrigatória nas representações externas do estado português, o que em conjunto com a eliminação do feriado do 1.º de Dezembro só vem agravar ainda mais a preocupante propensão para não nos darmos ao respeito na arena internacional.

 

Mas mais grave que isto é este fetiche parecer-me estar enquadrado no processo de apagamento da identidade portuguesa em curso, sobre o qual escrevi no início deste ano. Como se não bastasse o absurdo Acordo Ortográfico que vai desfigurando a língua portuguesa, o governo ainda se considera no direito de dispor a seu bel-prazer de celebrações de mitos que dão corpo à nossa identidade nacional, à nossa pátria, não hesitando inclusive em enveredar pelo já referido dividir para reinar, no qual caíram monárquicos e republicanos a respeito do 1.º de Dezembro e 5 de Outubro. Este processo não é fruto do mero acaso. Trata-se de um ataque despudorado ao Estado-nação, que visa abrir brechas para permitir, em primeiro lugar, o enfraquecimento e manipulação da identidade nacional, e em segundo, o reforço da lealdade e identificação com a União Europeia, o que poderá vir a reflectir-se na tentativa de implantação de uma suposta identidade supranacional que muito facilitaria o trabalho aos eurocratas que, não satisfeitos com a fragmentação a que a maioria das nações e sociedades europeias foram e estão a ser sujeitas, parecem apostados em dar o passo em frente em direcção ao abismo. Não estou com isto a dizer que a União Europeia não deve avançar no sentido de uma federação. Mas conhecendo-se o historial do método comunitário, apenas suspeito fortemente que o processo que levará a uma federação europeia aprofundará o défice democrático e terá muito pouco respeito pelas identidades nacionais.

 

Desenganem-se os que julgam, como salienta Pierre Manent, que uma nação “é um traje ligeiro que se possa pôr e tirar à vontade, ficando-se na mesma.” Escreve o autor francês que “Ela é esse todo no qual todos os elementos da nossa vida se reúnem e ganham sentido.” Como assinala Roger Scruton, é a cultura que nos une e a pátria é o lugar onde regressamos, nem que seja apenas em pensamento, no fim das nossas deambulações. Por mim, continuo a subscrever Pessoa quando afirma que “O Estado está acima do cidadão, mas o Homem está acima do Estado” e apenas acrescento que a pátria está acima do estado, não podendo ser aprisionada por este nem por nenhum de nós e sendo, na realidade, o mito que fundamenta o burkeano contrato entre os mortos, os vivos e os ainda por nascer. Porque recordando ainda Miguel Torga, a pátria é “o espaço telúrico e moral, cultural e afectivo, onde cada natural se cumpre humana e civicamente. Só nele a sua respiração é plena, o seu instinto sossega, a sua inteligência fulgura, o seu passado tem sentido e o seu presente tem futuro.”

 

Que actualmente sejamos liderados por um governo que tem revelado esforços muito tímidos quanto a fazer aquilo para que foi eleito e que ambos os partidos da coligação prometeram em campanha eleitoral – reformar o estado –, preferindo a velha e estafada receita do aumento de impostos, parece-me ser uma vicissitude de um regime democrático, que não deixa de reforçar o descrédito dos agentes políticos e, consequentemente, do regime. Mas que numa das mais graves horas que enfrentamos colectivamente, ainda sejamos sujeitos a uma ofensiva anti-patriótica, é somente trágico.

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publicado às 18:49

Como?

por Samuel de Paiva Pires, em 08.12.12

O feriado fundacional do regime vai deixar de ser de celebração obrigatória nos serviços diplomáticos portugueses? Mesmo quem não seja adepto do 25 de Abril deve conseguir perceber perfeitamente a idiotice. Acima do estado está o país, e depois de se ter acabado com a celebração do 1.º de Dezembro, isto só vem agravar ainda mais a preocupante tendência para não nos darmos ao respeito na arena internacional. Parece que já estou a imaginar os telegramas das missões diplomáticas acreditadas em Lisboa...

