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Recado de Mario Draghi para Mário Centeno

por John Wolf, em 08.09.16

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Recado de Mario Draghi do BCE para Mário Centeno da Geringonça: "desenrasca-te, acabou a mama" - por outras palavras - "queres mais dinheiro? Então faz-te à vida com mais Austeridade.

 

 

 

publicado às 20:45

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O título deste post deveria ser: "E não há nada que Vitor Constâncio possa fazer". E porque não há-de ser esse o título? É esse o cabeçalho. Sim, senhor. Acabo de concordar que será esse o lead do artigo. Está decidido. Quem julga que é António Costa? Acho muito bem que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) avançem com uma auditoria à Caixa Geral de Depósitos. Se eu emprestasse dinheiro a alguém também gostaria de saber com quem conto. Se tem a casa em ordem. Se é bêbedo. Se é esbanjador. Se vai ao casino jogar às máquinas. Se anda fugido ao fisco. Pois. De nada serve ter um socialista como número 2 do BCE. Por mais voltas que o Partido Socialista, o Partido Comunista Português ou o Bloco de Esquerda dêem, a condição de banco público não serve de nada. Bem pelo contrário. Um banco público é quase sempre um monstro que pertence a todos e não pertence a ninguém. Deixa-se perder na bruma da irresponsabilidade e da entidade abstracta que o Estado é especialmente talentoso em promover, defender. E não há nada que Vitor Constâncio possa fazer.

publicado às 09:53

Vacas e tetas salariais

por John Wolf, em 08.06.16

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O mero facto de se discutir o fim do tecto salarial dos administradores da Caixa Geral de Depósitos é uma ofensa para milhões de portugueses que ainda não se levantaram do chão. Mas vamos por partes. Quando a Comissão Europeia aperta os calos da geringonça e ameaça com sanções, a União Europeia é uma madrasta terrível, mas quando o Banco Central Europeu recomenda uma revisão da regra de equiparação de remunerações de gestores a União Europeia já é boazinha. Já sabemos o que acontece à malta que se deita com uns e outros. Já bastava a promiscuidade com os da casa, para agora o Partido Socialista equiparar-se a uma trabalhadora de esquina. São quatro mil milhões de tetas que os portugueses vão ter de mamar. A comissão parlamentar de inquérito à CGD dispensa-se. No comment.

publicado às 22:14

Os Santos Silva da casa

por John Wolf, em 11.04.16

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A estirpe de neo-liberalismo do governo de António Costa é diferente. Não obedece às leis do mercado - é do género político. E o Banco Central Europeu sabe disso. A partir do momento em que países cuja supervisão de bancos não é equivalente às práticas da zona euro, são "convidados" a entrar na bolsa, o rácio de credibilidade vê-se afectado. O BPI, que se meteu em aventuras que deram para o torto, encontra este modo de passar o encargo ao mercado, aos investidores, e se a coisa correr mal, aos contribuintes. Esta operação, embora com contornos distintos, é uma modalidade de Swap - uma troca manhosa de dinheiros e direitos. A bolsa de Lisboa terá de ter algum cuidado ao aceitar as rifas desta ou daquela empresa. A New York Stock Exchange (NYSE) tem critérios de aprovação muitos apertados em relação a American Depositary Receipts - a cotação de empresas estrangeiras na sua praça. A única empresa portuguesa cotada nessa praça americana é a Portugal Telecom, e veja-se o que aconteceu à mesma. Enquanto um Santos Silva janta com o Sócrates, o outro Santos Silva serve-nos esta refeição.

