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Portugal Salgado

por John Wolf, em 24.07.14

Porque é que o caso BES vai dar em nada? Porque Ricardo Salgado soube montar a sua defesa de um modo inexpugnável. Ao longo de décadas a família Espírito Santo foi envolvendo tudo e todos, resgatando para o seu círculo de dependência, políticos, empresários, partidos, instituições, fundações, clubes de futebol e homens de cultura. Quem são então os responsáveis pela promiscuidade e os ilícitos que decorrem de proximidades e conveniências? São todos. São todos os governos de Portugal havidos antes e depois do 25 de Abril. Foram todos os políticos próximos ou extintos pela perda de mandatos. E porque razão apenas agora rebenta a bomba do Grupo Espírito Santo? Em parte, ou integralmente, porque este seria o momento certo para arrasar com a candidatura de António Costa que assentou grande parte da gestão camarária na obra e na empreitada, na conversão imobiliária, e, umas instituições financeiras, mais do que outras, beneficiam com decisões políticas que implicam investimentos que apenas são possíveis com empréstimos da banca. Parece que o país inteiro sabe mas não quer saber quais as implicações desta teia de interesses. Ou é espectador ou participa no esquema. Manuel Salgado é primo de Ricardo Salgado? É apenas um detalhe, mas serve para ilustrar a promiscuidade, o antro de relações perigosas/proibídas em que se transformou Portugal. A pegada do BES é enorme e envolve tantas empresas e grupos económicos que assistiremos a um jogo de soma-zero, o exercício de lavagem colectiva de mãos - uma extensão da lavagem de dinheiros. Depois temos o falso jornalismo do grupo Impresa, pela voz da SIC ou através dos textos assinados no Expresso que ostenta a ilusão de um sistema de justiça implacável para gaudio do povo sedento de sangue. Três milhões para o bailout de Ricardo Salgado pode parecer muito à luz do Euromilhões, mas não passa de uma ninharia quando comparado com os juros que o país irá pagar nos próximos tempos pela quebra de confiança e o descalabro material, efectivo. Que se faça a lista de compras de supermercado para saber quem virou a cara a tanta prevaricação, e nesse longo rascunho estarão todos os convivas em que possam pensar - Sócrates, Cavaco Silva, Guterres, Manuela Ferreira Leite, Mário Soares, Passos Coelho, Duarte Lima (para mencionar apenas alguns), assim como célebres escritórios de advogados e empresas de constituição de offshores. Acreditam mesmo que veremos a luz do dia em relação a este caso? Se o BES cair, cai o país inteiro. Cai a PT. Cai a Caixa. Cai tudo. Caem todos. Seria bom que assim fosse, mas não me parece que Portugal abandonará as práticas que fazem parte da sua matriz, dos poderes que estão instalados e que foram contaminando o resto da paisagem económica e financeira. O Grupo Espírito Santo até pode evaporar, desaparecer da face da terra, mas o dia da ressurreição dará vida a um outro corpo, com outro nome, mas com os mesmos rituais de obediência e recompensa. Extravio, prevaricação, pecado por pouco.

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publicado às 20:14

Prato de BES à moda de Pyongyang

por John Wolf, em 21.07.14

Alguém no seu perfeito juízo acredita nas palavras de Cavaco Silva a propósito da situação do BES? A agência de rating de Belém emitiu uma nota favorável a partir da sua agência em Seul. O presidente da república trabalha no Banco de Portugal ou na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM)? Conhece ou participa nas possíveis contas offshore fundeadas a milhas da costa portuguesa? Não deve conhecer as ramificações do Grupo Espírito Santo nas diversas áreas da economia nacional, assim como as suas ligações a empresários de vulto. Ou será que é pago pelos portugueses para aparecer bem nutrido na capital coreana para colocar água na fervura que transborda de podre por todos os lados. Para aqueles que ainda não entenderam, os bonecos Vitor Bento e Cavaco Silva fazem o que lhes compete. Apresentam-se diante dos portugueses para tentar escamotear a verdade e instigar a paz de alma. Mas não é isso que se passa. O verniz do banco estalou, mas o problema não é superficial, vai muito para além de meros arranhões. O contágio do grupo é irreversível. Embora não seja noticiado pelos meios de comunicação social, a verdade é que assistimos a um bank run. A cada dia que passa, mais e mais depositantes rumam aos balcões sexy para, sem hesitações, levantarem as suas poupanças ou transferí-las para outras casas financeiras. Portanto, o senhor Silva mente aos portugueses quando afirma que está tudo bem e recomenda-se. O presidente da república deve ter as suas poupanças investidas noutro banco para estar tão descontraído.

 

...à moda de Pyongyang (título alterado por sugestão da caríssima Amélia Cabral).

