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A impressora é ligada amanhã

por Fernando Melro dos Santos, em 01.06.14

BCE injecta biliões

 

Espanha injecta biliões

 

Expectativas elevadas para quinta-feira

 

Só pode acabar bem. 

publicado às 21:28

Eu tenho uma posição formada em relação à implementação de um programa de estímulo na zona Euro. E essa posição é: SIM. Não sei o que andam a fazer os banqueiros centrais europeus. As economias recuperaram? NÃO. O desemprego está a baixar? NÃO. Os cidadãos perderam poder de compra? SIM. Temos inflação na Europa? NÃO. Então, este é o momento certo para usar a artilharia pesada. Venha de lá o quantitative easing à americana. Ponham dinheiro onde interessa. Na economia, nas mãos dos consumidores e nos pequenos negócios. De nada serve salvar os balancetes dos bancos que criaram grande parte dos problemas que enfrentamos. Os políticos não têm feito outra coisa. Têm andado a recompensar os prevaricadores, os amigos nos bancos. Estão com medo das experiências do passado? Da hiperinflação? Estamos longe, muito longe dessa possibilidade. Lembram-se do que fizeram a seguir à Grande Depressão dos anos 30? Subiram as taxas de juro e tornáram o dinheiro caro. E isso foi um erro. Mas agora temos em certos países da Europa um substituto à altura - a austeridade, que vai dar ao mesmo. Pode não se chamar taxa de juro, mas não deixa de ser uma "taxa" que tornou a vida cara, insustentável. Diz Draghi que vai pensar no assunto. Vai pensar no assunto? Este é o momento para acção e para pôr de parte grandes contemplações. E se o Banco Central Europeu avançar com medidas de estímulo não convencionais, fá-lo no momento certa. Os EUA já começam a preparar um abrandamento ainda mais acelerado das medidas de estímulo que implementáram. O sistema monetário e financeiro internacional é declaradamente um campo aberto e a Europa sentirá na pele os efeitos da alteração da política monetária americana. Quem disse que não é possível ter em simultâneo uma política fiscal disciplinada e uma política monetária expansionista? O que eu quero ver é uma clara inflexão do curso de degradação das economias periféricas da UE. Se para isso acontecer se devem correr alguns riscos, talvez possamos concordar que os mesmos são necessários, obrigatórios. Onde se encontram os prospectivos eurodeputados portugueses em relação a este tema? Não os vejo a debater grande coisa. Estão entretidos com a pequena política, com os trocos e as miudezas de quem vai ou fica, de quem esteve ou regressa, quando deveriam estar intensamente ocupados com questões desta dimensão. Estão a perceber porque todos juntos nem sequer sabem defender o interesse nacional. Portugal está definitivamente entregue aos bichos. E esse bichos nem sequer são da terra, nem sequer são nacionais. 

 

(entretanto Vitor Constâncio falou 3 minutos, mas não disse nada)

publicado às 11:22

Não é apenas o Tribunal Constitucional da república portuguesa que pode desferir golpes nos intentos do respectivo governo nacional. O Tribunal Constitucional do governo federal da Alemanha pode, de facto, fazer a mesma coisa e ir mais longe ao pôr em causa o sistema operativo da própria União Europeia (UE). O que está em discussão é o poder conferido ao Banco Central Europeu (BCE) para que este compre títulos de tesouro de países-membros da UE que estejam em apuros. Acontece que essa acção alegadamente viola o artigo 123º do Tratado da União, que não autoriza o financiamento (directo ou indirecto) de governos nacionais. Somos deste modo confrontados com mais uma das precariedades da UE; a não concordância entre constituições nacionais, o tratado da UE e o Tribunal de Justiça da União Europeia. Se quisermos ir mais longe e realizar um mero exercício de extrapolação jurídica, porventura as regras impostas pela Troika possam ser consideradas ilegais. E há mais no domínio do contraditório. Estas funcionam no campo da imposição orçamental e pela sua severidade poderão eternizar o conceito "violador" de assistência financeira a estados-membros em apuros. Ou seja, quanto mais me dás mais precisarei. Por enquanto a porca não torce o rabo, mas quando começar a haver subida da taxa de juros desses mesmos títulos de tesouro, quero ver quem é que paga a factura. Este evento também serve para demonstrar a força política dos diferentes tribunais constitucionais por essa Europa fora. Bonito bonito seria o Tribunal Constitucional português ser capaz de barrar iniciativas nascidas no centro de decisão política da Europa. Ou seja, receitas passadas pelos curandeiros da Comissão Europeia e afins. Assistimos deste modo a dois pesos e duas medidas conforme os actores envolvidos; mais rapidamente o Tribunal Constitucional da Alemanha pôe cobro ao esvaziamento dos cofres federais daquele país do que o Tribunal Constitucional de Portugal trava as medidas orçamentais impostas de fora. Em última instância, e quase paradoxalmente, o Tribunal Constitucional da Alemanha pode vir a ser considerado campeão da verdade económica por obrigar os países em dificuldades a andar pelos seus próprios pés e, se for esse o caso, então o fim da Austeridade terá de ser contemplado. Tudo isto faz lembrar a conversa que um pai oferece ao filho: "Olha, acabou-se a papa doce. Faz-te à vida, está bem?". Mais coisa menos coisa.

