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O impacto grego no Partido Socialista

por John Wolf, em 18.06.15

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O Partido Socialista (PS) é muito rato e sabe muito bem montar uma armadilha. O programa eleitoral do PS já está a assumir um cenário de perdas avultadas para Portugal caso a Grécia venha a escolher a porta de saída do Euro. E isso é muito conveniente para poder sacudir a água do capote quando as coisas começarem a dar para o torto numa eventual legislatura socialista. Já percebi que os gregos vão ser pau para toda a obra socialista. António Costa poderá justificar os desvios orçamentais e o despesismo público tendo o alibi Tsipras sempre à mão. A saída grega custaria mais de 15 mil milhões de euros? Como chegaram a este número (inflacionado)? E levaram em conta a desvalorização do Euro face ao dólar americano, a título de exemplo? Existe uma outra dimensão que os economistas-socialistas parecem descurar; a fuga de capitais da Grécia que tem estado em crescimento acentuado desde Setembro de 2014 não significa necessariamente a dissipação de fundos. Esses dinheiros não desaparecem. Estão a migrar para outros países da zona Euro. Um interessante exercício a realizar seria apurar o impacto monetário posítivo do descalabro grego nas economias dos outros países. Tsipras fala de solidariedade e Democracia, mas encosta-se a potenciais investidores ideologicamente questionáveis. A Rússia não é uma democracia e assume uma forma de capitalismo que roça o hooliganismo de Estado. O PS, nesse documento prospectivo, deveria também elencar os desvios doutrinários, os atalhos ideológicos da Esquerda oportunista que Tsipras encarna. Em nome da objectividade. Em nome de Portugal. Em nome da União Europeia. Em nome de Mário Soares. Em nome daquilo que bem entenderem.

publicado às 11:46

O medo que a Europa tem da Grécia

por Samuel de Paiva Pires, em 17.06.15

Brett Arends, via Portugal Contemporâneo:

The fear?

It isn’t that if Greece leaves the euro the Greeks will then suffer a terrible economic meltdown.

The fear is that if Greece leaves the euro, the country will return to prosperity — and then other countries might follow suit.

Take a look at the chart, above.

As you can see, Greece with the bad old drachma had double the economic growth of Greece under the euro. Double. And it wasn’t alone.

Italy, Spain and Portugal tell similar stories. Their economic growth back in the 1980s and 1990s, when they were “struggling” with the lira, the peseta, and the escudo, makes a mockery of their performance under the German-dominated euro.

Apparently having control of your own national currency and your own monetary policy works well with having your own government and your own national sovereignty.

Who knew?

