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Brexini

por John Wolf, em 27.08.16

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Theresa May não irá esperar por Maio para despoletar o processo conducente à saída do Reino Unido (RU) da União Europeia (UE). A senhora não necessita de treinos unidos para rodar a maçaneta e dar de frosques. Ao contrário da geringonça, que se pautou pelo mais alto teor de expressão democrática parlamentar (para se parir, para se dar à luz,) a primeira-ministro e lider dos Tories avançará para a remoção do RU da UE sem a aprovação parlamentar do artigo 50. Por outras palavras, o artigo 50 segue despido de farda legislativa regular. Trata-se de um Brexini - o uniforme pouco importa. Um Brexit é um Brexit e qualquer pretexto formal não servirá para descarrilar a intenção expressa em referendo. Enquanto os franceses discutem os bons costumes balneares, os britânicos aplicam uma camada de pragmatismo. Aliás, os últimos meses serviram para medir a capacidade de resistência da economia britânica. A queda da libra tem ajudado os exportadores e alternativas ao comércio com parceiros da UE parecem ganhar cada vez mais forma. No entanto, e seguindo este rumo, ninguém poderá negar a bastonada que o Parlamento Britânico leva. Numa Europa cada vez mais à mercê de devaneios de consensos, e equilíbrios desejados, temos aqui a prova de que a unilateralidade decisória está a encontrar o seu poiso, o seu acampamento. Embora não se trate de uma ordem executiva, poderemos afirmar que o RU já não depende de terceiros para domesticar o estado de arte da sua política. Isto é apenas o início de algo. Um ponto de inflexão, se quiserem.

publicado às 16:47

Terrorismus Continuum

por John Wolf, em 22.07.16

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Os governos democraticamente eleitos do mundo ocidental tardam em enfrentar a dura realidade dos factos. O terrorismo já não equivale a incidentes esporádicos que se dissipam num calendário alargado de ocorrências e datas. Os ataques perpetrados em Paris, em Bruxelas, em Londres ou Munique fazem parte da mesma linha de continuidade. As teorias organizacionais, construídas sobre a premissa da existência de células e hierarquias, já não servem para antecipar ou retrospectivamente dissecar os contornos dos ataques. A questão da genealogia ideológica também se secundariza perante a emergência securitária. Por mais que queiram evitar a solução musculada na Europa civilizada, os lideres de sociedades livres em breve terão de encarar o destacamento de forças militares permanentes nas ruas das cidades, a colocação de forças especiais em pontos nevrálgicos das urbes. Não mencionei uma vez sequer a dimensão dos refugiados, dos fundamentos religiosos ou dos conceitos subjacentes ao auto-proclamado Estado Islâmico. Refiro, sem valorações adicionais, o desafio de ordem e segurança que deve ser abraçado a todo o custo. O declínio da capacidade de projecção de poder dos adversários em terras distantes significa a disseminação de esforços fragmentados, mas altamente letais, no encalce próximo da tranquilidade europeia. O 11 de Setembro, intensamente sofisticado do ponto de vista conceptual e operacional, migrou para propostas de terrorismo de fabrico artesanal. Será com os meios disponíveis que os golpes serão desferidos. Os defensores das liberdades e garantias ainda não entenderam que em nome dos mais altos valores de liberdade, o combate implica o arrestar limitado de algumas prerrogativas consensualmente aceites enquanto intocáveis. A Europa está em guerra, mas tarda em admití-lo. Os terroristas de Bruxelas e Paris também elegem lideres. Chegamos a um ponto insustentável que transcende birras fratricidas entre a Esquerda e a Direita, pacifistas e belicistas. Chegou a hora de uma união de facto. A convergência política e efectiva para derrotar os atavismos internos. Chegou o momento da Europa.

publicado às 22:12

Do futuro da Europa

por Samuel de Paiva Pires, em 03.07.16

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Michel Houellebecq, Submissão:

Quando o Lempereur voltou, estendeu-me uma dezena de folhas agrafadas, escritas com caracteres muito pequenos; efectivamente, o documento tinha um título claríssimo: «PREPARAR A GUERRA CIVIL».
- Bom, há muita coisa do mesmo género, este é um dos mais sintéticos e com estatísticas mais fiáveis. Tem grande profusão de números, visto que analisa os vinte e dois países da União Europeia, mas as conclusões são sempre as mesmas em todos. De forma resumida, a tese do movimento é a seguinte: a transcendência é uma vantagem selectiva, os casais que se reconhecem numa das três religiões do Livro, e que mantêm portanto os valores patriarcais, têm mais crianças do que os casais agnósticos ou ateus; as mulheres têm menos estudos, o hedonismo e o individualismo são menos impositivos. Por outro lado, a transcendência é em larga medida uma característica geneticamente transmissível: conversões a outras religiões ou rejeições dos valores familiares têm uma frequência marginal; na esmagadora maioria dos casos as pessoas mantêm-se fiéis ao sistema metafísico em que foram criadas. O humanismo ateu, sobre o qual assenta o laico «viver juntos» dos casais informais, está portanto condenado a acabar em breve, a percentagem de população monoteísta está a aumentar em flecha, como acontece no caso particular da população muçulmana – não contando com a imigração, que acentua ainda mais o fenómeno. Assim, os identitários europeus admitem abertamente que entre os muçulmanos e a restante população vai rebentar, obrigatoriamente, mais cedo ou mais tarde, uma guerra civil. E concluem que para haver uma hipótese de os europeus vencerem essa guerra civil, esta tem de começar o mais depressa possível – em qualquer caso antes de 2050, e de preferência muito antes.