publicado às 13:08

Na maior parte dos casos os problemas sistémicos revelam-se fora da caixa onde se encontram os decisores políticos que julgam poder encontrar as soluções adequadas. Muitas vezes, enquanto os olhos seguem com atenção determinados eventos, outros acontecimentos passam despercebidos. Todos sabemos que o sistema financeiro, tal e qual como o conhecemos, se encontra seriamente debilitado. A União Europeia procura, nesse sentido, implementar mecanismos por forma a garantir uma maior segurança no sistema bancário pan-europeu. Contudo, e independentemente da face visível das intenções dos ministros das finanças da zona Euro, outras dinâmicas que ocorrem, demonstram, de um modo inequívoco, que a confiança foi permanentemente afectada pela crise que se iniciou em 2008 e que comprometeu a retoma das economias europeias e a geração de emprego. Embora o futuro da divisa euro pareça estar salvaguardado por decreto político dos decisores em Bruxelas, a verdade é que um fenómeno de substituição de divisas está a ocorrer nos bastidores. A procura desenfreada de ouro prova que os aforristas não acreditam nas palavras optimistas dos governantes. Um pouco por todo o mundo o sentimento de pessimismo é semelhante, e as "casas de moeda" de muitos países estão a cunhar ouro a um ritmo desenfreado por forma a acompanhar a crescente procura. Se não o fizéssem, o preço da onça de ouro certamente se encontraria em níveis muito mais elevados (USD$2000-$2500?) e geraria um efeito de contágio dramático minando os esforços de escaparate dos políticos que afirmam que a esquina foi dobrada, que a retoma é uma realidade. São sinais desta natureza, que não ocupam as primeiras páginas de jornais, que devem ser interpretados. A ascensão do ouro é uma consequência natural, uma reacção à impressão realizada pela Reserva Federal e à compra de títulos de tesouro pelo BCE que procuram mitigar o fraco comportamento do mercado aberto. Um sistema financeiro assente na virtualidade e na capacidade de execução electrónica, encontra-se a milhas das dramáticas necessidades da economia real. O que está a acontecer com o ouro representa um "regresso" à ideia de sector primário da economia. A riqueza deve assentar em pressupostos materiais, em objectos e bens físicos. O conceito de crédito, que tantos danos causou às economias de muitos países, deve ser gradualmente substituído por divisas com valor efectivo. Nessa medida, o ouro, assim como a prata ou a platina serão escolhas naturais para aqueles que deixaram de acreditar no poder endeusado de dólares ou euros, na música harmoniosa que sai da boca de tantos políticos.