publicado às 09:14

Postal de Natal de António Costa

por John Wolf, em 26.12.15

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Não escutei a mensagem de Natal de António Costa. Nem precisava de o fazer, mas li as notas de rodapé coladas aqui e acolá. Já sei que o primeiro-ministro sublinha as virtudes da sua plataforma à Esquerda, mas não agradeceu a Direita "instransigente" que o PSD corporiza, pela ajuda dada na aprovação do orçamento rectificativo e da contribuição extraordinária de solidariedade. É apenas um pormenor, contudo revela que afinal António Costa não é o democrata de consensos alargados e entendimentos que tão vocalmente apregoa (para além de ser politicamente malcriado). António Costa repete vezes sem conta que vivemos um "novo tempo" em Portugal, ao que acrescenta que grandes dificuldades são de esperar no futuro que se avizinha. Então? No que ficamos? Vira a página ou reconhece que os portugueses ainda vão ter de suportar muitos (e mais) sacrifícios. Em vez de viver o presente, celebra antecipadamente os 30 anos de adesão à Comunidade Económica Europeia, os 40 anos da Constituição da República Portuguesa e os 20 anos dessa organização lírica conhecida por Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). E ainda tem tempo para enviar um abraço às comunidades portuguesas no estrangeiro e aos militares em comissões além-mar. O que discorre em ambiente festivo soa a paleio de velho jarreta, quando o que se lhe exige é uma visão pragmática e assertiva respeitante ao novo ciclo que se lhe escapa ao controlo, e em relação ao qual Portugal vai beneficiar sem que este governo faça a ponta de corno. Será o Banco Central Europeu (BCE) a evitar o descalabro deste governo-soma de ocasião. A continuação do programa de aquisição de títulos de dívida da parte do BCE está prevista até Março de 2017. Ou seja, até lá, eventuais e mais que certas anomalias de tesouraria serão camufladas por este mecanismo monetário da Zona Euro. Na mensagem de Natal António Costa referiu isto e agradeceu os senhores da gleba monetária? Se alguém souber, e puder confirmar, por favor envie-me um telegrama. E ainda, na mesma senda de omissões e irregularidades, o que está a suceder em Espanha foi referido na mesma missiva natalícia como factor de volatilidade na cena política-económica nacional pelo primeiro-ministro? Se alguém ouviu alguma coisa a esse propósito, queira fazer o favor de me enviar um postal, para que eu fique descansado que este governo tem mais do que mãos a medir para a TAP, e tudo o que permeia os céus e a terra. Afinal o Pai Natal é socialista de gema - tem tudo e dá a todos.

publicado às 16:48

O governo e o índice de erecção

por John Wolf, em 17.12.15

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Fico furioso quando me mentem. Não me refiro a esse caso patológico cujo nome recuso escrever. O actual governo da República Socialista de Portugal não fala a verdade. Em vez disso lança uma neblina para confundir os mais incautos. A aprovação do aumento de dois milhões de pensões não passa disso mesmo. Não é preciso ser um astrofísico-financeiro para perceber o truque. O tão aclamado aumento está, efectivamente, indexado à inflação, e acontece que na Zona Euro não se avista uma pontinha da mesma. O Banco Central Europeu confirma esse facto ao manter a sua posição de expansionismo monetário. Nesse medida, o pensionista nacional não deve morder este isco. A linha populista que atiram, tem, além do mais, um peso-morto no seu fim. A ficção monetária e a alegada reposição do poder de compra terá de ser compensada com mais medidas trans-demagógicas. Ou seja, o softcore desta medida fácil e aparatosa terá de ser contrabalançado por medidas XXX. Para cada decisão sexy do governo, terá de haver outra sado-maso. Onde é que o Vieira da Silva pensa que está? Nos EUA? Aí sim, já há sintomas de erecção inflacionista, e a domina Janet Yellen, ciente dos perigos que espreitam, começou ontem a fechar a torneira da liquidez ao subir a taxa de juro de referência. "Indexado à inflação" é como oferecer preservativos a um náufrago que se encontra a solo numa ilha selvagem.

publicado às 17:46

Amigos, amigos, governo à parte.

