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A minha pátria é a língua portuguesa

por Samuel de Paiva Pires, em 03.12.12

Parece que o Prós e Contras é sobre quanto vale a língua portuguesa. Claro que este "quanto" remete logo para uma perspectiva económica, pelo que convidaram economistas e empresários para o painel. Um destes, que desconheço, acaba de afirmar, sem se rir e sem que lhe façam qualquer reparo, que "não se pode misturar a língua com a cultura". Duvido que falem do absurdo acordo ortográfico, que vai avançando com a conivência do suposto governo mais liberal de sempre. Entregues a incultos putativos plutocratas e a amadores e deslumbrados anti-patriotas que têm como desígnio empobrecer economica e intelectualmente a nação, e atendendo ao avanço do referido absurdo, eu dou já a resposta à questão: vale um tostão furado.

publicado às 22:48

« A Minha Pátria é a Língua Portuguesa »,

por Cristina Ribeiro, em 12.10.12
 
escreveu Fernando Pessoa. É muito mais, mas esta é um elemento central Dela.
É essa Língua amada por gentes de outras pátrias, nomeadamente por gentes de pátrias que nasceram das suas raízes.
É o caso do filólogo brasileiro Mário Barreto, grande leitor dos clássicos portugueses, mormente de Camilo Castelo Branco, e ao qual se refere Afonso Lopes Vieira:
" Entre tantos filólogos brasileiros, Mário Barreto era o grande amigo da nossa Linguagem. Amava-a como sábio e como namorado ciümento. ( ... ). Amava-o como português que era também, por obra e graça da Língua Portuguesa: pelo estudo do idioma chegara ao amor da terra e do povo. "   
    « Nova Demanda do Graal »

publicado às 19:54

A humildade dos Grandes!...

por Cristina Ribeiro, em 26.09.12
" Deitando olhos ao campo imenso da sua Prosa, tal o lavrador que avalia a colheita, o Padre António Vieira confortou-se no cabo da vida com verificar que ela possuía, ao menos, um dom, e o dom para ele mais rico - a clareza: « Mas valeu-me sempre tanto a clareza...» Comove-me este juízo do artista genial. Guardemos com gratidão a lição que encerra. "
Affonso Lopes Vieira, « Nova Demanda Do Graal »

publicado às 18:00

1 - Tiago, não há erro de concordância algum. Deixe de imaginar coisas.


2 - O parágrafo abaixo é para aqueles indivíduos que deviam ter estado mais atentos nas aulas de Inglês, e que podiam evitar certas figuras se se dessem simplesmente ao trabalho de verificar aquilo de que falam/escrevem. Entretanto, parece que muita gente ainda não percebeu que eu tenho o hábito de confirmar, em várias fontes, praticamente tudo aquilo que escrevo que considere necessitar de confirmação - o que é uma parte substancial de tudo o que escrevo. Mania de liberal que socraticamente sabe que nada sabe e que, sendo humano, está fadado a cometer erros.

 

Sobre o possessivo nos nomes singulares em inglês:


«Many respected authorities recommend that practically all singular nouns, including those ending with a sibilant sound, have possessive forms with an extra s after the apostrophe so that the spelling reflects the underlying pronunciation. Examples include Oxford University Press, the Modern Language Association, the BBC and The Economist.[18] Such authorities demand possessive singulars like these: Senator Jones's umbrella; Tony Adams's friend. Rules that modify or extend the standard principle have included the following: (...)»

publicado às 04:06

Parece mau demais para ser verdade.

Cortesia da emissão da Televisão de Angola, fiquei a saber - talvez muita gente já soubesse mas eu pessoalmente não sabia - da nova "modernização" da Língua Portuguesa que está na calha. Chama-se Vocabulário Ortográfico Comum, e será um dos temas a serem tratados, entre amanhã e Quinta-feira, em Luanda, no Colóquio Internacional «O Português nas Organizações Internacionais», uma iniciativa do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores de Angola.

Em que consiste o Vocabulário Ortográfico Comum? Simples: em integrar na Língua Portuguesa todos os vocabulários em uso nas línguas autóctones de países lusófonos. Por exemplo, e tal como explicou o director-executivo do IILP, o professor brasileiro Gilvan Müller de Oliveira, as palavras das línguas bantus de Angola ou dos dialectos dos índios amazónicos passarão a fazer parte da Língua Portuguesa, podendo ser usadas em pé de igualdade com as palavras do Português original e no mesmo texto, na mesma frase. Ou seja, será possível usar na mesma frase termos mauberes, kikongos e tupinambás, sempre sem deixar de falar Português. E estamos realmente a falar de todos os vocábulos dessas línguas, uma vez que o processo de recolha dessas palavras em línguas locais será feito com recurso a programas informáticos funcionando na internet, efectuando um rastreio a sites ou documentos PDF à procura de novas palavras, que assim serão registadas e integradas automáticamente na base de dados que constituirá o VOC.