publicado às 10:59

Antes que a Maria Luís Albuquerque e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho cantem vitória em relação ao sucesso da emissão de dívida a 5 anos com juros perto dos 4,6%, convém olhar para ambos os pratos da balança, e não apenas para os aspectos favoráveis que têm grande utilidade política. Sem dúvida que é uma boa notícia conseguir realizar um bom negócio a um preço mais baixo do que o esperado, mas mesmo que as necessidades de tesouraria estejam cobertas neste período de maturidade, não deixa de ser dívida. Para além deste facto isolado, respeitante ao comportamento do mercado internacional em relação a Portugal e a percepção optimista que tem para com este país, somos invariavelmente obrigados a realizar a leitura do quadro económico, financeiro e social num contexto mais alargado. O dinheiro, como se sabe, obedece parcialmente à lei de Lavoisier. Embora possa ser criado através da impressão por bancos centrais mundo fora, este não se perde, mas fica sujeito a processos de transformação, que em maior rigor deveriam ser chamados de mecanismos de transferência. E é precisamente esse movimento de dinheiros e percepções que está a acontecer. A periferia que se encontrava no fundo da classificação, com o pior comportamento económico possível, apenas tem uma direcção a percorrer - o caminho da melhoria gradual. Contudo, essa expressão não acontece sem que hajam vítimas noutras paragens económicas e monetárias. Neste sentido, o que começa a acontecer em França e na Alemanha deve ser acompanhado com atenção, uma vez que os juros de dívida desses dois países correm em sentido contrário aos ponteiros de Portugal ou da Irlanda. Neste dia em particular, um ligeiro efeito de anulação fez-se sentir, se atendermos ao agravamento dos juros  naqueles países. Não devemos esquecer, por um instante sequer, que a União Europeia, funciona de acordo com esse princípio de lastro financeiro, de transferências de uma paragem para a seguinte. Parece-me que à medida que a periferia melhora do seu estado clínico, o núcleo da União Europeia começa a sentir os efeitos secundários desse esforço. O mercado é uma dama caprichosa, que muito embora a queiram domesticar, acaba por revelar a sua verdadeira intenção. Existe até uma expressão que capta, de um modo imperfeito, a volatilidade que resulta das percepções, da procura e oferta do mercado, da reflexologia a que estamos todos sujeitos, mas não sei se se adequa aos tempos de incerteza que vivemos, por isso não a irei alvitrar. Só começarei a acreditar na recuperação firme quando vir o crescimento do emprego a entrar no esplendor das equações, dos resultados. Enquanto isso não acontece, parece-me um prémio menor o sucesso da emissão de dívida. Prefiro ser realista do que enbandeirar no arco da promessa do fim dos tempos difíceis. Deixo isso aos outros. Aos profissionais. Àqueles que precisam de ser eleitos ou reeleitos. Aos que seguem para candidaturas e recandidaturas.

publicado às 17:48

2014 e a mensagem do amo Cavaco Silva

por John Wolf, em 01.01.14

O primeiro post do ano é uma coisa tramada. Mais logo Cavaco Silva também será confrontado com um dilema existencial: que mensagem de "amo novo" deve ser veículada aos portugueses? Se for excessivamente optimista muitos dirão que a disciplina social-democrata contagiou a sua "alegada" isenção, e que está descaradamente alinhado com o governo (eu sei, já deu mostras das suas preferências do modo como colocou o Tribunal Constitucional ao serviço da nação). Se apresentar um quadro escuro, mais negativo que positivo, estará a demarcar-se da possível falência do executivo que anunciou a retoma como sendo firme e inquestionável, e estará desse modo a dar um empurrão a Seguro e companhia. Por essa razão o discurso de Cavaco Silva será intencionalmente um produto híbrido e pouco esclarecedor. Igual a si. Um político de carreira, mas sem coragem política para criar dinâmicas de transformação. Ou seja, sem o desejar, o que sair da sua boca também se adequa ao nível de incerteza reinante, às dúvidas internas (e às europeias) e ao seu perfil político. Há tantas variáveis a ter em conta neste ano "sabático" (sabático por ainda não ser a doer como será o ano de 2015 com as legislativas). As eleições europeias vão agitar as águas e já começaram a criar comichão (já houve uns arrufos entre a Edite Estrela e o Nuno Melo em 2013, sobre currículos e a importância de se ser celebridade ou não no Parlamento Europeu). Depois temos o teste de regresso aos mercados com a emissão de dívida em Março, que marcará o nível da boia financeira ou do afogamento económico do país. O resgate ou não, suceder-se-á, pelo que uma fórmula será decerto inventada para que ninguém perca a face - quer a Troika, quer o governo da república. Um novo termo financeiro e económico será inventado. Medidas cautelares, intervenção, medidas complementares ao orçamento de Estado, resgate ou salvamento migrarão para num novo conceito operacional, uma nova "palavra do ano" que envolverá, na minha opinião, e lamentavelmente, um peso acrescido sobre os ombros dos contribuintes portugueses. Esse facto fiscal, incontornável de acordo com os proponentes, será aproveitado por Seguro para continuar a bater na mesma tecla de desagrado e a avançar com promessas infundadas de salvamento material e ideológico da nação. Seguro apenas passará a "falar" verdade se o quadro da centralidade europeia for alterado de um modo substantivo, se Draghi e companhia enveredarem por verdadeiras medidas de estímulo da economia, mas infelizmente, o caminho parece ser de abandono de taxas de juro de referência baixas. O que acontecer em Portugal, irá, nessa medida, depender de um novo alinhamento da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, que devem começar a percepcionar o FMI de um modo cauteloso, uma vez que o fosso que separa a Europa dos EUA se está a aprofundar. Os EUA estimam um crescimento na ordem dos 3% para 2014. O FMI também é um braço armado da política económica e financeira dos EUA, mas os europeus parecem ser lentos na apreciação desse facto. Tomam-no como amigo inquestionável. Quanto às outras forças chamadas de Esquerda, como o Bloco de Esquerda, o prospectivo partido de Rui Tavares e a CGTP de Arménio Carlos, parece que não se entenderão com facilidade e irão permanecer de pé atrás para tentar perceber que alinhamentos são possíveis ou mais vantajosos para os seus intentos. Não me parece que uma nova coligação à Merkel seja possível em Portugal em 2015. Não faz parte da cultura local as cedências em nome do interesse nacional. Os partidos em Portugal são como os adeptos de futebol que matam e esfolam pelos seus clubes, mas que nem por isso apreciam a bola. Assim sendo, e lá para 2015, um governo de retalhos com participantes do CDS, PS, PSD e da Esquerda não me parece exequível. Enfim, não esperem pela luz com a mensagem de ano novo de Cavaco Silva, mas ela corresponderá em larga medida ao que Portugal é e ao que teima em preservar.

