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Reguadas à Esquerda

por John Wolf, em 16.10.15

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Apenas uma pequena nota: Se já há fracturas no seio do PS devido ao encosto de António Costa à Esquerda, no BE também deve começar a haver, pelo encosto de Catarina Martins à Direita. No caso da CDU ainda mais flagrante se torna, porque dada a distância, o encosto deve ser entendido à Extrema-Direita socialista. Estes arranjinhos de António Costa vieram mesmo confundir a régua que mede as distâncias ideológicas. Resta saber onde se vai encostar Sócrates? Tem de haver um lugar para ele agora que foi libertado. Sei que não foi muito oportuno, logo hoje que Costa vai à televisão dar continuidade ao golpe. Sinto no ar algumas coisas. Este fim de semana vai chover e nos próximos dias algo bastante surreal está para acontecer na cena política em Portugal. Ainda não vimos nada.

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publicado às 19:10

Leitura recomendada

por Samuel de Paiva Pires, em 16.10.15

Gonçalo Almeida Ribeiro, Fiat Costa et Pereat Mundus:

Como se estas considerações gerais não bastassem, dá-se o caso de haver uma prática reiterada no nosso regime segundo a qual cabe ao líder do partido mais votado, ainda que sem maioria absoluta no Parlamento, liderar o executivo. É assim porque entre PS e PSD sempre houve um entendimento tácito no sentido da não rejeição do programa de Governo apresentado pelo partido com maior número de mandatos e abertura para negociar os compromissos necessários à aprovação do Orçamento do Estado. Esta prática é uma parte integrante do regime tal como os cidadãos o concebem, e não pode deixar de se reflectir na sua concepção do que seja um governo legítimo.

(...)

Neste quadro constitucional, é imprescindível que se verifiquem condições políticas para se governar em minoria; e tem sido essa a prática do nosso regime, escorada no compromisso tácito dos dois maiores partidos no sentido de se viabilizar a solução governativa da força política com maior número de mandatos no Parlamento. António Costa prepara-se para violar esse compromisso, sem o qual será difícil evitar um futuro parlamentar prenhe de impasses e bloqueios governativos. E o mais extraordinário é a principal vítima do líder socialista ser nada menos do que o seu próprio partido, que pela posição central que ocupa no sistema político e pela clivagem ideológica com as forças à sua esquerda, tem, ao contrário do PSD, governado quase sempre com maioria relativa no Parlamento.

(...)

O problema da solução governativa de Costa não é a política que virá a seguir. Sobre essa matéria, admitindo que seja clarificada no programa de Governo ou em acordo escrito com as forças políticas à sua esquerda, haverá tantas opiniões quanto a pluralidade de ideologias que cabem no espaço público democrático. Também não é um problema de legalidade, se por essa expressão se entender o cumprimento rigoroso das regras constitucionais. É um problema de regime. A acção política do líder socialista põe em causa os pressupostos materiais do regime que temos, justamente aqueles cuja salvaguarda constitui a mais nobre e fundamental obrigação dos protagonistas da vida política. É claro que seria uma ingenuidade depositar quaisquer esperanças na virtude republicana e no sentido de responsabilidade de um político que parece disposto a destruir o regime e o partido para salvar a carreira. A conduta de Costa desde o dia 4 de Outubro revela o carácter de um homem consumido pela soberba e pelo egoísmo.

Por mais engenhosas que sejam as suas instituições e regras, os regimes não dispensam a decência, e em algumas circunstâncias a excelência, dos homens. Presumindo que a trajectória dos acontecimentos se mantém, resta-nos a esperança na acção política do Presidente da República. É nas mãos dele que estará a decisão sobre a vida ou a morte do regime que jurou defender.

