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Servido com pauzinhos

por Nuno Castelo-Branco, em 08.01.13

 

Apesar das esfusiantes manifestações de nacionalismo cuidadosamente recortado segundo o figurino do nipónico general Tojo dos anos trinta e quarenta, o governo chinês começa a enfrentar os problemas decorrentes da enxurrada de negócios que varrem o Império do Meio desde Hong-Kong/Macau, até à fronteira com a Rússia. As universidades agitam-se com inoportunos estudantes à procura daquele "querer saber mais" que enerva o status quo, os empresários chegam da Europa e América com os olhos em bico devido a tudo aquilo que puderam livremente ver e pior que tudo, os jornalistas já não respeitam aqueles princípios ditados pelos bonzos do PCC, ainda presos a um passado de jornais de parede e apelos a revoluções que de cultura tinham nada.

 

Em Portugal temos demasiada gente que no Parlamento pugna por um tipo de organização política que talvez já nem sequer divirja muito daquilo a que está enraizado na China. Morta a URSS, resta-lhes a China. O capitalismo poderá até ser aceitável - o PC caseiro já ousa pouco leninistamente falar em pequenos e médios empresários "simpatizantes", talvez ao estilo de uma NEP -, desde que dependa dos camaradas do partido e claro está, sem a nefasta concorrência de outras organizações "inimigas do povo". Quanto à liberdade de imprensa sabe-se o que significaria, talvez reeditada segundo os esquemas dinâmicos do antigo jornalista Saramago e respectivos métodos expeditos de despedimento colectivo.

 

Enquanto a desindustrialização europeia vai roubando cada vez mais clientes aos fornecedores chineses, o PCC lança novos porta-aviões nas revoltas águas do Mar da China, reivindica áreas marítimas com uma dimensão quase continental, sugere guerras de retaliação ao Japão, praticamente anexa o Nepal, persiste no sustento do miasma norte-coreano, empanturra os aiatolás com todo o tipo de garantias e clienteliza um sem número de sobas africanos. Rematando, aventa a possibilidade do lançamento de uma nova moeda mundial garantida pelo padrão-ouro. Está imparável, mas devia olhar para o que se passa dentro de portas, pois uma boa parte da sociedade urbana chinesa não estará disposta a permitir durante muito mais tempo o actual edifício estatal e as suas concomintantes prepotências. Disso não tenha a nomenklatura qualquer tipo de dúvida, por muitos render da guarda a que proceda. 

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publicado às 10:24

Gosto de chineses

por Samuel de Paiva Pires, em 28.12.12

Ou melhor, gosto dos chineses que têm uma engomadoria onde costumo deixar as camisas. Nem sequer recebo um papel em troca. Fazem um trabalho impecável a um preço imbatível. Estão sempre cheios de trabalho, com imensa roupa por todo o lado, e parecem conhecer de cor a roupa dos clientes. Há mais de um ano que lá vou, nunca tive qualquer problema. Já os fatos, costumo deixá-los na 5 a Sec do Chiado. Perderam-me um fato. Pediram-me um dia para o procurarem, acedi. Ligaram-me, não encontraram o fato, pediram-me para fazer um esforço para me lembrar a quem teria entregue o fato. Não me recordo, e também não sei de que adiantaria. Fui lá, pediram-me para ajudar a procurar, acedi simpaticamente, mas sem resultados. Entretanto dizem-me que porventura outro cliente poderá ter levado o fato, e que teria que aguardar que alguém ligasse. Nesta altura acabou-se o sorriso. Retorqui que, como imaginam, o fato faz-me falta e que não é solução alguma ficar à espera que um cliente ligue. A senhora ter-se-á apercebido da asneira. Aventou a hipótese de que alguém da Louis Vuitton pudesse ter levado o fato por engano, dizendo-me que isso já tem acontecido porque levam muita coisa. Pediram-me para aguardar mais um dia. Já não sei quem é que dizia que o maior problema de Portugal é a falta de organização. Gosto de chineses.



(vídeo sugerido pelo António Costa Amaral)

publicado às 18:38

China - um novo desastre ambiental vem já aí!

por Pedro Quartin Graça, em 09.12.12

Loucura!

China arrasa 700 montanhas para construir cidade!

 

 

Os chineses não aprendem com os erros cometidos. Depois do desastroso empreendimento da barragem da China Three Gorges, agora é o projecto de "mover montanhas" na área de Lanzhou para a construção de uma nova metrópole e que irá custar pelo menos 3,5 mil milhões de dólares.

