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A presidencial situação explosiva

por Nuno Castelo-Branco, em 03.01.10

 

 

Todos concordamos na imperiosa necessidade de Portugal regressar a um espaço económico que durante largas décadas proporcionou a viabilidade de indústrias, garantiu o comércio, dinamizou a marinha mercante. O antigo Ultramar, onde o Brasil  se torna cada vez mais numa garantia de crescimento para os investidores, é a única alternativa à completa absorção portuguesa pela Espanha.  A insignificância dos nossos números e possibilidades no quadro europeu, implica encarar as realidades, não como uma fatalidade, mas como a oportunidade para prolongar a manutenção da autonomia política.

 

O caso angolano inclui-se neste necessário regresso ao Sul. Ninguém contesta os benefícios mútuos que são possíveis pela cooperação entre empresas, servindo os Estados para o necessário apoio legal e por vezes, financeiro. No entanto, surgem situações que são obscuras e de difícil compreensão por parte da maioria dos contribuintes portugueses. O recente caso do "investimento de milhões" na Zon, carece do pleno esclarecimento da situação. Isabel dos Santos não é uma instituição bancária ou o nome de um país situado nos trópicos. É tão só, a filha do presidente de Angola. Nem sequer sendo necessário averiguar a proveniência de fundos aparentemente disponibilizados para uma operação daquela envergadura - conhecendo-se a politicamente normal  permeabilidade entre bens pessoais dos chefes africanos e aqueles que pertencem ao Estado -, surgem algumas interrogações.

 

O caso BPN/SLN, onde uma boa parte do sistema instalado aparece implicado em negócios que oficialmente legais, são contudo contestáveis no plano ético - as habilmente esquecidas "acções presidenciais" a mais de 120% de juros/ano, por exemplo -, consistem num bom exemplo da actual situação que os agentes políticos pressurosamente procuraram minimizar através da intervenção, mormente via Caixa Geral de Depósitos. Bem pode o ministro Teixeira dos Santos reclamar que da parte do Estado - quer dizer, do contribuinte -, não saiu um único cêntimo para a cobertura dos astronómicos prejuízos derivados do roubo. Ninguém acredita. Politicamente, os termos valem o que valem e se para a comunicação social surge sempre o peculato como a necessária e terminologicamente correcta válvula de escape que disfarça o assalto aos bolsos dos indefesos, todos sabemos que o dinheiro aplicado na salvação do BPN tem claros indícios da acção dos responsáveis políticos em Portugal. É aquilo que no jargão militar se chama colmatar brechas.

 

O investimento da família Dos Santos em Portugal, pode ser desejável, bem vindo e tranquilizador para a eficiência e modernização das empresas, logo, do trabalho. Mas há que garantir a plena certeza da proveniência daqueles mais de cento e sessenta milhões que entram na Zon. Agora, corre pelas ruas a notícia ou boato, do financiamento ter sido propiciado pela Caixa Geral de Depósitos e assim, ficamos sem saber se o dinheiro do alegado investimento provém do património de outrem, ou bem pelo contrário, sai dos cofres da CGD, como forma de compensação de hipotéticos prejuízos decorrentes das actividades financeiras da presidencial família na banca portuguesa.

 

Pairam ainda, as fortes suspeitas acerca da apressada intervenção do Estado na salvação do BPN/SLN, alfobre de sonoros nomes do regime. Mas quem poderá esclarecer cabalmente a situação?

 

Este pode ser mais um pau de dinamite para a tal "situação explosiva" que Cavaco Silva acena. Conhecedor dos jogos da plutocracia, bem sabe do que fala e sobretudo, teme.

 

 

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publicado às 18:28

A ilha do Tesouro

por Nuno Castelo-Branco, em 08.06.09

  

 

 Pelo que parece, existe falta de matéria-prima para acusar o senhor Dias Loureiro. De facto, da colossal fortuna que a imprensa à surdina ia divulgando, nada. Viraram-se os baús, remexeram-se gavetas, os bolsos foram voltados ao avesso e... nada, rien, nothing, niente. Nem uma perna de pau, um papagaio, um gancho ou uma argola dourada para a orelha! O homem é um pelintra!

 

Já agora e seguindo uma ideia escutada ainda há uns dias e pela boca de um residente da zona de Belém, que tal arranjarem um canivete suíço e procederem a uma autópsia do colchão lá de casa? Se calhar descobrem alguma coisita... É que aquela negação poderá até indiciar a oculta verdade, ou seja, a localização do mapa do tesouro. Acho que fica lá para uma das ilhas das Caraíbas.

