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"The New York Times" mostra Portugal como um país desolador
Um país em que 21% dos idosos vive na pobreza, em que dos 1,4 milhões de desempregados apenas 370 mil recebem apoios mensais do Estado, referem as legendas da fotogaleria do "The New York Times" sobre Portugal.
O site do "The New York Times" publicou uma fotogaleria acompanhada por números que dão conta do sério agravamento das condições de vida dos portugueses.
Retratos de sem abrigo, de idosos, de imigrantes pobres e de jovens de malas feitas para emigrar, das manifestações e dos confrontos em frente à Assembleia, ou de um cemitério e um edifício devoluto, surgem na fotogaleria intitulada "Portugal aprova mais um pacote de austeridade".
"Cerca de 21% dos idosos em Portugal vivem atualmente na pobreza (...) 1,4 milhões de desempregados (quase 16% da população), dos quais apenas 370 mil recebem apoios mensais do Estado (...) 735 mil edifícios devolutos" são alguns dos números que acompanham as 16 fotografias que retratam a deterioração da situação social deste país situado no extremo ocidental da Europa.
A tudo isto temos de dizer: Obrigado, Pedro Passos Coelho, por, para além de destruíres Portugal por dentro e a esperança de milhões de Portugueses no seu futuro, teres também conseguido destruír a nossa imagem lá fora. Há melhor cartão de visita de um País junto dos tais estrangeiros abonados, os que queres cá trazer como turistas? Quantas campanhas de imagem de Portugal no exterior é que esta simples reportagem fez ruír?
‘O Governo tem estado bastante bem nas respostas que tem encontrado para a crise financeira, que, de resto, não são respostas muito originais, são concertadas ao nível europeu, mas que têm funcionado bem em Portugal’.
Pedro Passos Coelho
Quando em início de Setembro por duas vezes aqui lançámos o nome de Rui Rio como sucessor de Pedro Passos Coelho e antecipámos os cenários possíveis, estávamos isolados nessa análise. Mas quase que parecia que tínhamos sido ouvidos, quer em Belém, quer no Largo do Rato. Para além do PSD "profundo", como é evidente. Da Presidência, naturalmente, não chegam notícias. Da parte do PS, porém, eis que ontem ouvimos o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de José Sócrates, Augusto Santos Silva, um homem do Porto, fazer precisamente a mesma análise que aqui deixámos. Parece que, afinal, o Plano B existe mesmo. Mas, ao contrário do que a maioria pensa, não inclui Passos nem Gaspar. Há um Rio que se avista no horizonte...
Um Governo que se caracteriza não por agir mas sim por reagir. Um Governo que lança medidas socialmente injustas ou verdadeiramente surrealistas (essa de taxar em 10% o subsídio de desemprego não lembrava ao diabo...). Um Governo que conseguiu que ninguém em Portugal saiba qual é a sua vida num prazo de 6 meses ou se tem emprego no dia a seguir, que torna impossível que um cidadão saiba se pode ou não fazer uma despesa extra porque não tem a certeza se a poderá pagar. Um Governo que expulsa os melhores do País. Um Governo que hoje anuncia uma coisa e amanhã faz outra bem diferente. Um Governo em que alguns depositaram esperança, deram o seu voto e que tem no seu seio, inclusive, alguns (poucos) bons ministros e secretários de Estado mas que é dirigido por dois incompetentes: a dupla Passos-Gaspar. Este é o Governo de Portugal. Para ajudar à festa, um Presidente da República acantonado em Belém e sem saber o que fazer, rezando diariamente para que "o tirem deste filme". Em suma, os agonizantes últimos dias da III República ao vivo e a cores. Na rua, porque o cinema, esse já fechou.
De uma sondagem ontem revelada, da autoria da Eurosondagem, S.A. para o Expresso e SIC, e realizada de 4 a 9 de outubro de 2012, podem-se tirar algumas importantes conclusões, a que se pode chegar a partir dos números divulgados:
1. A esmagadora maioria dos portugueses não confia neste Governo.
2. A maioria dos portugueses acha que o Governo não vai chegar ao fim da legislatura.
3. O ministro Vitor Gaspar "caíu em desgraça" junto da população que no mesmo não confia.
4. Ao contrário do que lhes pretendem fazer crer, os portugueses consideram que existem alternativas para o equilíbrio das contas públicas.
5. O Governo está a distribuir de forma desigual os sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses.
6. A austeridade em Portugal atingiu todos os limites do razoável.
Conclui-se pois que, ou "isto" leva uma volta de 180 graus, ou o Governo e os partidos que o apoiam bem podem começar a fazer as malas.
Jornal i dá à estampa a "capa" que ontem mesmo aqui publicámos. Há quem leia o Estado Sentido. E fazem muto bem.