O plano de arrasar 700 montanhas (!!!) foi aprovado pelas autoridades regionais em agosto, após meses de preparação, segundo a revista 'China Economic Weekly', tendo sido lançado em outubro. Esta futura cidade, Lanzhou New Area, será construída nos arredores da capital da província de Gansu (população de 3,6 milhões e uma província árida, rodeada de desertos, e palco de constantes tempestades de areia) e terá 25 quilómetros quadrados, dentro de uma área total de 1300 quilómetros quadrados, capaz, dizem os pseudo especialistas, de aumentar o produto interno bruto da região em 43 mil milhões de dólares até 2030.
O vídeo promocional mostra que a nova metrópole, que irá custar mais 11 mil milhões de dólares a construir, terá arranha-céus, lagos, praias e jardins. Uma loucura total e um novo desastre ambiental pré-anunciado!

publicado às 13:17

Mo Yan - pouco Nobel.

por John Wolf, em 06.12.12

  

Para que fique esclarecido. A comissão que decide a quem deve ser atribuído o prémio Nobel da Literatura, virou a cara aos atentados do escritor Chinês Mo Yan (um pen name que significa "não digas" ou "não fales"). Um autor ligado de um modo muito negativo à repressão política do regime Chinês. O The New York Review of Books, no seu número 19 volume LIX (Dez 6-19, 2012) faz o relato do percurso de um autor que se notabilizou por ser sexualmente arrojado, roçando temas-tabu "ainda disponíveis" na literatura emergente desse império. Na cerimónia de abertura da Feira de Livros de Frankfurt, em 2009, Mo Yan afirmou que "a literatura se deve posicionar acima da política", mas quando as autoridades chinesas boicotaram a sessão em que participariam os pensadores livres Dai Qing e Bei Ling, Mo Yan nem sequer hesitou; abandonou a sala na companhia desses "polícias". A atribuição de um prémio deste calibre a este senhor é um insulto para a humanidade e para a literatura. O livro chegou a Portugal, mas há qualquer coisa de incoerente na sua edição nacional. Não assenta bem vender a indignação e o protesto, para logo a seguir tentar impingir um autor associado a um regime de repressão e controlo. 

publicado às 15:47

Internacionalismo da extorsão

por Nuno Castelo-Branco, em 30.11.12

O internacionalismo foi isto, ainda é isto. Durante anos, a China despejou milhões em armas, dinheiro e vitualhas destinadas à Frelimo. Ainda me recordo das periódicas exposições de inacreditáveis montões de material capturado pelo Exército Português, onde se apresentavam metralhadoras ligeiras e pesadas, lança-foguetes, espingardas, granadas, minas, uniformes, munições e uma infinidade de outros artigos militares. Boquiaberta, a população de Lourenço Marques visitava essas autênticas feiras de armas e compreendia que Portugal não estava em guerra com bandos desgarrados que cruzavam o Rovuma, mas pelo contrário, enfrentava entre outros, dois temíveis inimigos: a União Soviética - e os seus colaboracionistas portugueses dentro e fora de portas - e a China do Sr. Mao Tsé. 

 

Hoje sabe-se o que representou essa interesseira ajuda, onde até pontificou o risonho Olof Palme, esse mesmo que acabaria numa esquina de Estocolmo e às mãos de um terrorista. Traduziu-se naquilo a que numa primeira fase pós-1974 se denominou de "cooperação", logo chegando em tropel manadas de búlgaros, russos, chineses, suecos e outros nórdicos "nossos aliados" - tubarões da pior espécie que tomaram de assalto as florestas e o sector de transportes -, alemães da zona ocupada, checos e cubanos. Repimpadamente se instalaram nas suas novas colónias de exploração e ditaram a lei a um país que decorridos dez anos, tinha visto a população reduzir-se em mais de um milhão de pessoas mortas à fome e pela guerra civil.

 

O saque não se cingiu a Moçambique, pois em Angola ainda foi mais radical e em todos os sectores, sabendo-se por exemplo, o que sucedeu ao hospital central de Luanda. Perfeitamente equipado pelo governo português, foi de todo o seu material despojado pela gente de Fidel Castro, colocado em contentores e enviado para Havana.

 

Continua a senda do internacionalismo, desta vez com a quase exclusiva benemérita acção da China. O sector das madeiras é um dos alvos mais apetecíveis, assanhadamente destruindo florestas e complementando outras malfeitorias que durante décadas arrasaram as pescas, a vida selvagem - elefantes, crocodilos, rinocerontes -  e cavocando o solo, extraíram prodigiosas quantidades de  minérios. 

 

O internacionalismo, esse belo investimento com garantido retorno usurário.

publicado às 13:00

Chinoiseries académicas

por Nuno Castelo-Branco, em 29.11.12

 

Gosto de chinoiseries europeias e daquelas outras originais e que luxuosamente nos apresentam porcelanas, pedras-sabão, forros, cerâmicas, jades rendilhados, caixas lacadas, ou algum daquele mobiliário vermelho e dourado, do mais discreto. Também desde sempre soube apreciar um luso-tique imperial que agora a quase todos passa despercebido nas ruas da reconstrução da Baixa de Lisboa, esquecidos os portugueses do olhar para aqueles tectos de esquinas em bico, talvez inspirados na nossa antiga presença em Macau. Mas este é um exclusivo pelouro das nossas incompetentes Câmaras Municipais olissiponenses, esses verdejantes pastos de saloísmo militante.

 

Falando de política, o caso é outro.

 

Parece estar a surgir um lobby pró-chinês em Portugal e vai obedecendo ao percurso das etapas que normalmente se verificam antes da expansão ao sector político. Surgem alguns comentadores nos telejornais - lembram-se do lobby pró-árabe do Dr. Ângelo Correia? - e depois, dando alguma seriedade académica aos assuntos, teremos uns tantos professores defendendo o impossível.

