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Cristiano Ronaldo não é Mário Soares. Poderia escrevê-lo ao contrário; Mário Soares não é Cristiano Ronaldo, mas isso seria dar excessiva importância ao alegado pai solteiro da Democracia em Portugal. Cristiano Ronaldo vai fazer mais pela economia do país do que vários Mários juntos - sim, a Madeira ainda é Portugal, embora os nativos afirmem que o craque está a ajudar a terra e "mai nada!". Cristiano Ronaldo não está à espera para pendurar as botas, para que lhe dêem dinheiro suado dos contribuintes para inaugurar uma fundação com o seu nome. Ainda nem sequer completou dois terços da sua carreira e já está  a criar o seu próprio museu. Ou seja, irá atrair visitantes à região autónoma agora que os madeirenses reclamam uma parte dos dinheiros da privatização da CTT (Já me estou a esticar. Estou aqui para tratar das diferenças entre o Ronaldo e o Mário). Na minha opinião é uma grande jogada do avançado da selecção nacional. Ouviram bem? Selecção nacional. Houve tempos em que Mário Soares era um magriço da política, mas ainda não percebeu que cada vez que quer dar uns toques, lá para os lado do Rato e arredores, vai perdendo o pouco do estatuto que ainda lhe resta. Mas adiante. A Fundação Mário Soares será porventura a antitese do Museu Cristiano Ronaldo. Recebeu mundos e fundos, mas pouco dá em troca, a não ser umas conferências catitas em nome da "sua" democracia e umas quantas exposições disto e daquilo. O que Ronaldo inaugura na Madeira não deve a ninguém. Os troféus ganhos são seus e só seus, e não foram comprados com dinheiros públicos. Há aqui um mar de diferenças entre o comandante e o ex-presidente da república.

publicado às 09:36

Uma vez que a Austeridade parece ter vindo para ficar nos países sob programas de assistência, seria lógico e natural que nascesse uma entidade fiscalizadora pan-europeia das decisões políticas tomadas ao abrigo da mesma. Em Portugal, tem sido o Tribunal Constitucional (TC) a dar uma mãozinha no controlo das decisões do Governo, mas o que eu proponho mesmo, no centro do poder político da Europa, seria a criação de um Tribunal Europeu da Austeridade. Uma vez que os efeitos da mesma são muito semelhantes e duradouros, onde quer que se encontrem os desempregados, o projecto de tribunal poderia servir de base para uma magna carta que fosse mais eficaz que os sucessivos Tratados da União na defesa dos direitos dos trabalhadores.  Apesar da grande evocação de princípios e direitos dos trabalhadores de países-membros da União, os tratados não foram capazes de contemplar a actual situação económica e social que fustiga a Europa, e em particular o desastre dos países da periferia. No espírito e letra dos tratados escreveram como se tudo fosse sempre um mar de rosas, sem espinhos ou contratempos de maior. Estranho que, à luz da presente situação, não esteja em curso uma revisão do Tratado da União por forma a integrar mecanismos de reposição do equilíbrio económico e social no espaço comunitário. Um Tribunal da Austeridade poderia funcionar para defender a condição laboral sem que houvesse necessidade de instrumentalizar sindicatos ou politizar instituições nacionais criadas para fins diversos. Custa-me escutar um dos responsáveis pelo descalabro de Portugal acariciar o Tribunal Constitucional como se este fosse pertença dos socialistas. Pedro Silva Pereira é, na sua essência, um sucedâneo de José Sócrates, uma versão mansa da mesma estirpe. Este senhor deveria remeter-se a um período de abstinência, e não seguir o mau exemplo do mentor Mário Soares. Tem todo o direito de interpretar o comportamento de Cavaco Silva, mas deveria acrescentar que também foi um dos incendiários da nação, e que embora tenha tido pastas governativas que serviram para tudo e para nada, isso não o exclui da longa lista de co-autores da presente situação em que se encontra Portugal. O Tribunal Constitucional não pode ser o Senado que Marinho Pinto refere. O Tribunal Constitucional tem de ser igual a si mesmo, sem ter de ser arrastado para a arena política. As declarações do bastonário da ordem dos advogados são mais que bastantes para corroborar o que eu digo - os juízes do TC já são políticos activos. Não deveriam sê-lo. Se a União Europeia pretende avançar, deve iniciar um processo de reflexão que colmate as graves falhas substantivas dos tratados. Supervisão de bancos, união fiscal e uma união bancária caminham na direcção certa, mas falta algo ainda mais fundamental. Falta defender com armas e bagagens os destinatários - a Europa dos cidadãos e dos trabalhadores. Mas essa revisão do Tratado da União só fará sentido se houver uma convergência que vai muito para além do que a "convergência de pensões". A Constituição da República Portuguesa deve ser revista para fazer parte de um novo Tratado Europeu - uma carta pensada em termos universais e que acomode as particularidades nacionais. Enquanto essa relação entre o Tratado da União e as Constituições dos estados-membros da União Europeia não ocorrer, não vejo modo de se dar o salto em frente, em nome do progresso e do desenvolvimento económico e social da Europa.

