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Barroso de lata

por Nuno Castelo-Branco, em 11.07.10

 

Uma das questões que sempre se colocou à economia portuguesa, consiste no papel desempenhado pelo Estado como uma das essenciais ferramentas que garante o funcionamento do país como comunidade autónoma. Critique-se a sua função motora ou procure-se com ela terminar, voltamos sempre a um beco sem saída. De facto, a iniciativa privada portuguesa sempre do Estado dependeu e nele se apoiou para incipientemente medrar. De secretaria em secretaria, de ministérios em ministério, de almoço em almoço, os empresários lá vão conseguindo os urgentes óbulos que garantam o seu estatuto, permitindo depois, a recompensa dos benfeitores com cargos pós-políticos que estabeleçam rendas e um relativo fare niente prazenteiro. Daí, a total subsidiariedade relativa aos poderes públicos e a permanente osmose entre agentes económicos, financeiros e políticos, ser uma das características basilares desta construção nacional, não se adivinhando nem remotamente, uma alteração substancial nesse pressuposto.

 

Vista e reconhecida esta indesmentível verdade, mais valerá aceitá-la como permanente, sendo contudo urgente a procura de uma solução que regule o próprio funcionamento da estrutura complexa e aparentemente indesejada. Os factos são o que são e estando os portugueses habituados - e dele são partidários - ao modelo do Estado interventor nas suas vidas, talvez fosse curial encontrar uma fórmula que mitigasse os impulsos esbanjadores ou delapidadores dos agentes que dele se servem. A selecção de decisores consiste no problema a que há que dar urgente remédio, não valendo a pena continuar a sonhar com Thyssens ou Krups há portuguesa, uma vez que desaparecido o grande Alfredo da Silva, pouco restou como memória das grandes azáfamas industrializantes que ergueram ateliers, fábricas, chaminés e armazéns.

 

O sr. Durão Barroso - desde que foi para a "Europa" desabituou-se da pequeno burguesa monomania doutoral que por cá grassa -, esteve em Lisboa e perorou medianamente acerca dos malefícios da intervenção dos Estados na economia. Sendo o presidente da Comissão Europeia, decerto deverá beneficiar de uma visão do conjunto dos países que compõem a detestada organização a que preside, não podendo vislumbrar em Portugal - queira ou não queira, a sua terra -, a mesma situação que se vive na Alemanha, França ou Reino Unido. Barroso atacou fortemente os Estados que não souberam fazer o trabalho de casa e "não aproveitaram as oportunidades nos tempos das vacas gordas". Ficamos todos perplexos, dado o inusitado descaramento da afirmação, proferida diante farta plateia de empresários dependentes do saquinho de esmolas providenciadas pelo contribuinte português e principalmente, tendo ao seu lado o homem presidencial de quem foi secretário de Estado e ministro. Durante uma década de mandato, Cavaco Silva beneficiou de contínuas "frotas de ouro do Brasil" que descarregaram colossais somas que levaram o sumiço que se sabe e que foram parar às reservas bancárias e às garagens de muitos dos convivas políticos e económicos presentes na reunião "pelo desenvolvimento". O caudal continuou na outra década de mandato subsequente e hoje em dia, ainda existem alguns tesourinhos a explorar e quantas vezes esquecidos num gabinete de planeamento que deles se esquece. Os agricultores que o digam.

 

Vir agora o presidente da CE apontar o dedo a si próprio, não deixa de ser uma originalidade que a ninguém surpreenderá. Para cúmulo, o próprio PC assume agora o discurso outrora exclusivo dos manuais "reaccionários nacionalistas, salazaristas, monárquicos e passadistas", usando termos como invasão, traidores e expulsão dos prevaricadores. Coisas agradáveis de escutar. Ainda teremos o PC como único defensor do 1º de Dezembro! Mais vale tarde, que nunca.

publicado às 10:09

A recondução de Durão Barroso e o interesse nacional

por Nuno Castelo-Branco, em 09.06.09

 

Já nos habituámos a que no nosso país, sempre surjam indivíduos dispostos a contrariar aquilo que é de  óbvio interesse nacional. Por razões "ideológicas", espírito faccioso ou mera arrogante estupidez, julgam-se membros dessa inclassificável, perigosa e vazia de conteúdo categoria de "cidadãos do mundo". Por quase infalível regra, isto  traduz-se na passagem do testemunho a outrem, procurando agradar e neste campo, exemplos não faltam. É uma característica muito lusa, a de querer manifestar o apoio a alguém que não seja nosso compatriota, pois tal susceptibiliza em algumas toscas mentes, a ideia de que o afastamento da "condição de português" - logo tacanho, ignorante e atrasado - o aproxima daqueles que a imaginação lhe aponta como os modernos, avançados, arejados: em suma, "os outros", de preferência provenientes da Europa central ou do norte.