 

A notícia da redução da presença americana nas Lajes despoletou um sem número de opiniões, algumas delas roçando a fábula da raposa e das uvas. Numa entrevista ao Expresso, José Filipe Pinto coloca a questão da Base das Lajes no plano de contrapartidas a receber por um Portugal que tem sido demasiadamente modesto nas suas reivindicações. Há muito desaparecida a chantagem que Washington sobre nós exercia durante o Império, deveu-se à falta de ambição, comodismo, desinteresse ou simples inépcia das autoridades de Lisboa, o não encetar de conversações para um novo e proveitoso acordo entre o nosso país e os EUA. Pior ainda, o fim da URSS e do Pacto de Varsóvia serviu perfeitamente os desígnios americanos, apresentando estes algum aparente desinteresse pela base. Todos sabem que a realidade é outra e a sugestão deixada, é tão credível ou equivalente a uma imaginada cedência britânica da Base de Gibraltar à marinha chinesa, ou, cumprindo aquilo que os Aliados de 1914 prometeram ao Czar, entregar-se Constantinopla aos russos. Enfim, um académico "jornal do incrível".

 

O professor da omnipresente Lusófona declara agora o interesse chinês na expansão para ocidente, como se isso fosse pela ainda potência global considerado como um acto sem consequências de maior. Pois estará totalmente enganado, se por um momento julgar possível o hastear dos pendões maoístas em qualquer das ilhas do Atlântico Norte. Poderá aventar-se a hipótese de os chineses connosco estabelecerem acordos de exploração dos imaginados recursos que a chamada Zona Exclusiva possa propiciar, mas daí à presença de militares no arquipélago, vai uma incomensurável distância. Os americanos logicamente poderão aplicar a há muito esquecida Doutrina de Monroe e ainda tirarem o pleno proveito da numerosa comunidade açoriana radicada nos EUA. Em suma, corremos o real perigo de perdermos as ilhas num curto espaço de tempo. Teríamos então uma reedição do "efeito Barros Gomes" que nos seus perigosos jogos de sedução do Kaiser, nos propiciou o malfadado Ultimatum. Qualquer subalterno nas Necessidades disso tem a plena consciência. 

 

O estabelecimento de uma base militar chinesa nos Açores consiste num cenário Kriegspiel muito imaginativo e apenas conjecturável no caso de uma súbita catástrofe que reduzisse os Estados Unidos a uma potência menor e sem qualquer capacidade de resposta. Tal situação pressuporia igualmente a inexistência da NATO e a finlandização completa da Europa, no caso de uma bastante improvável aquiescência russa aos desígnios de Pequim. Estamos no plano das catástrofes e  das suposições que para alguns, não deixarão de ser um wishful thinking sem nexo. Não valerá a pena José Filipe Pinto evocar os interesses da lusofonia, se estes nos forem apresentados como simples instrumentos da China. 

 

Podemos aceitar que muitos desejam - da esquerda dos festivais até aos habituais salivados apetites por negócios - a ruptura da nossa relação privilegiada com os Estados Unidos e existem bons argumentos históricos para tal: as quase indecentes pressões lobbistas exercidas sobre o nosso país durante a década de trinta - visando a cedência de Angola para a instalação de um possível Estado judaico, sugestão que partiu de gente ligada a Roosevelt -; os ímpetos belicosos que após o deflagrar da IIGM pretenderam a ocupação violenta dos Açores e o despojar das nossas possessões na Ásia-Pacifico; o envolvimento da gente de Kennedy no assunto Goa; o descarado, vergonho patrocínio de movimentos terroristas em Angola e Moçambique; o ostensivo boicote e a série de proibições quanto ao uso de equipamento militar durante a Guerra de África; o escandaloso desleixo que permitiu ao partido soviético a descolonização exemplar; a tese Kissinger que em 1975 julgou possível um Portugal que "servisse de exemplo" ao resto da Europa; o Caso Timor e o envolvimento da administração Ford; a falta de assistência quanto às imperiosas necessidades de modernização das nossas Forças Armadas - desde o equipamento até à própria doutrina e reformulação do nosso conceito de Defesa Nacional -, etc, etc. A lista é longa, quase infame, mas a realpolitik exige-nos a moderação das pulsões, aspecto nada negligenciável nas relações entre Estados, principalmente quando um deles, Portugal, terá por estes dias atingido o ponto mais baixo da sua já longa história.

 

O governo apresentou ontem uma obra relativa ás nossas reivindicações atlânticas e parece ter chegado o momento das palavras darem o esperado lugar aos actos concretos. Há que ter obsessivamente presente o facto de os Açores serem a primeira linha de defesa americana no Atlântico e assim continuarão por muito tempo.

 

Os Açores encerram importantes potencialidades de âmbito económico e a sua privilegiada situação nas grandes rotas marítimas, decididamente confirmam o seu valor estratégico. É precisamente no capítulo da economia que as decisões deverão ser rapidamente tomadas, angariando-se investidores - europeus, americanos, chineses, japoneses, da CPLP, todos servirão -, dando os nossos governos carta branca e fundos à investigação e inevitavelmente num futuro não muito distante, à criação das infra-estruturas que as virtualidades económicas tornarem urgentes. 