publicado às 17:24

Bondex - a crise que se segue

por John Wolf, em 13.05.15

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Nunca se tratou de atirar ao ar a moeda (grega). As opções que se apresentam são claras. Qual o preço a pagar pela manutenção da Grécia no euro? Sai mais cara a estadia ou a partida? Tsipras e Varoufakis fizeram o que lhes competia perante o desespero do seu povo, mas não foram intelectualmente honestos. Desde sempre souberam que qualquer forma de ajuda extraordinária teria de ser acompanhada por mais austeridade. Ao rejeitarem esta premissa teriam de ter algo na mão que pudesse servir de alternativa. Mas não é o caso. Ontem pagaram ao FMI uma parte das suas obrigações recorrendo a fundos de emergência. E esses estão a acabar. Por isso é mais que natural que a União Europeia tenha em preparação um Plano B para a mais que provável saída grega do euro. Não assistiremos a um evento-surpresa, de choque. Há muito que as instituições europeias preparam o terreno. O próprio lançamento do programa de quantitative easing do Banco Central Europeu deve ser entendido enquanto almofada para a volatilidade que um evento desta natureza pode causar. No entanto, há algumas falhas de cálculo a ter em conta. Os decisores políticos europeus tardam em dar conta de uma outra crise de proporções muito maiores. Chamar-lhe-ei (e serei o primeiro a cunhar a expressão): Bondex - a fuga global aos títulos de tesouro (government bonds), a saída de posições detidas. Em síntese, o pressuposto comportamental macro-económico apontava para a persistência do ambiente deflacionário na Europa e o mesmo parece não se verificar (o crude, por exemplo, retoma a sua via ascendente no que diz respeito a preços). E existem mais factores a ter em conta. Mas, em traços largos, a inflação não premeia os detentores de títulos de tesouro uma vez que o yield recebido, seja ele qual for, vale menos, porque a divisa tem menos poder de compra. Por isso a valorização do dólar americano pode ser benéfica para atenuar problemas "regionais". Contudo, já não vivemos em regiões. A interligação financeira e monetária do nosso mundo tornou o mais pequeno canto do mundo ainda mais vulnerável a ventos forasteiros. Estou preocupado em relação ao progresso desta situação complexamente degenerativa que envolve múltiplas dimensões com efeitos recíprocos, mas assimétricos. Uma saída grega acarreta também trade-offs de natureza geopolítica e militar - refiro-me às eventuais perdas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e à ascensão Russa no contexto da fragilidade da União Europeia, exposta pela crise grega. Nem vou envolver Portugal nestes cenários, porque já faz parte dele, embora existam putativos candidatos a primeiro-ministro que não parecem cientes destes perigos. Não quero ser alarmista, mas a crise que se segue será avassaladora quando comparada com aquela iniciada em 2008. Há mais actores em campo e as variáveis nunca são idênticas. Peregrinações são coisa boa, mas duvido que sirvam para certos actos de fé como eleições legislativas ou teimosias ideológicas.

publicado às 08:28

Euro: a divisa zombie

por John Wolf, em 11.03.15

 

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A crise de crédito iniciada nos EUA em 2008 e que foi exportada para a Europa, expôs de um modo flagrante as fragilidades da União Europeia (UE) e do Euro. A Reserva Federal não foi tímida nem lenta na implementação de medidas correctivas - George W. Bush foi dos primeiros a avançar com um pacote de ajuda na ordem dos 800 biliões de dólares. Subsequentemente o Quantitative Easing (QE) foi aplicado na ferida aberta dos Mortgage-Backed Securites (MBS) e Asset-Backed Securities (ABS), a título de exemplo. O Banco Central Europeu (BCE) inscrito na matriz histórica de uma Europa conhecedora de hiperinflação, da República de Weimar e regimes fascistas que floresceram no contexto de determinadas condições socio-económicas, foi mais ponderada na definição de um curso de acção. Sete anos após 2008, o BCE decide avançar com o seu próprio programa de QE e desde Segunda-feira dia 9 de Março de 2015 tem vindo a colocar meios financeiros junto dos bancos centrais de Estados-membro da Zona Euro no sentido da aquisição de títulos de tesouro no mercado secundário. Em traços largos a abertura da torneira da liquidez por esta via tem vindo (passe a redundância) a diluir o valor intrínseco da divisa Euro. O "excesso" de oferta de moeda produz exactamente esse efeito - a sua desvalorização. Muitos poderão argumentar que sem dúvida alguma existe intencionalidade "adicional" nesta medida de alívio/ajuda das economias em apuros. Ao tornar o Euro "barato", as dívidas expressas nessa divisa também sofrem um "desconto", e as exportações da Zona Euro também beneficiam com esta desvalorização cambial, mas a vantagem pode vir a tornar-se um problema. Basta pensarmos numa subida abrupta da cotação do crude, que implica a disponibilidade de dólares para a sua compra. Existe ainda outra dimensão de análise respeitante a este "spread" entre o Euro e outras divisas. Para já, restringemo-nos ao EUR/USD e levemos em conta a previsível subida da taxa de juro nos EUA (há quem diga em Junho deste ano) que alargará ainda mais o fosso entre as duas divisas transatlânticas. A paridade entre as duas moedas não deve servir de marcador especial. O USD transporá essa fasquia com grande facilidade. Quem não se recorda do Escudo? A 26 de Outubro de 2000 um USD valia 242,95 Escudos. Ou seja, o equivalente a €1.20 (um euro e vinte cêntimos, sensivelmente). Nos últimos dias temos assistido à valorização galopante do dólar americano o que coloca algumas questões existenciais sobre a mesa do Euro. Os políticos da União Europeia e os mecânicos do BCE podem fazer tudo para salvar a sua face, e a da moeda que viram nascer com tanto entusiasmo, mas em última instância o que está em causa é a credibilidade da divisa e a confiança que os seus "utilizadores" depositam na mesma. O Euro pode ser que não morra de doença súbita, mas nos próximos tempos andará por aí como um zombie.