É claro que a cada novo vandalismo com a cultura portuguesa surgirão sempre ardentes defensores da "evolução", e da "dinâmica" cultural, com argumentos em favor da aproximação de gentes e de formas de encarar o mundo. Outros justificarão com razões geopolíticas de que Portugal tem de acompanhar o processo. Melhor compreensão é que seguramente não poderá ser argumento.

De acordo com o anunciado, o colóquio poderá ser seguido pela internet, seguindo as indicações do blogue do IILP em:  http://iilp.wordpress.com/

 

publicado às 20:05

Declaração de Amor à Língua Portuguesa

por Samuel de Paiva Pires, em 21.06.12

Da autoria de Teolinda Gersão, via Aventar:

 

«Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso,confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.

 

Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

 

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa


Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto:  No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

 

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

 

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.

 

No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

 

A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

 

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

 

E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

 

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

 

João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).»

publicado às 13:10

Há ditaduras e ditaduras.

por Cristina Ribeiro, em 02.01.12

Uma delas traduz-se na arrogância de subitamente alguém dizer a todos os outros: "Atenção! A partir de agora todos escrevem assim."                      

     Um bom artigo, fundamentado, que expõe algumas das fragilidades do acordo ortográfico.

 

 

 

 

publicado às 02:22

Noviportuguês em Ministério da Educação

por Nuno Castelo-Branco, em 13.05.11

Aqui está um interessante texto que o amigo Carlos Velasco nos enviou. 

 

Por cá, abriram as portas ao que desse e viesse e agora já temos mais um "bom exemplo de progresso", neste caso,  da Silva e tudo! Pode ser que o Ministério homólogo sito à 5 de Outubro - bem sabemos que o nome da avenida é uma desgraça condizente com o Ministério -, pegue em tão excelsa ideia. Deleitem-se:

 

"O volume Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, mostra ao aluno que não há necessidade de se seguir a norma culta para a regra da concordância. Os autores usam a frase “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” para exemplificar que, na variedade popular, só “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”. Em um outro exemplo, os autores mostram que não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”.

Ao defender o uso da língua popular, os autores afirmam que as regras da norma culta não levam em consideração a chamada língua viva. E destacam em um dos trechos do livro: “Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para norma culta como padrão de correção de todas as formas lingüísticas”.

E mais: segundo os autores, o estudante pode correr o risco “de ser vítima de preconceito linguístico” caso não use a norma culta. O livro da editora Global foi aprovado pelo MEC por meio do Programa Nacional do Livro Didático."

publicado às 12:21

Mania das grandezas

por Nuno Castelo-Branco, em 03.01.11

Os empafiosos vizinhos que temos, já puxam pelos galões e querem ver o espanhol como a segunda língua do Brasil. Coisa fácil, até porque conhecemos a facilidade que os falantes de português têm em usar outros idiomas, por mais difíceis que sejam.

 

O texto do El País, o jornal oficialista do regime de Madrid, diz que ..."agradó al Príncipe el empeño de la nueva presidenta en el impulso al crecimiento del país que pueden dar cada día con mayor fuerza las empresas españolas, así como salió muy satisfecho con la promesa de Dilma de impulsar aun más el estudio del español en Brasil para convertir al país en bilingüe portugués español." Daqui a uns dias, ninguém se admirará se o mesmo diário designar o Brasil como "una antigua possession de España", tal como a TVE fez, quando da passagem de Macau para a administração chinesa. No caso macaense, o pretexto consistiu numa passagem ao de leve pela chamada união ibérica de 1580-1640. Há gente para tudo e os nossos vizinhos, são nisto imbatíveis.

 

O governo espanhol deveria ter mais atenção à protecção do idioma castelhano nos países limítrofes do Brasil, pois a a invasão do português parece ser uma ameaça bem maior que aquela com que o El País sonha: Uruguai, Argentina e Paraguai - para não citarmos outros -, são "casos preocupantes" para a exclusividade cervantina naquelas paragens. Pior ainda, dentro do próprio Reino, a região da Galiza exige a adopção do ensino do português, como língua obrigatória nas suas escolas e o caso catalão nem sequer merecerá qualquer comentário.

 

Entretanto, um aparentemente assíduo leitor dos blogues monárquicos, diz agora que o Brasil é uma prioridade, já indo bem longe, os ventos do "Espanha, Espanha, Espanha". Boa viagem.

publicado às 13:38

mas felizmente a entrevista que deu ontem a Constança Cunha e Sá versou temas que muito me dizem, e nos quais o escritor e homem de cultura dá cartas, pelo que foi um tempo que dei por bem empregue, aquele que passei a ouvi-lo: que a língua portuguesa está a desbaratar-se, é evidente, o que torna tão necessário como o pão para a boca um programa  na Televisão Pública de bem falar e de bem escrever - filólogos e linguístas não faltam, como esse Professor António Emiliano, que tão bem me impressionou, aquando da discussão do Acordo Ortográfico.

Que o nosso léxico está mais pobre, basta ler livros mais antigos, para o comprovar.