publicado às 18:35

El dilema

por João Pinto Bastos, em 29.11.13

Zapatero é um personagem espirituoso. Vejam, por exemplo, o título escolhido para o livro que o ex-primeiro-ministro espanhol acaba de lançar: "El dilema, 600 días de vértigo". O estilo é pomposo e grandiloquente, e garante, de um modo desassisadamente extremado, o riso cacofónico dos leitores, não só pela falácia intrínseca ao suposto "dilema", mas, também, pelo despudor com que Zapatero retrata os seus últimos dias à frente do executivo espanhol. De tudo o que tem sido escrito na imprensa a respeito deste livro, há, no entanto, um ponto que merece, a meu ver, alguma atenção, e que deveria, em bom rigor, interessar a todos aqueles que não se revêem no modus operandi das instituições europeias. Refiro-me, pois claro, à carta enviada por Jean Claude Trichet ao Governo espanhol, exigindo a aplicação de uma série de reformas em troca do apoio financeiro concedido pela instituição sedeada em Frankfurt. Em primeiro lugar, é notável, no mínimo, que Zapatero só agora se tenha lembrado de publicitar essa carta. Como os leitores mais atentos certamente recordarão, na altura, Zapatero, não obstante as pressões esgrimidas em múltiplas direcções, refutou, terminantemente, a publicitação da dita carta, com o argumento, novamente sublinhado, de não colocar em risco a estabilidade do país. Contudo, passados dois anos, e sem que tenha terminado a crise política e económica que assola há já alguns anos o país, Zapatero entendeu que era chegada a hora de mostrar aos seus concidadãos a carta remetida pelo BCE. O sentido de oportunidade deste socialista moderno é, de facto, bastante estranho. Em segundo lugar, ainda que o método seguido por Zapatero seja bastante questionável, como foi, aliás, tudo o que fez e realizou enquanto chefe de Governo, não há como descurar a imperícia autoritária com que as instituições europeias têm lidado com os países em crise. Esse autoritarismo ganha ainda maior acuidade no caso do glacial BCE. Na prática, estamos a falar de uma instituição destituída de qualquer mandato politicamente sufragado para realizar a política que, nos últimos anos, com particular destaque para os últimos dois, tem vergado os países arruinados do sul da Europa. A realidade é simples e matemática: o BCE tem despejado orgasticamente dinheiro atrás de dinheiro sobre um poço sem fundo, impondo, em simultâneo, um conjunto de directrizes ao arrepio das soberanias nacionais. Bem sei que, nos tempos que correm, a interconstitucionalidade de que falava abundantemente Lucas Pires é uma realidade que não vale a pena denegar, mas, ainda que isto possa ser considerado uma pecha por alguns, não consigo aceitar a intromissão grosseira que instituições da laia do BCE repetidamente perpetram nas soberanias nacionas dos estados-membros. É por isso que, como tenho escrito noutras ocasiões, olho para a Europa com muita desconfiança. A centralização absurda que, desde há alguns anos a esta parte, tomou conta do processo político europeu, assim como, o construtivismo político despido da necessária e tão ansiada sindicância democrática, não auguram nada de bom a um continente que precisa desesperadamente de uma guinada. É claro que Zapatero não passa, nesta engrenagem suicida, de um mero grão de areia, cuja relevância se limita, presentemente, aos escaparates da "La Central". Porém, seria bom que quem tem responsabilidade e voto na matéria não se esquecesse do exemplo dado pelo verborreico socialista espanhol nos idos de 2011. É que, para todos os efeitos, a bazooca do BCE continua a disparar e a ferir milhões de cidadãos um pouco por toda a Europa, impondo aos capachos nacionais toda a sorte de malefícios confiscatórios.