por John Wolf, em 04.12.15

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Qual a relação de parentesco entre Mario Draghi e António Costa? Provavelmente, best friends forever. Embora não exista uma correlação linear entre as decisões tomadas no âmbito do Banco Central Europeu (BCE) e a gestão do novo governo de Portugal, poderemos genericamente estabelecer as afinidades no quadro de uma visão macro-económica. O BCE prometeu ontem continuar a sua política de injecção de liquidez nas economias da zona euro, mas isso não é necessariamente um bom indicador. Significa que as economias de alguns estados-membro da União Europeia não se aguentam em pé sem a ajuda de uma bengala. Os mercados reflectiram esse facto de diversos modos. O Euro valorizou-se face ao USD - o que em última instância afecta as exportações da zona euro -, e os principais índices bolsistas da Europa registaram algum mal-estar com quedas  acentuadas em todas as praças bolsistas. Quando o governo de António Costa afirma que está a virar a página da política nacional, deve estar a pensar num pequeno caderno de notas, num livro com um título questionável: programa de governo de um governo sem membros de governo provenientes do Partido Comunista (PCP) ou do Bloco de Esquerda (BE). Mas faz algum sentido que assim seja, embora paradoxalmente. A aversão aos mercados, dos partidos radicais de Esquerda, é notória. Contudo, é precisamente nessa arena de alta finança, especulativa ou não, de financiamento público ou de emissão de títulos de dívida que o jogo se faz. Não entendo e não aceito, em nome da democracia genuinamente representativa, e depois de tanto frenesim em torno da legitimidade parlamentar, que o governo de Portugal não integre ministros do PCP e do BE. Esta solução colide com a natureza conceptual dos partidos políticos - a ascensão ao poder e o seu pleno exercício. Por outras palavras, estes factos corroboram o seguinte. O PCP e o BE sabem, embora não o admitam, que qualquer governo em funções fica efectivamente refém dos mercados. Nessa medida, se o PCP e o BE tivessem ministros em funções,  esses partidos ficariam definitivamente marcados pela contradição, pela colisão das práticas com a sua disciplina ideológica. Embora António Costa queira soprar a ideia de um tempo novo, sabemos que isso não passa de palavras de ocasião, do lirismo que acompanha o entusiasmo da decepção. Quem governa Portugal efectivamente não é nenhum dos elencados, ou aqueles deixados na bancada a rejeitar moções de rejeição. São forças maiores que ditarão o rumo de Portugal. A amizade tem limites. E os governos de conveniência também.

publicado às 09:41

Grécia - o canário na mina chinesa

por John Wolf, em 08.07.15

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Uma visão exclusivamente eurocêntrica do mundo implica imensos perigos. O drama que assola a Grécia e que implica substantivamente o resto da Europa, deve ser interpretado à luz de um quadro maior de consternações. Vou pedir emprestada a expressão em língua inglesa para retratar a crise grega no âmbito de uma visão panorâmica, global - a Grécia é um canary in the coal mine. Enquanto Tsipras e Juncker, entre outros protagonistas, roubam as atenções, uma crise de proporções avassaladoras está a atingir velocidade de cruzeiro. Os mercados bolsistas chineses encontram-se em processo de melt-down e os títulos accionistas têm registado invulgares níveis de volatilidade. Enquanto o Banco Central Europeu tenta estabilizar as economias em apuros da Zona Euro, procedendo à compra de títulos de tesouro, o Banco Central da China vai mais longe na expressão da mesma ficção monetária e estabelece arbitrariamente o preço das acções das empresas cotadas em bolsa. Por outras palavras, as autoridades chinesas tudo fazem para salvar os mercados, mas não a economia. As reformas estruturais que são requeridas estão a ser obviadas através de um mecanismo de manipulação da bolsaMeus senhores, corremos perigos reais. As poupanças dos cidadãos daquele país estão a ser destruídas e quando o pânico se instalar não vai haver Praça Syntagma que nos valha. Enquanto os gregos se queixam do défice de Democracia na Europa e apelidam de terroristas os credores, os chineses nem sequer têm direito de resposta. O governo da República Popular da China quando quiser esmagar, não tem de pedir autorização a quem quer que seja. A Grécia nem sequer entra nas considerações orientais, mas o oposto não podemos afirmar.

publicado às 11:11

Mangez pizza

por João Quaresma, em 03.07.15

Não digam que não há bailouts muito convenientes, para alguns:

«In March 2010, two months before the announcement of the first Greek bailout, European banks had €134 billion worth of claims on Greece.  French banks, as shown in the right-hand figure above, had by far the largest exposure: €52 billion – this was 1.6 times that of Germany, eleven times that of Italy, and sixty-two times that of Spain.

