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Líbia: como dizíamos, aí está a mão britânica

por Nuno Castelo-Branco, em 06.03.11

Não é uma crítica, antes pelo contrário. Desde cedo, a relação entre as informações que foram ficando disponíveis, assim como a leitura das reacções vindas de Londres -  a posição oficial de Downing Street e os comunicados da Casa Real líbia, além dos eventos no terreno -, levaram-nos a aventar a hipótese de uma colaboração britânica no levantamento anti-Kadhafi. Parece que não nos enganámos.

 

Diz o Publico que o ..."ministro Liam Fox explicou que a missão estava em Bengasi para colaborar com a insurreição para garantir o fim do regime de Khadafi".

 

Como se depreende, o governo de Sua Majestade não se intimida e aqui estará uma parte da explicação dos acontecimentos. Felizmente, há quem na Europa diz e faz algo de concreto. A Grã-Bretanha no seu melhor.  

 

Entretanto, os combates continuam na zona costeira central do país e parece-nos ilusória qualquer consideração definitiva acerca do resultado da luta. As distâncias são enormes, a "frente" limita-se a uma estreita faixa que segue a Via Balbia e para uma vitória total, torna-se necessária a posse de importantes efectivos, bem organizados, equipados e coordenados. Ora, tal não parece estar a acontecer.

publicado às 17:46

 

Neste post de 9 de Fevereiro, dizíamos em tom de interrogação que Kadhafi preparava o regresso da Monarquia. Pelas notícias que vão chegando, algo se está a passar nesse sentido, mas de uma forma que o caudilho de Trípoli não poderia esperar.

 

Segundo uma fonte próxima da Casa Real, Muhamad as-Senussi regressará nos próximos dias ao seu país, estabelecendo-se provisoriamente em Bengazi, capital da Cirenaica e da vasta área tradicionalmente afecta à sua causa. Há que notar a facto de os Senussi serem os chefes de um movimento religioso que conta com um terço da população do país. Quando se iniciou o movimento e verificado o âmbito territorial deste, de imediato fizemos postar - mesmo antes de qualquer imagem televisiva - a bandeira da Monarquia líbia, pois parecia ser nítido o patrocínio  da União Constitucional Líbia que tem funcionado a partir dos exilados em Londres. A súbita aparição de milhares de bandeiras - especialmente aquelas bem actuais e feitas com materiais sintéticos, inexistentes antes de 1969 -, fez-nos pensar na hipótese de uma operação bem planeada. As cores realistas espalharam-se ao longo de todas as cidades do leste e foram rapidamente adoptadas como símbolo de todos os sublevados. Já se confirma igualmente, a adopção do Hino Real como outro dos símbolos recuperados, sem que tudo isto queira significar a imediata restauração da Monarquia. No entanto, o "já simpatizante" Público, anuncia abertamente o ..."agitar de bandeiras da Monarquia". 

 

A ser assim, estamos perante um bom número de dados a observar e interligar:

 

Exilados de Londres; uma rápida - desde o 1º dia - e constante reacção por parte de Foreign Office britânico; os interesses da City - os negócios não se compadecem com amizades inter-atlânticas - e a presença de bases do R.U. em Chipre e na entrada do Mediterrâneo; o longo, comprometedor e inesperado silêncio da Casa Branca, desta vez em ostensiva inicial dissonância com os britânicos; posters do defunto rei Idris I que surgiram em todo o leste do país, acompanhados por bandeiras e outro material de divulgação; a preciosa ajuda da Aljazeera, sediada nos emiratos e pertencente aos círculos reinantes locais, muito próximos da Grã-Bretanha.

 

Parece pouco, mas são estes alguns dos indícios, sem que nos atrevamos a adoptar qualquer teoria da conspiração. Conhecendo-se a volatilidade do Estado "nacional" líbio, poderemos estar no alvorecer de um novo país de fronteiras ainda indefinidas, mas com inegáveis potencialidades económicas e alguma coesão tribal. Paralelamente, todos os dados conhecidos acerca da divisão da exploração do petróleo poderão reequacionar-se, no caso de uma independência da Cirenaica, ou da vitória total dos revoltosos.

 

Os próximos dias o dirão.

Em Tobruk, a foto do rei Idris

 

"BREAKING NEWS: A source close to Libyan royal claimant Muhammed as-Senussi announced that the “Crown Prince” plans to return to Libya “in the next few days”. Senussi has long been outspoken in his opposition to the government of Libyan leader Moammar Kadhafi, On February 25, the Crown Prince remarked that “The Senussi family considers itself as in the service of the Libyan people,” implying that he would return if asked to do so.

It is expected that the Crown Prince will arrive in the city of Benghazi, center for anti-Kadhafi forces and capital of the Cyrenaica region. Support for the Sensussi family has traditionally been strong in this region. The Senussi family is also the leaders of a religious movement, which counts a third of Libya’s population as adherents. The Libyan opposition has adopted many symbols from the royal era, which lasted up to Kadhafi’s coup in 1969, most notably the red, black and green tricolor, but also the national anthem."