publicado às 23:03

EU Leave Commissioner

por John Wolf, em 29.06.16

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A União Europeia (UE), como tem sido o seu apanágio, não tem sido capaz de acompanhar os tempos em que vivemos. E estou a ser simpático. Ao longo das últimas décadas não soube edificar os pilares da Política Externa e de Segurança Comum ou tender para uma verdadeira União Fiscal. O esforço mercantil e económico não bastou para contagiar as demais dimensões. Os fundos estruturais pareciam ser a panaceia inédita. Pensaram eles que a religião dos mercados seria suficiente, que atirar dinheiro aos desafios serviria para dissipar o fosso económico e social entre os mais ricos e pobres. À época não havia desentendimentos. Não havia neo-liberais e menos neo-liberais. Não havia uma Esquerda ou uma Direita demarcada por regiões. Não havia uma zona Euro nem uma zona Deutsche Mark. Não havia grande diferença entre o político doméstico e o político de Bruxelas. Mas lentamente, sem grande alarido, o interesse nacional de cada Estado-membro foi subvertendo o idealismo de Monnet ou Schuman. Os países, Estados-membros, ou outros a caminho desse estatuto, foram alavancando o seu caderno de encargos, o seu rol de exigências, até desvirtuar a possibilidade de uma verdadeira união política, uma federação. E os anos da UE que foram passando serviram de pastagem para a expressão de um conjunto de reinvindicações económicas e sociais da parte daqueles que não foram capazes de reorganizar os seus modelos societários. Sempre que as dimensões económicas não encontraram resposta, a ideologia foi sendo arremessada para justificar quer as faltas quer os excessos. Se existiu um Estado-membro que melhor soube tirar partido das fraquezas congénitas da UE, esse parceiro foi o Reino Unido. Se existiu um Estado-membro que buscou tratamento diferenciado dentro da continentalidade europeia, esse colega foi o Reino Unido. Se existiu um Estado-membro que nunca abdicou da sua irmandade transatlântica com os EUA, esse camarada foi o Reino Unido. Enfim, podemos afirmar, de um modo equilibrado e desprovido de paixão, que o Reino Unido talvez não tenha feito a sua quota-parte para aprofundar o processo de integração. Na hora do divórcio e da penosa separação de águas, todos estes elementos de sentimentalidade nacional e europeísta serão colocados em cima da mesa para o estabelecimento de novos acordos de associação. Embora seja uma contradição suicida, resta exigir o seguinte à UE por forma a atenuar as dores de separação: onde está o Comissário das Saídas da UE? Será de prever que semelhantes casos de despedidas venham a ocorrer. E seria bonito, que na sua hora final, a UE demonstrasse algum decoro, alguma competência.

publicado às 16:31

Artigo 49 do Tratado de Lisboa

por John Wolf, em 28.06.16

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Deviam ter tido mais juízo. Um referendo é um assunto sério e não deveria ter sido menosprezado. Jogaram? Perderam? Ganharam? Agora é um pouco tarde para chorar sobre leite derramado. Venha de lá esse artigo 50 que tem estado a acumular pó no Tratado de Lisboa. A petição para um Rereferendo já conta com 3 milhões de assinaturas? Lamento muito, mas apostaram no cavalo "errado". Paciência. Tiveram décadas e mais décadas de pertença ao projecto europeu, para agora se porem a invocar o desconforto da situação e reclamarem mais concessões. Sim, saída célere para colocar do lado de fora do idealismo europeu indivíduos com ideias diversas. Keep your friends close, but your enemies closer? (don´t know). Daqui por uns tempos podem sempre recandidatar-se a membro da União Europeia, se esta ainda existir. O artigo 49 também lá está para alguma coisa. Passemos à frente, mas receio que o desafio político que a Europa enfrenta não merecerá a resposta adequada. Os comunitários têm uma tendência inata para tratar das maleitas com as receitas erradas. Daqui a nada vão atirar com ainda mais dinheiro ficcionado pelo Banco Central Europeu aos mutilados pelo referendo. Existe muita roupa suja que irá ser atirada ao ar. O Parlamento Europeu parece ser o local apropriado para a baixeza de nível. Le Pen ou Farage foram criados nesse aviário. São filhos de Monnet e Schuman, e dos corredores infinítos de redundâncias da União Europeia. Fruta normalizada. É o que me ocorre.