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publicado às 20:46

Agarol televisivo

por Nuno Castelo-Branco, em 06.07.14

Eixo do Mal encerra a grande vantagem de servir como bomba de extracção de todos os dejectos semanalmente expelidos pelo sistema vigente. Poupa-nos o trabalho de pesquisa para um post. O eixo balsemónico tem por norma a escolha de dois ou três casos candentes, ou por outras palavras, as principais vigarices, incompetências ou faltas de juízo protagonizadas pelos áulicos do regime:

 

1. A reunião do Conselho de Estado que  aquele génio encerrado numa garrafa de Agarol considerou interessante, foi coisa tão relevante como uma visita presidencial a um torneio de golfe em Cascais-Quinta da Marinha. Quando pensamos que aquele órgão gloriosamente serviu durante a Restauração e decidiu a salvação da soberania quando transferiu a capital portuguesa para o Rio de Janeiro, fácil é percebermos aquilo que hoje é. Nada.

 

2. A Intifada no PS, esta semana desenvolvida com uma autodestruição de cartazes e mais algumas sandices protagonizadas por Seguro e pelo piramidal Costa. É interessante verificarmos as cada vez maiores semelhanças entre o PS e o  seu predecessor Partido Progressista da Monarquia Constitucional. Em matéria de faltas de tacto, mau perder, urdidura de influências dos finca-pé do esquema vigente, pusilanimidade e descarada inépcia demonstrada em Lisboa, Costa facilmente consegue bater o há quase um século desaparecido sr. Alpoim:  eu quero e desejo o poder pelo poder; nada mais. Onde isto poderá chegar, já todos adivinham. 

 

3. O Caso BES, assunto tão sórdido quanto pouco surpreendente, pois há anos todos sabemos ou desconfiamos de algo que agora é evidente. Voltando ao génio do Agarol, é sempre oportuno recordarmos os meandros da ascensão do sr. Sócrates ao cargo de 1º ministro, logo após uma embaixada chefiada pelo então chefe do BES e a consequente dissolução parlamentar decidida como se de um laxante se tratasse. Todos agora se arrepelam pela nomeação da gente do PSD para a gestão do BES, coisa tão expectável como lógica neste regime. Dantes, era normal lermos e ouvirmos protestos acerca das interferências dos banqueiros na política, mas pelos vistos chegou um tempo de vindicta, passando os políticos ao grande sacrifício da gestão daquelas crateras capazes de engolir o país inteiro. Surpreendente é a reacção da nossa gauche a esta escalada PSD, até porque segundo os cânones ideológicos, à direita compete o interesse por esse sector da economia e finança de mercado. Ou pretenderiam o PC e o BE uns tantos lugares naqueles antros da mais desbragada plutocracia? Com o PSD - o PS já lá está há muito - no BES, talvez o regime consiga esconder o que por lá alegadamente se passa há décadas e com isto salvar-se-ão as vidinhas e carreiras de muita gente do hemiciclo e arredores, gauche incluída. 

 

 II

A visita dos Reis de Espanha

Já aqui tinha sido dito que para qualquer comentador da nossa praça, antes de qualquer charla a respeito da Monarquia, é sempre necessário recorrer ao cerimonial da ablução republicana. A partir daí, da forma mais alvar podem eles tecer loas á Monarquia, seja ela a belga, a espanhola ou a britânica. Desde que não seja a hipotética portuguesa, tudo muito bem. Nisto existe uma unanimidade em todos os canais televisivos e no caso da TVI24, tivemos hoje o testemunho do jornalista Pedro Anunciação. O homem - "não sou monárquico" but no, but yeah, but no, but yeah - disse duas ou três coisas com algum sentido.

 

Durante alguns minutos, vi-me transportado para a sede do PPM dos anos 80, então sita na Rua da Escola Politécnica. Foi uma autêntica viagem no tempo, parecendo estar a escutar o Rodrigo de Moctezuma,  o Morais Sarmento, o Melo Lapa e alguns anónimos  Zekas que por lá pontificavam. A cara, o tom de voz, o penteado e a indumentária, o deslumbramento pelo Espanha, Espanha, Espanha, o desbobinar de nomes de gente bem - mas afinal os Espírito Santo são mesmo gente bem cuja ascendência remonta a Tutmés II, ou o costado da primata Lucy é muito mais credível? - , comezainas, voyages, encontros fortuitos em paraderos nas imediações de Badajoz, etc. A isto e pouco mais se resume aquilo que descobrem "na Monarquia". 

 

De Filipe VI ficamos a saber que é por Pedro Anunciação considerado como monocórdico, algo que que teremos de decifrar na sua decerto elaborada  escalpelização daquilo que o Rei de Espanha é  como ser humano e homem de Estado. Pois bem, longe de campechanismos, este  tom monocórdico parece antes de tudo significar ponderação, prudência e poucos "tu cá tu lá" tão ao gosto do nacional porreirismo que em toda a Península vinga. O jornalista é capaz de estar certo em algo que talvez não tenha considerado: aquilo que os espanhóis mais criticavam em João Carlos I, era precisamente o que a generalidade dos europeus consideram ser características dos próprios espanhóis. Como Filipe VI "sai à mãe", parece que podemos antever muita seriedade e um estrito sentido do dever. Um aborrecimento, portanto. 

 

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publicado às 19:57

Seja o que Deus quiser

por Manuel Sousa Dias, em 03.07.14
Não sei bem porquê mas sinto uma sensação incómoda de que todos, crentes e não crentes, rezamos pelo que poderá aí vir em relação ao BES.