publicado às 10:12

A balada de Hill Street da Assembleia da República não é uma melodia linear. Os polícias que romperam a barreira colocada por outros polícias levanta algumas questões pertinentes. Como distinguir o cidadão-polícia do polícia-cidadão? Qual o protocolo a seguir no contexto de conflitos que opõem membros de uma mesma facção? A haver um banho de sangue "canibal" entre irmãos compatriotas e colegas profissionais, será que se autoriza a mesma tipologia de comportamento noutros quadrantes? Será que o que aconteceu configura os requisítos de embrião de conflito civil? Como se definem os limites do território físico-político inviolável pela vontade popular? A que degrau da escadaria entramos nesse domínio restrito, em sentido lato ou em stritu sensu? As questões que decorrem dos actos praticados exigem uma interpretação mais profunda, menos emocional e ideologicamente idónea. No calor da noite muitos raciocínios terão sido processados pelo comando policial. À luz de uma óptica de custos e benefícios, sou da opinião que foi necessário escolher o menor dos males. E o cenário equacionado pela liderança foi uma decisão tomada ao abrigo da independência política. Não foi Miguel Macedo a dar seguimento a um despacho operacional ou Passos Coelho que, de um modo executivo, teve de implementar uma boa parte da teoria do jogo que esteve em causa nessa noite. A panela de pressão da manifestação estava muito mais perto de um ponto de explosão do que se possa imaginar. A polícia que estava do lado de lá conhece as mesmas regras de interacção dos que estavam do outro lado. Quando ambos os concorrentes dispõem do mesmo grau e qualidade de informação, a gestão das expectativas mais difícil se torna. Ainda me lembro bem das aulas de estratégia proferidas pelo brigadeiro François Martins e das implicações da ameaça do uso de força e o uso efectivo de força. Dadas as circunstâncias políticas em que se encontra o país e tendo em conta a possibilidade de se observar violência substantiva às portas de, ou no interior da Assembleia da República, penso que o resultado alcançado foi o possível - não o desejado pela ideia fundamental que define um Estado soberano e a defesa do mesmo a qualquer custo. A haver vandalismo sério, com feridos graves à mistura, a situação mudaria radicalmente de figura. Não nos devemos esquecer que na escala de valores pátrios, os militares já sugeriram que estão dispostos a sair à rua. Nesse quadro hipotético, o que aconteceu em frente ao Parlamento, poderá até ser considerado um cenário desejável, um resultado óptimo. Enquanto os polícias se quedaram pelo simbolismo do patamar superior da Assembleia, outras vozes se levantaram no Campo  Grande fazendo uso da palavra violência e mais do que uma vez. Nesta fase do campeonato é irrelevante saber se Miguel Macedo cumpriu o seu papel ou não. Para sabermos isso, uma revolução teria de ocorrer e a história de Portugal teria de ser benévola para com muita gente reunida em defesa da Constituição e alegadamente em defesa do efectivo interesse nacional.

publicado às 17:21

A razão para toda esta histeria....

por Nuno Castelo-Branco, em 22.11.13

...tem um número: 24 mil milhões que "eles" querem controlar, pois alegadamente existirão comissões já recibidas por promessas de TGV e aeroportos. Apenas poderão cumprir, se estiverem no poder. Tudo o mais não passa de fumaça. 

