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O PS não é de Esquerda

por John Wolf, em 12.10.14

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O porta-voz Ferro Rodrigues oferece a conversa de um vendedor que não sabe para que lado vai cair a sorte política. O Partido Socialista vem com o discurso de campeão da Esquerda, mas sabemos muito bem que já não são dignos representantes desse título, se é que alguma vez foram. Os seus sucessivos governos foram tão neo-liberais quanto os dos outros. Nessa medida, embora afirmem que não vão em compadrios com o Partido Social-Democrata (PSD) porque são distintos e estão abertos a entendimentos mais à Esquerda, a coisa não é assim tão linear. Ora, se precisam do encosto dos que estão mais à Esquerda, então significa que eles não são Esquerda. Ponto final. Talvez sejam outra coisa. Talvez sejam herdeiros de um mito ideológico antigo, intensamente corroído pela sua acção governativa, pela sua vida política. Mas existe uma ameaça muito mais apreciável do que a fragmentação partidária do espectro político nacional. Se Rui Rio for o homem do PSD, António Costa ainda vai ter de esgravatar muito e ceder muito mais para chegar ao poder. Quem coloca a hipótese de oferecer ministérios e secretarias a praticantes como Ana Drago ou Rui Tavares, tem de ter a noção que coloca em risco o destino final da viagem. Os socialistas, que agora disparam a torto e a direito, se não tiverem juízo ainda acertam em ambos os pés. A pergunta que deve ser colocada diz respeito ao modo de interpretar o desagrado nacional, o sentimento de esperança que os socialistas espalham como perfume fácil, quando sabemos, e bem, que nada de substantivo se altera quando os actores políticos forem outros. Portugal, na sua presente e futura situação, estará condicionado pelo ditado da Troika. Ferro Rodrigues elogia Marinho e Pinto porque necessita de guardar uma carta para uma jogada final. Nunca se sabe até onde terão de ir para ganhar votos à Esquerda e à Direita. Em nome do seu putativo governo, os socialistas ainda vão cometer muitas tropelias. O actual governo necessita apenas de continuar a fazer o seu trabalho - seguir em frente sem prestar atenção a ruído demagógico. Enquanto isso decorre, no caminho que nos conduz até às legislativas, veremos como a Câmara Municipal de Lisboa será convertida em plataforma de campanha. Aposto que vamos assistir a inúmeras iniciativas de integração e pluralidade, amostras de ecumenismo político, miscigenações convenientes para dar ar de partido total, absoluto e inquestionável. O problema que se lhes coloca é que o cidadão português já não passa cheques em branco. Porque tem sido o principal visado da incompetência dos grandes lideres nacionais - uns mais endeusados do que outros.

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publicado às 16:11

Reality-show político

por John Wolf, em 07.05.14

Seguro surpreende Costa, mas sabemos que o inverso poderá acontecer. Se António Costa decidir dar um encontrão a Seguro, este não se aguentará nas canetas. O que confirmamos é que não estamos na silly season política. A coisa é crónica, residente. A palhaçada tomou conta de Portugal. De descidas de rápidos  a selfies, a arruadas onde o jargão empregue tem origem diversa conforme os combinados mistos. Costa e Schulz trocam palavras em francês. Schulz cumprimenta o compatriota Franz em alemão. Depois puxam pela língua inglesa e lá vem à baila um start-up para tornar a coisa moderna, civilizada.  Logo a seguir visitam as conserveiras, omitindo o significado da conserva, conversa - quiçá conservadores. Estes cocktails rocambolescos, ingeridos em tão curto espaço de tempo, causam problemas de digestão. Estes senhores brincam com coisas sérias. Transformam em marionetas o público e ironizam sem pudor. Até Saramago foi resgatado para servir de boneco de arremesso neste pandemónio de salve-se quem puder. Assim à primeira vista, à meia-volta, diria que iremos estar em péssimos lençóis durante muitos anos. Estes políticos confirmam as nossa piores expectativas. São palhaços - para juntar a outros que já conhecemos.

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publicado às 09:37

Diz que Hollande mudou

por João Pinto Bastos, em 20.01.14

Dizem as boas e as más línguas que Hollande, finalmente, mudou. Mudou de fato, mudou de mulher, e mudou de discurso. Para quem chegou ao Eliseu como um "mudancista" à moda antiga, esta mudança não é, de facto, um momento desprezível. Mas o momentum de que falamos, e que muitos têm glosado na imprensa internacional, qualificando-o, com uma certa ridicularia conceitual, de "blairização" ou "schroederização" da política francesa, é, no fundo, a constatação de que o debate sobre o euro terminou. A Alemanha venceu-o por goleada, nocauteando, sem dó nem piedade, os seus adversários do sul periférico. A conclusão é simples e nada abonatória para os mal afamados "porcos" europeus, isto é, a permanência no euro dependerá, doravante, do cumprimento escrupuloso dos critérios rigoristas germânicos, pelo que qualquer desvio à regra teutónica implicará ou a revisão célere da matéria dada, ou a expulsão severa de um clube cada vez mais exclusivo. Hollande tardou, e muito, em admitir a franqueza crua da realidade, porém, muito a custo, é certo, soube reconhecê-la. Resta saber se o seu epígono luso, o Seguro inseguro, logrou retirar deste "U-Turn" as devidas ilações. Os últimos sinais não são, propriamente, muito encorajadores. Mas o certo é que Seguro, por mais que esbraceje ou brade aos sete ventos, terá, mais cedo ou mais tarde, de reconhecer que o socialismo despesista de antanho, financiado pela "horripilante" finança internacional, é uma relíquia nada benfazeja de um passado que jamais tornará. É bom que o reconheça o quanto antes, para bem dos nossos bolsos.