 

Tudo o mais não passa de uma chinoiserie ao gosto que tão em voga esteve nos dourados salões palacianos setecentistas. 

publicado às 13:55

O desvanecimento do mito dos BRICS

por Samuel de Paiva Pires, em 02.11.12

Nos últimos anos, sempre que alguém me falou nos BRICS com entusiasmo, em particular no Brasil, que é aquele sobre o qual tenho mais conhecimento de causa, respondi que não tardaria muito para assistirmos ao desvanecimento do mito. Sobre o Brasil, basta estudar a História do país e da sua Política Externa para perceber que andam desde a Independência a correr atrás do mito de serem uma super-potência, quando nem mesmo regionalmente a sua liderança política pode ser considerada um facto incontestável. A isto, junte-se-lhe ainda um certo wishful thinking em torno do mito do declínio dos EUA. De resto, a teoria dos ciclos económicos também ajuda a perceber o que se tem passado e o que se passará. Este artigo dá conta do desvanecimento do mito dos BRICS e por isso mesmo recomenda-se a sua leitura.

publicado às 18:59

Socialismo de sabor humano

por João Quaresma, em 08.09.12

«BEIJING — The document, written by Communist Party investigators as famine raged in China in 1961, reads almost like a cookbook.

In Qiaotou district, in Sichuan Province, “An old lady named Luo Wenxiu was the first to start consuming human flesh,” investigators wrote. “After an entire family of seven had died, Luo dug up the body of the 3-year-old girl, Ma Fahui. She sliced up the girl’s flesh and spiced it with chili peppers before steaming and eating it.” The report, dated Feb. 9 of that year, is one of more than 100 astonishing documents collected by the historian Zhou Xun in a new book about Mao Zedong’s Great Leap Forward, published by Yale University Press.

In another, an investigator recounted how the body of a 5-year-old Sichuan boy provided “four separate meals” for his mother, who strangled him with a towel first. “Such shocking and disturbing incidents are by no means unique,” the investigator, Wang Deming, wrote in the report dated Jan. 27.

Unlike the horrors of the Soviet gulag or the Holocaust, what happened in China during the Great Leap Forward has received little attention from the larger world, “even though it is one of the worst catastrophes in twentieth-century history,” writes Ms. Zhou, an assistant professor of history at the University of Hong Kong, in the introduction to “The Great Famine in China, 1958-1962.”

 

“In China itself, the famine is a dark episode, one that is not discussed or officially recognized,” she writes.»

 

A Great Leap Into the Abyss - no New York Times.

publicado às 19:05

O mar de todos os conflitos

por Pedro Quartin Graça, em 05.05.12

O mar é actualmente o maior ponto de conflito territorial no Planeta Terra. Neste, o Mar (do Sul) da China é o palco do maior dos confrontos entre Estados soberanos actualmente existente.

O Japão reivindica a soberania sobre as ilhas Etorofu, Kunashiri e Shikotan, e sobre as ilhas Habomai, conhecidas no Japão como "Territórios do Norte" e, na Rússia, como "Ilhas Kurilas do Sul", ocupadas pela União Soviética em 1945 e administradas actualmente pela Rússia.

"Nenhum presidente russo irá entregar nem que seja uma ilha do Arquipélago das Kurilas ao Japão", afirmou recentemente uma fonte altamente colocada do Kremlin. Segundo a mesma fonte, a viagem que o Presidente russo Dmitri Medvedev efectuou às Curilas em 2010 teve um “efeito terapêutico” sobre as autoridades nipónicas.

O Japão e a Coreia do Sul disputam ainda as rochas Liancourt (Takeshima/Dokdo) ocupadas pela Coreia do Sul desde 1954; a República Popular da China, Taiwan e Japão disputam também as ilhas inabitadas de Senkaku-shoto (Diaoyu Tai) e o Japão declarou mesmo como sua zona económica exclusiva o Mar da China Oriental.

A República Popular da China, a República da China (também conhecida como Taiwan, Taipé ou Formosa) e o Vietname reivindicam a totalidade da área do Mar do Sul da China, ao passo que as Filipinas, a Malásia e o Brunei reivindicam algumas zonas. Ou seja, são nada menos do que oito os países em litígio territorial relativamente, quer a territórios terrestres, quer a águas marítimas.

Entretanto, e de acordo com as últimas notícias, o governo metropolitano de Tokyo poderá adquirir as ilhas Senkaku, de propriedade privada e fonte de conflitos com a China, revelou o governador Shintaro Ishihara. Segundo este, sua administração está a negociar a administração das ilhas para protegê-las da China, informou a NHK.

O governador responsabilizou o governo central de não tomar nenhuma providência sobre o assunto, que na sua opinião, não compra as ilhas Senkaku por temor de perturbar a China. Esta falta de acção obriga Tóquio a actuar, disse. No entanto, o ministro porta-voz, Osamu Fujimura, manifestou que, se necessário, o governo poderia comprar as ilhas situadas no Mar da China Oriental, relativamente às quais decorre uma petição pública destinada a angariar verbas para o efeito e que, no momento, ascende já à astronómica quantia de...1 milhão de dólares(!)