 

País irresponsavelmente reduzido à sua mais ínfima expressão geográfica, Portugal  tem uma premente necessidade de afirmação no contexto internacional, especialmente numa Europa que de nós tudo desconhece, muito despreza e pouco ou nada valoriza. 

 

Após décadas de condução de uma política de afirmação europeísta que escassos resultados obteve, o regresso ao natural espaço atlântico, consistiu na adequação da ainda incógnita UE a um caminho que sobretudo interessa a Portugal. Assim sendo, a presença de Barroso à frente da Comissão, serve não só os objectivos de afirmação nacional - relegando países política e economicamente mais importantes para um segundo plano de visibilidade em termos de presença institucional -, como também a necessidade defesa de um Ocidente açulado por múltiplas ameaças, onde o terrorismo, as migrações e o despontar de novas hegemonias, concitam a uma união de esforços.

 

Ao contrário daquilo que muitos pensam como um episódio continentalista de favorecimento de "um fraco", Barroso chegou ao topo da hierarquia comunitária, devido exactamente ao seu posicionamento pró-atlantista, ou por outras palavras, pela justeza de uma política de manutenção dos apertados laços que nos unem aos EUA. Para o bem e para o mal, os americanos continuarão a beneficiar por largas décadas da sua condição de superpotência e a impossibilidade de emulação federalista europeia, dita então a política a seguir em conformidade com os factos.

 

Conhecedor da tradicional política externa que durante séculos garantiu a independência de Portugal nas mais difíceis circunstâncias, a participação de Durão Barroso na Cimeira dos Açores marcou definitivamente a manifestação de uma  continuidade histórica, no momento em que a intrusão espanhola indiciava um render de guarda peninsular,  procurando atrair britânicos e americanos a um diálogo com apenas uma das componentes independentes da Ibéria. 

 

É fácil depararmos com as mais inacreditáveis interpretações acerca da política prosseguida por Durão Barroso, desde as ridículas chufas relativas à condição de porteiro, moço de recados, títere ou simplesmente, vaidoso útil, até às patéticas conexões tecidas à volta de grupos secretos de imaginários governos mundiais ocultos nas trevas de sociedades secretas, etc.

 

No que se refere à reeleição de Barroso para a presidência da Comissão Europeia, o residente de Belém e o primeiro-ministro têm toda a razão: o interesse nacional implica a unanimidade dos portugueses em torno do apoio à sua candidatura. No Parlamento Europeu, em todas as instâncias comunitárias, na comunicação social portuguesa que pretende formar a opinião pública. O contrário diminui a respeitabilidade de quem não consegue cumprir o seu dever, inalienável daquele sentido de permanente serviço público, neste caso, a Portugal.

 

Com o tempo, todos perceberão porquê.

publicado às 17:35

Fado "Velha Tendinha" (Hermínia Silva)

por Nuno Castelo-Branco, em 17.04.09

 

O texto da Silvia (A Manta de Retalhos) vem muito a propósito, até porque um dos autodenominados "pais da Europa" quebrou hoje um longo silêncio de três segundos, caturrando a provável reeleição de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia.

 

A apresentação de um bloco português dos partidos do arco constitucional no apoio a Barroso, é para Mário Soares, "nacionalismo no pior sentido da palavra". Não se pode ter a certeza de que este ex- deputado, ex-primeiro ministro e ex-presidente da república, tenha uma perfeita consciência acerca do modo de funcionamento da dita UE. Num mundo idílico de jantaradas, vernissages e um ocasional convívio com os trabalhadores de uma fábrica de sucesso - é um padrão imortal -, não existiriam interesses nacionais e o lóbismo europeu seria uma constante procura pela primazia de uma "Europa" ubber alles. Mas a realidade é uma implacável madrasta e nos mais diversos organismos comunitários, luta-se pelo quinhão a obter em fundos ou até, pela visibilidade deste ou daquele grupo nacional. 