publicado às 10:22

A grande gala da Constituição

por John Wolf, em 22.11.13

Não estive presente na gala da Constituição apresentada por Mário Soares, mas acedi a imagens em directo a partir do portal da Esquerda. Primeira nota; a qualidade do webcast era excelente. Não houve interrupções no streaming. A única coisa chata (decerto que também para os organizadores) foi estar sempre a aparecer publicidade ao Commerzbank (tinha de ser um banco alemão) - o pop-up não se cansava de aparecer. Mas adiante. Mário Soares fez as honras da casa, mas o espectáculo começou verdadeiramente com o artista Carlos do Carmo que sem demoras se pôs a revisitar a sua carreira, não se sabe se de fadista ou de político frustrado. Masturbação para aqui, narcisismo para acolá - não se sabia se a noite seria aproveitada para homenagear a sua carreira (pelo que se foi percebendo através do Facebook, Carlos do Carlos passou a ser Pepsi para muita gente). Por momentos o evento fez lembrar outros palcos. Por instantes tive a impressão de estar a ver uns globos de ouro ou uma revista à portuguesa. Uma quantidade de frases bonitas foi declamada, decalcada da lei fundamental para umas estrofes de encantamento ideológico. E depois foi dada a palavra a Pacheco Pereira, que servindo-se de retórica elaborada, afastou a tentação dos outros, a inclinação para lhe chamarem novamente de camarada. O filósofo das quinas prosseguiu a aula de etimologia para explicar em detalhe a origem do termo - sim, vem de cama, e se quisermos tem a ver com cópula. Os outros palestrantes, brutos ou menos Bruto da Costa, foram por esse caminho também de defesa da constituição e ataque às políticas de destruição do país, mas não passou de diagnóstico intenso, como se a comissão de honra tivesse sido convocada para validar a sua imunidade em relação às responsabilidade políticas que estão na origem da crise. Como se uma nave especial tivesse vindo de um além para aterrar num país que não lhes pertence. O lirismo da modalidade praticada por Manuel Alegre contagiou os estilos de quase todos, como se o poeta fosse o inspirador dos arcanjos da constituição. Devo confessar que abandonei o webcast quando o senhor que se seguiu a Pacheco Pereira fez uso de outras palavras para dizer o mesmo. Em jeito de reportagem incompleta do certame, devo dizer que não fui testemunha de vestígios de um plano substantivo para salvar o país. A noite foi de convívio de frases sonantes e lágrimas ao canto do olho, mas nada se altera com este encontro de egos gigantes. Mais valia os polícias terem dado à sola da escadaria da Assembleia da República e terem marchado em direcção à aula magna para, de viva voz, recitarem as estrofes do seu descontentamento. Tenho a certeza de que poderiam render a guarda destes sentinelas da constituição com mais conhecimento de causa da dureza da vida. O que aconteceu ontem foi um festival de estilos e peitos inchados. Não fiquei até ao fim do concurso da eurovisão, por isso não sei quem levou o prémio para a mais pura demagogia da noite.

publicado às 10:16

Os desaparecimentos de Soares

por John Wolf, em 21.11.13

 

Há alguns anos (não me recordo exactamente quantos) era um pouco mais ingénuo do que sou hoje e até achava piada a Mário Soares. Lembro-me daquele episódio caricato ocorrido no contexto de uma excursão presidencial a bordo de uma camioneta (estariam a caminho de uma terreola qualquer ou a inaugurar o próprio asfalto) quando o então presidente, incomodado pela escolta de batedores da brigada de trânsito, literalmente ordenava ao militar para que desaparecesse do local (veja o clip). À época (1993) os portugueses interpretaram a atitude de Soares como uma expressão de proximidade dos modos do povo, dos chavões empregues pela simples peixeira ou o trolha já tocado pelo tintol. Mas, bem vistas as coisas, afinal aquela atitude de "eu é que mando", revelava alguns indícios de altivez que as pessoas deixaram passar em nome do socialismo saudável. Passados vinte anos sobre esse desejo ditatorial pouco mudou no carácter de Mário Soares. Bastar-nos-ia substituir o polícia enxovalhado à frente das televisões nacionais e colocar em cena Cavaco Silva a quem ele deu ordens de demissão. Acontece que, em nome da coerência histórica, Mário Soares também deveria ser demitido retrospectivamente. A máquina do tempo político deveria poder ser atrasada para relembrar as responsabilidades de Soares no processo conducente ao descalabro nacional. Nem vou entrar pelo caminho das polémicas e das ligações a Angola, ou a amizade especial que nutria pelo grande Mobutu. Não vou repescar expressões proferidas ao abrigo da ajuda externa recebida sob a sua batuta ("Portugal viveu acima das suas possibilidades" - mais coisa menos coisa). Vou me deixar ficar pela operação de trânsito intestinal, o indigesto que o país deve mascar, os despropositados de um político fora do prazo de validade com ambições de eternidade ideológica. Uma outra curiosidade extraída deste almanaque de bizarrias e coincidências atípicas, relaciona-se com o vaticinado por Soares à beira da autoestrada. Quando ele pediu ao brigadeiro de trânsito para que este desaparecesse, o seu desejo quase que se tornou realidade volvidas duas décadas. Pela primeira vez na história política contemporânea de Portugal, uma manifestação de "todas" as polícias e forças de segurança está em curso precisamente para evitar o perigo do seu desaparecimento. As condições miseráveis de operacionalidade em que se encontram para o cumprimento das suas missões justifica plenamente o seu protesto. E é algo que já vem de longe. Não sei se Soares já sabia o que estava para vir ou se teria sido um simples delírio de comandante supremo. Mas Soares não dá tréguas. Ainda quer dar reguadas e pisar o magno palco da política em Portugal.

publicado às 09:38

O senhor Soares anda mortinho por umas valentes chumbadas a desferir sobre as actuais autoridades nacionais. Dizendo querer evitá-las, tenta fazer dos espectadores uma multidão de parvos, pois na verdade aquilo que fica nos ouvidos de todos, é o exclusivo apelo à violência. Ontem à noite continuou à cata de um Buíça, enquanto também sibilinamente sugeria um golpe de Estado, mencionando os tais militares e polícias que sabemos desde sempre ter odiado mortalmente. Para já, conseguiu marcelizar a iniciativa, reunindo uma Brigada do Reumático que nada fica a dever àquela que anunciou a queda do anterior regime. Só lhe falta "alpoinizar-se" e subsidiar a compra de umas tantas pistolas. Parabéns!