The €110 billion of loans provided to Greece by the IMF and Eurozone in May 2010 enabled Greece to avoid default on its obligations to these banks.  In the absence of such loans, France would have been forced into a massive bailout of its banking system.  Instead, French banks were able virtually to eliminate their exposure to Greece by selling bonds, allowing bonds to mature, and taking partial write-offs in 2012.  The bailout effectively mutualized much of their exposure within the Eurozone.

The impact of this backdoor bailout of French banks is being felt now, with Greece on the precipice of an historic default.  Whereas in March 2010 about 40% of total European lending to Greece was via French banks, today only 0.6% is.  Governments have filled the breach, but not in proportion to their banks’ exposure in 2010.  Rather, it is in proportion to their paid-up capital at the ECB – which in France’s case is only 20%.

In consequence, France has actually managed to reduce its total Greek exposure – sovereign and bank – by €8 billion, as seen in the main figure above.  In contrast, Italy, which had virtually no exposure to Greece in 2010 now has a massive one: €39 billion.  Total German exposure is up by a similar amount – €35 billion.  Spain has also seen its exposure rocket from nearly nothing in 2009 to €25 billion today.

In short, France has managed to use the Greek bailout to offload €8 billion in junk debt onto its neighbors and burden them with tens of billions more in debt they could have avoided had Greece simply been allowed to default in 2010.  The upshot is that Italy and Spain are much closer to financial crisis today than they should be

publicado às 00:59

Tsipras pode agradecer ao Multibanco

por John Wolf, em 28.06.15

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Podem agradecer às caixas Multibanco não haver tiros, mortes e sangue nas ruas de Atenas e outras cidades gregas. Se não fossem as ditas caixas, decerto que a fúria da falência iminente transbordaria para outras formas de levantamento - não vai a bem, vai a mal. A tecnologia, já com décadas de existência, está a servir de válvula de escape para milhões de gregos ávidos por lançar a mão às suas poupanças. No entanto, amanhã a história será outra. E no dia seguinte outra ainda. Uma corrida aos bancos não é uma maratona. 

publicado às 13:42

Grécia e o grande conflito europeu

por John Wolf, em 28.06.15

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A ruptura negocial de Tsipras com os parceiros europeus remete o drama grego para outro patamar de preocupações. Será no plano interno daquele país que os verdadeiros perigos serão expostos num primeiro momento. A toada nacional-esquerdista, imbuída de patriotismo helénico, poderá facilmente descambar para um Estado fascista. Se o povo grego votar em Referendo a aceitação do pacote de ajuda que arrasta mais Austeridade, Tsipras deve, democraticamente, se demitir, mas tenho sérias dúvidas que o faça dado o seu perfil de intransigência. A partir desse momento vislumbram-se alguns cenários mais drásticos. A saber; um golpe militar com a instituição de um regime de coronéis; a convocação contrariada de eleições em virtude da dissolução do governo e a ascensão de uma força nacionalista; a eclosão de um conflito armado com um vizinho regional com o apoio logístico e ideológico da Rússia; um ou vários assassinatos políticos; ataques terroristas de falanges políticas gregas dispostas a acentuar a dissensão interna e intimidar a comunidade internacional. No entanto, as instituições convencionais da política europeia restringem-se a consternações de ordem económica e financeira e os media insistem que é a política que move as diversas partes envolvidas. Enquanto pensam em controlar os danos decorrentes da corrida aos bancos a que já assistimos fora do horário normal de expediente, outras ramificações devem ser tidas em conta de um modo muito sério. A União Europeia para além de estar a braços com uma crise económica, social e financeira de um dos seus estados-membro, terá de encarar desafios de ordem geopolítica para os quais não está devidamente apetrechado. A Política Externa de Segurança Comum é um dos outros pilares da construção europeia que carece de uma estrutura sólida e eficaz no seio das consternações externas de uma Europa comum. Por essa razão, a opção transatlântica ainda merece grande consideração. Os EUA jogam desse modo na sombra do tabuleiro da política europeia. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) deve, face aos desenvolvimentos da situação na Grécia, pensar nas implicações decorrentes do agravamento da crise europeia. Embora haja uma tendência inata, resultante da paz longa do pós-segunda Guerra Mundial, para pensar na normalização do quadro de relações, a verdade é que ao longo da história da humanidade, a estabilidade política e económica tem sido a excepção e não a norma. Tempos difíceis aproximam-se a passos largos e de nada serve deitar as culpas a uns ou a outros. A história é isto mesmo. Irrascível, mas explicada por modelos racionais.

