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« Aquela cativa, que me tem cativo »

por Cristina Ribeiro, em 12.06.13

Na corte requintada e florentina

Que a princesa Maria rodeava,

Em que a brilhante erudição latina

Ao soneto galante se casava;


 a formosa turba feminina

Que em torno do poeta se agrupava,

O suave perfil de Catharina

Deliciosamente destacava.


Nos olhos de Nathercia elle bebia

Um poema d'amor e de belleza

Que em brilhantes estrophes traduzia.


E da Ribeira nos reaes serões

A fidalguia applaudia

As bellas estrophes de Camões.


         Conde de Sabugosa

publicado às 18:55

Ao jovem rei os vai declamando.

por Cristina Ribeiro, em 10.06.13

Ao moço rei defronte, esbelto e cavalleiro

Camões recita: a corte attenta e silenciosa

Ante a rubra explosão do cantico guerreiro

Admira essa epopeia enorme e prodigiosa


Ruge a electrica voz do Adamastor furiosa,

Nas amuradas canta o alegre marinheiro,

Do Oceano scintilla a esteira luminosa

Dos pesados galeões do Gama aventureiro.


E eis que a terra se avista: à praia melindana

Desce douda e febril a gente lusitana

Desfraldando-se os pendões ao claro ceo do Oriente; foi-se a  noite escura

Absorto é o moço rei, e o seu olhar fulgura...


   Gonçalves Crespo

publicado às 23:17

« Esta é a ditosa pátria minha amada »

por Cristina Ribeiro, em 10.06.13



                                                                « A Raça »


E que é a Raça?

- Aquela verdadeira,

Primeva criatura ( a um tempo, graça,

Paixão e Sangue, e Fogo de Lareira,

E Realidade, e Dogma, e Mistério )

Que Deus formou por sua própria mão;

Toda um sopro de Espírito Sidéreo

E montanhoso Corpo da Nação.


A Raça é esta força ignota e imensa

Que em multidões se esparge; ou se condensa

Em perfeito modelo:

O Herói, o Poeta, o Santo:

A súmula de quanto

Num Povo houver de imorredoiro e belo


...............................................................

.......................................................................


Matriz de Povos, Moto de Nações,

Tal como as forma, ela reforma as gentes,

Levando-as à presença dos Ausentes:

Quer ao Passado obscuro,

Quer já preconcebendo entre os Presentes, 

As feições do Futuro

          

                   António Corrêa d'Oliveira in « Pátria »

publicado às 01:13


Da Pátria eu falo e canto. Ora a saudade,

A esp'rança e a fé; ora a alegria e a dor,

O chão, a grei: soldado e cavador

Ou vela ao mar... Lareira e Cristandade.


Desde sempre eu a amei. E quem não há-de

Amar a Pátria? este  universo em flor

A abrir dentro de nós, e ao derredor,

E até no Espaço, até na Eternidade!


Quando as remova o Espírito, mais puras,

Hão-de as Nações, - pois também são criaturas, -

Mostrar-se, em alma e corpo, à Luz Final!

 

                     António Corrêa d'Oliveira, « Pátria »

publicado às 19:38

« Ó Isabel! Ó Leonor! »

por Cristina Ribeiro, em 06.06.13

E fez-se Reino o Condado

De Antre Douro, Neiva e Minho: 

Nobre Senhor de Oceanos

Via Láctea por caminho.


Formosos Reis venturosos!

Não apenas D. Dinis:

Este, aquele, em honra e glória, 

Fez na história quanto quis.


Mas  que valem cedro e roble,

Sem um jardinzinho em flor?

Que vale um Rei sem Rainha?

- Ó Isabel! Ó Leonor!


António Corrêa d'Oliveira, in « Pátria »

publicado às 16:39




" António Corrêa de Oliveira, é, porém, específicamente português. As figuras que apresenta e levanta, os horizontes que desvenda, a própria atmosfera ao mesmo tempo fervorosa, heróica e melancólica evocada nos poemas, pertencem, de raiz, a Portugal. ( ... ) ... entusiasta pela nossa gente, os nossos costumes, as nossas paisagens "

                                        João Ameal




Caminhos do vale em monte,

Caminhos do monte em serra:

Como eu vos sei, passo a passo,

Caminhos da minha terra!


Como eu vos amo e conheço,

Caminhos dos pinheirais, 

Onde hão-de vir os meus filhos,

Por onde andaram meus pais.


Altos caminhos da serra,

Quem vos abriu e riscou?

- Ou foi sombra de águia, aos voos

Ou foi Jesus que passou... -


Caminhei... De pequenino,

Fui de ladeira em subida; 

Agora, vou a descer-vos, 

Caminhos da minha vida!


Que triste e bom, ao voltar,

Ao descer lá dos altos cimos,

Ir encontrando as pegadas

Dos passos com que subimos...


Não há caminho em nossa alma,

Não há caminho no chão,

Sem eco, sem sombra, ou saudade

Dos tempos que já lá vão.