 

Vai reunir uns tantos beneficiários do esquema vigente e desde já se vislumbra a hipótese de sair algo de novo e sumamente positivo para a imagem de uma classe política até agora sem remédio:

 

- Soares prescindirá da sua alegada reforma vitalícia de ex-presidente. Soares resignará da alegada contribuição estatal para o pagamento do seu gabinete na própria Fundação de seu nome. Soares passará a pagar do seu bolso as suas alegadas multas de trânsito. Soares prescindirá dos alegados catorze polícias de sentinela às suas propriedades. Soares aconselhará a sua Fundação e a de sua mulher a não receberem nem mais um alegado tostão dos contribuintes. Soares entregará a alegada viatura e o alegado chauffeur do Estado e melhor ainda, comprará ele próprio um VW Passat, ajudando a produção nacional. 

 

Soares passará a viver dos seus próprios e alegados rendimentos, do alegadamente seu Colégio Moderno e melhor ainda, obrigará os restantes companheiros de luta a fazerem o mesmo. Portugal ficar-lhe-á eternamente agradecido. 

 

 

publicado às 09:36

Um capucho, um comentador, um padre, uma bloquista, um fadista, uma arquitecta, um general e um sindicalista no encontro promovido por um "não sei quê"...

publicado às 21:39

Gamela à conta

por Nuno Castelo-Branco, em 29.10.13

 

Seria bastante útil sabermos quanto é que os portugueses já gastaram com o sustento e manutenção dos certamente obscenos "direitos adquiridos" do sr. Soares. Fazendo as contas a partir de 1976, a maquia deve ser impublicável, uma autêntica e perigosa guilhotina. Ou muito me engano, ou a reacção mediática seria mais que suficiente para a logorreica personagem ter de se mudar para outras paragens, podendo então "grónhê son ferrançé" a quem esteja para o frete. 

publicado às 15:51

Porreiro, pá!

por Pedro Quartin Graça, em 29.10.13

Pelo artigo de Mário Soares no Diário de Notícias de hoje ficámos a saber que José Sócrates Pinto de Sousa "vai continuar em Paris para fazer o doutoramento"...
E acrescenta Soares: "Sem deixar de ser político, tornou-se um académico. Sendo um engenheiro licenciado em Coimbra, é hoje um humanista e um pensador político. Tem hoje uma enorme bagagem cultural, como ficou provado."...
Mário Soares dixit.

publicado às 14:23

Este país está mesmo a ficar perigoso

por Samuel de Paiva Pires, em 18.10.13

Nunca, na história da III República, esteve um governo tão limitado no seu espaço de manobra e na sua escolha de políticas como o actual governo. Não só em virtude de as regras emanadas por Bruxelas, relativamente ao controlo orçamental, serem cada vez mais apertadas, e do memorando de entendimento com a troika - que, relembre-se, já que muitos parecem ignorá-lo propositadamente, resultou em larga medida do desastre, esse sim criminoso, que foi a governação de Sócrates -, como também por não termos instrumentos monetários e cambiais próprios, e ainda pelas limitações impostas pelo Tribunal Constitucional, bem como, permitam-me ainda salientar, o constante e brutal escrutínio a que está sujeito pela opinião pública, provavelmente como nunca nenhum outro governo nesta III República. Ainda assim, Mário Soares, sobre quem Rui Mateus já nos elucidou quanto baste no que diz respeito a actividades criminosas, pretende que o actual governo seja julgado criminalmente, e ainda é secundado por idiotas inúteis como Helena Roseta ou Fernando Dacosta. Não me recordo de ouvir esta barricada político-ideológica a respeito das actividades criminosas de Sócrates e companhia, cujas facturas estamos todos a pagar.  Afinal, no nosso país, pode-se ser um governante criminoso, mas se se é de esquerda, não há problema. Já um governante de direita, mesmo que seja honesto e sério, será sempre criminoso, só por ser de direita. O sectarismo parece mesmo toldar em demasia a cabeça de certas alminhas que, por pudor, deveriam escusar-se de protagonizar figuras tristes em que procuram acicatar ódios e incitar a revoluções e julgamentos (quiçá à moda dos jacobinos). Mas continuem assim, que pode ser que um dia o feitiço se vire contra o feiticeiro. 

