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Putin, o Alexandrinho Nevski em part-time

por Nuno Castelo-Branco, em 21.03.11

Um dos mais implacáveis interventores em territórios alheios, decidiu-se hoje a juntar a sua voz, à de antigos camaradas do amanhã que jamais chegou. Putin copia as declarações de Castro e Chávez, chegando ao ponto de se apropriar do ridículo argumento em voga desde os tempos da II Guerra do Golfo e que faz os Cruzados renascerem à hora dos noticiários. 

 

A Rússia é um dos alvos mais apetecidos dos radicais muçulmanos que desde a fronteira ocidental da China e por todo o vasto espaço da antiga Ásia Central soviética, despoletaram situações de completa insegurança no Cáucaso, sul da Rússia e nas próprias duas grandes cidades do país, Moscovo e São Petersburgo. Putin e o seu "Roberto em cena", têm sido expeditos nos métodos para o aplacar de quaisquer veleidades secessionistas e invocam a luta antiterrorista, como uma necessidade da segurança colectiva. O esmagar de quem lhes surja pela frente, não olha a métodos ou à dose de brutalidade, tudo e todos liquidando sem contabilizar vítimas-reféns ou os algozes do momento.

 

Invocando a luta antiterrorista, é assim que se explicam junto da comunidade internacional, melhor dizendo, de um Ocidente receoso e bastante atento à sua fronteira leste. Grozni - destruída a tiros de canhão -, Baku, a Geórgia, Abecázia Nagorno-Karabak e outros pontos perigosamente próximos da instável zona do Médio Oriente, podem sempre contar com as "cruzadas" à Alexandre Nevski, a executar pelos tanques de Putin e Medvedev. Provavelmente agastado pelo quase certo desaparecer de um importante cliente de armamento Made in Russia, Putin enerva-se e agudiza o som das cordas vocais, copiando os argumentos da dupla Kadhafi senior-Kadhafi junior. Não tardará muito, até começar a fazer o estapafúrdio link entre a Al Qaeda e a NATO.

 

Bem vistos os factos, todo este arrazoado de futilidades resumir-se-á à justificação de mais uma ajuda ao conglomerado militar-industrial russo, desejoso de fazer pesar ainda mais, a sua omnipotência no regime de Moscovo. Pior ainda, Kadhafi acenou-lhe com miríficas concessões petroleiras, hoje vistas por um canudo. Trata-se de uma questão comercial e tendente a piscar o olho mundo fora, a novos clientes de armamentos que no caso do Médio Oriente e mercê da inabilidade dos usuários, têm a irritante tendência para a aniquilação no terreno, vitimados pela tecnologia ocidental.

 

Pelos vistos, nada esqueceu dos seus tempos de bisbilhotice de arquivos e dos serviços arranca-unhas que terá prestado na Praça Lubianka.

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publicado às 15:27

A tenda e o bunker

por Nuno Castelo-Branco, em 19.03.11

Merkel colocou este bunker à venda por uma pechincha. Quer comprá-lo?

 

"17h25. Rassemblement à la résidence de Kadhafi. La télévision d'Etat annonce que des centaines de Libyens sont rassemblés au QG de Mouammar Kadhafi à Tripoli «en prévision de frappes françaises». «Les foules se rassemblent autour des cibles désignées par la France» pour les bombarder, assure la télévision, en diffusant des images en direct de Libyens qui, selon elle, sont rassemblés à la résidence à Bab al-Aziziya ainsi qu'à l'aéroport international de Tripoli."

 

Aqui está uma oportunidade para a demasiadamente excitada senhora Cândida Pinto. Todos têm seguido as suas reportagens, quase milimetricamente coincidentes com o inesgotável libreto da propaganda de Kadhafi. Sabemos a quem pertence a SIC e isso torna estes exageros compreensíveis. 

 

Deixando o copy-paste kadhafista, resta-nos dizer que dentro do bunker soterrado por milhares de toneladas de areia entremeadas de placas de betão, o "guia da revolução" vai-se confortando no seu SPA privado. Lá em cima, à volta da tenda que cobre o complexo defensivo e onde o imaginam totalmente indefeso, magotes de mulheres ululantes servem de escudo, consistindo num potencial alvo do ataque que se espera e que Kadhafi deseja. Por enquanto, têm-se contentado com fervores patrióticos diante das equipas televisivas ocidentais e ainda bem que assim é.

 

Nada de novo. É uma velha história. Pensarmos que ao fim de setenta anos ainda falam de Hitler, quando este, refugiado no bunker da Chancelaria, jamais se serviu deste tipo de artimanhas!

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publicado às 18:10

Ontem, ameaçava o Ocidente com a retirada das concessões na exploração de petróleo e jogava a cartada da divisão na ONU, oferecendo-as à China, Rússia e Índia. Hoje, numa arenga televisiva, confirma plenamente aquilo que há muito se sabe. Se as suas tropas conseguirem vergar uma cidade de quase 700.000 habitantes como Bengazi, a chacina será total. Como dissemos desde os primeiros dias, os ingleses parecem estar envolvidos na muito legítima sublevação contra o ditador.

 

De mãos atadas por alemães, russos e chineses, do que estarão à espera americanos, ingleses e franceses? Completamente fora de si, Kadhafi também "decreta" o fim da Liga Árabe. 

 

Nos primeiros dias da sublevação, Portugal tomou uma posição firme, mas agora, onde está ela? Porque razão o sr. Luís Amado não deixa a zona turva e faz aquilo que deve, reconhecendo a oposição ao tirano enlouquecido? Estará à espera de San Marino, da Estónia ou da Eslovénia? Pior que tudo, agora parece querer agradar a Kadhafi e pretende voltar atrás. Embora os jornais nacionais façam a censura - nenhum publica uma só linha - que lhes é típica, a Aljazeera noticia que Portugal acaba de se juntar aos alemães e África do Sul, mostrando "dúvidas" quanto à implementação da zona de exclusão aérea, aliás uma medida insuficiente.

 

Não há quem nos livre de vergonhas sobre vergonhas?

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publicado às 09:55

Luís Amado, endireite a sua coluna vertebral!

por Nuno Castelo-Branco, em 11.03.11

Todos sabemos o que a França significou, ou melhor ainda, o que foi. No entanto, ontem teve a coragem de fazer aquilo que se esperava noutras latitudes. Assim sendo, do que estará à espera o governo português? Após as declarações mornas do sr. Luís Amado, já não se pode ficar a meio do caminho. Fazem sequer uma ínfima ideia acerca do esquizóide com quem têm gostosamente lidado em Trípoli? Pensam que Kadhafi e o seu bando de rufias facilmente esquecerão?  Ainda há pouco, o jornalista da Aljazeera presente na reunião da U.E. em Bruxelas, dizia que as "pequenas nações" estão á espera daquilo que as "grandes" - França, Reino Unido, Alemanha e Itália - decidirem. O sr. L. Amado ontem declarou ter transmitido a mensagem ao enviado de Kadhafi, afirmando ter o seu regime terminado. Do que está então à espera? Dos letões, lituanos, croatas, dinamarqueses, austríacos, búlgaros, belgas, estónios, gregos, eslovacos ou eslovenos?

 

Julga o sr. Amado que Portugal estará a esse nível? Não valerá a pena esperarem por Washington.

 

Endireitem a coluna vertebral, pelo menos uma vez na vida.

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publicado às 14:43

Kissinger, os Açores e velhos projectos

por Nuno Castelo-Branco, em 22.11.10

D. Carlos e Dª Amélia nos Açores (Julho de 1901)

 

Parece existir uma certa surpresa pela notícia hoje divulgada pelo Público e que se refere a um projecto de ocupação dos Açores pelos EUA, durante o auge do PREC de 1975.

