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Corrupção de qualidade

por John Wolf, em 03.02.14

Os tipos que por lá andam em Bruxelas não percebem nada de nada. Como ousam afirmar que Portugal não tem uma estratégia contra a corrupção? É óbvio que tem, mas não é aquela em que estão a pensar. Acho bastante insultuoso que ponham em causa os números de um modo tão descarado: (...)"apenas 8,5% dos casos relacionados com este crime e investigados durante 2004 e 2008 (um total de 838) foram concluídos nos tribunais até 2010." Não me digam que isto não é um resultado olímpico? Realmente. A estratégia que Portugal usa funciona na perfeição, e não vejo razão para que se mexa na mesma. O fenómeno absolutamente incrível não deve ser tocado por aqueles movidos por um reles sentido de Estado. A corrupção não deve ser posta em causa por princípios éticos ou pelo sistema de justiça. Não senhor. Afinal, a corrupção distribui riqueza por aqueles que não a merecem. Tira dinheiro a uns para dar a outros - é como se distribuisse prémios por mau comportamento, desempenho. Querem algo mais democrático do que o reconhecimento do flagelo da parte de 90% da população? Ora aqui está uma questão que não necessita de ser referendada. Faz parte da tradição cultural, da história recente ou mais distante, do espólio de fazeres e afazeres. A corrupção faz parte da espinha dorsal da nação, é um dos pilares da soberania e não deve ser alienada. É o que eu digo, os fiscais de Bruxelas não têm nada melhor para fazer. É uma pouca vergonha que começem a meter a colher na mercearia do bairro e a verificar as contas. Daqui a nada começam a implicar porque não sabem o paradeiro dos 78 mil milhões de euros que vieram de expresso e directamente do banco da Troika. Não falta muito e ainda aparece o cobrador do fraque munido de uma multa simpática a aplicar ao país. Uma coima ou coisa parecida. Será que ainda não perceberam os benefícios da corrupção? Ela é especialmente capaz no tratamento de certas maleitas. Como o reconhecimento do mérito, a recompensa do talento ou a concessão de igualidade de oportunidades. Por este andar, ainda invertem a pirâmide, e os bons e íntegros ainda chegam a algum lado na vida - têm o que merecem. 

publicado às 17:50

Como se Robustece esta Moeda?

por joshua, em 30.05.13

O ímpeto reformista português tem sido muito mais ousado e mais rápido, apesar de todos os solavancos e adversidades, que o dos governos congéneres europeus da Zona Euro, daí o modo elogioso com que abençoam o nosso esforço. Ao conceder a Espanha mais dois anos para que o Governo de Mariano Rajoy cumpra as metas orçamentais, a Comissão Europeia recomenda, isto é, exige a implementação de medidas concretas em várias frentes: revisão do sistema de pensões, políticas activas de emprego, uma reforma estrutural do sector eléctrico e novas mudanças na tributação do IVA. Por que é que as Esquerdas Burras em Portugal, além das ânsias pela queda deste Governo, não sugerem também a queda dos outros governos da Zona Euro, a queda da Comissão Europeia, a queda de tudo e de todos que não sejam Esquerda?! Só a República pode ser Regime. Só a Esquerda pode ser Poder.