publicado às 16:09

Portugal ao sabor dos ventos monetários

por John Wolf, em 18.09.13

Atenção: vem aí algo maior que Portugal e cujos efeitos far-se-ão sentir em território económico nacional. Por mais louvável que sejam os consensos locais, os  alegados entendimentos do governo com as centrais sindicais, os mais que mediatizados indicadores de retoma e crescimento, as próximas decisões da Reserva Federal dos EUA determinarão comportamentos financeiros pelo mundo fora. Não é apenas Bernanke que pode decidir abrandar o estímulo à economia americana (que é o mesmo que dizer a economia do mundo), porque o Bank of England pode ir pelo mesmo caminho face às evidências de crescimento económico naquele país. A última coisa que a Europa necessita é que as ajudas "externas" sejam retiradas. As taxas de juro irão ser afectadas no âmbito dessa orientação e, sem grande surpresa, as mesmas retomarão lentamente a sua via ascendente quer nos EUA quer no Reino Unido. Na Zona Euro será apenas uma questão de tempo até o BCE imitar as congéneres. Ao encarecer o dinheiro afasta-se o medo prospectivo de inflação de preços (atenção; o ambiente dos últimos anos tem sido de inflação que é em termos académicos o aumento da base monetária). Numa primeira fase pode até haver uma valorização do dólar americano face ao euro, mas rapidamente essas benesses de trader dissipar-se-ão. Os SWAPS caídos em desuso pela má fama decorrente da sua péssima utilização, tornam-se novamente uma peça central neste jogo, que acerta ou não, na taxa de juro expectável. Em vez de escorraçar a ferramenta de trabalho, os SWAPS devem ser encarados de um modo totalmente transparente e utilitário. O que julgam que irá acontecer à taxa de juro dos empréstimos para aquisição de casa? E às tarifas a pagar pelos diferentes intervalos de emissão de dívida nacional? Pode parecer que as coisas estão a entrar nos eixos em termos governativos, mas há vida para além da Troika e Bruxelas (e do pouco que resta de um governo soberano). Portugal, assim como os restantes países do mundo, a bem ou a mal, sofrerá as consequências de decisões tomadas em Washington e arredores. Por isso, nos tempos que correm, é sempre prematuro bradar aos céus que estamos salvos, em terra firme. Vivemos tempos perigosos, perniciosos. Há muito com que podemos contar. E não são favas contadas.

publicado às 11:53

Nem sacro, nem santo depósito bancário

por Nuno Castelo-Branco, em 15.05.13

 

Durante mil anos, muitos quiseram acreditar numa ficção que dava pelo excêntrico nome de Sacro Império Romano Germânico. A realidade era bem diversa. Nunca foi Sacro - todos o atacavam ignobilmente, inclusivamente aqueles que o compunham - e nunca foi um Império, uma vez que jamais existiu a unidade e o poder central que definem aquelas grandiosas realidades políticas. Durante a maior parte da sua teórica vigência, Roma não se incluía entre as suas regiões e o Romano apenas mostrava um intuito de continuidade e de apego à Cristandade representada pelo sucessor de Pedro. Restava o epíteto Germânico, mas mesmo sendo os alemães a maioritária base étnica e cultural, naquele conglomerado centro europeu encontravam-se uns tantos checos, polacos, italianos e ainda uma nada desdenhável quantidade de francófonos. Em suma, o Sacro Império, não sendo uma divertida ficção como a Brobdingnag dos gigantes, apenas significou um não-desejo milenar que ainda hoje a Europa olha com nostalgia e até, com intuitos de restauração sob outro nome.