 

Esta possibilidade existe há perto de 120 anos e a primeira vez que dela se ouviu falar nas chancelarias europeias, foi nos finais do século XIX, quando após uma rápida guerra de surpresa contra a Espanha, os americanos arrebataram Porto Rico, Guam e as Filipinas, ao mesmo tempo que estabeleciam um protectorado em Cuba.  A Doutrina de Mahan, bem alicerçada naquela outra que serviu e ainda se faz valer no Hemisfério Ocidental, impôs a ascensão dos Estados Unidos à condição de grande potência naval. A aquisição de bases que servissem como perímetro de defesa, foi talvez a primeira consequência da vitória sobre os espanhóis, também impedindo aquilo que já se tornara num princípio básico do sucesso de qualquer esquadra em batalha: a logística e o controlo das rotas marítimas intercontinentais. De facto, a distância que separava as armadas europeias dos seus portos metropolitanos, consistia no problema que durante séculos obcecou todas as potências marítimas, tendo sido Portugal, a primeira delas a construir um rosário de pontos de apoio costeiros e insulares que pontilharam o Atlântico, Índico e Pacífico ocidental. A Inglaterra compreendeu o conceito e estendeu o seu domínio a Gibraltar, Malta, o Chipre, Suez, Freetown, Golfo da Guiné, Santa Helena, Ascensão, Cabo, Zanzinbar, o Hadramaut, Bahrein, Ceilão, Penang, Singapura e Hong-Kong.

 

Mahan compreendeu o aspecto vital que o comércio marítimo representava para a Europa e os estrategas de Washington desde cedo encararam os Açores como uma base absolutamente essencial à intercepção das rotas que uniam o velho continente às suas possessões no além-mar. Numa época em que a Royal Navy era a incontestável soberana de todos os oceanos, o princípio britânico de possuir uma esquadra "second to none", impunha a garantia da utilização de portos amigos, ou directamente controlados por Londres. Os primeiros-ministros ingleses tinham como ponto fundamental da sua agenda internacional, o princípio de Lisboa ter forçosamente de ser, uma base amiga da Grã-Bretanha. A partir daqui, a própria política externa da Monarquia Portuguesa pós-Ultimatum, sentiu-se com a confiança reforçada para o grande e oneroso projecto daquilo a que se designou de Campanhas de Pacificação em África, antes de tudo tendo como objecto, a garantia e alargamento das fronteiras das colónias que a Inglaterra tinha condescendido em deixar ao dependente aliado português. A vantagem do "Estado tampão" que para mais era aliado e importante parceiro comercial, foi um dos aspectos mais notáveis do espantoso sucesso da permanência portuguesa na África austral, hoje a parte de leão dos PALOP, detendo pontos estrategicamente tão relevantes como Lourenço Marques, a Beira, a desembocadura do Zambeze, a partilha da soberania do Rovuma e do Lago Niassa com a Alemanha, e os territórios que hoje fazendo parte de Angola, se encontram sobranceiros à foz do Rio Congo.

 

Nos finais do século XIX, correram rumores acerca de um possível confronto naval anglo-americano e os Açores estavam de imediato, na possível linha da frente do conflito, servindo como esteio essencial a ambas as armadas. Os ingleses jamais permitiriam contra Portugal, qualquer aventura bélica ao estilo canhoneiro de Theodore Roosevelt. Isso significaria o desencadear de acontecimentos de consequências desastrosas, desde a perda dos arquipélagos atlânticos - Açores, Madeira, Cabo Verde -, até a uma forçosa partilha das colónias da África austral, levando a Alemanha de Guilherme II até ao Zambeze e à absorção de uma boa parte de Angola, alargando o então Sudoeste Africano Alemão. A Visita Régia que D. Carlos I e a Rainha Dª Amélia efectuaram em Julho de 1901 aos Açores e à Madeira, inseriu-se nessa política de manifestação da soberania portuguesa, aliás acompanhada pela presença de unidades navais britânicas que prestaram as devidas honras às Majestades, aproveitando para enviar um forte sinal a espanhóis, alemães e americanos.

 

A I Guerra Mundial demonstraria a importância do arquipélago, no momento em que a arma submarina manifestava toda a sua potencialidade como factor de disrupção do comércio marítimo. A construção de uma base americana ficou decidida e bem serviu durante um breve período, pois o conflito terminou em 1918. Os anos imediatos transferiram a atenção dos EUA para o Pacífico, onde um Japão em ascensão imperial ameaçava os interesses coloniais e comerciais norte-americanos, desde a China às Filipinas e Pacífico central.

 

Em plena II Guerra Mundial e mesmo antes do ataque a Pearl Harbour - quase reeditando desta vez contra os EUA, os acontecimentos de Cavite e de Santiago de Cuba (1898) - , os Açores parece terem sido uma constante preocupação por parte dos ingleses e durante algum tempo, aventou-se a hipótese de a célebre surtida do Bismarck e do Prinz Eugen, ter sido gizada como um primeiro indício de uma ocupação preventiva do arquipélago. O chamado "buraco negro do Atlântico" acabaria por ser colmatado quando do acordo, via Londres, entre Portugal e os Estados Unidos da América. Evitou-se assim, aquilo que a belicosa e impaciente administração Roosevelt pensava seriamente realizar, quanto a uma simples e total ocupação sem declaração de guerra. Após 1945, os Açores consistiram numa das principais bases aeronavais americanas e até hoje assim se mantêm, tendo desempenhado um importantíssimo papel durante os conflitos israelo-árabes e no período da Guerra Fria, quando os russos finalmente criaram uma enorme esquadra de alto mar e estenderam a sua influência a Cuba e a numerosos países africanos.

 

Os EUA jamais pensaram poder perder os Açores e qualquer acto irreflectido por parte de Lisboa, ou a possibilidade do desaparecimento de Portugal como Estado independente, significarão a imediata secessão, ou a anexação da sentinela atlântica. Desta forma, os Açores são para todos os efeitos, um importante pilar da independência de Portugal, país marítimo por vocação ditada pela geografia e pela história. Toda a política de alianças, deverá sempre ter este evidente aspecto em boa conta, pois tal como na Londres de 1890, Washington jamais suportaria a hipótese de um dia, Lisboa e Ponta Delgada serem portos hostis. Tal não acontecerá, mesmo que qualquer aventureiro transitoriamente instalado em Belém ou S. Bento e imitando 1975, consulte miraculosos oráculos ou xamãs.