publicado às 08:40

Show me the money, Varoufakis!

por John Wolf, em 27.02.15

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Provavelmente da próxima vez que escrever uma pequena nota neste blog estaremos todos felizes e contentes no mês de Março. O Banco Central Europeu (BCE) havia anunciado, e vai cumprir: irá dar início ao seu programa de quantitative easing no mês que está prestes a chegarOs mercados financeiros e accionistas irão bombar como um drogado que acaba de receber uma injecção no veio central da sua existência. A compra de títulos de tesouro por parte do BCE é um doce para os especuladores, mas não gera efeitos imediatos na economia real. Vimos como foi nos EUA, mas a Europa será um caso à parte. Na América puseram o dedo na ferida, por exemplo com a intervenção no âmbito dos Mortgage-Backed Securities (MBS). Contudo, na Zona Euro poderemos esperar por um efeito que não carece de uma explicação complexa. A injecção de liquidez, por via directa ou indirecta nas economias, e pela compra de títulos de tesouro dos países da Zona Euro, afecta o valor das divisas subjacentes. Neste caso, poderemos contar com uma ainda maior desvalorização do Euro. Por um lado, essa condição cambial ajuda as exportações da Zona Euro, e, por outro lado, uma vez que a deflação parece reinar na Europa, existe margem para aumentar os níveis de oferta de liquidez. A inflação até é desejável, e por mais do que um motivo, mas sublinhemos o facto das dívidas dos Estados serem mais facilmente mitigadas se a divisa em que as mesmas se expressam menos valerem. Aquilo que vai ser iniciado em Março pelo BCE não irá clarificar a complexidade da situação económica em que se encontra a Europa. Sempre que a economia real não funciona, os bancos centrais escrevem ficção  - imprimem dinheiro e passam a ser uns mãos largas como se isso resolvesse os problemas estruturais das economias. As bolsas europeias decerto que irão bombar, e os hedge funds e especuladores farão as suas apostas certeiras, mas o cidadão comum será excluído dessa festa. A Grécia deixar-se-á envolver nesse turbilhão de ilusões e aproveitará o mesmo para extrair dividendos. Varoufakis e os demais pseudo anti-capitalistas dirão que é um claro sinal de recuperação. Mas os mais avisados sabem que isso não é verdade. Aqui deixo o meu aviso. E eu nem sequer sou um especialista na matéria.

publicado às 22:53

Mapa de viagens da Grécia

por John Wolf, em 18.02.15

 

 

 

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publicado às 17:25

Ver-se Grego ou não

por John Wolf, em 17.02.15

Choices

 

 