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publicado às 11:33

Dado adquirido

por Samuel de Paiva Pires, em 12.10.15

Se eu tivesse contactos imediatos de primeiro grau com os mercados, diria que até estes já estão a assumir como um dado adquirido a formação de um governo PS, BE e CDU. Ao PSD e ao CDS parece restar a resignação e a retirada com dignidade para a oposição no parlamento - o que Costa não soube ou não quis fazer, preferindo rasgar o acordo de cavalheiros que imperava há décadas entre o arco da governação e impor ao sistema político-partidário transformações estruturais com consequências imprevisíveis, fruto da sua ambição desmedida que sacrificará o país e o PS no altar das suas circunstâncias pessoais. Isto, claro, pressupondo que Cavaco Silva não trocará as voltas a Costa, que era o que este merecia.

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publicado às 18:16

Como defensor dos arranjos e práticas estabelecidos pelo costume, pela convenção, pela tradição na política, sou, naturalmente, favorável a que se forme um governo PSD e CDS, porquanto foi a coligação Portugal à Frente que saiu vencedora das eleições legislativas de 4 de Outubro. A prática estabelecida - e, poder-se-á dizer, o acordo de cavalheiros entre os partidos do arco da governação -, é a de que quem ganha as eleições forma governo, mesmo que com minoria relativa, e procura no parlamento apoio para a sua governação, como por exemplo, a abstenção em relação ao Orçamento do Estado por parte do partido ou partidos do arco da governação que se encontrem na oposição, como faz parte do acordo de cavalheiros.

 

António Costa pretende agora que se rasguem estes costumes e se introduza uma inovação no nosso sistema político-partidário, inspirando-se nos exemplos de outros países europeus, em que passaria a governar apenas o partido ou coligação pré-eleitoral que conseguir obter uma maioria absoluta nas eleições ou os partidos que, saindo derrotados das eleições ou em que um deles apenas obtenha uma maioria relativa, e sem que tenham proposto ao seu eleitorado coligarem-se para formar governo, acabem por chegar a um entendimento para formar governo. 

 

Isto implica, naturalmente, uma transformação estrutural no nosso sistema político-partidário, ainda que permitida pela Constituição. Abrindo-se este precedente, torna-se claro que, muito provavelmente, acaba-se a possibilidade de termos governos minoritários e institui-se a prática de passarmos a ter apenas governos sustentados por uma maioria absoluta no parlamento, independentemente de quem ganhe as eleições.

 

Mas as transformações estruturais não se ficam por aqui. Rasgado o acordo de cavalheiros por Costa e encetadas negociações para a formação de um governo sustentado no apoio do PS, BE e PCP, a linha que demarcava o arco da governação dos partidos extremistas e utópicos esbate-se e, pelos sinais que dão, BE e PCP até podem estar prestes a defraudar também os seus eleitorados, enfiando na gaveta algumas das suas bandeiras mais marcantes, como a saída do euro, a reestruturação da dívida pública ou a saída da NATO. 

 

Tudo isto é possível e não deixará de ter repercussões com consequências ainda imprevisíveis no futuro dos partidos políticos portugueses, em especial os partidos à esquerda. Se PCP e BE deixarem de ser partidos de protesto e passarem a ser partidos de governo, acabarão, muito provavelmente, por esvaziar a sua base eleitoral. Por outro lado, os socialistas moderados, que, arrisco, são a maioria dos que compõem quer o PS, quer a sua base de simpatizantes, ver-se-ão numa crise identitária, na medida em que, muito provavelmente, não gostarão de ver o PS coligar-se com PCP e BE e também aqui as consequências são, para já, imprevisíveis, mas poderão passar pela fundação de outros partidos ou por se juntarem ao PSD ou ao CDS.