publicado às 11:07

A receita do Chef Ulrich

por John Wolf, em 10.05.13

O que o Fernando Ulrich afirma pode ser refutado por uma criança que tenha chumbado no exame do 4º ano. O que o presidente de um banco diz é uma tontaria que não faz sentido seja qual for o grau de demência - o nosso ou o dele. O que pensam da seguinte ideia; faço um rico bolo de chocolate, coloco-o sobre a mesa para a festa de aniversário de um ente querido, e de repente um glutão irrompe casa dentro, e zás, com uma faca de mato, abarbata-me um terço do bolo? Ou então escrevo um livro e catrapum, um vírus maluco toma conta do pc e leva-me sete capítulos da minha obra, o equivalente a 40% da minha narrativa, da minha alegada criatividade. Pois é. É disso mesmo que se trata - roubo descarado. E há mais, a ideia de um monstro engolir os frutos do meu trabalho, funciona como um antídoto para mais nada fazer, para mais nada produzir, para ser um peso para a sociedade e passar a ser um vegetal. A mensagem enviada é a seguinte; não vale a pena acrescentar valor porque mais tarde será subtraído. Seja o limite de 100.000 euros ou de 10.000, não deixa de ser um assalto à mão desarmada, uma violência. Uma prática de um regime autoritário com todos os seus requintes. Mas há mais. Diz ele que não precisamos de investimento directo estrangeiro? Em que século vive este homem? O que é a emissão de dívida, meu amigo? É a compra de títulos de tesouro principalmente por entidades estrangeiras! Como é que este homem pode ser o presidente de um banco, se não percebe nada da dinâmica da economia e de psicologia de massas? Se o Ulrich acha bem a apropriação de uma boa parte dos depósitos daqueles que têm mais de cem mil euros, estará a contribuir para a concretização do seu segundo desejo. Se essa regra for constituída, que boa alma estrangeira ou que multinacional desejará investir numa república que rouba as bananas aos seus macacos? Levanto outra questão, embora admita não gostar de misturar o foro privado com questões do domínio público, mas o Ulrich (e concerteza que há mais, mais rich ou menos rich!) não me deixa grandes alternativas. Para este presidente de banco, sugerir, à laia do realizado no Chipre, meter a mão em bolso alheio, é porque o seu património se encontrará a salvo, numa qualquer ilha onde a comissão europeia não lhe consegue deitar a mão. Minha nossa senhora dos depósitos!, que rica prenda nos saiu este Ulrich.

 

 

publicado às 10:47

J'accuse

por João Pinto Bastos, em 08.05.13

 

Fixem bem esta data: 8 de Maio de 2013. Porquê? Porque, hoje, nesta santa e pluviosa quarta-feira farei algo inédito: emularei o Professor Marcelo e darei aqui, neste blogue, em directo e a cores, uma pequena aula sobre o conceito de confisco. Vá, não se assustem, prometo que serei breve e objectivo. Vejamos então o que significa o substantivo confisco. Primeiro que tudo, e sem querer ser presunçoso, terei de retroceder à etimologia do termo em questão, que, como se sabe, deriva do latim "confiscato". O que significa "confiscato"? Algo muito simples: "juntar-se ao tesouro". Ou seja, há dois mil anos atrás, numa galáxia não muito distante, os romanos já tratavam desta modalidade de usurpação do património pessoal, conhecida universalmente por "confiscato". Como sempre, os filhos de Rómulo e Remo souberam antecipar, através da conceptualização jurídica, aquilo que só mais tarde seria sancionado pela lei positiva. Deixando agora de lado a etimologia com laivos latinos do termo confisco, vamos, pois, ao osso do termo em questão. Que significa, então, confisco? O significado é muito singelo e prende-se exclusivamente com isto: a autoridade pública ou, melhor dito, o Leviatã - Hobbes até na designação dos seus rebentos holísticos era um génio - expropria, sem qualquer compensação, repito, sem qualquer compensação, a propriedade de uma determinada pessoa, singular ou colectiva. Uma espécie de sanção vindicada pelo poder público ilimitado. O tributo é, neste sentido, um instrumento primordial e privilegiado. Actua de um modo indirecto e, por vezes, anestésico, mas os seus efeitos são extremamente deletérios. Vem esta prelecção a propósito da última cartada enunciada pela Comissão Europeia. Refiro-me, em concreto, ao anúncio de que Bruxelas admite que os depósitos acima de 100 000 euros não estão a salvo de um hipotético programa de resgate. Mais: o monstro burocrático presidido pela eminência ex-maoísta admite, inclusive, que esses depósitos poderão ser reduzidos ou convertidos em acções. Não vale a pena bater no ceguinho. Tenho escrito, em diversas circunstâncias, que esta União Europeia não presta. Mas, sendo realista, estes avisos de pouco ou nada valem, ainda para mais quando são ditos por blogueiros cuja audiência é bem limitada. A Europa resolveu, e quando digo resolveu refiro-me unicamente às suas lideranças tresloucadas, embarcar numa aventura por mares incógnitos. A democracia já pouco ou nada interessa aos mandarins eurocráticos. A liberdade vai sobrevivendo, por enquanto. Sim, por enquanto, pois, não se admirem se, a breve trecho, a liberdade der lugar ao liberticídio. A propriedade está em perfeitos escombros. Em suma, aquilo que fez, e que faz, em grande medida, a matriz identitária da Europa, encontra-se em total erosão, sem que ninguém de vulto se insurja contra este rumo suicida. Só isso explica que uma medida deste jaez passe incólume no tribunal da opinião pública. Opinião essa, que de pública tem muito pouco. Só em países com instituições muito frágeis é que soluções destas são discutidas na mais exasperante das normalidades. Lamento que assim seja. Lamento que a Europa se reduza a um bando de loucos que só pensam em poder, imagem e dinheiro. Lamento que estejamos entregues a esta gente. Lamento, lamento e lamento. 