publicado às 22:58

Os italianos olhavam para a sua recentemente criada colónia da Líbia, como uma frente de combate convencional, quase à imagem da Venécia ou Flandres da I Guerra Mundial. Pautavam os seus movimentos pela obsessão da conquista de posições, ou melhor, de um terreno inóspito, sem água, calcinado pelo sol e pedregoso, enfim, uma autêntica armadilha para qualquer serviço de logística do mais poderoso exército. Após meses de estéril simulacro de campanha, as tropas do Duce enterraram-se em posições que pensavam ser bastiões impenetráveis. Não houve fosso anti-carro, jardim de minas e de arame farpado, trincheiras, redes de bunkers e losangos de artilharia que as salvassem pois os seus adversários britânicos, com efectivos numericamente muito inferiores, aperceberam-se das verdadeiras condições decorrentes da arcaica mentalidade militar imperante em Roma. A consequência consistiu numa série de desastres, dos quais o governo de Mussolini e o Eixo jamais recuperariam. O desembarque de Rommel em Trípoli, modificaria o estado de coisas e desde cedo mereceu a alcunha de Raposa do Deserto, sempre apto a caçar no terreno que o inimigo pensava ser seu. Invertendo-se os papéis, o general alemão conseguiu com elementos quase irrisórios, anular os sucessos apenas recentemente obtidos pelos ingleses que paradoxalmente, acabaram por cometer os mesmos erros do exército italiano. Rommel manteve a logística como o ponto essencial para o sucesso das operações e a agilidade como norma. Apercebeu-se que combatia num mar de areia, onde os "tanques eram navios" e pouco importando sucessos de ocasião e obtidos pela conquista de uma ou outra desoladora localidade isolada do resto do mundo. Milhares de quilómetros quadrados "conquistados" e apresentados nos mapas avidamente coleccionados pelos estrategas de café, nada significavam. Em suma, compreendeu aquilo que o território líbio significa. Longe ainda estava o tempo em que a Cirenaica se tornaria num ponto vital da indústria petrolífera e ironicamente, sem jamais o saber, o Eixo tinha aos seus pés, o filão de combustível de que desesperadamente necessitou durante toda a guerra. Aliás, a falta de carburante, ditou a sorte da campanha e certamente, o destino da Alemanha e da itália.

 

El-Agheila, Mersa-el Brega, Mechili, Agedabia, golfo de Sirte, Bengazi, Derna, Tobruk, são nomes familiares que hoje voltam aos noticiários, tal como há setenta anos andavam na boca do mundo. As condições não mudaram, a Via Balbia ainda é o eixo essencial que liga o país e é neste estreito âmbito que as "operações" têm decorrido.  As distâncias a percorrer são enormes e num ambiente desolado, quase infernal. As "terras de ninguém" multiplicam-se e naquele país, significam todos os vastos espaços que se encontram entre localidades afastadas centenas de quilómetros entre si. Desta forma, qualquer anúncio de "vitória de Mersa-el-Brega", por exemplo, apenas poderá significar um sucesso limitado. Como se tem confirmado, na Líbia pouco importa um êxito militar, se este não corresponder ao total aniquilamento do adversário. As peripécias dos panzer, dos M13-40 ou dos Crusader, realizavam-se através da contagem de centenas de veículos blindados, acompanhados de outros tantos milhares que garantiam desde a rectaguarda, o abastecimento e o transporte das tropas. Assim, como é possível - a não ser por uma súbita quebra no centro do poder instituído -, pensarmos na vitória total a obter por uma mão cheia de jipes e carros blindados sem rectaguarda organizada? Até hoje, tudo indica que continuaremos a verificar a ocorrência de correrias de parte a parte, pensando-se ser improvável a existência de forças suficientes para a obtenção de uma vitória esmagadora, total. Desta forma se explicam os frenéticos apelos de Kadhafi à não intervenção externa, enquanto ele próprio faz desembarcar corpos expedicionários contratados na África sub-sahariana e recorre aos "bons ofícios" diplomáticos do seu inefável aliado venezuelano. Pelo contrário, a gente que se revoltou na Cirenaica, apela à urgente intervenção das potências, garantindo o êxito da sublevação e o descalabro do regime kadhafista no leste. Na verdade, a Líbia consiste numa invenção recente e de contorno retintamente colonial, saída da vontade de Mussolini. Jamais existiu uma verdadeira unidade territorial entre o leste e o oeste, assim como entre as populações das margens do Mediterrâneo e aquelas que o mar de deserto separa dos escassos e isolados oásis do interior do país. 

 

Sem que se possa garantir esta afirmação, os americanos aparentam ter sido apanhados desprevenidos pela sublevação do leste. Passados alguns dias, já é tempo de verificar alguns eventos que indiciam algo mais que uma simples "explosão por simpatia", querendo isto significar, um efeito de contágio por aquilo que se passou na Tunísia e no Egipto. Decerto existem muitas explicações para o descontentamento e seria útil para a esquerda europeia, meditar acerca do arrazoado de dislates proferidos acerca das virtudes - recorrentemente baseadas no "pelo menos, o anti-imperialista Kadhafi"... - do actual regime. Despótico e abusador, fez o que bem entendeu das riquezas que já jorram do subsolo há décadas, mesmo antes de se ter assenhorado do poder total. Se compararmos a Líbia com qualquer emirato, principado, reino ou sultanato do Golfo, a diferença é abissal. Os kuwaitianos, bahrainenses, sauditas, ou omanitas têm um estilo e qualidade de vida, infinitamente superiores àquele que se verifica entre os líbios. Cidades ordenadas, pujantes de edifícios oficiais e de residências acima dos padrões médios - mesmo em comparação com muitos países europeus -, escolas e hospitais de primeira categoria, um consumo que faz inveja a uma cada vez mais periclitante Europa, centros turísticos e financeiros e museus, são o símbolo daquilo que a esquerda europeia aponta como "opressão obscurantista" ou "absolutismo". Pelo contrário, a Líbia apresenta um confrangedor espectáculo de pobreza, desordem e atraso. Gente mal vestida, localidades sujas e onde o aspecto geral testemunha a não passagem do tempo, infra-estruturas muito deficientes e de paupérrima categoria, são o quadro que diante dos olhos nos é apresentado por impiedosas imagens transmitidas pela televisão. Que enorme diferença se apresenta entre Qaboos bin Said e Muamar Kadhafi! A Líbia nem sequer pode ser comparada, à infinitamente mais pobre Monarquia hachemita da Jordânia. Esta é a verdade dura, mas que não pode ser negada.

