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Ilhas Selvagens

por Nuno Castelo-Branco, em 02.09.13

 

Nesta questão não estão em causa bacocas reivindicações imperiais, mas tão só os comezinhos direitos económicos que em virtude da passagem dos séculos e do desenvolvimento humano, subitamente se tornaram relevantes.  Se a isto adicionarmos o habitual recurso espanhol na descoberta de conflitos que distraiam as atenções internas em momentos de crise, o cenário fica completo. Há poucos anos, Espanha tomou muito a sério a questão de Perejil, um minúsculo rochedo nas imediações do Estreito de Gibraltar. Ora, sendo as Selvagens de uma dimensão que comparativamente à rocha espano-berbere, mais se parecerão um "império oriental", o argumento torna-se fantástico. 

 

Os espanhóis clamam pelo facto consumado de Gibraltar, desdenhando completamente da vontade da população da possessão britânica. Em simultâneo, fazem-se esquecidos pelo também facto consumado da ocupação de Olivença, mas quando se dignam a qualquer tipo de argumento, este é sempre o da actual "vontade popular" da antiga vila alentejana. 

 

Ajudemos Madrid a compreender melhor a situação que tem diante dos olhos, sem que, contudo, consiga lobrigá-la. Para que tal aconteça, deveremos contar com o bom senso de Sua Majestade o Rei João Carlos I, o homem indicado para aconselhar os seus ministros - sejam eles do PP u do PSOE - a respeito de tudo a quanto respeite a Portugal e aos portugueses.

 

Do outro lado do Estreito, os espanhóis têm dois barris de pólvora cujos rastilhos podem ser incendiados por um Marrocos cuja evolução política é ainda imprevisível. Ceuta e Melilha - onde ainda vinga a "vontade popular" que Espanha contesta à gente de Gibraltar - tornar-se-ão num perigoso quebra-cabeças sem resolução possível, radicalizando-se os nacionalismos de ambos os contendores. Portugal deverá então apoiar os espanhóis, quanto a isso não parece haver qualquer hipótese de dúvida. No entanto, há que tornar bem clara a nossa posição quanto aos direitos e soberania - que já é antiga, anterior à formação do Estado espanhol - sobre as Selvagens e respectivas águas que o direito internacional hoje nos reconhece. 

 

Para já, temos um problema urgente a resolver e este consiste na sempiterna resistência a tudo aquilo que diga respeito à Defesa Nacional. Neste campo, se tivéssemos uma situação idêntica ou aproximada à das F.A. gregas, existiria um argumento muito persuasivo que facilitaria o trabalho do ministro Rui Machete, evitando-nos esta espécie de mini Mapa Cor de Rosa que agora enfrentamos. Não tardará muito até surgir um outro problema muito complexo e perigoso. Situado mais a ocidente,  está quase no meio do Atlântico, entre Portugal e os Estados Unidos da América. 

publicado às 20:03

Nota Verbal da Missão Permanente de Espanha junto das Nações Unidas 


Com o envio de uma Nota à ONU, da autoria da Missão Permanente de Espanha junto das Nações Unidas, em Nova Iorque, datada de 5 de Julho e até hoje completamente desconhecida da opinião pública portuguesa, sendo por nós revelada em primeira mão, reacendeu-se a disputa que, nas últimas décadas, tem levado as autoridades espanholas a porem em causa a dimensão da Zona Económica Exlusiva de Portugal em redor das Selvagens pelo facto de, afirmam os espanhóis, as mesmas não deverem ser classificadas como ilhas, mas sim como “rochas”.


A Missão espanhola escreve taxativamente que “Espanha não aceita que as Ilhas Selvagens gerem, de modo algum, Zona Económica Exlusiva, aceitando, todavia, que as mesmas gerem mar territorial uma vez que as considera como rochas com direito unicamente a mar territorial.”


Mais acrescenta a Missão castelhana junto da ONU que não existe acordo por parte de Espanha relativamente à delimitação da ZEE entre a Madeira e as Canárias.


Este entendimento de Espanha, expresso no aludido documento, e que pode ser visto como a reacção castelhana, em antecipação, à visita do Presidente da República de Portugal às Selvagens no passado mês de Julho, contraria, no nosso entendimento, a Convenção de Montego Bay, de que Portugal e Espanha são Estados signatários, e levaria, caso fosse sufragada, à diminuição da ZEE de Portugal em redor das Selvagens das actuais 200 para, apenas, 12 milhas marítimas (extensão do mar territorial).


Trata-se, a nosso ver, de uma grave tomada de posição de Espanha que põe em causa a Zona Económica Exclusiva de Portugal relativamente à Madeira e que não pode deixar de merecer uma pronta reacção diplomática do Governo português no sentido da reafirmação da qualificação jurídica daquele território como ilhas.