 

Ora, como assinalou o conservador Edmund Burke, "We must all obey the great law of change. It is the most powerful law of nature, and the means perhaps of its conservation." A mudança pode, por isso, ser acomodada, mas seria útil que se introduzisse um factor de maior estabilidade e previsibilidade no que concerne à formação do governo. É que deixando de ser natural que quem ganhe as eleições forme governo - a não ser que os resultados eleitorais ditem logo uma maioria absoluta -, torna-se mais morosa a formação do governo, podendo inclusivamente passar-se por situações em que as negociações não cheguem a bom porto e não se consiga, por isso, formar um governo com maioria absoluta no parlamento. Assim sendo, concordo inteiramente com Nuno Garoupa: "Seria também importante no compromisso das próximas semanas incluir uma alteração à lei eleitoral (e ao Artigo 149 CRP se assim o entenderem) de forma que haja a eleição direta de 200 deputados e o partido com mais votos leva um bónus de 30 deputados. Ganhamos todos com a estabilidade. E clarifica de uma vez por todas quem ganha e quem perde. Caso contrário, continuaremos embrulhados e perde o país."

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publicado às 11:40

Primeiro o país

por Samuel de Paiva Pires, em 09.10.15

Paulo Portas costuma citar uma afirmação de Sá Carneiro que deveria estar inscrita nos nas mentes de todos os estadistas: "Primeiro, Portugal; depois, o partido; por fim, a circunstância pessoal de cada um de nós." António Costa, já se percebeu, inverteu completamente a frase e procura desesperadamente a sobrevivência política, interna (no PS) e externa (no país). Só isso pode justificar que tenha aberto a porta a entendimentos com a CDU e o BE que possam levar à rejeição de um governo de PSD e CDS e/ou ao estabelecimento de um governo com socialistas, comunistas e bloquistas ou, pelo menos, de socialistas com o apoio parlamentar da CDU e do BE.

 

Naturalmente, as negociações abertas por Costa com a CDU são entendidas por muitos como um bluff que serve para ganhar tempo e fortalecer a sua posição negocial em face da coligação Portugal à Frente. Mas imaginemos, por um momento, que Costa está seriamente empenhado em coligar o PS com a CDU e o BE. Aí, estará a defraudar as expectativas de boa parte do eleitorado do PS e a correr o risco de ser canibalizado pela extrema-esquerda, à semelhança do que aconteceu ao PASOK com a emergência do Syriza na Grécia. Preocupações com o futuro do PS à parte, acontece que, como escreve Nicolau do Vale Pais, "O "povo" não votou "maioritariamente por governo de Esquerda" coisa nenhuma, pois ele não está, nem nunca esteve, implícito em nenhuma das três propostas de PS, CDU e BE. Essa conclusão é abusiva e de conveniência estratégica apenas aos partidos que perderam esta eleição; essa conclusão enviesa o sentido do voto de todos - o único dado não-relativizável - em nome do voto de alguns (sempre passível de especulação)."

 

Se assim for, se não acontecer o que seria natural no nosso regime democrático - em que quem ganha as eleições governa -, a formação de um governo PSD e CDS "com uma abstenção do PS no primeiro orçamento", como salienta Ricardo G. Francisco, e sendo certo que muitos daqueles que no Domingo passado votaram no Partido Socialista devem estar a sentir-se como Luís Aguiar-Conraria, então chegará um tempo em que se acabará com as dissimulações de Costa, muito simplesmente convocando-se eleições, lá para meados de 2016, em que possam defrontar-se a coligação PSD e CDS e a coligação PS, CDU e BE. Estou certo que o resultado seria uma maioria absoluta histórica e inequívoca a favor de PSD e CDS, da qual Costa e outros poderiam retirar uma lição política de inestimável valor: não se sacrifica o país nem um partido do arco da governação pelas circunstâncias pessoais.

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publicado às 17:57

O óbvio

por Samuel de Paiva Pires, em 09.10.15

Francisco Seixas da Costa, A solidão política:

Repito o óbvio: o PS perdeu estas eleições. Por isso, estava e deve continuar na oposição, embora agora numa posição mais forte do que aquela que tinha. Um seu regresso ao governo só deve processar-se através de novas eleições, não por “maiorias” contranatura à sua direita, nem por alianças oportunistas, não menos bizarras, com o Bloco de Esquerda ou com o PCP. Porquê? Porque isso está fora da ordem natural das coisas para uma formação política com uma história ímpar de responsabilidade política no Portugal democrático. Não tenho dúvidas que António Costa sabe isto.