Quem, como a Islândia, não se colocou nas mãos dos especuladores internacionais - TROIKA - fez o seu próprio caminho e teve sucesso. Passos e Gaspar aliaram-se aqueles que liquidam desde há décadas países e povos. Ou seja, preferiram vender a Pátria. A história registará este momento.
Mais do que a remodelação no Governo ser inevitável, o que é imperioso é a remodelação do desgastado e desanimado Governo de Pedro Passos Coelho, ou seja, a sua substituição por outro, não necessariamente de diferentes cores partidárias, mas, pelo menos, com outro líder e sem que haja recurso a eleições, que quase ninguém deseja. Passos dá mostras diárias de público desnorte e incompreensão do País. Os portugueses não percebem Passos e Passos não percebe os Portugueses.
Ponto final. Parágrafo.
E quando aqui se chega mais vale partir para outra. O PSD profundo já o percebeu. O CDS sabe-o de há muito. Agora falta que as "forças vivas" afastem o líder, ou este se auto-afaste, e mudar. Vários candidatos da área do PSD poderiam ser apontados para uma tarefa ciclópica mas que não deixará de ter o Parlamento como necessário suporte à espinhosa missão de governação pós-Passos. Luís Marques Mendes - o homem com maior capacidade de análise e previsão política em Portugal - tem a desvantagem de ter chegado cedo de mais à presidência do PSD e, dificilmente, "a água corre duas vezes debaixo da mesma ponte". José Eduardo Martins, de uma geração mais nova, mas com a experiência que Passos não tem, teria certamente dificuldade imediata em trocar a advocacia por uma tarefa gigantesca de liderança, sem prejuízo de, eventualmente se poder perfilar para participar numa nova e eficaz solução de governação. A hora é pois, e claramente, de RUI RIO. E Rio está na linha da frente para a protagonizar, como o escrevemos há semanas aqui nestas páginas, aliás de forma isolada até ao momento em toda a blogosfera portuguesa. Bem aceite em Belém, Rio mantém uma auréola de grande rigor de actuação junto da opinião pública, não se vergando a quaisquer pressões, nem mesmo as do poderoso FC Porto. Com formação germânica, que admiramos por, a exemplo dele, a compartilharmos (enorme vantagem para Portugal porque sabe como os teutónicos pensam e a forma mais eficaz de os convencer), Rio junta o rigor de gestão alemão ao conhecimento que tem da realidade nacional. Mas, ao mesmo tempo, o necessário distanciamento das estruturas partidárias laranjas, que sempre fez questão de cultivar. Rio tem dado nas últimas semanas discretas, mas relevantes, notas públicas da sua disponibilidade. Em primeiro lugar porque pôs o dedo na ferida e apontou, e bem, as falhas da actual governação e do sistema partidocrático existente, defendendo, ao contrário de quase todos, o "aumento do prestígio dos políticos", contra os "poderes fácticos fortes". Por outro porque deu mostra pública de saber fazer a ponte com o PS, ao condenar, e bem, "linchamentos na praça pública. Ademais aponta caminhos acertados e diferentes, coisa que mais ninguém faz nos últimos tempos, pelo menos dentro do PSD. Tem, por último, que não em último lugar, uma grande vantagem: é bem aceite pelo parceiro de coligação CDS, que lhe reconhece competência técnica e política, coisa que nunca aconteceu com o impreparado Passos, um produto exclusivo, mas falhado, de uma, até então, aparentemente bem urdida campanha de marketing do seu mentor, Miguel Relvas.
Post scriptum - Uma última nota, em antecipação e exclusiva para os potenciais detractores deste meu post, falível como não pode deixar de ser, quando se abordam matérias políticas com um elevado grau de futurologia: não conheço Rui Rio e, ao invés de muitos, não aceito "encomendas". Ademais sou monárquico, logo aposto, e luto, mas de forma democrática, pela queda do Regime. O que não significa que, entretanto, não possa contribuir, através da análise e de apresentação de propostas políticas para que este, enquanto existir, não possa trazer mais felicidade aos Portugueses. Afinal, não é para isso que serve a Democracia?
Muitas vezes somos acusados de criticar sem nada propor em troca. É uma injustiça, evidentemente. Ainda assim, e de forma totalmente graciosa, oferecemos uma proposta directa para o Dr. Gaspar. Já que nas Fundações a coisa parece complicada, e se extinguisse 9/10 destes "Observatórios" da era Socrática, não era boa ideia? Não se poupariam uns Eurios? Aqui vai a "curta" lista:
PS - Pode poupar o dos endividados. Esse faz falta! |
"Quando ficou claro que o caminho escolhido era o empobrecimento generalizado, quando os portugueses perceberam que todos os sacrifícios foram em vão e que os que se agora pedem também o serão, quando resolveu pôr em causa o equilíbrio social, o Governo perdeu o respeito das pessoas e assinou a sua certidão de óbito. Era, ao menos, desejável que mantivesse a compostura. Que preservasse o mínimo de dignidade institucional. Mas, como em muitas coisas neste Governo, seria pedir demais. O Governo insiste em oferecer-nos o espectáculo do seu estertor.