publicado às 20:11

Fadiga de Durão

por John Wolf, em 24.04.13

Cada vez que oiço um encadeado de palavras de Durão Barroso, uma sirene soa. Nada do que diz parece sincero. São chavões que atira para o ar. São lugares-comum sobre orientações genéricas que falam mais sobre o seu mal-estar pessoal, a sua carreira, a sua renúncia e abandono. Está a olhos vistos o que irá fazer. Durão prepara a sua saída, mas tenham atenção. Fará à Europa o que fez a Portugal. Vai-se embora, e deixa os que ficam, com uma mão à frente e outra atrás. Mas para a Europa não fará qualquer diferença. Este tipo de político abunda no mercado. Quando Barroso refere uma espécie de fadiga europeia e que os limites da austeridade foram atingidos, não serve nem os interesses da União Europeia nem a condição dos países sob programas de ajustamento. É este tipo de político que devemos evitar. Um político que não mata nem engorda. Um funcionário que quer salvar a sua pele e que age de acordo com uma agenda pessoal. Na primeira fase do seu comissariado, portou-se como um Marques Mendes da União Europeia. O porteiro, um rapaz submisso, que diz para agradar e granjear festinhas dos patrões. O Durão Barroso, ao longo dos anos europeus, não pensou uma de jeito para a caixa da construção europeia, mas não deixou de ter opiniões  para os cocktails de burocratas que são e foram as cimeiras europeias. Foi um excelente porta-voz de guiões colocados sobre a sua secretária horas antes da conferência de imprensa. Foi às Lajes armar-se em Churchill das Lajes, e desde que a crise eclodiu na Europa, tem vindo a escorregar desse poiso de falsa altivez, deixando escapar pequenas tiradas que devem ser levadas em conta pelo seu valor de face. Os dias de Durão Barrosos na União Europeia já foram contados. Terão sido cantados pelos estrategas europeus que trabalham nos bastidores e que são de facto os mais poderosos. Refiro-me a instituições financeiras (incluindo o BCE) e aos lobbies à europeia, que determinam o rumo dos acontecimentos. Quando o homem diz que "a unidade europeia não pode ser tida como certa", crava à má-fila um punhal nas instituições europeias. Mina o posto com uma bactéria de dissensão. Mancha esse lugar de governação com incerteza. Cria uma zona cinzenta onde nada acontece, quando o que necessitamos é de acção firme que inverta a situação na Europa. O político que todos conhecemos nunca foi um estadista. Numa época de falência ética e moral, o Barroso vive em pleno o esplendor estes tempos. Não age de acordo com um código de coerência. Se o homem não se revê nas políticas de austeridade impostas pelo core da União Europeia, só tem uma coisa a fazer - demitir-se. Mas como ainda não pode regressar de um modo triunfal a Portugal, tem de enviar recados de solidariedade para o povo de Portugal, especialmente em vésperas do 25 de Abril, uma efeméride que é um parente próximo do MRPP, uma experiência história que também encontramos na genealogia política deste senhor. Tudo isto somado, esta novela de arrufos e paixões nada tem a ver com a verdade das intenções. A presidência da república é desejável para Barroso, antes de poder candidatar-se a uma vaga no Banco Mundial ou na ONU. Não esqueçamos o que diz Barroso - "A União Europeia é, fundamentalmente, um projeto político e cultural baseado em fortes valores humanistas" - tenham dó. Já não temos pachorra para lenga-lengas.

publicado às 08:12

Röpke e a Economia Humana

por Samuel de Paiva Pires, em 24.03.13

Roger Scruton, "The Journey Home - Wilhelm Röpke & the Humane Economy":

 