 

O Ocidente parece ainda atónito pela evolução dos acontecimentos. Quem é entrevistado nas ruas de Al-Baida, Derna, Tobruk ou Bengazi, mostra sempre uma profunda repulsa por aquilo que a Al Qaeda significa e é com alguma surpresa que ouvimos referências ao desejo de quererem viver e organizar-se ..."como na Europa". Em suma, o nosso destroçado e aparentemente morto modelo de sociedade, parece interessar-lhes. Maior é ainda a surpresa, quando os media euro-americanos verificaram um levantamento popular que reergueu as banidas cores dos Senussi, o tal "regime caquético e obscurantista" que Kadhafi enterrou e o ocidente aprendeu a desprezar através da propaganda do senhor das tendas. Teria sido fácil o recurso à bandeira republicana de 1969, aliás de forte conotação pan-árabe e que hoje enche as ruas do Egipto e do Iémen. Mas não, a verdade é que se confirmaram as bem fundamentadas suspeitas de Kadhafi relativamente à Cirenaica, onde a "sua república" foi pessimamente recebida e nunca aceite por uma população que nos Senussi via os seus libertadores e símbolos de independência. O sistema tribal pode muita coisa explicar, mas de facto, poderemos estar perante o nascimento de um novo Estado que nem precisará da Tripolitânia para sobreviver e até, muito rapidamente prosperar. Neste blog e logo no início da revolta, dissemos ser conveniente olharmos com mais atenção para a União Constitucional Líbia. As próximas semanas confirmarão ou não, esta suposição. A demasiadamente rápida proliferação de milhares de bandeiras executadas com materiais sintéticos - parecendo de encomenda -, posters realistas e outros artigos de propaganda, indiciam algo mais que um acontecimento expontâneo ou fortuito. A Aljazeera também tem ajudado e os nossos leitores facilmente poderão verificar o que queremos dizer.

 

Outro estranho sinal, consiste na prudência da administração norte-americana que já ontem e pela voz da sra. Clinton, utilizou precisamente os argumentos anti-Al Qaeda de Kadhafi, que queiramos ou não, tem sido um parceiro de muitos países ocidentais - os portugueses são disso embaraçadas testemunhas -, nomeadamente o "mundo de negócios" europeu e norte-americano. Por outro lado, sentimos igualmente a hipótese de uma manobra britânica, bem ao estilo de outrora e à revelia do seu privilegiado parceiro além-Atlântico, demonstrando que o velho leão poderá estar bem vivo e de razoável saúde muscular. É claro que não temos qualquer tipo de pretensões de conhecer a realidade do que se tem passado, mas as sugestões vão-se acumulando, talvez não sendo mais que uma miragem num deserto.

 

Se existe um mar de areia e pedras a separar a Tripolitânia e a Cirenaica, convém frisar as grandes diferenças que facilmente poderão cavar um intransponível fosso entre as populações do ocidente e do leste daquilo a que hoje designamos de Líbia. A Via Balbia consiste numa estreita fita que poderá significar a união, ou a divisão de ambas.

 

Para já, o que convém reter, é o facto desta ou daquela vitória obtida por um punhado de homens armados, pouco ou nada querer significar em termos da total conquista do poder. Vive-se um conflito de atrito e apenas uma súbita quebra num dos lados, dirá quem será o vencedor. Pode isto acontecer a qualquer momento e desconhece-se qual a verdadeira solidez do edifício estatal construído por Kadhafi, assim como a verdadeira força da subversão. Estamos perante qualquer imprevisível vitória ou derrota. 

 

Apostamos que o vencedor, já não poderá ser Kadhafi. 

publicado às 17:00

Via Brasil, ficámos a saber qual a posição do PCP quanto aos assuntos líbios.

 

Um conhecido potencial colaboracionista de uma Europa que um dia "teria sido ocupada" pela URSS, decidiu-se pela desesperada defesa de Kadhafi. Como é hábito, procurou transplantar uma parte da hagiografia soviética para as dunas do deserto da Marmárica e nem sequer faltou uma alusão ao ataque ao Palácio de Inverno, agora corporizado pelo rei idris. O funcionário em tempo livre Miguel Urbano Rodrigues, segue rigorosamente as directivas habituais, apontando a "desinformação e confusão" semeadas mundo fora. Em suma, papagueia aquilo que a boca de Kadhafi transmite via CNN. A tagarelice velha e relha da "ameaça imperialista", aliada à sempre omnipresente teoria da conspiração, pózinhos milagrosos e danças de bruxas em que os comunistas são peritos, deliciam qualquer leitor interessado numa viagem ao passado, breve de cinco minutos.

 

Após o inevitável ataque à inofensiva Monarquia dos Senussi, M.U.R. canta hossanas ao regime do coronel saído das areias e a uma  ..."estratégia que promoveu o desenvolvimento económico e reduziu desigualdades sociais chocantes. A Líbia aliou-se a países e movimentos que combatiam o imperialismo e o sionismo. Kadhafi fundou universidades e industrias, uma agricultura florescente surgiu das areias do deserto, centenas de milhares de cidadãos tiveram pela primeira vez direito a alojamentos dignos". Tudo isto parece muito idílico, mas infelizmente não corresponde minimamente ao que as imagens têm mostrado, desde a péssima qualidade urbana que por lá se espalha como uma lepra - qualquer centro de cidade na Líbia, mais se assemelha ao pior dos subúrbios da Grande Lisboa -, até ao aspecto paupérrimo e semi-desclaço, de uma população que vive sobre um mar de petróleo. Ávido comprador de material de guerra soviético, o sr. Kadhafi apresenta ao mundo um exército com um aspecto andrajoso, carros blindados enferrujados, tanques debotados e aviões a caírem aos pedaços. Torrou dezenas de biliões em sucata, biliões esses que engordaram as contas do conglomerado militar-industrial da extinta União Soviética.