 

A segurança dos depósitos bancários, consiste no princípio fundamental que justifica a existência dos próprios bancos. Com o seu calmérrimo ar de sempre, o ministro das Finanças garante que os vossos depósitos bancários são sacrossantos. Quem neles tiver aqueles mealheiros onde apenas consegue guardar uns vinte mil contos em Euro, poderá ficar descansado. Poderá mesmo? Quanto ao resto, enfim, talvez seja melhor pensarem todos se realmente valerá a pena jogarem no Euromilhões, ou abrirem aquela conta que se destina ao erguer de um negócio que promova o emprego e dinamize a economia. O Politiburo de Bruxelas, respectivos comités do BCE e sucursais bancárias país a país, vão mesmo apossar-se de uma boa parte das somas superiores ao montante atrás indicado.

 

Imagine que você acabou de vender o seu pequeno apartamento e depositou cento e setenta mil Euro na sua conta. No dia seguinte, tem ao mata-bicho, a desagradável novidade de lhe terem sacado 30 ou 40% daquilo que é seu e só seu. Isto é roubo ao nível de Estaline, antecessores e sucessores. Nem o histérico Gonçalves a tanto se atreveu.

 

Foi precisamente isto o que o ministro anunciou e como é basilar em qualquer político que se preze, por exclusão de partes.

 

Já não há qualquer dúvida. Também não se duvida do suicídio da Europa. Desta forma não pode haver confiança. 

 

* A confirmar-se este processo de confisco, deixa de existir qualquer razão para a continuidade da ficção da banca privada. No caso português, não poderão inventar qualquer manobra que esconda este segundo resgate, devendo o Estado nacionalizar criteriosament, tornando-se então urgente a procura do paradeiro dos activos. Para o melhor e para o pior, Salazar e Gonçalves nacionalizaram e encontravam-se em campos ideológicos aparentemente opostos. Pois então que a chamada 3ª via o faça, a isso estará moralmente obrigada. 

publicado às 07:58

 

Uma mente brilhante ajuda a entender a trapalhada em que estamos metidos.

publicado às 17:07

No Público:


«Vítor Gaspar afirmou que a extensão dos prazos para o reembolso dos empréstimos a Portugal e Irlanda será certamente inferior a 15 anos, acrescentando de seguida que basta uma solução “mais modesta”.

Em declarações prestadas no final do encontro do Ecofin desta terça-feira, o ministro das Finanças disse que a possível extensão de 15 anos “antecipada” na véspera pelo ministro das Finanças irlandês é “inconcebível” e que se trata apenas de “uma posição negocial, e não uma previsão do que será o resultado dessa negociação”.»


Quando os mais troikistas que a troika se acham no direito de espoliar toda uma nação e arrastá-la para a miséria, quando os governantes eleitos são mais "exigentes" que aqueles de quem dependemos externamente, já não sei ao certo o que isto é, mas certamente não será bem um regime de protectorado. Noutros contextos, noutras épocas, ocorre-me que uma posição destas era bem capaz de ser apelidada de traição. Mas como temos sido desgovernados por traidores, faz apenas parte do normal anormal estado a que chegámos.

publicado às 16:30

E as exportações?

por João Pinto Bastos, em 11.02.13

Pois é, segundo dados do INE as exportações perderam fôlego no último trimestre, com uma derrapagem no mês de Dezembro de 18,2% face ao mês anterior. Lembram-se disto? Enquanto Gaspar elogiava o comportamento das empresas portuguesas, a procura externa, fruto dos múltiplos choques exógenos, decaía substancialmente. Resultado óbvio: as exportações caíram e, ao que tudo indica, continuarão a cair. O que fazer? Pois, de facto é aqui que a porca torce o rabo. Não há remédios santos, nem vacinas certas, porém, com uma política interna dominada pelo esbulho fiscal e um ambiente externo dominado pela guerra de divisas (alguém deu conta do discurso do messias Hollande no Parlamento Europeu ou do que se vem passando no Japão com o abenomics?) é difícil fazer melhor. É que sem expansão da procura externa nem crescimento económico que se note, não sairemos disto. E, como os leitores decerto se recordarão, uma das traves mestras do Programa de Assistência Económica e Financeira era, precisamente, a busca de um escape ( exportações/crescimento) que anulasse os efeitos recessivos do austerismo ditado pelo tríptico Bruxelas-FMI-BCE. Perante esta desolação, das duas, uma: ou enveredamos pela crença mirífica nas projecções do Governo, o que, como se tem visto, é um exercício bastante arriscado, ou optamos por dar ouvidos à magia lírica de Borges que, ao que parece, disse há dias que o país irá crescer no ano que vem à taxa chinesa de 5%. Um dilema complicadíssimo, não é?

