Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Execução de monárquicos no Irão

por Nuno Castelo-Branco, em 08.02.10

 Shirin Ebadi: "Arash's crime was being a member of a monarchist group"


Shirin Ebadi, 62, was awarded the Nobel Peace Prize in 2003 for her long career as a human rights lawyer in Iran. She spoke to The Sunday Telegraph during a stay in London. She answered Angus McDowall's questions concerning the execution of Mohammad Reza Ali Zamani (37) and Arash Rahmanipour (19) on 28th January 2010 (as reported here).

The Sunday TelegraphDid the protesters who were sentenced to death in Iran receive fair trials?

Shirin EbadiThe recent executions in Iran were not justified and I'm totally against it.

 

Leia mais  A Q U I

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:46

Os aiatolás enforcam dois resistentes monárquicos!

por Nuno Castelo-Branco, em 29.01.10

 

 

Do nosso colega Radical Royalist:

 

Mohammad Reza Ali Zamani (37) and Arash Rahmanipour (19) were executed on 28th January 2010. According to his indictment, Zamani´s conviction for the capital crime of Mohareb, or "taking up arms against God," was based on his membership in the pro-Royalist group, Anjoman-e Padeshahi-e Iran, and on allegedly meeting in Iraq with United States operatives and receiving money from a source based in the US, all for the purpose of instigating unrest in Iran. According to his lawyer, the other defendant, Arash Rahmanipour, had been forced to confess to membership in the same group.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 19:00

O Domínio dos Deuses

por Nuno Castelo-Branco, em 24.07.09

 

Após o simulacro eleitoral que consagrou a fraude Ahmadinejad, as manifestações contra o regime criaram as há muito esperadas clivagens internas dentro do mesmo. Se Moussavi não passava de um dos escolhidos pela liderança teocrática, a ultrapassagem desta pelos seus próprios acólitos fazia prever a escalada que agora se verifica. Surgiram as primeiras divergências entre Khamenei e o "presidente eleito" e o termo que a imprensa internacional veicula a respeito da exigência do aiatolá, é o ultimato. Simplesmente, torna-se inaceitável a indigitação de Esfandiar Mashaie para o cargo de primeiro vice-presidente de Ahmadinejad.

 

O Irão é um vasto país cuja dicotomia entre as populações urbanas e contestatárias e uma mole conservadora e rural, ainda não pode ser realistamente avaliada quanto ao verdadeiro peso relativo do sector que pedindo reformas, na verdade parece apresentar estas como uma primeira fase para a própria substituição do regime. Os mais educados, a gente da classe média e empresarial, pouco em comum têm com os habitantes das zonas rurais, profundamente influenciados por uma estrutura patriarcal perfeitamente dominada pelo clero.

 

Homem de palha dos mulás, Ahmadinejad provavelmente cederá às imposições de Khamenei, mas o simples facto da própria liderança ditatorial iniciar  uma fase de conflitos internos, consiste numa excelente notícia que só o decorrer dos próximos meses poderá ou não confirmar. No entanto, é importante o surgimento de um Tullius Detritus dentro da liderança de Teerão. Oxalá!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:56

Ahmadinejad, o novo "sarnento"

por Nuno Castelo-Branco, em 01.07.09

 

O sr. Ahmadinejad começa a experimentar as agruras daqueles que passam subitamente a ser olhados como presenças incómodas em qualquer acto público frequentado por "gente decente". Até a cimeira da União Africana, evento que congrega sempre uma multidão de ditadores torcionários, simples vigaristas e ladrões alçados a supremas magistraturas, encara o convite líbio a Ahmadinejad, como um incómodo. A África depende do interesse da União Europeia e de facto, a posição da generalidade dos europeus quanto ao absurdo, selvático e retrógrado regime há trinta anos implantado no Irão, é de absoluta desconfiança e hostilidade. No momento em que definitivamente se abriu o caminho para uma nova fase onde a queda dos aiatolás se torna numa possibilidade bastante credível, o convite de Kadhafy nada mais é, senão uma folclórica provocação ou a desesperada tentativa de encontrar aliados no velho sistema do primus inter pares. Além do mais,  os negócios com os europeus, pesam infinitamente mais que platónicas declarações de uma impossível solidariedade.

 

Enxotados pelos africanos, detestados pelos árabes e abertamente hostilizados por europeus e americanos, estamos cada vez mais próximos do dia em que os verdugos dos iranianos - Khamenei, Ahmadinejad, Khatami, Moussavi e outros -, não poderão colocar um pé fora das fronteiras do seu país e quem sabe?, da sua própria casa. É a justiça que tarda mas infalivelmente virá. A perspectiva de um "fim à romena" ergue-se no horizonte.

