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Há quem procure esconder

por Nuno Castelo-Branco, em 16.01.13

Uma série que vale a pena ver na íntegra. Amanhã há mais.

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publicado às 23:11

Salazar, esse grande homem de esquerda...

por Nuno Castelo-Branco, em 15.01.13

PS, PC e BE juntos na defesa do legado da II República. Aqui está a gente nacional, popular e patriótica.

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publicado às 14:54

Noite sem lua

por João Pinto Bastos, em 03.12.12

Noite de Abril

 

Hoje, noite de Abril, sem lua,
A minha rua
É outra rua.

Talvez por ser mais que nenhuma escura
E bailar o vento leste
A noite de hoje veste
As coisas conhecidas de aventura.

Uma rua nova destruiu a rua do costume.
Como se sempre nela houvesse este perfume
De vento leste e Primavera,
A sombra dos muros espera
Alguém que ela conhece.

E às vezes, o silêncio estremece
Como se fosse a hora de passar alguém
Que só hoje não vem.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Poesia, 1944"

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publicado às 01:38

Felizmente há coisas que não mudam.

por Nuno Castelo-Branco, em 02.12.12

O ensinamento vem de longe, do tempo em que o PC era uma criança de teta, hábito que por muitos anos manteve, sequiosamente esmifrando os opulentos seios da mãezinha soviética que lhe deu sustento. O pai Estaline ensinar-lhe-ia o b-á-bá dos procedimentos, aliás criteriosamente seguidos pelos partidos irmãos. O ódio mortal à social-democracia que lhe "roubava" apoios - devia preocupar-se mais com o meio irmão nacional-socialista - que jamais lhe pertenceriam e que apenas seriam seus naqueles exóticos delírios de uma imaginação fértil, teve como representante máximo da praxis exclusivista, o já há muito defunto primogénito, o KPD. Apesar de repetente nas matérias prodigamente ministradas por todos os povos europeus - a começar pelo russo -,  o actual chefe da lusa-tribo, o Excelentíssimo Senhor Jerónimo de Sousa, tudo esqueceu e pouco ou nada aprendeu.

 

No rescaldo da evocação saudosista do totem de alva cabeleira que durante décadas lhes garantiu o até sempre, o Supremo Congressista mostrou-se muito aberto àquilo que designa de "convergência de esquerda". O que significaria tal felicidade? Resumidamente, a união de todos os partidos que se reclamam de lutas, amanhãs qualquer coisa entre muros e promessas eleitorais repetindo 97% sobre 97,9% indefinidamente. 

 

Em suma, o PC quer a participação do Partido Socialista numa Frente de Esquerda, desde que o timoneiro seja o próprio PC coadjuvado pelos satélites mais próximos. Quer um PS que o siga sem tugir nem mugir e que "não seja burguês", quando o PS apenas conforma aquilo que há muito é a sociedade portuguesa: teimosa e gostosamente burguesa. Utilizando as palavras há quase quarenta anos proferidas pelo Grande Totem, o PC estaria para o sistema político nacional, tal como o Sol existe para a Terra. O PS, esse enorme Júpiter, seria o frígido planeta gasoso onde vivalma aterraria. 

 

As coisas são como são. O PC quer continuar a ser aquilo que sempre foi e estando no seu pleno e justíssimo direito, rejeita um PS que continuará a ser como desde 1973 o conhecemos. O Partido Socialista é algo de muito diferente daquel'outro mais original e nascido na Monarquia Constitucional. Passaram cem anos, o mundo está mesmo muito diferente e enfrentando os factos, o PS não tem outra hipótese por mais excêntrica que seja, pois o mínimo desvio transformá-lo-ia numa redição da UEDS ou numa repetição do grupinho do Manecas das Intentas.

 

Felizmente há coisas que não mudam e apenas nos resta a imagem de um Álvaro Cunhal, até sempre sorridente por mais uns séculos. 