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publicado às 19:30

Oliveira Costa cansou-se

por Cristina Ribeiro, em 26.05.09

de ser o único acusado nesta história intrincada: cheguei tarde ao embate, mas será este o início do abrir a Caixa de Pandora, ou irão continuar as pressões dos graúdos para que continue fechada? Aposto nesta hipótese: Portugal tem vindo a especializar-se neste esconde-esconde.

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publicado às 20:07

Gozar com os contribuintes

por Samuel de Paiva Pires, em 02.12.08

 

O Estado vai garantir 450 milhões de euros de empréstimos concedidos por seis instituições nacionais ao Banco Privado Português e recebe de garantia activos do banco avaliados em 672 milhões de euros, anunciou hoje o Banco de Portugal.

 

Neste caso concordo com Francisco Louçã:


"As condições legais não se verificam porque o Estado não tem interesse no empreendimento, não há projecto concreto de investimento nem garantia com segurança suficiente"

 

Isto depois de se ter verificado a incoerência de Teixeira dos Santos que há uns dias parecia que que estava disposto a deixar cair o BPP ao afirmar que a sua falência não colocava risco sistémico ao sector, e agora diz que o Governo decidiu salvar o BPP para defender a imagem de Portugal em termos externos e para evitar uma histeria doméstica.

 

Portanto o Estado empresta o dinheiro dos contribuintes a bancos com peso considerável na economia portuguesa para depois esses emprestarem dinheiro a um banco que gere fortunas e tem uma reduzidíssima expressão na economia real, o que o impede de receber os tais 700 milhões de dólares que João Rendeira pretendia. É só impressão minha ou a isto chama-se  engenharia financeira/contabilística ou lavagem de dinheiro?

 

Aquando o início da crise financeira internacional, por aqui fomos dos mais acérrimos críticos dos tais fundamentos do neo-liberalismo predador do homem e propenso à corrupção, à ganância e sem verdadeiro impacto no desenvolvimento das sociedades. Mas quanto a Portugal parece-me que os fundamentos do mercado e do liberalismo deveriam ter imperado não só no caso do BPN mas ainda mais no caso do BPP. No primeiro caso, aproveitou-se para nacionalizar um banco que muita gente sabia ser perpassado por uma gestão danosa e actos de corrupção. No segundo, salva-se um banco através de uma complexa engenharia financeira e contabílistica utilizando dinheiro dos contribuintes e um aval do Estado, para eventualmente executar uma hipoteca em caso de incumprimento das obrigações de pagamento destes empréstimos no futuro, ou seja, concretizando-se então a nacionalização do BPP à posteriori. Nenhum deles tem verdadeiramente impacto na economia das famílias e empresas, pelo que as respectivas situações não são sequer comparáveis às falências de instituições financeiras fundamentais para a economia real dos respectivos países.

 

Como li já não sei onde, parece que andamos a brincar aos países grandes e às nacionalizações. Falando em termos de imagem externa, acham que isto parece melhor do que deixar o mercado funcionar quando realmente deve? E em termos internos, gozar com os contribuintes é engraçado não?

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publicado às 20:43

Incongruências?

por Samuel de Paiva Pires, em 27.11.08

A crise financeira internacional tem obrigado a bailout plans e nacionalizações para permitir injectar liquidez nos mercados, incentivar o consumo e evitar falências de instituições bancárias e financeiras com muito peso nas respectivas sociedades, primordiais para a sustentabilidade económico-financeira das famílias, empresas e respectivo Estado. Em Portugal a crise veio mesmo a jeito para nacionalizar um banco que as elites políticas sabiam ser perpassado por trocas de favores, corrupção e gestão danosa há já vários anos, até porque grande parte dos indivíduos envolvidos nessas "brincadeiras" faz parte dessas elites, e agora está-se a desencantar um plano para salvar o Banco Privado Português, que gere apenas fortunas milionárias. Mas o dislate e o descaramento destes politiqueiros da terceira república não tem limite?

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publicado às 00:28

Sobre a nacionalização no BPN

por Samuel de Paiva Pires, em 03.11.08

Não tenho grande coisa a dizer. Apenas resalvo que, infelizmente, mais uma vez se prova o que venho a dizer e escrever há muito, o mercado e a mão invisível funcionam na perfeição em teoria, porque na prática têm a intervenção de seres humanos, imperfeitos por natureza.

 

Já agora, parece que esta situação de gestão danosa já se vinha arrastando de algum tempo a esta parte, indiciando que a crise financeira internacional não terá relação directa com este fenómeno. Se assim é, mais uma vez se pergunta, para que serve o Banco de Portugal e o cargo ocupado pelo Dr. Constâncio? Depois do escândalo no BCP, aparece mais uma vez demasiado tarde e com demasiada inércia, depois de alguém se ter tornado milionário à conta da gestão danosa. Num país sério alguém como o Dr. Constâncio teria vergonha na cara e demitia-se.

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publicado às 22:44






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