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publicado às 15:32

Qual a percentagem de Esquerdice?

por John Wolf, em 09.10.15

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Eu posso tentar explicar porque está errado. Não me recordo de ler na Constituição da República Portuguesa um parágrafo sequer sobre a definição de Esquerda e Direita e as percentagens mínimas de "ideologia" para preencher esse requisito. A lógica da soma das partes do Partido Socialista (PS), da Coligação Democrática Unitária (CDU) e do Bloco de Esquerda (BE) pura e simplesmente cai por terra. Pressupõe que existe um teor ideológico mensurável a partir do qual se pode definir forças de Esquerda ou de Direita. Se assim fosse teriamos um ramo do Estado dedicado à fiscalização da percentagem ideológica contida nos preparados políticos - uns agentes EMEL do estacionamento ideológico. Ofereço este exemplo contraditório, mas que bastará para consubstanciar o que digo. A Esquerda que defende com unhas e dentes o Estado Social, deve saber que essa invenção não é inteiramente ideológica, e muito menos um exclusivo da Esquerda. A Suécia, tida como exemplo nos campos da Segurança Social e dos Serviços Nacionais de Saúde, também pode ser retratada como um país intensamente neo-liberal, adepta dos mercados, da livre iniciativa e do lucro. A pergunta que deve ser colocada e que relativiza as demandas dos perdedores das eleições legislativas é a seguinte: como se define o grau de pureza ideológico? Qual a percentagem de esquerdice ou direitice que permite determinar a matriz ideológica dos participantes? Como podem constatar, aquilo que os maus perdedores pretendem, viola os pressupostos de desempenho político eficiente - a obrigação de requisitar soluções da totalidade do espectro político e ideológico. Se os "três amigos" da Esquerda fossem coerentes, e se conseguissem assaltar o poder com um golpe, então estariam proibidos de usar as práticas e costumes da alegada Direita que invocam. Teriam de abolir os mercados, as empresas altamente lucrativas, racionar o número de empreendedores e criar uma economia de direcção central. Por outras palavras: nem sequer são de Esquerda. Serão, quanto muito, oportunistas que se servem de todos os argumentos possíveis e imaginários para derrubar uma força política que legitimamente ganhou as eleições. Se fossem tão altruístas e defensores do interesse trans-partidário, deveriam ter construído a sua coligação a tempo e horas de disputar honestamente uma competição política. Teriam tido tempo para sedimentar ideias e limar arestas. Deste modo, abrupto e perturbador, colocam em causa importantes fundamentos que sustentam um Estado de Direito. Os portugueses votaram nas partes e não na equação pós-eleitoral de ocasião. E os portugueses vêem a milhas de distância o que está acontecer. Esta tentativa de colar a cuspo uma força de bloqueio e de insolvência do governo, merece a mais firme denúncia da parte daqueles que fizeram a revolução de Abril. A não ser que queiram outra cravada na realidade política nacional. Portugal está apurado para o Europeu. Quanto ao resto não sei.

