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Mais Grécia menos Europa?

por John Wolf, em 20.02.15

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Cada um vê aquilo que quer ver. Eu olho para a União Europeia na qualidade de passageiro. Sou extra-comunitário. Não elegi nenhum europeu. A minha opinião de nada vale, mas partilho-a de bom grado. Enquanto as Esquerdas do Syriza e companhia abrem o espumante para celebrar a alegada estocada dada na cadeira de Schäuble, alimentando o sonho do descarrilamento do poder central da UE, a realidade apresenta-se de um modo distinto. Segunda-feira Varoufakis terá de apresentar por escrito as medidas de Austeridade adicionais. Foi assim que o acordo foi gizado. E é aí que reside grande parte do problema. O tal mandato de Tsipras contemplava a denúncia do clausulado imposto pelo programa de resgate e o alívio estrutural da Grécia. O que conseguiu o primeiro-ministro grego com a mesada a quatro meses? Consegui muito pouco para além de um pequeno balão de oxigénio. Um país com uma dívida de mais de 350 mil milhões de euros e ainda refém de reformas por realizar e corrupção crónica, nem por sombras conseguirá dar a volta ao texto nos quatro meses negociados por entre as estrofes de Kant e Nietzsche. Mesmo um período de quatro anos não seria suficiente. Resta saber como o povo grego irá engolir esta pastilha de mais esforço fiscal, e se uma facção ainda mais radical daquele país interpretará o novo contrato como uma verdadeira traição política. Daqui por três meses (um mês antes do fecho de contas) seremos confrontados com um déjà vu, o vira-o-disco e toca o mesmo - a cantiga do pre-default. Não sei bem quem ganhou tempo. Se a União Europeia ou a Grécia. Mas em todo o caso não importa muito. A situação é de perda seja qual for o local de residência na União Europeia. É isto a que se referem quando falam do espírito solidário da Europa? A resposta parece óbvia. Pouco esclarecedora. Por vezes choques sistémicos são desejáveis para alavancar certos impasses. Em vez disso assistimos hoje à entrega de um remendo com o aviso paternalista: vá lá, faz-te à vida.

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publicado às 22:10

Mapa de viagens da Grécia

por John Wolf, em 18.02.15

 

 

 

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publicado às 17:25

A corda na garganta grega

por John Wolf, em 18.02.15

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Se a Grécia aceitar uma extensão de seis meses do empréstimo haverá bronca em Atenas. Alexis Tsipras foi eleito no auge da euforia de promessas que simplesmente não pode cumprir. Os 85% de popularidade que o amparam facilmente podem descambar para um golpe de Estado e a instauração de outro regime, também esse extremo - de Direita, fascista. O povo grego dificilmente aceitará uma traição de Tsipras. A Austeridade era para acabar, segundo o mesmo, mas se um acordo for assinado com a ex-Troika (?), os termos da mesma agravar-se-ão. Por esta ordem de ideias a solução sonhada pela Grécia dificilmente se tornará realidade. De acordo com fontes oficiais, Varoufakis apresentou-se na reunião desprovido de gravata e de um documento sequer. O homem  apareceu equipado com paleio intransigente - a ideia de despejo dos termos do resgate, pura e simplesmente. 

