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Public Education in Australia

por Samuel de Paiva Pires, em 02.04.10

Com a devida vénia a Pedro Quartin Graça:

 

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publicado às 23:46

Citações essenciais

por P.F., em 23.01.10
"Nenhum dos países que conseguiram uma alfabetização de massas durante o século XIX fez contra a Igreja. Em Portugal, primeiro com os liberais e depois com os republicanos, o Estado não só tentou fazê-lo como entendia que a alfabetização era um veículo para substiuir a educação religiosa por uma educação cívica formatada em Lisboa."

Rui Ramos, em entrevista à revista Ípsilon do Público

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publicado às 18:32

Crítica da falta de exigência no ensino

por Samuel de Paiva Pires, em 25.06.09

 

Assisti hoje (ontem) a parte do debate quinzenal na Assembleia da República. Retive um curioso paradoxo assinalado por Francisco Louçã: há uma geração atrás eram os filhos dos ricos que frequentavam o ensino superior e não se pagavam propinas, agora que todos conseguem chegar à universidade muitos desistem porque não conseguem pagar propinas.

 

Seria necessário operacionalizar o conceito de ricos, já de si duvidoso, e desconstruir a falaciosa afirmação de que eram apenas os filhos dos tais ricos que frequentavam a universidade. Quererá isto dizer que os pais de Odete Santos, Álvaro Cunhal, Francisco Louçã e companhia seriam todos eles ricos? Não tenho conhecimento de causa quanto a estes, mas na actualidade, pelo que vejo de muitos comunistas e meninos e meninas da esquerda-caviar, de facto, por padrões "louçanianos" com certeza que são ricos. Continuamos impávidos e serenos a assistir a este pobre espectáculo das habituais incongruências próprias do pensamento incoerente e estagnado desde há dois séculos da nossa esquerda, mas também não é propriamente sobre isto que queria falar. 

 

Atente-se na segunda parte da ideia de Louçã: agora que todos conseguem chegar à universidade. Pois o problema é mesmo esse. Recupero aqui parte do que escrevi a convite do Pedro Correia para o Corta-fitas, há pouco mais de um ano:

 

Grande parte das preocupações do Presidente da República prendem-se com o desconhecimento ou ignorância em relação ao que foi o 25 de Abril e os seus intervenientes, o que é desde já explicável pela gritante degradação do sistema de ensino, desde a chamada Revolução dos Cravos. A III República, naturalmente avessa à palavra elite, tem simultaneamente apregoado uma alegada igualdade, não fugindo o sistema de ensino a esse estigma. Não só se têm nivelado por baixo as exigências a alunos e professores, como os programas e manuais escolares se têm tornado cada vez mais básicos à medida que o tempo passa, o que é rapidamente verificável passando os olhos pelos livros de História do ensino básico, onde não mais de oito ou nove páginas se dedicam ao regime de Salazar e à transição democrática, sem falar que na maior parte dos anos lectivos nem sequer chegam a ser leccionadas tais matérias. Além do mais, a provinciana síndrome de um país de "doutores e engenheiros", traduzida pela exacerbada primazia dada às ditas ciências duras, a Medicina, as Engenharias, a Economia, a Gestão e o Direito, tem retirado espaço e tempo às ciências humanas, nomeadamente às traves mestras dessas, a História e a Filosofia, o que aliado à lógica de decorar por detrimento de pensar, numa sociedade largamente massificada em todos os sentidos, resulta no estado de coisas que está à vista de todos.

 

Diz a autora de uma tese de doutoramento sobre o financiamento do ensino superior, Luísa Cerdeira, que "O facto das famílias pagarem mais que o Estado e o baixo valor do apoio social, são as duas faces desta moeda, que acaba por ter como resultado um ensino superior elitista que reproduz as desigualdade sociais, conclui a economista." Isto não é um ensino superior elitista a não ser que para a autora o conceito de elite considere apenas a riqueza monetária dos indivíduos. Sendo assim temos um ensino superior plutocrático, não elitista no sentido que a palavra elite deveria tomar, i.e., o ensino superior deveria ser elitista e aristocrático no sentido técnico, de premiar os melhores alunos. O ensino superior não deveria estar ao alcance de todos. Não, não somos todos iguais. Não, não nascemos todos iguais. Não, não temos todos as mesmas capacidades. Uns são mais inteligentes que outros. Mas em Portugal o mito jacobino da igualdade aplicado ao ensino resultou numa massificação que se materializa quotidianamente na falta de exigência. Isto vai ser prejudicial ao país a longo prazo e nem quero imaginar como serão as próximas gerações de governantes (ou por outra, até tenho uma boa ideia sobre uns quantos...é assustador).