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publicado às 10:49

O PREC do TRAQUE

por John Wolf, em 08.10.15

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O governo de Passos Coelho e Paulo Portas tenta a todo o custo travar o Processo Revolucionário em Curso (PREC II) levado a cabo pelo Trio de Ataque , também conhecido por TRAQUE e formado pelo Partido Socialista (PS), a Coligação Democrática Unitária (CDU) e o Bloco de Esquerda (BE). Nesse sentido, e colocando o interesse de Portugal acima de questões ideológicas, a coligação procura encontrar as linhas mestras de um entendimento que evite o marasmo e a confusão políticos em Portugal. O PS, que se encontra em cacos após a utópica promessa de governar a solo, talvez não encontre tão rapidamente melhor oportunidade para chegar perto de mandar no que quer que seja. A extremização dos socialistas, e subsequente convocação de novas eleições, certamente que afastaria ainda mais simpatizantes da sua franja de apoio. E acresce a esse facto que grande parte das propostas do governo de coligação têm o assentimento dos socialistas, embora estes se vendam como radicais e distintos dos restantes. Mas não é bem assim. A verdade é que o condicionamento económico e financeiro de Portugal mitiga as apirações de qualquer entidade política.  Não existe margem suficiente para grandes aventuras, lamentavelmente. A ideologia, invocada a torto e a direito, há muito tempo que foi substituída por conceitos operativos que buscam soluções a montante e a jusante, à Esquerda e à Direita. Os socialistas não entenderam isso e estão limitados pela sua imagem de marca, o seu branding. Entramos, deste modo, numa nova fase de política em Portugal. Bastará à coligação, fazendo uso de alguma inteligência estratégica, abraçar os socialistas. Se de facto a recuperação económica ganhar ainda mais pernas para andar, o PS poderá fazer parte da solução e não do problema, reclamando para si uma parte desse sucesso. Sendo do contra, os socialistas arriscam-se a ver bonitos do governo de coligação e a perder o comboio que já está em andamento. Ultimamente no Largo do Rato tem faltado algum juízo e bom-senso. Julgava Costa que o crédito do património socialista seria suficiente para ganhar tudo e todos. Mas ele insiste. A casa de apostas do Rato parece desejar mais um flop. Maria de Belém não é uma figura icónica que possa beneficiar de uma moção de confiança presidencial dos portugueses. A bússola socialista está efectivamente escangalhada. Talvez não fosse má ideia António Costa negociar algo que bem conhece - o Ministério da Justiça. O que pensaria Sócrates sobre esta hipótese? Não está mal pensado, pois não?

 

Trio de Ataque foi uma designação proposta pela minha amiga Ana Luísa Ferreira Rodrigues para a coligação PS-CDU-BE. A expressão simplificada TRAQUE é de minha autoria.

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publicado às 11:10

Fazer história

por Samuel de Paiva Pires, em 05.10.15

PSD e CDS, juntos, fizeram história nos últimos dias. Em primeiro lugar, porque uma coligação terminou, pela primeira vez na III República, uma legislatura. Em segundo lugar, porque após 4 anos marcados pela imposição de medidas de austeridade, conseguiram vencer as eleições legislativas, o que torna este resultado num caso único entre os países europeus assolados por pacotes de austeridade negociados com a troika. Ademais, é um resultado demonstrativo de que há uma boa parte do país que não só compreende a necessidade dos constrangimentos financeiros a que fomos, estamos e estaremos sujeitos, como não quis entregar a governação a um PS aventureiro, a prometer este mundo e o outro e sem um rumo forte definido (lembre-se o serpentear de Costa à esquerda e à direita, procurando agradar a gregos e a troianos). Ainda assim, sem maioria absoluta, Passos e Portas deixaram, ontem à noite, a porta aberta a entendimentos com Costa, que, por sua vez, rejeitou, de forma responsável, a coligação negativa com BE e CDU. Viveremos, nos próximos tempos, um clima político necessariamente marcado pela negociação, pela necessidade de cedências e de compromissos. E se, da parte do PSD e CDS, mesmo quando tinham maioria absoluta, sempre houve esse espírito de abertura, já o mesmo não se poderá dizer do PS de António Costa, que prometeu chumbar um Orçamento do Estado que desconhece e se vê agora na contingência de ter de negociar com PSD e CDS, se quer sobreviver politicamente, principalmente no seu próprio partido, onde já há quem peça a sua cabeça. E isto não é necessariamente mau. Os partidos do arco da governação terem de negociar e entender-se a bem da estabilidade de que o país tanto necessita é vantajoso no que concerne à saúde e maturidade do nosso regime democrático. 