 

Entretanto, vislumbrar o futuro torna-se sempre num exercício gratificante e esta comunicação de Reza Pahlavi pode ser uma perspectiva de um outro Irão, bem mais consentâneo com a velha Pérsia a quem tanto devemos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:08

Irão: uma pergunta sem resposta

por Nuno Castelo-Branco, em 29.06.09

 É sempre difícil dialogar com gente recheada de manias e principalmente, de joelhos perante os promotores daquilo que alguns estabelecem como "o politicamente correcto". O tema Irão está nas bocas do mundo e torna-se inevitável a descoberta sem surpresas, daquela gente que sendo "avançada", torce-se e contorce-se para defender a impossível "causa da independência iraniana", ou de forma mais curta e grossa, o bando dos aiatolás e apêndices Ahmajdinejadianos. Invariavelmente, os defensores dos obscurantistas são gente "de esquerda", aquela mesmo que nos entra quotidianamente pela casa adentro e sem pedir licença, beneficiando do sofrível estatuto de politólogo, comentador, etc. 

 

Irritam-me aqueles estafadíssimos argumentos da "ameaça de agressão", ..."o Irão precisa do nuclear para se defender"..., "existe uma conspiração para roubar o petróleo iraniano", ..."querem reeditar o derrube do Mossadegh"..., ..."é a única forma de proteger a independência do país"..., ..."a repressão existe apenas contra os agentes subversivos estrangeiros", etc.

 

Como pode ser ainda possível que esta gente inisita em utilizar os mesmíssimos argumentos que serviram para sustentar todo o tipo de agressões, chacinas exterminadoras - os genocídios -, roubos, ferozes ditaduras, enfim, um infinito rol de iniquidades que caracterizaram o século XX?  

 

É inútil perder-se mais tempo a "gastar o latim" e fatigado por tanta reserva mental, estupidez, credulidade e sobretudo, hipocrisia, coloquei  apenas uma questão: ..."se eles estão assim tão seguros do poder, tão certos na sua política, então porque razão estava o mundo inteiro há apenas um mês a discutir a possibilidade do Irão aceder ao nuclear e agora, falamos abertamente na iminente  queda do regime?"

 

Questão à qual não me deram (ainda) resposta.

 

Não a têm, felizmente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 19:27

É este o homem que faz falta

por Nuno Castelo-Branco, em 29.06.09
Quando comparamos os red-necks no poder em Teerão, com um homem informado e moderno como Reza Ciro, torna-se urgente a ajuda internacional à sua causa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:52

Notícias persas

por Nuno Castelo-Branco, em 28.06.09

 

 Em plena I Guerra Mundial e para a imprensa directamente dependente dos grandes interesses económicos, dir-se-ia que a Rússia imperial não era aquele giganteso país cujos exércitos haviam salvo a França de uma fulminante derrota no Verão-Outono de 1914, repetindo a façanha em 1916, na Galícia, desta vez enfrentando o exército austro-húngaro.  Os comentadores políticos e a generalidade dos articulistas, impregnados do sentido do politicamente correcto daquela época, invectivavam violentamente o regime czarista, apresentando-o sob as mais sombrias cores, mesmo reconhecendo a vital necessidade de preservação da frente oriental que dados os efectivos e a imensidão da Rússia, garantiam uma previsível vitória final contra a Alemanha. 

 

Apenas alguns anos após a derrota de Tsushima, a Rússia surgia como um prodigioso polo de desenvolvimento, numa complementaridade de sectores apenas possível por uma imensa riqueza geológica, vastíssima superfície de boas terras aráveis e uma população em rápido crescimento e em acelerada fase de urbanização. Como exemplo, os ricos campos petrolíferos do Cáucaso prometiam igualar e até sobrepujar a extracção norte-americana, o que ameaçava directamente os conglomerados empresariais do sector, cerceando-lhes os lucros, concorrendo na distribuição e consequentemente, implicando um crescimento explosivo da indústria russa. No horizonte surgia a ameaça de um colossal concorrente comercial. Assim sendo, todo o estranho processo revolucionário que conduziu a dupla Lenine-Trostky ao poder, obedecerá a múltiplos factores: pela parte das Potências Centrais - oportunistamente acusadas após a guerra de terem sido as responsáveis pela introdução da "mala de bacilos" leninista na Rússia -, interessava a eliminação da frente leste que consumia uma enorme quantidade de efectivos militares, dada a extensão dos territórios onde os exércitos combatiam. O acesso às matérias primas, recursos agrícolas e o sempre presente jogo da geopolítica - onde imperava o princípio da prevalência futura do bloco Eurásia -, consistiram em factores não desdenháveis, dada a situação de estrangulamento imposto aos Centrais pelo bloqueio naval  aliado.  Os milhões de dólares vertidos nos cofres que financiaram a Revolução, a protecção a Trotsky nos EUA - muito assistido e rodeado de luxos cuja proveniência era ao tempo desconhecida - e finalmente, tudo o que decorreu após a 1ª revolução que conduziu Kerensky ao poder, indicia um claro interesse ocidental na subversão da ordem imperial. Caído o regime, a Rússia remeteu-se a um longo período de ruína económica, total dependência de fornecimento de máquinas e equipamentos industriais, colapso agrícola, maciça fuga de quadros técnicos e de gestão, turbulência política e purgas, selváticos morticínios e volatilização do país como agente de primeira grandeza na cena internacional. De facto, a subversão do regime de Nicolau II, a sua queda e o consequente atraso de décadas, cumpriram plenamente os objectivos ocidentais.

