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A ascensão das águias

por Nuno Castelo-Branco, em 24.09.13

 

É deveras surpreendente a total falta de discernimento no que respeita àquilo que é a Alemanha e qual o seu poder na Europa. Mesmo se apenas pudéssemos contar com o seu peso demográfico - o dobro da população espanhola e mais vinte e seis milhões de habitantes que a França -, este país seria o mais importante da UE. Se a isto juntarmos a sua centralidade, a economia e o enorme peso cultural que influencia profundamente toda a Europa central e do leste, estamos perante aquela sentença que um dia Franco ditou, considerando a Alemanha como essencial à ideia de Europa. Segundo o Generalíssimo, não podíamos esperar que uma coligação de estónios, lituanos, polacos e letões (?) pudesse servir de tampão às tentativas hegemónicas russas. Franco tinha razão e mesmo depois de morto continua a tê-la. 

 

Catarina II

Os laços germano-russos são antigos e determinaram a aproximação do grande país de leste à Europa. O próprio nome da antiga capital, S. Petersburgo, confirma a suposição de uma permanente influência cultural alemã que foi extensível à organização dos exércitos dos czares e ao estabelecimento de uma importante comunidade de empreendedores germânicos na Rússia. Dividida numa miríade de pequenos Estados muitas das vezes em aberto antagonismo entre si - o alinhamento com Viena ou Berlim era determinante -, a Alemanha geográfica consistiu num alfobre de potenciais alianças que fortalecessem a expansão russa para ocidente e para sudoeste, permitindo também a captação de contingentes populacionais capazes de colonizar os vastos territórios colocados à disposição dos Romanov pela conquista. Camponeses, mercadores, artífices, militares e cortesãos alemães, integraram a vida desta nova Rússia europeia que chegaria à segunda metade do século XVIII com uma soberana autocrata oriunda de um minúsculo principado da Alemanha central. Sofia de Anhalt-Zerbst, convertida em Catarina II, A Grande, trouxe definitivamente a Rússia para o concerto dos Estados da Europa e não foi pelo mero acaso de um inverno rigoroso que o sonho napoleónico soçobraria ao fim de pouco mais de uma década. A imensidão das estepes, os recursos económicos e a massa populacional, ditavam a nova ordem vigente no velho continente e a poucos terá surpreendido a visão do czar Alexandre I desfilando na Paris conquistada. A Rússia foi determinante no Congresso de Viena, como determinante seria no alvorecer das novas nacionalidades nos Balcãs e no progressivo ocaso do poder otomano na Europa. A própria unificação alemã de 1866-71, também foi possível mediante a abstenção de S. Petersburgo, coerente na sua antipatia por aquilo que a França de Napoleão III representara, enfim, aquela reminiscência dos acontecimentos de 1789-1815 que ameaçaram a ordem interna do império do leste. O entendimento com a Alemanha era natural e para os alemães, no seu período de pleno fulgor industrial e financeiro, uma promessa de tranquilidade nas suas fronteiras orientais. O caso polaco unia russos, alemães e aqueles outros alemães fora do Reich e que devido ao conglomerado dinástico que era o império austro-húngaro, justificavam a sua plena independência face a Berlim. 

 

As relações entre a Alemanha unida e a Rússia passaram por diversas fases e podemos verificar facilmente o paradoxo de duas realidades onde o poder central ainda obedecia a critérios bastante diversos daquele que o liberalismo impusera à Europa ocidental, encontrarem-se subitamente em campos opostos no desencadear da I Guerra Mundial.

Guilherme II e Francisco José I

O Dreikaiserbund sofreu os primeiros abalos aquando da investida austríaca em direcção aos eslavos do sul, numa área que a Rússia considerava como a sua natural  esfera de influência. Pior ainda, a composição heteróclita do império dos Habsburgo supunha um progressivo aproximar de checos, eslovacos, rutenos, eslovenos e croatas da influência russa, nela vendo a melhor garantia para a sua almejada autonomia face a alemães e húngaros. De facto, a necessária aliança que Berlim teve de estabelecer com Viena, acabou por envenenar o tradicional eixo há muito estabelecido com S. Petersburgo, disso se aproveitando a sempre ansiosa diplomacia francesa. A entrada de vultuosos créditos franceses nos cofres russos, destinou-se antes de tudo, à garantia do erguer de uma frente a leste que fosse susceptível de contrariar ou mitigar o esmagador peso demográfico e industrial que a Alemanha poderia apresentar numa futura guerra franco-alemã, tornada inevitável após o episódio de Sedan e da proclamação do II Reich alemão em Versalhes. As condições para essa súbita prosperidade nos negócios da industrialização, eram muito claras. A Rússia deveria aplicar todos os seus esforços nas forças armadas - exército e marinha -, na indústria pesada e como se tornou demasiadamente evidente ao Estado-Maior alemão, numa rede de caminhos de ferro conducentes às fronteiras do Reich, acelerando as possibilidades oferecidas pela maciça capacidade de mobilização do exército russo, o rolo compressor do leste. Não foi qualquer diferendo respeitante às fronteiras comuns na antiga Polónia, o rastilho conducente ao conflito que oporia Guilherme II e Nicolau II. Os alemães estavam interessados nas regiões do sudeste, naquele Médio Oriente que já era uma promessa dos recursos energéticos que marcariam todo o século XX. Simultaneamente, a conquista de mercados ultramarinos tornou-se noutra das prementes necessidades da indústria alemã, passando a ser o Reino Unido visto como o natural e mais perigoso concorrente em África, na América do Sul e na Ásia. Se a crescente influência alemã em Constantinopla - uma das velhas reivindicações territoriais russas - era de molde a preocupar os ambiciosos ministros do czar, uma Alemanha que rivalizasse com a talassocracia britânica apenas poderia beneficiar o status quo a leste, desviando o expansionismo germânico para o ultramar. O problema consistiu essencialmente na aliança que unia alemães e austríacos, pois Berlim sabia que o desmembramento do império de Francisco José significaria uma enxurrada russa na Europa central, desde Lemberg a Praga e de Cracóvia à fronteira com a Grécia. Nem a Alemanha ou a Áustria-Hungria eram autocracias que se pudessem comparar com o regime de Nicolau II, mas os dois soberanos germânicos gozavam de prerrogativas muito diferentes daquelas atribuídas aos monarcas constitucionais do ocidente. Embora existissem parlamentos eleitos - o Reichstag de Berlim e o Reichsrat de Viena -, os imperadores decisivamente intervinham em matéria de polítca externa e de defesa, assim como influenciavam poderosamente os governos que eram pelo detentor da coroa nomeados. Assim sendo, o Kaiser ainda se julgou capaz de demover o seu primo Nicolau, afastando-o da aliança francesa que naquele momento era crucial para o processo de desenvolvimento e segurança da Rússia, suposição essa confirmada aquando do episódio de Björkö (1905) e da anexação austríaca da Bósnia-Herzegovina (1908).