Por sua parte, o governo chinês através de um porta-voz reafirmou a soberania de seu país sobre o território em disputa e ressaltou que qualquer iniciativa unilateral por parte do Japão é inválida e ilegal.

Quatro das cinco ilhas pertencem a cidadãos japoneses. A cidade Okinawana de Ishigaki exerce controle administrativo sobre elas cujo arrendamento é pago pelo governo central nipónico. Em setembro de 2010, um barco pesqueiro chinês colidiu com barcos de patrulha japoneses ao redor das ilhas e o incidente provocou um dos maiores conflitos diplomáticos dos últimos anos entre ambos os países.

Na área das ilhas existem depósitos de gás natural que a China pretende desenvolver. Tóquio também argumenta que a fronteira marítima entre os dois estados separa claramente esses territórios, e que as áreas ricas em gás pertencem ao Japão. “É um facto óbvio, tanto do ponto de vista histórico como segundo a lei internacional”, - disse o ministro das Relações Exteriores do Japão.

As pequenas ou micro ilhas irão continuar a ser os maiores focos de conflito territorial entre Estados à escala mundial nos próximos anos. De entre estas, as águas do Mar do Sul da China prometem assumir-se como as mais escaldantes do planeta e continuar a aquecer.

 

publicado às 09:37

Mário Soares e a China

por Nuno Castelo-Branco, em 28.03.12

Um oportuno e sucinto artigo  da autoria de Mário Soares, sumariamente foca alguns aspectos da situação que a pujante China hoje vive. Evocando a aparente contradição entre o comunismo "dogmático, reconhecidamente duro, e uma economia neoliberal de capitalismo selvagem", o autor poderia ter ido mais longe, procurando dissecar o que verdadeiramente se esconde por detrás dessa realidade. Tal como vimos nos ainda recentes acontecimentos ocorridos na Baixa da capital tailandesa, a plutocracia encontrou na forma de organização do Estado maoísta, um quase perfeito enquadramento das massas, submetidas estas aos ditames do Partido que pela clara coerção física e moral, impõe as regras, desloca populações, mantém o silêncio e a disciplina. É certo tratar-se de um primeiro estádio em que a contemporização do PCC também se deve à necessidade de aquisição de know-how e avidez de novos mercados.

Podemos então questionar acerca da capacidade que os ocidentais terão em indefinidamente continuarem a comprar produtos chineses, dada a constante desindustrialização e consequente empobrecimento da outra rica Europa. Paralelamente há ainda que perceber a forte hipótese de a China enveredar pelas possibilidades oferecidas pelo seu mercado intern, com as inevitáveis transformações políticas que tal opção encerra. Este consite sem dúvida, num aspecto essencial com o qual o mundo terá de contar.

 

A China vai cimentando algumas submissões na região e além-mar, mas também encontra novas desconfianças e decerto bastantes precauções por parte de países que não estarão dispostos a demasiadas cedências perante delírios de grandeza que até já reivindicam o Mar das Filipinas e o controlo das passagens para o Índico como imaginadas fronteiras naturais. Como o Ocidente poderá aproveitar esses potenciais aliados temerosos e conhecedores daquilo que os chineses têm desenvolvido em regiões tão problemáticas como os Himalaias, o Médio Oriente e o Sudeste asiático, é a incógnita que se coloca. 

publicado às 12:23

A bolha chinesa

por Pedro Quartin Graça, em 19.01.12

Mais uma revelaçao do Blog Estado Sentido: 64 milhões(!) de apartamentos vazios na China. Veja este documentário inédito.

publicado às 19:16

O barato sai(nos) caro!

por Pedro Quartin Graça, em 30.12.11

Líder da China Three Gorges avalia negócio

"Comprar a EDP foi barato"

O presidente executivo da China Three Gorges (CTG), que comprou 21,35% da EDP, admitiu esta sexta-feira que o negócio com o Estado português, que arrecadou 2,7 mil milhões pela privatização da eléctrica, foi barato.

 

É só ouvi-lo(s). Quando o Presidente da Three Gorges diz que foi barato comprar a participação na EDP, é caso para os governantes lusos se interrogarem sobre a escolha que fizeram e o valor que aceitaram. Ainda estão "todos" convencidos dos méritos da proposta? Afinal foi ou não vendida ao desbarato? Pois...

publicado às 16:04

Nicolau Santos no Expresso

por Nuno Castelo-Branco, em 23.12.11

 

 

Parece enganar-se, ou pelo menos, não ter em conta as novas realidades daquilo que precisamente invoca: o posicionamento geoestratégico de Portugal.

Num momento em que a Europa parece ter definitivamente perdido a sua condição de centro do mundo, a posição geográfica portuguesa ressalta à vista de qualquer observador, dada a emergência de países como a China ou o Brasil, não descurando o caso indiano. Apenas a "Europa" insiste em considerar-nos "periféricos". O Atlântico é assim e uma vez mais, a grande auto-estrada líquida do planeta e a prova disso, serão as previstas obras no Canal do Panamá, a intensificação da construção naval, o melhoramento das infra-estruturas portuárias em todas as costas banhadas pelo oceano e o cada vez maior interesse que a nova superpotência industrial, a China, manifesta pelos países da sua orla.  