 

O problema de Mário Soares consiste então numa septicémia partidocrática que campeia em alguns sectores órfãos do poder. É-se contra Barroso, porque Durão "não é do partido" e esta é uma verdade tão óbvia como o facto de ser do total interesse dos portugueses que esteja um dos nossos na presidência da  detestavelmente necessária  organização. 

 

Qualquer cambaleante bebericador de ginjinha na tasca do Arco do Bandeira,  compreende esta vital posição ocupada por um nacional em Bruxelas. Ser contra esta vantagem, não se trata sequer de anti-patriotismo ou anti-nacionalismo.  Consiste simplesmente, numa profunda e risível  parvoíce.

publicado às 14:05

Mário Soares e "cimeiras da vergonha": Açores e Lusaca?

por Nuno Castelo-Branco, em 20.03.09

 O dr. Mário Soares fala demais, quando melhor faria em encolher os ombros e calmamente dirigir-se ao Bel Canto para um pacato repasto à beira do S. Carlos.

 

Desta vez, engalinhou-se com a muito provável recondução de Durão Barroso na Comissão Europeia. Torna-se cada vez mais inextricável a linha de pensamento de alegados políticos que se ensimesmam em vãs certezas ou delírios tão infalíveis como uma aposta na roleta do casino. 

 

A vantagem da permanência de Barroso à frente da "UE", não pode deixar de ser encarada como muito importante para Portugal. Não vale sequer a pena enumerar as conhecidas e exaustivamente debatidas razões. Qualquer idiota as compreende.

 

O argumento da  famigerada "foto dos Açores" na qual apenas esteve a mais o primeiro-ministro espanhol, é não só insignificante como demonstrativo da perfeita inconsciência ou desinteresse acerca da política externa portuguesa. Barroso nada mais fez senão cumprir uma linha traçada pela história e que  garantiu durante mais de seis séculos a independência nacional. Soares conhece bem as razões e desastradamente pretende querer fazer passar uma imagem anacrónica e já esquecida, de um anti-americanismo de subúrbio. Falando de cimeiras de vergonha, sugeria-lhe uma recordação da Cimeira de Lusaca, onde Soares participou. A contragosto, diz hoje. Mas a sua assinatura consta no documento final.

 

A arrogante deselegância das palavras, remete-nos uma vez mais, para o desgraçado episódio Nicole Fontaine.  Já não é um estadista. Tê-lo-á sido alguma vez? Boa questão.*

 

*É de elementar justiça reconhecer que ao longo da sua carreira, M. Soares teve momentos altos, em que o seu posicionamento político coincidiu exactamente com aquilo que é o interesse nacional. No entanto, um estadista deve naturalmente sê-lo a tempo inteiro e não pode tergiversar consoante ódios ou paixões particulares e partidárias, em total oposição à verdadeira grandeza daquele que muitas vezes prescinde dos seus, em benefício de todos. Mário Soares adquiriu por mérito próprio um estatuto que neste regime, o coloca em clara vantagem sobre todos os outros homens do seu tempo. 

publicado às 12:40

Cederá?

por Nuno Castelo-Branco, em 19.10.08

A pressão é demasiada, a artilharia está concentrada em losango e numa frente apertada, capaz de aniquilar qualquer tipo de defesa. Os bem estabelecidos na manjedoura, lutarão até ao fim pela sua porção de farelo, mesmo que o fim do maná esteja à vista. Enquanto algo subsistir, a eles pertencerá.

 

Querem o orçamento em Bruxelas, querem o orçamento no BCE, querem o orçamento na banca "portuguesa", querem o orçamento no Parlamento da minoria e querem também o orçamento, no Parlamento da minoria. A agiotagem da época do baby-boom do pós guerra que pontifica no PSD, e outros partidos também o quer. Compreende-se porquê. Se resistir, Passos será uma surpresa de inesperada dimensão.

 

Dadas as circunstâncias e o que tem acontecido nos derradeiros meses deste fatídico ano de 2010 que bisonhamente comemorou uma catástrofe, a chegada do FMI é apenas medonha para quem o teme. As medidas duras foram tomadas e talvez pudessem ter sido mais brandas, se anunciadas atempadamente, ou seja, há mais de um ano. Agora é tarde, talvez demasiadamente tarde. Quem já nada tem, o que poderá ainda mais temer? Aqueles que tremem de pavor pela rejeição do orçamento, são precisamente os que fazem parte do grupo receoso da fatal descoberta de todo o tipo de loucuras, abusos, esbulhos, incompetências, manjedouras e dislates a que Portugal tem sido submetido pela república portuguesa.