 

O Irão consiste num caso diferente, apesar de existirem algumas semelhanças num processo de alteração da ordem política, económica e social. Não possui nem de longe o peso da grande potência europeia cujas fronteiras ocidentais lhe permitem o exercício de esquemas de influência e de "direitos de reserva" na zona báltica, balcânica e do mar Negro. Embora seja com a China, o derradeiro sobrevivente dos impérios da Antiguidade - e isto significa muito para uma população orgulhosa do seu passado histórico -, o Irão apenas pode exercer uma certa hegemonia consentida naquela área do Médio Oriente, sem que tal signifique ombrear com as aparentemente declinantes potências europeias e muito menos, com a grande China, a imensa Rússia ou os EUA. O Xá caiu devido a uma multiplicidade de eventos e mais importante ainda, de factores a priori exteriores a qualquer acto político, económico e até de organização interna do seu regime. Deixou de interessar aos americanos, que neste caso parece terem querido imitar a teoria da Soberania Limitada de Brezhnev, aplicada pela URSS aos seus satélites do leste europeu. No auge da Guerra Fria e com uma interminável instabilidade nascida da independência e consolidação de Israel, parecia lógico e imprescindível, o apoio ocidental aos Pahlevi. O Xá surgia como a única garantia de um certo estilo de vida profundamente influenciado pelos euro-americanos do pós-guerra, segurança regional, poderosa intervenção no sentido de impedir o uso do petróleo como arma desorganizadora da economia de mercado, não sendo também possível negligenciar o factor militar que o quinto exército do mundo representava para a manutenção do status quo na zona. No entanto, os jornais e as televisões ocidentais saturavam os noticiários com denúncias de tortura, dispêndio de recursos com a defesa, "corrupção consumista de privilegiados", desrespeito pelas tradições de antanho, etc. Teciam-se as mais fantasiosas teorias acerca de um futuro mais ou menos distante, quando ameaçado de esgotamento dos lençóis petrolíferos, Reza Pahlevi decidisse apoderar-se dos campos situados nos países vizinhos, previsivelmente no Iraque, Kuwait e Arábia Saudita, fazendo ressurgir o extenso império persa dos tempos imediatamente anteriores a Alexandre.

 

O ocidente acolheu "exilados políticos", mimou a elite reaccionária religiosa com todas as garantias de sobrevivência e possibilidades de agir politicamente. De facto, a França consistiu num autêntico alfobre subversivo, a partir do qual Khomeiny fazia chegar as suas mensagens ao Irão, sem que as autoridades de Paris se preocupassem em impor as elementares regras de abstinência de qualquer actividade política contra um país com os quais mantinha normais relações diplomáticas e que podia ser mesmo considerado como um bom cliente e aliado.  Tal como Lenine foi transportado num combóio da Reichsbann em direcção a S. Petersburgo, o Ocidente fez embarcar o aiatolá a bordo de um avião da Air France, arruinando-se assim cinco décadas de modernização imposta pelo regime imperial. Conhecem-se os resultados desastrosos, sobretudo para a segurança internacional na zona do Médio Oriente. Daquele avião saiu o agente que conduziria à rápida radicalização e sonhos expansionistas de Saddam Hussein, assim como uma pungente vaga terrorista que a partir de então assolou o mundo, ameaçou a segurança colectiva e internamente, fez o país retroceder  muitas décadas naquilo que o progresso social pode significar. No entanto, a queda do Xá afastou por trinta anos, a consecução de um poder hegemónico que ameaçasse seriamente os grandes interesses do sector energético ocidental e toda uma indústria que dele depende. 

 

Esmagada a ameaça iraquiana, volatilizado o Estado no país vizinho e normalizada a situação interna de consolidação do regime teocrático, o Irão preparava-se para subir um patamar julgado improvável há apenas uma década. Teerão tem o perfeito conhecimento do poder dissuasor que a arma final, a bomba atómica, significa para a generalidade da opinião pública americana e europeia, para não dizermos mundial. Um ataque ao estilo "Tempestade do Deserto" e as suas variantes de 2003, tornam-se senão impossíveis, muito problemáticas em termos de consequências imediatas, dado o correspondente desconhecimento do paradeiro de uma parte do arsenal nuclear da antiga URSS, a fuga de segredos tecnológicos militares e a contratação de especialistas por parte de quem almeja a conseguir a chamada arma final. Existindo arsenais nucleares em Israel, na Índia  e no Paquistão, a proliferação poderá tornar-se incontrolável e especialmente catastrófica, devido à tentação em propiciar recursos nucleares a grupos terroristas internacionais, o uso da ameaça bélica para resolver conflitos fronteiriços ou o desencadear destes sob a protecção do guarda-chuva atómico.