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publicado às 21:06

É um rotineiro reviver o passado que não  voltará. A verdade é que a coisa se resume a uma saudosista agremiação cheia de cãs. Estando há muito tempo afastada do Parlamento a starlet Odete Santos - agora uma admiradora de Almeida Garrett, esse vulto dos primórdios da Monarquia Constitucional -, lá se vai o derradeiro ícone a lembrar-nos a pesadota passagem de Brezhnev pelo planeta Terra. Odete despediu-se hoje do comité central, o importantíssimo órgão democraticamente auto-nomeado. Com uma vénia, O.S. deixa a tribuna de honra de um congresso que como sempre, teimosamente imita o dentro em breve esvaziado túmulo de Lenine na Praça Vermelha. Vai fazer falta. Referimo-nos a Odete, claro, pois o assunto "limpeza geral da múmia moscovita" é da única e exclusiva responsabilidade do Senhor Putin.

 

A amarelecida múmia de Lenine, em refrescante banho periódico

Como homenagem ao congresso do PC, aqui fica o que há para dizer, aproveitando-se um breve trecho da entrevista da muitíssimo experiente Danuta Walesa. Visitando Portugal a propósito da sua autobiografia Sonhos e Segredos, não deixou de dar a devida importância à tribo do chefe Jerónimo:

 

"Diria que não compreendo sequer como se pode apoiar um partido comunista perante a experiência daquilo que aconteceu noutros países, perante o fracasso económico, o facto de não haver nada nas lojas e de haver todo o tipo de constrangimentos, as perseguições, as humilhações, a proibição da livre expressão e pensamento... Eu não sei que tipo de comunismo se defende aqui, mas posso falar da minha experiência com o comunismo tal como foi aplicado na Polónia, e da diferença entre o que um partido proclama e o que faz no poder, e o que acontece quando uma sociedade não se identifica com aquilo que o partido faz no poder. Mas é claro que há uma diferença entre o que um partido comunista pode fazer numa sociedade democrática como a portuguesa e do que pode fazer numa ditadura como fez a Polónia (...) mas concretamente sobre o comunismo, a experiência que os polacos têm é uma experiência de privação, perseguição e humilhação, portanto é natural que a ideia do comunismo gere uma forte repulsa entre os polacos. Até porque o regime comunista polaco seguia as ordens de Moscovo e nós não tínhamos qualquer capacidade de decisão autónoma".


Danuta Walesaentrevista à revista Tabu (semanário Sol), 23-11-2012

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publicado às 01:11

Durante a tentativa de golpe subversivo na Tailândia, tínhamos aqui observado a aparentemente absurda cooperação entre os promotores da organização maoísta do trabalho e aqueles que são pelos comunistas apontados como exploradores capitalistas. De facto, a aliança entre a a gente de Wall Street e os mandarins vermelhos de Pequim, tem propiciado substanciais lucros a ambas as partes, mas sempre em detrimento dos trabalhadores do mundo ocidental.

 

Sejamos objectivos e reconheçamos algumas das vantagens daquilo que o PCP há muito propõe. No caso da inteligentsia política portuguesa reconsiderar os seus sempre apontados preconceitos em relação às insistentes propostas do  partido de Jerónimo de Sousa  - e do reboque burguês BE -, talvez não fosse má ideia condescender e ceder algo que pudesse satisfazer aqueles que ciclicamente regressam à rua reclamando o socialismo. 

 

E se contentássemos a Intersindical, evitando-se assim as irritadas e perdigotadas intervenções do sr. Arménio? O PSD e o CDS devem imediatamente ceder no campo do Direito do Trabalho e finalmente aceitarem algo da legislação laboral própria dos países comunistas: os direitos dos trabalhadores, o tempo de férias, os horários de trabalho e sobretudo, todo o articulado relativo ao direito à greve e respectivas consequências, por exemplo. Proceda-se a um estudo daquilo que quanto a estes assuntos estava previsto no sistema soviético e para sermos mais abrangentes, estendamos a pesquisa às leis outrora em vigor na Polónia, Alemanha Oriental, Hungria, Roménia do sr. Ceausescu, Bulgária jhivkovista e Checoslováquia. Para abreviar, modernizemos o esquema, cingindo-nos aos actuais articulados de Cuba, China continental e Coreia do Norte.

 

Talvez a Intersindical aceite, quem sabe?

 

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publicado às 01:16

O 5 Dias pede um golpe de Estado...

por Nuno Castelo-Branco, em 20.04.12

Num daqueles exercícios que antecipam sonhos em noites de verão, Carlos Vidal deixa-nos um relato acerca de um hipotético golpe de Estado conduzido pela "esquerda militar" - ou melhor, pelo PC ajudado por turras estrangeiros - , envolvendo violências várias, assaltos à mão armada a domicílios e uma clara ameaça à integridade física de Cavaco Silva e de Pedro Passos Coelho. A vertigem do "sangue purificador", como é costume.