 

O sr. Miguel Urbano Rodrigues, não desfia nem uma conta do rosário de atrocidades perpetradas pelo seu camarada de Trípoli, nem sequer tem uma palavra para aquelas que o regime da moribunda "jamahiria" perpetrou contra o seu próprio povo. Este tipo de solidariedades relativas a prazenteiros enforcadores de estudantes e de famílias inteiras, esta condescendência para com bombistas de linhas aéreas e financiadores de patifes da pior espécie como Abu Nidal, Baader-Meinhof, Brigate Rosse, Rote Armee Fraktion e uma imensa panóplia de grupúsculos terroristas mundo fora, elucidam-nos acerca do que ainda fervilha por aquelas néscias cabeças em irrecuperável curto-circuito. 

 

A precisar urgentemente de fosfoglutina, o sr. Rodrigues poderia repensar os eventos que levaram ao saque dos recursos da Ucrânia, países do Cáucaso e da Ásia Central, Roménia Alemanha Oriental, por exemplo. O que tem o sr. Rodrigues a dizer, acerca das "normalizações" imperialistas impostas pelas lagartas dos tanques da URSS? O que lhe pareceu significar a invasão do Afeganistão, a invasão de Angola pelo imperial-internacionalista de bananeira Castro, ou a descarada intervenção na Etiópia com todo o seu cortejo de horrores? A lista é longa, talvez mais ainda que a já provecta idade do sr. Rodrigues. 

 

Fica-nos o aviso acerca  de..."dirigentes progressistas latino americanos (que) admitiram como iminente uma intervenção militar da NATO".  Sabemos perfeitamente a quem se refere, precisamente aqueles ditadores de pacotilha que sabem pertencer a uma indesejável lista de detritos a reciclar.

publicado às 15:54

A "revolta líbia" em imagens (9): falou a Sra. Clinton

por Nuno Castelo-Branco, em 28.02.11

Ao fim de dez dias de "revolta" - de revolução, nada de nada, claro -,  a sra. Clinton proferiu umas banalidades, "marcando posição" para recuperar espaço. Washington talvez queira organizar as coisas a seu modo, colocando os seus peões - quais? - no terreno pós-kadhafista. Oxalá não cometa os mesmos erros que foram bem visíveis no Afeganistão, quando impediu a decisão a tomar pela Loya Jirga. Um segredo de polichinelo e pelo qual o Afeganistão paga muito caro.

 

Todos sabemos que os meandros da política internacional e os assuntos de Estado, são assuntos que não devem ser tratados na praça pública, mas então, há que ser coerente. Estranha-se o imediato foguetório Made in USA, quando dos acontecimentos de Tunes e do Cairo. A tardança quanto à Líbia deveria ser bem explicada, pois há quem não a compreenda, interpretando-a como tendo sido os americanos apanhados de surpresa e pela inconveniência da sublevação. 

publicado às 16:15

O ministro dos Negócios Estrangeiros, vem agora dar a voz ao seu governo. Após os negócios com o regime de Kadhafi, pretende responder às generalizadas críticas, algumas das quais, bastante violentas. 

 

As relações de Portugal com outros países, não podem pautar-se por sentimentalismos, é certo. Se de outra forma fosse, permaneceríamos isolados e a realidade diz que nem sequer os nossos mais próximos aliados - Estados Unidos, Alemanha ou Espanha, por exemplo - podem eximir-se a críticas quanto a certas políticas consideradas como obscuras. Há uns anos, já aqui falámos da necessidade de Portugal competir com outros Estados, procurando a obtenção de vantagens políticas e económicas, mesmo que nalguns casos, possamos tropeçar num ou noutro déspota. Angola é o caso mais evidente e do qual ainda ouviremos falar. A política não pode ser feita de outra forma, sob pena da condenação ao completo ostracismo, desperdício de possibilidades, usura da capacidade económica do país e porque não?,  do prejuízo geral.

 

O que tem sido controverso, é o patamar atingido quanto a certos relacionamentos, sempre ligados a negócios que transcendem em muito, os interesses directos do Estado. Tudo isto torna ainda mais evidente, a total falta de transparência da conhecida transumância entre o dinheiro e a política portuguesa, seja esta qual for. Agravando as dúvidas, o governo arremete em direcção ao total comprometimento político, consagrado em actos simbólicos. 

 

No que respeita à Líbia, não estamos a falar numa ditadura semelhante à egípcia, se é que o forte autoritarismo dos militares de 1952, pode ser considerado como um sistema ditatorial. A diferença entre o despotismo de Kadhafi e a oligarquia cairota, é abissal em todos os aspectos a analisar, com a agravante da Líbia ser um país escassamente povoado e detentor de uma colossal riqueza petrolífera que há muito poderia tê-la guindado a uma indiscutível prosperidade. As imagens transmitem uma realidade de penúria, desorganização, falta de infraestruturas e o caos urbano, aspectos típicos de sociedades no limiar da subsistência. 