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publicado às 09:30

Don´t cry for me Greece

por John Wolf, em 12.02.15

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Vamos lá ver se a gente se entende. Foi a 12 de Junho de 1975 que a Grécia solicitou a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE) e a 1 de Janeiro de 1981 tornou-se efectivamente membro da CEE. Foi aquele país que quis fazer parte do clube da modernidade europeia. Foram eles que analisaram as implicações do projecto europeu. Ou seja, a Grécia dispôs de 40 anos para se organizar de um modo sustentável e pôr a casa em ordem. Teve quatro décadas para praticar a economia de mercado que bem quis. Teve tempo suficiente para passar de um país economicamente atrasado a país desenvolvido (ou em vias de desenvolvimento). Recebeu rios de dinheiro a fundo perdido (tal como Portugal), ao abrigo da necessidade de nivelar as diferenças entre o norte e sul da europa comunitária - os tais fundos estruturais e outros com a mesma finalidade. Pelo meio ainda teve fôlego para brincar à "sofisticação dos ricos" e organizar uma edição dos Jogos Olímpicos. Mas lamento: agora tenho de entrar com uma componente cultural, a dimensão que determina o sucesso de uns e o falhanço de outros. Podem vir com o argumento da intenção do eixo franco-alemão em alargar os seus mercados a compradores de Mercedes e BMWs por essa Europa fora, mas essa explicação assente numa ideia de exploração colonial intra-europeia não pega. Por que razão uns se propõem a objectivos e os alcançam, e outros nem por isso? Por que razão uns são suecos e outros cipriotas? Será uma questão étnica ou racial? Não. Será uma questão ética? Talvez. Provavelmente. Certamente. Em tempos de convulsão política onde se exige a cabeça de uns e os braços de outros, estamos obrigados a esta reflexão sobre as causas profundas do descalabro existencial de certas sociedades. Esse exercício de auto-crítica é penoso, mas qualquer nação à face da terra está obrigada a encarar a sua condição existencial. Pode ser que o paradigma europeu esteja a ser posto em causa, mas a explicação exclusivamente financeira não serve para responder à totalidade do questionário. Se o casamento entre a Grécia e a Europa tiver que chegar ao fim, que assim seja, sem dramas. Provavelmente com drachmas.

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publicado às 09:18

Portugal, uma enorme fotocópia

por John Wolf, em 11.02.15

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É perigoso viver em Portugal. Muito perigoso - o país anda entretido com as fotocópias de Sócrates e o corte de relações institucionais entre o Sporting e o Benfica. Enquanto isso a Europa vive a maior crise desde que há memória. A vingança da Austeridade e a promessa de que a Merkel seria esmagada alimentou excessos nos discursos e novas figuras de estilo na Europa. Tsipras e Varoufakis, sem dúvida que serviram para agitar as águas instransigentes da política, mas não passam de marionetas de um esquema maior. O dia de hoje pode também figurar na história, mas não pelas razões que os gregos invocam. A Grécia bem pode ameaçar arrastar ao fundo uns quantos colaboradores se as suas exigências não forem cumpridas. Mas não é bem assim. Os mercados já começaram a descontar a "inexistência" da Grécia no quadro europeu. Os ânimos exaltados do duo grego serão rebaixados pela determinação dos políticos dos centros de decisão que não desejam uma hecatombe com efeito de dominó, o que em última instância deitaria a perder o grande sacrifício de alguns, entre os quais Portugal. Se derem despacho ao requerimento dos gregos a coisa muda logo de figura. Seria como entregar argumentos válidos a outros demandantes. Portugal não é a Grécia, nem precisa de ser a Irlanda. Certamente terão de passar alguns anos para que Portugal perceba que os caminhos trilhados pelos outros não servem as suas causas. Como já havia escrito, da escolha múltipla a decisão efectiva é um pequeno passo. Se a Grécia abandonar o Euro (e subsequentemente a União Europeia) é porque já terá alinhavado um novo arranjo de lealdade política e dinheiro fresco. O outro berbicacho em que Portugal está metido (mas que acha que não está metido), chama-se "conflito na Ucrânia". Esse outro tira-teimas pode muito bem ser mais nefasto do que muitos julgam. Mas querem lá saber. Afinal Portugal é um país à beira-mar plantado. Imaginem só se estivesse bom tempo. Ainda seria pior. Estaria tudo na praia.

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publicado às 09:33

Thomas Schelling e Grécia para totós

por John Wolf, em 09.02.15

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Vamos utilizar um pouco da Teoria do Jogo e prestar homenagem a Thomas Schelling.

Algumas hipóteses;

1. A Grécia recebe fundos adicionais, mas tem de continuar com as medidas de Austeridade - no dia seguinte dá-se um golpe de Estado, um regime de extrema-direita é instaurado e o país cai em conflito civil. Torna-se irrelevante se pertence ou não à zona Euro.