O blog ILHAS SELVAGENS e o Grupo ILHAS SELVAGENS no Facebook não deixarão de acompanhar de forma permanente este grave diferendo que opõe, agora de forma oficial, os dois países vizinhos.


Veja o link para o documento oficial aqui.


Lisboa, 30 de Agosto de 2013

 

Pedro Quartin Graça


Nota: Também publicado no Blog Ilhas Selvagens

publicado às 22:18

Pois é!

por Nuno Castelo-Branco, em 12.08.13

 "É o meu iate, o meu filho e o meu rochedo."

publicado às 20:55

Doidos varridos

por Nuno Castelo-Branco, em 11.08.13

 

Apertado com todo o tipo de problemas, o governo espanhol espera distrair as atenções, recorrendo a uma espécie de "caso Malvinas" local: Gibraltar. Pior ainda, o sr. Margallo tem a desfaçatez de se aliar à Argentina para o tratamente de um assunto em tudo alheio aos sul-americanos, mas suspeita-se de o pobre ministro apenas estar a servir de caixeiro viajante da Repsol. Margallo cultiva a excelsa ideia de levar o assunto à ONU, como se o princípio da vontade expressa dos habitantes da localidade não tivesse qualquer relevância. Pois é isso mesmo o que a organização mundial indicará como via: a consulta da população, coisa que para os iluminados da movida de Madrid, não passa de uma absurdidade. A Espanha cedeu o território por Tratado e nele até tem um forte apoio à sua segurança no flanco sul. A disparatada ideia de remover a obrigatória incumbência britânica da defesa da entrada do Mediterrâneo, só poderá provir da mais chã chicana populista. O interesse de Espanha está precisamente na manutenção da presença da soberania britânica no Rochedo. 

 

Portugal deve lapidarmente apoiar o Reino Unido, protestem a Pescanova, a MangoZara ou a Pull & Bear à vontade. Se eles persistirem neste tipo de alarvidades, Lisboa deverá voltar à carga com o Caso Olivença, um território formalmente reconhecido como português desde o Congresso de Viena. Isto, para nem sequer aventarmos os apetites marroquinos por Ceuta e Melilha. Além do mais, temos pendentes certas gulas pela área terrestre e marítima das Selvagens. 

publicado às 20:25

Duas notícias, dois países, o mesmo problema.

por João Quaresma, em 18.07.13

Em Espanha, antes de ontem:

«A reforma do sector eléctrico prevê fechar centrais de energia renovável para reduzir o défice tarifário.

Espanha poderá avançar com compensações para encerrar as centrais de produção de energia renovável, no âmbito de uma reestruturação do sector energético. Em causa está o preço elevado da produção destas formas de energia, o que levou a que o governo de Mariano Rajoy admita avançar com incentivos económicos para o encerramento definitivo de centrais de energia renovável e de cogeração, noticia o "El Mundo".»

 

Em Portugal, ontem:

«O Grupo francês Neoen está a construir em Coruche, distrito de Santarém, a sua primeira central fotovoltaica em Portugal, um investimento de 40 milhões de euros e que vai permitir produzir energia para cerca de 30 mil habitantes. (...)

O presidente do Grupo destacou o facto de este investimento ser um projeto europeu, com financiamento francês, painéis solares alemães e construtores portugueses. Xavier Barbaro salientou a "excelente colaboração entre todos os intervenientes" para a concretização do projeto.

A Neoen vai investir em Portugal 60 milhões de euros em centrais fotovoltaicas, 40 dos quais na vila de Coruche. Nos 70 hectares de terreno vão ser colocados 18.388 painéis solares e 45 quilómetros de cabos.»


Ou seja, enquanto em Espanha o governo procura resolver o problema mesmo que recorrendo à medida extrema de subsidiar o encerramento de infraestruturas cuja construção foi também subsidiada, em Portugal continua-se a aprofundá-lo, como se não fosse já suficientemente ruinoso.

Ainda por cima, consente-se que se instale uma gigantesca central de energia solar em plena lezíria ribatejana, zona agrícola por excelência por ter alguns dos terrenos mais férteis e produtivos do país. E assim, 70 hectares vão ser cobertos por 18 mil painéis fotovoltaicos importados (apesar de também se fabricarem em Portugal), criando um número ínfimo de postos de trabalho em mais um projecto que irá viver das rendas pagas pelo contribuinte português.