publicado às 11:05

Sr. Mário Soares...

por Nuno Castelo-Branco, em 18.10.13

 

...sabia que tal como os outros ex-presidentes, não sofrerá qualquer tesourada no seu pocket money? A sua pensão - além do gabinete, assessores, automóvel, motorista e o resto que não sabemos -, tal como a do seu antecessor e a dos seus sucessores está garantida! E pode também vossa excelência ficar descansada, porque em caso de infausto acontecimento, a cônjuge continuará a sobreviver. Integralmente.

publicado às 10:38

Como se já não chegasse a crise económica

por Samuel de Paiva Pires, em 17.10.13

Helena Roseta, na SIC N, solidariza-se com a verborreia que Mário Soares tem debitado nos últimos dias e afirma que Passos Coelho deveria ser alvo de uma acção judicial por atentado à Constituição. Este país está a ficar perigoso.

publicado às 21:36

"I did not have checks with that bank"

por John Wolf, em 17.10.13

Se as palavras ainda valem o que valem, as frases que resultam delas devem servir para revelar uma determinada intenção. Nesse caso, resta-nos interpretar cuidadosamente a mensagem que nos mandam para tentar extrair significados profundos. Quando Cavaco afirma que a única relação que manteve com o BPN foi na qualidade de depositante, soa a Bill Clinton quando jurou a pés juntos que não se enrolou com a Monica Lewinsky. "I did not have checks with that bank" - seria mais ou menos assim se fosse traduzido para linguagem de depósito a prazo -, mais juro menos juro. Mas prestem atenção. Há aqui palavras-brinde metidas na conversa como quem não quer a coisa. Como se fosse um fait-divers - en passant. O presidente da república parece se servir da condição de professor para atenuar as agravantes. "Estão a ver. Eu até era um desgraçado professor que foi a esse... como se chama o banco? Isso - BPN -, guardar os meus trocos, as minhas pequenas poupanças" - a miséria ganha por um docente. Cavaco Silva, ao afirmar que estava ocupado academicamente, parece que o faz para poder dizer que "tinha lá tempo para andar metido em esquemas de dinheiros". Depois, ao não responder à letra a Mário Soares, que o intimida a comparecer em tribunal, provavelmente fá-lo para ver se a coisa acalma. Se Cavaco irrita Soares, está o caldo entornado - este ainda vai buscar umas pastas que devem andar por aí perdidas em arquivos e fundações convenientes. Mas regressemos ao espírito e à letra da troca de galhardetes. Cavaco, que estará no mesmo estado avançado em que se encontra Soares, dentro de muito pouco tempo (reformado, pensionista e mais ou menos gágá), ainda lança umas indirectas que podem ser resgatadas por entendedores de meias-palavras. Quando Cavaco vem com aquele floreado que o povo de Portugal deve estar reconhecido pelo papel de Soares no processo conducente à adesão às Comunidades Europeias, no fundo, e trocado por miúdos, está a dizer que quem nos meteu nesta alhada há muitos muitos anos foi o amigo Soares. É subtilmente cínico, mas não passa despercebido. No meio disto tudo, só acho desonesto que a troca de galhardetes envolva a casa civil. De civil resta muito pouco. Parece que Soares tem enviado as reclamações por correio azul para essa casa em Belém. Claro está que a resposta que os portugueses exigem nunca chegará à barra do rio Tejo, quanto mais à barra do tribunal.

publicado às 18:30

Pst, pst, ó Mário (Soares)

por Samuel de Paiva Pires, em 17.10.13

publicado às 00:43

Os disparates de Mário Soares

por Samuel de Paiva Pires, em 15.10.13

Mário Soares: "No entanto, há poucos dias fui, porque se tratava do filme excecional sobre Hannah Arendt, de quem sou, há muitos anos, um fã e da qual tenho muitos livros".

Tradução: "li muito pouco ou nada dela".

 

Afinal, o mesmo Mário Soares quis trazer Hayek a Portugal aquando da atribuição ao economista austríaco do Prémio Nobel da Economia. Entretanto alguém lhe terá dito que tipo de ideias eram defendidas por Hayek. 

publicado às 12:38

A SIC(k) já começou

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.13

Pelava-me por ter de sobreviver * com 2.000€ mensais.

 

Daquilo que ontem foi decidido e jurado ao país, apenas se retém algo que fica tão firme como o monte Pão de Açúcar: vão mesmo aos bolsos de Soares, de Sampaio, de Cavaco, de Ferreira Leite - neste caso uma pochette Gucci -, do Almeida "tantos" e claro está, do mais famoso caçador-recolector de maningues, selectos e bem regados serões de charutadas poéticas. Apenas alguns nomes entre centos de outros. Centos, para não dizermos milhares.