 

O fito da barragem de artilharia é esse mesmo, irmanando Barrosos, Soares, Sampaios, Cavacos, Marcelos e tantos outros canhões do mesmo calibre, consiste no impedir da saída das trincheiras.

 

O PS, o PSD e os outros, já pouco importam. Se tiver que ser, venha então o FMI e descubra o que se esconde debaixo da exclusiva alcatifa dos gabinetes das imerecidas excelências que por cá têm prosperado. O medo é esse mesmo: a descoberta.

publicado às 01:47

O anti-barrosismo da moda

por Nuno Castelo-Branco, em 15.07.08

 

 

Na sua habitual cegueira  e hipocrisia deslavada, existe um certo sector da auto-proclamada opinião comentadeira dos assuntos domésticos, que se assanha à simples menção da pessoa do actual Presidente da Comissão Europeia. Não é novidade, pois, como antigo chefe da oposição ao governo Guterres, criticava-se-lhe o penteado, o nariz, o histrionismo vocal ou a cor do fato. Barroso sempre teve as costas largas e não correspondendo minimamente ao conceito esquerdista do beautiful people (?) à imagem de um Zapatero pecava sobretudo, pelo seu passado de militância maoísta. Foi, é e será o argumento basilar para um apressado e oportunista julgamento de carácter, particularmente por parte daqueles que tendo fainado nas águas residuais do sovietismo, nele viram um dos protagonistas do movimento popular que impediu nas ruas um "golpe de Lisboa", à imagem daqueles ocorridos em Praga, Sófia ou Bucareste. É o pecado original de Barroso. Não se trata do decretar de um anátema contra um transfuga do estalinismo, mas sim e principalmente, por ser Durão Barroso, um declarado e pétreo adversário das fantasias hegemonistas do decrépito e quislinguiano PC luso. 

 

Não é segredo para ninguém, a desproporcionada força de certos sectores político-ideológicos na imprensa, televisão e centros criadores de "opinião". É a chusma herdada do contar de piolhos das farfalhudas barbaças dos meninos de 68, bem instalados nos cadeirões de institutos, bibliotecas e universidades. Entram-nos pela casa logo pela manhã, comentando a imprensa de que são os principais escribas. Participam e pontificam em fóruns da tv pública, são omnipresentes na apresentação de obras subsidiadas, são nomeados para esta ou aquela sinecura de prestígio intelectual, a expensas do contribuinte, claro está. É uma praga de aracnídeos que teceu uma inextricável teia de influências, tráfico de compadrios, nomeações de ex, presentes e futuros cônjuges para o tachismo colocado à disposição daquela meia dúzia de centos. 

 

Parece que Barroso "traiu". Os argumentos da tese da alegada traição, alicerçam-se na "falta de coragem" para as indesejadas reformas, na "fotografia dos Açores" e finalmente, na "fuga" para Bruxelas. Quanto a esta dita fotografia dos Açores, todos sabemos que D.B. se limitou a fazer aquilo que qualquer chefe de governo português teria que fazer, pois os interesses vitais de Portugal - a manifestação da solidez das nossas alianças, para o pior e para o melhor -  tinham de se manifestar, estando presente na Cimeira, uma Espanha que se intrometia num ambiente geoestratégico que tradicionalmente rejeitava. Era essa a novidade e o senhor Aznar decerto pretendeu a completa secundarização de Portugal como interlocutor privilegiado dos EUA nesta zona do mundo. Não conseguiu e a posterior e apressada retirada  espanhola da frente de combate, confirmou a constante invariável. Assim, Barroso ficou bem na foto e até creio ter sido nomeado para a presidência da Comissão por isso mesmo. A Europa não pode dar-se ao luxo de prescindir da protecção militar americana e apesar das habituais excentricidades francesas e dos silêncios germânicos, os pequenos Estados sabem bem onde se encontra o ponto forte de apoio em caso de necessidade. Isto transtorna os sectores extremistas e não foi por mero acaso que no Parlamento Europeu, estes usaram o "argumento Açores", como a principal arma de ataque ao candidato português.