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publicado às 23:24

Aulas de terrorismo no Liceu Camões

por Nuno Castelo-Branco, em 22.11.10

Activistas dão aulas no liceu para ensinar a enganar a Polícia
por LUÍS FONTES

"Especialistas" vieram de fora para ensinar, ontem, no Liceu Camões, a lidar com as forças de segurança durante uma manifestação. À noite, manifestantes foram protestar para a rua. É importante planear e treinar as acções de desobediência civil não violentas. É necessário estudar itinerários para que a Polícia não saiba como e onde vamos actuar", explicava ontem, em inglês, Andreas Speck, activista da War Resisters Internacional, numa sala de aula no Liceu Camões, em Lisboa. O workshop estava inserido na Contra Cimeira NATO, organizado pela PAGAN - Plataforma Anti-Guerra, Anti-NATO. A plateia para quem Andreas Speck falava era maioritariamente jovem. Com um quadro de ardósia atrás de si onde, a giz, estavam inscritas palavras como "sabotagem, ocupação e vigília", o activista alertava os presentes que hoje vão participar nas manifestação contra a NATO: "Eu sou um pacifista, mas a Polícia não é." A palavra "Black Bloc" ecoou várias vezes na boca de alguns "alunos". Andreas Speck disse apenas que a postura destes activistas - conhecidos pelos rastos de destruição e confrontos directos com a Polícia em várias capitais europeias - não lhe merece nenhuma crítica. "É a forma que usam para defender aquilo em que acreditam. Nós somos diferentes", afirmava o activista da War Resisters. A definição de violência foi aliás debatida pelos presentes no workshop. "Será que o facto de uma activista ter destruído o cockpit de um avião que transportava armas para o exército indonésio durante a ocupação de Timor pode ser considerado um acto violento", interrogou. A sala, depois de alguma reflexão, considerou que não. "Há outras formas de luta", alertava o activista, e chamou para seu lado um colega alemão que há duas semanas organizou um protesto pacífico na Alemanha com duas mil pessoas. "Quando a polícia chegou sentámo-nos no chão e não saímos", explicou o alemão. "Tiveram de nos tirar um por um", concluiu. "Para que tudo corresse bem, estava lá a imprensa. A cobertura noticiosa impediu uma carga policial que aconteceria com toda a certeza", explicou Andreas Speck, para quem a organização de grupos de cariz anarquista é uma tarefa importante. Outros workshops tivdecorreram ali, como o de Rai Street, vinda de Inglaterra explicar que "cada país que adere à NATO tem de gastar milhões em armamento para manter fluorescente o complexo industrial e militar norte-americano". Em Almada, decorreu outra anticimeira, organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação sob o lema "Paz Sim! NATO Não!" que hoje também vai desfilar em Lisboa. Gustava Carneiro, disse ontem à Lusa que a manifestação será "pacífica, democrática e combativa" mas negou qualquer "linha violenta". À noite, manifestantes juntaram-se na Praça Luís de Camões, numa acção de apoio a outros activistas que se viram impedidos de entrar em Portugal para participar nos protestos anti-NATO.

(in Diário de Notícias).

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publicado às 12:09

Cimeira da NATO

por Nuno Castelo-Branco, em 21.11.10

Uma Europa que se nega a equipar para a defesa e a colaborar na garantia da sua própria segurança, não podia ter esperado mais de uma cimeira que antes de tudo, serviu para um crucial apaziguamento e até aproximação da Rússia. Estando o gigante do leste perante dilemas de difícil resolução - fronteiras instáveis, separatismos vários, forte quebra da natalidadel, fraca densidade populacional nas fronteiras da parte asiática -, a NATO pode hoje significar o seu auto-reconhecimento como parte integral da defesa de um Ocidente, a que em boa medida pertence. Daí a vinda a Lisboa e o sucesso da Cimeira. Consistiu este, o aspecto fundamental da magna reunião.

 

Dizer que os trabalhos serviram para consagrar elaboradas negociações ocorridas ao longo de muitos meses, parece ser uma evidência. Escassas horas de conversas, não são suficientes para a superação de incógnitas políticas, económicas e técnicas e quanto a este ponto, os militares tiveram muito para estudar, ponderar e propor. Conseguiu-se algo, é verdade, mas apenas o futuro próximo poderá dizer-nos se se traduzirá em actos concretos, desde o Afeganistão, até à modernização das forças armadas dos países europeus. Se excluirmos o Reino Unido - na prática, o único Estado com experiência de guerra no campo de batalha -, todos os outros padecem de um velho mal, instalado desde os anos 60. Esquecidos dos traumas da II Guerra Mundial, passaram os sucessivos governos por todo o tipo de pressões de rua e dos sistemas partidários eleitorais, tendentes à radical recusa de verbas para o rearmamento ou maior eficácia, na preparação militar para qualquer eventualidade. O exemplo alemão é evidente, com um exército mínimo, quase impedido de sair das suas fronteiras e sempre motivo de desconfiança por parte dos seus próprios aliados. Quando já há décadas, uma pequena unidade procedeu a um competente e fulminante resgate de reféns capturados por terroristas na Somália, por toda a Europa surgiram primeiras páginas, onde se podia ler "A Wehrmacht desembarca em Mogadíscio!".  De facto, o chamado "motor europeu", sendo o país mais populoso da UE, o mais poderoso em termos económicos e aquele que pela sua posição central, continua a ser apontado como o principal garante da segurança continental, é um anão militar e pior ainda, vive acorrentado por complexos de inferioridade moral que hoje, decorridas três gerações desde a queda de Berlim, não têm qualquer nexo e causam graves transtornos à eficácia da Europa como entidade e à NATO como organização sólida e capaz. O caso da divergência Merkel-Sarkozy a propósito do nuclear, é típico. Se por um lado se compreende bem a relutância alemã pela posse deste tipo de armas, por outro lado torna-se gritante, a evidência do raciocínio francês. Bem vista as coisas, as armas nucleares são o único argumento de dissuasão válido, dada a duvidosa eficácia dos recursos convencionais na generalidade dos países componentes da vertente europeia da Aliança. A França, sendo um aliado que na aparência construiu um imponente edifício militar, apenas pode contar com uma muito insuficiente força de projecção externa, contando com um porta-aviões e uns tantos vasos de guerra capazes de operações anfíbias no além-mar. O Reino Unido é e continuará a ser, a única força com a qual os americanos poderão contar, dada a modernização sempre presente, a experiência nos tetros de guerra, a determinação no prosseguir de uma política que tem raízes num passado não muito distante e a certa colaboração na "special relationship" com os EUA. Contra a esmagadora superioridade da US Navy, poucos argumentos "a Europa" terá, para fazer valer a sua voz. Não passa de um parceiro subalterno, embora a sua posição estratégica seja fundamental para a segurança dos Estados Unidos que simplesmente, não se podem dar ao luxo de a dispensar.

 

Torna-se duvidosa, a súbita consciência da imperiosa modernização das forças militares dos componentes europeus da NATO. Ainda há dias assistimos a um debate parlamentar, durante o qual ressurgiu a ridícula, mesquinha e até infamante questão dos submarinos da Armada Portuguesa. Choveram dichotes e insultos e o próprio primeiro-ministo - que está de parabéns pela excelente organização e garantia de segurança da Cimeira -, não se coibiu de participar neste suicidário jogo de descrédito e de humilhação nacional. De facto, as lideranças políticas são as principais inimigas das Forças Armadas a quem devem o poder, a ascensão social e os chorudos proventos decorrentes do exercício da potestas. Termos visto o Sr. Santos Silva, o Sr. José Sócrates e o Sr. Luís Amado longamente falarem acerca do interesse nacional e finalmente, sobre assuntos de verdadeiro interesse geral, foi reconfortante. Esperemos que não seja uma fase de adequação ao ambiente da Cimeira e que na próxima segunda-feira, não regressemos às vergonhosas indignidades habituais, tão do agrado de quem manda e de quem se lhe opõe. Nisto, não existe qualquer diferença entre o governo e a oposição e bem podemos utilizar o estafado lema do "todos diferentes, todos iguais".

 

Pede-se apenas o óbvio: determinação e firmeza.

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publicado às 09:12

NATO: a solidez portuguesa

por Nuno Castelo-Branco, em 19.11.10

Esta cimeira oferece visibilidade a Portugal, país bem conhecido pela competência com que organiza este tipo de eventos.