publicado às 17:30

Brexit at Tiffany´s

por John Wolf, em 25.06.16

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Vou juntar-me à claque de especialistas e vaticinadores que já sabem o que advirá do Brexit. De repente os britânicos não passam de reles procriadores, de brexistas que se colocam de joelhos quando se lhes convém, ou de senhores do civismo sobranceiro - os tais donos do império que civilizou o resto do mundo. Mas deixemo-nos dos castigos e das sevícias administrativas de Donald Tusk ou Jean Claude Juncker. De nada importa reescrever a história e distribuir culpas e desleixos. A coisa está feita, feia. E os britânicos sabem, melhor que tantos, o que hão-de fazer à sua vida. Por um lado reforçarão a sua tradição transatlântica, esteja quem estiver na Casa Branca, e por outro lado poderão reavivar a sua commonwealth, mas de acordo com uma visão pragmática e económica -  penso sem grande esforço em diversos acordos de "substituição": com os Estados Unidos (EUA) ou com a Austrália. O impacto económico de curto prazo até lhes pode ser favorável - uma libra fraquita ajuda as exportações. Contudo, a separação da União Europeia vai ser um processo mais moroso do que julgam em Bruxelas. Já tivemos um referendo na União Europeia que não deu em nada. Os gregos votaram contra as medidas adicionais de austeridade, mas isso não demoveu o governo helénico de aplicar as mesmas. Nessa mesma senda de regimes e excepções, seria possível invocar esse precedente de contradição eleitoral, mas Cameron, ao contrário de arrivistas como António Costa, não está está interessado no poder pelo poder. O magistério da tradição política britânica fala mais alto. Os súbditos de sua majestade disseram de sua justiça e esse património de vontade não pode ser desfalcado. Bem sabemos que Juncker quer dar uma lição a outros candidatos "exitistas" da União Europeia, aplicando um modelo disciplinar agudo ao Reino Unido, mas eu teria algum cuidado. Os movimentos "independentistas" são de diversa ordem e provêm de famílias políticas distintas por essa Europa fora. As extremas têm cada vez mais em comum no que diz respeito aos seus intentos de emancipação e os russos estão a extrair dividendos do grande conflito interno que cada vez mais parece ganhar forma naquilo que resta da União Europeia. Os EUA vão sair a ganhar. Não apenas com o reforço do dólar americano, mas por poderem encontrar um parceiro ideal na Europa não continental. Quanto a Marcelo e Costa, vão levar ainda mais marteladas.

publicado às 14:54

Je suis Orlando

por John Wolf, em 13.06.16

Enquanto as Esquerdas e Direitas iluminadas cá do burgo discutem o correcto posicionamento em relação ao ataque terrorista ocorrido em Orlando na Florida, por causa da trictomia homossexualidade-arma de fogo-Estado Islâmico, convém relevar os seguintes pontos; na corrida presidencial dos Estados Unidos (EUA) quem mais vai beneficiar é Donald Trump. Há meses atrás, neste mesmo blog, referi este facto. Um ataque terrorista em solo americano serviria para validar a sua tese securitária, anti-islâmica e proteccionista -  e isso ajuda a sua campanha baseada no medo colectivo. No entanto, existem diversas dimensões que devem ser analisadas. Pelo que sabemos, nenhum dos gay que participava na festa latina na discoteca Pulse tinha em sua posse uma arma de defesa pessoal - lá vai pelo cano o anti-americanismo primário de que andam todos armados na América - pelos vistos estes não. Em segundo lugar, somos informados que o Federal Bureau of Investigation (FBI) já detinha um ficheiro respeitante ao principal suspeito - ou seja, os serviços de informação não foram irrredutíveis e competentes na triagem de vilões. Em terceiro lugar, o operacional ao serviço do Estado Islâmico (EI) acaba por colocar em prática cânones que precedem esta organização terrorista - o Alcorão é intensamente declarativo em relação ao seu desprezo pela homossexualidade. Em quarto lugar, as grandes teorias organizacionais em torno das ligações, comunicações e linhas de comando dentro da estrutura do EI não servem a causa de interpretação dos factos. O agente do EI em causa valida-se na sua missão de um modo remoto da Síria ou Iraque, apetrecha-se no mercado local de armas semi-automáticas, presta vassalagem aos senhores do EI e ainda informa as autoridades locais sobre a iminência de um ataque. Assistimos também a outro processo em curso. À segmentação do alvo. O grau de diferenciação que instiga aquele que perpetra o ataque a escolher uma sub-categoria de inimigo - os homossexuais -, revela uma maior sofisticação operacional. Será expectável, na senda da mesma lógica, outros modos de distinção. A saber, e por exemplo, um enfoque especial do EI em relação a organizações de defesa dos direitos das mulheres. Mesmo com a chuva de críticas de que tem sido alvo os EUA, as autoridades não produziram os discursos inflamados que a Europa desejava. Por outro lado, o grau de solidaridade europeu em relação aos eventos de Orlando parece ter sido mitigado por outros espectáculos, como aquele de Marseille. Não vejo muitos Je Suis Orlando por aqui. É mais bota abaixo bola acima. Os de cá não querem ser confundidos como sendo de outras equipas.