Um questionário exigente foi colocado diante dos idealistas utópicos e homens livres. Estão com Tsipras, Varoufakis, Syriza e a Grécia na revolução que estes pretendem trazer à Europa, ou estão com aqueles que dizem proteger Portugal da hecatombe helénica(?). Estão com a inocência de Sócrates ou contra o sistema judicial português (?). Estão com os indicadores económicos que começam a ser favoráveis a Portugal ou estão com António Costa que diz que vai demolir a Austeridade(?). Estão com Putin na sua epopeia revanchista ou estão com os Atlanticistas da NATO (?). Estão empenhados na salvação solidária do povo grego ou estão mais interessados em extrair vantagens financeiras das suas iniciativas junto da ex-Troika (?). Estão mesmo com Charlie ou  já estão com um pé em Copenhaga (?). Estão com a permanência da Grécia no Euro ou estão com os cumpridores de contratos assinados (?). Estão com os gregos que querem receber dinheiros da segunda guerra mundial ou estão com aqueles que podem ter de pagar a ex-colónias africanas (?). Estão no Carnaval de Torres Vedras ou preferem o de Ovar? Escolhas difíceis, sem dúvida. Especialmente a derradeira.

publicado às 09:34

Thomas Schelling e Grécia para totós

por John Wolf, em 09.02.15

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Vamos utilizar um pouco da Teoria do Jogo e prestar homenagem a Thomas Schelling.

Algumas hipóteses;

1. A Grécia recebe fundos adicionais, mas tem de continuar com as medidas de Austeridade - no dia seguinte dá-se um golpe de Estado, um regime de extrema-direita é instaurado e o país cai em conflito civil. Torna-se irrelevante se pertence ou não à zona Euro.

2. A Grécia não recebe mais fundos, cai em caos económico e social, e abandona o Euro - a Rússia aproveita a situação e encosta-se ainda mais ao país que abandona o Euro e a União Europeia.

3. A Grécia vê as suas demandas respondidas favoravelmente, e no dia seguinte Espanha, Portugal, Itália e Irlanda exigem semelhantes condições - em consequência dessa abertura de espírito financeiro, o Banco Central Europeu é obrigado a imprimir doses maciças adicionais de Euro que sofrerá o desgaste natural da inflação e mais tarde da hiperinflação. Ou seja, o Euro abandona-se a si mesmo.

4. Troika decide perdoar a dívida de todos os Estados-membro da União Europeia, deixando deste modo todo o espaço da zona Euro cair em depressão e desorganização monetária - facto esse que devalorizará o Euro a níveis de irrelevância, sendo que o investimento directo estrangeiro na União Europeia dispararia, mas a Europa efectivamente passaria a pertencer a entidades estrangeiras que substituiriam os centros de decisão política. Por outras palavras, o fim da União Europeia seria certo.

5. A Grécia aceita continuar com um regime de Austeridade parcial, mas os juros impostos sobre a dívida serão agravados. O país cai em conflito político, económico e social e o governo de Tsipras é obrigado a instaurar o recolher obrigatório e colocar militares na rua - ou seja, de regime libertário passa a regime repressivo, sem a ajuda da extrema-direita.

6. A Grécia abandona o Euro e a União Europeia e adopta um divisa que não será necessariamente a sua. Por exemplo, o dólar dos EUA, país esse que decide salvar os helénicos invertendo a lógica de aproximação à Rússia.

7. Devo continuar? Ou ficaram com uma ideia da complexidade da situação?...

publicado às 20:53

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Gostei imenso de escutar os socialistas de Portugal congratular os seus camaradas gregos pela estrondosa vitória do Pasok. Fiquei comovido com as repetidas menções de António Costa ao sucesso doutrinário dos irmãos helénicos. Bravo. Pois é. Isto não está nada fácil. Emular Tsipras é quase tão difícil como repetir os feitos históricos ou contemporâneos de Mário Soares. Como é que vai ser?  O Syriza é um pot-pourri, uma salada russa com ingredientes para todos os gostos, da Esquerda radical à Direita abominável. António Costa, se pretende seguir o guião do jovem che guevarista, tem de se mexer. Mas haja esperança. Pode sempre aproveitar a dinâmica da FLS (Frente de Libertação de Sócrates), encostar-se ao Partido dos Animais, afagar o pêlo aos Verdes e radicalizar o seu discurso inspirando-se nas estrofes bolivarianas. A nova fórmula trans-ideológica de Tsipras parace ter funcionado na perfeição num país movido a gás de vendetta à Austeridade. Vamos ver como elas caem. Se a demagogia inflamada do Syriza é rapidamente convertida em epístola de cumpridor europeu - bom menino merkeliano. Festejam à vontade a pujança dos gregos. Aproveitem bem. Porque se a reestruturação for alcançada, quem pagará a factura alheia serão os restantes cidadãos da União Europeia. Será que os portugueses desejam pagar a caução pedida pela Grécia? Enquanto decidem, façam-se à estrada com o rancho folcórico de Évora e mandem umas bocas sobre justiça social e democracias sulistas. Como disse António Costa, sem o desejar, existem alternativas ao próprio Partido Socialista. Apreciei o seu feira-play, a sua capacidade de colocar os interesses de Portugal à frente da Câmara Municipal de Lisboa.