 

Uma outra questão será a do infeliz insucesso da candidatura brasileira à compra da EDP, mas há também que ter em conta a forte presença desta empresa no Brasil e nos EUA, alvos preferenciais do interesse chinês e tal como dissemos no post anterior, os cada vez mais apertados laços económicos entre a China e os Estados da CPLP. Embora continue a existir a prudente desconfiança, as boas relações com o gigante asiático poderão facilitar a nossa presença num continente que encerra um colossal potencial de crescimento. Se a questão política é a que se sabe, há contudo que ter a habilidade necessária - e Portugal é muito experiente, a nossa sobrevivência secular assim o demonstra - para contornar os problemas de forma a que não se ceda no essencial. Por muito que isso "preocupe" os nossos comunistas de serviço, Portugal não se transformará num abarracamento de trabalho forçado ao estilo stakhanovista, não liquidará as liberdades públicas em prol do "Partido" e da sua nomenklatura e jamais aceitará o estabelecimento de qualquer ditadura... comunista. O caso chinês é longínquo e neste capítulo, não podemos alimentar os velhos receios de sempre.

 

Nicolau Santos nem sequer poderá garantir uma previsão de durabilidade do actual sistema na própria China e os próximos anos poderão ser pródigos em surpresas. O tempo o dirá.

 

O post de Nicolau Santos poderia ter atingido o alvo, limitando-se a uma única frase: "o Ocidente falhou". 

publicado às 09:52

Curto-circuito brasileiro (infelizmente)

por Nuno Castelo-Branco, em 22.12.11

Nesta luta pela sobrevivência, o governo português optou por apostar nos chineses, em detrimento do Brasil.  Para já, o único resultado positivo respeita à esfera da política, porque economicamente, muitos agentes há que vêem com alguma circunspecção, o papel que empresas do Império do Meio desempenham noutras "anexadas" em períodos de dificuldades destas últimas: conquista de poder económico e logo, a quase infalível pressão política que não deixará de se fazer sentir. Mais ainda, é observado o corriqueiro processo de obtenção de know-how e a sua transferência para Oriente, dando início ao descurar dos interesses vitais das empresas adquiridas. Veremos se com a EDP se passará o mesmo, mas neste caso, há que contar com outra realidade, a do mundo lusófono. Assim, a situação parecerá mais equilibrada, não sendo de estranhar se proximamente assistirmos à conjugação de políticas entre a China e alguns dos países da CPLP, às quais Portugal não deverá escapar. 

 

De facto, a Alemanha é a grande derrotada na contenda. Derrota económica e sobretudo politica, num momento em que a rispidez do ein befehl ist ein befehl, parece ser a norma adoptada pelo directório composto por alemães e seus assistentes franceses. A boa notícia consiste também em mais um escolho aos impulsos tendentes a forçar um federalismo que mais não é, senão uma clara "provincialização" dos "Estados secundários", sempre em detrimento dos interesses particulares que ainda justificam os resquícios da soberania. A oligarquia possidente, vem agora na pessoa do Sr. Paulo Rangel, despudoradamente reivindicar um certo decisionismo discricionário e em claro detrimento da vontade dos povos, consagrando aquele princípio do referendo "repete até ao sim" que deu início ao total descrédito daquilo que se chama União Europeia. Por outras palavras, de Berlim e via Bruxelas, estamos perante uma espécie de reformulação daquela política olivarista da "União de Armas" que no nosso país despoletaria o movimento do 1º de Dezembro de 1640.

 

Teria sido mais desejável a aquisição da EDP pelos brasileiros, não apenas por razões económicas e de proximidade - capaz de gerar outros resultados dentro da CPLP -, como também e sobretudo, políticas. Simplesmente, parece existir no Brasil e entre uma certa camada dirigente - principalmente da parte dos "recém-chegados de duas gerações" da Alemanha, Itália e de outros tantos países fornecedores de contingentes migratórios - que se estende das empresas às academias, uma clara má vontade ou declarado preconceito em relação a Portugal e aos portugueses. Se tal não é significativo entre o homem comum escolarizado, verifica-se, no entanto, uma acérrima oposição a tudo o que de Portugal chegue, estejam esses brasileiros em locais de decisão nas universidades americanas, ou nos círculos culturais ou empresariais locais, de Macau, Angola, Moçambique ou até, pasme-se, em Timor. Muito trabalho há a fazer por parte das autoridades políticas de Brasília, agora pertencentes a um sector político pouco propenso a sonhos de padronização Made in USA que eram apanágio de uma certa Direita local. A impressão que fica, é que dada a exiguidade portuguesa, os brasileiros tendem pura e simplesmente a olhar-nos por cima do ombro, ignorando-nos. Erro crasso, pois a situação geográfica portuguesa e a posse - mesmo que teórica - do amplo espaço do Atlântico Norte que vai de Lisboa até bem para lá da última nesga de terra açoriana, deveria fazê-los reconsiderar. Se a isto somarmos a ainda presença portuguesa na U.E., o interesse chinês e de outros "emergentes" - condição que o Brasil reivindica - nas grandes rotas comerciais que ainda são aquelas que o Atlântico retém e aspecto fundamental, a desejável articulação em todo este espaço através de uma coordenação de esforços entre o nosso país, o Brasil e Angola - com os arquipélagos portugueses e os outros que outrora fizeram parte do Ultramar -, temos um quadro onde é possível desenhar uma outra realidade. Não se trata apenas wishful thinking ou de salvar a soberania portuguesa, embora este seja um ponto obviamente interessante para o sucesso do processo de expansão da economia brasileira.