 

Como é que é possível que se termine de vez com a tentativa de melhorar as capacidades dos portugueses ao nível da sua própria língua se hoje em dia na escola primária todas as crianças têm um Magalhães? Ainda não sabem ler ou escrever correctamente mas isso também não interessa para nada.

 

Como é que é possível que toda e qualquer pessoa não chumbe e consiga terminar o 9.º ano faltando a quase todas as aulas e ainda receba como presente exames ridiculamente fáceis? Claro, é preciso garantir que estatísticas favoráveis ao governo são apresentadas a Bruxelas e à OCDE.

 

Como é que é possível que os exames nacionais do 12.º ano se tenham tornado também eles ridiculamente fáceis? E quanto a estes, não se augura nada de bom agora que se sabe que a escolaridade obrigatória vai abranger o secundário. É como nos diz o Miguel Vaz:

 

Agora, um Ministério da Educação que trocou o Ensino pelas estatísticas anunciou como medida emblemática a extensão da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Os opinadores e comentadores aplaudiram. A oposição também. Mas o que representa afinal esta medida? Na prática, significa alargar até ao 12º os ridículos níveis de exigência do ensino básico. Volta-se a nivelar por baixo, em nome das estatísticas. Em breve, os jovens chegarão à universidade a saber ainda menos do que os alunos que por estes dias fazem os seus exames nacionais. Seremos um país de doutores que não sabem escrever.

 

E eis que chegamos à universidade. É indescritível. Desde pessoas que fazem uma licenciatura inteira a cabular, passando por pessoas que não sabem escrever português, outras que não conseguem interpretar, analisar e relacionar pelo menos duas ideias, pessoas que terminam uma licenciatura sem saber fazer notas de rodapé (custa muito procurar sistema de referência de Harvard ou de Oxford na net ou olhar para trabalhos bem feitos para aprender), e todos sem excepção conseguem fazer um curso superior. Seria praticamente impossível contabilizar a quantidade de pessoas que quase poderiam ser casos clínicos de estupidez que todos os dias vejo ou conheço e que frequentam o ensino superior. Tudo em nome da igualdade, porque todos têm direito a estar no ensino superior e, portanto, desce-se o nível para que todos possam fazer a licenciatura. E agora, com a Bolonhesa, mais década menos década, até as licenciaturas serão abrangidas pela escolaridade obrigatória, o que será a derradeira conquista do processo de estupidificação do povo português.

 

E o que é que os professores foram obrigados a fazer? Deixaram de poder ser elitistas no bom sentido, acabando por ser quase moralmente forçados a passar todos os alunos, mais cedo ou mais tarde. Juntando-se a isto o método da sebenta, sabendo que tudo na universidade portuguesa se faz por manuais e sebentas, os alunos acabam por ser dispensados de ler artigos académicos, livros, autores de referência, e tornam-se meras máquinas acríticas que decoram e debitam matéria nos exames. Basta ler as sebentas, manuais e apontamentos e faz-se as cadeiras sem grande dificuldade. Premeia-se o facilitismo e desconfia-se dos que realmente gostam daquilo que estudam e querem ir mais além sendo forçados a tornar-se autodidactas e fazendo aquilo que o Professor Maltez nos diz que a licenciatura nos permite: (licença para) estudar por nós próprios.

 

Mas para quê pensar por nós próprios? Não, a maior parte dos estudantes universitários já vêm mal habituados e querem ser levados ao colo, querem precisamente que os professores debitem matéria para que possam tirar apontamentos, quando se fossem autónomos teriam capacidade para estudar a matéria que vem nos livros. Se um professor tenta dar aos seus alunos algo que vai para além dessa matéria que vem nos livros ouve-se logo alguém queixar-se que o Professor não dá matéria. E o que dizer daqueles que acham sempre que sabem tudo e depois se desiludem quando têm negativas? A culpa é do professor, claro está, e sim, mesmo sabendo que alguns professores não têm critérios ou atitudes adequadas, torna-se aborrecido ouvir tanta gente dizer que sabe tanta coisa que as recorrentes más notas só podem ser culpa do professor.