 

É impossível o sr. Luís Amado poder um dia declarar, o seu desconhecimento em relação aos crimes que a comunidade internacional aponta a Kadhafi. Este homem, é um velho conhecido dos meandros do terrorismo internacional, desde o seu patrocínio a bandos como a Fracção do Exército Vermelho, o grupo Baader-Meinhof, a OLP na sua fase sequestradora e bombista de linhas aéreas, os grupos terroristas que quase derrubaram o regime italiano na década de setenta, etc. O caso Lockerbie foi um episódio de uma longa e sangrenta lista de atrocidades cometidas, às quais se somam todo o tipo de atropelos ao direito internacional, respeito pela soberania alheia e bem identificadas agressões militares além-fronteiras. Durante os anos 80 e numa sensacionalista declaração de estadista de pacotilha, Kadhafi ousou declarar a Madeira como parte integrante de África, ou seja,  um "território a descolonizar". Se não encontrou qualquer eco, tal se deveu ao enraizado sentimento português naquele arquipélago. No entanto, a atoarda consistiu numa ostensiva ameaça à integridade e segurança do nosso país e o ministro dos Negócios Estrangeiros devia disso ter a plena consciência. A personalidade errática de Kadhafi, tornou-se numa permanente fonte de instabilidade e a tão imediata, como inesperada reacção ao seu recente amigo Itália-Berlusconi, é elucidativa.

 

No caso da Líbia, o governo não esteve bem, nem actuou em conformidade com a exigida prudência, especialmente quando se tratava de um Estado bem conhecido pelos problemas acima apontados. Houve um claro e desnecessário comprometimento político e excesso de efusividades,  evidenciadas em atitudes que transcendem em muito, os normais procedimentos que a convivência entre Estados determina. Nem sequer nos aventando a considerar os ainda desconhecidos detalhes económicos das relações estabelecidas, a forma geral consistiu num desastre que era de antemão previsível. Aliás, o tempo escolhido para estes contactos com os chamados "Estados párias", é sempre em contra-corrente com o sentido de decoro que a situação internacional recomenda. A dimensão portuguesa aconselha a uma grande prudência, coisa que parece faltar a um governo que faz a gestão da política externa, ao sabor de alguns interesses privados e das suas prioridades mediáticas. Não só nos referimos à Líbia, como também ao Irão e principalmente à Venezuela, onde o nosso governo - e pior ainda, Portugal - tem sido de forma ultrajante, exposto à mais acintosa propaganda de Chávez.

 

Luís Amado tardou em tomar uma posição inequívoca e nos primeiros dias da sublevação, todos escutámos as suas palavras contemporizadoras e sugerindo "adaptações inadiáveis"! Estamos perante a notória queda de um regime e o que lhe sucederá, poderá pedir contas a S. Bento. Não tardaremos em sabê-lo.

 

A entrevista ao Diário de Notícias, surge numa fase de previsível desenlace, decerto fatal para as hostes dos até agora estranhos amigos da república portuguesa.

Adenda: após uma noite bem dormida, tive o prazer de ler este texto de Henrique Raposo. Diz o essencial.

 

 

 

publicado às 19:41

Um dos mais conhecidos incompetentes do Ocidente em crise, já se aventa a inchaços oratórios, propondo nada mais, nada menos, um Plano Marshall para o Magrebe. Deve estar esquecido da situação que se vive no país que teoricamente governa e assim, sublima-se em jactâncias. Talvez se trate apenas de mais uma bravata sem consequências, na linha daquelas em que os nossos vizinhos são pródigos. A menos que já exista um apressado plano de colocação na fila para os conhecidos negócios - Portugal tem sido transformado numa espécie de "Camelot" de todo o tipo de escória - , desta vez a "fechar" com as novas autoridades que se adivinham. Por isso, "aboga por movilizar al sector privado - fundaciones, grandes corporaciones, multinacionales - para que se sumen a la iniciativa."

 

Não nos admiremos muito, se amanhã alguns "sobrinhos" aqui do sítio, tomarem uma iniciativa semelhante. Chama-se a isto, "sinergia de esforços".

publicado às 18:36

A "revolta líbia" em imagens (6): estórias com cobras

por Nuno Castelo-Branco, em 26.02.11

Chávez, um dos preocupados, já se manifesta a favor do colega Kadhafi. Antes que seja tarde demais, quiçá fosse uma excelente ideia, propor acolher o "grande líder de negócios revolucionários", num belo e bem guardado resort da ilha Margarita.

publicado às 17:38

Para os "corporativos" futuros ex- boys de serviço

por Nuno Castelo-Branco, em 26.02.11

Oferecemos aos "corporativos", uma foto feita em Lisboa: um futuro ex-caudilho, um intérprete, um futuro ex-1º ministro e duas futuras ex-bandeiras "nacionais"

 

Não é nossa norma, faltar ao respeito ao presidente da república ou ao 1º ministro. Podemos criticar ou aprovar atitudes, sem que isso queira dizer estarmos perante qualquer intenção destrutiva ou pelo contrário, subserviente.  No entanto, existem aqueles que optaram pela destruição de reputações, enquanto outros exageram em superlativos afectos.

Há por aí um grupo de convivas, alegadamente boys a soldo do erário público, muito aflitos com certos abraços e beijos prodigalizados por quem fechou rendosos negócios com o coronel Tapioca de Trípoli. O problema não está neste mundo de negócios e nas normais relações entre Estados. Os "corporativos" sabem que houve quem ultrapassasse e muito, as fronteiras da normalidade. Quanto á Venezuela e Irão, o futuro o dirá.

Na última semana, decidiram publicar fotos com personalidades nacionais e estrangeiras, como o embaixador Martins da Cruz, Barack Obama, Jacques Chirac, Condoleeza Rice e N. Sarkozy. Surgem em fotografias feitas quando de encontros com o já ex-camarada Kadhafi.

 

Surpreendentemente, os bem denominados Câmara Corporativa - funcionando em matilha, que melhor nome poderiam ter? -, acharam por bem publicar uma foto em que o Duque de Bragança cumprimenta o embaixador líbio em Lisboa, numa cerimónia comemorativa do dia nacional da Líbia. Não existiu qualquer encontro com Kadhafi. A Casa Real jamais participou nos eventos tripolitanos e comemorativos da ex-revolução que agora cai por terra e muito menos, terá alguma vez lucrado com qualquer tipo de negociatas firmadas com Trípoli. A Casa Real não vende computadores, cimentos, armas ou telecomunicações. Isso fica para o lato âmbito "corporativo".