 

O regime dos aiatolás promoveu afincadamente a latente situação de guerra no Líbano, patrocinou a criação de Jihads e Hezbollahs, além de claramente ser um dos intervenientes no conflito iraquiano, dada a importância da comunidade xiita neste país. Num momento em que a situação parecia destinada a um nítido aumento de importância da influência iraniana além fronteiras - impossibilitando qualquer solução para a longa crise israelo-palestiniana -, o regime de Khamenei e da sua excrescência civil, o sr. Ahmadinejad, encontra-se sob o crivo da chamada "opinião pública mundial" que há meses vem sido mobilizada de forma discreta mas persistente, no sentido de encarar benevolamente a outorga da condição de Estado pária a um ameaçador, retrógrado e belicoso Irão. O próprio poder instituído em Teerão, corresponde exactamente ao modelo que uma Europa há muito rejeitou, mercê de uma já secular campanha de laicização da sociedade que hoje, pode vislumbrar na antiga Pérsia, uma reedição de um anacrónico esquema organizacional da sociedade. Os ocidentais são por regra  anticlericais e a actual legislação iraniana, a assumida desigualdade de género, os discursos grosseiros, provocadores e radicais de um Ahmadinejad, fazem muito pela criação do tal bem conhecido "estado de espírito" que prepara a opinião pública para a urgente remoção de um tumor maligno na política mundial. De facto, nem Khatami, nem Khamenei, Ahmadinejad ou Moussavi, possuem uma ínfima parte da bonomia, nem do cosmopilitismo refinado e modernizante do Xá, o que facilita enormemente a missão desagregadora a que os media ocidentais se dedicarão com cada vez maior veemência. O Xá, era "um como nós", autoritário, sem dúvida, mas seguro e moderno.

 

O Supremo Líder, o aiatolá Khamenei, acusa as potências ocidentais - nomeadamente os EUA e o Reino Unido - de  promoverem uma campanha de desestabilização da situação interna iraniana. Sabe do que fala, até porque o seu poder deriva exactamente daqueles já longínquos dias de 1978-79, quando essas mesmas potências ocidentais ajudaram a promover a queda do Xá e indirectamente, o estabelecimento da república islâmica. Não só é possível que Khamenei esteja coberto de razão, como também é muito provável. Nesta conjuntura, o regime tal como o conhecemos, tem os dias contados. Agora, tudo se limita a uma simples questão de tempo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:25

Resistir para ajudar.

por Nuno Castelo-Branco, em 24.06.09

  

 

Estas duas últimas semanas têm correspondido plenamente aos anseios seculares da chamada Ummah. De facto, o mundo muçulmano tem preenchido os cabeçalhos da imprensa escrita, enquanto beneficia igualmente da duvidosa honra de abertura de todos os telejornais.

 

Trata-se de uma notoriedade pelas piores razões. A informação global, ao invés de apresentar esta "civilização" com as pinceladas do já há muito fanado brilho do Califado de Córdova, mostra-nos o culminar de um processo já vetusto de uma época em que saídas da camisa de forças do colonialismo - ou mandato - ocidental,  as sociedades de matriz maometana procuraram afirmar uma improvável identidade comum, apenas possível pela crença religiosa. De Marrocos ao Bornéu, jamais existiu essa imaginada unidade que os proselitistas exaltam no fervor dos sentidos, diante das multidões receptivas a uma qualquer mensagem de esperança. Profundamente humilhadas por um longo processo histórico que as conduziu a uma estratificação social - logo político-económica - vexatória a que se resignaram, as gentes recentemente definidas em termos de nação pelas fronteiras de Estados gizados a régua e esquadro pelos nazarin, encontraram num  perdido passado de expansão militar, re-descoberta dos Clássicos e construção de impérios relativamente efémeros, um hipotético modelo orientador para um porvir que emanando directamente do Todo Poderoso, apenas significaria a recompensa pela cornucópia da glória, abundância e superioridade da sua identitária fé. Pouco importariam as realidades apresentadas por uma Turquia em secularização coerciva, uma Argélia satelitizada pela suserania da Santa Mãe do materialismo russo-soviético, ou ainda, a da antiga Pérsia que queria surgir diante da Europa como sua directa antepassada, sem a mediação incómoda  aferrada pelos cavaleiros vindos do deserto do sul e que de cimitarra a tinha subjugado. Pareciam ser aspectos menores diante daquilo que verdadeiramente era capaz de unificar de este para oeste, um novo mundo em formação. Impossível.