publicado às 08:03

Palavra de Varoufakis

por John Wolf, em 27.06.15

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Há que saber interpretar as palavras de ameaça de Varoufakis:

"Não existem provisões nos Tratados para uma saída do Euro. Existem para uma saída da União Europeia". 

 

publicado às 19:55

Esfolar gatos gregos

por John Wolf, em 27.06.15

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Aproveitem bem. Pode ser um dos últimos fins de semana normais. Ide ao "coma como um bruto no piquenique do Continente" lá para os lados do Parque do Eduardo o sétimo, ou estiquem a banha toda na Praia da Caparica e vejam a bola logo à tarde. Está tudo bem - uma maravilha. Dia 5 de Julho veremos como é que elas são: se o povo grego tem amor à camisola do Euro e está disposto a aguentar com ainda mais Austeridade e a libertar Tsipras do ónus do desastre (o homem lava as mãozinhas com muita arte, e dizem que tem andado a ler o Príncipe de Maquíavel, enquanto Varoufakis revê Schelling). A Catarina Martins e a Esquerda, ilustradas por poetas e pragmáticos, pode voltar a tatuar no antebraço a estrofe: o povo é quem mais ordena. Teremos a expressão plena de Democracia na sua terra Natal. Hitler também foi eleito democraticamente, mas isso fica para depois dos estilhaços do Syriza serem varridos do Syntagma e aparecerem outros totalistas. O povo grego já foi exposto ao medo, mas ainda pode experimentar o terror. No dia 5 de Julho serão as massas a definir a relação de forças de um enredo intransigente: com ou sem Euros, com ou sem bailouts, com ou sem extensões, com ou sem perdões de dívida, com ou sem Austeridade, a odisseia grega não será editada, convertida em romance épico. Para todos os efeitos, os europeus encontram-se entre a espada e as espaldas aventuristas daqueles que prometem não arredar pé do sacrifício de um povo. Os rituais de autoflagelação, são isso mesmo, prerrogativas daqueles que juram ter o direito de esfolar o seu próprio gato. Tsipras também dirá que o seu povo está bem e "que só queimou um bocadinho o pêlo".

publicado às 10:38

Draghi e a serenata de Marisa Matias

por John Wolf, em 23.03.15

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Não basta ser engraçada e outspoken para ocupar o cargo. É necessário entender o que está em causa e como funcionam economias e mercados - Marisa Matias não preenche os requisitos do posto que ocupa, para além de ter notórias dificuldades de expressão em língua inglesa. A "tecla dos sacrifícios" que os portugueses estão a passar já está gasta, mas ela continua a bater no velhinho. Sei que custa a certos portugueses aceitar que a viragem está a acontecer. Draghi explica, mas a eurodeputada tem opinião diversa. Nenhum governo no seu perfeito juízo político aprecia a implementação de medidas de Austeridade (não se esqueçam qual foi o governo que assinou o memorando). A penalização tributária e social dos portugueses corre em sentido oposto aos louvores e às vitórias eleitorais. O governo em funções não herdou apenas a roupa suja do mandato anterior, mas o lixo de décadas de incompetência administrativa e política, incluindo o fardo de governos de idêntica cor partidária. Embora não seja declaradamente visível, Portugal está efectivamente a melhorar. Os indicadores económicos estão sempre atrasados ou adiantados em relação à realidade. Não existe sincronia entre o substantivo e as percepções tidas pelos opinion makers, cidadãos comuns e a oposição. Mas a Grécia está a servir o interesse de Portugal. Está a demonstrar como não se faz. Está a provar que não o fez, e provavelmente confirmará junto dos parceiros europeus que não o fará. Para além de tudo o mais, Portugal tem de lidar com o   pessimismo endémico - a tendência para dizer mal quando as coisas correm bem (e vice-versa). Entendo que começem a faltar argumentos a António Costa à luz da evidência da retoma económica de Portugal. Quanto a Marisa Matias, ela também serve a Democracia. Levanta questões com um grau de ingenuidade de uma criança, mas com traços de distorção que caracterizam um adulto que tarda em aceitar os factos incontornáveis da vida. Os sapos a engolir serão concerteza muitos. Afinal estamos na Primavera.