 

Os tolinhos de serviço, ainda não percebram algumas coisas:

 

1. Pelo seu frenético dedilhar no teclado, fazem cair a alegada "não relevância" do Duque de Bragança. De facto, as regras do protocolo e da diplomacia, ditam que o sucessor dos reis de Portugal, seja sempre convidado para cerimónias institucionais e o simples facto de ser chamado como representante da História de um país que os "corporativos" não conhecem, demonstra-o bem.

 

2. Os "corporativos Abrantes" - "diz-se" que este nome cobre um "colectivo", uma panóplia de boys - deviam consultar os convites endereçados pelo seu governo e pela sua presidência da república. Ainda há poucos meses e quando da visita de um conhecido Chefe de Estado a Portugal, a RTP  mostrou o banquete oferecido por Cavaco Silva na Ajuda. Na mesa principal, apenas estava o casal presidencial, o casal visitante e o casal real. Para quem pretende demonstrar "irrelevâncias", não deixa de ser um tanto ou quanto difícil justificar esta constante.

 

Nota: neste último caso, o facto a reter, é aquele que se prende com o insólito de o Duque de Bragança ser convidado para jantar na sua própria casa que para o efeito, abre as portas a primos vindos do centro da Europa. Para cúmulo, o anfitrião é o verdadeiro intruso jamais referendado!

publicado às 10:46

Quem não se lembra da família de Saddam Hussein e em especial, dos dilectos filhos que trouxe ao mundo na Mesopotâmia? 

 

Uday, aquele que tanto apreciava a administração de venenos e era useiro de choques eléctricos, celebrizou-se pelos seus safaris desportivos quando fazia alinhar prisioneiros, exercitando o dedo no gatilho. "Diz-se que" gostava de ouvir as cabeças estourarem pelo impacto das balas e dissertava acerca da diferença de sons, consoante a capacidade craniana de cada um.

 

Qusay era um passarinho das ilhas, um raio de sol que adorava desportos aquáticos e "diz-se que" mandava alguns acompanhantes atirarem-se ao Eufrates, para depois, em forte trovoada de gargalhadas, alvejá-los à distância. Além destes justificáveis momentos de lazer, estes queridos cordeirinhos desempenhavam os seus trabalhos nas forças de segurança e claro está, embrenharam-se a fundo no mundo dos “negócios”. Acabaram sob os focos da ribalta e da forma como assistimos quase em directo, pela tv. 

 

Os filhos de Mubarak não eram dados a luna parks de balas, electrólises e outras habilidades do estilo. Preferiam o método da engorda de contas bancárias e da apropriação da coisa pública, como se privada fosse. Decerto terão melhor sorte e um destino infinitamente mais consentâneo com os desígnios do nem sempre Misericordioso. Apesar de tudo, o pai foi, de longe, o mais mal tratado pela imprensa ocidental. Sabe-se lá porquê...

 

Vamos agora a quem mais importa, pois os pretéritos são isso mesmo: passado. Os adoráveis querubins da família Kadhafi, tornaram-se conhecidos urbi et orbi. Não são manequins, embora os saca rolhas sejam empunhados para as badaladas pândegas intra e extra-fronteiras. Passearam-se pelo ocidente, deram-se a “ares” no Departamento de Estado americano, apertaram mãos a torto e a direito. O mais conhecido, o sr. Seif – o tal “mitra” que bem conhecemos via CNN -, ostenta a invejável denominação de “sabre do islão” seja lá o que isso queira dizer. Ficamo-nos pela imaginação… Pelo "que dizem", é um liberal, coisa que por aquelas paragens, pouco quererá significar. Recebeu apoteoticamente o responsável pelo atentado de Lockerbie, envolveu-se no escabroso caso das enfermeiras búlgaras e infalivelmente, faz o que bem entende no mundo dos “negócios”, também dirigindo uma estação de televisão. Nos últimos dias, organizou as limpezas de gente em Trípoli, ao estilo das suas sumptuosas borgas bem regadas com Moet et Chandon. Um mártir do dever.

 

O segundo mitra, o rouxinolzinho dos bosques Saadi, - casado com uma menina inevitavelmente Vanessa, de apelido Hassler - era "jogador de futebol profissional" e chegando ao fim da carreira desportiva, decidiu-se pelo comando de uma unidade de elite do exército. Decerto dele ouviremos falar nos próximos dias, a menos que já esteja a caminho de Pequim, Caracas ou Pyong-Yang.  Parece ter algo em comum com mais um mitra, a gazelinha da planície Moatassem - a epítome acabada do mitra-em-chefe! - o caudilho do Conselho de Segurança Nacional, responsável pela chegada dos contingentes de mercenários que garantem a segurança da sua tribo familiar. Já tentou um golpe de Estado, "diz-se que" é fã dos copos e de artistas de variedades, pagas a peso de ouro retirado dos cofres do Estado, propriedade do pai.

 

Falta o quarto mitra, o pombinho dos pomares  Hannibal – não, não é esse em que já estão a pensar -, também famoso pelos copos e "diz-se que" é grande adepto de pancadarias em discotecas, pugilismo em amantes grávidas, chibatadas na criadagem, condução a alta velocidade e em contra-mão. Adora bater em todos e "diz-se que" nem a própria mulher escapa a esta espécie de Mike Tyson tripolitano.