Guilherme II e Nicolau II

Guilherme II optou pela proximidade e lealdade a Viena e já sem grandes ilusões erradamente arriscou na abstenção russa em 1914, também sabendo que o enorme crescimento industrial e militar verificado após a derrota frente aos japoneses em Tsushima (1905), pressagiava uma Rússia muito diferente daquela que conhecera no início do seu reinado. A verdade é que a I Guerra Mundial e a Revolução impediram a aproximação russa a um modelo monárquico-constitucional e o seu afastamento  dos destinos da grande Europa que inevitavelmente surgiria no prazo de algumas décadas. Como curiosidade de rodapé, poderemos então sugerir uma circunspecta apreciação das razões pelos quais o capitalismo financeiro nova-iorquino carinhosa e generosamente ajudou Trotsky e em simultâneo se verificou um grande interesse alemão pelo rápido transporte de Lenine até à caótica S. Petersburgo de Kerensky. 

 

A fase do período de entre as guerras, colocou a Alemanha e a Rússia na desagradável e contingente posição de potências párias, sendo por isso natural uma aproximação que ocasionaria vivos debates nos países da Europa ocidental, receosos daquilo que poderia resultar da colaboração russo-alemã. Os receios confirmar-se-iam anos mais tarde, pois na Rússia encontraram os industriais e militares alemães o terreno propício à instalação de indústrias interditas pelo Tratado de Versalhes, assim como campos de experiências de armas também vedadas pelos vencedores. Mesmo a violenta animosidade verbal agravada pelo advento de Hitler à Chancelaria, não impediu a prossecução de negócios e a troca de informações técnicas entre os dois aparentemente inimigos Estados totalitários. A política de appeasement gizada por Londres e Paris, decisivamente consistiu no factor primeiro para a aproximação de Estaline a Hitler, aliás bastante auspiciosa quanto aos desígnios de expansão territorial cultivados por Moscovo: após a assinatura do Pacto de Não Agressão Germano-Soviético, os Estados Bálticos, o leste da Polónia, a Finlândia - que garantiria a sua independência aquando da Guerra de Inverno de 1939-40 - e a Bessarábia, passaram directamente para a esfera de influência russa, sendo em boa parte estes territórios anexados na primeira oportunidade que Estaline teve. 

 

Estaline e Ribbentrop (23 de Agosto de 1939)

Criado um sistema continental  que remotamente fazia recordar aquele outro outrora imposto por Napoleão à Europa, os alemães julgaram ser possível eliminar todas as ameaças que a leste poderiam surgir durante o combate que travavam com o império britânico e a médio prazo, de uma inevitável guerra com os americanos. O ataque a uma Rússia que durante dois anos enviou uma inimaginável quantidade de bens e matérias primas para o Reich, ditaria o final de um nunca completamente abandonado Drang Nach Osten, ou seja, aquele eixo essencial que sempre  conduzira a política de segurança da Alemanha unificada. O resto da história é conhecida, permanecendo  a Alemanha central ocupada e logo depois conformado-se na RDA segundo os desígnios do Politburo do PCUS, enquanto a Alemanha oriental definitivamente desaparecia dos mapas mercê uma radical limpeza étnica que beneficiaria polacos, checos e russos. 