publicado às 09:12

Fado luso-grego

por John Wolf, em 25.01.15

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Os portugueses não querem necessariamente saber do destino dos gregos. Querem ver se Portugal pode beneficiar da dinâmica política que tanto admiram, mas que tão intensamente lhes falta. Sejam honestos. Os outros que façam o que somos incapazes de fazer - esse sim, deveria ser o lema. Indignados, por onde andam a esta hora?

publicado às 15:25

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Não é assim tão simples como pinta o Draghi e companhia. O European Quantitative Easing tem contornos próprios. Os estados-membros da União Europeia que venham a receber "dinheiro fresco", apenas podem servir-se do mesmo para comprar a "sua" dívida aliviando os encargos dos seus bancos. Ou seja, a integração europeia e a transversalidade decorrente da mesma são inexistentes. É o mesmo que dizer: pega lá no guito e salva-te se puderes. Como podem ver, o espírito ecuménico vigente nos tratados europeus não passa de uma fantasia. O legado civilizacional comum de pouco vale. Venham de lá esses "triliões".

publicado às 09:16

Zorba e o filme do Euro

por John Wolf, em 20.01.15

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A União Europeia (UE) é uma experiência autofágica. A possibilidade de efectiva destruição da divisa Euro, com todas as consequências que a mesma acarreta, resulta das condições endémicas geradas pelos lideres da União Europeia. Quiseram embalar no mesmo baralho monetário economias tão dísparas com a vã expectativa que os fundos estruturais e outros mecanismos de subvenção europeus pudessem limar as arestas das diferenças dos  estados-membro da UE. O resultado está à vista. O Euro está a descarrilar e já foi "abandonado" pela Suiça (e outros seguir-lhe-ao o rasto) - o país que antecipa a defesa do seu interesse nacional enquanto as outras nações dormem. Não há nada de cínico neste comportamento - não passa de uma expressão de Realpolitik monetária. Mas a última estocada que será desferida no Euro, não resulta de congeminações fundamentalistas externas, nem de ataques de terceiras partes. Será o próprio Banco Central Europeu a administrar a (over)dose fatal. No dia 22 de Janeiro, os dealers monetários da Europa, comandados pelo Exmo. Sr.  Mário Draghi, darão início a um processo de dumping monetário autorizado - European Quantitative Easing (EQE). A primeira palete será da ordem dos 550.000.000.000 de Euros (quinhentos e cinquenta mil milhões de Euros). O Euro está a afundar? Ainda não vimos nada. O Euro irá ao encontro da paridade com o Dólar? Nada disso. O dólar irá ficar ainda mais forte, muito mais forte. Mas temos de juntar outro elemento de destruição à fórmula - a mais que provável vitória do Syriza nas eleições gregas que têm lugar no dia 25 de Janeiro. Estes dois eventos quando combinados irão gerar turbulência assinalável na zona Euro e não só. Aqueles que aplaudem a "vingança" grega nem sequer sonham com o que aí vem. As falsas promessas e as utopias socialistas têm um apelo populista forte. António Costa sabe-o e tentará extrair dividendos da situação grega para a sua campanha pessoal. Quanto a Portugal, isso é outra história. Fica para depois.

publicado às 10:00

Os Suiços anteciparam-se aos Gregos e abandonam o Euro (o peg ao Euro entenda-se...). Vai haver consequências sérias.