 

A realidade internacional saída da II Guerra Mundial e que mergulhando na Guerra Fria dividiu as principais - e até aí hegemónicas - potências  europeias em dois campos, definiu os blocos em liça pela supremacia. Sendo o bloco norte americano um natural prolongamento da Europa, os novos Estados do hemisfério sul continuaram fatalmente a servir como móbil nos jogos de poder, definindo desde a independência qual o dois dos Grandes - os EUA e a URSS - corresponderiam aos desígnios das elites formadas pelo colonialismo e que recentemente chegadas ao poder, esperavam ansiosamente  afirmar-se no palco internacional, por esta forma consolidando  a sua prevalência interna.

 

Embora os europeus e os "árabes" estejam separados por esse mar-de-ninguém que é o Mediterrâneo, desde sempre a História mostrou existir um "amigo e protector" dos muçulmanos. Francisco I de França abasteceu as galeras da Sublime Porta, contrariando a aventura do império mundial de Carlos V. Luís XIV aproveitou o avanço otomano contra Viena, atacando a rectaguarda dos Habsburgo em Espanha, nos Países Baixos, no Franco-Condado e nos mares. Napoleão imaginou uma aliança com o sultão, para poder submeter o bloco austríaco e condicionar os ímpetos do fogoso czar Alexandre. Guilherme II apresentou a Constantinopla a conveniência da assistência prussiana, assumindo-se como protector de um império cujos achaques de "homem doente da Europa" faziam adivinhar um fim próximo. Hitler recebeu o Grande Mufti  de Jerusalém - o único homem a quem permitiu o uso de um cafetã na sua presença - , sancionou o ingresso de combatentes pelo Islão nas SS e no Mein Kampf, afirmava a conveniência que o credo de Mafoma significaria para a organização da sua própria Jihad em direcção a um Lebensraum não apenas material, mas perfeitamente correspondente aos velhos mitos germânicos dos tempos  da vida nas florestas, em oposição à decadência de uma Roma invejada e porque inatingível, tornara-se desprezível e pouco animosa.

 

Uma lista dos chamados grandes homens do século árabe  - na conhecida e errónea vulgarização do termo pelos ocidentais - das independências, demonstra-nos a simples não existência de um único que sendo perfeitamente autónomo relativamente ao odiado Ocidente, pudesse imitar o tolerante e grande chefe que fora o Saladino dos tempos áureos de Bagdade. O líbio Idris, o saudita Ibn-Saud, os egípcios Faruk e Nasser, a plêiade de quase desconhecidos generais que sucessivamente se sentaram no trono do menino Faiçal II do Iraque, os novos Khan-presidentes do artificial Paquistão, os Ben Bella,  Bourgibas, Assads, Kaddafys e tantos, tantos outros que a história apenas reconhecerá em notas de rodapé, nenhum deles foi capaz de oferecer ao seu povo, um modelo definido de ordem, prosperidade e sobretudo, de reconhecimento geral pelo brilho de uma cultura já há muito assimilada pelos europeus. Arrancaram à terra as suas riquezas, desbaratando-as em novéis palácios de Mil e Uma Noites de pesadelos de tortura, guerras, extorsão e preconceitos anacrónicos. Entre todos os "grandes dirigentes muçulmanos", apenas dois perfazem integralmente o arquétipo do homem diligente, moderno e senhor das suas acções que fora de portas é um igual entre os maiores: Attaturk e Mohammad Reza Pahlavi - seguindo o programa modernizador do pai -, estes directos herdeiros de um outro mundo velho de muitos séculos e que compreenderam a necessidade de adequar a sociedade aos tempos da tecnologia, universalidade da Lei e liberdade nacional, bem diferente do complexo e muitas vezes equívoco conceito que a restringe à esfera pessoal do anónimo. 

 

Fracassaram nos seus propósitos, pois ansiosos em ir sempre mais além e de forma acelerada, não conseguiram ser totalmente compreendidos e acompanhados por sociedades resignadas e estruturadas de uma forma conceptual diametralmente oposta à do modelo que lhes ditava a moda, organizava os serviços essenciais a um Estado, criava o consumo e estabelecia os parâmetros de conduta. Se Attaturk ainda permanece hoje como uma referência ciosamente guardada pela vigilância que os militares exercem sobre as sucessivas interpretações do próprio khemalismo, o grande homem que foi o Xá Reza Pahlavi, acabou deposto pela conjugação de factores que não podia controlar. O auge do confronto EUA-URSS no ocaso da Guerra Fria; os choques petrolíferos nos quais procurou ser um elemento apaziguador - que lhe granjeou acirrados ódios internos e entre os "irmãos de fé" -; a oposição de um clero profundamente patriarcal e de uma mentalidade onde prevalecia o espírito da organização rural em contraposto à "prostituída" vida urbana e finalmente, as consequências  inevitáveis do seu desejo de independência e de igualdade entre os grandes, condenaram-no a um fracasso que criou uma inédita situação internacional que hoje parece finalmente evoluir de forma abrupta e inesperada.