 

Era de esperar o estupor das preclaras entidades da plutocracia e o primeiro ataque começou precisamente pouco depois das cinco da tarde, quando a gralha de serviço deu início ao "opinião pública". Após desvanecidas considerações a respeito dos dois impantes comensais activos que foram ex-residentes em Belém, deu voz a um dos tais pachiças ocasionalmente ajaezados como politólogos, aproveitando este para perorar as habituais banalidades de reconhecida encomenda. É claro que há quem saia sempre em enervadíssimas e patrioteiras considerações quanto à Constituição que deve ser respeitada com o dinheiro sacado na árvore das patacas pertencente aos contribuintes estrangeiros. No entanto e como também seria previsível, houve alguns intervenientes que disseram aquilo que todos sabemos, grosso modo alguns temas incontornáveis:

 

a) o golpe de Estado constitucional protagonizado pelo inenarrável Sampaio que preside a tudo e mais alguma coisa, abrindo o caminho à "fraude técnica" institucionalizada durante seis anos e à qual não prestou a menor atenção ou controlo.

 

b) a inépcia soarista durante os seus mandatos como 1º ministro e a hoje bastante esquecida chamada do FMI.

 

c) um claro apontar do dedo a um certo estranho caso que envolveu o apelido Soares e um grupo que actuava em Angola.

 

c) a temática mais difícil e sempre escondida pelos empregados do sr. Balsemão, ou seja, aquele absurdo período a que a vulgata regimental apoda de descolonização.

 

Pois bem, à SIC saiu-lhe o tiro pela culatra e não podendo desavergonhadamente cortar a palavra a quem não lhes interessava, notou-se a ânsia pelo chegar do fim desta "opinião pública". Que alívio!

 

* O PS, o PC, o BE e a UGT já saíram em auxílio da sobrevivência de ACS, MS, JS, MFL, AS e dos outros centos de pedintes acima enunciados. É comovedor, o Minipreço ficará extremamente prejudicado.  

 

publicado às 17:50

M'siê Soares, une baudruche qui se dégonfle...

por Nuno Castelo-Branco, em 13.10.13

 

...como também se esvaziam vítimas da fome e famélicos da terra como a Dra. Ferreira Leite do negócio Citigroup, o Sampaio do vale de lágrimas de Crocodylus Lusitaniae, o Almeida Santos, o residente de Belém, as carradas de ex-deputados reformados em "sobrevivência" ao fim de oito anos de porfiado labor, juízes, gestores empresariais do Estado, uns tantos caçadores-recolectores, militares de alto coturno, empilhadores de reformas catadas aqui e ali em presidências disto e mais aquilo.

 

Esta noite foi o que se viu e ao contrário do estupefacto José Gomes Ferreira, apreciei o desgraçadamente necessário trabalho político que fez cozer em banho Maria, toda uma gargantuesca cáfila  que por felicidade conseguiu concitar as súbitas adesões de gente auto-arvorada em defensora dos pobres e desprotegidos. Gozemos então o espectáculo de ver o PC, o futuro ex-BE e os apressados embarcadiços na canoa do sr. Costa das demolições, virem a terreiro defender aqueles que são na pirâmide remuneratória, o topo dos topos do sistema de pensões. Se é bem certo que o governo deixou em estado de sofrimento muita gente aflita pela anunciada política de corte das pensões dos mais fracos, também é verdade que esta tortura de uma meia dúzia de dias, serviu para mostrar cabalmente a ostensiva existência de um tipo de informação especializada em trujilladas mediáticas. Mentem, distorcem, são especialistas em campanhas a soldo de interesses que do país se têm servido como gamela exclusiva. Bem podem agora recorrer ao Alka-Selzer.

 

2. Soares quer ver membros do governo julgados e condenados por delinquência. Tem o pleno direito de querer e dizer o que bem entender, na condição do mais miserável cidadão poder exigir a reciprocidade, precisamente quando se trata de alguém que sem hesitar, voluntariosamente participou na condenação de centenas de milhar de pessoas ao abuso físico e moral, à limpeza étnica e ao total despojamento, sendo o roubo autorizado pela nova administração instalada em Lisboa. O dr. Soares sabe bem que a conivência com deliberadas políticas conducentes ao derramamento de sangue, é matéria insusceptível de prescrição. Isto, para não destrinçarmos outros casos convenientemente abafados pelas trujilladas hostes de trabalhadores da hora do telejornal. É o país que temos, a terra dos nossos amos.