publicado às 13:56

Marcelo lava as mãos no Parlamento Europeu

por John Wolf, em 13.04.16

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Não é preciso ser uma velha raposa (ou um jovem Wolf) para entender onde pretende chegar Marcelo Rebelo de Sousa no seu discurso ao Parlamento Europeu. O Presidente da República Portuguesa necessita de uma apólice de seguro para os mais que prováveis ventos que far-se-ão soprar pela Europa, e as incertezas que pairam sobre Portugal. A União Europeia está à mercê de um novo continente, da profusão de certas tendências ideológicas e de centros de decisão que não se encontram em Bruxelas. A narrativa que administrou pode servir para encaixar desfechos distintos. Seja qual for o pendor do referendo no Reino Unido, Marcelo pode tentar, embora em vão, invocar o excepcionalismo português como se fosse um berliner em Bruxelas, e, deste modo lançar Portugal para o pseudo-lugar suplente deixado pelos retro-nacionalistas britânicos. O apelo à musa da inspiração literária e cultural é um caminho incerto, volátil e de entusiasmo perigoso. Dizem que Fichte foi precursor de certos regimes, e servindo-nos da mesma metodologia do lirismo sagrado, não sei até que ponto Pessoa seria europeísta - para não falar do desprezo que nutria em relação a Portugal. O "europeísta incorrigível" de que fala, soa a estabelecimento prisional, a síndrome de Tourette, a fetiche por algo esfumado. A Europa já não é nada disso. A Europa deixou-se confundir com a União Europeia, e essa sobrelotação está a gerar fenómenos que se afastam da concentração de desígnios, dos grandiosos princípios de solidariedade e paz. Marcelo Rebelo de Sousa antecipa, com alguma argúcia, o que se passará em Portugal. A sustentabilidade, e o grande projecto do governo de Esquerda do seu país, que apregoa para ouvinte parlamentar, não passa de uma aula preparatória para discentes domésticos. Quando o próximo resgate bater à porta, Marcelo será escusado. Dirá habilmente que, enquanto presidente, tudo fez para não desarmar os intentos da Esquerda. Não sei o que anda Marisa Matias a fazer. Não deve estar a ver o que está a acontecer. Mas aplaude entusiasticamente, como se acreditasse.

publicado às 12:55

A Europa de cócoras como nunca ninguém a viu

por Pedro Quartin Graça, em 26.01.16

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A Europa de hoje está dominada por "líderes" sem coluna vertebral. Pior do que isso, sem memória do passado. Vergados ao políticamente correcto. Com medo da própria sombra. Esta atitude, protagonizada pelo Primeiro - Ministro de Itália é indigna de um europeu (quanto mais de alguém que dirige o governo de um país). Ao ter ver vergonha da sua própria história e da cultura viva de uma antiga civilização, ela representa o retrato fiel do estado decadente a que chegámos no Velho Continente. Nada disto tem a ver com pseudo respeito por outras terras e outras gentes, como um bando de patetas, que nestes momentos sempre surge, se aprestará de imediato a sugerir. Tem, apenas e tão só, a ver com a falta de espinha  e de massa cinzenta de uns tantos a quem a democracia permite ascenderem, por via do voto, às mais altas magistraturas das nações.

Vergados aos ditames imorais e antipatrióticos desta gente, a Europa caminha rapidamente para o seu fim. Há momentos em que devemos ter vergonha de quem nos dirige. Este é um deles. A capitulação chegou...

publicado às 18:22

Caos em Colónia

por João Quaresma, em 08.01.16

A revista Der Spiegel noticiou ontem o relatório da polícia federal alemã sobre os distúrbios e ataques de muçulmanos contra mulheres na noite da passagem de ano em Colónia, que qualifica a situação vivida como caótica e vergonhosa, tendo as forças policiais sido completamente ultrapassadas pela dimensão dos acontecimentos e pela atitude desobediente e desafiadora dos desordeiros, e ainda a impossibilidade de socorrer pessoas que pediam ajuda. Citando:

"According to the report, officers encountered many distraught, crying, frightened pedestrians, particularly women and girls. They reported "fights, thefts, sexual assaults against women, etc." Groups of male migrants were repeatedly named as perpetrators.

(...)

The report lists several examples of police officers' experiences:

  • Officers were hindered from pushing their way through to people calling for help by tight clusters of men.
  • A man is quoted as saying: "I'm a Syrian! You have to treat me kindly! Mrs. Merkel invited me."
  • Witnesses were threatened when they provided the names of perpetrators.
  • People reportedly demonstratively tore up residence permits in front of the police, grinned and said: "You can't touch me. I'll just go back tomorrow and get a new one." The report did not, however, confirm the authenticity of the documents.
  • Orders for people to leave the premises were ignored; taking repeat offenders into custody was not possible due to lack of resources.
  • After track closures due to overcrowding, people simply forced their way over adjacent platforms and train tracks back to the closed platform.
  • Physical fights broke out as trains were being boarded; it was "every man for himself."