Todas as veias do corpo

Ao coração vão parar:

- Caminhos, veias da terra

Ao derredor do meu lar! - 

publicado às 17:43

Se o engenho e arte me tivessem bafejado...

por Cristina Ribeiro, em 26.05.13


MEU PAE


Percorro a casa toda em alvoroço,

Ando por toda a parte a ver se os vejo...

Ninguem! Apenas em minha alma os posso

Lobrigar aos clarões do meu desejo.


Passam hirtos, n'um lugubre cortejo,

Os velhos que eu amei quando era moço...

Phantasma de meu Pae, lançae-me um vosso

Olhar e o amor e a paz d'um beijo.


Parae. Parou!...Fita-me... E' elle, é elle!

Santo! não me apavora nem repelle,

Chora...a cabeça branca estremeceu...


Corro... Corre. Abro os braços...abre os braços...

O espelho ao fundo é que reflecte os traços

D'um velho triste que, ai de mim! sou eu.



                      Conde de Monsaraz

publicado às 21:54

« Romance »

por Cristina Ribeiro, em 20.05.13
Por noite velha, truz, truz,
bateram à minha porta.
- Donde vens, ó minha alma?
- Venho morta, quase morta.
Já eu a mal conhecia
de tam mudada que vinha; 
trazia todas quebradas
suas asas de andorinha.
Mandei-lhe fazer a ceia 
do melhor manjar que havia
- Donde vens, ó minha alma
que já mal te conhecia?
Mas a minh'alma calada
olhava e não respondia;
e nos seus formosos olhos
quantas tristezas havia!
Mandei-lhe fazer a cama
da melhor roupa que tinha:
« por cima damasco roxo,
por baixo cambraia fina »
- Dorme, dorme ó minha alma, 
dorme, e, para te embalar,
minha boca está cantando
com vontade de chorar
Continuo na senda da poesia do Poeta de Leiria, concretamente no « Ilhas de Bruma ». Neste poema, que leio pela primeira vez recordo um semelhante, lido no livro da terceira classe da Primária do meu irmão mais velho do que eu um ano e pouco - apanhei uma reforma dos livros escolares, e os meus não eram tão lindos -, que decorei, tal como « A Moleirinha », de Guerra Junqueiro, por exemplo; eram assim alguns dos versos que se parecem com este de Afonso Lopes Vieira
....................................................
.....................................................
Mandou-lhe fazer a ceia
Do melhor manjar que havia;
Sentou-o na sua mesa,
Mas o pobre não comia.

As lágrimas eram tantas
Que pela mesa corriam;
Os suspiros eram tantos
Que até a mesa tremia.

Mandou-lhe fazer a cama
Da melhor roupa que tinha:
Por cima damasco roxo,
Por baixo cambraia fina.
..........................................
Era « O Lavrador da Arada », e não sei se seria uma adaptação...

publicado às 22:14

João Cabral de Melo Neto

por João Pinto Bastos, em 25.01.13



Difícil Ser Funcionário

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

 

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

 

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

 

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

 

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

 

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

 

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

 

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...

publicado às 23:15

A Poesia dos vivos e dos mortos

por João Pinto Bastos, em 08.01.13

EN MEMORIA DE ANGÉLICA

 

Cuántas posibles vidas se habrán ido
en esta pobre y diminuta muerte,
cuántas posibles vidas que la suerte
daría a la memoria o al olvido!

Cuando yo muera morirá un pasado;
con esta flor un porvenir ha muerto
en las aguas que ignoran, un abierto
porvenir por los astros arrasado.

Yo, como ella, muero de infinitos
destinos que el azar no me depara;
busca mi sombra los gastados mitos
de una patria que siempre dio la cara.
Un breve mármol cuida su memoria;
sobre nosotros crece, atroz, la historia.


Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"


 

 


publicado às 22:50

Estados de Hoje (1)

por Fernando Melro dos Santos, em 17.11.12
We Dogs of a Thursday Off

The wine of uncharted days,
Their unsteady stance against the working world,

The intense intoxication of nothing to be done,
A day off,

The dance of the big-hearted dog
In us, freed into a sudden green, an immense field:

Off we go, more run than care, more dance—
If a polka could be done not in a room but straight

Ahead, into the beautiful distance, the booming
Sound of the phonograph weakening, but our legs

Getting stronger with their bounding practice:
This day, that feeling, drunkenness

Born of indecision, lack of focus, but everything
Forgiven: Today is a day exposed for what it is,

A workday suddenly turned over on its back,
Hoping to be rubbed.