 

Esta rasteira catilinária não resiste ao mais leve sopro de qualquer eflúvio gasoso, pois os habituais denunciantes do crime, trombeteavam dias antes da nomeação para a UE, alguns nomes bem conhecidos e mais grados ao "parece bem" da Situação. Quem não se lembra do cantochão entoado quando da hipótese de presidencialização de Mário Soares no Parlamento Europeu, vencido afinal, pela sra. Nicole Fontaine, a quem, aliás, o ex e omnipresente chefe do Estado alegadamente apodou de doméstica? Alguém porventura já se esqueceu na logorreia escutada quando dentro de portas se considerava o sr. Guterres como o genial chefe da Europa, para logo segundos depois ser substituído pelo inigualável Vitorino? Quando os fazedores de opinião pronunciavam os nomes grados à sua opção partidária-profissional, proferiam então, os mais entusiásticos encómios, num tonitruante ribombar de gongorismos  exaltadores das excelências putativamente candidatas. Homem de grande dimensão moral, competência insofismável, homem generoso, aberto ao progresso, fresco de ideias, desanuviado e descomprometido com interesses..., enfim, os habituais decalques já vistos e revistos na Ilustração Portuguesa de há cem anos, onde se exaltavam as virtudes cívicas de gente do calibre de um Afonso Costa ou de um Machado qualquer.  O conclave dos decisores estatais europeus, faria ruir estas promessas de mais viagens, comissões e cargos bem remunerados, elegendo o "pérfido porteiro dos Açores", o "indefectível da Inglaterra", o incapaz que fugiu à grande obra de desbravar os caminhos condutores a um progressista El Dorado que não chega. Restou-lhes a consolação de ver o engenheiro a palestrar acerca dos sacos de farinha da US Aid no Darfur e pelo menos, obtiveram o prémio de consolação de terem o sr. Sampaio emulando a rainha D. Amélia, tratando do problema da tuberculose que como se sabe, sempre foi a grande preocupação da sua presidência de influência. Ocupado o atelier da grande soberana nas Necessidades ao módico preço de 750 mil Euros de restauro (imprensa dixit), a república pode respirar, pois tem o prémio linha do bingo do prebendismo internacional. Habituem-se...

 

Nunca compreendi a lógica chã do favoritismo partidista, porque o interesse nacional é na maioria dos países, o argumento chave para a tomada ou aceitação de grandes decisões. Neste regime não é assim, pois o que conta  é uma hipotética, quimérica e longínqua afinidade na irmandade, seja ela qual for. A síndrome da Casa dos Vinte e Quatro, tem ditado a vida do nosso país ao longo de cinco séculos, com as consequências que são conhecidas por todos.  Se a escolha tivesse recaído num Solana ou num qualquer Gonzalez, Fabius ou Zapatero, os fazedores de opinião entoariam cânticos de louvor ao novel presidente da Comissão Europeia. Barroso é-lhes insuportável, pois além de representar  a tradicional e imutável estratégia política portuguesa nas relações internacionais - o atlantismo, condição sine qua non da independência nacional -, é a consagração daquele que nos idos anos de 74 e 75, dizia de Cunhal, aquilo que quase todos pensavam, embora  temessem dizer. É este o verdadeiro crime de Durão Barroso.

 

Não sou um pessimista e tenho uma fé inabalável na preservação de Portugal como entidade cultural e política. Não é uma crise de transportes, um governo em estertor pré-eleitoral ou um tiroteio na Buraca leste que liquidará uma obra de nove séculos. Portugal cumpriu brilhantemente o seu destino e possui um património histórico apenas comparável à Inglaterra, França, Rússia ou Espanha. É a pura e incómoda verdade para alguns que tudo criticam, tudo iconoclasticamente liquidam para satisfazer a libido. Criticam, arrasam e envenenam, sem nada de consistente propor. O país não morrerá, disso tenho a certeza absoluta.

 

Barroso é uma figura chave e central na prossecução da defesa daquilo que entendemos ser o interesse nacional. Esta oportunidade não pode ser desprezada ou contrariada, pois os próximos anos serão difíceis e tendo um português no lugar cimeiro de uma "união" que se vai paulatinamente desfazendo, urge garantir o futuro. Não conheço o actual presidente da Comissão, nem sequer jamais votei no PSD. O partido de Durão Barroso, as suas amizades políticas, não me interessam, são apenas instrumentais. De uma coisa tenho a certeza: do seu patriotismo. Isso basta.

 

 

 

publicado às 10:46






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