2. A Grécia não recebe mais fundos, cai em caos económico e social, e abandona o Euro - a Rússia aproveita a situação e encosta-se ainda mais ao país que abandona o Euro e a União Europeia.

3. A Grécia vê as suas demandas respondidas favoravelmente, e no dia seguinte Espanha, Portugal, Itália e Irlanda exigem semelhantes condições - em consequência dessa abertura de espírito financeiro, o Banco Central Europeu é obrigado a imprimir doses maciças adicionais de Euro que sofrerá o desgaste natural da inflação e mais tarde da hiperinflação. Ou seja, o Euro abandona-se a si mesmo.

4. Troika decide perdoar a dívida de todos os Estados-membro da União Europeia, deixando deste modo todo o espaço da zona Euro cair em depressão e desorganização monetária - facto esse que devalorizará o Euro a níveis de irrelevância, sendo que o investimento directo estrangeiro na União Europeia dispararia, mas a Europa efectivamente passaria a pertencer a entidades estrangeiras que substituiriam os centros de decisão política. Por outras palavras, o fim da União Europeia seria certo.

5. A Grécia aceita continuar com um regime de Austeridade parcial, mas os juros impostos sobre a dívida serão agravados. O país cai em conflito político, económico e social e o governo de Tsipras é obrigado a instaurar o recolher obrigatório e colocar militares na rua - ou seja, de regime libertário passa a regime repressivo, sem a ajuda da extrema-direita.

6. A Grécia abandona o Euro e a União Europeia e adopta um divisa que não será necessariamente a sua. Por exemplo, o dólar dos EUA, país esse que decide salvar os helénicos invertendo a lógica de aproximação à Rússia.

7. Devo continuar? Ou ficaram com uma ideia da complexidade da situação?...

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publicado às 20:53

Passa a massa, Merkel!

por John Wolf, em 06.02.15

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Não é preciso ler a obra de Niall Ferguson - A Ascensão do Dinheiro -, para saber que os pressupostos do crédito estão a ser postos em causa no âmago da União Europeia (UE). Sem percorrer esse perigoso caminho das compensações históricas* que são devidas ou não, e que não pouparia nenhuma nação à face da terra, o que resultar do conflito que opõe a Grécia à Alemanha pode destravar por completo a já de si ténue relação entre dinheiro e Ética.  Se vingar a tése do perdão, certamente que uma extensa fila de faltosos procurarão tratamento idêntico - situação essa contraditoriamente inexequível. O crédito (como quem diz a crença que os outros depositam em nós) precede a existência física de dinheiro - o bom nome é a divisa maior, mas apenas se valida através da sua extensão material. Se esse fundamento deontológico que se encontra por detrás da construção monetária das nossas sociedades falhar, como podemos esperar que não mine todo um sistema de transacções? Como podemos aceitar que a excepção à regra se venha a tornar a norma? São considerações desta natureza que podem corromper um dos valores mais importantes do acervo existencial humano: a confiança. Não pretendo com esta linha de argumentação libertar os credores do seu sentido de responsabilidade no contexto de um projecto europeu alegadamente inclusivo e nivelador de diferenças. Culpados? Sóis todos vós europeus por terem concebido um modelo sistémico deficiente. Em nome de uma grande "entidade económica europeia concorrencial" os visionários foram ambiciosamente incompetentes. Avançaram a causa dos negócios, mas omitiram a federação do espírito das nações. Esqueceram-se dos pilares de justiça e segurança social, e prescindiram de uma efectiva Política Externa e de Segurança ComumA Grécia, assim como o conflito na Ucrânia, servem, de um modo cáustico, para expor as grandes lacunas da UE.  Se os lideres europeus tiverem a visão e a ousadia requeridas, a grande reforma poderia ser posta em marcha na construção de uma nova ordem na Europa. Mas não é disso que se trata. Quer a Alemanha quer a Grécia estão a defender os respectivos interesses nacionais. Merkel e Tsipras estão, efectivamente, empatados: querem salvar a sua pele e pouco mais. A tal união - essa não passa do papel, da massa.