«The Eurocrats tolds us, when John Major weakly agreed to the Maastricht Treaty, that it was all OK, that national sovereignty would not be sacrificed, that the principle of subsidiarity applied, and that all decisions pertaining to the nation and its specific interests would be taken at the national level, by elected Parliaments. But then comes the catch: it is the European Commission, not the national parliament, which decides that a given issue pertains to the specific interests of a given nation state. National sovereignty is therefore delegated from above, by an unelected Commission which is in the hands of its permanent staff of bureaucrats rather than in those of the sheepish politicians who have been shunted there from parliaments where they are no longer wanted. The principle of ‘subsidiarity,’ which purports to grant powers to local and national bodies, in fact takes them away, ensuring that powers that were once exercised by right are now exercised on sufferance. ‘Subsidiarity’ confiscates sovereignty in the same way that ‘social justice’ confiscates justice, and the ‘social market’ confiscates the market.

So what is the alternative? What was Röpke getting at, and how should we respond to the problems that he wished to address—the problems of social fragmentation and the loss of community feeling, in a world where the market is left to itself? There are those—Milton Friedman, for example, or Murray Rothbard—who have powerfully argued that a genuinely free market will ensure the good government of human communities, through the self-restraining impulse that comes naturally to us. But their arguments, however sophisticated, are addressed to Americans, who live among abundant resources, free from external threat, surrounded by opportunities and in communities where the volunteer spirit survives. And they do not confront the central question, which is how communities renew themselves, and how fundamental flaws in the human constitution, such as resentment, envy and sexual predation, are to be overcome by something so abstract and neutral as consumer sovereignty and free economic choice.

Röpke’s own idea, if I understand him rightly, was that society is nurtured and perpetuated at the local level, through motives that are quite distinct from the pursuit of rational self interest. There is the motive of charitable giving, the motives of love and friendship, and the motive of piety. All these grow naturally, and cause us to provide for each other and to shape our environment into a common home. The true oikos is not a cell shut off from the world, in which a solitary individualist enjoys his sovereignty as a consumer. The true oikos is a place of charity and gift, of love, affection and prayer. Its doors are open to the neighbours, with whom its occupants join in acts of worship, in festivals and ceremonies, in weddings and funerals. Its occupants are not consumers, except obliquely, and by way of replenishing their supplies. They are members of society, and membership is a mutual relation, which cannot be captured in terms of the ‘enlightened self interest’ that is the subject matter of economic theory. For extreme individualists of the Rothbard kind life in society is simply one species of the 'coordination problem,' as the game theorists describe it—one area in which my rational self-interest needs to be harmonized with yours. And the market is the only reliable way that we humans know, or could know, of coordinating our goal-directed activities, not only with friends and neighbours, but with all the myriad strangers on whom we depend for the contents of our shopping bags. Membership, if it comes about, is simply another form of quasi-contractual agreement, whereby we freely bind ourselves to mutual rights and duties.


Who is right in this? Well, the position that I have attributed to Röpke is to me transparently obvious, whereas that which I have attributed (for the sake of argument) to Rothbard is to me profoundly mistaken. (...)
»

publicado às 19:24

O regresso aos mercados

por João Pinto Bastos, em 23.01.13

O "regresso aos mercados" - estamos a falar do regresso à emissão de dívida a médio e longo prazo - é uma boa notícia. Sem aspas nem vírgulas. Ponto. Porém, seria aconselhável não tomar a árvore pela floresta. Por um lado, este regresso foi patrocinado em grande medida pela acção benemérita do BCE liderado por Draghi, por outro, este sucesso relativo, "conditio sine qua non" para o retorno do crescimento económico, não influirá, pelo menos imediatamente, na política fiscal seguida pelo Governo. Mais: a política do BCE tem subjacente a guerra de divisas que o John mencionou numa posta recente - é pena que a menção feita nos media portugueses ao que se vem passando no Japão e nos EUA seja bastante pífia. As coisas vão-se movendo, e enquanto nós nos divertimos a zurzir os apetites eleitorais de Costa e Seguro, o debate económico lá fora vai furando o consenso até aqui dominante. O que importa relevar do dia de hoje, não obstante os senãos mencionados, é o facto de o Governo ter obtido um triunfo que, analisando com rigor, é um passo importante na credibilização creditícia da República.