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publicado às 10:47

E agora, PS?

por Samuel de Paiva Pires, em 05.10.15

Alexandre Homem Cristo, O PS quer ser rosa ou vermelho?:

Perante um governo minoritário de PSD/CDS, o país assentou o futuro nas mãos do PS, a quem compete decidir se deseja ser um eixo de estabilidade política ao lado de PSD e CDS, ou se prefere ir gerindo rupturas com PCP e BE até precipitar o país numa crise política.

O dilema é o mesmo com que o PS evitou lidar nestes últimos anos: social-democracia ou populismos de esquerda, estabilidade ou ruptura. Com a diferença de que, neste momento, a decisão já não pode ser protelada. Começa a ser definida na votação do programa de governo que PSD e CDS apresentarão dentro de dias, continua na discussão do Orçamento de Estado para 2016 (em Outubro e Novembro), e prolonga-se em vários dossiers sensíveis da governação (nomeadamente o da segurança social). Aceitará o PS negociar tudo isto com os partidos à direita, com quem partilha concepções sobre o regime democrático, a União Europeia e a economia de mercado? Ou tentará aproximar-se de PCP e BE para, em função das conveniências de calendário, inviabilizar a acção do novo governo PSD/CDS?

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publicado às 10:40

Ainda a noite de ontem nas hostes socialistas

por Samuel de Paiva Pires, em 05.10.15

Costa deu a entender, finalmente, que não fará uma coligação negativa, mas não se demite. Em parte é responsável, mas, por outro lado, não retira as devidas consequências da sua derrota. Provavelmente, aposta agora num cenário de eleições antecipadas. Isto não impediu, contudo, que alimentasse, durante a campanha eleitoral, o cenário da tal coligação negativa, que o seu correlegionário Augusto Santos Silva ainda ontem à noite, na RTP1, também alimentava.  Alguns socialistas parecem mesmo crer que conseguiriam formar governo com o BE e a CDU. Alguém - Costa, por exemplo - que os chame de volta à realidade. Não só a coligação Portugal à Frente venceu as eleições, como BE e CDU nunca aceitariam anular-se e sair dos respectivos pedestais ideológicos e programáticos. Há um abismo a separar o PS da extrema-esquerda, bastando apenas lembrar as posições sobre a permanência no euro, o respeito pelo Tratado Orçamental ou a permanência na NATO. A sede de chegar ao poder é tanta que nas hostes socialistas até se acredita no impossível, o que é particularmente preocupante para um partido tido como realista e pertencente ao "arco da governação". Por mais que custe ao PS - e, particularmente, a António Costa -, a bem da governabilidade e por respeito à vontade democraticamente expressa pelos portugueses, os únicos partidos com quem pode negociar e comprometer-se são o PSD e o CDS. As coisas são o que são, como costuma dizer Paulo Portas.

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publicado às 10:21

Da governabilidade

por Samuel de Paiva Pires, em 04.10.15

Como bem lembra Morais Sarmento na RTP1, a maioria dos governos na III República não governou com maioria absoluta no parlamento. Mas, vá-se lá saber porquê, parece que para a esquerda a coligação PSD e CDS só poderá governar se tiver maioria absoluta. Realmente, nunca se viu, à esquerda, tamanha preocupação com a governabilidade e falam como se fosse possível a esquerda indígena entender-se para governar, quando BE e CDU nunca se comprometeriam com o PS. A maioria de esquerda, como bem faz notar o Adolfo Mesquita Nunes também na RTP1, discorda em assuntos essenciais como a permanência no euro ou na NATO. Por isso, é maioria no nome, mas não é maioria na essência, pelo que não tem utilidade alguma no que diz respeito à governabilidade. 