 

                    Em suma, precisamos de programas assim, para dizer que a Cultura vai nua.

publicado às 00:46

O Instituto Camões, o Brasil e a língua portuguesa no mundo

por Samuel de Paiva Pires, em 28.10.08

Contudo, o Brasil, inerte e incapaz de projectar o seu grande potencial, continua comodamente a viver do esforço português. É inacreditável que este parasitismo se faça sem que as nossas autoridades elejam o tema como tópico para uma das habituais cimeiras luso-brasileiras. O Instituto Camões, quase falido, vai trabalhando por esse mundo fora para a diplomacia económica brasileira. O Brasil não tem um leitorado, uma revista cultural, um programa de ensino da língua comum, nem se predispôs enviar mais que 50 míseros professores para Timor-Leste, contrastando com os 150 portugueses que ali desenvolvem verdadeira missionação linguística há mais de cinco anos. É um escândalo que tal gigante se reduza voluntariamente ao papel de colosso sem cérebro.

 

Miguel Castelo-Branco in Combustões

 

publicado às 22:59

Silly season (1)

por Samuel de Paiva Pires, em 18.08.08

Porque também nós temos direito a ter uma série de homenagem à silly season, aqui fica um pensamento solto que me assolou há escassos minutos. De passagem por Coruche onde ainda ontem pude assistir a um fenomenal espectáculo da fadista Mariza, e depois de na quinta-feira ter experimentado pela primeira vez assistir a uma corrida de touros, hoje foi a vez de actuar uma banda de nome Platinum Abba, uma espécie de remake visual dos Abba com as devidas covers. No fim do espectáculo uma senhora, penso que pertencente à comissão de festas, dizia "é as vossas palmas", e assim se dá um pontapé na gramática portuguesa em público. E depois disto pus-me a pensar, será que alguém já se apercebeu de que as gerações mais novas são uma lástima no que respeita a escrever português correctamente? Já nem falo em relação à gramática, do mal o menos, mas em relação à grafia que é violada todos os dias em mensagens de telemóvel, na internet, na escola e na universidade. Já alguém pensou no impacto que isto terá? Cá para mim daqui a 10 ou 15 anos estamos a fazer um novo acordo ortográfico ou então a instituir novos dialectos. Bem vistas as coisas, se muitos dizem que a língua não evolui nem se altera por decreto, é certo que também não se corrigem erros estruturais de aprendizagem da língua por obrigácia divina. Quem é que vai fazer alguma coisa quanto a isto? Já agora, leiam este post de Carlos Nunes Lopes.

publicado às 03:02

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

por Nuno Castelo-Branco, em 25.07.08

 

Creio ser já uma trivialidade o recurso ao repensar daquilo que deverá ser no futuro a CPLP. Esta entidade já existe há muitos anos e a sua finalidade parece ser clara e simples de entender para qualquer curioso. Dada a dispersão intercontinental ditada por uma história comum e susceptível de ser reivindicada por todos, a CPLP deve ser um polo de colaboração nos mais diversos aspectos da vida dos Estados, desde a defesa e promoção do património linguístico - a isso não se podendo resumir sob pena de se transformar numa mera Academia inter-estatal -, à colaboração no campo da intervenção social, cooperação militar, etc. Parece simples? Não é, pois sendo a pátria mãe um país de escassos recursos materiais e demográficos, competiria ao Brasil a direcção de facto da Comunidade. Ora, o Brasil não parece muito interessado neste investimento, pois a evolução tendente e natural da sua afirmação como grande potencial regional com voz sonante no mundo, impele-o para o estreitamento de relações com o seu eterno rival do norte, os EUA. Contudo, o interesse que o português tem despertado em algumas zonas económicas emergentes, como a China, poderá levar Brasília a repensar nas vantagens decorrentes da existência de uma instituição que integra um membro da UE, uma potência regional de uma certa dimensão - Angola - e outros Estados onde as matérias primas parecem abundar e servir de móbil para investimentos europeus, americanos e asiáticos.

 

A CPLP é útil e uma oportunidade única. O governo bem anda ao tentar - já atrasado, é verdade - diversificar a economia, retrocedendo na péssima aposta total na Europa, ou pior ainda, em Espanha. Aquilo que os herdeiros de 1910 tanto criticaram à Monarchia - a submissão económica ao Reino Unido -, faz este regime de uma forma absolutamente inepta, inconsciente e lesiva dos interesses da manutenção da independência nacional. Bem faz Sócrates em visitar Chávez, Lula ou os semi-ditadores do leste europeu. A realpolitik impõe-se, porque tal como a diplomacia, a economia é a prossecução da guerra por outras formas. O velho projecto de D. Carlos I e de João Franco, tendente à colocação de Portugal à disposição do Brasil como entreposto das suas mercadorias na Europa, deverá ser novamente estudado, porque nós também somos, cada vez mais, Brasil. A crescente presença de brasileiros no nosso território, é a prova disso mesmo e contrariamente a muitas outras comunidades, pretendem criar raízes e reivindicar também, a sua pertença a uma lusitanidade que jamais renegaram. 

 

Fala-se na extensão da CPLP, à Guiné-Equatorial, ao antigo Estado da Índia, à Galiza e à Ucrânia. Que sejam bem-vindos, não estamos em tempos propícios à mesquinhez ou falta de visão. 

publicado às 13:21






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