publicado às 22:27

A liberdade de expressão pelas ruas da amargura

por João Pinto Bastos, em 28.12.12

novas que pura e simplesmente fazem-me pensar se os deuses não estarão irremediavelmente loucos. O mais espantoso é averiguar a total e inaudita ausência de menção na imprensa nacional a mais este sucesso da eurocracia tresloucada. Como se isto fosse normal, aceitável, ou, por que não, exemplar. A ladeira que está a conduzir-nos ao autoritarismo dos bonzos pseudo-iluminados da eurocracia ameaça tornar-se insuportável. O Tribunal de Justiça da União Europeia, instituição judicial pouco dada a arrufos juvenis, encarreirou pela via da criminalização da dissensão opinativa, determinando, numa prosa sibilina e pouco burilada, que doravante a Comissão poderá restringir as diferenças de opinião que coloquem em causa a imagem e reputação das instituições europeias. Ou seja, dito de outro modo, daqui em diante calem as vossas discordâncias a propósito da política europeia, mais, se houver alguém dentre vós que venha a estar num dia não muito distante em posição de assumir algum cargo ligado à arquitectura institucional europeia, fique desde já sabendo que terá forçosamente de silenciar as suas divergências em relação à linha seguida pela eurocracia. O insurgente Filipe Faria descreveu bem a coisa perguntando se as prisões europeias teriam espaço suficiente para acolher os potenciais trânsfugas. Cura-se aqui de defender a liberdade dos eternos idealizadores das utopias infernais centralizadoras. Utopias que não cabem mais, se é que algum dia couberam, neste mundo desidentificado. 

publicado às 19:22

Em pratos limpos

por Nuno Castelo-Branco, em 03.04.12

 

"Vil e miserável", eis como A.J. Seguro classifica a charla domingueira há dois dias transmitida pelo "Messiê Vichysoise". Não se percebe o que porventura esperaria o líder socialista. Recomendamos ao PS a ponderação acerca do seu "acendrado republicanismo", pois arrisca-se mesmo a tomar uma sopa fria numa das futuras presidenciais. Isto, se a coisa se aguentar até lá.

 

Entretanto, a Comissão Europeia "admite" o definitivo fim do subsídio de férias e do 13º mês. Agora compreende-se esta proliferação hoteleira em todas as avenidas e ruas secundárias da capital portuguesa. Por outras palavras, estará praticamente inderdita a saída de nacionais para outros destinos senão aqueles dentro de portas, quiçá aproveitando os vinte e tal dias para um ganchinho num hotel qualquer, prestimosamente servindo alemães de sandálias e meias de pano turco, franceses que não tomam banho há semanas ou espanhóis histéricos vinte e duas horas por dia.

 

Quando esta gentinha "de Bruxelas" admite qualquer coisa, isso de imediato se traduz numa ordem ou seja, numa befehl ist befehl. Vamos a ver como reage o governo.

publicado às 13:34

Mário Soares e "cimeiras da vergonha": Açores e Lusaca?

por Nuno Castelo-Branco, em 20.03.09

 O dr. Mário Soares fala demais, quando melhor faria em encolher os ombros e calmamente dirigir-se ao Bel Canto para um pacato repasto à beira do S. Carlos.

 

Desta vez, engalinhou-se com a muito provável recondução de Durão Barroso na Comissão Europeia. Torna-se cada vez mais inextricável a linha de pensamento de alegados políticos que se ensimesmam em vãs certezas ou delírios tão infalíveis como uma aposta na roleta do casino. 

 

A vantagem da permanência de Barroso à frente da "UE", não pode deixar de ser encarada como muito importante para Portugal. Não vale sequer a pena enumerar as conhecidas e exaustivamente debatidas razões. Qualquer idiota as compreende.

 

O argumento da  famigerada "foto dos Açores" na qual apenas esteve a mais o primeiro-ministro espanhol, é não só insignificante como demonstrativo da perfeita inconsciência ou desinteresse acerca da política externa portuguesa. Barroso nada mais fez senão cumprir uma linha traçada pela história e que  garantiu durante mais de seis séculos a independência nacional. Soares conhece bem as razões e desastradamente pretende querer fazer passar uma imagem anacrónica e já esquecida, de um anti-americanismo de subúrbio. Falando de cimeiras de vergonha, sugeria-lhe uma recordação da Cimeira de Lusaca, onde Soares participou. A contragosto, diz hoje. Mas a sua assinatura consta no documento final.