 

No início dos anos setenta, já era perceptível o esboroar do sistema económico soviético, nele imperando a falsificação de números, os galopantes défices produtivos, a vetustez dos equipamentos industriais e a total derrota face a um ocidente onde o consumo apresentava uma maravilhosa montra  à qual as economias centralizadas não podiam ripostar.  Na aparência o poder soviético surgia como imparável, tendo já obtido uma grande vitória face à catastrófica, totalmente desnecessária e irrealista política americana no Vietname, Laos e Camboja. Sucediam-se os regimes pró-soviéticos, num processo subitamente acelerado aquando da chamada "descolonização portuguesa" que trouxe a influência de Moscovo até às margens do Atlântico, para bem perto daquele perímetro de segurança ocidental que tinha Cabo Verde como posição estratégica de incalculável valor. A Etiópia, a Somália, a Tanzânia, a Zâmbia, o Zimbabué e o Congo ex-francês, acompanharam esta tendência de consolidação da presença russa, precisamente no momento em que o espoletar do episódio afegão marcaria um rápido colapso imperial, ao qual também não foi estranho o incontrolável poder da informação.

 

A reunificação alemã aconteceu também por decisão russa, permitindo Moscovo a confirmação daquilo que muitos suspeitavam, ou seja, de ser a RDA um mero e dispensável artifício da política de blocos da Guerra Fria. Umas tantas manifestações e a abstenção do governo de Gorbachov foram suficientes para o eliminar da absurda construção decorrente da partilha da Europa em Ialta e Potsdam. Era uma época de muitas promessas de paz e eterna prosperidade num continente subitamente liberto de constrangedoras peias estabelecidas pelo equilíbrio do terror. Se excluirmos o caso romeno - a Jugoslávia consistiu noutro tipo de problema - , o colapso do bloco leste foi pacífico, quase inaudível e a ninguém estranhou aquele derradeiro arriar da bandeira vermelha que durante setenta anos ondulou sobre o Kremlin. Se é bem sabido ter sido um período de extrema dificuldade que confrontou os russos consigo próprios e fez recuar as suas fronteiras ao estipulado pelo Tratado de Brest-Litovsk, também é verdade que as duas décadas seguintes ao desaparecimento do comunismo, marcariam um progressivo regresso da Rússia como potência determinante na Europa e no mundo. Os Estados Unidos não entenderam aquelas óbvias necessidades de segurança determinantes para a forma como os russos encaram a Ucrânia, a Bielorrússia, o Cáucaso e a Ásia Central, os seus "quintais das traseiras". Um caso paralelo poderá ser a Doutrina de Monroe que os EUA ainda hoje consideram válida e sem correspondência em qualquer outro país do mundo. 

 

Angela Merkel e Vladimir Putin

A liberalização do comércio mundial, o advento do extremismo islâmico e o enfraquecimento industrial e financeiro do ocidente, pressupôs uma realidade totalmente diversa daquela a que nos habituáramos durante o século passado e há que considerar seriamente o facto de a Rússia ser hoje uma parte integrante da grande Europa, sem que isso necessariamente signifique o corte ocidental com os EUA e a NATO. Pelo contrário, parece persistir uma certa indiferença - aliás bastante consciente, deliberada - por parte dos nossos aliados norte-americanos, perante as dificuldades que se apresentam aos russos. A China é hoje erradamente vista como uma aliada táctica de Moscovo, mas as aparências iludem, pois os interesses de ambas as potências são divergentes, quando não potencialmente conflituosos. Apenas o ocidental não-reconhecimento da necessidade russa de segurança nas suas fronteiras, impede uma mais apertada colaboração leste-oeste e a  garantia de mútuos benefícios económicos e securitários. A total inabilidade com que os ocidentais lidaram com os conflitos no Cáucaso faz perigar a evolução desse relacionamento que desejavelmente deveria ser visto em bloco. Disso ter-se-ão apercebido os alemães - é a realpolitik traduzida em ostpolitik -, no preciso momento em que voluntariamente se apresentam perante o mundo como um país escassamente armado e desejoso da manutenção de um certo status quo nas relações internacionais. Mais alto falam os argumentos dos negócios, dirimindo-se diferenças entre promessas de lucros e de desenvolvimento. Tal foi o caso do controverso gasoduto Nordstream, construído apesar das exigências desmesuradas do governo dos irmãos Kaczinsky. Este foi apenas um claro sinal enviado pela mais poderosa economia europeia, a todos aqueles que demasiadamente contestam a urgência da necessidade de satisfação da demanda energética. Ao gasoduto seguir-se-ão outros negócios e empreendimentos e a explicação para esta aparente cedência alemã em toda a linha, prende-se com um factor que muitos conhecem e que decidindo-se pelo acatar do princípio do politicamente correcto, não mencionam: a segurança da Europa. Escassamente armada, sempre dependente do guarda-chuva americano, a Europa está completamente à mercê de ameaças cada vez mais próximas e que a queda dos regimes laicos outrora vigentes na África do norte, apenas confirmam. Paralelamente, há que contabilizar os terríveis danos ocasionados na Europa Social pela catástrofe demográfica que não pode ser colmatada pela súbita recepção de populações provenientes da África e da Ásia. A verdade que a muitos é difícil reconhecer, consiste na impossibilidade de a Europa se manter como Europa - social, democrática, tolerante, pacífica -, se a estrutura populacional interna de cada Estado dela componente não obedecer esmagadoramente àquilo que tradicionalmente sempre foi. O completo falhanço das sucessivas políticas de integração - vejam-se os casos belga, francês, holandês e tantos outros - que os russos decerto não desconhecerão, apenas atestam a rejeição pelos recentemente chegados, de culturas que nos consagrados direitos do homem estabelecem a essencial base civilizacional. Por muito difícil que isto seja de reconhecer, para os novos residentes de primeira, segunda ou terceira geração, todo o espólio político e cultural amontoado em países como a França, Inglaterra, a Alemanha, Portugal, Itália, Holanda, países nórdicos e outros, consiste num aspecto desprezível e a rejeitar liminarmente, apenas importando o sempre acenado Estado Social que se cinge no único e exclusivo objectivo, por muito quimérica hoje nos possa parecer essa promessa. 