A mais este "magnífico" investimento estrangeiro só tenho a expressar os votos sinceros de um bom tornado.

publicado às 18:08

Como se Robustece esta Moeda?

por joshua, em 30.05.13

O ímpeto reformista português tem sido muito mais ousado e mais rápido, apesar de todos os solavancos e adversidades, que o dos governos congéneres europeus da Zona Euro, daí o modo elogioso com que abençoam o nosso esforço. Ao conceder a Espanha mais dois anos para que o Governo de Mariano Rajoy cumpra as metas orçamentais, a Comissão Europeia recomenda, isto é, exige a implementação de medidas concretas em várias frentes: revisão do sistema de pensões, políticas activas de emprego, uma reforma estrutural do sector eléctrico e novas mudanças na tributação do IVA. Por que é que as Esquerdas Burras em Portugal, além das ânsias pela queda deste Governo, não sugerem também a queda dos outros governos da Zona Euro, a queda da Comissão Europeia, a queda de tudo e de todos que não sejam Esquerda?! Só a República pode ser Regime. Só a Esquerda pode ser Poder.

publicado às 11:07

Lá como cá

por Fernando Melro dos Santos, em 27.05.13

"Por la noche, al llegar a casa, puse un rato la tele y me vi frente a la tercera situación: un par de ministros retorciendo de manera abyecta la lengua española, de la que parecían ignorar los más elementales recursos -ministros del Gobierno de España, insisto-, para enumerar, sin que se les notara mucho lo siniestro, nuevos expolios, exacciones y vilezas. Para justificar una vez más su incompetencia, sus medias verdades, sus promesas incumplidas, los embustes encadenados con que disimulan su parálisis unos gobernantes enrocados en los privilegios de su puerca casta, sin el menor ánimo de renovación o cambio real; una dictadura fiscal gobernada por una pantalla de plasma, cuya única baza para mantenerse en el poder es la que le regala, sin mérito y por la cara, la inexistencia de una oposición eficaz o al menos respetable; la mediocre estupidez de una clase política que en su mayor parte, sin distinción de siglas, es egoísta, inculta, grosera. Pero ojo. Todo eso lo es en sintonía con el ambiente general de esta España en la que trincan y medran. Con lo que pide la peña en este lugar indecoroso donde los policías tutean en los semáforos, los políticos ignoran la sintaxis, y los curas torpes, olvidando que sin distancia no hay mito que sobreviva, convierten los talentos en millones y las arcas de la parábola en bancos con cajero automático. Y en manos de unos y otros, en este infame compadreo que no pretende igualdad de oportunidades para que todos lleguen a donde merezcan llegar, sino rebajarlo todo al triste nivel de los más zafios y tarugos, nos vamos despacio, inexorablemente, a la mismísima mierda." 

- Don Arturo Pérez-Reverte, hoje

publicado às 10:59

Ana Palacio

por Nuno Castelo-Branco, em 19.05.13

Numa excelente entrevista concedida a Nuno Rogeiro, a antiga responsável pelos Negócios Estrangeiros de Espanha é uma mulher frontal, aceitando as realidades tal como elas são e sem os circunlóquios a que a mediania política nos tem amarrado. Seria extremamente benéfico vê-la um dia como Presidente do Conselho do país vizinho, pois saberemos com quem estamos a negociar. 

 

Uma significativa novidade, consistiu na opção pelo inglês para a série de perguntas e respostas. Estamos demasiadamente habituados a responsáveis políticos vizinhos - sejam eles camaradas do PSOE ou compañeros do PP - insistindo naquele displicente "ustedes entienden muy bien" que sempre soa a sobranceria. Palacio foi clara e de forma concisa inventariou os principais problemas que Espanha enfrenta:

 

1. A questão da organização autonómica do Estado, decorrente dos acordos celebrados durante o período da transição. Ana Palacio não hesitou em considerar caduco o sistema das autonomias e o entrave que representa à eficiência do mercado interno espanhol e à própria transparência da política. Disse o que havia para dizer quanto ao populismo do crédito fácil e das cedências perante as satrapias vigentes.

 

2. A inabalável confiança na Monarquia e no Rei João Carlos, alvos de concertados ataques por parte de sectores oportunistas que cavalgam a onda da crise. A imprensa marronzista espanhola, em nada difere daquilo que para cá da fronteira tão bem conhecemos e sofremos.

 

3. O claro reconhecimento de Portugal como mais um país entre outros. É raríssimo, senão inédito, escutarmos qualquer político espanhol falar do nosso país sem desde logo salientar o "caso especial", a "irmandade", a "diferença natural que separa Portugal das relações espanholas com os demais", ditos pouco espirituosos que por infalível e humilhante regra, são acompanhados por condescendentes palmadinhas nas costas. Palacio diz que as relações entre vizinhos são sempre complexas e no caso Portugal-Espanha, devem ser naturalmente encaradas como aquelas respeitantes ao convívio entre espanhóis e franceses, alemães e franceses, etc. Em suma, aquilo que os portugueses reivindicam há mais de oito séculos, é lapidarmente confirmado por esta mulher que beneficia de um aguçado sentido da realpolitik.