O artigo completo: Cologne Assaults: Police Report Outlines 'Chaotic and Shameful' New Year's Eve

 

publicado às 02:25

13 de Novembro 2015 - Beirute em Paris

por John Wolf, em 14.11.15

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Os mais recentes ataques terroristas de Paris marcaram para todo o sempre a minha data de nascimento. Sexta-feira 13 de Novembro de 2015 precedeu a sua má-fama, excedeu-se. Mal decorreram 24 horas sobre a noite de terror, buscamos um fio condutor de explicação minimamente racional, como se para dirimir os exageros da loucura perpetrada sobre homens e mulheres, meros espectadores de um jogo de soma-zero de inocentes e culpados. Tenho dúvidas que os ataques terroristas de ontem correspondam a um 11 de Setembro da Europa. Receio que, numa lógica de encadeamento e escalada, os eventos de ontem sejam apenas uma parte de um futuro geopolítico próximo intensamente fracturante. A União Europeia está cada vez mais próxima do seu momento Homeland Security Act. A crise dos refugiados que assola o continente europeu serve de catalisador para considerações que serão exógenas à própria natureza do desafio. Elencamos, com alguma facilidade, distintos módulos operativos de interpretação da realidade. Identificamos aqueles que são solidários com o drama dos refugiados, mas que renunciam à tese de que estes virão para se tornar missionários do Estado Islâmico. Rotulamos ainda aqueles que não fazem distinção entre uma coisa e outra - ou seja, cada refugiado é um potencial suicída pronto a semear o pânico de terror nas hostes da paz europeia. Temos ainda um grupo de inspiração woodstockiana que é adepto de uma estirpe imovível de peace and love - que acredita no abraço aos párias, na desintoxicação por via da integração fraterna. A ideologia que tem servido para muitos fretes de interpretação de conflitos bélicos, já não se adequa para corrigir comportamentos com esta intensidade. O Estado Islâmico não se funda em premissas nacionais nem se restringe a um domínio territorial no sentido clássico - ontem Beirute visitou Paris de um modo particularmente avassalador, tornando a capital francesa o local da cimeira que opõe o Ocidente ao Estado Islâmico. A França enfrenta alguns desafios de índole conceptual no que concerne ao seu modelo de sociedade. Francois Hollande rotulou os ataques terroristas de "acto de guerra", pelo que essa afirmação pressupõe, na centralidade europeia, a prossecução de medidas securitárias extremas. Um acto de guerra implica a confirmação de que já nos encontramos em situação de conflito continuado, numa guerra  com todas as despesas que decorrem desse facto. Nessa medida, e ampliando o âmbito dessa afirmação, significa que França irá ripostar longe e perto, e estará disposta a suportar ainda mais dor caso esta venha a ser infligida. A epicentralidade do conflito na Síria parece ter sido deslocalizada de um modo intencional pelos estrategas do Estado Islâmico. Os ataques terroristas de ontem já não obedecem necessariamente à lógica de  célula adormecida que se desperta a toque de comando de uma entidade longínqua, uma hierarquia afastada muitas vezes mantida em anonimato. Neste momento dispomos de elementos de análise que nos permitem especular que uma doutrina de Do It Yourself seja aquela que esteja a ser difundida pelo Estado Islâmico. Portugal, que não tem grande papel nas considerações de fundo da presente situação, tem a lamentar duas vítimas mortais resultantes dos ataques terroristas. Esperemos que esse facto não seja apropriado indevidamente pelas partes envovidas no processo político nacional conducente à formação de um governo estável. Já ouvimos, aquilo que teria sido dispensável, de indivíduos com alegadas responsabilidades no espectro político nacional - Ana Gomes já deu o seu contributo para a ideia da excepcionalidade governativa dos socialistas e o seu particular talento para gerir crises terroristas. Francois Hollande deve ser a figura que serve de inspiração, o socialista-modelo a partir do qual se pode obter o decalque perfeito de administração interna. Francamente, Portugal não precisava disto.

publicado às 17:50

Adriano Moreira na SIC N

por Nuno Castelo-Branco, em 30.07.15

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 Numa entrevista transmitida pela SIC N, o Prof. Adriano Moreira referiu-se a temas da actualidade, entre estes a questão premente do vazio absoluto quanto à falta de estadistas, pecha que infelizmente tomou conta de todos os sistemas representativos, desde Lisboa a Varsóvia e de Londres a Sofia e porque não ousar dizê-lo?, a Atenas. De uma forma sumamente elegante, A.M.  arrasou o Sr. Hollande e a sua estapafúrdia pequena ideia brilhante de isolar a Alemanha, para isso recorrendo ao directório dos fundadores da CEE. Estejamos desde este momento descansados, a Alemanha não o permitirá. Se é disso mesmo que deveremos falar como incontornável manifestação da reserva mental do presidente francês, o que mais nos importa tratar é aquele horizonte próximo, o de 4 de Outubro e os dias que se lhe seguirão. A isto se limita a estreiteza de visão de quem alternadamente tem comandado este país.