 

Ainda na terça-feira vinha uma colega minha a queixar-se no Diário Económico sobre o facto da qualidade de ensino não corresponder ao valor que pagamos de propinas. Sim custa a todos pagar propinas tão elevadas. E porque é que as universidades tiveram necessidade de as impor? Porque foram descapitalizadas e ainda ninguém teve coragem de enfrentar a questão da insustentabilidade de manter tantas universidades públicas e um sem número de cursos iguais com milhares de pessoas que não têm inteligência nem capacidades para frequentar uma universidade a sério, realmente elitista, exigente e competitiva. Não é possível às universidades públicas manter tantos alunos sem aumentar as propinas quando o orçamento de estado tem vindo a reduzir a dotação financeira para o ensino superior público. Se tivéssemos um ensino superior exigente e que premiasse os melhores, porventura nem seria necessário haver lugar ao pagamento de propinas. Como há que garantir a igualdade e se nivela todos por baixo, os bons alunos são obrigados a ter que ver o nível de exigência inadequado às suas capacidades. Como é que as universidade poderiam não aumentar as propinas se somos obrigados a ter nas universidades estudantes que acham que a II Guerra Mundial foi no século XVIII, que no sistema de castas indiano os párias são as pessoas que tratam das vacas,  outros que dizem a plenos pulmões nas aulas baboseiras como "a religião deveria vir no Bilhete de Identidade", e tantas outras pérolas de que agora não me recordo. Ou ainda uma que o Nuno Castelo-Branco me contava aqui há tempos, numa turma de 12.º ano a que deu aulas de História, quando falava da Restauração e os alunos muito abismados não sabiam do que se tratava, acabando um por responder que não percebia do que o professor estava a falar porque a restauração é um sector da indústria hoteleira. E o que é que acontecerá no longo prazo? O que Paulo Soares Pinho escreveu ontem no Diário Económico:

 

O carácter excessivamente elementar de um exame tem uma importante consequência: não permite evidenciar os bons alunos, os únicos que conseguem lidar com as questões mais complexas. Consequentemente, nivela todos os estudantes por baixo. Para os maus alunos passa um sinal de que a vida se desfará em facilíssimos e que não é preciso trabalhar arduamente para obter resultados e é a prova de que nada tem de ser levado a sério, o que terá consequências na forma como encararão a sua futura vida profissional.

O facilíssimo desmotiva os bons alunos, os quais se queixam de o ministério andar a brincar com o trabalho deles e o dos professores, retirando-lhes, ainda, o incentivo a trabalhar, a empenhar-se em aprender e a levar a sério a sua actividade. Numa fase da vida importante para a definição da sua personalidade, passa-lhes a mensagem de que não existe diferença entre o muito bom e o suficiente e de que o trabalho extra não tem recompensa.

Estes bons alunos são os potenciais futuros cientistas, investigadores, tecnólogos, gestores, médicos, etc. São a futura elite do país. É deles que se espera, através das suas capacidades científica, inovadora, empreendedora e profissional, a criação de crescimento económico capaz de propulsionar o país e pagar as facturas do TGV, das SCUT e demais galopante dívida pública gerada no momento actual. É deles, da sua capacidade criadora, que a minha geração vai depender para ter algo que se pareça com uma pensão. Ao avaliá-los através de provas que os desincentivam a trabalhar, a tomar riscos, a compreender os benefícios de se aperfeiçoar e ser melhor, não estimulamos a fundo a as suas capacidades. Por isso, a actual política facilitista, com objectivos puramente propagandísticos, não se limita a acentuar a continuada destruição do papel do ensino secundário. Contribui para agravar, ainda mais, o futuro do país.

 

Infelizmente, ao contrário do que Sir Karl Popper defendia, que o objectivo da democracia é o de elevar a qualidade do ensino, neste nosso Portugal a democracia fez precisamente o contrário.