 

A política externa e de segurança, deve ser impermeável aos humores ou caprichos das lutas partidárias, hoje bem afastadas de histerias ideológicas de uma era bem morta e enterrada. Um exemplo disto, será a unanimidade das forças do chamado "arco constitucional" que nestas alturas, não coloca qualquer problema àquele que é sem qualquer dúvida, o principal esteio da segurança externa do Estado. Os resmungos quase inaudíveis vindos da parte de grupúsculos marginais - parlamentares ou não -, apenas confirmam a sua inutilidade para aquilo que deve ser o exercício do poder e a promoção da governabilidade, credibilidade internacional e no plano interno, do progresso. De facto, a Aliança Atlântica estabelecida com os Estados Unidos da América, segue na perfeição, a linha ao longo de séculos mantida por Portugal e que teve na Aliança Luso-Britânica de 1372, o símbolo mais duradouro e útil. O fim da II Guerra Mundial ditou uma nova relação de forças e a óbvia passagem de testemunho da segurança geral. Evidentemente,  isto não pode representar o fim de uma apertada política de colaboração com a antiga aliada, com a qual seguimos mantendo muitos interesses comuns, desde estratégicos, até aos que decorrem das fronteiras entre a Commonwealth e os PALOP, por exemplo.  Assim, a Aliança Luso-Britânica continua válida e no âmbito europeu e consiste numa segurança para Portugal, baseada nos importantes arquipélagos atlânticos e na posição inglesa em Gibraltar, essencial sob muitos pontos de vista.

 

A posição que hoje o governo português manifestou durante o seu encontro com o Secretário-Geral da NATO, é complementar das palavras proferidas por Luís Amado, que recebendo Hillary Clinton nas Necessidades, reafirmou a solidez do posicionamento nacional na aliança. É certo existirem algumas razões de descontentamento, pois ao contrário de alguns Estados-membro de duvidosa fiabilidade, Portugal é um aliado de absoluta confiança e não tem beneficiado como muitos outros, de uma mais aturada atenção por parte das sucessivas administrações norte-americanas. Tal se tem passado ao longo de décadas e se no início da história da NATO contámos com um processo de assistência e modernização sem precedentes nas nossas Forças Armadas, ao longo de muitos anos, foram-se sucedendo os casos desagradáveis, tendo como motivo a Guerra de África. Tal sucedeu, precisamente quando os EUA se encontravam profundamente envolvidos num conflito infinitamente mais violento e contestável sob o prisma do direito internacional.

 

Parece existir um quase desinteresse ou desleixo norte-americano para com Portugal. No já longínquo ano de 1983, participei numa "universidade de verão da NATO", em Pont-a-Mousson, França. A generalidade dos professores e militares vindos dos Estados Unidos, apenas nos olhavam como teóricos detentores da soberania sobre os Açores, ou pior ainda, como uma possível "landing beach", sucessora da Normandia. Nas relações bilaterais, o défice é decerto americano e não português. Tal como o preguiçoso embaixador americano observava em 1943, ..."os portugueses são muito susceptíveis". Com razão, acrescentamos nós.

 

O mundo é hoje bem diferente daquele que conhecíamos há apenas duas décadas. O Ocidente encontra-se numa grave crise económica e a Europa, um peão essencial e multifacetado, parece soçobrar em múltiplos aspectos, entre os quais o identitário deverá ser considerado como um dos mais preocupantes. Na verdade, existem várias "Europas" e este é um princípio a considerar como válido e correspondente ao interesse português. Há ainda que acrescentar a consciência do facto de os EUA ainda continuarem a ser por muitas décadas no futuro, a grande potência militar mundial e sem qualquer dúvida, hegemónica no Atlântico. Tal não impedirá a necessidade de uma maior contribuição militar da Europa no seu conjunto e no caso que mais nos importa, de Portugal.

 

No caso português, a NATO não poderá jamais fazer esquecer as ligações com os antigos territórios do Ultramar, entre os quais o Brasil faz figura de potência em ascensão. Tal poderá ser, um precioso contributo para a manutenção de pontos vitais de apoio, povidencialmente colocados na intersecção das principais rotas marítimas. Eis a centralidade da posição de Portugal no mundo.

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publicado às 13:09

Republicanos luxos à la carte

por Nuno Castelo-Branco, em 19.11.10

Um dos escassos argumentos utilizados pelos repimpantes republicanos do Esquema vigente, consiste na crítica à Monarquia, pelo que esta representa de "desigualdade e despesa". Pois nem sequer se dando ao trabalho de verificar ou comparar as contas relativas às chamadas "listas civis" de presidentes e monarcas da Europa, os enervados senhoritos deviam saber que em matéria de despesa, as suas repúblicas  destroçam a mais grandiosa das Monarquias, neste caso, a britânica. O sr. Sarkozy é um bom exemplo, ascendendo a factura do Eliseu a mais de 100.000.000 de Euros por ano. É claro que a isto se acresce toda a parafernália dos ex-presidentes e respectivas entourages, enfim, nada que não tenhamos por cá.

 

O poder pessoal, outrora acerbamente criticado aos déspotas do passado, parece ser uma constante nestas Repúblicas que fazem da visibilidade do seu titular, o ponto essencial, quase exclusivo. Alguns há que têm o poder de vida ou de morte a destinar ao planeta inteiro e amanhã, Lisboa conhecerá três destes presidentes, ou seja, o sr. Obama, o sr. Medvedev e o sr. Sarkozy, decerto acompanhados pelo ajudante de campo que transporta a preciosa maleta com os códigos passíveis de desencadear o Armagedão. Em Portugal, dada a exiguidade do país e a insignificância de uma instituição à qual a população ostensivamente virou as costas no passado 5 de Outubro, ficamo-nos ainda por mais uma imitação à pressa, por obra de alguns delírios presidencialistas de uns tantos papalvos, desejosos de iniciar um novo regime com uma velha personagem. Esquecem-se do presidencialismo que já tivemos num breve ano da mais conturbada época da História de Portugal. Acabou como se sabe e ali mesmo, em público, nas lajes frias da Gare do Rossio. Bem vistas as coisas, este neo-presidencialismo à portuguesa, equivalerá à construção de uma réplica de 1/4 da Casa Branca a erguer por adjudicação directa a um pato bravo, nos arredores de Lisboa. Cercada de muros, com um campo de golfe em anexo, um pé direito de 2,10m e garagem para 45 Mercedes, BMW e AUDI  e respectiva chaufferage de serviço à Excelência. Muitos corredores, salas, casas de banho e quartos com focos no tecto, telemóveis à conta e claro está, jacuzzi e mini-bar. Enfim, uma White House saloia.

 

Chega amanhã o Nobel da Paz com mil acompanhantes, entre seguranças, secretárias, assessores, adidos de imprensa, de imagem, etc. Cozinheiros especiais para Sua Excelência. Também é especial o autêntico Panzer Cadillac One que já cá está para o evento, mais se parecendo a um enxerto de carro funerário com um topo de gama japonês. Feíssimo! Uma roda viva de aviões, caterings de vária índole e o colossal Jumbo Air Force 1, destinado a transportar uma mão cheia de hierarcas da Casa Branca. Ultrapassa dúzias de vezes o Rei da Arábia Saudita, que por sinal, é absoluto!

 

Medvedev contará com um outro estadão ao estilo da velha Rússia, nada ficando a dever a Sua Majestade o Czar Nicolau II, mas a anos-luz daquele requinte e finura de modos que era apanágio da corte de S. Petersburgo. De Sarkozy, temos a certeza de que ficará mais uma estorieta picaresca com àpartes, açafatas e uma ou outra boutade mais ou menos irrelevante e que fará sorrir a senhora Merkel.