 

Esta dualidade amor-ódio pelo Ocidente, pode ser afinal, um grande e poderoso móbil para mais uma e talvez derradeira aproximação do Ocidente, a um "mundo muçulmano" desconfiado, hesitante, mas talvez ainda possível de subtrair à total capitulação perante uma interpretação abusiva de um passado cada vez mais anacrónico. Usam e idolatram a tecnologia nazarin, organizam as suas cidades sob a métrica nazarin, organizam-se em termos legais numa mescla impossível do primado constitucional-legal nazarin, com os preceitos próprios para a salvaguarda identitária das já há muito desaparecidas tribos do deserto do século VI. Encandeados pela luz das nossas urbes são para a Europa atraídos como ferro para imã, mas a coacção moral e física de uns tantos, julga poder convencer a massa expectante, da prometida conquista que vingue a própria impotência.

 

A única fórmula possível de assistência naquela demanda pelo progresso, consiste na manutenção de uma posição firme, inabalável. Qualquer cedência ao capricho de assembleias de homens sábios, condena aquelas sociedades a um desastroso fracasso, do qual nós próprios seremos as preferenciais vítimas. Há que resistir.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:03

O Irão de hoje, nas mãos dos "bons homens de deus"...

por Nuno Castelo-Branco, em 23.06.09

A queda já se adivinha. Este cerrar de fileiras em torno de um homenzinho que a rua abertamente rejeita, dita o previsível fim de um regime que ainda há pouco parecia firme e arrogantemente disposto a afrontar a comunidade internacional. Neste momento, já surgem sectores da "oposição interna", prontos para assumir o poder em alternativa aos actuais ditadores, o que nos remete para outros exemplos passados, como o caso romeno. A queda de Ceausesco foi habilmente aproveitada pela gente que rodeava Iliesco e que no essencial, manteve o sistema por mais de uma década após a ilusória "queda do comunismo".

 

Tal como em 1979, um sector ainda não interveniente e a ter em conta - as forças armadas - tem-se mantido aparentemente distante do conflito, o que indicia as profundas clivagens internas que prenunciam o desmoronamento. Que este seja célere e total.

O Xá Reza II numa manifestação em Washington

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:02

Mais esquerdistas contra Ahmadinejad

por João Pedro, em 23.06.09

http://www.youtube.com/watch?v=YfJ5QvxUT64

 

Com estes, Moussavi tem sempre apoio garantido. São uma dor de cabeça constantepara Ahmadinejad: os Homens da Luta, pois claro! 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:51

Porque foi Reza Pahlevi destronado ? (4)

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.09

 

 Este video responde a muitas das questões da actualidade.  A situação no Irão evidencia uma lógica consequência de factos ocorridos há mais de três décadas, quando os interesses dos EUA foram postos em causa pelo regime do Xá. Uma verdade incómoda para os nossos aliados além-Atlântico.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:27

Porque foi Reza Pahlevi destronado ? (3)

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.09

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:16

As eleições no Irão: a análise de Reza Ciro

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.09

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:50

A bandeira que os media procuram esconder

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.09

 

 As imagens que a imprensa internacional  não explica. Por todo o mundo, a diáspora iraniana sai à rua em protesto, ostentando a bandeira imperial dos Pahlevi. As televisões foram unânimes na difusão das imagens de manifestantes visivelmente emocionados e que são partidários da instauração de um modelo político que nas palavras de Reza Ciro, aproximar-se-ia do sistema constitucional espanhol. Berlim, Londres, Paris, Washington, Nova Iorque tiveram ontem o seu dia de protesto que não pode ter passado despercebido às autoridades ainda no poder em Teerão.  Estes exilados têm uma certa influência no exterior, sendo gente academicamente qualificada e partidária da completa separação entre a mesquita e o Estado. Um verdadeiro quebra-cabeças para os analistas políticos ocidentais, sempre avessos à compreensão das realidades históricas e sociais extra-europeias.

 

Entretanto, o regime dos aiatolás recebeu mais apoios na cena internacional. O senhor Hugo Chávez da Venezuela apelou à resistência  da "revolução iraniana", numa já esperada reacção de uma das figuras ditatoriais mais em evidência. O segundo apoio, mesmo que indirecto, veio nas palavras do senhor Trichet, o presidente do Banco Europeu, alertando contra "a desestabilização no Irão que será susceptível de agravar a crise económica internacional". Esta caricatura de potência virtual chamada "Europa",  parece enviar ao resto do mundo, a mais clara e inequívoca prova de fraqueza que denuncia o medo e pior que tudo, a cupidez que se sobrepõe aos tão apregoados valores da liberdade. Seria interessante saber se esta opinião é extensiva à Comissão Europeia, ou se resulta apenas de mais uma das características excentricidades da França, tradicionalmente a campeã das gaffes em matéria de política internacional. Aguardemos a reacção de Barroso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:23

 

A política internacional, desde sempre obedeceu a critérios que podem por vezes ser considerados como estranhos à conveniência de um certo momento. Ontem, o presidente Shimon Peres proferiu um desastroso discurso que ao invés daquilo que aparenta pretender, vem ajudar a causa de Khamenei e do seu títere Ahmadinejad. 