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publicado às 19:11

BES "do povo"

por Nuno Castelo-Branco, em 01.07.14

O PC ainda não deve ter percebido o que está em causa. Agora pretende a nacionalização do BES, uma previsível cratera que deixaria o BPN naquela confortável posição de pequeno detalhe sem importância. A menos que se tenha rendido às habilidades dos dois partidos do centrão, o PC devia ter mais atenção quanto ao que propõe. 

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publicado às 10:10

São os pequenos com a coragem que os maiores não têm

por José Maria Barcia, em 26.09.13

Parabéns ao jornal i por esta nota de redacção. A impunidade dos grandes grupos económicos não deve ser alimentada pela cobardia de algum jornalismo.

 

Um exemplo do ''pequeno'' i aos outros. O jornalismo devia aplaudir de pé esta posição.

 

 

NOTA DE DIRECÇÂO DO JORNAL I

 

O BES não pode esperar que os jornalistas deixem de exercer a sua profissão.

A administração do Banco Espírito Santo (BES) teve ontem uma reacção desproporcional, violenta e inaudita face ao trabalho de investigação jornalística que o jornal i tem vindo a fazer sobre o envolvimento de administradores e altos quadros do Grupo Espírito Santo em diversos processos judiciais.

O jornal i solicitou um comentário do BES durante o dia de terça-feira ao facto de o dr. Ricardo Salgado ter sido chamado ao Banco de Portugal, mas não recebeu qualquer resposta – como tem sido habitual nos últimos contactos feitos pelos nossos jornalistas.


Através de uma carta enviada às redacções durante o dia de ontem (que não chegou ao i), a administração do BES acusa o nosso jornal, num tom inusitado para uma instituição financeira quase centenária, de “atacar de forma ostensiva e sistemática o BES e o seu presidente executivo”, ligando as notícias que temos vindo a publicar com a saída do dr. Álvaro Sobrinho da administração do Banco Espírito Santo de Angola. Tais acusações levaram mesmo o “Jornal de Negócios” a afirmar que a administração do BES “assume estar em guerra com o angolano Álvaro Sobrinho”.


A direcção do jornal i rege o seu trabalho por critérios exclusivamente jornalísticos, avaliando a credibilidade e a veracidade da informação recolhida pelos seus jornalistas de forma independente de qualquer poder político ou económico. Tal como assume, de boa-fé, os erros quando os mesmos se verificam.

O jornal i não está portanto em guerra com ninguém.


Desde o início da investigação jornalística que a administração do BES tem recusado esclarecer de forma clara as dúvidas dos nossos jornalistas, optando, ao invés, por tentar descredibilizar o trabalho do i. Essa política de comunicação do BES visa igualmente condicionar o trabalho dos nossos jornalistas.

O BES tem tentado pressionar igualmente a direcção e os jornalistas do i que têm feito o seu trabalho.


A direcção do jornal i não se deixa intimidar com o poder económico e publicitário do BES e continuará a garantir o direito de informar e a acompanhar toda a informação que os seus jornalistas recolham com profissionalismo, isenção e respeito pelo nosso código deontológico.


Compreendemos, obviamente, que a administração do BES não goste de ver escrito que dois dos seus principais administradores foram constituídos arguidos por suspeitas do crime de inside trading, percebemos que o BES não queira que se saiba que o dr. Ricardo Salgado, presidente executivo, e o dr. Morais Pires, administrador executivo, fizeram rectificações dos respectivos IRS de 2011 num valor que supera os 9,6 milhões de euros na sequência do processo Monte Branco, entendemos que a liderança do BES prefira que não sejam conhecidas declarações de três administradores da Escom que, após serem informados da sua condição de arguidos por corrupção activa, branqueamento de capitais e tráfico de influências, afirmaram que actuaram sempre com “o total conhecimento e concordância dos seus então accionistas”, isto é, o Grupo Espírito Santo.


Compreendemos igualmente que a administração do BES prefira não fazer comentários ao facto de o dr. Ricardo Salgado ter sido remunerado em 8,5 milhões de euros através de uma offshore por uma consultoria externa realizada a um cliente do banco.


Compreendemos, enfim, que estes factos sejam incómodos para a liderança do BES. Mas uma coisa o BES não pode esperar: que os jornalistas tenham medo do seu poder financeiro e deixem de exercer a sua profissão.


O jornal i, com toda a certeza, continuará a fazer o seu trabalho respeitando todos os poderes da sociedade portuguesa, mas sem ceder um milímetro na missão jornalística da busca de informação verdadeira, factual e com relevância pública.



A direcção do i

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publicado às 19:35

 

Há uns quatro anos iniciámos a chamada de atenção para mais este caso de crime urbano autorizado pela CML. O Público em boa hora alerta os lisboetas e quem disto se possa ocupar, tentando entender o porquê desta monomaníaca presença do BES e dos "dois primos" nestes assuntos relativos à depredação da capital. Aqui, aqui e aqui bem avisámos e parece que infelizmente não estamos enganados. 

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publicado às 15:56






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