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publicado às 14:49

Conselho à geração na casa dos trinta anos

por João Quaresma, em 30.10.12

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo:

 

«Larguem o liberalismo e o socialismo. Eu sei que Portugal foi conduzido aqui mais pelo socialismo do que pelo liberalismo. Mas eu também sei que, se o caminho seguido tivesse sido o do liberalismo, o país não estaria em muito melhores condições. Nenhum desses é o nosso caminho. Libertem-se dessa escravidão intelectual, abandonem a politiqueira na blogosfera, nos jornais ou no Parlamento, ou deixem todas essas actividades para quem não tem capacidade para ir mais longe, ou simplesmente precisa disso para viver, o que, de resto, não vai ser por muito tempo. (...)

Se daqui por muitos anos, eles [geração dos trinta anos] se meterem numa aventura como aquela em que nós nos metemos depois do 25 de Abril, a viver de acordo com ideias que nos são estranhas e inimigas, em lugar de viverem com as ideias da sua cultura, que é uma cultura riquíssima e imensamente racional e, em consequência forem também à ruína como nós, se isso acontecer, então, onde quer que eu esteja, eu vou dizer: "Que cambada de parvalhões. Vivi num país arruinado, sei o que isso é, e transmiti-lhes a minha experiência. Indiquei-lhes um caminho para viverem bem. Sobretudo, indiquei-lhes os caminhos por onde nunca se deveriam meter. E foi precisamente por esses caminhos que eles se foram meter. Parvalhões."»

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publicado às 18:51

Outra leitura recomendada

por João Quaresma, em 04.05.12

 

Politicamente incorrectíssimo e importante para se perceber alguma da História contemporânea de Portugal. E é de aproveitar enquanto se publica. Da Oficina do Livro / Leya.

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publicado às 19:55

+ 40Kg/média em 38 anos

por Nuno Castelo-Branco, em 25.04.12

Com uma saudação ao estilo Breivik, os militares norte-coreanos prosseguem as coreografias de entretenimento, consagrando a sucessão Kim.  Evocando a "ideia Zuche", uma espécie de contrafacção fanqueira das colectâneas de textos de Marx e Lenine, garantem poder liquidar os  americanos através de um só golpe, aproveitando para prometerem a redução da Coreia do Sul a cinzas. 

 

Aqui está um tipo de regime cheio de optimismos e entusiasmos, recorrendo a todos os pretextos para realçar o papel dos militares. Para aquele que hoje numa Lisboa chuvosa dizia que o Parlamento não representa o povo, a "ideia Zuche" poderá ser uma hipótese a considerar, apesar deste tipo de coisas que alguns preferem esconder. A grande questão a colocar é de peso, pois os amuados ausentes nas comemorações oficiais - pelo menos os nomes mais sonantes - deverão ter engordado cada um deles, um mínimo de 40Kg desde 1974.  Ora, isso é escandalosamente notório e proporciona um confortável crescimento pneumático de mais de 1Kg/ano. Espantoso.

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publicado às 19:54

Respigando discursatas

por Nuno Castelo-Branco, em 25.04.12

 

 

PSD: "comemorar não é lembrar, comemorar é honrar".

Tudo muito bonito, mas há muita gente que ainda se lembra. Lembra-se das bestialidades em 74 e 75 pronunciadas por Sá Carneiro, lembra-se dos silêncios quando não declarado conluio no sórdido "caso descolonização". Claro que nos lembraremos dos governos do Sr. Cavaco Silva e da destruição de centenas de milhar de postos de trabalho. Claro que nos lembraremos da abertura do Estado a gangs de patifes da pior espécie que o tornaram pasto para privados apetites financeiros. Claro que nos lembraremos de certa gente sentada no Conselho de Estado, do BPN, da construção do CCB, das auto-estradas, etc. Claro que nos lembraremos.

 

PS: “o rumo do crescimento e do progresso foi invertido” . Eles lá sabem do assunto, pois sendo exímios no desperdício, má gestão, abuso de confiança e reserva mental, estão cientes da situação do edifício do qual foram os principais engenheiros.

Ridícula, esta obsessão pueril pela França, evocando o Sr. Hollande. Acusam os outros de submissão aos alemães - quando eles próprios são um caniche concebido pelo SPD e até há um ano, os preferidos da Sra. Merkel - e hoje imploram por Hollande. A França consiste numa hemorróida de muitas gerações, pois a qualquer prurido do Sr. Clemenceau ou Poincaré, já o biltre Afonso Costa de imediato corria ao farmacêutico da esquina, não fosse cair tonto pela janela do eléctrico.