 

4. A posição de Espanha e de Portugal no mundo.

Este é sem dúvida o tema que mais nos interessa, até porque representa algumas dificuldades para a nossa política externa. Estando há muito sanados os complexos das "costas voltadas" - que Franco e Salazar, ao contrário daquilo que se diz, tentaram suavizar -, os dois países são hoje membros do mesmo espaço económico e da mesma aliança militar. Se é bem evidente a não pertença de Portugal ao espaço mediterrânico, o mesmo não poderemos dizer de Espanha, o vital flanco sudoeste da segurança europeia. Assim sendo, compreende-se o dilema secular de Espanha, cujos interesses de longo prazo se encontram naquele espaço atlântico onde viu decididamente dilatar-se a sua influência política, cultural e económica, e a permanente tentação de no plano do imediatismo, plenamente participar nas disputas daquilo a que um dia se convencionou chamar de continentalismo.

Qualquer mudança radical na ambivalente política externa espanhola, representa algumas dificuldades para Portugal, principalmente porque isto tem claras implicações no campo da Defesa, um tema tabu no nosso país. O esmorecer do interesse que as potências marítimas - ontem a Inglaterra, hoje os EUA - poderão ter na independência e segurança portuguesa, historicamente verificou-se sempre que Espanha se afastou dos assuntos continentais. Tal aconteceu no século XVIII - reinado de Fernando VI -, e já numa época bem próxima, quando Afonso XIII optou por uma aproximação aos britânicos. Também ainda temos bem presentes, aquelas imagens de subalternização de Portugal aquando da entrada espanhola na aliança que o presidente Bush delineou após os acontecimentos de 2001. Não existe qualquer possibilidade para pesadelos geoestratégicos ao estilo da fantasiosa Aliança Peninsular pugnada por Sardinha.

Qualquer  modificação muito substancial na dualidade da política externa do país vizinho, deverá ser encarada muito seriamente por quem governa Portugal.  Se, tal como diz Ana Palacio, portugueses e espanhóis são ontologicamente europeus, também ambos os povos "são atlânticos". Concordamos inteiramente com esta clarividente senhora e apenas acrescentaremos que tal como acontece em diversas situações, "uns são mais do que os outros". É este o ditado de mais de sete séculos de política externa portuguesa. 

publicado às 15:57

Brincando na pocilga

por Nuno Castelo-Branco, em 12.05.13

 

A situação política em Espanha, torna-se mais estranha a cada dia que passa. Os bem coordenados ataques à Monarquia, provêm de sectores aparentemente inimigos irredutíveis, mas que convergem no essencial, ou seja, a destruição do actual modelo constitucional. Numa informal coligação de minoritários com alguns interesses comuns, aos centralistas franquistas somam-se os comunistas e também as máfias "soberanistas" de algumas regiões, nomeadamente da Catalunha. Se a isto adicionarmos a intervenção dos cada vez mais ousados penetras islamitas e as actividades dos directos sucessores de Tarique, o quadro parece prometedor.

publicado às 12:00

Haja alguma sensatez

por Nuno Castelo-Branco, em 11.04.13

 

Felipe González, ex-Presidente do governo espanhol, não parece muito impressionado com a pretensa correcção das omnipresentes excitações de rua. Defende o sistema da Transição que garantiu as liberdades públicas, indica a necessidade da renovação do pacto da sociedade com a Monarquia, hoje acossada pela aliança franquista/neo bolchevique/secessionistas . González também critica asperamente os delírios das independências a saldo. Mostrando bem o respeito que homens e instituições lhe merecem, termina com uma bela homenagem ao seu antecessor no governo espanhol:

 

Estamos ante una crisis institucional. Un momento para ir a una segunda Transición. La primera la hizo, prácticamente solo, Adolfo Suárez (...) Cuando yo llegué al Gobierno ya estaba hecha. La hizo él, con más o menos ayuda, pero él. Y la pagó”.


Por cá é o que se vê. Nem Rei, nem roque.

publicado às 17:45

Há muito pouco a fazer a não ser continuar,  socraticamente, a conduzir as pessoas a perceberem o que está mal, a parirem raciocínios e a fazê-las tomarem consciência das múltiplas formas pacíficas que têm ao seu dispor para, nas suas condutas diárias individuais, fazerem a diferença que querem ver no mundo. É um processo lento por natureza e que exige paciência de santo. Pelo caminho, vamos sendo roubados. É aqui que entra uma qualidade imprescindível para o processo de transformação: a abnegação. Talvez faça algum sentido, afinal, o ensinamento de Cristo, ao render-se à injustiça e à bruteza, deixando-se matar na cruz. Revelou com este acto aparentemente incompreensível, uma forma pacífica e inovadora de fazer uma revolução. O esbulho fiscal e a opressão pelos políticos talvez seja a cruz, a crença na justiça e liberdade, a salvação. Pelo meio morre o corpo mas fica o ideal.