 

Em suma, as Monarquias fazem a figura de parentes pobres mas contentes, airosamente enviando os seus primeiros-ministros. É que os soberanos não entrarão na Feira Industrial de Lisboa, pois são aficcionados de acontecimentos cuja perenidade e memória, perdura durante um tempo infindo. Basta-lhes vestir o mesmo uniforme de sempre, ostentar umas tantas Ordens Honoríficas do Estado, aparecer numa caleche do património nacional e uma escolta da Guarda a cavalo. Têm logo a certeza da presença de centenas de milhar nas ruas, bem mais impressionados por antigos alamares do que por lustrosas sucatas a prazo, saídas de qualquer stand automóvel de "um amigo do Partido". De facto, durante muito tempo ainda, a História dos seus países será contada através do recurso ao bem conhecido ..."durante reinado de S.M. o Senhor tal", enquanto toda aquela gente Armanizada e com aspecto de líderes de tríade e modos em conformidade, se ficará, quanto muito, com uma nota de rodapé. Se chegar a tanto!

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publicado às 00:00

Guerra nos bairros

por Nuno Castelo-Branco, em 11.11.10

Como aqui dizíamos, a aquisição de viaturas anti-motim, não se destina apenas à protecção da Cimeira da OTAN. De facto, a degradante situação política e económica, conduz à adopção de medidas que prevejam todas as eventualidades. Confirma-se assim, a intenção de utilizar os veículos contra possíveis desacatos à ordem pública. Era facilmente previsível. Entretanto, os agitadores espanhóis já se preparam para atravessar a fronteira e acampar no centro da capital portuguesa.

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publicado às 10:14

Bandidos em Lisboa

por Nuno Castelo-Branco, em 09.11.10

Tal como aqui dizíamos, parece ser bem possível a ocorrência de um desastre em Lisboa. Os energúmenos vão chegando de forma relativamente discreta e decerto já estarão em contacto com os seus congéneres locais. Os jornais dizem que o grupo mais perigoso poderá chegar de Espanha e está prevista a realização  de uma manifestação em pleno Marquês de Pombal. Assim, deixamos uma sucinta lista de potenciais alvos dos bandidos e ladrões externos e internos. Na zona da Avenida da Liberdade e adjacentes, haverá a considerar:

Todas as viaturas particulares ou do Estado e transportes públicos

Centro Comercial das Amoreiras e zona da Rua Castilho

TAP, Instituto Camões, D&G, Prada, Trussardi, Massimo Dutti, Louis Vuitton, Timberland, Adolfo Dominguez, Armani, Pestana e Brito, Rosa e Teixeira, Gant, todas as sedes bancárias, Hard Rock Café, Loja do Cidadão (Restauradores), Avenida Palace, Tivoli, McDonalds (Rossio), Consulado de Espanha, Palácio Foz, etc.

Toda esta zona deveria ser absolutamente vedada a manifestações, estendendo-se a proibição à zona histórica compreendida entre Algés/Xabregas (oeste-este)  e Campo Grande/Tejo (norte-sul).

 

Sendo este um risco muito sério, o SIS deverá exigir das autoridades, a proibição de toda e qualquer manifestação durante o período da realização da Cimeira da NATO, ao mesmo tempo que todas as unidades militares e policiais devem permanecer em prevenção máxima e prontas para intervir.

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publicado às 16:43

Muito bem!

por Nuno Castelo-Branco, em 08.11.10

Por cinco dias, será suspenso o "Espaço Schengen" nas fronteiras portuguesas. Desta forma, recuperamos o controlo  de quem entra ou sai do país. Esta é uma boa notícia e parece mostrar alguma vontade de resistência à ameaça terrorista do chamado Black Blok e dos seus amigos internos. Uma outra medida a estudar, seria a obrigatoriedade de apresentação pelos estabelecimentos hoteleiros - especialmente as pensões da Grande Lisboa -, dos nomes de hóspedes e das reservas efectuadas para os dias em que a Cimeira da NATO se realizará, assim como a interdição de qualquer manifestação dentro do espaço compreendido entre a CREL e o Tejo.

 

Há que manter uma inabalável firmeza na prevenção e radical eficácia na acção. Para que sirva de exemplo. Que se choramingue depois e onde queiram. Pouco importará, após o serviço feito.

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publicado às 02:30

O SIS, a OTAN e Bangkok em Lisboa?

por Nuno Castelo-Branco, em 05.11.10

A muitos poderá parecer estranha a presença de Portugal na OTAN, dado o fim da Guerra Fria e ao deplorável papel desempenhado por alguns dos membros aliados, durante o decorrer das campanhas no Ultramar. No entanto, a OTAN consiste num dos pilares da independência nacional, devendo-se este facto ao relevante posicionamento estratégico de Portugal e dos seus arquipélagos Atlânticos. É óbvio que os Estados Unidos da América e o Reino Unido, não veriam de bom grado o desaparecimento deste país e a posse daquelas importantes posições insulares, por um Estado que mesmo sendo aliado, não oferece a certeza do posicionamento político e militar em agudos períodos de crise. Assim, há que prosseguir a tradicional aliança com a principal potência marítima que sendo os EUA, confirma uma política em 1372 consagrada pela Aliança Luso-Inglesa.

 

Pelas piores razões, está hoje Portugal presente no noticiário internacional, devendo-se isto não só às dificuldades económicas, mas também a uma inegável percepção geral do fim de um ciclo. Não tendo o nosso país, qualquer peso de relevo na economia internacional, o regime parece vacilar e estamos certos de uma abstenção geral, no caso de uma profunda convulsão que derrube o edifício constitucional em vigor. Desde que Portugal não coloque em causa a segurança das vias marítimas que ligam a Europa às Américas, Mediterrâneo e Atlântico Sul, é previsível o encolher de ombros perante o que possa vir a acontecer. Um render da guarda em Lisboa, pode até vir a ser silenciosamente bem-vindo.

 

As notícias dizem que já começou a enxurrada de elementos desestabilizadores provenientes de outros países europeus (?), visando criar o caos em Lisboa. Especializados no vandalismo, apresentam-se praticamente impunes diante as cidades invadidas, pois a legislação ocidental a tudo aquiesce e sempre em nome dos "direitos básicos" das gentes. Em Londres, na Haia, Paris ou Berlim, vociferam imãs que apelam ao desbragado terrorismo e opressão, enquanto "multiculturalistas" incendeiam, espancam quem bem entendem e escaqueiram a ordem estabelecida.

 

O princípio falacioso do igualitarismo absoluto quanto ao direito de manifestação, faz esquecer aquela lei básica, consensual e informalmente consuetudinária, que dita o exercício da violência, como exclusiva propriedade e direito do Estado. De facto, a própria provisão de por vezes prolixos articulados que garantem Direitos, Liberdades e Garantias, é inseparável desse monopólio da "violência democrática" que a Lei geral estabelece com o exclusivo fim de proteger a esfera pessoal dos sujeitos singulares, assim como o interesse geral de que o Estado é o máximo, aliás, exclusivo, depositário ou representante.