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publicado às 22:01

António José Seguro vive dias atribulados. O secretário-geral não sabe como deve gerir tantas terminações de taluda política. Sem mexer uma palha (não é que fizesse diferença) o "seu" PS arrasa nas autárquicas (dizem eles) e redesenha o mapa do poder local em Portugal. Ao mesmo tempo assiste, na qualidade de espectador, à consolidação da autoridade capital de António Costa e cruza os dedos para que o uber-político se mantenha firme na tutela municipal. Não convém nada que Costa tenha ideias mais engenhosas, como por exemplo, interromper o seu mandato para destronar Seguro e a sua promessa a São Bento. Acresce a estes factos, que lhe passam ao lado, ter de gramar o vigor de Sócrates aos Domingos à noite. Mas não é nada disto que justifica estas linhas gratuitas. Há algo ainda mais irreverente que mina a disciplina partidária do PS. Seguro tinha acabado de reafirmar que entendimentos com o PSD jamais e, catrapum, Basílio Horta anuncia o modelo de governação que pretende para Sintra. Se Seguro havia bloqueado o sonho de uma noite de Verão de Cavaco, quando abalroou o projecto de consenso partidário para salvar Portugal, Basílio Horta, à escala do Palácio da Pena e dos dissabores do líder supremo socialista, avança com uma cooperativa de pelouros para viabilizar o seu projecto para o município de Sintra. O primor de Basílio consiste na vontade de "enriquecer esse exercício" com a participação da CDU e do PSD na gestão autárquica. O que está a acontecer demonstra que independentemente da filiação partidária, os políticos sabem que a sua sobrevivência e o sucesso das suas missões, depende, cada vez mais, de um consenso estrutural, de um DNA que contenha na sua matriz os catalisadores e os anticorpos duma dinâmica de fissão política constante. Basílio, embora não tenha o crachá, está a portar-se com um independente, como alguém com capacidade para ver para além do sectarismo e do fundamentalismo doutrinário da sua casa de origem. Os dogmáticos, cães de guarda de um filão intocável, já gritam cruzes-canhoto pela blasfémia ideológica. Basta dar uma volta pelas ruelas, pedir ao balcão meia dúzia de queijadas, para perceber que paira no ar social-democrata e nas camaratas comunistas algum mal-estar com o entendimento sintrense.  Essas náuseas, sentidas a cores distintas, decerto que servem de pequeno consolo para Seguro, que parece cada vez mais exilado, sem ter culpa por ser o elo fraco da companhia. É o que eu digo - o homem parece que irá acabar os seus dias sozinho, quiçá a deambular perdidamente na floresta, lá para os lados de Monserrate. O consenso político que falhou em Belém, parece ter encontrado um albergue em Sintra. E para isso acontecer não foi necessário convocar um presidente da república, o lider da oposição e o governo de Portugal. Foi muito mais simples.

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publicado às 21:42

Se é para fazer leituras nacionais

por Samuel de Paiva Pires, em 30.09.13

Convinha ler este post do Carlos Guimarães Pinto. Gostava tanto que tivéssemos eleições legislativas já hoje. Seguro perdia logo as manias todas.

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publicado às 11:15

Merkel obtém maioria absoluta

por Samuel de Paiva Pires, em 22.09.13

Considerando que se trata da Alemanha, não pode deixar de ser um pouco surpreendente que um único partido obtenha maioria absoluta, embora já se adivinhasse que Merkel sairia reforçada internamente em virtude da política de austeridade estendida por esta Europa fora, que é possivelmente o sinal mais claro do domínio alemão sobre a União Europeia. Mas verdadeiramente surpreendente é ouvir Martim Cabral dizer que Merkel não tem política externa, para uns minutos depois afirmar que é ela que manda na Europa. São uns ases, certos comentadores da nossa praça. 