 

Dito isto, veremos quais serão as imediatas consequências desta vitória chinesa. Não nos admiremos muito se dentro de pouco tempo, a "eterna promessa Sines" não conhecerá novos desenvolvimentos e se a sempre anunciada ligação ferroviária à Europa não será uma prenda chinesa.

 

Adenda: pese a desconfiança - como aqui dissemos, os chineses não se livram facilmente da fama de "seca-economias" - que já várias vezes manifestámos acerca  da política de penetração chinesa, há que reconhecer que neste caso, o governo agiu bem. Enganou os "politólogos" de serviço, fez tábua rasa do propalado princípio de submissão a tudo aquilo que a Alemanha deseja e o processo EDP foi limpo, preenchendo todos os critérios exigidos pela credibilidade. O Brasil não conseguiu o que timidamente aparentou querer. Conseguir enganar uma opinião pública unanimemente formatada para "decisões inevitáveis", é obra. O que irá acontecer ao sr. Mexia?

 

Um nosso leitor deixou na caixa de comentários, um desabafo acerca do "latente antigermanismo" patente neste blog. Pelo contrário, há entre os colaboradores do E.S. admiradores confessos da Alemanha e entre eles me incluo. Isso não nos impede de verificar a falta de habilidade política de que enfermam muitas das actuais autoridades germânicas, esquecendo-se do facto de não estarem a lidar com uma novidade nacional recente de apenas uns, digamos... 500 anos. Portugal tem as suas fraquezas, mas a generalidade dos seus nacionais é extremamente orgulhosa quando quer e essa erupção pode ser súbita e violenta. Sabendo que jamais declarámos guerra à Alemanha ou participámos na exploração da sua população por duas vezes derrotada nos últimos 90 anos e tendo ainda a consciência de que Portugal excedeu em muito as obrigações que o estatuto de neutral lhe conferia, aos alemães restaria uma réstia de bom senso, evitando melindrar um povo que contra eles não nutre qualquer tipo de preconceito. De facto, a geração dos pais da sra. Merkel, bastas vezes matou a fome com produtos Made in Portugal, apesar do enorme alarido que a Grã-Bretanha e os EUA faziam junto do Palácio das Necessidades. Até podemos recordar a Chancelaria de Berlim, de um evento ocorrido em Maio de 1945, quando Portugal cumpriu escrupulosamente as necessárias obrigações protocolares, colocando a sua bandeira a meia haste. 

Os alemães não se recordam, paciência, mas nós ainda temos bem presentes aquelas palavras que o embaixador francês em Roma, André-François Poncet dirigiu ao embaraçado Conde Ciano, no dia 10 de Junho de 1940, dia da declaração de guerra da Itália:

 

-"Os alemães são patrões duros e isso vão os senhores aprender à vossa custa".

publicado às 18:01

Uma curiosa "privatização"

por Pedro Quartin Graça, em 22.12.11

De "privatização" só tem mesmo o nome. Porque, no fundo, o que muda é o Estado. Passámos a electricidade para as mãos dos chineses. O Administrador-delegado do Merkosy quis ser poupado das críticas de continuado favorecimento à Sra. Merkel e preferiu passar um Natal tranquilo.

Agora vamos ver se tudo isto se confirma mesmo:

- Oferta de 2,69 mil milhões de euros (3,45 euros por ação) pelos 21,35% - Cedência de uma linha de crédito de 2 mil milhões de euros, concedida pelo banco chinês CDB. Promessa de uma linha adicional de 2 mil milhões euros

- Controlo de apenas 21,35% da EDP, com a possibilidade de comprar os restantes cerca de 4% detidos pelo Estado

- Compra de participações minoritárias em parques eólicos da EDP Até 2 mil milhões de euros

- Construção de uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal até ao verão de 2013

 

À atenção do pagode: a próxima factura já vem em mandarim.

publicado às 14:54

Uma boa notícia

por Nuno Castelo-Branco, em 21.12.11

Os chineses estão nervosos com a possibilidade de não conseguirem tomar conta da EDP. Ameaçam retirar-se da corrida á REN.

 

Ainda bem, menos um "seca-economias".

publicado às 11:26

Esperemos que os brasileiros não durmam em serviço

por Nuno Castelo-Branco, em 19.12.11

Este arregimentar de padrinhos estranhamente idênticos aos da Cosa Nostra, indiciam claramente a sobreposição de interesses pessoais, àqueles que são os do Estado português e consequentemente, dos contribuintes que ao longo de décadas foram sustentando o empório EDP. Segundo noticia o Jornal de Negócios, a Eletrobrás foi excluída pelo Conselho Geral e de Supervisão, em benefício da "cunha" mexida pelo cada vez mais gauleiter  Mexia e que visa uma espécie de Anschluss da EDP pela E.ON alemã.