 

Qualquer veleidade de reedição em Lisboa, das deploráveis cenas que rotineiramente preenchem durante alguns dias, a abertura dos telejornais em todo o mundo, deve ser precavida através do uso de todos os recursos disponíveis. Nas actuais condições de descalabro da ordem interna, qualquer movimento subversivo - pois é disso mesmo que se trata -, poderá ter as mais nefastas consequências. Simplesmente, a "República Portuguesa" não tem aquela força anímica que vimos noutras paragens, onde em Bangkok, por exemplo, permitiu um complicado movimento de exaustão dos desordeiros através do seu confinamento e posterior derrota em todos os campos. No Golfo do Sião, o Estado existe e tal como em Espanha, a Coroa é incomparavelmente mais poderosa que qualquer agente partidário de escolha de oportunidade. Portugal não suportaria a visão da Baixa a arder e a destruição da propriedade pública e privada. Nem nos mais desastrados momentos de descalabro da Ordem Constitucional - como no 3, 4 e 5 de Outubro de 1910 -, se assistiu a extensivas cenas de devastação, pois o alvo era tão conhecido como bem localizado e neste caso, foi a Igreja.

 

O que se prepara poderá ser muito pior e de difícil controlo. Centros comerciais, o Bairro Alto, o Chiado, a Avenida onde se estabeleceram as grandes marcas, o velho centro histórico sempre propício a golpes de mão e a rápidas retiradas, poderão ser os principais pontos de interesse para as milícias que não haja qualquer dúvida, estão profissionalmente organizadas. Pequenos hotéis, pensões da zona do Cais Sodré, Martim Moniz, Conde Redondo, Chile, Almirante Reis, Bairro Alto, Avenidas Novas - e até algumas casas e sedes partidárias -, poderão ser algumas bases onde se refugiarão os "activistas". Os elementos internos, decerto minoritários, são bem conhecidos e deles tivemos uma fraca ou patética notícia nas cerimónias do Centenário do Regicídio, quando um punhado de marginais conotados com o BE, "vivaram" abertamente o recurso ao assassínio do Chefe de Estado e família. Possivelmente estarão já em contacto com os energúmenos que vão chegando de outros pontos da Europa. Outro factor a ter em conta, será o possível afluir de vulgares saqueadores que deparando com uma oportunidade única, decerto a aproveitarão, aliando-se aos "políticos".

 

Tal como qualquer país civilizado, Portugal tem a imperiosa necessidade de serviços de informação que garantam a segurança dos cidadãos, dizemos, do Estado. Para isso, exige-se a circunspecção dos agentes políticos - que escandalosamente não tem existido -, o sentido do interesse geral e o não hesitar perante qualquer tipo de ameaça à segurança interna. Se para tal urgir mobilizar todo o tipo de unidades policiais e militares disponíveis na área metropolitana de Lisboa, que assim se faça e sem qualquer tipo de pruridos. Se é ou não legal trazer regimentos para o centro da capital, essa é uma discussão a ter após o fim da Cimeira. Não poderá existir qualquer tipo de "diálogo contemporizador com os organizadores do evento". Deverá ficar bem claro que Portugal não é a Suíça, a Alemanha ou a Espanha. Aqui, não!

 

Portugal não suportará em Lisboa, a repetição dos acontecimentos que o mundo presenciou na capital da Tailândia. Os mesmos homens vestidos de negro, a mesma prepotência, o desastre anunciado. As forças da ordem têm forçosamente de garantir a circulação de pessoas e bens, assim como a manutenção da normalidade do comércio, transportes públicos e privados. No caso de ceder e consentir no enxovalho, o regime arrisca-se a um 5 de Outubro, mas desta vez bem diferente. Mais precisamente, ao contrário.

 

Simplesmente e em resumo, o regime não pode falhar.

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publicado às 09:42

Colagens suspeitas

por Nuno Castelo-Branco, em 04.11.10

Inacreditável. Consta que Manuel Alegre participará na arruaça que alguns planeiam fazer durante a Cimeira da OTAN. Decerto serão os mesmos que no 1º de Fevereiro de 2008 e usando faixas do BE - apoiantes agora colados a M.A. -, foram ao Terreiro do Paço berrar vivas ao Buíça.

 

Há que duvidar daquilo que até agora, não passa de um boato. Aguarda-se o desmentido da sua candidatura.

 

A república está definitivamente caduca. A confirmar-se tal absurdo, urge questionar como pode um candidato ao cargo supremo das Forças Armadas, colocar-se no meio de arrombadores de viaturas? Para cúmulo, as forças de segurança ameaçam com uma greve durante esses dias de Cimeira. É mesmo o fim.

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publicado às 18:03

Mais um desastre para a República centenária

por Nuno Castelo-Branco, em 01.10.10

Num Parlamento onde invariavelmente se cacareja contra o reequipamento das Forças Armadas e que, imitando o Mapa Cor de Rosa,  reivindica gigantescas zonas de soberania - agora no Atlântico Norte -, procedeu-se a uma acerba troca de palavras acerca dos necessários submarinos que o governo Guterres pretendeu serem quatro e o governo Barroso/Portas decidiu serem dois.

 

Entretanto, desaparece o Comando da OTAN/NATO em Oeiras. É esta, a credibilidade internacional da República Portuguesa. Parabéns pelo Centenário!

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publicado às 12:08

1938-1968: Boémia, o quintal de dois vizinhos

por Nuno Castelo-Branco, em 21.08.10

No verão de 68, este foi o graffiti incessantemente reproduzido em toda a Checoslováquia

 

Bismarck era um homem perfeitamente consciente dos perigos que o desequilíbrio de poderes representava para a Europa. Em conformidade, toda a sua política externa  tendeu para a manutenção de um status quo, no qual uma Prússia engrandecida, o II Reich, ocupasse uma posição de tal forma determinante, que acabou  por se tornar também, num poder colonial. Indo agressivamente contra a opinião de Moltke, do Estado-Maior do exército prussiano e do próprio rei Guilherme I, Bismarck não impôs a Viena uma paz draconiana. Após Koeniggraetz, abria-se a possibilidade dos exércitos prussianos avançarem pela Boémia e tomarem posse das terras alemãs do império dos Habsburgos. Isso teria significado uma guerra europeia, tal como mais tarde sucederia em 1914-18. Bismarck pressentia-o e via no Império Austro-Húngaro, aquela construção que aglomerando povos muito diferenciados, era dirigida por um governo imperial de forte influência germânica, convindo perfeitamente a Berlim.

Desapossar os Habsburgos do seu património ancestral nos Sudetas e na própria Boémia, poderia significar uma imensa vantagem para a Prússia, até porque a região consistia no principal foco industrial do império, ocupando simultâneamente, uma importantíssima posição estratégica no centro geográfico da Europa. No entanto, a manutenção de tão vastos domínios sob um controlo nominalmente neutral, tranquilizava Londres, Paris e São Petersburgo, evitando a sua inimizade declarada. O Chanceler de Ferro dizia que ..."quem tem Praga, domina toda a Europa Central". Não se trata de uma suposição, porque os acontecimentos subsequentes confirmam-na. A dissolução da Áustria-Hungria, significou a criação de um conjunto de Estados sucessores, fatalmente desatriculados de uma economia que tinha sido comum ao império, enquanto para sempre se quebraram aqueles laços de solidariedade internacional que décadas mais tarde, levaram italianos, checos, croatas, eslovenos, húngaros, polacos ou romenos, a marchar para a Grande Guerra, unidos em torno das bandeiras regimentais do exército de Francisco José. De facto, o desaparecimento do império danubiano, para sempre mudou a face da Europa, alçando a Alemanha como o grande poder económico e cultural, preponderante no grande espaço que vai do Reno às margens do Golfo da Finlândia e ao Mar Negro.