Na situação em que a Europa se encontra, dois meses são uma eternidade, havendo obrigatoriamente a considerar algumas hipóteses que decerto todos conhecemos. Pouco interessará agora discutir ou não o caminho único ditado pelas evidências de uma conjuntura difícil. Num momento em que os acontecimentos no Médio Oriente vão acumulando atrocidades sobre a péssima política que a NATO insiste em impor nos últimos anos - Síria, Iraque, Líbia, Ucrânia, Cáucaso -, o Mediterrâneo surge como segunda frente, não podendo a Europa insistir em ignorar os boat people que quotidianamente chegam às praias do flanco sul da União Europeia. Isto, quando muito mais a norte, as entradas do túnel da Mancha já se encontram sob insuportável pressão de migrantes em busca daquilo que, gostem ou não os situacionistas de encarar como realidade, é o Estado Social. Bem vistos os factos, tudo se resume a este factor: o Estado Social, ou por palavras internacionalmente reconhecidas, o Welfare State.

Entretanto, em Portugal estamos entregues a esterilidades eleiçoeiras, como se os nossos problemas fossem imunes à situação geral que sem convite nos entra pela sala em cada telejornal. Segundo declara A. M., tanto Pedro Passos Coelho como António Costa estarão então na iminência da suprema prova de fogo que segundo todas as sondagens têm indicado, chegará na própria noite eleitoral. É a sua reacção perante os resultados, que informará o país - e a Europa - se temos ou não temos estadistas. A eles caberá a ingrata tarefa da conciliação do aparentemente inconciliável, de dar remédio a tudo o que neste preciso momento parece ser irremediável. Manifesto o meu profundo cepticismo, este regime é - como desde a sua génese sempre foi -  uma fedorenta mixórdia de interesses entrecruzados de ganância e total inépcia ditada por larvar ignorância. 

Adriano Moreira voltou a referir aquela evidência que todos conhecemos, embora alguns insistam fingir ignorar: desde a fatídica tarde do 1º de Fevereiro de 1908, o país que ainda conhecemos por Portugal, deixou de poder contar com o decisivo Poder Moderador que a Carta atribuía ao Chefe do Estado, o Rei. Sublinhando ainda mais a mensagem, o antigo presidente do CDS mencionou o papel desempenhado por Isabel II, que teoricamente sem poderes reais, merece sempre aquele bem conhecido ...listen the Queen.

Infelizmente não podemos aconselhar os nossos sofríveis políticos a fazerem o mesmo, neste momento entretendo-se com mais um afiar de facas para mais um agora é que é!, difundindo esperanças sobre gente a quem falta qualquer padrão de idoneidade, quanto mais de representação de uma história quase milenar. Lembram-se dos excitados de há dez anos, quando enchiam resmas e resmas de páginas com sonhos de uma 4ª república, a presidencialista do Sr. Cavaco Silva? Onde isso já vai...

* Adriano Moreira conta com 93 anos de idade e apesar de repetir-se numa meia dúzia de temas, há que colocar a questão: quando Salazar deixou S. Bento (1968), o que teria sucedido a Portugal se em vez do indeciso Marcelo, Américo Tomás tivesse escolhido A.M.?

publicado às 23:35

Dráchmula - a lenda do vampiro grego

por John Wolf, em 09.07.15

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Parece que o Drachma já foi avistado. Segundo algumas testemunhas, que desejaram manter o anonimato, houve uma aparição enigmática da (re)nova divisa grega. O terror que gira em torna da ressurreição da moeda deve ser afastado. A implementação da divisa talvez seja a melhor coisa que possa acontecer aos gregos - o acaime que os humilha deixará de ser a regra. A soberania monetária será readmitida. A liberdade para escolher o seu próprio caminho de Austeridade estará aberto. E no dia seguinte, o investimento directo na Grécia será assinalável. Os tempos não serão fáceis, mas a liberdade, mesmo que negativa, será efectiva. O mercado interno, nomeadamente o do sector agrícola, será dos primeiros a ganhar relevo. Tsipras não irá trair o resultado do Referendo. Um Não é um Não. Se o fizesse estaria a apunhalar o acervo de que tanto se orgulha, o património democrático, a invenção helénica. A dor, apanágio das prioridades políticas, é inevitável, seja qual for o tema de cinismo que adoptem. A pergunta colocada e que não mereceu resposta: existe paliativo para o dogma, seja de Esquerda ou de Direita? Penso que não. Mas as ideias voltarão a ter valor real quando afastarmos os eufemismos da salvação ou a teimosia do descalabro. A história acontece por vezes.