 

publicado às 13:23

Catarina Martins zarpa com Tsipras

por John Wolf, em 13.01.15

Syriza

 

Catarina Martins irá zarpar para estar ao lado do camarada Tsipras durante as comemorações da provável vitória do partido Syriza. À falta de um guião original o Bloco de Esquerda (BE) vai coleccionar argumentos de reestruturação da dívida na capital Grega. Não sei se vale a pena a viagem. Em primeiro lugar o BE nem sequer está perto da sombra do poder. E em segundo lugar, a táctica de ameaça (ou sua inversão) não parece dar grande resultado. O tira-teimas entre a Grécia e a Alemanha é inexistente. Merkel já avisou que a União Europeia (UE) pode resistir ao impacto de uma saída da nação grega do Euro. Nem mais um sacrifício pelo Euro? A Grécia (assim como outros Estados-membro da UE) receberam dinheiros a fundo perdido, décadas e décadas a fio. A questão também deve ser colocada ao contrário porque os gregos receberam, e muito, dos contribuintes alemães, mas também dos belgas, dos franceses, dos portugueses, dos ingleses e dos espanhóis, para todos os efeitos materiais desta discussão de quem deve mais, e como quer pagar. Uma reestruturação da dívida não faz o problema desaparecer - passa apenas o mesmo para as gerações seguintes. E é esse o desafio que muitos enfrentam. O sacrifício duro do presente versus a repressão imposta no futuro. Temo que Tsipras, assim que se sentar na cadeira do poder, venha a subir o tom do seu discurso e venha a usar o argumento de ameaça de saída do Euro à luz da intransigência de Bruxelas, que não vai em reestruturações de dívida, ou coisa que o valha.

publicado às 18:44

As bombas do Banco Central Europeu

por John Wolf, em 18.09.14

Quando a economia real falha, os economistas são os primeiros bombeiros a ser chamados. Na realidade, é como pedir ao incendiário para apagar o fogo. Há qualquer coisa que falha nesta abordagem. Há algo cognitivamente deficiente nesta receita, na terapêutica. O Banco Central Europeu (BCE) embarca hoje num longo comboio de ficção monetária. Como a dívida dos Estados da Zona Euro está aos níveis que se conhece, e a deflação é a nota dominante, os banqueiros centrais ajuizam e decidem a injecção maciça de dinheiro, através de meios mais ou menos convencionais. Ou seja, quando os políticos falham, o ónus da recuperação económica é transferido para a orla financeira. Contudo, as operações em causa terão impacto diminuto na economia real. Não existe uma relação linear entre Long Term Refinancing Operations (LTRO´s) e a geração de emprego, a título de exemplo. As medidas têm mais impacto nas contas a apresentar, nos balancetes, e, desse modo, estão mais em sintonia com as exigências orçamentais dos Estados-membros relativamente aos seus níveis de dívida e deficit orçamental a cumprir.  É neste desfasamento entre o que se decide a montante e o que acontece a jusante, onde reside o cidadão comum. Mas existem alternativas? A resposta não é fácil. Apenas sei que se todos o fizerem em simultâneo, o processo não produz os resultados esperados. A Reserva Federal dos EUA, embora tenha anunciado uma certa intenção de abrandamento dos estímulos à economia, em abono da verdade, a torneira não vai ser fechada assim tão cedo. Na corrida ao fundo da desvalorização das divisas, veremos quem consegue mais celeremente realizá-la: se a Reserva Federal leva a melhor ou o BCE é obrigado a ir ainda mais longe do que a compra directa de títulos de tesouro na Zona Euro. Nem sequer trago à baila outras considerações como a libra esterlina, ou para idêntico propósito, as atribulações provocadas pelo referendo na Escócia. Daqui por alguns anos, Vitor Constâncio (quando regressar a Portugal) será mais um a declarar que não sabia de nada. Que não decidia. Que era Draghi que pensava tudo. Que era o presidente do BCE que mandava.