 

Eles são mesmo assim. Sonham com um Chezinho qualquer que desate a fuzilar gente no Campo Pequeno e de repente, sai-lhes um Pinochet que fará precisamente o mesmo. Isto, num país que aboliu a pena de morte há 150 anos.

 

Nada a temer, são parvoíces de primavera.

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publicado às 09:32

Este "barão" de Lavos...

por Nuno Castelo-Branco, em 22.03.12

 ...devia pensar duas vezes antes de arrotar tanta posta de pescada podre. Pelos vistos, dentro de momentos segue-se a santificação do menino Mohamed.

Alertado pelo Combustões, aqui fica este sugestivo video do antigo secretário-geral do Partido Comunista francês.

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publicado às 14:06

Foi há sensivelmente um ano que publiquei aqui o texto que se segue. Parece-me que o mesmo continua e continuará bastante actual, agora que se aproxima o evento em causa.

 

Caríssimas e caríssimos,

 

Dirijo-me a vós para manifestar a minha preocupação com o que irá ocorrer no próximo fim-de-semana na Quinta da Atalaia, no Seixal. A tradicional festa da rentrée política do Partido Comunista Português, vulgo Festa do Avante, é, sem dúvida, uma peça basilar da contribuição deste Partido do sistema para a manutenção do regime. Nunca fui à Festa do Avante. Provavelmente nunca irei. Das poucas vezes em que me desafiaram a ir, o intuito era o de realizar video-reportagens cómicas, como é óbvio. Mas nunca aconteceu, e ainda bem, até porque provavelmente seríamos espancados. Por princípio, por coerência para com o quadro ético e moral que vai regendo os meus actos e omissões, não poderei alguma vez estar presente em tal evento. Sou um liberal e um humanista, pelo que ideais comunistas não se coadunam com a minha maneira de ser.

 

A verdade é que, por detrás da aparente retórica reivindicativa está uma latente ideologia que, em minha opinião, só em mentes tenebrosas, estúpidas ou ignorantes pode ainda fazer sentido. Sim, foi isso mesmo que leram. Digo-o abertamente, e já passarei a explicar o porquê destas três categorias e cabe a vós decidir se fazem parte de alguma delas. Claro que não são categorias estanques, podendo coexistir elementos de uma com outra ou mesmo entre as três.

 

Para os que estejam eventualmente chocados ou irritados com a minha frontalidade, devo dizer que para escrever este texto me inspirei num livro que por estes dias está na minha mesa de cabeceira, O Elogio da Intolerância, do famosíssimo intelectual progressista da esquerda moderna, Slavoj Zizek. De facto, não pode haver tolerância para com a intolerância comunista.

 

Vou discorrer sobre as três categorias em ordem inversa à que foram nomeadas. Na terceira categoria creio que se insere a maior parte dos indivíduos que se dizem comunistas ou que simpatizam, não necessariamente de forma militante, com tais ideais. Nunca leram Marx ou Lenine, desconhecem a História do Séc. XX - em particular os crimes horrendos cometidos pela União Soviética, China Maoísta e experiências comunistas em países mais pequenos, como os do Sudeste Asiático, do continente Africano ou da América Latina -, e não sabem o que foi o Processo Revolucionário em Curso (PREC) que se deu a seguir ao 25 de Abril de 1974 em Portugal, em que ocupações de terrenos e casas, espancamentos e assassinatos foram actos considerados normais. Provavelmente, trajam regularmente as T-shirts estampadas com o rosto de Che Guevara, sem saberem sequer que este foi, como referem Humberto Fontova ou Alvaro Vargas Llosa, responsável pelas execuções de centenas de pessoas e pela ruína da economia cubana. Aliás, se os restos mortais de Che Guevara estiverem numa qualquer tumba, este deve-se contorcer com a doce ironia do destino que é o capitalismo lucrar com estas T-shirts. Em relação a estas mentes, ignorantes, não posso senão sentir pena e esperar que, mais cedo ou mais tarde, como acontece com muitos, venham a aperceber-se realmente do que é o comunismo e, consequentemente, a afastar-se deste - conheço uns quantos, e alguns até estão na equipa deste blog.