publicado às 18:14

Euro: a divisa zombie

por John Wolf, em 11.03.15

 

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A crise de crédito iniciada nos EUA em 2008 e que foi exportada para a Europa, expôs de um modo flagrante as fragilidades da União Europeia (UE) e do Euro. A Reserva Federal não foi tímida nem lenta na implementação de medidas correctivas - George W. Bush foi dos primeiros a avançar com um pacote de ajuda na ordem dos 800 biliões de dólares. Subsequentemente o Quantitative Easing (QE) foi aplicado na ferida aberta dos Mortgage-Backed Securites (MBS) e Asset-Backed Securities (ABS), a título de exemplo. O Banco Central Europeu (BCE) inscrito na matriz histórica de uma Europa conhecedora de hiperinflação, da República de Weimar e regimes fascistas que floresceram no contexto de determinadas condições socio-económicas, foi mais ponderada na definição de um curso de acção. Sete anos após 2008, o BCE decide avançar com o seu próprio programa de QE e desde Segunda-feira dia 9 de Março de 2015 tem vindo a colocar meios financeiros junto dos bancos centrais de Estados-membro da Zona Euro no sentido da aquisição de títulos de tesouro no mercado secundário. Em traços largos a abertura da torneira da liquidez por esta via tem vindo (passe a redundância) a diluir o valor intrínseco da divisa Euro. O "excesso" de oferta de moeda produz exactamente esse efeito - a sua desvalorização. Muitos poderão argumentar que sem dúvida alguma existe intencionalidade "adicional" nesta medida de alívio/ajuda das economias em apuros. Ao tornar o Euro "barato", as dívidas expressas nessa divisa também sofrem um "desconto", e as exportações da Zona Euro também beneficiam com esta desvalorização cambial, mas a vantagem pode vir a tornar-se um problema. Basta pensarmos numa subida abrupta da cotação do crude, que implica a disponibilidade de dólares para a sua compra. Existe ainda outra dimensão de análise respeitante a este "spread" entre o Euro e outras divisas. Para já, restringemo-nos ao EUR/USD e levemos em conta a previsível subida da taxa de juro nos EUA (há quem diga em Junho deste ano) que alargará ainda mais o fosso entre as duas divisas transatlânticas. A paridade entre as duas moedas não deve servir de marcador especial. O USD transporá essa fasquia com grande facilidade. Quem não se recorda do Escudo? A 26 de Outubro de 2000 um USD valia 242,95 Escudos. Ou seja, o equivalente a €1.20 (um euro e vinte cêntimos, sensivelmente). Nos últimos dias temos assistido à valorização galopante do dólar americano o que coloca algumas questões existenciais sobre a mesa do Euro. Os políticos da União Europeia e os mecânicos do BCE podem fazer tudo para salvar a sua face, e a da moeda que viram nascer com tanto entusiasmo, mas em última instância o que está em causa é a credibilidade da divisa e a confiança que os seus "utilizadores" depositam na mesma. O Euro pode ser que não morra de doença súbita, mas nos próximos tempos andará por aí como um zombie.

publicado às 08:40

Show me the money, Varoufakis!