publicado às 23:27

Panelinha de pressão do PS

por John Wolf, em 17.08.13

Ribeiro, Ribeiro! Quer que lhe faça um desenho? Em política tudo é sujeito à panelinha de pressão. Já dizia o outro; "a guerra é a extensão da política por outros meios" (Carl Von Clausewitz). Eu sei, eu sei, não estamos a falar de guerra, mas de conflito político, e para o caso, vai dar ao mesmo. Será que estão a fingir-se de ingénuos lá para os lados do Rato? Os socialistas ao apresentarem-se como damas ofendidas, e afirmarem que Passos Coelho insiste em pressionar o Tribunal Constitucional, parece que nasceram ontem. Toda a matéria circundante pode ser sujeita à influência, à persuasão, à manipulação ou ao golpe da opinião pública. O facto político e o exercício de poder estão presentes em tudo; nas calças apertadas, no detergente para a máquina de lavar loiça, na paróquia da igreja, no posto da GNR ou na novela da noite. Ou seja, desde que o animal político nasceu, exprime-se em tudo quanto é lugar. Não faço juízos de valor. Constato apenas que faz parte da condição política. O primeiro político da história não sonhou com isto, mas paciência, a coisa saiu fora de controlo, e tudo é entendido enquanto extensão da vontade governativa. Quando o Partido Socialista se apresenta como herói da isenção, parece esquecer o seu passado de condicionamentos e contingências. Ironicamente, o próprio Partido Socialista está sujeito à pressão da magistratura do seu fundador (e sem sair de casa). Soares está para o PS como o Tribunal Constitucional está para Passos Coelho. O PSD, embora tenha barões e condados, não vive na sombra de fantasmas, de lideres históricos que já partíram. De facto, o PSD de hoje, pouco ou nada tem a ver com o PSD de Sá Carneiro ou Sousa Franco (sim, sim, o Prof. Sousa Franco foi presidente do partido a dada altura da história, e mais tarde até serviu os socialistas). Passos Coelho enfrentará grandes obstáculos nos tempos que se avizinham, mas esses desafios e contratempos não são um exclusivo do Tribunal Constitucional. O PS, pela voz de João Ribeiro, e à falta de argumentos fornecidos pela casa, de ferramentas domésticas, tem de se servir do Tribunal Constitucional enquanto guarda Suiça dos seus interesses. É o que eu digo e volto a repetir, Seguro desapareceu de cena e o Ribeiro eterniza a inépcia do Partido Socialista. Em vez de andarem preocupados com o modus operandi do governo - se este envia recados ou recebe telegramas -, têm rapidamente de pensar o país. Por este andar nem em finais de Setembro nem em 2015 lhes sai a fava no bolo. Estes faxes que andam a enviar apenas servem para entupir os ouvidos.

publicado às 09:18

Hermenêutica de uma entrevista alucinogénica

por João Pinto Bastos, em 27.07.13

"Honro-me de, com Manuel Alegre, termos evitado que alguns membros significativos do PS se demitissem nos dias anteriores a Seguro dizer que não havia acordo. Por mim, nunca acreditei que aquelas conversações fossem feitas sem que houvesse uma cisão grave no PS. Seguro mandou-me um recado por Almeida Santos a dizer que estava muito magoado comigo. Ora eu também estou com ele, principalmente depois da entrevista que deu à inteligente entrevistadora da SIC, Ana Lourenço, em que só falou uma vez e de passagem do PS, como se fosse o seu dono. Ora não é. É apenas o seu líder, eleito por esmagadora maioria, pelo congresso, a que assisti, é verdade. Mas isso não lhe dá o direito a falar sempre na primeira pessoa. Pelo contrário."


Nota: a reconciliação do papá Soares com o poetastro que ninguém cala já espoletou alguma mossa no seio do Partido Socialista. O partido jacobineiro ficará, doravante, em suspenso. O aviso foi claríssimo: se Seguro quiser pensar fora da caixa, isto partindo do pressuposto de que Seguro pensa e raciocina, terá, certamente, pela frente os braços ferinos dos dois senadores deste regime bananeiro. O mote está dado: ou Seguro cumpre escrupulosamente as prescrições que o desvairamento regimental impõe, ou, então, será corrido sem apelo nem agravo.


" Tanto Manuel Alegre como eu evitámos que eles se demitissem antes de Seguro se pronunciar. Mas confesso-lhe que fiquei desiludido com o discurso brando com que anunciou o desacordo e deixou algumas portas abertas para uma nova discussão. Também fiquei desiludido com a entrevista que deu depois a Ana Lourenço, como já disse atrás, em que numa hora falou sobre ele e uma só vez no PS."


Nota: há que repetir até à exaustão os resultados maravilhosos da reconciliação jacobineira entre o ex-presidente e o poestastro que ninguém cala.