 

A Alemanha parece ter desistido da política de total abdicação de consciência perante os desígnios norte-americanos, enquanto a Rússia se  apresenta uma vez mais como um profícuo campo aberto a todas as hipóteses de prosperidade e quiçá, de poder. Já descrentes num alargado projecto europeu ao qual a cidade de Lisboa deu o nome, a muitos alemães resta o regresso à sua tradicional área de influência, desta vez não tendo que temer qualquer reacção russa perante uma Alemanha militarizada. Antes pelo contrário, tal colaboração apresenta-se como cada vez mais desejável.

 

Não parece credível o total desaparecimento daquele conjunto económico, político, territorial e militar que um dia ofereceu alguma segurança à Europa. Decerto por algumas décadas manter-se-á a NATO, se atempadamente os norte-americanos se aperceberem que estão em causa outros elementos que não os da simples conquista de mercados e de fontes de matérias primas. A gente do hemisfério norte, i.e europeus - russos incluídos - canadianos e alguns norte-americanos, estão conscientes daquilo que a chamada civilização ocidental supõe e da política necessária para a preservar. Quanto a Portugal, desde sempre um país europeu que ao longo da sua história sempre acompanhou todos os períodos de transformações que marcaram o continente, não se coloca a permanência ou não numa Europa da qual não nos podemos física e culturalmente separar. No entanto, o decidido regresso ao ultramar, encarado este no sentido mais amplo e não imperial do termo, é a melhor garantia do nosso contributo para a segurança e prosperidade do conjunto europeu. Pouco valerão as impertinentes observações de um quase desconhecido Martin Schultz. Sim, Portugal deve continuar a regressar rapidamente e com a força possível a Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, S. Tomé, Timor e todos as outras áreas do globo onde possamos servir. Só pode ser esta, a nossa pequena e insignificante resposta à política "germano-russa". 

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publicado às 19:21

Meia dúzia de Nobel

por Nuno Castelo-Branco, em 20.09.13

 

Satisfazendo todas as vontades de Washington e procurando evitar um Caso Gleiwitz, os sírios iniciaram a entrega de listas contabilizando o seu arsenal de armas químicas. Seria uma excelente ideia se outros países - EUA, Rússia, Paquistão, Irão, China, Israel, Coreia do Norte e Índia - decidissem tomar a mesma iniciativa, aproveitando a oportunidade para uma maciça destruição deste tipo de armas. Contabilizar-se-iam uns seis ou sete valiosos e credíveis Nobel da Paz, já de antemão  garantidos. 

 

Agora, aguarda-se por algo que a Administração inventará para descredibilizar esta listagem feita a bom ritmo. 

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publicado às 17:57

Sr. Barack Obama...

por Nuno Castelo-Branco, em 08.09.13

... ne cherchez plus, já todos entendemos o que se passa. Se quer marchar, faça-o sozinho ou talvez acompanhado por uns enlatados de pernocas de rãs francesas. É o máximo que obterá quanto a ajudas externas*

 

* Quanto ao resto, nada tema. Os portugueses continuarão a ser os mesmos aliados de sempre. 

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publicado às 23:59

Goodyear, a cartinha globalizante

por Nuno Castelo-Branco, em 21.02.13

 

Aqui em Portugal deveria lê-la o governo e depois os sindicatos, os Partidos, o residente de Belém, a Concertação Social e porque não?, o trabalhador que começa o dia com uma vista de olhos pelo jornal, precisamente na importante página sobre o Benfica, Porto e Sporting. Aqui está o essencial:

 

"Visitei a fábrica várias vezes. Os empregados franceses recebem salários altos mas não trabalham mais de três horas. Têm uma hora para as pausas e para comer, falam durante três horas e trabalham outras três. Disse isto na cara dos sindicalistas franceses. Responderam-me que em França as coisas são assim! (...) O senhor é um político e não quer fazer ondas (...) Dentro de pouco tempo, em França toda a gente passará o dia sentada nos bares a beber vinho tinto (...) Senhor, a sua carta revela o seu desejo de abrir negociações com a Titan. Pensa que somos tão estúpidos" A Titan tem o dinheiro e o savoir-faire para fabricar pneus. O que tem o sindicato louco? Tem o governo francês (...) O agricultor francês quer pneus baratos. Não lhe interessa saber se os pneus vêm da China ou da Índia e se esses pneus são subvencionados. A Titan comprará um fabricante de pneus indiano ou chinês, pagará salários de menos de um euro à hora e exportará todos os pneus de que a França necessita. Dentro de cinco anos, a Michelin não poderá produzir pneus em França. Os senhores poderão ficar com os vossos alegados operários."

 

Aqui está mais uma entrevista, onde entre outras curiosidades, o senhor Maurice Taylor garante que "na Alemanha é bem melhor, eles querem trabalhar e têm a cabeça sobre os ombros (...) O melhor local de produção na Europa é a Inglaterra, eles fazem o seu trabalho e não têm imbecis no governo. Estou a dizer-lhe a verdade. Não sou politicamente correcto."