 

Resta-me terminar da mesma forma com que concluí um post sobre a Bolonhesa aqui há uns meses:

 

Se já antes era o que era em que qualquer pessoa conseguia fazer um curso superior (doidos, bêbados, com Q.I.s que devem ser negativos, que não conseguem juntar duas palavras correctamente etc) então agora ainda é mais fácil, em nome de um qualquer paradigma da igualdade. Ainda hoje em conversa com uma amiga veio-me à ideia que deveria existir uma forma de diferenciação meritocrática, algo como por exemplo um sistema que no fim do 1.º ano (*) colocasse os melhores alunos  numa espécie de turma à parte e que elevasse o nível de conhecimentos leccionados e de exigência em relação ao normal, com um foco mais acentuado na vertente de investigação.
 
Mas isso é elitismo e é politicamente incorrecto. Enfim, viva a igualdade e a massificação que isto da meritocracia e diferenciação é bom mas é para os outros que não percebem nada destas coisas mas que são os países mais desenvolvidos do mundo. Até porque se muitas autoridades cá do burgo propagandeiam discursivamente a meritocracia, neste nosso Portugal como em tantas outras coisas, na prática a teoria é outra.

 

(*) 1.º ano da universidade, obviamente, não do ensino primário. Aquando do outro post algumas pessoas julgaram que eu estava a falar da primária.

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publicado às 01:53

O estado da educação

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.09

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publicado às 00:51

O Conselho Nacional da Educação

por Paulo Soska Oliveira, em 29.10.08

Impressionante a recomendação do Conselho Nacional da Educação que refere que as criancinhas até aos 12 anos não possam ser reprovadas.

 

E o Governo vai na cantilena : "O secretário de Estado da Educação concorda com a recomendação do Conselho Nacional da Educação no sentido de arranjar alternativas aos chumbos de alunos até aos 12 anos, mas recusou o fim das repetições de ano por decreto."

 

O mesmo Secretário de Estado que não se coíbe de opinar arduamente em certos bares Lisboetas.

 

Não consigo perceber. Faz-me confusão...

 

Quem é que tem estas ideias milagrosas que apenas fazem mal ao país? Não hoje, mas daqui a 20-30 anos. Socorro!
 

No meu tempo, quem não sabia - reprovava.
Agora já é preciso andar com justificações. Dentro de meses, putativamente as criancinhas vão poder fazer o que lhes der na real gana, dado que não vai ser preciso aprender um corno...

Cada vez mais me convenço que Abril nada nos trouxe - apenas e tão só a MEDIOCRIDADE.

 

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publicado às 21:00

Ao cuidado do Samuel

por Pedro Fontela, em 30.07.08

Samuel, Samuel… se dissesse que não vi este “confronto” a léguas de distância estaria a mentir. Mas cá estamos nós e independentemente das circunstâncias vamos ver se pomos os pontos nos is. Responder a tanta acusação junta torna-se complicado, ainda mais complicado quando se trata de um colega com um trato tão distinto e delicado – que no entanto conseguiu chegar ao ponto que eu nunca cheguei, sem tocar no assunto em questão disparou n acusações ultra pessoais de falhas de carácter, é caso para dizer que quem tem “nível” é outra coisa. Realmente não sei se correspondo ao teu (e de muita gente) ideal da pessoa modesta e sinceramente não quero saber se o faço. Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros.  Depois também estou consciente que o padrão usual da boa educação cá no burgo é algo pelo qual eu felizmente não dependo e com boas razões para tal: se não gosto de alguém torno isso claro em vez de andar com rodeios e hipocrisia; não faço favores a tipos “porreiros” nem a” amigalhaços” e isso irrita muita gente; não defendo erros de outras pessoas por muito próximas que me sejam; não bajulo ninguém só porque estão numa posição de ser úteis em qualquer aspecto e ainda por cima tenho a mania de uma coisa chamada meritocracia, parvoíce minha por certo. Em geral considero o não corresponder ao standard típico da boa educação portuguesa uma grande virtude moral minha (qualquer leitor que sinta o seu nacionalismo ofendido pode amuar num canto escuro sozinho porque eu não quero saber).