 

CDS“A vida em liberdade e democracia, apesar da sua extraordinária complexidade, é um bem absoluto de que não queremos abdicar”.  Fique o Largo do Caldas certo de que Mário Soares e outros de menor coturno abdicam facilmente dessa liberdade, sempre que não forem eles a deter as chaves dos ministérios, ou melhor, a combinação das fechaduras dos cofres dos mesmos. Quanto ao mais, o CDS deve advertir os seus sócios acerca daqueles assuntos que envolvem comissões, abates de árvores e outras questões pendentes.

 

PC e colónia verde: Acusa a direita - ou seja, todo o restante Parlamento - de ter  transformado Portugal “numa enorme junta de freguesia”, “num protectorado da Alemanha”. Interessante, este artifício parido por quem marejava os olhos de lágrimas de contentamente, nos tempos em que a União Soviética "protegia" metade da Europa - uma boa parte da Alemanha incluída - num sistema colonial jamais visto. Quanto à alegação da junta de freguesia, nisso está o PC certo, até porque quem passeie por "juntas de freguesia" onde o PC dominou durante décadas - áreas de Sintra, Loures, Barreiro, Vila Franca, Sacavém, Almada, Seixal, Moita, Amora, Costa de Caparica, Trafaria, Amadora, Cacém e dúzias de Quintas do Mocho, ficará com uma ideia de como Portugal seria nas mãos da comandita do "homenzinho novo". Má construção, péssimas estradas e acessos secundários, saneamento miserável, lixeiras a céu aberto, um pesadelo suburbano mercê dos negócios com "arquitectos e engenheiros" do betão de 3ª categoria. Em suma, viveiros de criminalidade. E falam eles dos outros?

 

BE: realmente, os "ricos que paguem a crise". Assim sendo, dêem os próprios bloquistas o exemplo.

 

Cavaco Silva“Temos todos o dever de mostrar que somos um país credível e com potencialidades que tantas vezes são ignoradas”.

Conhecendo-se o currículo do orador, resta-nos imaginar aquilo que os estrangeiros pensarão acerca deste país que o elegeu para Chefe do Estado. Ele sintetiza bem a imagem que temos "lá fora".

 

Bem, já ouvi o suficiente. Agora, vou regalar-me com um almoço que preparei: frango ao estilo da Kentucky Fried Chicken com toneladas de piri-piri, acompanhado por massa "parafuso" tricolor, salteada em azeite e alho. Fico-me por aqui.

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publicado às 11:46

O slide nº 17

por Nuno Castelo-Branco, em 25.04.12

O Expresso mostra hoje alguns murais pintados nas paredes de Lisboa. Um deles, é bastante familiar. Estive envolvido nessa acção de propaganda e na série hoje publicada, surge na foto nº 17.

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publicado às 11:45

Feliz aniversário

por Nuno Castelo-Branco, em 25.04.12

 

Era o delírio. Naquele dia 25 de Abril de 1828, a Rainha surgiu à população da capital, percorrendo as ruas numa carruagem aberta e acompanhada pelo filho D. Miguel. Os loucos "vivas!" aos monarcas, alternando com o foguetório e os "morras" à gente da política partidária, soavam como o trovão da tempestade que desabaria sobre um país logo invadido e mutilado pelo sopro da ventania dos negócios convenientes às grandes potências. 

 

Era o 25 de Abril e a Rainha coberta de cravos vermelhos, sorria no dia da sua festa.

 

Feliz 237º aniversário, Majestade

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publicado às 01:15

Bater a bota

por Nuno Castelo-Branco, em 24.04.12

Por esta forma de ver as coisas como elas não são, não haverá mais comemorações quando a geração da engorda bater a bota. É assim que estes amuos pela exclusividade podem ser entendidos. Disto podem estar descansados: até ao momento final, haverá farta gamela. Para nós, os da carruagem de segunda classe, nem por isso. É que toda a gente já percebeu que vivemos uma ditadura de Estado, onde o roubo se reveste de fórmulas jurídicas tendentes ao completo saque da classe média através do conglomerado de instituições parasitárias - uma das quais é a República -, PPP, ou bancos falidos nacionalizados. Tudo isto, sob o férreo controlo de uma imprensa pretensamente livre e verdadeiro instrumento de bem conhecidos gangs de sacripantas.