 

Querem saber algo sobre a resposta? Foi típica.

 

O ministro francês diz que as palavras do senhor Goodyear foram "extremistas, insultantes e provam uma perfeita ignorância do que é a França, os seus sólidos fundamentos, os seus atractivos mundialmente reconhecidos e os seus laços com os EUA (...) Sabe pelo menos, o que La Fayette fez pelos Estados Unidos da América?". E o ministro que relembra as glórias do Ancien Régime, as façanhas do operacional La Fayette e habilidosamente esquece o decisor Luís XVI, prossegue com os pés bem assentes no planeta Terra, oportunamente relembrando "Omaha Beach, os nazis e Obama". Um alívio, nem Soares, o duo bloquista ou a Câncio fariam melhor.  Enquanto isso o delegado da CGT auxilia o ministro, garantindo ser a carta "insultante para os trabalhadores e para a democracia."

 

A França está salva, Portugal e a Europa também. 

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publicado às 08:05

"Yankees go home ´cause the yellows are coming!"

por Pedro Quartin Graça, em 26.11.12

De repente as cores podem mudar. E a Base das Lajes pode tornar-se amarela. Isto depois de uma visita estival feita aos Açores, a 27 de Junho deste ano, pelo primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, o qual aterrou na ilha Terceira e por lá andou durante quatro horas. De acordo com o jornal "Público", o dirigente chinês "tomou um café numa esplanada de Angra do Heroísmo, visitou o centro histórico e foi ao Monte Brasil para apreciar a vista sobre a cidade."

Mas este aparente passeio turístico de turístico teve pouco na realidade. De acordo com Gordon G. Chang, autor do livro The Coming Collapse of China, em artigo de opinião publicado na National Review Online, este autor alerta para a possibilidade de a razão para ter existido uma "paragem técnica" da comitiva de 100 chineses nos Açores ter sido na realidade outra, e bem menos inocente. A China estará interessada em ocupar a Base das Lajes caso os norte-americanos de lá saiam. "A Base das Lajes foi certamente a razão para que Wen fizesse um desvio de percurso para ganhar amigos na Terceira", assegurava, antes de referir que "nos últimos anos, Pequim definira Portugal como a sua porta de entrada na Europa".

Essa leitura ganha outra relevância depois do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, ter afirmado que "Portugal assumirá em breve a sua posição nacional sobre" a anunciada redução da presença militar dos Estados Unidos na Base das Lajes, nos Açores.’ Há quem não acredite nessa hipótese. Na realidade a coisa é, no mínimo, estranha. Mas também quem acreditava que a China fosse a principal investidora na EDP meses atrás? O que se vai seguir? Irão os americanos deitar "para o lixo" esta "sua base" de eleição de décadas? Aceitam-se apostas.

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publicado às 18:32

A retirada

por Nuno Castelo-Branco, em 24.11.12

 

Uma péssima notícia para a Europa que conhecemos desde 1949. A redução da presença norte-americana nos Açores significa antes de tudo, uma profunda modificação na prioridade de interesses dos EUA, cada vez mais preocupados com o Pacífico. Será esta a altura exacta para a diplomacia portuguesa proceder à viragem que há muito devia ter sido preparada, decididamente consultando o Brasil e outros países da CPLP? Esta pode ser uma oportunidade nada negligenciável. 

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publicado às 21:25

Um rabo, um jacto pressurizado e um coração que pinga

por Nuno Castelo-Branco, em 06.11.12

A propósitos das esquisitas e complicadas eleições americanas, aqui deixei há quatro anos uns tantos posts, não me arrependendo hoje do que então disse. Pouco ou nada mudou e naquilo que respeita aos delírios messiânicos da "nossa gente", então atingiu-se o pleno.

 

Que as campanhas americanas são muitíssimo pirosas e cheias de parvoíces como as manientas e obâmicas evocações do "pensamento e achares" da cada vez mais willendorfiana  Sra. Michelle, lá isso são. Que estão recheadas de ditos espirituosos quanto à ventilação de jactos supersónicos, também isso já ninguém estranha. Por estes dias, poucos darão qualquer importância à total ignorância presidencial - no posto ou pretendente ao mesmo - quanto às questões da geografia planetária, nada interessando se o sr. Obama declare peremptoriamente que na Áustria fala-se a língua austríaca, por exemplo. Pois se até o seu precursor Roosevelt não fazia a mínima ideia acerca da localização da Silésia e da Prússia Oriental que decidira entregar à esfera de interesses soviéticos, porque razão terá o risonho ídolo de Mário Soares de se preocupar com minudências?

 

Se Obama voltar a vencer, decerto  manterá o guião de Hollywood, o tom dos discursos dos "grandes desígnios" ao estilo dos filmes de cow-boys, em cenários com cactos e e entardeceres no deserto. Tranquilizados, continuaremos a ler lefties e extasiados artigos acerca do rabo da sua esposa, a mulher mais elegante do planeta, uma justíssima candidata a um próximo Nobel Descansem, a sua administração continuará a satisfazer as higiénicas necessidades de evacuação das Fortalezas Voadoras que patrulham os céus da Terra.