 

A arrogante deselegância das palavras, remete-nos uma vez mais, para o desgraçado episódio Nicole Fontaine.  Já não é um estadista. Tê-lo-á sido alguma vez? Boa questão.*

 

*É de elementar justiça reconhecer que ao longo da sua carreira, M. Soares teve momentos altos, em que o seu posicionamento político coincidiu exactamente com aquilo que é o interesse nacional. No entanto, um estadista deve naturalmente sê-lo a tempo inteiro e não pode tergiversar consoante ódios ou paixões particulares e partidárias, em total oposição à verdadeira grandeza daquele que muitas vezes prescinde dos seus, em benefício de todos. Mário Soares adquiriu por mérito próprio um estatuto que neste regime, o coloca em clara vantagem sobre todos os outros homens do seu tempo. 

publicado às 12:40

O anti-barrosismo da moda

por Nuno Castelo-Branco, em 15.07.08

 

 

Na sua habitual cegueira  e hipocrisia deslavada, existe um certo sector da auto-proclamada opinião comentadeira dos assuntos domésticos, que se assanha à simples menção da pessoa do actual Presidente da Comissão Europeia. Não é novidade, pois, como antigo chefe da oposição ao governo Guterres, criticava-se-lhe o penteado, o nariz, o histrionismo vocal ou a cor do fato. Barroso sempre teve as costas largas e não correspondendo minimamente ao conceito esquerdista do beautiful people (?) à imagem de um Zapatero pecava sobretudo, pelo seu passado de militância maoísta. Foi, é e será o argumento basilar para um apressado e oportunista julgamento de carácter, particularmente por parte daqueles que tendo fainado nas águas residuais do sovietismo, nele viram um dos protagonistas do movimento popular que impediu nas ruas um "golpe de Lisboa", à imagem daqueles ocorridos em Praga, Sófia ou Bucareste. É o pecado original de Barroso. Não se trata do decretar de um anátema contra um transfuga do estalinismo, mas sim e principalmente, por ser Durão Barroso, um declarado e pétreo adversário das fantasias hegemonistas do decrépito e quislinguiano PC luso. 

 

Não é segredo para ninguém, a desproporcionada força de certos sectores político-ideológicos na imprensa, televisão e centros criadores de "opinião". É a chusma herdada do contar de piolhos das farfalhudas barbaças dos meninos de 68, bem instalados nos cadeirões de institutos, bibliotecas e universidades. Entram-nos pela casa logo pela manhã, comentando a imprensa de que são os principais escribas. Participam e pontificam em fóruns da tv pública, são omnipresentes na apresentação de obras subsidiadas, são nomeados para esta ou aquela sinecura de prestígio intelectual, a expensas do contribuinte, claro está. É uma praga de aracnídeos que teceu uma inextricável teia de influências, tráfico de compadrios, nomeações de ex, presentes e futuros cônjuges para o tachismo colocado à disposição daquela meia dúzia de centos. 

 

Parece que Barroso "traiu". Os argumentos da tese da alegada traição, alicerçam-se na "falta de coragem" para as indesejadas reformas, na "fotografia dos Açores" e finalmente, na "fuga" para Bruxelas. Quanto a esta dita fotografia dos Açores, todos sabemos que D.B. se limitou a fazer aquilo que qualquer chefe de governo português teria que fazer, pois os interesses vitais de Portugal - a manifestação da solidez das nossas alianças, para o pior e para o melhor -  tinham de se manifestar, estando presente na Cimeira, uma Espanha que se intrometia num ambiente geoestratégico que tradicionalmente rejeitava. Era essa a novidade e o senhor Aznar decerto pretendeu a completa secundarização de Portugal como interlocutor privilegiado dos EUA nesta zona do mundo. Não conseguiu e a posterior e apressada retirada  espanhola da frente de combate, confirmou a constante invariável. Assim, Barroso ficou bem na foto e até creio ter sido nomeado para a presidência da Comissão por isso mesmo. A Europa não pode dar-se ao luxo de prescindir da protecção militar americana e apesar das habituais excentricidades francesas e dos silêncios germânicos, os pequenos Estados sabem bem onde se encontra o ponto forte de apoio em caso de necessidade. Isto transtorna os sectores extremistas e não foi por mero acaso que no Parlamento Europeu, estes usaram o "argumento Açores", como a principal arma de ataque ao candidato português.