Durante a pausa "sabática" que fui forçada a usufruir observei, com uma certa frieza, os muitos episódios saloios da vida política portuguesa. Vou abster-me de quaisquer comentários porque, tendo falado com novos e velhos, instruídos e analfabetos, a maioria deles analisa, de forma acertada, a actual situação portuguesa e diagnosticam com um rigor por vezes surpreendente a raíz do problema. Esta crise tem pelo menos este grande mérito: pôs a generalidade dos portugueses a pensar. Aqueles que são independentes do estado são muito clarividentes quanto às razões que nos trouxeram e mantêm neste lodaçal. No fundo todos sabíamos que chegaria o dia de pagar a conta das obras públicas, do “investimento” do estado e dos muitos excessos socialistas da esquerda e da direita ao longo de quase duas décadas: todos esperávamos o dia do acerto de contas. O que os portugueses não esperavam era que a Justiça deixasse escapar por entre as malhas da sua inoperância os responsáveis máximos por esses excessos; e o que os portugueses também não esperavam era ver os bancos enfileirarem-se para recolher os frutos de tantos anos de amizade promíscua com o estado.
Tivessem os portugueses de pagar apenas e só o que devem - vendo  fazer-se em praça pública uma reflexão profunda da importância de um sector público reduzido em tamanho e poder - e tudo estaria menos mal.

E é tudo o que me apraz dizer neste sábado chocho. Estou sem forças e sem crença. Sinto que o vigor e ânimo que outrora habitaram o meu espírito me são sugados pela energia negra do aparelho do poder. Continuarei a pregar, junto dos que me querem ouvir, o valor da verdade e da justiça. Continuarei a apontar soluções, continuarei a fazer "partos difíceis", ficarei por cá, resistirei à tirania, enfrentarei a perda, a mágoa, a dor. Perante o tamanho do problema em que Portugal está metido, há muito pouco que possamos fazer. A classe política portuguesa (e a europeia) está empenhada em destruir a vida dos seus cidadãos. Só o sonho, a ideia e a palavra conseguirão sobreviver à ruína final.

publicado às 16:58

Bricolage e Corrupção em Portugal

por John Wolf, em 05.02.13

 

Como é o provérbio? De Espanha nem bons ventos nem bons casamentos? E a corrupção? Se Portugal vive na sombra da economia de Espanha, então poderemos assumir que a prática de ilícitos que cobrem as manchetes dos jornais desse país, também se aplica a Portugal. Ao longo dos anos assistimos a um conjunto de operações de fachada levada a cabo por parlamentares para dar ares de um efectivo empenhamento na luta contra a corrupção. Mas parece que não passa de um artifício para ganhar tempo, para afastar aqueles que procuram agitar as águas. Se nada é mexido de um modo consequente, se nenhum político transforma esta missão na causa da sua vida, é porque há apenas uma explicação. Estão todos metidos ao barulho. E há diversos modos de praticar a modalidade. Como agente activo, como mediador, como receptador ou como arquivista que faz desaparecer as pastas. Não nos restringemos à disciplina clássica de dinheiro passado debaixo da mesa, ao pagamento a pronto a políticos. Há uma outra forma de influência e dissuasão que roça a prostituição. Refiro-me à corrupção imaterial que contagia as artes e letras, a academia e a cultura. A troca de favores entre membros de um clube de vantagens. Compensações desfasadas no tempo, que sugam o prestígio efectivo, o valor de anónimos verticais, gente desconhecida que acredita no seu esforço. Produzo estas afirmações porque não tenho telhados de vidro e já fui preterido por não reunir as condições requeridas. Prefiro o caminho do mérito ou demérito e nunca ficar a dever nada. Durmo descansado com as oportunidades geradas que se alicerçam no princípio de integridade. Não me espanta que o talento Português, desprovido de pergaminhos familiares e tios em lugares de influência, faça as malas e rume a outros destinos. Um país que normaliza a concessão de privilégios a amigos e maus pagadores, é um país que torna o futuro num inimigo, em falência certa. Um país que mata a ideia de entrevista ou torna os castings num erro permanente compromete-se por várias gerações. Mas regressemos à corrupção e ao trabalho inacabado. Em que estado se encontram todos os processos de corrupção que supostamente a Justiça Portuguesa deveria sentenciar e arrumar de uma vez por todas? Será que este país não passa de uma fase instrutória? Será que a suspeição leva a melhor sobre a condenação? Estou zangado, sim senhor. Porque observo o flagelo de uma outra espécie de corrupção. Uma corrupção que vibra na sociedade civil, mas que é designada de um modo diminutivo para parecer menos danosa - jeitinho, ajudinha, favorzinho, mãozinha, paciênciazinha -, quando na realidade é fatal para um país corroído pela cunha que fecha as portas àqueles de direito, os bons e honrados, os trabalhadores vindos da penúria ao encontro da recompensa merecida. E as desculpas que apresentam são muito fracas. O self-made man foi trucidado pela bactéria que procura atalhos para dissimular a mediocridade. Porque é disso que se trata. O reles que destrona o cidadão recto e que procura passar despercebido anos a fio, a vida toda se tiver sorte. Penso que chegou o momento para virar a casa ao avesso. O silêncio de muitos diz tanto...