 

É esta a republicana gente que manda, põe e dispõe na Líbia. Grandes revolucionários, uns bolinhos de mel que fazem inveja a qualquer cordeirinho dos prados. Não nos admiremos muito se um dia destes viermos a saber que alguém de longe, muito longe, lhes fez chegar a casa, umas recordações da Vista Alegre. 

publicado às 17:03

Cada vez mais parecido com o Michael Jackson dos últimos dias, o coronel Kadhafi declarou ontem, não entender a contestação à sua pessoa. Segundo pensa de si próprio, este "grande líder revolucionário" é apenas uma "figura simbólica". A quem o quis escutar, Kadhafi disse que o seu papel é "semelhante ao de um rei" e segundo corre, chegou ao ponto de comparar o seu "reinado", com o da rainha Isabel II. Mais ainda, apontou o facto de Sua Majestade estar no trono britânico desde 1952, não sendo isso um motivo para a atacarem. Aqui está a explicação para certas coisas que temos visto.

 

A semelhança é de tal forma inacreditável, que apenas nos faz gritar um bem sonoro "por Alá!"

 

publicado às 12:14

A "revolta líbia" em imagens (3): palermices mediáticas

por Nuno Castelo-Branco, em 24.02.11

Um acampamento diante do Museu Egípcio. Uma carga de camelos, umas tantas pedradas, dois discursos presidenciais seguidos de uma demissão, uma feira de música, comes e bebes. Foi isto, a "revolução egípcia". Os olhinhos dos comentadeiros televisivos brilhavam, quando pronunciaram vezes sem conta, a sagrada palavrinha: revolução.

 

No Egipto não houve, pelo menos até este momento, qualquer revolução, tendo-se "limitado os estragos", a um render da guarda militar. Nada mais.

 

Na Líbia, a palavra que os RTP's, SIC's e afim comparsada internacional usa, é única e exclusivamente, "revolta". As palavras têm alguma importância, pois encerram em si maior ou menor contundência, hierarquização e até, legitimidade das ocorrências.

 

Kadhafi "é um revolucionário", logo quem contra ele se levanta, não o poderá ser. Nas cabecinhas dos "tudólogos" de serviço ao esquema que tão bem conhecemos desde os tempos - feliz coincidência! - em que o até agora líder líbio tomou o poder, os sublevados não passam disso mesmo: são simples "revoltosos".

 

Bombardeamentos com artilharia pesada. Sukhoi russos que despejam bombas sobre manifestantes "revoltosos", por vezes tratados por "rebeldes". Mirage franceses que aterram em Malta, evitando atacar os manifestantes. Milícias à solta, mercenários que vieram do Burkina Faso e da Costa do Marfim. Execuções sumárias. Metade do país nas mãos dos populares que já hastearam em toda a Cirenaica, a bandeira do antigo Reino da Líbia. Uma fuga maciça dos estrangeiros e um êxodo de líbios em direcção às fronteiras da Tunísia e do Egipto. 

 

Parece termos voltado ás peripécias que há setenta anos, envolveram os generais Bastico, Rommel e Auchinlek. Desta vez, o Afrika Korps, o exército real italiano e o 8th Army, foram substituídos por aquilo que vemos quase em directo pela televisão. Alimentando a estória, temos os mesmos nomes, como El Agheila, Agedabia, Misurata, Bengazi, Derna, Bardia e Tobruk. Só lá falta uma Raposa do Deserto e essa, não é de forma alguma, o sr. Kadhafi.

 

Para os nossos risíveis revolucionários de gravata, o que se passa na Líbia não é uma revolução, nem sequer uma guerra: trata-se apenas de uma "revolta", quase ao mesmo nível de uma sublevação na penitenciária de Lisboa, do Carandirú ou da velha Sing-Sing. O embaraçado silêncio da esquerda, é uma clara evidência do mal-estar, da desilusão  e da derrota que é mais que certa.

 

Enquanto o "querido chefe revolucionário" estiver vivo e escondido no seu bunker, haverá esperança para a sua "revolução". Para os negócios acordados com certos nazarins, idem.

publicado às 11:59

 

Agora, Luís Amado diz que o regime de Kadhafi é "anacrónico e deve (...)  ser objecto de uma adaptação inadiável".

 

Adaptação inadiável, diz sua excelência. Que conversa tão diferente daquilo que se disse em relação ao Egipto e à Tunísia! Entretanto, há quem diga ser necessário "esperar pela acalmia e pelo desenvolvimento da situação". 

 

Não nos parece que os pouco calmos líbios, queiram qualquer tipo de "adaptação".

publicado às 17:52

Kadhafi "já morreu"

por Nuno Castelo-Branco, em 22.02.11

Ainda berra neste preciso momento. Frases desconexas, invocações a incógnitas e vãs glórias próprias e de antepassados que nas tumbas ainda o incitam à luta. O discurso em directo que a CNN está a emitir, é o vergonhoso epílogo de um regime que morre  tal como  nasceu. Coberto de ignomínia.

 

Ditadores houve que preferiram enclausurar-se num bunker da sua capital, recusando-se á rendição. Outros partiram de forma discreta, gozando de exílios relativamente amenos e anónimos.

 

O sr. Kadhafi profere aquele que já temos a certeza de ser o derradeiro discurso. Sem grandeza ou a mínima coerência, a tudo recorre, desde a "destruição, até à divisão do país, crianças inocentes, guerra civil" e inevitavelmente, a "conspirações com venenos e vinhos" e "espionagem dos cães infiéis e ocidentais" - americanos, ingleses e italianos - que já "ocupam Bengazi e bases militares líbias no leste do país". Entre as habituais ameaças, fala de Zarqawi, da Al-Qaeda, dos israelitas e promete vingança, quando já pouco ou nada pode. É deveras triste, quase uma cena à Monthy Python.