 

*Compensações históricas possíveis:

EUA ao Iraque, à Nicarágua e ao Afeganistão.

Portugal a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde

França à Argélia e à Líbia

Etc a etc, etc e etc

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publicado às 13:52

Varoufakis, dramas e Dracmas

por John Wolf, em 04.02.15

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Deixemo-nos de danças de salão, de considerações sobre quem leva ou não gravata à reunião, de rebeldias e submissões. Uma coisa é certa. Sabemos que a história não se repete, mas por vezes rima. Quando largos espectros da população deposita a sua fé em promessas de campeões, sabemos que corremos perigo. E isto diz respeito a qualquer ideólogo de Esquerda ou Direita. A mudança requerida a qualquer custo pela Europa da Austeridade, pode implicar um preço excessivamente elevado. A indexação da dívida grega ao seu crescimento é roupa velha. Houve até em Portugal um político "varrido da capoeira" que teve semelhante ideia. Quando Varoufakis "inventa" a roda do crescimento como condição primária, está a pedir dinheiro, mais dinheiro. Mas não explica como irá redesenhar a textura económica do seu país, como irá alterar a cultura financeira do seu povo habituado a receber. Em termos pecuários a pergunta que se pode colocar é a seguinte: como irão os governantes helénicos desmamar o povo grego que durante décadas a fio se afeiçoou a uma torneira aberta, a uma torrente de dinheiro dos outros? Varoufakis e Tsipras "que se cuidem" (parafraseando Soares) porque a base eleitoral que os colocou no poder, pode rapidamente inverter a guia de marcha, se as promessas de alívio financeiro não forem cumpridas, palpáveis. O estado de emergência em que se encontra o povo grego não é compatível com elaborações teóricas positivistas e que apenas se poderão concretizar no médio-longo prazo. Não sei, se a dada altura, a saída do Euro não será a melhor opção. De um dia para o outro, tal decisão provocaria um cataclismo económico, financeiro e social, mas os dinheiros de salvação viriam sem demoras pela via privada e não institucional. A haver uma re-adopção do Dracma, e à luz de uma desvalorização ainda mais brutal do produto interno bruto, uma panóplia de investidores internacionais acorreria para deitar a mão a bons investimentos. O investimento directo estrangeiro que se viria a registar seria sem dúvida notável, colocando efectivamente a Grécia no caminho da retoma económica. O problema que se apresenta, e que fere o sentido patriótico, é análogo ao que se passa em Portugal com a privatização da TAP. Mas, dadas as condições de precariedade e desemprego que se registam naquele (e outros países), talvez não seja má ideia dispersar o capital por "não-políticos". Se a Grécia já é detida por uma "entidade estrangeira" com sede em Berlim, não vejo grande mal em trocar de patrão. Os próximos meses de negociação entre os gregos e a União Europeia podem esgotar a oferta de soluções congeminadas na grande casa europeia. Se nada avançar no sentido de um entendimento credível de parte a parte, não vejo outra opção se não o abandono do Euro. O sentimento de euforia vivido pelas Esquerdas europeias não encontra necessariamente eco na casa-mãe Grécia. Os gregos, cépticos por natureza, demonstram que acreditar é positivo, mas fiar em demasia pode dar asneira.

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publicado às 09:06

Quem vai receber Varoufakis à Portela?