 

 

Na segunda categoria, a das mentes estúpidas, encontram-se todos aqueles que, ao contrário dos ignorantes, até leram alguns dos autores comunistas e conhecem minimamente a História Contemporânea. Contudo, normalmente condenam que milhões de pessoas tivessem sido mortas em nome do comunismo (estimam-se em cerca de cem milhões, de acordo com o Livro Negro do Comunismo), mas na sua cabeça faz sentido toda a pseudo-científica (como demonstram Karl Popper ou Friedrich Hayek) construção teórica marxista, ou seja, um alargado conjunto de equívocos, como faz notar Raymond Aron. Muitos são professores, médicos, engenheiros, arquitectos e afins. Pessoas que, pelas suas capacidades cognitivas e formação académica, teriam a obrigação de compreender que o comunismo é um anacronismo desprovido de qualquer sentido. Continuam a achar que no fim, "O Sol brilhará para todos nós", dando razão a Popper quando este afirma que uma teoria que anuncia a sua concretização sempre para o futuro não é passível de ser testada, não podendo, por isso, ser considerada uma teoria científica mas, tão somente, uma profecia. E sendo uma profecia, entramos no domínio das crenças, que o comunismo de facto é, sendo herdeiro do projecto Iluminista racionalista, que John Gray descontrói em A Morte da Utopia ou Gray's Anatomy. Nada mais é do que um sucedâneo ateísta da religião cristã (como praticamente todas as ideologias originadas no Ocidente, diga-se de passagem), baseado numa escatologia milenarista segundo a qual, após o Apocalipse, o mundo será um lugar melhor. Acontece que as várias tentativas de colocar a Utopia em prática, sistematicamente levaram ao Terror, tendo os jacobinos da Revolução Francesa servido de inspiração às demais experiências - na verdade, Gray mostra que o Terror é um instrumento basilar de qualquer regime comunista, como o próprio Lenine considerou -, em que os fins passam a justificar os meios, tendo o colectivismo e o ideal do bem-estar igualitário da comunidade primazia sobre qualquer vida humana. O indivíduo é completamente anulado em face da comunidade e do Estado, pelo que se a sua morte servir os propósitos deste, os fiéis camaradas não hesitarão em providenciá-la. A História demonstrou-nos inequivocamente que todas as experiências do comunismo real levaram a uma nivelação por baixo, ou seja, pela pobreza, e a uma completa sujeição dos indivíduos aos ditâmes do Estado comunista. Os que discordavam deste, normalmente acabavam torturados e/ou mortos (não, os Gulags não eram campos de férias, como alguns jocosamente verborreiam). Como referido, os indivíduos que se inserem na segunda categoria, a da estupidez, normalmente até condenam a justificação dos meios pelos fins, ou seja, a morte de alguém simplesmente porque discorda da ortodoxia comunista, pelo que se torna paradoxal que se considerem comunistas, dado que o comunismo pressupõe o Terror. É uma absoluta incoerência e, portanto, uma estupidez.

 

 

Por último, na primeira categoria, a das mentes tenebrosas, incluem-se todos aqueles para quem a verbosidade pseudo-científica do comunismo faz sentido, embora em parte possam ser ignorantes, caso desconheçam os postulados teóricos e práticos da ideologia que dizem defender; estúpidos, ao acreditarem que o comunismo faz sentido; ou então completamente tenebrosos e perigosos: sabem muito bem o que é o comunismo, conhecem os efeitos das suas várias experiências reais, e ao contrário dos da segunda categoria, acham que os fins justificam os meios, não hesitando em relativizar milhões de mortos, demonstrando um total desrespeito pela vida humana. São sanguinários em potência, que num sistema que lhes permitisse dar largas às suas crenças, não hesitariam em voltar a repetir e agravar o tipo de atitudes que caracterizaram a União Soviética ou o PREC. Consideram Cuba um país magnífico, têm Fidel Castro e Hugo Chávez como referências e chegam ao dislate de considerar a Coreia do Norte uma democracia. Não hesitariam em sacrificar milhões de pessoas para alcançar os supostos benefícios que o Apocalipse traria. Têm ainda por hábito as práticas do negacionismo e manipulação da História, tentando escamotear a realidade e moldá-la aos seus propósitos, tal como George Orwell ilustrou na famosa distopia intitulada 1984.