 

(fotografia Martin Leissl/Bloomberg)

publicado às 09:05

Dos conceitos básicos de economia

por Ana Rodrigues Bidarra, em 21.08.14

Ambrose Evans-Pritchard (via Pedro Arroja):

 

Professor Christopher Sims, a US expert on monetary policy, said EMU policy makers had not sorted out the basic design flaws in monetary union, and are driving Club Med nations into deeper trouble by imposing pro-cyclical austerity.

"If I were advising Greece, Portugal or even Spain, I would tell them to prepare contingency plans to leave the euro. There is no point being in EMU if all that happens when you are hit with a shock is that the shock gets worse," he said.

"It would be very costly to leave the euro, a form of default, but staying in the euro is also very costly for these countries. The Europeans have created a system that is worse than the Gold Standard. Countries are in the same position as Latin American states that borrowed in dollars," he said.

publicado às 10:35

O erro da narrativa da desresponsabilização da Alemanha

por Samuel de Paiva Pires, em 17.07.14

É cansativo ver repetida, quase ad nauseam, a ideia de que a Alemanha não tem qualquer responsabilidade na crise que o Velho Continente vem atravessando. Desta feita, e motivando este meu post, li-a num texto do João Távora. Curiosamente, não me recordo de ter visto qualquer dos proponentes desta narrativa suportarem-na com argumentos, dados, factos históricos. A explicação é simples e talvez fique a dever-se ao facto de muitos confundirem as suas crenças e vontade de recriminar Portugal, os portugueses e os seus líderes políticos - que também têm responsabilidades, e muitas, na crise que atravessamos, mas não são exclusivas -  com a realidade: é que aquilo que defendem está errado. É, apenas e só, wishful thinking. Isto motivou-me, já há uns bons meses, a investigar as origens da crise do euro, o que resultou num ensaio que apresentarei nesta conferência.

 

Começando no estabelecimento da União Económica e Monetária - em que prevaleceu a visão do Bundesbank de um BCE inspirado no seu modelo, centrado quase exclusivamente na estabilidade de preços -, que não era e continua a não ser uma Zona Monetária Óptima, circunstância agravada pela inexistência de uma união orçamental que permitisse uma gestão macroeconómica conjunta, o que a torna propensa a choques assimétricos; passando por uma fragilidade estrutural essencial para a compreensão da crise, segundo Paul De Grauwe, que é a perda da capacidade de os países emitirem dívida numa moeda própria, emitindo-a numa moeda que não controlam, pelo que estão, assim, mais facilmente à mercê dos mercados financeiros e podem ser rapidamente precipitados por estes para um default; e chegando aos anos da crise do euro, em que o diagnóstico da crise da dívida soberana grega foi erradamente generalizado a outros países, conforme Jay Shambaugh sublinha, servindo como justificação para prescrever pacotes de austeridade e reformas estruturais que, per se, não são suficientes para superar os constrangimentos resultantes das fragilidades estruturais da UEM, conclui-se que estas fragilidades não só resultam da perspectiva alemã aquando das negociações que levaram ao seu estabelecimento, como aproveitam actualmente à Alemanha. Hans Kundnani assinala que a actual situação, com um euro fraco (segundo Andrew Moravcsik, a taxa de câmbio real da Alemanha, actualmente, está 40% abaixo do que estaria se o país ainda tivesse o marco alemão), é a ideal para a economia alemã baseada nas exportações e avisa que o narcisismo económico da Alemanha coloca toda a Zona Euro em causa. Assim, a Alemanha está actualmente numa posição muito confortável, com um euro fraco que favorece as suas exportações, tornando-a a economia mais competitiva da Zona Euro, e, em parte em resultado disto, encontra-se de forma indisputada na liderança política da UE, tendo a cooperação entre países soberanos sido relegada em favor de uma dominação de facto por parte de Berlim. Ulrich Beck resume de forma lapidar esta situação em A Europa Alemã: "Como a Alemanha é o país mais rico, agora é ela que manda no centro da Europa." A austeridade imposta erradamente aos países sob resgate financeiro permite à Alemanha manter este status quo em que, nas palavras de Moravcsik, ao "utilizar uma moeda subvalorizada para acumular excedentes comerciais, a Alemanha actua como a China da Europa."