 

Se Romney miraculosamente chegar à Casa Branca, logo na primeira viagem conhecerá os benefícios da pressurização a bordo do Air Force One e infalivelmente será persuadido a guardar num relicário decorado com antúrios de plástico, as suas estultas e nada convincentes crenças mormónicas. A macaca Lucy nada tem a ver com o sujeito.

 

Pois sim, infelizmente Lord Cornwallis fez falhar em Saratoga a História que a todos interessava e como europeus, declaramos espanhóis e franceses como culpados, até porque na tal guerra da independência, Portugal esteve como sempre do lado certo. 

 

Falando de madamismo presidencial e muito mais importante que tudo o que se passa além-Atlântico,  ficámos a saber que a sra. de Cavaco Silva já tem um logo próprio. É quase a evocação de um cristão coração que sangra. O pior é que também parece pingar qualquer outra coisa, provavelmente um subsídio a acrescentar aos 17 milhões presidenciais. Ora aqui está um bom exemplo do que seria a heráldica cavaquista. Ou trata-se apenas um escandaloso plágio do emblema dos gelados Olá? Pois é, há que reconhecer que uma Monarquia sempre é uma Monarquia.

 

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publicado às 13:04

O homem era um traste...

por Nuno Castelo-Branco, em 13.09.12

...mas hoje em dia, comparado com aquilo que temos visto, tem uma dimensão quase divina:


“The things that will destroy America are prosperity at any price, peace at any price, safety first instead of duty first and love of soft living and the get-rich-quick theory of life.”

Theodore Roosevelt

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publicado às 12:17

The End

por Nuno Castelo-Branco, em 29.08.12

 

Esperemos que não se trate de mais uma oportuna adaptação da excelente e bastante esquecida obra The Last 100 Days, de John Tolland. Alertado pela minha diária e rotineira leitura do Portugal dos Pequeninos, fiquei a saber que Pacheco Pereira teceu algumas considerações acerca do livro The End. Ainda não tendo lido a obra de Ian Kershaw, regista-se a certeza de um relato pormenorizado acerca do Götterdämmerung do III Reich. Sabe-se que até ao último dia da sua existência, a máquina do regime funcionou como os seus chefes previam. Os operários escrupulosamente chegaram a horas para o trabalho, os juízes ditaram as sentenças por mais impiedosas que fossem, a burocracia funcionou em pleno e os kommando de manutenção da ordem nacional-socialista foram tão eficazes como sempre. 

 

Poderá ser  mais fácil recorrermos a explicações do âmbito da psicologia, de massas ou não, que teria efectivamente condicionado uma imensa população de mais de noventa milhões de aparentes sonâmbulos, apesar da desgraça que atingiu a Alemanha com inaudita violência. Ainda não sei se Ian Kershaw procura explicar algumas das razões que levaram os alemães à total subordinação ao regime e consequente resistência até à última bala, último panzer e ao derradeiro buraco onde se entricheirava a gente do Volksturm. Algo sucedeu para tal ferocidade da tropa e civis alemães, aliás demonstrada pelas mais de 300.000 baixas soviéticas na já de antemão perdida batalha de Berlim. 

 

Qual a explicação plausível para tal encarniçamento da resistência popular que permitiu o perfeito funcionamento da máquina do poder nacional-socialista?

 

 

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publicado às 10:12

Vírus do Nilo

por Nuno Castelo-Branco, em 23.08.12

 

Andam os norte-americanos extremamente preocupados com este surto viral. Têm razão, até porque houve quem os avisasse quanto a uma outra praga que ameaça a segurança daquilo a que outrora se denominou de hemisfério ocidental. É um vírus bem diferente daquele que a notícia aponta como catástrofe e é infinitamente mais perigoso. Contamina os seguidores de um deus que os enlouquece por coisa alguma e por tudo o que não existe e se enraíza como obra a realizar em prejuízo de outrem. Este vírus já se espalhou por todo o norte de África e agora alastra-se a peste à Síria, sempre com o precioso auxílio dos especialistas de Washington. Com mais uma asinina gargalhada de Madame Clinton, ficaremos todos com dores de cabeça e acamados devido a febres intensas. 

 

Os nossos aliados americanos foram picados, contaminaram-se e não há vacina que lhes sirva de remédio. 

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publicado às 17:28

Morreu um grande amigo do Ocidente

por Nuno Castelo-Branco, em 20.06.12

Numa Europa cobarde, além de profunda e estupidamente ingrata - nem valerá a pena tecermos considerações acerca dos cada vez mais ignominiosos EUA -, pouco importará o esgrimir de conveniências políticas, geralmente o mais incorrectas que possamos imaginar.

 

Morreu um grande amigo do Ocidente. O falecimento ocorre em boa hora, pois apesar das agruras da prisão, Hosni Mubarak partiu de forma aparentemente natural. Um contratempo para a imunda e barbada chusma de trogloditas que pretendia dar-lhe o mesmo fim reservado aos genocidas Saddam Hussein e Kadhafy. 

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publicado às 00:28

Para ler

por Nuno Castelo-Branco, em 09.06.12

"A verdade é que a única guerra a sério que estalou nos EUA foi provocada pelas acções do próprio governo federal e as relações dos EUA com o Canadá desmentem categoricamente essa afirmação (e não esqueçamos a vergonhosa política em relação às nações indígenas). Enfim, por cá os federalistas também são especialistas nessa arte que os anglos chamam de fear mongering, quando na verdade são eles que devemos temer.