 

Em traços largos, é basicamente isto que resume a minha posição em relação ao comunismo. Dúvidas, questões e insultos aceitam-se, para a caixa de comentários, e-mail ou via Facebook. Diga-se ainda, de passagem, que tenho vários amigos e conhecidos naturais dos mais diversos países da antiga órbita soviética. Absolutamente nenhum tem saudades da União Soviética ou do comunismo. São, aliás, os mais fortemente anti-comunistas, que ficam chocados quando lhes digo que em Portugal PCP e BE representam quase 20 % do eleitorado.

 

Indivíduos pertencentes às três categorias trabalham afincadamente na organização da Festa do Avante. Outros apenas vão à Festa. Mas, muitos mais indivíduos que não são comunistas nela participam. Aliás, muitos deles filiam-se ideologicamente em correntes opostas ao comunismo. Normalmente, dizem que vão à Festa do Avante não por quaisquer motivos ideológicos ou políticos, mas pura e simplesmente para se divertirem. Seja por acção, omissão ou indiferença o que é facto é que ajudam a financiar e suportar em termos de imagem um Partido que, para além de convidar terroristas (FARC) e representantes de regimes tenebrosos a estarem presentes neste evento, é um anacronismo responsável em larga escala pelo atraso do país.

 

Se sabem o que é/foi o comunismo, então são também estúpidos por participarem nesta festa. Se não sabem, deveriam tentar fazer algo para colmatar a ignorância. Quando forem à Festa do Avante e disserem que não são comunistas, lembrem-se que estão directa ou indirectamente a contribuir para suportar um Partido que desvaloriza a vida humana, defende regimes tenebrosos onde campos de concentração, maus tratos, assassinatos e genocídios foram ou são um hábito regularmente praticado, e que, no nosso país, defende apenas e só (por via da CGTP e de um velho acordo obtido em sede de Concertação Social), a geração dos direitos adquiridos cujos salários e regalias são pagos com os impostos do vosso mísero ordenado ganho nos call-centers e lojas de roupa. Gente pouco ou nada letrada, que mal sabe ligar um computador, que apenas causa entropia na Administração Pública, que tornou as gerações mais jovens reféns dos seus direitos adquiridos, ou que em virtude de a antiguidade ser um posto, são pouco ou nada produtivos nas empresas onde jovens trabalham em condições precárias a recibos verdes, sem qualquer garantia a não ser a de serem praticamente extorquidos dos seus míseros ordenados, por via dos elevadíssimos impostos.

 

Não se esqueçam de ir à Festa do Avante, mesmo que vos tenham negado abonos ou bolsas de estudo, que tenham fechado centros de saúde ou maternidades, em virtude de cortes orçamentais, enquanto os velhinhos e conservadores comunistas continuam a defender aqueles elevados salários na Função Pública, em comparação com a média da Função Pública dos restantes países europeus, ou com a média dos salários no sector privado em Portugal, nem sequer hesitando em continuar a pedir aumentos quando são pedidos sacríficios a todos - afinal, como verdadeiros comunistas, olham primeiro para o seu umbigo, e a comunidade que se dane.

 

Se preferem continuar ignorantes acerca do comunismo e continuar a ir à Festa do Avante, não se esqueçam, pelo menos, que estão a contribuir para manter um Partido que na prática defende a manutenção dos jovens na precariedade, reféns dos direitos adquiridos das gerações mais velhas, ou seja, o status quo. Não se esqueçam que estão a contribuir para um partido que defende a sujeição da vossa liberdade e do vosso futuro às regalias dos direitos adquiridos.

 

Todos os partidos têm culpas no cartório quanto à situação do país, perpassado pela corrupção, insegurança, injustiça, facilitismo no ensino, desordenamento territorial e elevado endividamento externo. Mas o PCP é, sem dúvida, para além de ideologicamente tenebroso, um partido que directa e indirectamente, tem contribuido para esta situação, quer por via de exigências desligadas da realidade, quer por ruínosas gestões em executivos autárquicos.

 

Quando forem à Festa do Avante, não se esqueçam que estão a contribuir para algo grotesco!