 

A partir de 1919, a profunda crise em que mergulharam as duas grandes potências da Europa Central e do Leste - a Alemanha e a Rússia -, fizeram pender  a região para uma ténue e provisória influência francesa, mas a ascensão dos regimes autoritários europeus e o rearmamento alemão da década de trinta, reconduziram Praga à esfera de influência de Berlim. 1945 trouxe o Exército Vermelho ao centro da Europa e aí permaneceu até à derrocada da URSS no início da última década do século XX. Em conformidade, deixaram de ter razão os pactos militares e económicos celebrados a leste e uma vez mais, a Boémia aproximou-se da potência limítrofe, acabando por ingressar na Comunidade Europeia. Desta forma, o render da guarda aconteceu de forma natural e o estado de coisas provavelmente assim permanecerá durante longo tempo.

 

Os acontecimentos de 1968, consistiram na necessária reacção de Moscovo, a uma clara ameaça de destruição do cordão sanitário criado em benefício da vencedora URSS. Toda a brutalidade se justificava afinal, pela necessidade de manutenção da correlação de forças este-oeste, sem a qual se entrava decisivamente num período de "guerra iminente". Todos os protestos não passaram disso mesmo e o Ocidente acabou por aceitar o facto consumado, enquanto uma parte da esquerda ocidental, voltava a erguer as velhas e ineficazes palavras de ordem da "conspiração imperialista e reaccionária", o complexo do "cerco", as tentativas de "revanchismo fascista", etc. Para os marechais soviéticos, o que verdadeiramente importava, era a manutenção da perigosa cunha que a curva dos Sudetas representa, surgindo como uma ponta de lança pronta a desferir um mortal golpe em direcção ao Reno. Atingi-lo numa semana, eis, em súmula, o cerne da doutrina ofensiva do pacto de Varsóvia. Depois, logo se via o que a evolução dos acontecimentos traria.

 

Perder a Checoslováquia levava ao automático colapso do sistema criado pela força de ocupação dos vitoriosos de 1944-45, enquanto o habilidosamente tecido equilíbrio do terror, garantia a inactividade ocidental, da NATO, quanto a qualquer tipo de intervenção directa em nome do Pacto de Varsóvia plenamente submetido ao que se conheceu como "Doutrina Bezhnev".

 

A definitiva liquidação do sovietismo erguido em Estado, implicou o progressivo esmorecer dos confrontos intestinos entre leninistas de todos os matizes, mas o "espírito de Praga", descendente daqueles de 1938 e de 1968, permanece simbólico e atesta a afirmação de Bismarck: ..."quem tem Praga, domina toda a Europa Central". O colapso da Checoslováquia e a sua transformação em dois Estados claramente sob a influência de Berlim, confirma a suposição bismarquiana.

 

Na verdade, a única nota ainda digna de registo, consistirá nas graves clivagens que o tema ainda provoca nos sectores políticos geralmente muito conservadores e à mercê da ortodoxia doutrinária - protagonizados em Portugal pelo PC e pelo BE - que se reclamam "à esquerda da social-democracia", enquanto esta própria, envergonhada, alterna a profunda crítica dos eventos, com uma certa complacência oportunista, desejosa em agradar potenciais aliados de ocasião.

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publicado às 23:42

PAYS, Intervenção de Samuel de Paiva Pires

por João de Brecht, em 06.08.10

 

Samuel de Paiva Pires, International Environment and the Challenges ahead for NATO, Sintra: 2010

 

 

De 24 a 31 de Julho, tive o prazer de participar pela segunda vez no Portuguese Atlantic Youth Seminar, mais uma vez focado no Novo Conceito Estratégico da O.T.A.N. e nos desafios que lhe estão inerentes. Esta actividade foi organizada pela Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico, presidida pelo nosso conselheiro Samuel de Paiva Pires.

 

De conceitos militares a posições diplomáticas, de novas ideias ao consolidar de origens, a presença de uma plateia internacional e de um painel de convidados portugueses fez do seminário um ponto de congregação de opiniões consolidadas e válidas em relação ao passado, presente e futuro desta Organização.

 

No quinto dia de conferências, tivemos a oportunidade de escutar e debater um tema lançado pela apresentação do Samuel, intitulada de International Environment and the Challenges ahead for NATO, que vou tentar resumir neste breve artigo.

Tendo como pano de fundo as grandes ameaças e as oportunidades que emanam de um ambiente internacional mutável e um tanto imprevisível e focando-se nas principais regiões como áreas de intervenção a apresentação do Samuel não descuidou ainda a abordagem a temas como as mudanças climáticas, o aproveitamento de recursos (como a energia nuclear) e a crise financeira.

Ao falar da nova Rússia, destacou o facto de esta estar a emergir como uma grande potência como fora outrora (enquanto U.R.S.S.) e de considerar a O.T.A.N. e o seu processo de expansão (destaquem-se os casos da Geórgia e da Ucrânia) como uma ameaça permanente à sua estabilidade, evidenciando um sentimento de medo e desconfiança por parte do Kremlin. As relações da Rússia com os seus vizinhos, diz Samuel, estão em processo de deterioração devido ao “ganhar de voz” dos diversos movimentos e correntes de pensamento anti-russas por parte das antigas Repúblicas Soviéticas, que recusam qualquer tipo de associação a uma Rússia que vêem como tendo pretensões pouco altruístas (facto agravado com a operação levada a cabo por Moscovo no Norte da Geórgia em 2008). No entanto, é também evidente a necessidade de cooperação com o ocidente em áreas como as Operações de Manutenção de Paz, o Controlo do Armamento e a Contenção da Proliferação Nuclear.

 

Na análise à conjuntura chinesa, recorreu a dois autores para encontrar duas frases chave que definem a China moderna: Both a land power, and a sea power - Halford John Mackinder e Internal dynamism creates external ambitions – Robert David Kaplan. Sendo uma parte essencial dos B.R.I.C. (a par do Brasil, Rússia e Índia), a China é uma nação a ter em conta na comunidade internacional, não pela acção ideológica que dela possa emanar, mas pelo facto de ser já uma potência económica considerável, posição económica essa que pode criar tensões com os E.U.A., segundo Kaplan. No plano interno, apesar do poder se encontrar centralizado, é cada vez mais evidente que o debate interno aumenta entre as correntes capitalista (indispensáveis para a participação na comunidade internacional como potência económica), socialista (o continuar da tremenda influência ideológica socialista no Estado) e a democratização, que segundo Samuel Pires, ditaria o colapso das instituições, tradições e mentalidades dos chineses.

 

Ao falar nos Estados Unidos, referiu-se às três fases de crescimento de poder no mundo moderno, em primeiro lugar, a ascensão dos países ocidentais, depois a ascensão dos E.U.A. e por fim a ascensão do resto do mundo. Esta última fase dita um futuro que não se enquadra minimamente nos interesses norte-americanos, uma vez que deste processo advém uma perda progressiva de poder e influência global, de que dispõem desde meados da segunda década do século passado. No entanto, os E.U.A. continuam a ser os principais “distribuidores” de normas, valores e regras a nível internacional, contando com o maior investimento em Defesa e Forças Armadas. Ao falar na política externa da Administração Obama, citou uma frase de Zbigniew Brzenzinski, more expectations than strategic breakthroughs.

 

Já em contra-relógio, ainda tivemos a oportunidade de discutir a situação afegã, o terrorismo, a pirataria e o conceito de cyberwarfare.

 

P.S.: Peço desculpa desde já por qualquer imprecisão neste pequeno resumo da intervenção do Samuel, que com toda a certeza terá a amabilidade de corrigir esses pequenos erros, caso se verifiquem.