Para terminar, gostaria ainda de lembrar do papel que o governo federal americano teve na criação de problemas externos que hoje constituem uma séria ameaça contra os americanos. Um deles, por exemplo, foi o que se poderia chamar de questão mexicana. Os agentes históricos que pilham o México desde há quase duzentos anos, transformando nesse intervalo de tempo um território que era pacífico e próspero numa entidade dominada por criminosos que agora exporta os seus vícios para dentro dos próprios EUA, devem a sua posição ao apoio que sempre tiveram do governo federal americano, que ali, mais do que no próprio território, demonstrou bem a sua natureza revolucionária e o espírito das elites que constituem o que chamamos deestablishment. Longe de ser um acidente, isso tem sido a regra."
Carlos Velasco

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publicado às 09:46

Açores

por Nuno Castelo-Branco, em 05.06.12

O jornal do Murdochlusconi caseiro, publica hoje uns ditos do Sr. José Almeida, uma distinta personalidade de quem o mundo jamais ouviu falar. Perora sobre a "independência" dos Açores, querendo com isto fazer "cumprir Portugal".

Das duas, uma, ou ambas em simultâneo: ou os americanos querem finalmente executar o seu velho plano expansionista, ou já se perfilam candidatos à futura exploração das águas adjacentes ao arquipélago. 

 

Há pessoas capazes de tudo e o pior é haver quem lhes dê "tempo de antena".

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publicado às 15:11

Experiências americanas em Portugal

por Nuno Castelo-Branco, em 29.05.12

Já passaram umas duas ou três gerações desde que o mundo se tornou no alvo para uma das mais exóticas formas de fazer dinheiro. O estrelato pelo horror já não se compadece com películas de Boris Karloff ou outras stars dos tempos do preto e branco. Produzem-se séries sobre séries, listas sobre listas, pianistas, comboios da morte e o diabo a sete. A partir dos anos 30 tudo girou e gira em torno do nazismo, conhecendo-se até à exaustão, todos os pormenores mega-sórdidos do sistema engendrado e colocado em prática pelo Sr. Himmler e assessores. Um dos pontos incontornáveis de qualquer programa Made in USA sobre o nacional-sociialismo, consiste na apresentação das mais inacreditáveis e abjectas experiências praticadas em humanos.

 

Pelo que agora se sabe, a nossa aliança com os EUA tem servido para pontes áreas para certas localidades em "momentâneas dificuldades face a vizinhos belicosos" - e são-no, de facto - e missões "sem dar cavaco" aos portugueses. O que não sabíamos é que certos acordos se estendiam a experiências científicas em que humanos - evidentemente pobres e entregues aos cuidados do "Portugal democrático do Abril de infinitas promesas", sem família e carentes de toda a espécie de confortos do nosso tempo - faziam de cobaias para as doutas sapiências da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa e da Universidade de Washington. Já eram bem conhecidos os episódios experimentais do "fósforo em tapete" sobre as cidades europeias e japonesas, do nuclear nas populações atingidas pelas bombas de Alamogordo e dos desfolhantes - o agente laranja- na Indochina. Mas isto é uma novidade de casa, do regime. Agora esperamos para ver o que o Estado fará, chamando à responsabilidade os crânios da dita Faculdade da nossa capital.  Ou não passará isto tudo, de mais uma das guerras corporativas visando a obtenção de proventos?  Dada a forma como certas notícias correm no nosso país, há que ter em atenção mais uma campanha de terrori que a instalar-se, provocará uma corrida aos consultórios dos dentistas. O que há a dizer está dito, resta-nos apenas esperar por mais novidades americanas.

 

Nada de anormal, afinal de contas a questão judaica teve como dilecta precursora, a solução final dos índios americanos e até os números em liça são idênticos. Tudo conforme as regras da civilização, coisa pouca e sem directo a Hollywoodescas realizações de Spielberg. 

Veja o video publicado no Aventar.

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publicado às 00:26

Pacífico volver

por Nuno Castelo-Branco, em 28.02.12

 

Putin está em campanha e tal como um seu já longínquo predecessor que no ano de 1941 apelava à Santa Mãe Rússia, o candidato-já eleito faz subir a parada, não se contendo nas palavras. O discurso patriótico que envereda sempre por aquele caminho que tem como estação terminal as Forças Armadas, pode ser facilmente lido nas suas entrelinhas. Em jogo estão interesses económicos e a luta pelo controlo da energia, daí a "extrema preocupação" com eventos ocorridos no norte de África e agora, na Síria. As empresas russas habituadas a monopólios, são agora substituídas por concorrentes ocidentais. Tudo isto, no seguimento do desabar do poder russo no Cáucaso e correspondente penetração norte-americana na Ásia central ex-soviética. Desta forma, a afirmação da incredulidade pelo desejo dos EUA em tornarem-se invulneráveis a qualquer ataque, só poderá ser um exercício de wishful thinking, pois a invulnerabilidade a qualquer tipo de ameaça, deveria ser o objectivo primeiro de qualquer Estado independente, principalmente quando, como é o caso, se trata de uma potência ainda hegemónica. O antigo discurso do maior país do mundo que "vive cercado" por inimigos em potência, renasce das cinzas e de facto, todos os programas de armamento soviéticos, tiveram sempre como argumento primeiro, a invulnerabilidade do império.