publicado às 16:02

O regresso aos mercados

por João Pinto Bastos, em 23.01.13

O "regresso aos mercados" - estamos a falar do regresso à emissão de dívida a médio e longo prazo - é uma boa notícia. Sem aspas nem vírgulas. Ponto. Porém, seria aconselhável não tomar a árvore pela floresta. Por um lado, este regresso foi patrocinado em grande medida pela acção benemérita do BCE liderado por Draghi, por outro, este sucesso relativo, "conditio sine qua non" para o retorno do crescimento económico, não influirá, pelo menos imediatamente, na política fiscal seguida pelo Governo. Mais: a política do BCE tem subjacente a guerra de divisas que o John mencionou numa posta recente - é pena que a menção feita nos media portugueses ao que se vem passando no Japão e nos EUA seja bastante pífia. As coisas vão-se movendo, e enquanto nós nos divertimos a zurzir os apetites eleitorais de Costa e Seguro, o debate económico lá fora vai furando o consenso até aqui dominante. O que importa relevar do dia de hoje, não obstante os senãos mencionados, é o facto de o Governo ter obtido um triunfo que, analisando com rigor, é um passo importante na credibilização creditícia da República.

publicado às 22:27

A catástrofe iminente

por João Pinto Bastos, em 09.11.12

Fico perplexo com a falta de debate político que existe nesta ocidental praia lusitana - exceptuando o sempre pertinaz Jorge Costa - a respeito daquilo que está, ou poderá estar, prestes a acontecer na Grécia: o incumprimento da dívida. É certo e sabido que a Grécia tem de pagar uma tranche de 5.000 milhões de euros ao BCE na semana que vem, porém, até agora a Europa e o FMI ainda não chegaram a um entendimento sobre as condições do alívio prometido, com Wolfgang Schaeuble a protrair a resolução da crise para as calendas gregas - mas, afinal, para que é que serviu a famigerada contemporização em torno do resgate grego? O anúncio de que a Europa não deixaria cair a Grécia serviu exactamente para quê? Não é difícil intuir o que sucederá caso a Grécia não cumpra as suas obrigações: um evento de crédito, com fortes repercussões a nível europeu - instabilidade nos mercados, queda abrupta do euro, and so on. O cansaço das elites gregas é notório. Os partidos da coligação têm já uma enorme dificuldade em comprometer as suas bases eleitorais no apoio às medidas draconianas impostas pela troika, sem falar no facto de a aposta neste caminho suicidário estar a favorecer a emergência de extremismos políticos perigosíssimos. Por outras palavras, ou a Europa arrepia caminho - e arrepiar caminho significa reconhecer que os programas de ajustamento, assentes na sucção fiscal, estão naturalmente fadados ao fracasso - e reconhece a inviabilidade daquilo que impõe, ou a Grécia, seguida posteriormente de Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e França, cairá estrondosamente. Pensar, ou acreditar - não sei o que será pior ou mais leviano - que a resolução da crise do euro far-se-á com curas de austeridade intermináveis, sem cuidar de oferecer aos Estados nacionais alternativas de política que lhes permitam mitigar os efeitos dessas soluções, é meio caminho andado para o desastre. Fixemos uma coisa, austeridade sem políticas monetária e cambial dignas desse nome, não funciona, repito, não funciona. A austeridade é necessária, aliás é inevitável, mas sem os instrumentos políticos atrás mencionados falhará. Quanto mais tempo demorarmos a entender este dilema, pior será.

publicado às 11:36

A Europa a brincar com o fogo

por Samuel de Paiva Pires, em 10.05.12

Ambrose Evans-Pritchard, "Europe's nuclear brinkmanship with Greece is a lethal game":

 

"Those in the Bundestag, the ECB, and the EU elites now playing nuclear brinkmanship with Greece – ie, threatening expulsion unless Greeks vote again in June, and get it right this time – have misunderstood the predicament they are in. Shakespeare had a term for this: hoisted by their own petard.

As Syriza leader Alexis Tsipras likes to say, Greece has the "ultimate weapon". It can bring down the whole house of cards.