Assistimos, bastante irritados, a um primeiro-ministro que pára um País para anunciar uma medida que nitidamente não estudou, nem mediu as suas consequências, para uns dias mais tarde vir dizer que afinal a vai modelar, demonstrando que não tinha percebido o que estava em causa. Depois de ver as centenas de milhares de pessoas que desfilaram, na semana passada, começou a perceber a dimensão da sua negligência e o colossal erro que tinha cometido. É bem demonstrativo da quebra de ligação entre um primeiro-ministro e o povo que governa, serem precisas manifestações daquele tamanho para que ele pensasse voltar atrás com a sua decisão - e é no mínimo curioso, para quem dizia que não governava em função de manifestações. Revela bem o seu isolamento ter ficado surpreendido com a reacção de todos os parceiros sociais.
Um homem que toma uma decisão daquela importância e depois recua por não ter estudado, reflectido e ouvido muita gente, pode não ser cego, surdo e mudo, mas falta-lhe obviamente alguma coisa para poder ser primeiro-ministro. Qual será a próxima medida estratégica não pensada a ser apresentada que passado uns dias irá parar ao lixo?
Observamos Passos Coelho a ser publicamente humilhado pelo Presidente da República quando pede a comparência de Vítor Gaspar para que explique ao Conselho de Estado as alterações à TSU. Para a humilhação ser completa, o Conselho de Estado emite um comunicado que é uma espécie de açoite ao primeiro- -ministro: congratula-se com decisões dos países da Zona Euro em relação à disponibilidade do BCE para comprar dívida no mercado secundário e em prosseguir com políticas de emprego e crescimento, ou seja, tudo ao contrário do que Passos Coelho tem defendido. E, claro está, de braço ao pescoço, o primeiro-ministro anuncia ao Conselho de Estado "o estudo de alternativas à alteração da TSU"(...)
O estertor nunca é um espectáculo dignificante, mas o que estamos a assistir está para lá do suportável.(...)
"Surpreendentemente, há quem ache que uma remodelação poderia dar um novo fôlego ao Governo. Esqueçamos, por instantes, que os cadáveres não respiram. Só alguém completamente alheio da realidade pode acreditar que existe um profissional competente que aceite fazer parte dum Governo que tem por estratégia a implementação duma política que vai levar o País ao mais absoluto caos.
E será que alguém crê que um homem ou mulher com capacidade para exercer funções governamentais aceitaria ir para um Governo com uma orgânica que o faz completamente inoperacional? Ou pertencer a um Governo sem o mínimo de coordenação política ou núcleo político forte? Ou aceitar fazer parte dum Governo em que os ministros dos dois partidos não confiam uns nos outros, sobretudo Passos Coelho e Paulo Portas? Ou ter de alinhar com as políticas suicidas de Merkel e Cia.? Ou estar num Executivo em que Relvas e Gaspar põem e dispõem? Claro que não. Mas vamos imaginar que o primeiro-ministro prometia ao tal profissional uma mudança. Que tudo iria ser diferente: nova política, nova coordenação ministerial, boys partidários expulsos, gente competente e conhecedora do País, fim da patetice populista do Governo pequeno, fim do Governo paralelo chefiado por Borges mais comissões e grupos de trabalho. Acreditaria o tal cavalheiro que o primeiro-ministro iria de facto mudar? Obviamente que não.
O responsável por o Governo ter chegado ao estado a que chegou é o primeiro-ministro. Passos Coelho matou o Governo, não será ele a ressuscitá-lo. E nada mudará enquanto ele for o primeiro-ministro."
Pedro Marques Lopes, O estertor
Ouvir "Tudo o que se passou desde 7 de setembro", da TSF, aqui.
«[O ministério] não deve um cêntimo [aos bombeiros] e faço honra disso.»
Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, 29 de julho
«[O ministro Miguel Macedo está] equivocado [porque deve] muito, muito, muito, muito dinheiro [às corporações]
Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses e antigo deputado do PSD, 29 de julho
Vítor Gaspar — 19 de Março de 2012:
"A data crucial para o regresso aos mercados é 23 de Setembro de 2013 e certamente que esperamos ter crescimento positivo antes disso.”
Passos Coelho — 7 de Abril de 2012:
"Eu não sei se Portugal regressará aos mercados em Setembro de 2013 ou mais tarde"
E porque duas opiniões não são suficientes, ficámos mais "tranquilos" quando ouvimos o porta-voz do primeiro-ministro, Miguel Relvas: ninguém foi enganado, disse de foma categórica, para depois acrescentar, de forma menos peremptória: em circunstâncias normais vamos cumprir os nossos objectivos....
Com tanta e contraditória opinião, com palpites a três vozes, a única questão é mesmo a de se saber se os Portugueses ainda confiam nestes governantes que andam, literalmente, "aos papéis"...