por John Wolf, em 02.02.15

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Quem vai receber Yanis Varoufakis à Portela? O ministro das finanças grego está em tournée europeia, e embora ainda não tenha sido noticiado, Portugal deve constar do seu rol de visitas. Apenas sabemos que existem uns quantos em território nacional que já se estão a acotovelar, a dar uns empurrões para ficar bem na fotografia. É assim que funciona em política, seja qual for a causa, a missão a cumprir. A Catarina Martins, a Ana Drago, o Jerónimo de Sousa, ou mesmo o Daniel Oliveira, devem ser os candidatos com ganas de mostrar os cantos à casa - a desgraça que nada tem a ver com a tragédia grega. Nesse dia de recepção, António Costa encontrará uma desculpa para se esquivar - quiçá, a inauguração de mais uma ciclovia. Mas o amigo Yanis não vai ficar muito contente. Então malta? O que se passa? Na Grécia, Syriza! Em Espanha, Podemos! E em Portugal, nicles batatóide? Pois, sabe Dr. Varoufakis, aqui a malta tem dificuldade em instigar a mudança. Pode dar-nos uma ajudinha? Umas dicas. Mas a verdade é que nem Tsipras nem Varoufakis têm algo para oferecer. Aliás, a cada hora que passa as probabilidades de reestruturação da dívida são cada vez mais ténues. Vejam-se os números das casas de apostas. Estudem o comportamento das taxas de juro, das condições de mercado cada vez que sopram ventos de utopia financeira. Se Varoufakis pretende chegar a um acordo com credores deve meter-se no expresso e zarpar rumo aos Goldman Sachs e Rothschilds deste mundo. Se realmente quer marcar a diferença e cortar relações com a Troika e os interlocutores formais da União Europeia, deve demonstrar que consegue ser criativo e original. Para já o duo Tsipras-Varoufakis conseguiu conquistar o poder, muito à custa do rasgo visceral de uma população derreada pela Austeridade, ávida de pão e vingança. Pensando bem, vir a Portugal é uma perda de tempo. Nenhum dos esquerdistas radicais de ocasião que acima referi percebe patavina de como funciona o mundo. Não pretendo ser cínico com este desabafo. Mas, meus senhores, as grandes decisões já foram tomadas. O resto são flores de estufa. Decoração.

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publicado às 09:14

Extrapolações a partir de Tsipras

por John Wolf, em 29.01.15

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A crise europeia acabou, e o emprego vai crescer exponencialmente em todos os Estados-membro da União Europeia.

A Dívida Grega vai ser perdoada e a Troika vai conceder um bónus de 500 mil milhões de euros aos helénicos por terem tido uma ideia tão boa.

A Austeridade vai acabar dentro de 10 minutos e cada cidadão europeu vai receber um cheque de 500 euros para estoirar no Carnaval com a garantia de que receberá outro no Natal.

A Rússia vai retirar-se da Ucrânia e compensar aquele país pelos danos causados e oferecer  gás natural durante 20 anos.

O Estado Islâmico vai converter-se em centro ecuménico de reflexão e paz.

Os EUA vão deixar a Rússia desmontar a NATO.

A União Europeia vai ter, a partir de amanhã, uma União Fiscal e uma Política Externa e de Segurança Comum.

Portugal vai ser salvo por um novo partido de inspiração tsiprarista fundado por António Costa, Mário Soares e José Sócrates.

Os ataques terroristas, tal como acontece com as greves, deverão ser marcados com antecedência mínima de 24 horas pelas uniões sindicais que representam os suicídas.

As receitas da venda de armas dos EUA, França, Reino Unido e Alemanha vão reverter integralmente para a Cruz Vermelha, a Amnístia Internacional e o Banco Alimentar contra a Fome, que cessarão de existir e tornar-se -ão desnecessários.

O Euro irá ser adoptado por todos os países africanos descarrilando o Dólar Americano como moeda de referência no comércio internacional.

Todas as Empresas Privadas portuguesas serão nacionalizadas para compensar a Privatização da TAP e a perda de controlo sobre a PT.

Os bancos vão passar a ter filiais dentro da casa de cada família portuguesa para pôr em prática soluções de poupança e oferecer salários aos reformados e delinquentes.

As semanas laborais vão ser sujeitas a uma reforma humanitária que implicará não mais de 15 horas semanais de trabalho.

As dívidas vão passar a ser entendidas como um valor positivo civilizacional e promovidas no programa curricular das escolas.

Os partidos políticos da Extrema Direita e da Extrema Esquerda vão deixar de existir para dar destaque a uma força moderada nascida a partir de uma sociedade civil que não sabe o significado de ideologia.