por John Wolf, em 27.02.15

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Provavelmente da próxima vez que escrever uma pequena nota neste blog estaremos todos felizes e contentes no mês de Março. O Banco Central Europeu (BCE) havia anunciado, e vai cumprir: irá dar início ao seu programa de quantitative easing no mês que está prestes a chegarOs mercados financeiros e accionistas irão bombar como um drogado que acaba de receber uma injecção no veio central da sua existência. A compra de títulos de tesouro por parte do BCE é um doce para os especuladores, mas não gera efeitos imediatos na economia real. Vimos como foi nos EUA, mas a Europa será um caso à parte. Na América puseram o dedo na ferida, por exemplo com a intervenção no âmbito dos Mortgage-Backed Securities (MBS). Contudo, na Zona Euro poderemos esperar por um efeito que não carece de uma explicação complexa. A injecção de liquidez, por via directa ou indirecta nas economias, e pela compra de títulos de tesouro dos países da Zona Euro, afecta o valor das divisas subjacentes. Neste caso, poderemos contar com uma ainda maior desvalorização do Euro. Por um lado, essa condição cambial ajuda as exportações da Zona Euro, e, por outro lado, uma vez que a deflação parece reinar na Europa, existe margem para aumentar os níveis de oferta de liquidez. A inflação até é desejável, e por mais do que um motivo, mas sublinhemos o facto das dívidas dos Estados serem mais facilmente mitigadas se a divisa em que as mesmas se expressam menos valerem. Aquilo que vai ser iniciado em Março pelo BCE não irá clarificar a complexidade da situação económica em que se encontra a Europa. Sempre que a economia real não funciona, os bancos centrais escrevem ficção  - imprimem dinheiro e passam a ser uns mãos largas como se isso resolvesse os problemas estruturais das economias. As bolsas europeias decerto que irão bombar, e os hedge funds e especuladores farão as suas apostas certeiras, mas o cidadão comum será excluído dessa festa. A Grécia deixar-se-á envolver nesse turbilhão de ilusões e aproveitará o mesmo para extrair dividendos. Varoufakis e os demais pseudo anti-capitalistas dirão que é um claro sinal de recuperação. Mas os mais avisados sabem que isso não é verdade. Aqui deixo o meu aviso. E eu nem sequer sou um especialista na matéria.

publicado às 22:53

Varoufakis, dramas e Dracmas

por John Wolf, em 04.02.15

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Deixemo-nos de danças de salão, de considerações sobre quem leva ou não gravata à reunião, de rebeldias e submissões. Uma coisa é certa. Sabemos que a história não se repete, mas por vezes rima. Quando largos espectros da população deposita a sua fé em promessas de campeões, sabemos que corremos perigo. E isto diz respeito a qualquer ideólogo de Esquerda ou Direita. A mudança requerida a qualquer custo pela Europa da Austeridade, pode implicar um preço excessivamente elevado. A indexação da dívida grega ao seu crescimento é roupa velha. Houve até em Portugal um político "varrido da capoeira" que teve semelhante ideia. Quando Varoufakis "inventa" a roda do crescimento como condição primária, está a pedir dinheiro, mais dinheiro. Mas não explica como irá redesenhar a textura económica do seu país, como irá alterar a cultura financeira do seu povo habituado a receber. Em termos pecuários a pergunta que se pode colocar é a seguinte: como irão os governantes helénicos desmamar o povo grego que durante décadas a fio se afeiçoou a uma torneira aberta, a uma torrente de dinheiro dos outros? Varoufakis e Tsipras "que se cuidem" (parafraseando Soares) porque a base eleitoral que os colocou no poder, pode rapidamente inverter a guia de marcha, se as promessas de alívio financeiro não forem cumpridas, palpáveis. O estado de emergência em que se encontra o povo grego não é compatível com elaborações teóricas positivistas e que apenas se poderão concretizar no médio-longo prazo. Não sei, se a dada altura, a saída do Euro não será a melhor opção. De um dia para o outro, tal decisão provocaria um cataclismo económico, financeiro e social, mas os dinheiros de salvação viriam sem demoras pela via privada e não institucional. A haver uma re-adopção do Dracma, e à luz de uma desvalorização ainda mais brutal do produto interno bruto, uma panóplia de investidores internacionais acorreria para deitar a mão a bons investimentos. O investimento directo estrangeiro que se viria a registar seria sem dúvida notável, colocando efectivamente a Grécia no caminho da retoma económica. O problema que se apresenta, e que fere o sentido patriótico, é análogo ao que se passa em Portugal com a privatização da TAP. Mas, dadas as condições de precariedade e desemprego que se registam naquele (e outros países), talvez não seja má ideia dispersar o capital por "não-políticos". Se a Grécia já é detida por uma "entidade estrangeira" com sede em Berlim, não vejo grande mal em trocar de patrão. Os próximos meses de negociação entre os gregos e a União Europeia podem esgotar a oferta de soluções congeminadas na grande casa europeia. Se nada avançar no sentido de um entendimento credível de parte a parte, não vejo outra opção se não o abandono do Euro. O sentimento de euforia vivido pelas Esquerdas europeias não encontra necessariamente eco na casa-mãe Grécia. Os gregos, cépticos por natureza, demonstram que acreditar é positivo, mas fiar em demasia pode dar asneira.