 

Com os melhores cumprimentos

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publicado às 13:04

Caríssimas e caríssimos,

 

Dirijo-me a vós para manifestar a minha preocupação com o que irá ocorrer no próximo fim-de-semana na Quinta da Atalaia, no Seixal. A tradicional festa da rentrée política do Partido Comunista Português, vulgo Festa do Avante, é, sem dúvida, uma peça basilar da contribuição deste Partido do sistema para a manutenção do regime. Nunca fui à Festa do Avante. Provavelmente nunca irei. Das poucas vezes em que me desafiaram a ir, o intuito era o de realizar video-reportagens cómicas, como é óbvio. Mas nunca aconteceu, e ainda bem, até porque provavelmente seríamos espancados. Por princípio, por coerência para com o quadro ético e moral que vai regendo os meus actos e omissões, não poderei alguma vez estar presente em tal evento. Sou um liberal e um humanista, pelo que ideais comunistas não se coadunam com a minha maneira de ser.

 

A verdade é que, por detrás da aparente retórica reivindicativa está uma latente ideologia que, em minha opinião, só em mentes tenebrosas, estúpidas ou ignorantes pode ainda fazer sentido. Sim, foi isso mesmo que leram. Digo-o abertamente, e já passarei a explicar o porquê destas três categorias e cabe a vós decidir se fazem parte de alguma delas. Claro que não são categorias estanques, podendo coexistir elementos de uma com outra ou mesmo entre as três.

 

Para os que estejam eventualmente chocados ou irritados com a minha frontalidade, devo dizer que para escrever este texto me inspirei  num livro que por estes dias está na minha mesa de cabeceira, O Elogio da Intolerância, do famosíssimo intelectual progressista da esquerda moderna, Slavoj Zizek. De facto, não pode haver tolerância para com a intolerância comunista.

 

Vou discorrer sobre as três categorias em ordem inversa à que foram nomeadas. Na terceira categoria creio que se insere a maior parte dos indivíduos que se dizem comunistas ou que simpatizam, não necessariamente de forma militante, com tais ideais. Nunca leram Marx ou Lenine, desconhecem a História do Séc. XX - em particular os crimes horrendos cometidos pela União Soviética, China Maoísta e experiências comunistas em países mais pequenos, como os do Sudeste Asiático, do continente Africano ou da América Latina -, e não sabem o que foi o Processo Revolucionário em Curso (PREC) que se deu a seguir ao 25 de Abril de 1974 em Portugal, em que ocupações de terrenos e casas, espancamentos e assassinatos foram actos considerados normais. Provavelmente, trajam regularmente as T-shirts estampadas com o rosto de Che Guevara, sem saberem sequer que este foi, como referem Humberto Fontova ou Alvaro Vargas Llosa, responsável pelas execuções de centenas de pessoas e pela ruína da economia cubana. Aliás, se os restos mortais de Che Guevara estiverem numa qualquer tumba, este deve-se contorcer com a doce ironia do destino que é o capitalismo lucrar com estas T-shirts. Em relação a estas mentes, ignorantes, não posso senão sentir pena e esperar que, mais cedo ou mais tarde, como acontece com muitos, venham a aperceber-se realmente do que é o comunismo e, consequentemente, a afastar-se deste - conheço uns quantos, e alguns até estão na equipa deste blog.

 

 