publicado às 21:07

Oximóron a 61%

por John Wolf, em 05.07.15

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A Grécia celebra efusivamente. Derrotou a Austeridade. Esmagou o monstro. Escorraçou o papão. O fim das dificuldades e atribulações foi decretado. Meteram tanto medo ao dragão que este nunca mais tornará. Todo o dinheiro do mundo irá cair dos céus e irão viver felizes para sempre. Tsipras e o Syriza conseguiram instigar o delírio político. Assistimos a ficção ideológica. Observamos a arte de tábua rasa. Pelo menos 61% acredita nesta fábula. Na ficção do renascimento, a obliteração de vidas passadas. Ágora, agora. Os gregos decidiram que os restantes estados-membro da zona euro podem ficar no Euro. E nenhuma das restantes nações do concerto europeu será expulsa do Drachma. A Grécia irá salvar os outros países da periferia. A palavra Democracia será partilhada com todos os irmãos da Europa. A patente de auto-determinação ficará livre e ao dispor da humanidade. Oximóron.

publicado às 20:23

Que impacto terá um Grexit em Portugal?

por Fernando Melro dos Santos, em 03.07.15

 

 

 

publicado às 17:56

Tsipras pode agradecer ao Multibanco

por John Wolf, em 28.06.15

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Podem agradecer às caixas Multibanco não haver tiros, mortes e sangue nas ruas de Atenas e outras cidades gregas. Se não fossem as ditas caixas, decerto que a fúria da falência iminente transbordaria para outras formas de levantamento - não vai a bem, vai a mal. A tecnologia, já com décadas de existência, está a servir de válvula de escape para milhões de gregos ávidos por lançar a mão às suas poupanças. No entanto, amanhã a história será outra. E no dia seguinte outra ainda. Uma corrida aos bancos não é uma maratona. 

publicado às 13:42

Grécia e o grande conflito europeu

por John Wolf, em 28.06.15

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A ruptura negocial de Tsipras com os parceiros europeus remete o drama grego para outro patamar de preocupações. Será no plano interno daquele país que os verdadeiros perigos serão expostos num primeiro momento. A toada nacional-esquerdista, imbuída de patriotismo helénico, poderá facilmente descambar para um Estado fascista. Se o povo grego votar em Referendo a aceitação do pacote de ajuda que arrasta mais Austeridade, Tsipras deve, democraticamente, se demitir, mas tenho sérias dúvidas que o faça dado o seu perfil de intransigência. A partir desse momento vislumbram-se alguns cenários mais drásticos. A saber; um golpe militar com a instituição de um regime de coronéis; a convocação contrariada de eleições em virtude da dissolução do governo e a ascensão de uma força nacionalista; a eclosão de um conflito armado com um vizinho regional com o apoio logístico e ideológico da Rússia; um ou vários assassinatos políticos; ataques terroristas de falanges políticas gregas dispostas a acentuar a dissensão interna e intimidar a comunidade internacional. No entanto, as instituições convencionais da política europeia restringem-se a consternações de ordem económica e financeira e os media insistem que é a política que move as diversas partes envolvidas. Enquanto pensam em controlar os danos decorrentes da corrida aos bancos a que já assistimos fora do horário normal de expediente, outras ramificações devem ser tidas em conta de um modo muito sério. A União Europeia para além de estar a braços com uma crise económica, social e financeira de um dos seus estados-membro, terá de encarar desafios de ordem geopolítica para os quais não está devidamente apetrechado. A Política Externa de Segurança Comum é um dos outros pilares da construção europeia que carece de uma estrutura sólida e eficaz no seio das consternações externas de uma Europa comum. Por essa razão, a opção transatlântica ainda merece grande consideração. Os EUA jogam desse modo na sombra do tabuleiro da política europeia. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) deve, face aos desenvolvimentos da situação na Grécia, pensar nas implicações decorrentes do agravamento da crise europeia. Embora haja uma tendência inata, resultante da paz longa do pós-segunda Guerra Mundial, para pensar na normalização do quadro de relações, a verdade é que ao longo da história da humanidade, a estabilidade política e económica tem sido a excepção e não a norma. Tempos difíceis aproximam-se a passos largos e de nada serve deitar as culpas a uns ou a outros. A história é isto mesmo. Irrascível, mas explicada por modelos racionais.

publicado às 08:03

A vitória dos neo-liberais gregos

por John Wolf, em 23.06.15

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O governo de Tsipras, em nome da Grécia e do seu povo, não pode cantar vitória. A conclusão de um acordo com os credores não passa de um adiamento de uma falência inevitável. Por outras palavras, trata-se apenas de  política assente no oportunismo e na vantagem limitada. Quanto custarão seis meses de alívio e a falsa sensação de segurança económica e financeira? O futuro dirá de um modo avassalador. O fôlego ganho pela Esquerda vai depender de uma botija fornecida pelo sistema financeiro que tanto foi atacado. Serão os neo-liberais e todas as instituições que gravitam em torno de um sistema financeiro hiperbolizado que terão o domínio da situação e da submissão dissimulada por aparentes sucessos. A política é uma fonte inesgotável de ironias. Serão as instituições financeiras capitalistas assentes na usura e na exploração que irão lançar uma linha de vida aos gregos. Os helenos não seguem o caminho da autonomia política e económica. Acorrentam-se ainda mais aos credores que tanto quiseram sacudir. A falsa dictomia lançada entre a alegada Esquerda e a Direita não passa disso mesmo. Um espectáculo cinicamente apaziguador de ânimos exaltados, diálogos sem expressão genuína, a prospectiva alteração de paradigma adiada até ao próximo pânico. A Europa será fiel a si. A União Europeia enverga a camisola amarela, distribui prémios aos perdedores e reclama para si o estatuto de entidade civilizadora. Os especuladores por esse mundo fora agradecem as benesses dadas pelos políticos. As bolsas disparam, os títulos valorizam, e existe dinheiro sério à mercê do peixe graúdo. Amanhã espero que aqueles que se encontram na fila apresentem também as suas senhas e listas de exigências. Espanha, Itália e Portugal podem ir ensaiando as linhas teimosas de argumentação hegeliana, para atingir a kantiga da paz perpétua que a Grécia afirma alcançar. Deus tende piedade de nós. A tempestade vai ser violenta.