E por último, eu deixarei de ter ideias tão realistas quanto estas e outras que me escapam de um modo tão flagrante...

 

 

 

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publicado às 10:31

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Gostei imenso de escutar os socialistas de Portugal congratular os seus camaradas gregos pela estrondosa vitória do Pasok. Fiquei comovido com as repetidas menções de António Costa ao sucesso doutrinário dos irmãos helénicos. Bravo. Pois é. Isto não está nada fácil. Emular Tsipras é quase tão difícil como repetir os feitos históricos ou contemporâneos de Mário Soares. Como é que vai ser?  O Syriza é um pot-pourri, uma salada russa com ingredientes para todos os gostos, da Esquerda radical à Direita abominável. António Costa, se pretende seguir o guião do jovem che guevarista, tem de se mexer. Mas haja esperança. Pode sempre aproveitar a dinâmica da FLS (Frente de Libertação de Sócrates), encostar-se ao Partido dos Animais, afagar o pêlo aos Verdes e radicalizar o seu discurso inspirando-se nas estrofes bolivarianas. A nova fórmula trans-ideológica de Tsipras parace ter funcionado na perfeição num país movido a gás de vendetta à Austeridade. Vamos ver como elas caem. Se a demagogia inflamada do Syriza é rapidamente convertida em epístola de cumpridor europeu - bom menino merkeliano. Festejam à vontade a pujança dos gregos. Aproveitem bem. Porque se a reestruturação for alcançada, quem pagará a factura alheia serão os restantes cidadãos da União Europeia. Será que os portugueses desejam pagar a caução pedida pela Grécia? Enquanto decidem, façam-se à estrada com o rancho folcórico de Évora e mandem umas bocas sobre justiça social e democracias sulistas. Como disse António Costa, sem o desejar, existem alternativas ao próprio Partido Socialista. Apreciei o seu feira-play, a sua capacidade de colocar os interesses de Portugal à frente da Câmara Municipal de Lisboa.

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publicado às 09:12

Fado luso-grego

por John Wolf, em 25.01.15

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Os portugueses não querem necessariamente saber do destino dos gregos. Querem ver se Portugal pode beneficiar da dinâmica política que tanto admiram, mas que tão intensamente lhes falta. Sejam honestos. Os outros que façam o que somos incapazes de fazer - esse sim, deveria ser o lema. Indignados, por onde andam a esta hora?

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publicado às 15:25

Catarina Martins zarpa com Tsipras

por John Wolf, em 13.01.15

Syriza

 

Catarina Martins irá zarpar para estar ao lado do camarada Tsipras durante as comemorações da provável vitória do partido Syriza. À falta de um guião original o Bloco de Esquerda (BE) vai coleccionar argumentos de reestruturação da dívida na capital Grega. Não sei se vale a pena a viagem. Em primeiro lugar o BE nem sequer está perto da sombra do poder. E em segundo lugar, a táctica de ameaça (ou sua inversão) não parece dar grande resultado. O tira-teimas entre a Grécia e a Alemanha é inexistente. Merkel já avisou que a União Europeia (UE) pode resistir ao impacto de uma saída da nação grega do Euro. Nem mais um sacrifício pelo Euro? A Grécia (assim como outros Estados-membro da UE) receberam dinheiros a fundo perdido, décadas e décadas a fio. A questão também deve ser colocada ao contrário porque os gregos receberam, e muito, dos contribuintes alemães, mas também dos belgas, dos franceses, dos portugueses, dos ingleses e dos espanhóis, para todos os efeitos materiais desta discussão de quem deve mais, e como quer pagar. Uma reestruturação da dívida não faz o problema desaparecer - passa apenas o mesmo para as gerações seguintes. E é esse o desafio que muitos enfrentam. O sacrifício duro do presente versus a repressão imposta no futuro. Temo que Tsipras, assim que se sentar na cadeira do poder, venha a subir o tom do seu discurso e venha a usar o argumento de ameaça de saída do Euro à luz da intransigência de Bruxelas, que não vai em reestruturações de dívida, ou coisa que o valha.

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publicado às 18:44






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