Na segunda categoria, a das mentes estúpidas, encontram-se todos aqueles que, ao contrário dos ignorantes, até leram alguns dos autores comunistas e conhecem minimamente a História Contemporânea. Contudo, normalmente condenam que milhões de pessoas tivessem sido mortas em nome do comunismo (estimam-se em cerca de cem milhões, de acordo com o Livro Negro do Comunismo), mas na sua cabeça faz sentido toda a pseudo-científica (como demonstram Karl Popper ou Friedrich Hayek) construção teórica marxista, ou seja, um alargado conjunto de equívocos, como faz notar Raymond Aron. Muitos são professores, médicos, engenheiros, arquitectos e afins. Pessoas que, pelas suas capacidades cognitivas e formação académica, teriam a obrigação de compreender que o comunismo é um anacronismo desprovido de qualquer sentido. Continuam a achar que no fim, "O Sol brilhará para todos nós", dando razão a Popper quando este afirma que uma teoria que anuncia a sua concretização sempre para o futuro não é passível de ser testada, não podendo, por isso, ser considerada uma teoria científica mas, tão somente, uma profecia. E sendo uma profecia, entramos no domínio das crenças, que o comunismo de facto é, sendo herdeiro do projecto Iluminista racionalista, que John Gray descontrói em A Morte da Utopia ou Gray's Anatomy. Nada mais é do que um sucedâneo ateísta da religião cristã (como praticamente todas as ideologias originadas no Ocidente, diga-se de passagem), baseado numa escatologia milenarista segundo a qual, após o Apocalipse, o mundo será um lugar melhor. Acontece que as várias tentativas de colocar a Utopia em prática, sistematicamente levaram ao Terror, tendo os jacobinos da Revolução Francesa servido de inspiração às demais experiências - na verdade, Gray mostra que o Terror é um instrumento basilar de qualquer regime comunista, como o próprio Lenine considerou -, em que os fins passam a justificar os meios, tendo o colectivismo e o ideal do bem-estar igualitário da comunidade primazia sobre qualquer vida humana. O indivíduo é completamente anulado em face da comunidade e do Estado, pelo que se a sua morte servir os propósitos deste, os fiéis camaradas não hesitarão em providenciá-la. A História demonstrou-nos inequivocamente que todas as experiências do comunismo real levaram a uma nivelação por baixo, ou seja, pela pobreza, e a uma completa sujeição dos indivíduos aos ditâmes do Estado comunista. Os que discordavam deste, normalmente acabavam torturados e/ou mortos (não, os Gulags não eram campos de férias, como alguns jocosamente verborreiam). Como referido, os indivíduos que se inserem na segunda categoria, a da estupidez, normalmente até condenam a justificação dos meios pelos fins, ou seja, a morte de alguém simplesmente porque discorda da ortodoxia comunista, pelo que se torna paradoxal que se considerem comunistas, dado que o comunismo pressupõe o Terror. É uma absoluta incoerência e, portanto, uma estupidez.

 

 

Por último, na primeira categoria, a das mentes tenebrosas, incluem-se todos aqueles para quem a verbosidade pseudo-científica do comunismo faz sentido, embora em parte possam ser ignorantes, caso desconheçam os postulados teóricos e práticos da ideologia que dizem defender; estúpidos, ao acreditarem que o comunismo faz sentido; ou então completamente tenebrosos e perigosos: sabem muito bem o que é o comunismo, conhecem os efeitos das suas várias experiências reais, e ao contrário dos da segunda categoria, acham que os fins justificam os meios, não hesitando em relativizar milhões de mortos, demonstrando um total desrespeito pela vida humana. São sanguinários em potência, que num sistema que lhes permitisse dar largas às suas crenças, não hesitariam em voltar a repetir e agravar o tipo de atitudes que caracterizaram a União Soviética ou o PREC. Consideram Cuba um país magnífico, têm Fidel Castro e Hugo Chávez como referências e chegam ao dislate de considerar a Coreia do Norte uma democracia. Não hesitariam em sacrificar milhões de pessoas para alcançar os supostos benefícios que o Apocalipse traria. Têm ainda por hábito as práticas do negacionismo e manipulação da História, tentando escamotear a realidade e moldá-la aos seus propósitos, tal como George Orwell ilustrou na famosa distopia intitulada 1984.

 

Em traços largos, é basicamente isto que resume a minha posição em relação ao comunismo. Dúvidas, questões e insultos aceitam-se, para a caixa de e-mail ou via Facebook. Diga-se ainda, de passagem, que tenho vários amigos e conhecidos naturais dos mais diversos países da antiga órbita soviética. Absolutamente nenhum tem saudades da União Soviética ou do comunismo. São, aliás, os mais fortemente anti-comunistas, que ficam chocados quando lhes digo que em Portugal PCP e BE representam quase 20 % do eleitorado.

 

Indivíduos pertencentes às três categorias trabalham afincadamente na organização da Festa do Avante. Outros apenas vão à Festa. Mas, muitos mais indivíduos que não são comunistas nela participam. Aliás, muitos deles filiam-se ideologicamente em correntes opostas ao comunismo. Normalmente, dizem que vão à Festa do Avante não por quaisquer motivos ideológicos ou políticos, mas pura e simplesmente para se divertirem. Seja por acção, omissão ou indiferença o que é facto é que ajudam a financiar e suportar em termos de imagem um Partido que, para além de convidar terroristas (FARC) e representantes de regimes tenebrosos a estarem presentes neste evento, é um anacronismo responsável em larga escala pelo atraso do país.