 
Sabes porque levo as coisas a sério Samuel? Porque não estou só a matar tempo com o trabalho que desenvolvo no campo político. Isto não é apenas uma conversa sem consequências, especulação para intelectuais aborrecidos e desocupados enquanto bebem uns copos. É algo mais sério, ou pelo menos deveria ser. Trata-se de pensar sobre temas que nos afectam a todos de forma profunda quer se admita ou não e ao contrário da maioria das pessoas não me posso dar ao luxo de ser ignorante e apático. Há sempre um preço a pagar pela preguiça de pensar e de agir e para alguns é mais alto que para outros. Não posso deixar de achar divertido que alguém ligado à direita venha exigir um relativismo moral para defender a dignidade das suas opiniões – se a ironia matasse alguém tinha caído redondo no seu teclado.
 

Por fim agradeço profundamente a preocupação com os meus níveis de energia. Realmente dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas mas do que simplesmente pregar um enorme conjunto de lugares comuns socialmente bem aceites mas se quisesse ouvir aplausos de um público trabalharia como actor para ao fim de cada discurso sentir a aprovação da multidão. Além disso não é o mundo que me irrita Samuel, só parte dele. A parte que tende para o conservadorismo autoritário que tanto abomino e que tanto se arroga em vítima.  

 

 

Cumprimentos com a maior falta de educação possível e sem chá absolutamente nenhum,
Pedro Fontela

 

 

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publicado às 20:07

Desde o fim da II Guerra Mundial, com a consequente afirmação dos Estados Unidos como superpotência ocidental, que a ideologia da democracia tem vindo a ser amplamente difundida nos países que se convencionou designar por "ocidentais". Talvez pela institucionalização dos conflitos de que falava Aron, talvez pela regra até hoje em vigor de que Estados democráticos não entram em conflito armado, o que é certo é que a legitimação do poder no Ocidente vive em torno da ideologia da democracia.

 

É também certo que se tornou praticamente impossível contestar essa mesma ideologia, numa espécie de novo totalitarismo encapuçado que se tem inculcado nas mentes da maioria dos povos do Ocidente. A tal ponto que muitos achamos que o que é bom para nós é bom para os outros, e até se inventam disciplinas académicas para tratar da "exportação da democracia", por forma a disfarçar aquilo que se poderá chamar de neo-colonialismo sob a capa da resolução conjunta de problemas colectivos, levando a novas formas de cooperação e integração entre os Estados.

 

Não me interpretem mal, até acho que em muitos casos o Ocidente devia ser mais proactivo e assertivo nas relações com países africanos, asiáticos ou latino-americanos, e onde o é muitas vezes é quando não o deveria ser, como em casos relacionados com a alegada protecção de direitos humanos, o tão badalado "right to protect".

 

Mas o que interessa aqui tratar não é desse tal neo-colonialismo mas sim, analisando apenas as sociedades ocidentais, ter em consideração a irónica deriva totalitária do pensamento único da ideologia democrática que não permite alternativa nem contestação, e que todos assumimos como sendo o melhor para todos, até porque a democracia será o pior regime excluindo todos os outros.

 

E se assim é, há que relembrar Platão e Aristóteles e a teorização em torno dos ciclos dos regimes políticos, quanto ao papel que a educação desempenha nas mudanças de regime. Se o actual conceito de democracia for o mais aproximado que conseguimos chegar ao regime dos Deuses, ou seja, a kallipollis ou politié, então restam-nos apenas dois caminhos: ou o Fim da História como preconizado por Hegel e reafirmado por Fukuyama, ideia que me parece tem vindo a invadir grande parte das sociedades ocidentais através da tal deriva ideológica totalitária, ou então iremos desvanecer pela degenerescência educacional.

 

Infelizmente,  e porque sou um realista normalmente pessimista e céptico nas minhas visões ou análises do mundo e da sociedade, estou em crer que a segunda hipótese será mais crível, na senda da queda de todos os impérios que existiram até hoje, e ainda se tomarmos em consideração as graves falhas em termos educacionais de que padecem as gerações em formação, que dificilmente farão face às crises cada vez mais frequentes, as tais novas gerações que de acordo com Graham Allison mais facilmente recorrerão à força armada do que as gerações que experienciaram fenómenos conflituais de larga escala.

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publicado às 02:32






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