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publicado às 18:47

"Hádem de vir melhores dias"

por Nuno Castelo-Branco, em 16.09.13

 

A imprensa portuguesa é bestial na sua bem conhecida forma de comentar resultados eleitorais. No caso da Baviera, onde estes foram bem evidentes e passíveis de serem "compreendidos à primeira", são para o Expresso uma espécie de Redbull avidamente engolido pelos correspondentes do Sr. Seguro, dão-lhes "asas", o tal quase-quase-quase necessário para alijar a Sra. Merkel. Enquanto isso, os 49% da CSU são apresentados como um "mau resultado" para o Público, desde já sentenciando a exclusão dos liberais do FDP. Este partido é na Alemanha uma espécie de "CDS das sondagens", surgindo sempre como relegado para modestas posições abaixo dos 5% necessários ao ingresso no edifício do Reichstag, mas que por obra e graça do Espírito Santo, acaba sempre por conseguir um grupo parlamentar que garante ominosas alianças, neste caso com a CDU, a tal coligação democrática unitária de democrata cristãos e conservadores de vários matizes.

 

Com alguma sorte, na próxima segunda-feira ainda leremos um luso-comunicado deste género:

 

"Hádem de vir melhores dias  para os direitos adquiridos pelos povos europeus até hoje oprimidos pelo egoísmo neo-liberal dos impostos altos. A CDU congratula-se pela nova situação criada pela vontade popular na Europa central, adonde o avanço imparável das forças democráticas , exige a imediata entrada do partido die Linke no governo."

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publicado às 09:33

À demanda da miragem, já!

por Nuno Castelo-Branco, em 12.10.09

 

 Como seria natural, o sr. Cavaco Silva nomeou o sr. José Sócrates como primeiro-ministro indigitado. Ao PS caberá a tarefa de constituir o próximo governo constitucional.

 

Uma das "lendas e narrativas" mais  mastigada ao longo de três décadas, consiste naquele hipotético Shangri-la da união da esquerda portuguesa, num frentismo capaz de proceder  a profundas modificações do quadro sócio-económico nacional. Lavados em lágrimas, comunistas e afins, esconjuram o 25 de Novembro como data infame que roubou aos famélicos da terra, a oportunidade redentora de um próspero e definitivo caminho para o socialismo, aliás firmemente estampado nesta Constituição de todos os dogmas.

 

Para sempre perdido o Ultramar; irreversivelmente desaparecidas a grande indústria, a marinha mercante, a moeda nacional, apodrecidos os cavernames da frota pesqueira  e definhada até à sua ínfima expressão a agricultura, Portugal bem podia fazer agora essa vontade a um eleitorado que pelo que se tem visto ao longo de tantas legislaturas, insiste em vislumbrar por entre o nevoeiro,  a miragem de um sebástico vulto vermelho do redentor. Em conformidade com o seu próprio discurso, o sr. José Sócrates deveria  formar governo com a sua esquerda, incluindo o BE e o PC no elenco.  Ao fim de seis meses, o país poderia então avaliar concretamente quais as reais possibilidades de uma enraizada superstição que tem chantageado os motores do verdadeiro progresso, ou sejam, a livre iniciativa, o alijar da tentacular partidocracia e a descentralização.

 

Teríamos ocupações, expropriações, nacionalizações, escutas generalizadas e saneamentos, em nome do bem de um povo de pequenos proprietários? Evidentemente, pois fazem parte do processo revolucionário. Existiriam alguns riscos de intervenção externa? Certamente, até porque Portugal é membro fundador da NATO.  Teríamos de suportar a previsível ameaça de secessão dos arquipélagos atlânticos? Talvez. No entanto, seria desfeito - ou positivamente confirmado - o sortilégio lançado sobre milhões, a partir dos trípodes onde se refastelam gordos magos barbados ou não, que afinal são sempre a última palavra que conforma a pouca inteligência das gentes. Experimentemos.

 

 

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publicado às 17:36

Foi ontem: o "Congresso" dos "Verdes"

por Nuno Castelo-Branco, em 15.03.09

 

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publicado às 02:38






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