- Alberto Ríos

publicado às 16:47

 

Soren Kierkegaard, O Banquete ou In Vino Veritas:

 

«Confesso a verdade quando digo que a minha alma está isenta de inveja e cheia de gratidão para com Deus; antes quero ser homem pobre de qualidades, mas homem, do que mulher - grandeza imensurável, que encontra a sua felicidade na ilusão. Vale mais ser uma realidade, que ao menos possui uma significação precisa, do que ser uma abstracção precisa, do que ser uma abstracção susceptível de todas as interpretações. É, pois, bem verdade: graças à mulher é que a idealidade aparece na vida; que seria do homem, sem ela? Muitos chegaram a ser génios, heróis, e outros santos, graças às mulheres que amaram; mas nenhum homem chegou a ser génio por graça da mulher com quem casou; por essa, quando muito, consegue o marido ser conselheiro de Estado; nenhum homem chegou a ser herói pela mulher que conquistou, porque essa apenas conseguiu que ele chegasse a general; nenhum homem chegou a ser poeta inspirado pela companheira de seus dias, porque essa apenas conseguiu que ele fosse pai; nenhum homem chegou a ser santo pela mulher que lhe foi destinada, porque esse viveu e morreu celibatário. Os homens que chegaram a ser génios, heróis, poetas e santos cumpriram a sua missão inspirados pelas mulheres que nunca chegaram a ser deles. Se a idealidade da mulher fosse positivamente, e não negativamente, um factor de entusiasmo, inspiratriz seria a mulher à qual o homem, casando, se unisse para toda a vida. A realidade fala-nos, porém, outra linguagem. Quero dizer que a mulher desperta, sim, o homem para a idealidade, mas só o torna criador na relação negativa que mantém com ele. Compreendidas assim as coisas, poderá efectivamente dizer-se que a mulher é inspiradora, mas a afirmação directa não passa de um paralogismo em que só a mulher casada pode acreditar. Quem ouviu alguma vez dizer que uma mulher casada tivesse conseguido fazer do marido um poeta? A mulher inspira o homem, sim, mas durante o tempo em que for vivendo até a possuir. Tal é a verdade que está escondida na ilusão da poesia e da mulher. Que o homem não possua a mulher, isso é o que pode ser entendido de várias maneiras. Ou está ainda na luta para a conquista, e assim se disse que a donzela entusiasmou o amante a ponto de fazer dele um cavaleiro, mas nunca se ouviu dizer que um homem se tornasse valente por influência da mulher com quem casou. Ou está convencido de que nunca lhe será possível casar com ela, e assim se diz que a donzela entusiasmou e despertou a idealidade do amante que se manifestou capaz de cultivar os dons espirituais de que porventura era portador. Mas uma esposa, uma dona de casa, tem tantas coisas prosaicas com que se preocupar, que nunca desperta no marido a idealidade. Há ainda outro caso, em que o homem não possui a mulher porque persegue um ideal. Assim vai ele passando de amor para amor, o que é uma espécie de ser infeliz no amor; a idealidade da alma do amante está então no ardor da procura e da perseguição, e não nos amores fragmentários que não valem a soma das aventuras particulares.»

publicado às 23:52

Em tempos de crise chovem livros

por João Gomes de Almeida, em 25.03.11

 

A Editora Objectiva arrancou ontem com uma campanha no Facebook, em que os seguidores da sua página ficam habilitados a ganhar todos os livros que a editora publicar até ao final do ano. Basta escreverem uma frase.

 

Saibam mais aqui e divulguem a iniciativa.

publicado às 19:12

« Variações da saudade »

 

Saudade, pão de sustento,

meu vinho de consagrar

ai, Deus, i u é, Saudade,

sem ti não posso passar!

 

Saudades vivas da Terra,

- vivas saudades do Mar...

Oh, o desejo impossível

de se partir e ficar!

 

Sereias, Nau Catrineta,

Sete-Partidas do Mundo...

- Quem é que mede a Saudade,

se é como um poço sem fundo ?!

 

«A vida acaba na morte,

não pode a alma morrer!»

Oh, a saudade sem nome

de ser a gente e não ser!

 

António Sardinha, in « Epopeia da Planície »

 

A propósito deste monárquico convicto, relembro um post de Paulo Cunha Porto, em que dizia que se pudesse falar com uma personagem do passado, gostaria de perguntar ao de Monforte se, como afirma a sua viúva, ele  não se afastaria do Estado Novo, na altura em que achava a monarquia devia ser restaurada, na senda de Hipólito Raposo: pelo que tenho lido sobre o seu pensamento, acho que sim, o faria.

Conjecturas, apenas, obviamente.

publicado às 23:47

Momento de poesia de Natal

por P.F., em 24.12.09

NATAL...

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
'Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

FERNANDO PESSOA
Notícias Ilustrado, 30 de Dezembro de 1928
 

publicado às 02:36

 

o amor que os inflamava, Francesca e o seu cunhado Paolo, lêem o romance entre Lancelot, o primeiro dos cavaleiros da Távola Redonda, na corte do rei Artur, e a futura rainha, Guiniviere, são surpreendidos pelo marido daquela, e irmão deste, Giovanni.

Razão pela qual Dante os irá situar no Inferno da sua « Divina Comédia » como " pecadores adúlteros ".

publicado às 00:09

Novo blog a visitar. Acabado de estrear!

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.08

 

www.mapas-de-espelho.blogspot.com

publicado às 00:43






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