 

A realidade dos nossos dias aponta para outros dados dificilmente ignoráveis. O primeiro consiste nas extremas dificuldades financeiras dos EUA, repercutindo-se estas no extenso e intenso dispositivo militar. Finda a missão de contenção do expansionismo soviético, a NATO perdeu o objectivo essencial para o qual havia sido criada, servindo agora e alternadamente, para intervenções que façam vingar os interesses estratégicos americanos - bastas vezes em contradição com os dos seus aliados europeus ou até em detrimento destes -, ou passando à acção sob a capa legitimizadora emprestada pela impotente ONU. Obama adverte quanto a uma "drástica redução" de recursos militares e o que ainda não se pode garantir, é se tal anúncio se deve às já citadas dificuldades, ou pelo contrário, à bem calculada previsão da entrada em serviço de novos meios tecnológicos que tornem o até agora pesadíssimo aparelho, mais ágil e racional. Não sabemos. 

 

Putin anuncia um programa de rearmamento de uma ambição desmedida, assemelhando-se no sector naval, à reedição do Plano Z que um dia o III Reich sonhou aplicar à sua marinha. Não se medem as palavras, o anúncio é de uma colossal grandeza e deliberadamente arrisca uma corrida aos armamentos e o trilhar do mesmo caminho que nos anos 70 e 80 levou à liquidação da URSS. Se a isto juntarmos a expansão militar chinesa - que até agora possui umas forças armadas muito inferiores no plano de vista táctico e estratégico -, estamos então perante uma nova realidade, à qual se junta um claro indício do voltar de atenções dos EUA para o Pacífico. É neste sentido que devem ser lidas as notícias de um certo abandono da Base das Lajes, sem que tal signifique o seu fecho, pois os americanos não arriscarão a reedição do "buraco negro" dos tempos da Batalha do Atlântico. De um dado estamos certos: longe ainda estão os tempos do completo ocaso da supremacia militar norte-americana.

 

Resta-nos pensar em que termos o nosso país melhor pode garantir a segurança dos resquícios da sua soberania, especialmente quando se trata de uma vastíssima, potencialmente rica e cobiçada área marítima no ainda centro do mundo: em suma, urge olhar para sudoeste.

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publicado às 10:22

Kicking the can down the road

por Eduardo F., em 20.02.12

 

Por Steve Kelley

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publicado às 16:27

Por que será

por Eduardo F., em 07.02.12
que a família de um fugitivo traficante de droga est(á)ava a financiar a campanha para a reeleição de Obama? A história está no New York Times da edição de hoje. Convido os leitores a especular sobre o facto.

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publicado às 20:20

Políticas de emprego muito frequentes

por Eduardo F., em 20.01.12

 

Via Carpe Diem

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publicado às 20:42

Uma surpresa pouco surpreendente

por Eduardo F., em 09.01.12

Por Tom Toles

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publicado às 23:06

A irrelevância da dívida segundo Krugman

por Eduardo F., em 03.01.12
Na sequência de (mais) uma bizarra crónica de Paul Krugman intitulada "Nobody Understands Debt", Don Boudreaux cita uma passagem de um discurso de William F. Bucley que achei particularmente interessante para ajudar a compreender o amor, e mesmo a paixão, dos políticos pelo keynesianismo. Por isso mesmo a procurei traduzir (com alguma liberdade):
A meio do segundo mandato de Franklin Roosevelt, os cérebros do New Deal começaram a preocupar-se com a crescente inquietação popular relativamente à dívida nacional. Naquela época, a dimensão da dívida estava na mente de todos. Na realidade, Franklin Roosevelt havia, em parte, chegado à presidência, em 1932, com a promessa de diminuir a dívida que, mesmo sob o frugal Sr. Hoover, as pessoas tendiam a pensar que tinha atingido uma dimensão ameaçadora. Os sábios do Sr. Roosevelt preocupavam-se profundamente com essa tensão crescente. E então, de repente, a comunidade académica acorreu em seu socorro. Um grande espectro de economistas foi electrizado por uma teoria da dívida introduzida em Inglaterra por John Maynard Keynes. Os políticos esfregaram as mãos em sinal de gratidão. Retratando as consequências políticas da descoberta inebriante de Lord Keynes, o cartoonista do Washington Times Herald fez um desenho inesquecível. No centro, sentado num trono em frente a um mastro, estava um FDR em júbilo, cigarro inclinado para cima quase na vertical, um sorriso no rosto de orelha a orelha. Dançando à sua volta num círculo, de mãos dadas, de rostos brilhando de êxtase, os cérebros, cobertos de vestes académicas, cantavam o mágico encantamento, a grande descoberta de Lord Keynes: "Devêmo-la a nós mesmos."

 

Com quatro palavras talismã, os especialistas em planeamento tinham eliminado o problema da despesa sob déficit. Daí em diante, alguém que se preocupasse com um aumento da dívida nacional era simplesmente um ignorante da percepção central da economia moderna: que importa o quanto nós - o estado - devamos uma vez que o devemos a nós mesmos? Avante com a despesa! Impostos e mais impostos, gastar e gastar, eleger e eleger...

 

William F. Buckley, excerto de discurso de Maio 1958

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publicado às 00:56






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