publicado às 10:40

Diz-me que empresas tens, dir-te-ei quem és.

por João Quaresma, em 02.02.13

Pouco tempo depois de se tornar Primeiro Ministro, Mariano Rajoy convocou - e o termo é mesmo esse - as empresas espanholas com maior projecção internacional (Repsol, Telefónica, Zara, Indra, BBVA, Santander, Pescanova) para usarem a sua visibilidade para passar uma imagem positiva de Espanha, de forma a contrariar os danos provocados pela crise económica na credibilidade do país.

Neste espírito, está a fazer furor no país vizinho um video feito pela filial espanhola da consultora Grant Thornton que pretende justamente fazer passar a mensagem que, apesar das más notícias, Espanha merece confiança e optimismo. E que, mesmo com estatísticas pouco animadoras, a economia espanhola conta com empresas bem sucedidas e prestigiadas internacionalmente.

O curioso é que o video está a ser elogiado pela originalidade, quando de facto parece ser uma imitação do video feito há dois anos em Portugal, destinado a esclarecer os finlandeses. É claro que há grandes diferenças. O video espanhol, além de ser francamente mais inteligente, tem a enorme vantagem de poder mostrar grandes empresas espanholas que são exemplos de como o saber-fazer espanhol merece a confiança de clientes em todo o Mundo.

É claro que cá, sendo um desporto nacional vender as boas empresas a estrangeiros, já não podemos fazer o mesmo: apesar de haver algumas empresas de capitais portugueses com dimensão internacional (Jerónimo Martins, Galp, Sonae, Amorim, Soares da Costa, Efacec), são de facto muito poucas as que têm visibilidade a nível internacional que possa ser capitalizada em favor do país: além da TAP e do Mateus Rosé (as mesmas de há quarenta anos) e agora da Galp (em Espanha) pouco mais temos com notoriedade junto do grande público como sendo uma marca portuguesa. E é óbvio que, por muito importantes que sejam os investimentos que têm cá, não podemos contar com a Volkswagen, a IKEA ou a Continental-Mabor para promover a imagem externa de Portugal.

 

publicado às 03:20

Péssimas notícias...

por Nuno Castelo-Branco, em 06.01.13

...para os do costume, os muito ultra-minoritários de lá e a empafiosa ladroagem de cá. De tudo têm tentando para o denegrir da instituição que deu a Espanha um longo período de paz, justiça e progresso. Até a gente do "amigo" Balsemão já cavacalmente passa ao ataque com a SIC transmitindo as suas bem conhecidas e estafadas pseudo-notícias, trauteadas  sem um mínimo de afinação. A lusa máfia comprime-se no prelo e espeta-se nas antenas.

 

Por aquilo que os jornais dos socialistas vizinhos dizem, os espanhóis não alinham facilmente em modas ou na propaganda.

publicado às 09:35

Annus horribilis

por Nuno Castelo-Branco, em 27.12.12

Há precisamente vinte anos, a Rainha Isabel II anunciava ao mundo o seu pesar por aquilo que considerava ter sido um annus horribilis. Há apenas uns meses, dissipadas as sombras que momentaneamente minaram a imagem da Monarquia, ei-la novamente no balcão de Buckingham, com milhões aguardando o momento para saudar a passagem dos sessenta anos do seu reinado.

 

Em 2012, João Carlos I teve a sua versão do annus horribilis. Uma patética caçada fora de qualquer cogitação, um infantil affaire com uma vadia sem um mínimo de presença ou dignidade - até nisso o Rei é um típico majo espanhol - a não ser pelas piores razões possíveis e imaginárias, acompanhadas pelos dislates de um indigno genro que está à mercê da justiça - na Monarquia espanhola foram lestos quanto a este assunto, evitando-se a republicanamente normal praxis portuguesa -, lançaram umas tantas nódoas sobre um reinado impecável. João Carlos I pode ser considerado como um dos grandes da História de Espanha, um país que tendo apenas metade da já muito longeva existência do Estado português, soube permanecer fiel ao seu legado de séculos. Sem desatar a rir a bandeiras despregadas, alguém se atreverá a comparar João Carlos I com Soares, Sampaio ou Cavaco Silva?