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publicado às 23:47

Uma História de Violência

por Fernando Melro dos Santos, em 15.01.14

Anda por aí um argumento tão torpezinho entre a malta urbano-social que até me causa suspeitas sobre uma eventual pandemia de autismo selectivo.

 

Num proto-debate acerca do suicídio de um rapaz que foi vítima de bullying (aquela prática de andar à porrada na escola, agora tão obsoleta como trepar uma árvore, jogar à bola na rua, interpretar uma notícia ou encaixar bocas parvas sem ir a chorar para casa) um moço, por sinal advogado da causa LGBT (mas não deve ter nada a ver, isto sou eu que vejo conspirações e relações de causa-efeito que mais ninguém vê), perguntava-me se eu achava justo (sic) que uma pessoa levasse estalos de outras, associadas entre si ou não, e o que sugeria eu como solução para esse caso.

 

Já não sei dizer com exactidão o que respondi, porque estas parvoíces emanadas de aleivosos ensimesmados sem vida externa normalmente perdem-se nos meus canhenhos ao fim de dois dias. Em traços largos devo ter dito que a morte não é justa, e que por isso talvez devêssemos pedir ao Estado que interviesse junto do Ceifador no sentido de assegurar (regulamentando, certificando, quiçá até com sanções) a sua actividade.

 

Quanto à sugestão que me pedira, alvitrei que o mais prático, elegante e naturalmente humano seria devolver os estalos dados, com o auxílio de pedras, paus, ou quaisquer outros artefactos que estivessem à mão, até os agressores se reduzirem à sua expressão mais pura: um bando de cobardes em matilha, tentando produzir mais cobardes - intento que, diga-se de passagem, esta sociedade de enconados e igualitario-dependentes se arrisca a promover.

 

Para meu desespero, o tipo respondeu-me que "isso geraria um ciclo de violência que não é natural". Indiquei-lhe alguns livros de John Keegan, e vim-me embora podar citrinos.

 

Como é por demais evidente, qualquer pessoa de bem apresentaria as suas condolências à família, e não deixo de fazê-lo.

 

Entristece-me contudo que uma imensa maioria de pessoas - a quem, não esqueçamos, é conferido poder de voto - pareça pensar hoje que o combate a tragédias como esta passa por intensificar a infantilização e a dependência do cidadão face ao Estado e às Instituições, quando o naturalmente desejável seria libertá-lo desses atavismos e devolver-lhe a faculdade de pugnar por si mesmo, cada vez mais estigmatizada num mundo onde imperam os néscios e os medíocres, a quem sobretudo  interessa a globalização do rebanhismo.

 

Ainda leremos gente de esquerda (José Vitor Malheiros, Paulo Querido, a Câncio ou equivalente) escrever coisas como "os agressores viverão para sempre com a culpa", argumento que foi usado para defender o aborto livre ("nenhuma mulher aborta de ânimo leve"), como se a) alguém pudesse saber quantos - se alguns - escrúpulos habitam a cabeça destes animais de alcateia, e b) não houvesse por aí milhares de gajos a maltratar a família inteira e de gajas a deitar bebés para o caixote do lixo, sem o menor remorso.

 

É o novo normal.

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publicado às 13:13

Deuce Bigalow, Gigolo Profissional (1999)

por Fernando Melro dos Santos, em 14.11.13

Boa noite,

 

hoje revi o filme em epígrafe e lembrei-me de uma coisa que lera momentos antes.

 

 

É que, mesmo sabendo que declamo para uma audiência composta por 25% de cobardes, 25% de indigentes mentais, 25% de encostados ao tacho dos cinco partidos, e 25% de desgraçados sem côdea para dar aos filhos, prefiro escrever do que deixar que me integrem, ou intuam que me integro, e ainda por cima fazendo-o à má-fila, numa das categorias em que se divide o eleitorado responsável pelo estado a que isto chegou.

 

Nesta entrevista à revista Visão, Fernando Moreira de Sá, uma nulidade ambulante a quem, como a tantas outras excrescências de uma democracia sufragada a dez tostões o voto, foram dados os seus dois ou três anos de chulice, arroga-se a repugnante prerrogativa de reescrever a actualidade.

 

Senão vejamos:

 

Vem este rapazote, cujo perfil académico, profissional e provavelmente humano se coaduna com o da perene mediocridade a que nos habituaram Governos passados, criticar as manobras Socráticas no sentido de subverter a realidade e propagandear, com fins destrutivos de qualquer oposição, a sua agenda na esfera virtual através do blogue Corporações; de rajada, e sem deter-se no exercício da sua estupidez sobranceira, regozija-se de ter aniquilado essa parte da máquina socialista, recorrendo aos mesmíssimos métodos, e ainda refocilando de gozo no meio da lama com que enche a própria celha onde se banha a soldo do erário público.

 

Isto não é o grau zero da política, é a mais vil e abjecta exposição da apatia, vacuidade e castração atávica a que chegou a população Portuguesa. 

 

Da merda não emergem flores. É assim apenas natural que uma tribo de vendidos possa, quanto muito, mandatar a pior espécie de cigalheiros, paparrotões, tábidos e aleivosos para o exercício da distribuição canibalesca dos dinheiros com que os Europeus verdadeiros nos ungem. 

 

Não há diferenças entre Fernando Moreira de Sá e, a exemplo, Eurico Dias. Nem pode havê-la, nem nunca haverá nada senão similitude entre as próximas iterações dos autómatos que dão o corpo a esta farsa. Deixou de haver diferença entre quem bate a berma da estrada, para grande perda do sector.

 

Aguarda-se a qualquer momento que Camilo Lourenço, essa voz sem dono nem tino, venha burilar o facto como se de uma viragem histórica e salvífica se tratasse. Portugal na vanguarda da equidade e da justiça social entre putas, que é no fundo a única profissão em que o desemprego não grassa, a julgar por eleitores e eleitos que ainda sobrevivem praticando-a com gáudio e farto proveito. 