 

Se sabem o que é/foi o comunismo, então são também estúpidos por participarem nesta festa. Se não sabem, deveriam tentar fazer algo para colmatar a ignorância. Quando forem à Festa do Avante e disserem que não são comunistas, lembrem-se que estão directa ou indirectamente a contribuir para suportar um Partido que desvaloriza a vida humana, defende regimes tenebrosos onde campos de concentração, maus tratos, assassinatos e genocídios foram ou são um hábito regularmente praticado, e que, no nosso país, defende apenas e só (por via da CGTP e de um velho acordo obtido em sede de Concertação Social), a geração dos direitos adquiridos cujos salários e regalias são pagos com os impostos do vosso mísero ordenado ganho nos call-centers e lojas de roupa. Gente pouco ou nada letrada, que mal sabe ligar um computador, que apenas causa entropia na Administração Pública, que tornou as gerações mais jovens reféns dos seus direitos adquiridos, ou que em virtude de a antiguidade ser um posto, são pouco ou nada produtivos nas empresas onde jovens trabalham em condições precárias a recibos verdes, sem qualquer garantia a não ser a de serem praticamente extorquidos dos seus míseros ordenados, por via dos elevadíssimos impostos.

 

Não se esqueçam de ir à Festa do Avante, mesmo que vos tenham negado abonos ou bolsas de estudo, que tenham fechado centros de saúde ou maternidades, em virtude de cortes orçamentais, enquanto os velhinhos e conservadores comunistas continuam a defender aqueles elevados salários na Função Pública, em comparação com a média da Função Pública dos restantes países europeus, ou com a média dos salários no sector privado em Portugal, nem sequer hesitando em continuar a pedir aumentos quando são pedidos sacríficios a todos - afinal, como verdadeiros comunistas, olham primeiro para o seu umbigo, e a comunidade que se dane.

 

Se preferem continuar ignorantes acerca do comunismo e continuar a ir à Festa do Avante, não se esqueçam, pelo menos, que estão a contribuir para manter um Partido que na prática defende a manutenção dos jovens na precariedade, reféns dos direitos adquiridos das gerações mais velhas, ou seja, o status quo. Não se esqueçam que estão a contribuir para um partido que defende a sujeição da vossa liberdade e do vosso futuro às regalias dos direitos adquiridos.

 

Todos os partidos têm culpas no cartório quanto à situação do país, perpassado pela corrupção, insegurança, injustiça, facilitismo no ensino, desordenamento territorial e elevado endividamento externo. Mas o PCP é, sem dúvida, para além de ideologicamente tenebroso, um partido que directa e indirectamente, tem contribuido para esta situação, quer por via de exigências desligadas da realidade, quer por ruínosas gestões em executivos autárquicos.

 

Quando forem à Festa do Avante, não se esqueçam que estão a contribuir para algo grotesco!

 

Com os melhores cumprimentos

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publicado às 22:20

Mais vale tarde que nunca

por Samuel de Paiva Pires, em 24.02.09

 

(imagem picada daqui)

 

Eu se fosse José Saramago a partir de agora teria era cuidado com os amigos do PCP:

 

O escritor José Saramago comparou hoje os métodos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aos usados pelos exércitos medievais, sustentando que ninguém que se considere humano aprova o sequestro para alcançar objectivos políticos.

Numa entrevista publicada hoje no diário colombiano "El Espectador", o Prémio Nobel da Literatura fala sobre a sua visão do conflito colombiano, e aproveita para enviar uma mensagem de apoio aos reféns em poder das FARC, que classifica de terroristas.

"Não podemos libertá-los, podemos enviar-lhes a nossa solidariedade e a nossa impotência. Mas, quem sabe, muitas impotências juntas talvez façam uma potência: é bom que nos manifestemos todos. Para consolar, para pressionar, para salvar-nos da humilhação de haver gente sequestrada", afirmou ao jornal.

Para Saramago, as FARC "não nos oferecem mais do que o poder tem feito sempre, ao longo da história, que é exercer a força contra os mais fracos", e comparou-os aos exércitos medievais, que faziam uma "política de terra queimada".

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publicado às 22:07

Proeza leninista

por Nuno Castelo-Branco, em 19.07.08

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