 

A verdade é que João Carlos cometeu grandes erros privados, quando institucionalmente apenas lhe podem ser apontadas públicas virtudes. Teve o seu annus horribilis? Teve. Mereceu-o? Certamente.

 

Como ultrapassá-lo? Simplesmente praticando aquilo que há trinta anos afirmou ao príncipe Filipe: "a Coroa ganha-se todos os dias!" Dentro de um ou dois anos saberemos a resposta.

 

Pois cremos que é precisamente o que fará. Se para o Rei de Espanha foi o ano de 2012 terrível, dez milhões de portugueses poderão lamentar-se da mesma coisa, alargando a contagem temporal a um século. Factos são factos.

publicado às 17:38

A Monarquia é superior

por Nuno Castelo-Branco, em 26.12.12

 

Muitos se interrogam acerca da razão pela qual as palavras do Presidente da República não são escutadas ou pior ainda, se tornam parte da gincana partidária, malbaratando-se assim aquele princípio de equitativa distância que se supõe em qualquer chefia de Estado. Pouco interessará se o utente do cadeirão presidencial seja Soares, Sampaio ou Cavaco Silva, pois a constante confirma-se sempre décadas sobre década e nem poderia ser de outra forma, dada a base de legitimidade onde a instituição assenta. 

 

Os conselhos jamais são escutados, a conhecida fábula da magistratura de influência não passará disso mesmo, de uma lenda tão nebulosa como a floresta de Birnam. Conhecem-se os nomes de uma infinidade de amigos acumulados por uma "inexperiência política" já anciã de mais de trinta anos, onde houve momentos bastante azados para se tecerem redes de influência em todos os aspectos da vida do Estado e sectores adjacentes da economia, finanças e imprensa. Em suma, permanecerá sempre a desconfiança, aliás plenamente confirmada pelo ridículo score eleitoral saído das últimas presidenciais, somando-se ainda as iniludíveis responsabilidades pela desastrosa "cooperação estratégica" que conduziu o nosso país ao abismo. Se infelizmente não podemos dizer que se terão tratado das derradeiras eleições ocorridas sob a forma de organização do Estado saído da longa e permitida subversão e dos golpes de 1908 e 1910, nem por isso deixam de estar bem evidentes as fragilidades e o completo descrédito da instituição de todas as conspirações, conluios e recados de encomenda.

 

Em Espanha passa-se precisamente o oposto. O discurso que o Rei João Carlos pronunciou há dois dias, consiste num claro repto lançado a toda a sociedade espanhola e pelas reacções imediatas da chamada opinião pública, atingiu plenamente os objectivos pretendidos, enumerando aquilo que mais urgente há a fazer: a reabilitação da política no seu melhor sentido. Essa política a que o Rei apela, deverá atender às prementes necessidades da reforma do Estado saído do já longo período de transição no qual a Coroa foi o elemento mais sólido, intransponível e coerente na conformação do todo. O Rei há muito se apercebeu do perigoso resvalar das reputações - inclusivamente da própria, sempre à mercê de críticas justas ou absurdas -, pois estas, se encaradas de forma global, serão aquele elemento incontornável e capaz de fazer ruir um sistema laboriosamente trabalhado e que deu ao país um feliz período de paz, progresso, justiça e tratamento equitativo sem paralelo na sua história. 

 

Sabemos o que em Portugal significaria ter D. Duarte como Rei. Nada dado a frivolidades - talvez o único argumento que os republicanos em Espanha aproveitam para atacar o Grande Homem que é D. João Carlos -, perfeitamente consciente da situação de Portugal no mundo e do seu percurso histórico que ainda lhe garante a soberania, teríamos um monarca avesso a jogos partidários e às fáceis cedências a uma anónima Europa que nos sufoca. O nosso país contaria com o Rei decomprometido dos privados interesses que arruinaram Portugal e ainda mais importante, alguém disponível para a aceitação de uma profunda alteração da organização do Estado, prioridades sociais e a imperiosa preservação daquilo que é intrinsecamente português. Em suma, teríamos um supervisor da boa política, a única que interessa.

 

Sem essa política não existe a democracia, por melhor rotulada que esta esteja. A boa política tem muito a ver com o acerto das decisões atempada e cuidadosamente ponderadas e como seria evidente num Portugal normalizado, gizadas para um prolongado prazo que se medirá por décadas. As bases aí estão bem sólidas desde há quase setecentos anos e nem sequer a passagem dos séculos foi passível de uma grande alteração dos fundamentos da política portuguesa na arena internacional. Disso o regime tem tido alguma conta, mas de facto, os erros e as derivas têm sido catastroficamente acumulados devido à ânsia do agradar de sectores onde a cacicagem impõe cedências que muito prejudicaram o Estado e a sociedade civil. Não existe má política que não tenha imediatos reflexos na educação, saúde, defesa, economia, finanças e estabilidade social.