 

Como diz Ricardo Costa, Mário Soares cometeu mais um erro. Crasso.

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publicado às 16:24

Pólen da Primavera, aaaaa...tchim!

por Nuno Castelo-Branco, em 23.04.12

O achispalhado Coronel Vasco Lourenço e a sua coutada associativa, não comemorarão o 25 de Abril oficial. Ainda ontem, um tal General Assunção de quem jamais tinha ouvido falar, dizia ser da responsabilidade dos Partidos do arco governamental, a situação catastrófica em que nos encontramos. Claro que sugeria outras "alternativas" (partidárias), precisamente aquelas que nos conduziriam a uma ditadura bananeira.

 

Estes empresários ex-dragonados, são lestos no alijar das próprias responsabilidades. É  que a "situação" não caiu do céu aos trambolhões. Entre uns pás e uns acordos no café da esquina, fosse a Pastelaria Bijou ou outra, as suas acções desembocaram no esquema vigente. E contra isto não há argumentos.

 

O que se torna insuportável, é esta sempre presente ameaça de reincidència ao estilo jagunço e isto vindo de gente sem a mínima aptidão para sequer reger uma freguesia. Falam do contrato social establecido pela Constituição da República Portuguesa e do seu rompimento pelo governo.  Esperemos que fiquem pelas bazófias.

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publicado às 11:31

Troika sem Perestroika

por João Quaresma, em 21.04.12

Faz hoje uma semana, a Ministra Assunção Cristas anunciou que 600 hectares de terras que restam da «Reforma Agrária» iriam ser colocados a leilão para que possam ser aproveitadas por jovens agricultores.

 

Daqui se levantam várias questões. Para já, pensava que os leilões para alienação de património do Estado fossem por hasta pública. Neste caso e ao que se depreende, este leilão é reservado a jovens agricultores. Por outro lado, questiono a intenção de se privilegiarem os jovens sendo que neste caso, a agricultura poderia ser uma valiosa oportunidade para desempregados que já não são jovens e que devido à sua idade encontram maior dificuldade em conseguir um emprego. Alguns deles, eventualmente, já com conhecimentos ou mesmo experiência na agricultura. Mas, não: é bonito e fica bem dizer que «é para os jovens».

 

Mas a questão principal é: primeiro que tudo, por que é que o Estado não devolve estas terras aos legítimos proprietários, que foram roubados no decurso da dita «Reforma Agrária»? Afinal, é para isto que serve ter um governo de pendor liberal? Para vender o produto do saque feito pelos comunistas?

 

Além disso, este processo implica também questões legais que poderão talvez tornar estes terrenos levados a leilão num presente envenenado para quem os comprar: o Estado Português já foi, em várias ocasiões, condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a pagar indemnizações aos proprietários das terras roubadas:

 

Em 2006:

 

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou hoje o Estado português a pagar quase dois milhões de euros em 17 acções instauradas no âmbito do processo de indemnizações pela reforma agrária ocorrida após o 25 de Abril

 

Em 2009:

 

Portugal condenado a pagar 7,6 milhões por reforma agrária

 

Em 2010:

 

Estado português condenado a pagar 125 mil euros de indemnização por causa de uma expropriação

 

Pergunto-me se não terá havido também alguma precipitação na gestão desta questão, com a prespectiva de fazer dinheiro fácil. Será que um comprador de um destes terrenos levados a leilão não poderá um dia ser confrontado com o pagamento de uma indemnização ao proprietário? Será que o Ministério da Agricultura não está a fazer uma enorme trapalhada?

 

E isto, vindo de uma ministra do CDS! De facto, 26 anos depois de aderirmos à União Europeia e mesmo com o FMI a intervir na governação, ainda há muito por fazer em Portugal em matéria de liberdade económica, que é uma das liberdades fundamentais. E depois querem que se invista neste país.

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publicado às 19:45

"Recordar" o 25 de Abril...

por Pedro Quartin Graça, em 04.07.11

A "cultura" e a "memória" de um Povo...

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publicado às 17:37

Carrascão, courato, melena e pá

por Nuno Castelo-Branco, em 17.06.11

A esquerda da Monarquia Constitucional teve homens como Herculano, Garrett, Passos Manuel ou Sá da Bandeira. A esquerda de hoje é inapresentável e em conformidade, dedica-se a atacar aquele que já adivinha ser o ponto forte da coligação.