 

Esta rasteira catilinária não resiste ao mais leve sopro de qualquer eflúvio gasoso, pois os habituais denunciantes do crime, trombeteavam dias antes da nomeação para a UE, alguns nomes bem conhecidos e mais grados ao "parece bem" da Situação. Quem não se lembra do cantochão entoado quando da hipótese de presidencialização de Mário Soares no Parlamento Europeu, vencido afinal, pela sra. Nicole Fontaine, a quem, aliás, o ex e omnipresente chefe do Estado alegadamente apodou de doméstica? Alguém porventura já se esqueceu na logorreia escutada quando dentro de portas se considerava o sr. Guterres como o genial chefe da Europa, para logo segundos depois ser substituído pelo inigualável Vitorino? Quando os fazedores de opinião pronunciavam os nomes grados à sua opção partidária-profissional, proferiam então, os mais entusiásticos encómios, num tonitruante ribombar de gongorismos  exaltadores das excelências putativamente candidatas. Homem de grande dimensão moral, competência insofismável, homem generoso, aberto ao progresso, fresco de ideias, desanuviado e descomprometido com interesses..., enfim, os habituais decalques já vistos e revistos na Ilustração Portuguesa de há cem anos, onde se exaltavam as virtudes cívicas de gente do calibre de um Afonso Costa ou de um Machado qualquer.  O conclave dos decisores estatais europeus, faria ruir estas promessas de mais viagens, comissões e cargos bem remunerados, elegendo o "pérfido porteiro dos Açores", o "indefectível da Inglaterra", o incapaz que fugiu à grande obra de desbravar os caminhos condutores a um progressista El Dorado que não chega. Restou-lhes a consolação de ver o engenheiro a palestrar acerca dos sacos de farinha da US Aid no Darfur e pelo menos, obtiveram o prémio de consolação de terem o sr. Sampaio emulando a rainha D. Amélia, tratando do problema da tuberculose que como se sabe, sempre foi a grande preocupação da sua presidência de influência. Ocupado o atelier da grande soberana nas Necessidades ao módico preço de 750 mil Euros de restauro (imprensa dixit), a república pode respirar, pois tem o prémio linha do bingo do prebendismo internacional. Habituem-se...

 

Nunca compreendi a lógica chã do favoritismo partidista, porque o interesse nacional é na maioria dos países, o argumento chave para a tomada ou aceitação de grandes decisões. Neste regime não é assim, pois o que conta  é uma hipotética, quimérica e longínqua afinidade na irmandade, seja ela qual for. A síndrome da Casa dos Vinte e Quatro, tem ditado a vida do nosso país ao longo de cinco séculos, com as consequências que são conhecidas por todos.  Se a escolha tivesse recaído num Solana ou num qualquer Gonzalez, Fabius ou Zapatero, os fazedores de opinião entoariam cânticos de louvor ao novel presidente da Comissão Europeia. Barroso é-lhes insuportável, pois além de representar  a tradicional e imutável estratégia política portuguesa nas relações internacionais - o atlantismo, condição sine qua non da independência nacional -, é a consagração daquele que nos idos anos de 74 e 75, dizia de Cunhal, aquilo que quase todos pensavam, embora  temessem dizer. É este o verdadeiro crime de Durão Barroso.

 

Não sou um pessimista e tenho uma fé inabalável na preservação de Portugal como entidade cultural e política. Não é uma crise de transportes, um governo em estertor pré-eleitoral ou um tiroteio na Buraca leste que liquidará uma obra de nove séculos. Portugal cumpriu brilhantemente o seu destino e possui um património histórico apenas comparável à Inglaterra, França, Rússia ou Espanha. É a pura e incómoda verdade para alguns que tudo criticam, tudo iconoclasticamente liquidam para satisfazer a libido. Criticam, arrasam e envenenam, sem nada de consistente propor. O país não morrerá, disso tenho a certeza absoluta.

 

Barroso é uma figura chave e central na prossecução da defesa daquilo que entendemos ser o interesse nacional. Esta oportunidade não pode ser desprezada ou contrariada, pois os próximos anos serão difíceis e tendo um português no lugar cimeiro de uma "união" que se vai paulatinamente desfazendo, urge garantir o futuro. Não conheço o actual presidente da Comissão, nem sequer jamais votei no PSD. O partido de Durão Barroso, as suas amizades políticas, não me interessam, são apenas instrumentais. De uma coisa tenho a certeza: do seu patriotismo. Isso basta.

 

 

 

publicado às 10:46






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