publicado às 10:34

Tsipras, o incendiário da Europa

por John Wolf, em 01.06.15

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Amanhã é o primeiro dia do resto das nossas vidas - bem que podia ser o título da canção para acompanhar o filme de Tsipras e a lenda da Grécia no Euro. Mas antes de continuar a insistir no lirismo desta saga, convém sublinhar o seguinte respeitante a uma eventual saída grega do Euro. Em primeiro lugar, a mesma já está a decorrer. Há largos meses que milhares de milhões de euros têm vindo a fugir daquele país. As quantias detidas em depósitos bancários têm vindo a diminuir a um ritmo assinalável, mas não significa que tenham sido apagadas do balancete da economia europeia. Bem pelo contrário. Esses dinheiros foram transferidos para outros destinos onde o Euro é a divisa oficial. Por outras palavas, os outros países da Zona Euro têm beneficiado com este processo de letargia política e monetária. A máxima tempo é dinheiro serve na perfeição para diagnosticar metade do problema - a saída de capitais da Grécia e não o inverso. Segundo as últimas confissões de fontes oficiais, a haver uma saída grega, Tsipras e o que restar do seu governo, terá todo o interesse em infligir os maiores danos possíveis aos países da zona Euro - os únicos responsáveis por todos os males e aflições da nação helénica. De fonte de inspiração para revoluções ibéricas e não só, Tsipras passará a ser o arguido principal de algo mais gravoso - o semear de caos e dissensão na Europa. Nem vou arrastar outras nuances de vendetta, como o abraço fraterno a Putin e a clara demarcação em relação ao projecto de construção da União Europeia. Poderemos afirmar, com pouca margem de reserva, que um desfecho dissidente da Grécia, servirá em última instância para o início de algo negativo - o redesenhar de fronteiras ideológicas acentuadas. A traição da Esquerda será o mote para o avanço de propostas ultra-conservadoras um pouco por toda a Europa. Nessa medida, Tsipras pode ser chamado à liça como obreiro da ascensão de regimes deploráveis, nacional-facciosos. A Esquerda revolucionária que invoca a libertação esclavagista poderá bem ser a responsável pela morte do consenso, as facadas dadas na Europa que ostenta os falos maiores da Democracia. Não esqueçamos por um instante sequer que estes lideres foram eleitos. Emanam da opção terrena, da escolha livre e iluminada de quem acredita em ilusões, mas que encontrará no seu caminho um destino mais penoso. Legítimo, dirão alguns, mas pesaroso.

publicado às 19:13

Greece - living on the edge

por John Wolf, em 23.04.15

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A União Europeia (UE) será leal para com a sua matriz - a Europa. Ao longo da história dos últimos 50 anos do velho continente sempre vingou a ideia de preservação. Um conceito decorrente da devastação e da paz que se seguiu à Segunda Grande Guerra. Nessa medida intensamente condicionante, podemos localizar a questão grega. A Grécia faz parte desse alegado património de estabilidade, e os políticos que fazem parte da contemporaneidade assumem um modelo de percepções. Ou seja, agem de acordo com as expectativas dos cidadãos dos Estados-membro da UE. E aqui reside grande parte do problema. A bifurcação, a separação entre aquilo que deve ser feito e aquilo que efectivamente acontecerá. As mais recentes movimentações greco-alemãs apontam para uma solução forjada, a resposta híbrida de aparente capacidade de superação da Europa em nome do grande desígnio comunitário. A haver acordo, e consequente transferência de fundos para a Grécia, o problema será apenas preterido, adiado para data futura, mas com a agravante da "próxima" emergência ser ainda mais épica, de proporções muito maiores. Em todo o caso, material e substantivo, a Grécia já se encontra em default, enquanto que nos antípodas desse balancete prevalece a ideia de salvar a face a todo o custo. Foi para isso que os membros do Parlamento Europeu foram eleitos. É para isso que presidentes de Comissão Europeia são escolhidos - para garantir os níveis mínimos de ficção política. Temo, que a cada dia que passa,  algo verdadeiramente dramático esteja para acontecer. E os políticos, domésticos ou internacionais, não foram programados para avisar as populações dos verdadeiros perigos que correm. We are living on the edge.

 

foto The Economist

 

publicado às 20:48






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