 

Liberdade, democracia, fim da violência e direitos das mulheres, eis alguns dos pontos fundamentais da comunicação do presidente israelita, exactamente no momento em que o periclitante regime dos aiatolás aponta o dedo a claras "interferências externas" no incitamento a "terroristas, agentes desestabilizadores e traidores" infiltrados nas manifestações na capital iraniana. Peres não podia prestar um melhor serviço a Ahmadinejad, tornando-se simplesmente inacreditável que um discurso deste teor não fosse previamente analisado e avaliado quanto às possíveis consequências internas no Irão. Aparentemente, a Israel interessa a manutenção deste regime radical e odioso para um Ocidente sempre timorato face a ameaças proferidas por extremistas.

 

Israel desde sempre pretendeu ser o exclusivo peão de confiança do Ocidente naquela conturbada região. Na derradeira década do reformista reinado do Xá Mohamed Reza Pahlevi, a perspectiva de um Irão hegemónico e desfrutando da categoria de mais forte aliado dos EUA, fez com que Telavive temesse uma gradual perda de influência na política externa de Washington. As entrevistas do imperador a respeito da excessiva preponderância do lóbi pró-israelita nos EUA, a progressiva manifestação de autonomia persa na zona do Golfo, as reformas internas e uma acção mais activa e exigente no seio da OPEP, levaram a administração Carter a condescender quanto à hipótese da queda do regime, despoletando uma série de acontecimentos que os EUA não puderam controlar.

 

Não considerando ser credível uma iniciativa israelita que se furte à habitual e cuidadosa análise das conveniências e do simples bom sendo, é bem provável que este discurso de Peres sirva como um excelente argumento, ao crispar da reacção dos aiatolás face às manifestações de rua. Aos olhos dos seus pouco quantificáveis apoiantes, Ahmadinejad está carregado de razão. O Irão não é Portugal e o nacionalismo é ali cultivado como a razão de ser do próprio país, surgindo sempre o ameaçador espectro da teoria do cerco e da conspiração dos inimigos ansiosos por espoliar o velho império.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:56

Mais um guloso à cata de setenta virgens...

por Nuno Castelo-Branco, em 20.06.09

 

O tal democrata-de-longa-data Mir Hossein Moussavi diz agora que está pronto para ser "martirizado". Excelente, essa afoiteza que livrará o próximo regime da maçada que são os julgamentos e condenações por crimes de guerra e contra a humanidade. Do que estará o  sr. Moussavi à espera para se colocar na primeira fila dos manifestantes?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:17

Irão:porcaria de gente armada de Deus

por Nuno Castelo-Branco, em 20.06.09

 

 

 

Para quem assistiu em directo, durante duas penosas horas, à intervenção do Líder Supremo Khamenei na oração de sexta-feira, terá ficado definitivamente esclarecido sobre o carácter daquela porcaria de regime, servido por uma porcaria de gente e assente numa porcaria ideológica que arrepia os cabelos mais crespos.

 

Entretanto, a situação começa a tornar-se muito interessante, sendo agora a vez dos aiatolás provarem do remédio prodigamente ministrado fora de portas. Assim seja e aguardamos que chegue a vez dos "santos homens", beneficiando de uma vista única de Teerão, bem alto num guindaste qualquer. Dieu le veut!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:40

No Comment

por Nuno Castelo-Branco, em 18.06.09

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 00:28

O canalha de quem a "esquerda" gosta e quer ver "eleito"

por Nuno Castelo-Branco, em 17.06.09

 

 Mir-Hossein Moussavi nada mais é, senão uma criatura abjecta que se tornou no mais actual alvo da histeria colectiva que uma certa esquerda exibe por estes dias. Tendo sido um dos escolhidos "candidatos à presidência"  pelo Conselho dos Guardiães da Revolução - entidade criminosa que desde há trinta anos assassina, explora e oprime os iranianos -, serviu decorativamente para o simulacro eleitoral, sendo previsivelmente derrotado pelo eleito dos eleitos, o inefável Ahmadinedjad.

 

A gente do Jugular entrou em paranóia colectiva, parecendo iludir-se com a verdadeira situação interna no país, onde a multidão apenas parece estar a usar Moussavi como um excelente pretexto para uma generalizada revolta contra o regime dos aiatolás. Mas convém saber um pouco mais acerca deste "libertador" tão do agrado dos nossos colegas "socialistas libertários":

 

1981 - "Consiste no segundo estádio da revolução... foi depois destes acontecimentos que redescobrimos a nossa identidade islâmica" , dizia esta criatura a propósito da tomada de reféns na embaixada dos EUA. 