 

Por tudo isto, caro João, o que é uma fatalidade para nós portugueses – e outros como nós –  é persistir no erro de acreditar na narrativa da desresponsabilização alemã, que não tem correspondência com a realidade. Fatalidade esta que se torna particularmente trágica atendendo a que muitos dos decisores políticos acreditam nesta narrativa, pelo que, ingenuamente ou não, acabam frequentemente a servir mais os interesses alemães do que os interesses das nações que os elegem.

publicado às 18:20

A impressora é ligada amanhã

por Fernando Melro dos Santos, em 01.06.14

BCE injecta biliões

 

Espanha injecta biliões

 

Expectativas elevadas para quinta-feira

 

Só pode acabar bem. 

publicado às 21:28

Do diagnóstico errado à receita da austeridade excessiva

por Samuel de Paiva Pires, em 11.05.14

No primeiro semestre do doutoramento, no âmbito da cadeira de Temas Aprofundados de Economia Política Internacional, escrevi um ensaio sobre a crise do euro que, eventualmente, virá a público até ao fim deste ano. O argumento central é o de que o diagnóstico alemão da crise é errado e, logo, a receita da austeridade também. Afirmo ainda que é politicamente insustentável manter o status quo e que ou acabamos com a zona euro como a conhecemos (partindo-a em duas ou acabando com o euro) ou há que aprofundar a integração europeia, provavelmente por via do federalismo. Boa parte das considerações económicas fundamentam-se em Paul De Grauwe (vide este artigo e a obra Economics of Monetary Union, já na sua 10.ª edição, embora eu tenha recorrido à 9.ª, a mais recente à altura), e as considerações de ordem política resultam essencialmente das minhas observações.  Claro que os Maçães desta vida - o governo português - , discordarão. E, nos últimos meses, sempre que, recorrendo a argumentos que utilizei no ensaio, debati estas questões com economistas, alguns, talvez para disfarçar a falta de argumentos ou a incapacidade de duvidar das suas próprias perspectivas, não hesitaram em atacar-me apenas por não ter qualquer grau académico nessa magna ciência que é a economia. Dado que este ensaio foi avaliado em sede própria com 19 valores, por alguém doutorado em economia, nunca me preocupei muito com este tipo de críticas. Mas, nem de propósito, permitam-me dedicar-lhes uma entrevista a um economista formado na LSE, Philippe Legrain, que foi conselheiro de Durão Barroso. Pode ser que, sendo um economista a dizê-lo, consigam finalmente vislumbrar que há mais vida para lá da perspectiva alemã e que esta é profundamente errada e prejudicial não só a Portugal como à União Europeia. E, já agora, pode ser que também percebam a falácia da autoridade em que têm incorrido. 

publicado às 11:47

Vítor Bento:

 

"O excedente global pressiona a apreciação do euro criando um ‘loop’ adverso sobre os países periféricos. Estes, para recuperarem a competitividade perdida na década anterior à crise, têm que baixar os custos internos. À medida que esse ajustamento se reflecte na melhoria da sua balança externa e porque os países excedentários não fazem o seu próprio ajustamento, tal melhoria fortalece o euro, acabando por lhes minar (cambialmente) a competitividade, forçando-os a ter que voltar a baixar os custos. Não é difícil perceber como este ‘loop' tem um efeito deflacionário e, portanto, contraccionista em toda a Zona Euro."

publicado às 11:23






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