 

Nunca é de mais, contudo, relembrar que estes sevandijas, tal como quem os precedeu e como quem lhes sucederá, não hesitam em lançar mão das mais torpes e sovietizantes ferramentas, conforme já neste blogue havia sido dito, mantendo sabe-se lá a que preço e com que liberdades um gabinete de monitorização da blogosfera, cuja fauna residente me inspira suores frios à mera especulação sobre o seu grau de indecência, e que imagino escolhida a dedo de entre os piores biltres, relambórios, e corriqueiros acólitos do poderzinho que está. É bom de constatar, da leitura desta entrevista aviltante, que não só tal estrutura existe, como não se fica certamente por observar quanto é escrito na blogosfera. 

 

Para cúmulo, este títere sem valor ainda ousa afoitar-se com regozijo na evocação de como este Governo terá reforçado as suas fileiras mediante o recrutamento de elementos oriundos de blogues, e cito, "da direita", despudoradamente e à revelia da realidade, pois foi de lá que os recrutou, mas apenas uma ínfima minoria dos blogues nomeados é, de facto, de Direita. Como é aliás evidente, uma vez que este Governo não é ele pŕoprio, nunca foi, e nunca será de Direita, mas sim e somente outra impostura socialista passível de vingar, apenas, num país inculto, espoliado de literacia e sem sobejo da coragem de outrora. 

 

O Estado Sentido congratula-se por não ter sido incluído no elenco de blogues escarrado por Moreira de Sá, pois enquanto voz da Razão e da Liberdade não se revê nas definições maniqueístas e falseadas de "esquerda" e "direita" reproduzidas por este na peça em apreço.

 

Tal como é nosso apanágio desde a hora mais incipiente, o fito da nossa presença na blogosfera é de outra Natureza: é objectivista e racional. Não adere nem se compadece com agendas partidárias, nem com a demência colectivista e estatizante que infecta transversalmente o território de Portugal, tolhendo sem prazo à vista o futuro daqueles que nada fizeram em abono do nojo a que isto chegou.

 

Bem hajam e até logo.

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publicado às 21:48

O infortúnio do dinheiro maduro

por John Wolf, em 10.11.13

Nos dias que correm somos vergastados por um pau de dois bicos. Na arena, alinhado para um combate feroz, temos num dos cantos do ringue, o campeão da esquerda alucinada, que necessita de conquistar a qualquer custo o beneplácito dos seus súbditos. A Venezuela, mergulhada que está numa profunda crise económica e social (com inflação a rondar os 50%), observa a praxis revolucionária do seu presidente Nicolas Maduro. Numa espécie de fenómeno de assalto à Pingo Doce (Pingo Amargo) com a imposição de um desconto, ordenou ao exército a ocupação de uma importante cadeia de lojas, para pôr cobro aos excessivos lucros da empresa. O preço justo, que este preconiza, rasga com as leis de mercado, e impõe-se à força. Naquele país a ideia de empreendedorismo morreu. Ou melhor, foi assassinada. Não vale a pena pensar na mais-valia, no lucro e no esforço - capitalismo é uma actividade criminosa. Ponto final. No outro canto do ringue, do outro lado do Atlântico, o banco suiço UBS acaba de publicar o seu relatório sobre a evolução das grandes fortunas do mundo. Portugal viu crescer o seu número de multimilionários para 870. Em jeito de aproveitamento da azia, logo se estabeleceu a ideia que todo o grande dinheiro é nefasto. Que fortuna é sinónimo de roubalheira. Os analistas de caras ou coroas foram lestos em pegar numa ponta solta. O recém-eleito e independente presidente da câmara do Porto Rui Moreira, foi colocado na prateleira da grande fortuna. E esse facto tem a sua relevância. Em Portugal serve de precedente para a peregrinação política, mas feita em sentido inverso. De cima para baixo. O político não chegou roto de Castelo Branco, para volvidos poucos anos estar metido em alegados esquemas de fortuna escondida em off-shores. Este político já teve uma vida de dinheiro. Este político já viveu à grande e à francesa. Este político já tem quanto baste e esse facto deve servir de exemplo. Este tipo de perfil de servidor de causas públicas deve ser destacado em Portugal. Serão aqueles com mais meios que devem de um modo ético e voluntário, colocar a sua energia ao serviço de causas maiores. O problema em Portugal não está nas grandes fortunas, mas sim na quase total ausência do espírito filantrópico - a inclinação ética para colocar a nossa sorte ao serviço de outros. Quando um político chega com a sua mala de cartão, temos motivos de sobra para ficar desconfiados. Quanto ao oposto, desde que a fortuna amassada tenha sido realizada de modo honesto, não vejo porque razão esta deva ser atacada. Afinal, qualquer actividade humana se rege por esse princípio de vantagem maior. Que eu saiba a natureza humana firma-se mais na coluna da acréscimo, a soma. Na predisposição para acumular o máximo possível. Chamem-lhe capitalismo, sim senhor. Uma modalidade praticada à esquerda e à direita, por falsos ideólogos e sonhadores, pelo mercado de activos e sujeitos passivos. Por escritores que se querem destacar perante os outros. Por editores que trabalham para gigantes monopolistas e que querem os lucros colossais de um best-seller (pagando por isso um pequeno royalty ao autor). Por intelectuais que querem dominar a cena, esmagando os rivais com a força dos seus argumentos. Por artistas plásticos que dominam por completo o espaço de vários Versailles, sem deixar um pequeno lote que seja a pequenos aspirantes. Portanto, como podem ver, esta falsa moralidade de fortunas e dinheiros não tem nada a ver com divisas. A questão que as nossas sociedades enfrentam, tem a ver com a ideia de concessão de oportunidades aos menos afortunados. O dinheiro não é necessariamente uma coisa suja. São sujas as mãos que embalam as notas de cem, de milhar ou milhões, mas que esquecem os outros que fazem tilintar escassos trocos nos bolsos furados. 

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publicado às 08:54

Na pátria de Chávez, a situação económica piora de dia para dia. A uma crise de liberdades, junta-se uma crise inflacionária que nega aos venezuelanos o acesso a produtos básicos como a farinha,  o açúcar, o sabonete ou a manteiga. Há uns meses, faltavam hóstias, vinho e papel higiénico. Tudo isto naquele que é o país com as mais vastas reservas de petróleo do mundo. Obviamente, os funcionários do recém-criado vice-ministério para a suprema felicidade social estão em greve. Só pode.

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publicado às 20:11

Um breve comentário à vitória da Angie

por João Pinto Bastos, em 23.09.13

A nota dominante da vitória de Merkel (ou Angie, para os recém-convertidos à fé merkeliana) é, sem dúvida alguma, o facto de as classes médias teutónicas, que vivem do trabalho e do livre empreendimento, terem sancionado o trabalho desenvolvido, nos últimos anos, pela flamante chanceler. Contrariando os ventos predominantes noutras paragens europeias, os alemães premiaram a evolução na continuidade. Nada que, no fundo, surpreenda. O povo alemão sempre prezou o rigor, a competência e o trabalho, e Merkel, cumprindo à risca o que prometeu ao seu eleitorado, conseguiu, numa campanha eleitoral curta e objectiva, reunir esses sentimentos fundos a um programa ideologicamente flexível. Ganhou a Alemanha e, diga-se a abono da verdade, ganharam, também, os restantes povos europeus. Quanto a Portugal, os resultados eleitorais devem ser lidos do seguinte modo: o programa de resgate é para continuar e, note-se, para aprofundar. Para quem ansiava por uma espécie de "degelo" nas relações Norte-Sul, a vitória de Merkel representou um profundo baque, pondo entre parênteses os anseios controladeiros da malta que vive do saque do contribuinte. Nessa medida, a banda esquerda do regime sofreu uma derrota insofismável. No tocante ao Governo, a interpretação anterior deve ser matizada. O executivo, atento o pensamento de Merkel e quejandos, não terá, doravante, outro remédio a não ser reforçar amplamente o seu empenho na correcção da trajectória de decadência trilhada pelos executivos anteriores. O compulsivo lema do "viver acima das suas possibilidades" findou de vez, pelo que a política portuguesa, no que tem de mais negativamente arraigado, terá, forçosamente, de mudar de vida. Porque, ao inverso do que agoiravam certas aves raras, os taumaturgos políticos não existem, ou, pelo menos, não existem de fora para dentro, impondo soluções miraculosas ao povo ignaro. Resta-nos, pois, trabalhar, esperando que, no futuro, venham melhores dias.

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publicado às 14:43

De estar quieto à mesa

por Fernando Melro dos Santos, em 02.08.13

Almoço em família ora núcleo reduzido pela expressão estival e divorcionária, quiçá de certa forma abortista, à semente dos dias.

 

A minha Mãe, que pela neve adentrava sulcando um caminho por dentro do qual os seis irmãos mais pequenos pudessem andar na rota para a escola, recorda na pele o uivo de lobos na diurna atenção, e no crepuscular descer à aldeia perante a estultícia dos que habitavam as fragas imersos no anestesiante assolar da vida, em busca do sustento primevo.

 

O meu Pai, que percorreu e muito espremeu cada instância da revolução litoralizante, rememora em si - e caso diferente, de onde herdo o exorbitar - aquilo que faziam os outros, a comparação que sobrepuja o ater-se ao celeiro, bem e vividamente evocou as alpargatas, o leite aos ombros, o fazes-te ou fodes-te, uma circuncisão espiritual que visava sobretudo assegurar a reposição mínima do pão sobre a mesa.

 

Neste país e em mais nenhum outro é possível, abjurando a prepotência de o dar como certo, que o maniqueísmo instalado na chulice ao Estado, providência dos cautos em detrimento dos grácios, consiga com duas penadas apagar o resquício de lucidez, a sorte lúbrica de tão visceral que se torna, deixado no caminho da ovina maralha.

 

O meu filho, produto de uma sociedade divorciada, relativista, emo-dramática, onde nada é consequencia de actos estouvados e tudo são incompreensoes dos maus que comparam posturas, está enleado até ao seu horizonte discernível na teia de apatia, angústia, anomia e finalmente defenestração a esmo de quantas vozes se erguerem em defesa da sua construção, porquanto deduzirão, por natureza, oposição ao conforto amnioticamente subsidiado que lhe foi consentido pela nobreza de uns e a vulgaridade de outros. Não quer estar à mesa enquanto não lhe servirem a primeira libação apreciada. 

 

Carthago Delenda Est, direis, já cá vinhas ó latinista.

 

Aquele de vós que nesta senda não peca, lançai o primeiro seixo.

 

Ouço-a dizer, desenleada há mais de doze anos, que a colega, a chefe, o fisco, os preços, aquela viagem, a cor dos sapatos, e a derrama somada dos arrufos coligidos desde a primeira infância não lhe chegam, que vai ter de entregar a casa ao banco e por isso, logicamente, quer uma maior e num local mais bonito, para que possa não sentir um baque tão duro com a crise cuja culpa não lhe assiste nem aos pares com quem priva na orgiástica demissão de olhar ao espelho quando acorda. 

 

Mas que merda tenho eu a ver com isto? Acaso terei subscrito, apoiado, defendido ou ficado quedo quando esta doutrina de preconização irresponsável e factura à vista sobreveio tomando de assalto o tecido social, hóstia do eleitorado? 

 

Não. Eu saí, e fiz outra coisa.

 

Eu estou a apaixonar-me e a epifania secular e metafísica de ver Deus em cada folha que brota, ou não fosse esta minha veia um caule da mesma cepa em que Ele se fez para que O compreendêssemos, imunizam-me aos males que essa corja imunda e soez em quem vós, putas, votastes, criaram e manterão pela duração previsível das vidas que nós mesmos gerámos.

 

Eu fiz a minha paz. Fizésteis a vossa?

 

Se não, despachai-vos.

 

 

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publicado às 14:36

Ortega y Gasset chamava-lhe hemiplegia moral

por Samuel de Paiva Pires, em 23.07.13

Pedro Arroja, Eles não:

 

«O Mises decidiu que tudo aquilo que o Estado faz é mau e, portanto, mesmo quando o Estado faz alguma coisa boa, ele tem ou de ficar calado ou de mentir, em qualquer caso não dizendo aquilo que pensa porque, caso contrário, está a dar trunfos ao inimigo - os socialistas. Ora, os socialistas agem exactamente da mesma forma mas em sentido contrário. Para eles, o Estado é que é bom e tudo o que o Estado faz é bom. De maneira que, quando o Estado faz alguma coisa mal, eles ou ficam calados ou têm de mentir dizendo que o Estado fez bem alguma coisa que eles sabem muito bem que fez mal. Também eles não são livres, não podem dizer sempre aquilo que pensam.

 

E tudo isto resulta de uns e outros terem passado a viver a vida de forma partidarizada, perdendo o sentido de comunidade e tornando-se inimigos uns dos outros. Admitir a verdade passou a ser, em muitos casos, dar trunfos ao inimigo, e isso eles não podem fazer. Nesses casos, eles têm de omitir a verdade ou distorcê-la até a tornar mentira.

 

Segue-se que, continuando a restringir-me exclusivamente à esfera da liberdade de expressão, os liberais clássicos (e os socialistas) são muito menos livres do que eu. Eu posso sempre dizer aquilo que penso. Eles não.»

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publicado às 00:29

Lá como cá

por Fernando Melro dos Santos, em 27.05.13

"Por la noche, al llegar a casa, puse un rato la tele y me vi frente a la tercera situación: un par de ministros retorciendo de manera abyecta la lengua española, de la que parecían ignorar los más elementales recursos -ministros del Gobierno de España, insisto-, para enumerar, sin que se les notara mucho lo siniestro, nuevos expolios, exacciones y vilezas. Para justificar una vez más su incompetencia, sus medias verdades, sus promesas incumplidas, los embustes encadenados con que disimulan su parálisis unos gobernantes enrocados en los privilegios de su puerca casta, sin el menor ánimo de renovación o cambio real; una dictadura fiscal gobernada por una pantalla de plasma, cuya única baza para mantenerse en el poder es la que le regala, sin mérito y por la cara, la inexistencia de una oposición eficaz o al menos respetable; la mediocre estupidez de una clase política que en su mayor parte, sin distinción de siglas, es egoísta, inculta, grosera. Pero ojo. Todo eso lo es en sintonía con el ambiente general de esta España en la que trincan y medran. Con lo que pide la peña en este lugar indecoroso donde los policías tutean en los semáforos, los políticos ignoran la sintaxis, y los curas torpes, olvidando que sin distancia no hay mito que sobreviva, convierten los talentos en millones y las arcas de la parábola en bancos con cajero automático. Y en manos de unos y otros, en este infame compadreo que no pretende igualdad de oportunidades para que todos lleguen a donde merezcan llegar, sino rebajarlo todo al triste nivel de los más zafios y tarugos, nos vamos despacio, inexorablemente, a la mismísima mierda." 

- Don Arturo Pérez-Reverte, hoje

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publicado às 10:59

França vai passar a ser conhecida por Liberté, Egalité, Fraternité e Interneté. Foi necessário um Socialista aparecer em cena para começar a aplicar receitas normalmente associadas a outros regimes políticos. Agora ponderam aplicar uma taxa aos fabricantes de aparelhos que permitem a ligação à internet. Diga o que disser o Hollande, há aqui outras considerações que transcendem a mera ordem económica, a necessidade de angariar receitas em plena paisagem  austeritária. Observemos com atenção este modo de censura que condicionará, com maior ou menor intensidade, a livre circulação de ideias. Trata-se de uma amostra do que é possível fazer. É o que eu digo, as ideologias assemelham-se a uma omolete, são mexidas e viradas ao contrário e servidas a frio. Sem darmos conta, pagaremos para satisfazer os fetiches de governantes que já perderam o controlo da situação económica, do descalabro, e que agora temem, mais do que nunca, a força das ideias. Aquelas que incendeiam bairros porque as juntas e levantamentos anteriores fracassaram. A França está ao virar da esquina de um descalabro económico e financeiro, com a séria agravante de ser um país que vive com uma profunda fractura, que opõe um país civilizado e católico ao banlieue muçulmano. Os tablets de barro que já eram utilizados pelos Sumérios, foram importantíssimos para as trocas comerciais, para o desenvolvimento da economia, mas mais substantivamente, para a livre circulação de ideias - para atirar barro à parede, para protestar, para plantar as primeiras sementes de discórdia. E essas amostras de dissensão viajáram até aos nossos dias enquanto elementos de definição da própria Democracia, tal e qual como a conhecíamos, e que teimamos em preservar. Ao censurar esse campo aberto que é o cíberespaço, Hollande demonstra a sua natureza autoritária, a sua inclinação para a arrogância. O pretexto de defesa da cultura francesa parece conversa de um chulo, que agora exige comissões ainda mais altas às prostitutas que escapam ao seu controlo, ao controlo de qualquer político. Eles andam nervosos. Por outras palavras, esta medida funciona como um aviso, uma ameaça velada feita a partir de uma bairro, por um cabecilha de um dos muitos gangs de políticos que povoam a Europa. Se nos provocarem o suficiente, puxaremos a tomada, não tenham dúvidas, e vós, súbditos do desastre, ficaréis às escuras como colaboradores de um Vichy de rede, enquanto a banda larga entoa os derradeiros acordes de uma revolução. A francesa, quem sabe. 

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publicado às 12:28

A Constituição da III República em boa companhia

por João Quaresma, em 03.04.13

Lista dos países (comunistas e não-comunistas) em que o Socialismo está inscrito nas respectivas constituições:

- República Popular do Bangladesh

- República Popular da China

- República Popular Democrática da Coreia (do Norte)

- República de Cuba

- República Cooperativa da Guiana

- República da Índia

- República Democrática Popular do Laos

- República Portuguesa

- República Democrática Socialista do Sri Lanka

- República Unida da Tanzânia

- República Socialista do Vietname.

Fonte: Wikipedia - List of Socialist Countries

 

E é assim 39 anos depois do 25 de Abril, 38 depois do 25 de Novembro, 31 depois da revisão constitucional de 1982, 27 depois da adesão à CEE, 20 depois da criação da União Europeia, 11 depois da entrada em vigor do Euro.

E depois a culpa é da Troika e da Merkel.

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publicado às 13:45

«(...) O que estamos acostumados a ler nos boletins de convocação do Dia da Mulher é a história de uma greve, que aconteceu em Nova Iorque, em 1857, na qual 129 operárias morreram depois de os patrões terem incendiado a fábrica ocupada.

A primeira menção a essa greve, sem nenhum dos detalhes que serão acrescentados posteriormente, aparece no jornal do Partido Comunista Francês, na véspera do 8 de Março de 1955. Mas onde se dá a fixação da data do 8 de março, devido a esta greve, é numa publicação, que apareceu em Berlim, na então República Democrática Alemã, da Federação Internacional Democrática das Mulheres. O boletim é de 1966.

O artigo fala rapidamente, em três linhas, do incêndio que teria ocorrido em 8 de março de 1857 e depois diz que em 1910, durante a 2ª Conferência da Mulher Socialista, a dirigente do Partido Socialdemocrata Alemão, Clara Zetkin, em lembrança à data da greve das tecelãs americanas, 53 anos antes, teria proposto o 8 de Março como data do Dia Internacional da Mulher.

A confusão feita pelo jornal L ´Humanité não fala das 129 mulheres queimadas. Aonde se começa a falar desta mulheres queimadas é na publicação da Federação das Mulheres Alemã, alguns anos depois. Esta historinha fictícia teve origem, provavelmente, em duas outras greves ocorridas na mesma cidade de Nova Iorque, mas em outra época. A primeira foi uma longa greve real, de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910.

A segunda foi uma outra greve, uma das tantas lutas da classe operária, no começo do século XX, nos EUA. Esta aconteceu na mesma cidade em 1911. Nessa greve, em 29 de março [corrigindo: 25 de Março], foi registrada a morte, durante um incêndio, causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, de 146 pessoas, na maioria mulheres imigrantes judias e italianas.

dia da mulher foto falsa

(Foto do incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, Nova Iorque, em 1911. Fotos deste acontecimento têm circulado como sendo da suposta greve de 1857. Fonte: Wikipedia)

 

Esse incêndio foi, evidentemente, descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo.

Essa fábrica pegando fogo, com dezenas de operárias se jogando do oitavo andar, em chamas, nos dá a pista do nascimento do mito daquela greve de 1857, na qual teriam morrido 129 operárias num incêndio provocado propositadamente pelos patrões.

E como se chegou a criar toda a história de 1857? Por que aquele ano? Por que nos EUA? A explicação, provavelmente, é a combinação de casualidades, sem plano diabólico pré-estabelecido. Assim como nascem todos os mitos.

A canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma traça da greve de 1857. Nem nos jornais da grande imprensa da época, nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias.

Ela afirma e reafirma que essa greve nunca existiu. É um mito criado por causa da confusão com as greves de 1910; de 1911, nos EUA; e 1917, na Rússia.

dia da mulher russo

Essa confusão se deu por motivos históricos políticos, ideológicos e psicológicos que ficarão claros no fim do artigo.

Pouco a pouco, o mito dessa greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória histórica das mulheres e dos homens outras datas reais de greves e congressos socialistas que determinaram o Dia das Mulheres, sua data de comemoração e seu caráter político.

Já em 1970, o mito das mulheres queimadas vivas estava firmado. Rapidamente foi feita a síntese de uma greve que nunca existiu, a de 1857, com as outras duas, de costureiras, que ocorreram em 1910 e 1911, em Nova Iorque.

Nesse ano de 1970, com centenas de milhares de mulheres americanas participando de enormes manifestações contra a guerra do Vietnã e com um forte movimento feminista, em Baltimore, EUA, é publicado o boletim Mulheres-Jornal da Libertação. Neste já se reafirmava e se consolidava a versão do mito de 1857.

Mas, na França, essa confusão não foi aceita tranqüilamente por todas e todos. O jornal nº 0, de 8 de março de 1977, História d´Elas, publicado em Paris, alerta para esta mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857. Mas o alerta não teve eco.

Dolores Farias, no seu artigo no Brasil de Fato, nº 2, nos lembra que, em 1975, a ONU declarou a década de 75 a 85 como a década da mulher e reconheceu o 8 de março como o seu dia. Logo após, em 1977, a Unesco reconhece oficialmente este dia como o Dia da Mulher, em homenagem às 129 operárias queimadas vivas.

No ano de 1978, o prefeito de Nova Iorque, na resolução nº 14, de 24/1, reafirma o 8 de março como Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado oficialmente na cidade de Nova Iorque.

Na resolução, cita expressamente a greve das operárias de 1857, por aumento de salário e por 12 horas de trabalho diário, e mistura esta greve fictícia com uma greve real que começou em 20 de novembro de 1909. O mito estava fixado, firmado e consolidado. Agora era só repeti-lo.

 

Por que a cor lilás?

A partir de 1980, o mundo todo contará esta história acreditando ser verdadeira. Aparecerá até um pano de cor lilás, que as mulheres estariam tecendo antes da greve. Daquela greve que não existiu. A mitologia nasce assim. Cada contador acrescenta um pouquinho. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, diz nosso ditado.

Por que não vermelho? Porque vermelhas eram as bandeiras das mulheres da Internacional. Vermelhas eram as bandeiras de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai, delegadas dos seus partidos, à 1ª Conferência das Mulheres Socialistas, em 1907; e da 2ª, na Dinamarca, em 1910. Nesta última foi decidido que as delegadas, nos seus países, deveriam comemorar o Dia da Mulher Socialista.(...)»

 

Artigo completo: «O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas», por Vito Gianotti, no Núcleo Piratininga de Comunicação (que não é propriamente de extrema-direita...).

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publicado às 01:45

Chávez, Oliveira, Partidas e Chegadas...

por John Wolf, em 06.03.13

 

Não me parece que a partida de Daniel Oliveira do Bloco de Esquerda tenha a ver com a partida de Hugo Chávez na Venezuela. De qualquer modo, sejam quais forem as ilações a extrair dos factos, a Esquerda vive momentos de agitação. São pequenos ajustamentos que contribuem para o processo de reflexão sobre o esvaziamento do Socialismo. Sobre o que falhou e o que falha. Sobre a verdade e as consequências. Sobre veleidades e mentiras. Trata-se de uma escolha clara entre oferecer 100 litros de gasolina a cada cidadão ou dar ao litro para genuinamente defender o interesse dos cidadão. A saída de Daniel Oliveira do Bloco de Esquerda, deve ser interpretada como um sinal de inteligência. O ser-político não necessita de poleiro nem de partidos para exercer com superioridade a causa pública. Portugal necessita de mais gente a saltar borda fora dessa nau infestada de sectarismos, vícios e interesses instalados. O que Daniel Oliveira faz, serve de exemplo de serviço cívico de qualidade. Deixou-os a discutir sozinhos. A debater inutilidades. Que venham mais com a coragem do Oliveira. Na Venezuela a única coisa a fazer é coroar postumamente Hugo Chávez por sair de cena de uma maneira utopicamente democrática. Quando Deus decide, quem somos nós para contestar as eleições? Viva La Revolución.

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publicado às 10:41

Assalto à 13ª Esquadra

por Fernando Melro dos Santos, em 26.02.13

A Comissão Europeia, ou cérebro da Besta tentacular que serve de covil aos cultistas satânico-comunas, oriundos das mais aberrantes seitas esquerdistas e que pretendem expopular a Europa mediante implementação da sua agenda neo-marxista, quer agora um NIF europeu.

 

A ladainha é a mesma de sempre: proteger os bons pagantes, ora ressequidos à mumificação pelo esbulho, dos maus - leia-se evasivos - pagantes, ora refractários malignos que se recusam a custear o faisão com arroz de tâmaras que o sultanato Bruxelesco tanto ama e necessita para garantir a supervisão salvífica dos povos na Terra.

 

Para ver e ouvir com o som bem alto, idealmente ligado a um subwoofer, eis um pequeno vídeo que ilustra o que sinto de cada vez que o meu córtex cerebral manda visualizar van Rompuy, Barroso, Constâncio, Schultz, Juncker, Trichet-sur-les-Îles-avec-Martini, e as abencerragens aruspicianas que vicejam à custa dos melhores anos das nossas vidas.

 

 

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publicado às 09:50

Deo-Socialismo, Neo-Socialismo...

por John Wolf, em 04.02.13

 

Desde que a crise económica e financeira eclodiu em todo o seu negro esplendor em 2008, um processo de revisão do Socialismo tem vindo a ser efectuado aqui e acolá, aos poucos, mas de um modo seguro, sem querer dar muito nas vistas e sem abalar a alma mater da bandeira. Os homens da rosa sabem que a sua sobrevivência ideológica está em causa. Como forma de se eximirem de responsabilidades morais, os socialistas procuram sacudir a água do capote como se não fossem neo-liberais, como se não tivessem apoiado o funcionamento desregulado dos mercados que conduziu a este estado desgraça, como se não estivessem no poder quando as chatices aconteceram. Como se não tivessem transformado a sociedade em algo corporativo com amigos distribuídos por posições de grande inflluência na vida económica e social do país. Temos assistido à utilização intensa de um código sacado de um mapa ideológico que já não faz parte deste mundo. Estes senhores também borraram o fato de macaco do trabalhador e agora afirmam trabalhar na lavandaria de esquina. Porém, independentemente de levantarem a voz e vestirem outra farda, sabem que algo mais profundo está a abalar o significado do Socialismo, e por essa razão se torna urgente aparecer com a cara lavada, cortando com o Socialismo da antiguidade clássica que tantos males trouxe ao bairro dos compadres. A Internacional Socialista encontra-se na Riviera Portuguesa para discutir crescimento sustentável e emprego mas enganou-se no título da conferência. Acho notável que um agrupamento de falhados não aproveite a oportunidade para analisar as causas do desmoronamento. Há um fio condutor que liga as famílias políticas destes senhores ao que está a acontecer na Europa. A declaração de intenções consubstanciada na frase vamos procurar uma saída para a crise, diz tudo sobre ausência de ética e responsabilidade política, e por isso deveria ser editada, em nome da verdade.  Substituída por; queremos encontrar a saída para a crise que ajudamos a fabricar, ao que poderiam também acrescentar; não somos socialistas no sentido inaugural da doutrina, somos iguais aos outros neo ou ultra-liberais. Depois há outra dimensão caricata que desconhecia, que não ajuda a promover a ideia de cantina solidária. Não sabia que a sede do PS também é um restaurante. Alguém me pode dizer, se ali no Rato, há uma cozinha secreta? Ou será catering? Será que os cozinhados são preparados na Casa da Comida e trazem tudo em tupperwares lavados? E porque razão o Bloco de Esquerda não foi convidado? Afinal foram eles que lançaram o mote de uma nova corrente de Socialismo. Se fosse eu, teria cuidado com o que está a passar. Assistimos há já algum tempo a deslocações de sentidos políticos que nos baralham por completo. Por vezes as Esquerdas aparecem na ala Direita, as Extremas ao Centro, os que estão por baixo por cima, e tudo isto em defesa de um princípio subjacente à condição política, o acesso ao poder seja qual for o preço a pagar. Paga o contribuinte. Mas restringindo-me ao Socialismo, não me surpreenderia se uma nova doutrina fosse inaugurada como uma novidade de mercado, um perfume para desinfestar e afastar os maus cheiros provocados pelos próprios. Deo-Socialismo, Neo-Socialismo...

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publicado às 10:09

Coisas que interessam

por João Pinto Bastos, em 18.01.13

Portugal dispõe de um regime de protecção social altamente regressivo, segundo palavras do insuspeito FMI. Ao longo das últimas décadas, os sucessivos governos desenharam um sistema que beneficia, sobretudo, os instalados em torno da manjedoura estatocrática. Até aqui não há nenhuma surpresa, pois, qualquer analista minimamente atento sabe, ou pelo menos tem a obrigação de saber, que o Estado em Portugal tornou-se um centro de apoio aos mobilizadores do dinheiro concentrado. O que não se sabia, ou não era do domínio público, eram os números envolvidos nesta trapaça politicamente organizada. Sabe-se agora que 40% dos gastos com pensões vão para os 10% mais ricos. Um número brilhante e redondo que não oferece a menor dúvida. Enquanto mais de um milhão de pensionistas desespera por pensões de reforma absolutamente miseráveis, uns poucos, os sibilinos "happy few", arrebanham o grosso dos dinheiros públicos dedicados a esta nobre tarefa ideada nos idos do século XIX por Bismarck. Perante isto, há que recolocar a célebre questão leninista: o que fazer? A resposta não é simples, nada é singelo neste mundo de contabilistas despolitizados, o que é certo é que qualquer reforma, que será inevitável caso se protele a necessária mudança, terá forçosamente de tocar nestes agregados. Por outras palavras, há gente que terá de encarar de vez a inelutabilidade da redução dos enormes privilégios que possui à conta dos contribuintes esmagados. A reforma da segurança social, a aproximação dos regimes público e privado, o fim das pensões milionários pagas pelo erário público, em suma, a moralização do Estado, que é sustentado por nós, produtores claudicantes, é uma exigência a que urge dar cobro. O relatório do FMI, que enferma de alguns vícios de elaboração noutras áreas da governação, foi particularmente bem escrito neste quesito. Mais: acertou na mouche, colocando a nu coisas que muitos teimam em negar, ciosos, talvez, das prebendas que teimam em não deixar. O socialismo dos "amanhãs que cantam e trazem sempre dinheiro para tudo e para todos" terminaram. Para bem de todos nós.

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publicado às 18:33

Rumble Fish

por Fernando Melro dos Santos, em 15.01.13

O esgoto a céu aberto que o Samuel denuncia no seu post de hoje é apenas uma de entre incontáveis pústulas purulentas gretadas na derme de Portugal desde a tomada de assalto de que o país foi alvo após o 25 de Abril, agravada com a chuva dourada sacada aos contribuintes de outros países a partir da adesão à UE.

 

Com efeito, nas imortais palavras de Alberto Pimenta, em Portugal o sonho do pequeno filho da puta é ser um grande filho da puta, propósito que os filhos da Revolucinha perseguem com afinco draconiano, ou melhor dizendo, draculiano.

 

Se eu pudesse caracterizar esta cloaca infecta numa só frase, escolheria dizer que Portugal é a negação do ditado "quem não deve não teme": neste bairro do inferno, é exactamente o oposto que sucede. 

 

Quem é que nunca foi ameaçado por um qualquer sequaz das maiorias vigentes, ao pisar-lhe os calos em diferendo profissional?

 

Quem é que nunca ouviu da boca de uma ex-namorada o alerta "olha que ele é informático nas Finanças, troca lá uns dados e lixa-te a vida"?

 

Quem é que nunca se viu ultrapassado numa repartição pública, da mais singela estação de Correios ao Hospital mais apinhado, por um palhaço qualquer vizinho dos funcionários de serviço?

 

Quem é que pode hoje existir sem saltar um batimento cardíaco de cada vez que o carteiro vem e deposita uma carta registada?

 

E no entanto nada acontece? A bola e o humor de WC continuam mais fortes que a hemoglobina?

 

Mesmo quando era inegável o fim que isto ia ter?

 

Mereceis quanto vier pela porta. 

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publicado às 20:30

Quando o socialismo e o "passismo" se tornam num só

por Pedro Quartin Graça, em 08.01.13

Sempre "diferentes" mas, afinal, sempre "iguais". Quase 40 anos medeiam entre Passos/Gaspar e os socialistas na época de Thatcher. Ou, como, no fundo, tudo se confunde.

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publicado às 15:29






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