"Têm o sentido de que o que conta é a austeridade e que a pobreza das pessoas e as próprias pessoas que se lixem, para usar o termo que hoje é muito usado. Os valores não contam. A ética e o humanismo, que permaneceram depois da Segunda Guerra Mundial hoje são motivo de riso dos tecnocratas, que enchem os bolsos e nada mais. Pois bem, isso vai ter de mudar ou a Europa cai no abismo e nada nos vale. Não creio que sejamos tão estúpidos que caiamos nesse abismo. Por isso tenhamos esperança. E acreditemos nos nossos valores. As troikas que se lixem, senhor Presidente da República e senhores primeiro-ministro e vice--primeiro-ministro."


Nota: Pois é, caríssimo Pai da Democracia, de facto, os tecnocratas sequiosos de poder e dinheiro enchem os bolsos e nada mais. Essa elite penduriqueira vive, unicamente, para roubar os desvalidos da sorte e da fortuna. E roubam para dar a quem? Roubam, entre outras coisas, para dar o vil metal a uma estranha fundação, patrocinada por um ex-presidente alcandorado a Pai da Democracia, que vive, note-se, da esmola do contribuinte. Um belíssimo exemplo, diga-se de passagem. Fixem isto, caros leitores: são sempre os "outros" que roubam. Já os jacobinos, que, curiosamente, sempre viveram na esfera do poder, negociando favores, trocas e baldrocas, sãos uns santinhos. É esta a lógica do socialismo nacional. Habituem-se.

 

"Estou encantado com este Papa. Tenho por ele um grande respeito e uma enorme admiração. É a grande figura deste nosso século xxi, no plano não só religioso, mas político, social e sobretudo humano. E note--se que conheci pessoalmente muitos Papas, de Paulo VI a Bento XVI. Não tive ainda a oportunidade de conhecer o actual. Digo-o em função da sua excepcional humildade, da sua preocupação com os pobres, contra a chamada austeridade (que igualmente abomino) e a luta pela igualdade entre homens e mulheres, católicos e não católicos, crentes e não crentes e de todas as outras culturas e religiões. É um Papa de um humanismo excepcional, simples, amigo dos pobres e das crianças e que visita os presos e não tem medo de nada e de ninguém. É o maior homem deste século, a favor da paz e desejando mais igualdade. Só tem paralelo com Barack Obama, um grande presidente e um humanista como Sua Santidade. Ambos contra a nefasta austeridade e em favor das pessoas acima de tudo."


Nota: começo, muito sinceramente, a pensar, com algum receio, no real significado político, social e teológico do papado do Papa Francisco. Um elogio de Soares é, em qualquer parte do mundo, uma mordedura venenosa. O veneno não é letal, mas provoca, decerto, uma agitação insabubre. Quando alguém diz, sem se rir, que Obama está a "favor das pessoas acima de tudo", é, certamente, caso para pensar na sanidade mental dessa pessoa. Contudo, quando esse alguém é Mário Soares, não é de insanidade mental que estamos a falar, mas, sim, de desonestidade intelectual. Mais: comparar o Papa Francisco a Barack Obama, como se se tratasse de uma comparação usada e normal, revela que Soares perdeu completamente o domínio da realidade. O pensamento mágico produz, de feito, alucinações muito perigosas. Ademais, desde quando é que Obama é um humanista excepcional que age "em favor das pessoas acima de tudo"? Haja bom senso.


"Quanto ao Senhor Presidente da República, que se diz católico, nunca o ouvi falar do Papa para exaltar a sua figura. E ao novo governo, incluindo Portas, que também se diz católico, também não. O novo governo só pensa em mais austeridade, como o Presidente no pós-troika. Sem uma palavra a favor do Papa, que não conta para eles. O Presidente, com o seu governo querido (até pelo menos 2015, como disse), não fala da situação do povo português, cada vez mais desesperada. E agora a Igreja também está um tanto silenciosa. E os fiéis também não contam? Não me parece, porque os fiéis vão necessariamente gostar deste Papa e o silêncio da Igreja está--lhes a custar muito. Como o do Presidente, que de católico a sério parece não ter nada. Acima de tudo para ele está o pós-troika e o dinheiro. Quanto às pessoas, nunca falou delas, como fez no Dia de Camões, a quem nem sequer se referiu. Para o Presidente também não conta, tal como o nosso Prémio Nobel, José Saramago. Pobre Presidente, desgraçado Portugal."


Nota: A que Igreja se refere Mário Soares? Pelos vistos, o papá do regime vive numa realidade paralela, prenhe de símbolos e alegorias jacobineiras, em que a Igreja e os fiéis seguem à risca os seus comandos fantasiosos. Para Soares, comparar o Papa a Obama é um exercício, em si, insuficiente, pelo que há que inocular nos pobres leitores do periódico I a imaginativa crença de que a Igreja tem estado, estranhamente, silenciosa. Uma coisa é certa: com Soares o riso é garantido. E interminável. Valha-nos isso.


Entrevista de Mário Soares ao I.

publicado às 15:25






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