 

O tronchudo Vasco da melena e "pá", veio logo em socorro de Pezarat Correia e diz que Paulo Portas ..."não deveria ser ministro da República". Estes reformados bem podiam tomar consciência de o seu tempo há muito ter findado, pois correm o risco de alguém iniciar um processo escatológico que leve o país inteiro a considerá-los como o esquecido elo que nos trouxe a esta situação.

 

Eles que tentem um "golpe de Estado", sempre queremos ver o que lhes sai na rifa.

 

Gozem as vossas reformas, bebam uns carrascões acompanhados por sandes de courato e tremoços. Joguem ao chinquilho e ouçam à vontade as velhotas canções da "dor de corno" e não falem daquilo que não sabem. Se Júlio Verne é "areia a mais" para as vossas camionetas mentais, sentem-se num banco de jardim, deleitando-se com as Aventuras dos 5 ou com a saga da Anita

 

Já agora, ainda dizemos ao senhor Vasco e acompanhantes que se fizerem muita questão disso, podem guardar a República onde bem quiserem. Arrumem-na no quartinho dos fundos - na Argentina chama-se "mierdero" -, longe da nossa vista e sobretudo, dos nossos bolsos.

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publicado às 11:15

25 de Abril

por Samuel de Paiva Pires, em 25.04.11

Enquanto continuarmos agarrados à "herança de Abril", com discursos e literatura de justificação a condizer, utilizando-a para justificar a libertinagem que tem caracterizado a III República, frequentemente perpassada pela acepção do Estado-paizinho, Portugal e os portugueses não terão condições para poderem ser verdadeiramente livres (obviamente, do ponto de vista do liberalismo clássico). O mesmo é dizer que este regime tem sido o coveiro do nosso futuro. E já viu melhores dias. 

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publicado às 14:04

República de Abril ou o Centenário descarado

por Nuno Castelo-Branco, em 04.04.10

Andam mesmo desesperados. 31 de Janeiro às moscas e com uns "gatunos prá prisão!", mas com correspondentes pândegas gastronómicas repletas de convivas à conta do orçamento. O vergonhoso silêncio oficial pela passagem do Centenário de Herculano. As terríveis maçadas da guerrilha inter-partidária e dos quid pro quo da eleição presidencial e tricas, desagrados e amuos de Belém pela conclusão do Congresso do seu partido. A inoportuna visita do Papa e o correspondente "comício" multitudinário que se calcula. Escândalos sobre escândalos e a um ritmo mais alucinante que o Deliverance. Bandeiras que não param - e não vão parar - de subir aos mastros de todo o país.

 

Os safardanas esmifradores do erário público, agora deitam a mão a qualquer coisa que seja passível de fazer encher uma sala de espectáculos. Assim e para os nostálgicos dos tempos das "companheiras para todo o serviço", pescam umas relíquias dos tempos da queima de soutiens no Rossio e para compensar, fazem arregalar a vista com apresentadoras -"estilo Cinha"- de danças de salão da RTP. No fundo, é a mesma coisa. Tudo servido com músicas de outros tempos - a Maria do Amparo com a sua "Força Força Camarada Vasco, Nós Seremos a Muralha d'Aço"-, numa apetitosa entremeada com o "Deixa-me Sonhar, Só Mais uma Vez" da Rita Guerra. Bravo...

 

Quando do período revolucionário pós-25 de Abril, os militares foram avisando os mais incautos saudosistas do reviralho, que ..."as Forças Armadas não querem o regresso aos desastres da 1ª República", aliás por elas deposta sem o disparar de um único tiro. Pior ainda, os "grandes vultos de 1910-26" eram mimoseados com epítetos que iam do burguês explorador ao terratenente latifundiário, banqueiro e usurário da Baixa lisboeta, rachas-sindicalistas, etc. Nada que não fosse verdade.

 

Agora chega mais esta prova cabal de desonestidade, falta de vergonha e mau serviço público. Para cúmulo, em homenagem à mulher a quem a 1ª República remetia para o arear de panelas, lavagem de fraldas e pouco mais. Que lata!

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publicado às 12:08






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