publicado às 09:06

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Não é assim tão simples como pinta o Draghi e companhia. O European Quantitative Easing tem contornos próprios. Os estados-membros da União Europeia que venham a receber "dinheiro fresco", apenas podem servir-se do mesmo para comprar a "sua" dívida aliviando os encargos dos seus bancos. Ou seja, a integração europeia e a transversalidade decorrente da mesma são inexistentes. É o mesmo que dizer: pega lá no guito e salva-te se puderes. Como podem ver, o espírito ecuménico vigente nos tratados europeus não passa de uma fantasia. O legado civilizacional comum de pouco vale. Venham de lá esses "triliões".

publicado às 09:16

Cavacas, Costas e sombras de chaparros

por John Wolf, em 02.01.15

cavacas

 

Fiz uma promessa que não irei cumprir. Jurei que em 2015 abrandaria o meu ímpeto selvagem, a minha tendência violenta para com os afazeres do recluso 44 e os juramentos demagógicos dos socialistas. Mas intimamente sei, que mais parágrafo menos parágrafo, regressarei a essa faena, à lide da pequena política de quintal, de mexericos e dissabores. Ainda hoje tentei evitar o consumo dessa água danada, mas não me dão hipótese, vêm beber à minha mão. António Costa, assim como o rabejador Ferro Rodrigues, haviam declarado que não negociariam com o inimigo, que não assinariam acordos de regime, e que o caminho do poder seria uma rota de tudo ou nada, a solo, em absoluto. Contudo, Cavaco Silva que ontem serviu umas fatias de bolo-presidente aos portugueses, parece ter desviado Costa do seu projecto de futuro governo. A reunião de António Costa com o Partido Social Democrata deve ser entendida do seguinte modo: os socialistas sabem que não têm margem de manobra para inverter o curso de acção ou alterar a receita de governação implementada desde a chegada da Troika e o descalabro económico de 2011. Se os socialistas continuam com essa conversa de rasgar o tratado de austeridade sabem que serão ainda mais castigados pelos decisores do centro da Europa - Merkel e companhia, se quiserem. O que está a acontecer lá para os lados do Banco Central Europeu também sugere tempos atribulados, dificuldades acrescidas. Há mais de 3 anos que Mario Draghi anda a ameaçar a Zona Euro com o lançamento de quantitative easing e o espectro da deflação parece validar ainda mais essa hipótese. Ou seja, os astros não estão alinhados para sonhos cor de rosa. Antes que o caldo se entorne e o actual governo reuna ainda mais argumentos para justificar as suas decisões tributárias, os socialistas sabem que devem, o mais cedo possível, procurar alinhavar uma coligação, esboçar um partilha de poder à bloco central. Daqui por algumas semanas Évora e o seu paciente mais famoso serão meras sombras de chaparro. Há coisas bem mais importantes que irão condicionar Portugal. E infelizmente não dependem dos portugueses. 

publicado às 18:35

A era da inflação já chegou

por John Wolf, em 18.06.14


publicado às 09:44






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