 

1981-88 Primeiro ministro da total e absoluta confiança de Khomeiny, tornou-se num zeloso promotor de uma política radical, rodeando-se de extremistas. Promoveu a criação do Hezbollah e incentivou operações terroristas no Líbano. Foi  um férreo partidário do controle estatal sobre a economia  - aqui está um tema querido ao BE e PS's "modernos" - , ao mesmo tempo que encabeçava o partido da guerra total contra o Iraque.  Ainda no campo da economia, durante o seu governo ocorreram os conhecidos esbulhos de propriedade e instalou-se a política de primazia clerical em todos os campos do mundo dos negócios, com o pagamento de pesados dízimos, corveias, subornos e taxas de "autorização".

 

Apadrinhou a formação de contingentes de crianças-soldado que serviram de "carne para canhão" durante o conflito.

 

Durante o seu mandato como primeiro-ministro, organizou a polícia política, destinada à violenta e radical repressão de qualquer oposição ao Estado teocrático. São do seu tempo as grandes purgas, nas quais foram sumariamente executadas milhares de pessoas - mais de 30.000 - próxima ou remotamente relacionadas com o regime imperial. 

 

2009, o grande liberal e democrata Mussavi, propõe:

 

- Continuação do projecto de armas nucleares.

 

- Oposição a toda e qualquer modificação na Constituição do regime, sendo favorável à manutenção do princípio do Velayat- e -Faih, ou seja, o governo absoluto clerical.

 

As nossas mais esfusiantes congratulações aos seus politicamente correctos admiradores do BE e de alguns compagnons de route ex- e futuros PS. Temos assim uma magnífica oportunidade para avaliar a coerência destes defensores da igualdade, questões fracturantes, etc.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:55

Notícias da Pérsia

por Nuno Castelo-Branco, em 16.06.09

     

 

 LISBOA - Estou cansado da obamanização do mundo. Inventei agora a palavra. Vocês sabem o que ela significa: a obamanização consiste em substituir a realidade pela fantasia, esperando que nos quatro cantos do globo surja sempre um candidato capaz de imitar a retórica bondosa e evangelista do original Barack. 


Aconteceu agora no Irã. Li os jornais disponíveis. Acompanhei as reportagens televisivas. O tom era semelhante: pela primeira vez desde 1979, altura em que Khomeini deixou o seu exílio dourado em Paris para regressar a Teerã, os iranianos iriam escolher novo presidente. Pior: iriam escolher um "moderado" (Mousavi) por oposição a essa grotesca criatura chamada Ahmadinejad. 

A fantasia esquecia dois pormenores básicos, quase dolorosos. Primeiro: o Irã não é uma democracia. O Irã é uma teocracia, o que significa que as decisões (iniciais e finais) pertencem ao Líder Supremo, Khamenei. 

É o Líder Supremo quem escolhe os candidatos presidenciais. Em todas as eleições, aparecem centenas ao cargo. Esse ano, foram 485 candidaturas. Quatro foram selecionadas, depois de verificação apertada, ou seja, depois de se verificarem os créditos revolucionários dos quatro candidatos, rigorosamente do sexo masculino e rigorosamente muçulmanos xiitas. Mas a influência do Líder Supremo não termina aqui. O Líder Supremo, independentemente do resultado da votação, escolhe o presidente do Irã. Os iranianos que foram às urnas são apenas figurantes de um teatrinho sórdido. 

Mas há mais. Nos últimos dias, surgiu igualmente a fantasia de que Ahmadinejad poderia ser derrotado por um "moderado". E quem é o moderado? Precisamente: Mir-Hossein Mousavi, um antigo primeiro-ministro de Kohmeini, responsável pela execução maciça de opositores políticos na década de 80 (20 mil? 30 mil?). Alguns jornalistas, sem um pingo de vergonha na cara, chegaram mesmo a acrescentar que Mousavi iria inaugurar um novo período de relações amigáveis com o Ocidente e, pasmem, Israel. Para os relapsos, relembro que Mousavi esteve envolvido no atentado terrorista ao centro cultural judaico de Buenos Aires. Morreram 85 pessoas. 

E agora? Agora, coisa nenhuma. A vitória de Ahmadinejad, seguramente forjada, cumpriu na perfeição o roteiro pré-definido pela teocracia iraniana. O que significa que, depois dos Guardas Revolucionários fazerem o seu trabalho, prendendo ou espancando os manifestantes, o Irã continuará o seu glorioso caminho rumo à pobreza, à opressão das suas minorias e, claro, à bomba nuclear, para uso cirúrgico contra Israel. A obamanização do mundo é uma idéia simpática. As idéias simpáticas, pelos vistos, não chegam a Teerã." 
João Pereira Coutinho - http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u580884.shtml

-----------------------------------------------------------------------------------
Um site a visitar urgentemente:  http://www.rezapahlavi.org/

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 19:26






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds