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A corda na garganta grega

por John Wolf, em 18.02.15

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Se a Grécia aceitar uma extensão de seis meses do empréstimo haverá bronca em Atenas. Alexis Tsipras foi eleito no auge da euforia de promessas que simplesmente não pode cumprir. Os 85% de popularidade que o amparam facilmente podem descambar para um golpe de Estado e a instauração de outro regime, também esse extremo - de Direita, fascista. O povo grego dificilmente aceitará uma traição de Tsipras. A Austeridade era para acabar, segundo o mesmo, mas se um acordo for assinado com a ex-Troika (?), os termos da mesma agravar-se-ão. Por esta ordem de ideias a solução sonhada pela Grécia dificilmente se tornará realidade. De acordo com fontes oficiais, Varoufakis apresentou-se na reunião desprovido de gravata e de um documento sequer. O homem  apareceu equipado com paleio intransigente - a ideia de despejo dos termos do resgate, pura e simplesmente. 

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publicado às 09:30

Ver-se Grego ou não

por John Wolf, em 17.02.15

Choices

 

 

Um questionário exigente foi colocado diante dos idealistas utópicos e homens livres. Estão com Tsipras, Varoufakis, Syriza e a Grécia na revolução que estes pretendem trazer à Europa, ou estão com aqueles que dizem proteger Portugal da hecatombe helénica(?). Estão com a inocência de Sócrates ou contra o sistema judicial português (?). Estão com os indicadores económicos que começam a ser favoráveis a Portugal ou estão com António Costa que diz que vai demolir a Austeridade(?). Estão com Putin na sua epopeia revanchista ou estão com os Atlanticistas da NATO (?). Estão empenhados na salvação solidária do povo grego ou estão mais interessados em extrair vantagens financeiras das suas iniciativas junto da ex-Troika (?). Estão mesmo com Charlie ou  já estão com um pé em Copenhaga (?). Estão com a permanência da Grécia no Euro ou estão com os cumpridores de contratos assinados (?). Estão com os gregos que querem receber dinheiros da segunda guerra mundial ou estão com aqueles que podem ter de pagar a ex-colónias africanas (?). Estão no Carnaval de Torres Vedras ou preferem o de Ovar? Escolhas difíceis, sem dúvida. Especialmente a derradeira.

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publicado às 09:34

Portugal, uma enorme fotocópia

por John Wolf, em 11.02.15

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É perigoso viver em Portugal. Muito perigoso - o país anda entretido com as fotocópias de Sócrates e o corte de relações institucionais entre o Sporting e o Benfica. Enquanto isso a Europa vive a maior crise desde que há memória. A vingança da Austeridade e a promessa de que a Merkel seria esmagada alimentou excessos nos discursos e novas figuras de estilo na Europa. Tsipras e Varoufakis, sem dúvida que serviram para agitar as águas instransigentes da política, mas não passam de marionetas de um esquema maior. O dia de hoje pode também figurar na história, mas não pelas razões que os gregos invocam. A Grécia bem pode ameaçar arrastar ao fundo uns quantos colaboradores se as suas exigências não forem cumpridas. Mas não é bem assim. Os mercados já começaram a descontar a "inexistência" da Grécia no quadro europeu. Os ânimos exaltados do duo grego serão rebaixados pela determinação dos políticos dos centros de decisão que não desejam uma hecatombe com efeito de dominó, o que em última instância deitaria a perder o grande sacrifício de alguns, entre os quais Portugal. Se derem despacho ao requerimento dos gregos a coisa muda logo de figura. Seria como entregar argumentos válidos a outros demandantes. Portugal não é a Grécia, nem precisa de ser a Irlanda. Certamente terão de passar alguns anos para que Portugal perceba que os caminhos trilhados pelos outros não servem as suas causas. Como já havia escrito, da escolha múltipla a decisão efectiva é um pequeno passo. Se a Grécia abandonar o Euro (e subsequentemente a União Europeia) é porque já terá alinhavado um novo arranjo de lealdade política e dinheiro fresco. O outro berbicacho em que Portugal está metido (mas que acha que não está metido), chama-se "conflito na Ucrânia". Esse outro tira-teimas pode muito bem ser mais nefasto do que muitos julgam. Mas querem lá saber. Afinal Portugal é um país à beira-mar plantado. Imaginem só se estivesse bom tempo. Ainda seria pior. Estaria tudo na praia.

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publicado às 09:33

Varoufakis, dramas e Dracmas

por John Wolf, em 04.02.15

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Deixemo-nos de danças de salão, de considerações sobre quem leva ou não gravata à reunião, de rebeldias e submissões. Uma coisa é certa. Sabemos que a história não se repete, mas por vezes rima. Quando largos espectros da população deposita a sua fé em promessas de campeões, sabemos que corremos perigo. E isto diz respeito a qualquer ideólogo de Esquerda ou Direita. A mudança requerida a qualquer custo pela Europa da Austeridade, pode implicar um preço excessivamente elevado. A indexação da dívida grega ao seu crescimento é roupa velha. Houve até em Portugal um político "varrido da capoeira" que teve semelhante ideia. Quando Varoufakis "inventa" a roda do crescimento como condição primária, está a pedir dinheiro, mais dinheiro. Mas não explica como irá redesenhar a textura económica do seu país, como irá alterar a cultura financeira do seu povo habituado a receber. Em termos pecuários a pergunta que se pode colocar é a seguinte: como irão os governantes helénicos desmamar o povo grego que durante décadas a fio se afeiçoou a uma torneira aberta, a uma torrente de dinheiro dos outros? Varoufakis e Tsipras "que se cuidem" (parafraseando Soares) porque a base eleitoral que os colocou no poder, pode rapidamente inverter a guia de marcha, se as promessas de alívio financeiro não forem cumpridas, palpáveis. O estado de emergência em que se encontra o povo grego não é compatível com elaborações teóricas positivistas e que apenas se poderão concretizar no médio-longo prazo. Não sei, se a dada altura, a saída do Euro não será a melhor opção. De um dia para o outro, tal decisão provocaria um cataclismo económico, financeiro e social, mas os dinheiros de salvação viriam sem demoras pela via privada e não institucional. A haver uma re-adopção do Dracma, e à luz de uma desvalorização ainda mais brutal do produto interno bruto, uma panóplia de investidores internacionais acorreria para deitar a mão a bons investimentos. O investimento directo estrangeiro que se viria a registar seria sem dúvida notável, colocando efectivamente a Grécia no caminho da retoma económica. O problema que se apresenta, e que fere o sentido patriótico, é análogo ao que se passa em Portugal com a privatização da TAP. Mas, dadas as condições de precariedade e desemprego que se registam naquele (e outros países), talvez não seja má ideia dispersar o capital por "não-políticos". Se a Grécia já é detida por uma "entidade estrangeira" com sede em Berlim, não vejo grande mal em trocar de patrão. Os próximos meses de negociação entre os gregos e a União Europeia podem esgotar a oferta de soluções congeminadas na grande casa europeia. Se nada avançar no sentido de um entendimento credível de parte a parte, não vejo outra opção se não o abandono do Euro. O sentimento de euforia vivido pelas Esquerdas europeias não encontra necessariamente eco na casa-mãe Grécia. Os gregos, cépticos por natureza, demonstram que acreditar é positivo, mas fiar em demasia pode dar asneira.

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publicado às 09:06

Tsipras é igual aos outros

por John Wolf, em 03.02.15

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Like all politicians, he lied to get the job.

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publicado às 17:14

Extrapolações a partir de Tsipras

por John Wolf, em 29.01.15

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A crise europeia acabou, e o emprego vai crescer exponencialmente em todos os Estados-membro da União Europeia.

A Dívida Grega vai ser perdoada e a Troika vai conceder um bónus de 500 mil milhões de euros aos helénicos por terem tido uma ideia tão boa.

A Austeridade vai acabar dentro de 10 minutos e cada cidadão europeu vai receber um cheque de 500 euros para estoirar no Carnaval com a garantia de que receberá outro no Natal.

A Rússia vai retirar-se da Ucrânia e compensar aquele país pelos danos causados e oferecer  gás natural durante 20 anos.

O Estado Islâmico vai converter-se em centro ecuménico de reflexão e paz.

Os EUA vão deixar a Rússia desmontar a NATO.

A União Europeia vai ter, a partir de amanhã, uma União Fiscal e uma Política Externa e de Segurança Comum.

Portugal vai ser salvo por um novo partido de inspiração tsiprarista fundado por António Costa, Mário Soares e José Sócrates.

Os ataques terroristas, tal como acontece com as greves, deverão ser marcados com antecedência mínima de 24 horas pelas uniões sindicais que representam os suicídas.

As receitas da venda de armas dos EUA, França, Reino Unido e Alemanha vão reverter integralmente para a Cruz Vermelha, a Amnístia Internacional e o Banco Alimentar contra a Fome, que cessarão de existir e tornar-se -ão desnecessários.

O Euro irá ser adoptado por todos os países africanos descarrilando o Dólar Americano como moeda de referência no comércio internacional.

Todas as Empresas Privadas portuguesas serão nacionalizadas para compensar a Privatização da TAP e a perda de controlo sobre a PT.

Os bancos vão passar a ter filiais dentro da casa de cada família portuguesa para pôr em prática soluções de poupança e oferecer salários aos reformados e delinquentes.

As semanas laborais vão ser sujeitas a uma reforma humanitária que implicará não mais de 15 horas semanais de trabalho.

As dívidas vão passar a ser entendidas como um valor positivo civilizacional e promovidas no programa curricular das escolas.

Os partidos políticos da Extrema Direita e da Extrema Esquerda vão deixar de existir para dar destaque a uma força moderada nascida a partir de uma sociedade civil que não sabe o significado de ideologia.

E por último, eu deixarei de ter ideias tão realistas quanto estas e outras que me escapam de um modo tão flagrante...

 

 

 

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publicado às 10:31

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Preso por ter cão e preso por não ter. Dizem que é uma coisa má. Mas estamos em Portugal.

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publicado às 20:26

Os sentidos proibidos de Ferro Rodrigues

por John Wolf, em 01.11.14

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Não existem nomes proíbidos no Partido Socialista (PS), caro Ferro Rodrigues. Por mim, até podem inventar nomes e apelidos, e inscrevê-los no vosso partido. E, sim, é verdade. O PS não é o Partido Comunista (PC) da União Soviética nem é o PC português. Porque esses ao menos são (ou foram) coerentes e íntegros. Mantiveram-se firmes nas suas convicções. Não invocaram princípios para realizar o seu oposto. Não falaram em nome do povo, e não encheram os bolsos de redes de influência e práticas neo-liberais. O PS pode até beatificar José Sócrates e retirá-lo do índice da excomungação, mas Portugal sabe quem lhe causou sérios danos. Os portugueses sabem quem desferiu o golpe de misericórdia que conduziu ao desmoronamento e à emergência de um memorando. Ferro Rodrigues pode não ter perdido o jeitinho da bancada, e o sarcasmo que nos conduz a parte incerta, mas confirma que não respeita a história do país e insulta os seus cidadãos. O regresso de Sócrates à galeria de todos os santos socialistas não nos deve surpreender. Faz parte da lavagem cerebral que nos querem impor. E sim, os partidos comunistas são exímios na doutrinação. Afinal as parecenças com o PC, são mais que as destrinças. Da próxima vez, talvez possam encontrar outro termo de comparação. Algo de índole anarquista ou religiosa. Não sei qual o propósito da reabilitação de Sócrates nos meandros políticos de Portugal, mas coisa boa não será. 

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publicado às 19:02

Putin decide mais Austeridade para a Europa

por John Wolf, em 30.08.14

A grande maioria dos comentadores ou analistas políticos tende a pensar dentro de uma caixa. Elege um conjunto de elementos operativos, convenções e pressupostos, e disponibiliza a sua visão do mundo. E existe um perigo assinalável quando nos deixamos repousar em determinados conceitos intelectuais, como se os mesmos fossem intocáveis. Recentemente têm surgido alguns académicos suficientemente ousados para abalar as suas próprias fundações. Nassim Taleb será um deles - o inconveniente professor de incerteza da Universidade de Nova Iorque -, que entre outros feitos, definiu o conceito de "extremistão": a dimensão onde factos tidos como improváveis acontecem. Vem esta dissertação a propósito da evolução do conflito que opõe a Ucrânia à Rússia e as consequências do seu agravamento para o resto do mundo. Ontem escutei atentamente outro analista que merece a nossa consideração por ter sido capaz de prever muitos acontecimentos que abalaram o frágil equilíbrio do sistema financeiro-económico. Dennis Gartman é mundialmente conhecido pela publicação diária de um relatório sintético que serve de alimento para processos de reflexão nos campos político, financeiro e económico- The Gartman Letter. Na entrevista que concedeu ao não menos hábil Tom Keene no programa de rádio Surveillance da Bloomberg, Gartman alerta a Europa para uma distinta e nova forma de austeridade imposta pela Rússia à Europa. No fogo-cruzado de sanções que parece estar a entrar numa fase mais aguda, a União Europeia sofrerá os efeitos da política externa destemida de Putin. Embora não resulte de um processo político convencional, ou de uma Troika dirigida com intenções claras, em termos práticos, o resultado será o mesmo. São implicações deste cariz que parecem não constar da consciência política da Europa, e, à sua escala, de países com a dimensão de Portugal. São cenários de excepção como estes que me preocupam, não tanto pelos factos em si, mas por termos ao leme dos destinos das nossas nações, governantes ou prospectivos lideres com um atroz grau de ingenuidade, um nível de preparação insuficiente. Portugal, mesmo sendo a derradeira fronteira ocidental da Europa, não ficará à margem deste processo. A haver uma guerra europeia, a mesma será de um género inédito, combinando factores de guerrilha convencional com outros meios igualmente devastadores. Há quem acredite que a Rússia esteja a fazer bluff para granjear alguma vantagem táctica, mas num quadro maior de percepções a Rússia procura readmitir o seu Lebensraum, por variadíssimas razões históricas ou histriónicas de Putin. A Europa que se convenceu da estabilidade da paz, necessita rapidamente de repensar os pressupostos do jogo. Portugal,  infelizmente,  será um pequeno mexilhão, mais espectador do que interventor capaz de alterar a força das dinâmicas que já se fazem sentir. Tenhamos algum medo.

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publicado às 12:28

A propósito da saída da troika e das eleições europeias

por Samuel de Paiva Pires, em 18.05.14

Marcel Prélot e Georges Lescuyer, História das Ideias Políticas, vol.II, Lisboa, Editorial Presença, pp. 370-374:

 

"O «fim das ideologias» pode significar duas coisas. Em primeiro lugar, uma perda externa de influência sobre a opinião; nesta acepção, a desideologização corresponde ao mesmo tempo à despolitização das massas e à personalização do poder. Em seguida, num mundo governado por uma elite votada ao ecumenismo, segundo um molde asséptico que ultrapassa as aparências de uma distribuição por estrebarias políticas concorrentes, pode significar o «fim dos conflitos ideológicos»; no «extremo-centrismo» do pensamento ideológico que assim se instala, os homens estão intelectualmente de acordo e já só exercem opções técnicas ou pessoas. As palavras «convergência», «negociação», «compromisso» ou «avaliação» resumem a nova ordem moral, baça na aparência, e até soporífera, mas de vocação totalitária, baptizada de «consenso». «O pior ópio dos intelectuais consistia anteriormente em imaginar que possuíam o segredo do mundo» (Alain-Gérard Slama, L’angélisme exterminateur, essai sur l’ordre moral contemporain, Paris, Grasset, 1993); doravante, a sociedade exige do perito o que ontem esperava do intelectual. Pouco preocupada com os riscos do corporativismo que a sua atitude implica, confia a uma quantidade crescente de comités e comissões a definição de escolhas que, por sua própria natureza, decorrem da Política. Governar já não é escolher, mas, ao abrigo cómodo de um pragmatismo promovido a virtude, confiar a «especialistas» a missão de o fazer.


(...)

 

Com efeito, cada geração gosta de gabar a sua lucidez e o seu realismo; declara recusar a doutrinação; rejeita a paráfrase retórica; torce o pescoço à eloquência; reclama informação sólida e séria; pretende ter influência directa sobre o mundo e organizá-lo de acordo com as suas leis. Para o historiador das ideias, estas aspirações, longe de serem novas, revestem-se de uma monotonia lamentável.

 

(...)

 

Se alcança o poder, o técnico deixa de o ser, pois não há acção governamental sem opções, e a técnica não pode determiná-las por si só. O que os inevitáveis «sábios», nos seus comités e comissões, podem descobrir, através dos seus relatórios e livros brancos, são, de acordo com o neologismo na moda, «fazibilidades» técnicas (cujo rigor nunca está garantido), e nada mais. Julgados em função dos resultados concretos, os conselhos dessa eminente variedade de peritos, que são os economistas, sublinham cruelmente os limites do procedimento.

 

Isto vale para todos os técnicos e para todos os tempos. Em 1940, a pretensa impossibilidade material da passagem das Ardenas pelas unidades blindadas foi ultrapassada por uma vontade política, a de Hitler. Dezoito meses mais tarde, pelo contrário, esta foi vencida pelo Inverno russo. As soluções técnicas nunca constituem imperativos positivos (a não ser que disfarcem uma usurpação insidiosa do poder de decisão). Ao elaborar o plano europeu, Jean Monnet afirma claramente que não é um técnico, querendo com isso dizer que obedece a opções morais e políticas, as quais não podem resultar apenas da técnica. A Europa não teria conseguido impor-se, certamente, sem uma visão política (v. René Lejeune, Robert Schuman, une âme pour l’Europe, Paris, Éd. Saint-Paul, 1968). A doença que, desde Maastricht, parece afectar a ideia europeia, deixada à discrição da eurocracia bruxelense, mostra a força desta verificação.

 

(…)

 

Com efeito, seria temível uma ilusão que emprestasse a «todos os povos e a todos aqueles que os governam uma só racionalidade, a dos economistas, que comparam custo e rendimento» (Raymond Aron, Penser la guerre, Clausewitz, Paris, Gallimard, 1976).”

 

(…)

 

A sociedade contemporânea não é favorável às ideias porque elas incomodam."

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publicado às 17:49

Chegou o dia da libertação!

por Pedro Quartin Graça, em 17.05.14

 

A propósito, como está o relógio do Caldas? Ainda funciona ou encravou?

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publicado às 09:51

Não há mão que lhe valha

por Pedro Quartin Graça, em 13.05.14

Mão de ferro com os pobres, mão de manteiga com os poderosos. O Portugal de Passos.

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publicado às 16:38

Alguém viu por aí a reforma do Estado?

por Samuel de Paiva Pires, em 05.05.14

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publicado às 12:43

A trela da Troika

por John Wolf, em 05.05.14

A tão propalada saída limpa do programa de assistência não altera a substância dos factos. Portugal continuará endividado por muitas décadas; o desemprego estrutural não baixará dos 10% e o crescimento económico será ténue, senão insignificante, nos anos que se seguem. Para já, as contas do país beneficiaram do choque fiscal que foi aplicado às empresas e aos contribuintes portugueses. A ideia de que "a casa está arrumada" foi vendida, como seria de esperar, de acordo com um calendário político preciso: eleições europeias a semanas de acontecer e legislativas ao virar da esquina. O governo, ao oferecer a ilusão de retorno à normalidade financeira, à soberania e à independência nacional, assemelha-se a outro diletante - António José Seguro. Este último, presente no outro canto do mesmo ringue de boxe fala desalmadamente sobre as condições do presente, mas omite como será o futuro. E os tempos que se seguem (parecidos com estes) irão traí-lo, caso chegue ao poder cheio de garra e entusiasmo socialista. A inversão das condições económicas e sociais que o governo anuncia e a oposição sugere quando chegar ao anti-governo, colocam Portugal numa situação particularmente difícil. O país está efectivamente à mercê da inconsciência e do engodo de lideres presentes ou futuros. Seria preferível que apresentassem aos portugueses a verdade nua e crua, ou pelo menos uma boa parte dela. As décadas que se seguem serão condicionadas pela vigilância apertada do FMI. Ao passarem a vistoriar Portugal de seis em seis meses, concedem uma margem de manobra ligeiramente melhor, mas não largam a trela. Retiram o açaime, mas continuam a dar ordens ao Bóbi - fica, senta, quieto! O Marcelo Rebelo de Sousa também é outro tonto a ter em conta. Vê-se mesmo que não lê as obras todas que despeja em frente à Judite, porque se lesse, seria mais sensato e não diria calinadas: «os portugueses não vão ficar altos e loiros como os finlandeses, nem ricos como os alemães». Quais são os portugueses que desejam ser como os finlandeses ou os alemães? Os portugueses são o que são, para bem ou para mal, e continuarão a sê-lo pelo menos por mais 800 anos. Nessa lógica temporal, anacrónica e histórica, os portugueses deveriam desejar ser como os chineses. Ou seja, perspectivar a grande história que se estende milenarmente. Sem dúvida que serão décadas duras as que se seguem, mas as mesmas devem ser entendidas como um acidente de percurso de um país com oito séculos de história. Contudo, seria bom que aprendessem como os erros, mas tenho dúvidas. Há uma tendência inata para repetir os mesmos. 

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publicado às 09:18

Abriu a caça ao coelho

por Pedro Quartin Graça, em 03.05.14

Dia 25 de Maio abre oficialmente em todo o país a caça ao coelho. Excepcionalmente a caça permanece aberta até final de 2015, sem defeso.

Admite-se igualmente a captura, também sem limite, de outras espécies e pragas, como a troika, mas sempre dentro de portas.

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publicado às 10:51

Não há sanitas limpas

por John Wolf, em 03.05.14

Não há sanitas limpas. Não acreditem piacabamente no que vos dizem.

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publicado às 09:34

Socialismo e Cold-Troika

por John Wolf, em 29.04.14

O sociólogo Carvalho de Silva, na sequência de um exaustivo estudo, finalmente apresenta o relatório ao público - "Portugal vai continuar entroikado". Não tenhamos dívidas, perdão, dúvidas: os efeitos do programa de ajustamento far-se-ão sentir muito para além das datas estipuladas pelo entusiasmo da propaganda política. A própria expressão "programa" talvez merecesse ser reformada e substituída por "residência". Dizem que o tempo cura, mas falamos de quanto tempo de tratamento? O tempo suficiente para o PS tomar o poder, o PSD destronar o PS, o CDS coligar-se com o BE, pelo menos dois governos se demitirem, três presidentes da república e quatro dezenas de eurodeputados serem eleitos, três presidentes da comissão europeia serem indigitados, e por aí fora (a imaginação não conhece limites). De que forma pode Portugal circum-navegar a inevitável presença da Troika? Sair da União Europeia e do Euro e mandar à fava a vocação europeia? Avançar com um projecto de salvamento europan-periférico, criando mecanismos monetários com países que se encontram em condições económicas e sociais semelhantes? A questão a que o país está obrigado a responder, transcende mandatos de governação, ciclos de alternância em tons de rosa-laranja-azul, conquistas partidárias, desaires ideológicos, promessas e veleidades. A situação exige (parafraseando Eça de Queiroz) "macróbios da terra" - gente grande capaz de perspectivar um futuro maior que o ego, maior que a vontade de derrotar os adversários. De um modo indistinto, sem enviesamento ideológico, não fará diferença alguma qual a mascote de eleição. É óbvio que a desmama da Troika trará consequências que serão mitigadas nas décadas que se seguem (décadas, ouviram bem). O cold-Troika (cold Turkey) não será fácil, porque, sem o desejar, Portugal caiu na dependência do traficante. As doses financeiras permitiram manter o país vivo, em estado de transe, abananado pelas exigências do dealer, incrédulo em relação ao estado a que chegou - derreado. Ora um farmacéutico catita como António José Seguro até pode esfregar as mãos de contente (antecipando belos resultados eleitorais europeus), mas seria muito melhor que entendesse o que significa ser um junkie (não falo de junk bonds, lixo). Nem de longe nem de perto, o senhor que se segue, percebe as regras do jogo, do jugo. Prestem muita atenção às promessas de mundos e fundos - poços sem fundo.

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publicado às 09:37

Troika, please stay!

por John Wolf, em 22.04.14

Não sei que figura de estilo devemos escolher para explicar o significado da expressão "última avaliação da Troika". Não sei se se trata de um pleonasmo, de um eufemismo ou de uma sátira mais próxima da tragédia do que da comédia. A Troika pode ir embora, mas as avaliações são eternas. Os mercados que não arredam pé nem dormem, continuarão a exercer pressão sobre a economia nacional. Para todos os efeitos, Portugal ficará sob observação durante um período muito prolongado - décadas. De nada serve fazer publicidade à partida dos "malfeitores" estrangeiros se os "benfeitores" nacionais tardam em realizar as reformas estruturais apontadas como estando em falta pela entidade que assentou arraial em Portugal. No entanto, a estadia da Troika é coisa boa para o governo. Os argumentos apresentados pela mesma nunca seriam apresentados pela oposição liderada por Seguro. Se o secretário-geral do PS fosse intelectualmente honesto deixava-se do choradinho respeitante ao encolher do estado social e ao desaparecimento da função pública. A situação económica e social obriga os estrategas a congeminar um novo modelo de intervenção, um modo que equilibra a prestação social e a contribuição do sector privado. E esse conceito não entra na cabeça dos socialistas que ainda pensam à moda antiga. Os avaliadores da Troika não se limitam a observar. Propõem soluções e indicam medidas - muito mais do que a triste hoste de socialistas é capaz de fazer. A oposição em Portugal não passa disso. Reage, esperneia, grita e chora, mas não consegue apresentar uma alternativa de jeito. Os socialistas deveriam pedir à Troika para permanecer, e em especial se chegarem ao poder. Porque, se e quando lá chegarem, tiverem de apresentar a segunda edição de austeridade, desse modo sempre podem atribuir a culpa à Troika. Sem Troikas na casa não podem dizer que foram os outros que assaltaram a casa.

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publicado às 09:32

Os 74 de Louçã

por John Wolf, em 22.03.14

Francisco Louçã enveredou pelo trilho da contradição conceptual e demonstra que sofre da síndrome "o que é estrangeiro é bom". A hora de aflição portuguesa é, na minha opinião, da exclusiva responsabilidade de Portugal. Querer validar uma posição política com a assinatura de patronos estrangeiros, demonstra falta de crença nos cidadãos portugueses e na prata da casa. O doutrinário da esquerda não faz um apelo às massas, ao cidadão anónimo. Faz um chamamento à elite do mundo. Põe sujeitos políticos passivos a corroborar o futuro político e económico de Portugal. Ao convocar 74 estrangeiros em menos de 24 horas bate o recorde de cedência de uma fatia da soberania de Portugal. Já bastava a Troika determinar as regras do jogo, agora teremos estrangeiros (incluindo extra-comunitários) a condicionar processos intelectuais. Porventura estranharão o que aqui escrevo, afinal sou norte-americano e  estou igualmente a opinar sobre questões domésticas que dizem respeito a este país e aos seus cidadãos. Mas há uma diferença, as minhas posições emanam de um estatuto civil, de alguém que não detém um cargo numa instituição de relevo. Faço parte da sociedade civil no seu sentido mais amplo. Sou tão crítico em relação a Portugal como sou em relação aos EUA. Causa-me alguma estranheza que Louçã necessite da bengala dos outros - precisamente aqueles que construíram o sistema financeiro global que nos levou à falência. A época dos notáveis acabou caro Cravinho. Encontramo-nos no arco da ferradura, no destino do azar e da sorte. A única ironia política que consigo extrair deste panfleto de grandiosos não passa de uma mera coincidência numérica, homérica: 1974, 74 - é matemático, mas continuamos feitos num 8.

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publicado às 08:04

Portugal procura a saída

por John Wolf, em 11.03.14

Uma saída nem sempre pressupõe uma entrada. E é isso que me preocupa. A ênfase colocada na saída do programa de ajustamento a 17 de Maio sem que se vislumbre uma entrada. A passagem para um território seguro, para terra firme. Sabemos muito bem que um doente crónico, a que dão alta em determinada data, fica obrigado a consultas regulares para observar se a recuperação é tendencialmente positiva. Os políticos portugueses vivem obcecados com a numerologia da retoma. Como se tudo se pudesse reduzir a níveis de taxas de juro e percentagens. Por isso o consenso em Portugal me parece improvável. Porque o mesmo se baseia na dimensão quantitativa da política, colocando à margem a dimensão moral. Não interessa muito qual a data oficial da partida da Troika. O que interessa, e muito, é a capacidade de implementar soluções que façam erguer os portugueses da sua ruína económica e social. Os tempos que se seguem (falo de anos, falo de décadas) exigirão uma grande atitude colectiva. Um esforço acrescido para que cada português, filiado ou não, faça cair por terra a pequena política, a mentalidade de quintal. O que diz Cavaco não é totalmente desprovido de verdade e o que diz Belmiro peca por comparar alhos com bugalhos. Não sei de que modo o país se pode reinventar se insiste nos rancores e na ideologia de bancada que apenas serviram enquanto elementos fracturantes da sociedade portuguesa. A revolução cultural que Portugal necessitaria tarda em acontecer. A dinâmica de pensamento capaz de questionar as grandes estruturas, a matriz condicionadora dos processos, não está a acontecer. Nessa medida, o caso português apresenta-se-me como particularmente bicudo. Persiste na consciência colectiva um certo saudosismo por um modelo económico e social que já demonstrou a sua insuficiência. E todos sabemos que em equipa que não funciona, deve-se mexer...e muito. 

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publicado às 09:46






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