 

Por outro lado, Dilma Rousseff está interessada em fazer valer o peso do país lusófono. Esperemos que tenha sucesso e que se acabe de vez com a ingerência estrangeira neste caso. Quando aqui se escreve a palavra estrangeira, referimo-nos a alemães e chineses. Que se dediquem a outros curto-circuitos, até porque já basta, uma vez que a "privatização estatal estrangeira" da EDP, consiste  num rotundo disparate. 

 

Aqui se explica porquê: "será difícil imaginar que a EDP, no caso de venda para a E.ON, será instrumentalizada pelos interesses alemães, ainda mais quando estes interesses já influem na política nacional de forma tão devastadora? Vejam o que se passa no caso das energias alternativas, que financiamos com impostos e com preços de energia absurdos! Se a EDP for tomada pelos alemães, a situação chegará a um ponto que em outros tempos constituiria um casus belli, que é o de pagar tributos a uma nação estrangeira para que ela destrua a nossa." Aproveitem o link e leiam o texto completo. 

publicado às 23:29

Mexia, um Blitz! na EDP

por Nuno Castelo-Branco, em 16.12.11

Os brasileiros e os chineses estão revoltados com aquilo que parece ser verdade: a EDP vai ser vendida aos alemães, apesar destes apresentarem a proposta de compra pelo menor valor. Os entusiastas de tudo o que venha além-Reno, tentam encontrar justificações, como a "gestão cuidada, a inovação tecnológica", ou ainda, a sempiterna "Europa". Qual Europa...? Como aqui se nota, a questão é poderosamente política.

 

A verdade parece ser outra e não terá outro nome senão chantagem política - com "fábricas da economia/PIB" como escondida ameaça - e da mais descarada. Em troca dos bastante discutíveis favores monetários nesta situação da crise financeira, os nossos parceiros da "U.E." pretendem adquirir empresas a preço de saldo, controlando o apetecível mercado e podendo obter mais um posto na conquista pela total hegemonia. Experiência disso têm eles, não haja qualquer dúvida e pelos vistos, o DN noticia o Sr. Mexia como uma entidade que se tem mexido para dar a vitória à E.ON. O Jornal de Negócios diz mesmo que os alemães já prometeram a manutenção do rendoso cargo na administração da EDP e assim, aventa-se ser este o verdadeiro móbil do mexido vorwärts de Mexia.

 

Ignorantes como somos nesta matéria técnica, não sabemos se as autoridades portuguesas têm qualquer tipo de visão acerca de uma estratégia energética para o país e qual a coordenação que poderia existir a longo prazo, entre Portugal e alguns países do mundo lusófono. Os partisans da Alemanha - país que sem reservas admiramos, mas que inegavelmente se encontra muito distante dos tradicionais interesses nacionais de Portugal -, decerto darão tratos de polé à imaginação, sabendo-se que existem muitas e importantes empresas brasileiras e chinesas, tão ou mais aptas que as suas homólogas germânicas.

 

Uma loucura é prosseguirmos no caminho do abandono dos nossos antigos mercados além-mar, insistindo no monopólio europeu. 

 

Politicamente, nem faz sentido qualquer tipo de aposta ou concurso. Pague o que pagar - e paga mais que os alemães -, o Brasil deve ter a prioridade. 

 

publicado às 09:37

O CAPITALISMO E A CHINA

por Pedro Quartin Graça, em 28.12.10

(piada que circula nos meios financeiros de Hong Kong)

 

EM 1949 - A MAIORIA DOS INTELECTUAIS ACREDITAVA QUE O COMUNISMO SALVARIA A CHINA

EM 1969 - OS MESMOS INTELECTUAIS ACREDITAVAM QUE A CHINA (COM SUA REVOLUÇÃO CULTURAL)  SALVARIA O COMUNISMO (QUE, APÓS ESTALINE E A PRIMAVERA DE PRAGA, COMEÇOU A  SER DESACREDITADO COMO IDEOLOGIA)

EM 1979 - DENG XIAO PING PERCEBEU QUE SOMENTE O CAPITALISMO SALVARIA A CHINA

EM 2009 - O MUNDO INTEIRO ACREDITA QUE SOMENTE A CHINA PODE SALVAR O CAPITALISMO

publicado às 18:21

Património português em leilão

por Nuno Castelo-Branco, em 25.12.10

“Neste país” – é assim que hoje em dia, os portugueses chamam à sua pátria -, existe sempre uma verba qualquer para comprar miserável sucata a prazo, como um Mercedes ou BMW, destinado a uma qualquer irrisória excelência. No entanto, adquirir belas obras que enriquecem o nosso património e garantem um hipotético renascer da nossa auto-estima, é coisa difícil. Na Sotheby’s de Nova Iorque, vai a leilão este belíssimo quadro que retrata um grande português do Oriente. A base de licitação está fixada entre os 80.000 – 100.000 Dólares (EUA). Não haverá por aí um mecenas capaz de oferecer a Portugal esta prenda de Ano Novo?

publicado às 22:14






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