Dentro de menos de um mês estarei a viver em Istambul para participar num programa de intercâmbio, farei todos os possíveis para ser mais assíduo na participação nesta casa. A todos umas boas férias!

 

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publicado às 16:51

O regresso da Sublime Porta?

por Nuno Castelo-Branco, em 01.06.10

Um video que mostra bem o acolhimento reservado aos israelitas. Conhecem-se bem os activistas a bordo e o tipo de influência político-religiosa em causa.

 

 

Apenas os entusiastas das "grandes causas" poderão negar a evidência: o governo Erdogan optou por uma saída airosa - mas com bastante ruído mediático - da já tradicional aliança entre a Turquia e o Estado de Israel. Hoje ninguém duvida da escalada de um islamismo mais radical que o primeiro-ministro turco tenta ingloriamente colocar em paralelo com a democracia cristã europeia. Nada de mais falso. O assalto ao poder total, a destruição do Estado khemalista, a obliteração do poder das forças armadas, a conquista do palácio presidencial e a aproximação ao Irão, são factos que denotam uma evolução que apenas poderá preocupar os europeus. Praticamente afastado o ingresso na periclitante União Europeia, a Turquia prepara-se para se tornar numa potência regional com influência segura em algumas regiões da Ásia Central e no Médio Oriente, ao mesmo tempo que recupera o papel outrora reservado à Sublime Porta como protectora dos muçulmanos. No entanto, este afastamento acaba por ser uma feliz ocorrência para uma Europa ciclicamente ameaçada pela recessão e declínio demográfico. Serve como um alerta.

 

Entretanto, os apoios que Erdogan recebe imediatamente, são bastante elucidativos. Pequim já disse presente!

 

Não está em causa a crítica à abusiva política israelita na região, mas esta incursão à Faixa de Gaza consiste num mero pretexto para o corte de relações e realinhamento político. O planeamento foi cuidadoso e o efeito mediático esclarece quem disso tenha qualquer dúvida. Restará saber qual será a reacção norte-americana e as consequências na OTAN.

 

Uma questão que poucos colocam, é a presença de mais de 600 "activistas" a bordo de um navio de ajuda humanitária. Conhecendo-se o tipo de "activismo" de certo recorte, imagina-se o tipo de missão a que iriam.

 

Apesar da solidez da sociedade liberal de Constantinopla, terá início uma escalada nas ruas e coloca-se a questão de uma reacção turca, no caso de uma atitude estrangeira relativamente ao problema curdo. É uma arma que decerto não tardará a ser utilizada em caso de imperiosa necessidade. Junto dos radicais islamitas, a Turquia perfila-se já como o seu próximo campeão, infinitamente mais credível, poderoso e ameaçador do que qualquer arrivista iraquiano, sírio ou líbio. Sem comparação possível.

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publicado às 10:40

Republicanos luxos e ostentações

por Nuno Castelo-Branco, em 18.11.08

Um dos escassos argumentos utilizados pelos repimpantes republicanos do Esquema vigente, consiste na crítica à Monarquia, pelo que esta representa de "desigualdade e despesa". Pois nem sequer se dando ao trabalho de verificar ou comparar as contas relativas às chamadas "listas civis" de presidentes e monarcas da Europa, os enervados senhoritos deviam saber que em matéria de despesa, as suas repúblicas  destroçam a mais grandiosa das Monarquias, neste caso, a britânica. O sr. Sarkozy é um bom exemplo, ascendendo a factura do Eliseu a mais de 100.000.000 de Euros por ano. É claro que a isto se acresce toda a parafernália dos ex-presidentes e respectivas entourages, enfim, nada que não tenhamos por cá.

 

O poder pessoal, outrora acerbamente criticado aos déspotas do passado, parece ser uma constante nestas repúblicas que fazem da visibilidade do seu titular, o ponto essencial, quase exclusivo. Alguns há que têm o poder de vida ou de morte a destinar ao planeta inteiro e amanhã, Lisboa conhecerá em pessoa, três destes presidentes, ou seja, o sr. Obama, o sr. Medvedev e o sr. Sarkozy, decerto acompanhados pelo ajudante de campo que transporta a preciosa maleta com os códigos passíveis de desencadear o Armagedão. Em Portugal, dada a exiguidade do país e a insignificância de uma instituição à qual a população ostensivamente virou as costas no passado 5 de Outubro, ficamo-nos ainda por mais uma imitação à pressa, por obra de alguns delírios presidencialistas de uns tantos papalvos, desejosos de iniciar um novo regime com uma velha personagem. Esquecem-se do presidencialismo que já tivemos num breve ano da mais conturbada época da História de Portugal. Acabou como se sabe e ali mesmo, em público, nas lajes frias da Gare do Rossio. Bem vistas as coisas, este neo-presidencialismo à portuguesa, equivalerá à construção de uma réplica de 1/4 da Casa Branca a erguer por adjudicação directa a um pato bravo, nos arredores de Lisboa. Cercada de muros, com um campo de golfe em anexo, um pé direito de 2,10m e garagem para 45 Mercedes, BMW e AUDI  e respectiva chaufferage de serviço à Excelência. Muitos corredores, salas, casas de banho e quartos com focos no tecto, telemóveis à conta e claro está, jacuzzi e mini-bar. Enfim, uma White House saloia.

 

Chega amanhã o Nobel da Paz com mil acompanhantes, entre seguranças, secretárias, assessores, adidos de imprensa, de imagem, etc. Cozinheiros especiais para Sua Excelência. Também é especial o autêntico Panzer Cadillac One que já cá está para o evento, mais se parecendo a um enxerto de carro funerário com um topo de gama japonês. Feíssimo! Um roda viva de aviões, caterings de vária índole e o colossal Jumbo Air Force 1, destinado a transportar uma mão cheia de hierarcas da Casa Branca. Ultrapassa dúzias de vezes o Rei da Arábia Saudita, que por sinal, é absoluto!

 

Medvedev contará com um outro estadão ao estilo da velha Rússia, nada ficando a dever a Sua Majestade o Czar Nicolau II, mas a anos-luz daquele requinte e finura de modos que era apanágio da corte de S. Petersburgo. De Sarkozy, temos a certeza de que ficará mais uma estorieta picaresca com à partes, açafatas e uma ou outra boutade mais ou menos irrelevante e que fará sorrir a senhora Merkel.

 

Em suma, as Monarquias fazem a figura de parentes pobres mas contentes, airosamente enviando os seus primeiros-ministros. É que os soberanos não entrarão na Feira Industrial de Lisboa, pois são aficcionados de acontecimentos cuja perenidade e memória, perdura durante um tempo infindo. Basta-lhes vestir o mesmo uniforme de sempre, ostentar umas tantas Ordens Honoríficas do Estado, uma caleche do património nacional e uma Guarda a cavalo. Têm logo a certeza da presença de centenas de milhar nas ruas, bem mais impressionados por antigos alamares do que por lustrosas sucatas a prazo, saídas de qualquer stand automóvel. De facto, durante muito tempo ainda, a História dos seus países será contada através do recurso ao bem conhecido ..."durante reinado de S.M. o Senhor tal", enquanto toda aquela gente Armanizada e com aspecto de líderes de tríade e modos em conformidade, se ficará, quanto muito, com uma nota de rodapé. Se chegar a tanto!

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publicado às 23:07

 

Na Cimeira da Youth Atlantic Treaty Association a decorrer em Berlim, o nosso chefe Samuel  foi eleito vice-presidente para a Comunicação. Foi o mais votado, recebendo 19 votos contra 14 do seu concorrente da Polónia. Parabéns e bom trabalho.

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publicado às 23:51






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