There is no "clean" way to end EMU. But there are certainly degrees of havoc. The least destructive is for the German core to withdraw in an orderly way, leaving EMU to the Latin bloc with euro contacts in tact.

The worst possible way to do end this misadventure is to light the fuse in Greece and set off a chain-reaction of uncontrolled EMU exits and sovereign defaults. Unfortunately, the colossal misjudgement now being made in Berlin and Frankfurt makes this unhappy ending more likely by the day."

publicado às 21:58

Um Estado europeu é um perigo para a Europa

por Samuel de Paiva Pires, em 09.05.12

Robert J. Barro, "Scrap the Euro Now":

 

«The political reaction at each step of the ongoing crisis has been to strengthen this union: bailout money from the EU and the International Monetary Fund, fiscal involvement by the European Central Bank, and more EU influence on each government’s fiscal policies. A common currency loaded on top of a free-trade zone is leading toward a centralized political entity.

 

Despite some scale benefits from having larger countries, the cost of forcing heterogeneous populations with disparate histories, languages, and cultures into a single nation could be prohibitively high.»

publicado às 22:17

Há aqui qualquer coisa que não bate certo

por Pedro Quartin Graça, em 16.01.12

Soube-se hoje pelos media, que divulgam dados do BCE, que desapareceram 2.323 bancos desde a criação do Euro. Assim, o número de bancos na zona euro recuou 4% em 2011, face ao ano anterior, informa o Banco Central Europeu (BCE).

A zona euro contava com 7.533 bancos no dia 1 de Janeiro deste ano, 332 instituições menos que no mesmo dia de 2011, um decréscimo que foi observado em toda a região, de acordo com estatísticas publicadas hoje.

O recuo mais forte em percentagem foi observado na Irlanda (15%), seguido de uma redução de 8% no Luxemburgo, 6% em Chipre, e ainda 5% em França e na Grécia.

Em número de instituições, a Irlanda lidera também, com 106 sociedades financeiras extintas, seguida da França 59), Luxemburgo (48) e Alemanha (43).

O BCE constata que, apesar do alargamento da zona euro desde a sua criação em 1999, o número de instituições financeiras não parou de diminuir, alcançando já os 24% num total de 2.323 bancos desaparecidos.

Em 1 de Janeiro de 2012, a Alemanha e a França albergavam 41% dos estabelecimentos bancários da zona euro. A União Europeia, no seu conjunto, perdeu 334 sociedades financeiras em 2011, sendo que 9.587 bancos continuam altivos na UE.

No meio disto tudo, e sendo Portugal um dos 2 países financeiramente mais afectados da Zona Euro, conjuntamente com a Grécia, natural seria que vários fossem os bancos portugueses que também desaparecessem. Tal não sucede contudo. Por cá os Governos preferiram apoiá-los do que deixar a sua sorte nas mãos do mercado. É a tal teoria dos riscos endémicos defendida por uns quantos para justificar o que não tem justificação. Com o argumento, velho conhecido, de que a banca portuguesa é segura.

O problema é que quem paga esta "segurança", estes "luxos" que, de práticas neo-liberais nada têm, é o Zé Povo! Não é Dr. Mira Amaral?

publicado às 14:11

Facepalm, foi a minha reacção ao ler esta passagem de "A Tragédia do Euro" de Philipp Bagus quanto ao PM Grego não-eleito, que é um dos arquitectos do estado a que a UE chegou  (p. 79 da edição portuguesa): "O legado do Bundesbank foi ainda mais reduzido em 2006 quando a direcção do departamento de investigação do BCE passou de Otmar Issing, um conservador alemão, para Loukas Papademous, um socialista grego que acha que a inflação dos preços não é um fenómeno monetário, mas sim algo causado pelo baixo desemprego." 

publicado às 22:58

E Presto

por Eduardo F., em 18.11.11

 

Público: "Soares, que foi também deputado europeu, considerou que ninguém pode ter certezas sobre o futuro da Europa, mas sugeriu que alguns dos problemas ficariam resolvidos se o BCE passasse a emitir moeda. “O dinheiro circulava e não havia problema nenhum”, reforçou."

publicado às 11:25

Agora sem tergiversações

por Eduardo F., em 11.11.11

Cavaco: "BCE tem de ser um emprestador de último recurso".

 

 

Ou, repristinando uma expressão conhecida, "Deixem-nos trabalhar!"

 

publicado às 18:24






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