 

Mil vezes pior que Saddam. Cem mil vezes menos digno que Ceausescu ou Pol Pot, o sr. Kadhafi sai de cena aos gritos e tendo como pano de fundo, uns escombros que sintetizam o seu regime. Escabroso.

publicado às 16:21

Durante duas semanas e após termos escutado Obama hora a hora, a crise egípcia resolveu-se da forma esperada. Os militares abertamente assumiram o poder e por enquanto, mantém-se um aparente status quo. Durante alguns dias, as constantes inconvenientes impertinências da Casa Branca foram motivo para espanto, pois sabe-se o pernicioso efeito que exercem junto da opinião pública do chamado "mundo árabe", principalmente quando se trata de regimes "amigos do Ocidente".

 

No entanto, o que dizer da situação que agora se verifica?

 

Se excluirmos uma e inócua curta frase da senhora Clinton, Washington tem estado ostensivamente ausente dos acontecimentos num dos mais antigos e inflexíveis regimes inimigos dos Estados Unidos. Conhece-se bem o currículo de Kadhafi e a ninguém poderá passar despercebido, este inusitado desinteresse pelo evidente descalabro que se verifica em Trípolis. O "cadáver a que estamos amarrados", fala quando não deve e permanece mudo quando não pode. A menos que entretanto, toda esta situação tenha sido cuidadosamente planeada e coordenada pelos diversos departamentos de Estado americanos. Dada a alegria que já se manifesta nos círculos islamitas, parece duvidoso.

 

Sabemos da pouca influência que as arengas estrangeiras têm sobre a Líbia, mas a opinião pública ocidental tem o direito a sentir-se segura quanto à prossecução das políticas de Estado. Assim, quem tanto tem exercido o dom da oratória, não pode desta vez permanecer alheio a uma situação tão ameaçadora. Mutismo quanto à Líbia e o Irão. Tudo isto é estranho.

 

Por cá também temos o nosso cadáver. O mal-cheiroso despojo, encontra-se dividido por vários Palácios - três - com vistas para o Tejo.

publicado às 13:39

A informação BBC

por Nuno Castelo-Branco, em 21.02.11

"Eastern Libya has long been hostile to the jamahiriyah, Colonel Gaddafi's "state-of-the-masses" based on "direct popular democracy" which decrees that all Libyans shall participate in the political process and which, to ensure that they reach the right conclusions, uses the Revolutionary Committee movement to discipline them.

Cyrenaica, after all, was the birthplace of the monarchy that preceded the revolution, whilst Benghazi has always spurned the regime for its lack of revolutionary rigour."

 

Leia mais AQUI

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publicado às 23:25

A "informação" RTP

por Nuno Castelo-Branco, em 21.02.11

Fazendo finca pé nas conveniências dos que mandam, a RTP acaba de também "aderir" a qualquer coisa e anunciar que a "bandeira da independência", encontra-se hasteada em toda a Líbia. Diz "independência" e não, a "bandeira da Monarquia". Naquele país e apesar de tudo, o "antigo regime" anterior a 1969, queria dizer Constituição, coisa bem diferente daquilo que vingou durante as recentes e lucrativas amizades que bem conhecemos. Para os líbios, teria sido muito fácil saírem à rua com a flâmula republicana, aliás idêntica à do Egipto.

 

É isto, a informação da televisão estatal. Uma uma risível miséria.

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publicado às 20:06

O que dizem o PCP e o BE?

por Nuno Castelo-Branco, em 21.02.11

Aguardam-se notícias, enquanto "más-línguas" dizem estar Kadhafi - estranhamente cada vez mais parecido com Michael Jackson na sua fase final - a caminho de um resort proporcionado pelo camarada Chávez. Circula também o convite formal endereçado pelo sr. Jirinovski, instando o sr. Kadhafi a montar a tenda em Moscovo.

publicado às 17:24

As notícias falam da deserção da tropa de Kadhafi, enquanto este, aparentemente opta por uma saída "à Ceausescu". Também existem imagens que começam a tornar-se muito familiares: a bandeira  dos Senussi é hasteada por todo o lado. Aguardemos.

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publicado às 14:45

Afinal, o crime compensa

por Nuno Castelo-Branco, em 21.08.09

  

 

 Os nossos profissionais da imbecilidade bem pensante, têm hoje um bom tema para uma necessária introspecção.

 

O terrorista que há vinte e um anos fez explodir um Boeing 747 da PanAm, matando 259 passageiros e tripulantes, foi hoje recebido com honras de herói numa Tripoli em delírio.

 

Apesar  das últimas décadas nos terem mostrado um coronel Kadhafi amansado pelo justo castigo que a USAF em boa hora lhe ministrou, este grotesco ditador que no Ocidente sempre tem encontrado amigos de ocasião - em Portugal sabemos  quem são -, não hesitou sequer em enviar o próprio filho no avião presidencial que recolheu Megrahi na Escócia.

 

Ultrajante é este sistemático laxismo das autoridades britânicas perante imaginárias ameaças provenientes de radicais criminosos oriundos de uma determinada área do globo. É para todos os europeus vergonhosa, a perfeita impunidade com que nas ruas das cidades do Reino Unido impunemente se insulta a população anfitriã, desrespeitando-se  o Estado  e tudo aquilo que o suporta:  o regime político, económico e social. As manobras dilatórias de Kadhafi deram plena satisfação aos seus conhecidos anseios de protagonismo e decerto terão tido repercussões entre os sectores extremistas, agora tentados a concluir acerca da fragilidade da autoridade ocidental. 

 

Não há qualquer possibilidade para diálogos em tendas no meio do deserto, nem de chás à sombra de tamareiras. A perfídia, reserva mental e abjecto desplante desrespeitoso para com todos os outros que não se vergam aos ditames de dementes e celerados ébrios de vanglória, deve servir para um já tardio despertar numa realidade que mais cedo ou mais tarde teremos inevitavelmente de enfrentar. É que afinal, o crime compensa.

publicado às 18:26






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