 

O Rei João Carlos impôs como metas o respeito pelo outro, o desenhar de objectivos claros a longo prazo, a lisura pessoal como essência do serviço público, a lealdade e também, como o caso espanhol impõe sem subterfúgios, o reconhecimento da pluralidade. Os sacrifícios de hoje, apenas terão razão de ser se existir uma sólida perspectiva de reforma onde a justiça, a simplificação do aparelho do Estado e a confiança nos agentes políticos for garantida. Ora, no Portugal de hoje, tal parece ser uma tarefa impossível, não existe o norte e nem sequer aquela carga simbólica que uma certa instituição  - independentemente da personalidade que no momento a encarna - significa. Uma vez mais, os espanhóis estão em clara vantagem.

 

Cavaco Silva poderia ter aguardado a ora real e somente necessitaria de um bom tradutor para a pronunciar em bom português, apenas mudando o nome do país. Apesar deste louvável esforço, duvidamos do alcance que as palavras teriam nesta terrível balbúrdia, nestes dias do fim que o regime ingloriamente enfrenta.

 

O Rei é o Rei. Gostaríamos que alguém nisto que é e sempre foi a República, nos oferecesse uma confiança e determinação comparável. 

publicado às 10:44

O Nobel da UE e a "Paz na Europa"

por João Quaresma, em 13.12.12

Desde que a Comissão Europeia autorizou (por proposta de Madrid) os espanhóis a pescarem em águas territoriais de Gibraltar, totalmente à revelia da soberania britânica e apesar de um processo movido pelo Reino Unido contra a CE no Tribunal de Justiça da União Europeia (que confirmou a decisão da Comissão), que se sucedem os incidentes envolvendo pescadores espanhóis, lanchas britânicas (da Polícia de Gibraltar e da Royal Navy) e lanchas espanholas da Guardia Civil. A tensão diplomática e no local tem crescido ao longo do ano, tendo em Maio chegado a dar-se alguns choques entre cascos espanhóis e britânicos. A Royal Navy tem estado muito mais presente em Gibraltar e, no final do mês passado, o porta-aviões Illustrius fez um exercício com fogo real ao largo do Rochedo, pela segunda vez este ano.

Domingo passado, o ministro dos negócios estrangeiros britânico William Hague lançou, formalmente, um sério aviso a Espanha:

«We would take a grave view of any attempts by Spain to exert any authority or control within British Gibraltar Territorial Waters as part of implementation of an SAC management plan or for any other reason. Any attempt by a Spanish State vessel, or vessel acting on behalf of the Spanish State, to exercise jurisdiction within BGTW is a violation of British sovereignty and we will respond accordingly. We will continue to take whatever action we consider necessary to protect British sovereignty and the interests of Gibraltar, its people and economy.»

 

E, afinal, isto acontece por causa de uma decisão da Comissão Europeia.

publicado às 02:13

Olhem a "novidade"....

por Nuno Castelo-Branco, em 07.12.12

Em Madrid há quem a tenha descoberto ao fim de séculos. Por cá também já sabíamos da coisa*

 

*Há séculos.

publicado às 18:24

Muito vento e balões sem ar

por Nuno Castelo-Branco, em 25.11.12

Independência e "lutas" garantidas na RTP, SIC e às vezes, na TVI. Já rebolavam de gozo os olhinhos dos enviados "especiais", antevendo a secessão. É este, o nacional-pacotilhismo televisivo.

 

A verdade das urnas é como sempre, muito diferente. O padrinho Mas sai de fundilhos queimados, mas com a sua fraudulenta bancarrota intacta e à espera do auxílio de Madrid. Pior ainda, vê arrebatada a vietnamita bandeira independentista pela xenófoba ERC, uma imitação barata do estilo Le Pen, mas "de esquerda", como convém aos do costume. As primeiras contagens parecem confirmar a descida na totalidade dos lugares obtidos pelos independentistas declarados - CiU + ERC + CUP = 71 -, contra os 75 assentos que ainda há uns dias ocupavam. Aguardamos pacientemente os saltos mortais no parlapatonismo de certos comentadeiros da desgraça. Lá se foi mais uma "revolució".

publicado às 21:43

Os cretinos

por Nuno Castelo-Branco, em 25.11.12

Por cá há-os de vários matizes, desde os histéricos pretensiosos da "revolução", até aos nervosos pela dissolução. Hoje mesmo, o dia das apontadas decisões de soberanismo mafioso e de colorido garridamente egoísta, apenas retenho algo que disse aqui e aqui. Henrique Monteiro apenas escreve aquilo que o salutar senso comum aconselha. Nada existe a acrescentar, a não ser um sonoro "era só o que mais nos faltava!"

publicado às 18:18






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