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"Al" o quê?

por Nuno Castelo-Branco, em 13.10.12

 

Enquanto este troglodita persiste na senda do irreparável, mesmo ao virar da própria esqina catalã, a situação não é nada promissora.

publicado às 18:00

La gente esta muy loca

por Nuno Castelo-Branco, em 02.10.12

 

 

Esperemos que Rajoy esteja a falar a verdade, mas dado o tipo de políticos que os europeus têm suportado no último quarto de século, um não, muitas vezes quer dizer um peremptório sim. Durante demasiado tempo a Espanha surgia como um país em ininterrupto crescimento, vivendo o seu povo, o melhor período desde há séculos. Muita movida, a fiesta anfetaminada e sem descanso, copas y tapas, eis o cartaz turístico capaz de atrair milhões. Novas urbanizações surgiam como plantações até ao horizonte e mesmo para além deste. Há uns dias, um dos esbaforidos intervenientes do protesto junto das Cortes, à televisão dizia que tinha de pagar créditos pelo automóvel, as férias e o mobiliário da casa nova. Ainda está empregado, mas receia o futuro, possivelmente temendo perder a ilusão do el dorado em que a plutocracia mergulhou o país.

 

All day, all night, la gente esta muy loca!

publicado às 23:15

Cortinas de fumo

por Nuno Castelo-Branco, em 26.09.12

Se por catástrofe conseguisse a mirífica independência dos egoístas, a Catalunha teria uma extrema dificuldade em ingressar na União Europeia. O veto de Espanha seria uma coisa certa. Reconhecendo intimamente esta evidência sem o dizer, o sr. Mas faz subir a parada e por estes dias tem como único e exclusivo fim, o alijar das esmagadoras responsabilidades do seu partido. Responsabilidade pelo desastre financeiro catalão que já monta a 44.000 milhões, vertiginoso crescimento do desemprego e exclusão social, subida em flecha dos extremistas que à vontade pontapeiam "estranhos" ruas de Barcelona fora, vergonhosa corrupção e compadrio que transforma a região numa sub-Calábria, desastre nas relações com as outras regiões do país vizinho. Somando-se à histeria de marginais como a ERC e de outros estultos convivas das truculências de há oitenta anos, a CiU despeja gasolina para a fogueira do nacionalismo local, aliás bastante concomitante com um sacratíssimo e tradicional egoísmo que se recusa a contribuir no auxílio às zonas mais carenciadas de Espanha. Imaginam uma situação semelhante em Portugal? Curiosa, esta inflamada movida cacofónica de uma certa esquerda das festas "de cá  e de lá", ansiosa por "lutas" e "libertações" sempre condutoras ao que se sabe. Agora, neste preciso momento, tenta uma nova versão da "tejerada", desta vez juntando uns tantos milhares na Plaza Neptuno, em Madrid. Quanto ao caso catalão, estes ditosos agentes do progresso, uma vez mais apoiam uma causa nada solidária, decididamente enveredam pela discriminação mais abjecta e grotescamente aplaudem o mais rançoso tipo de chauvinismo. Nada de novo.

 

Talvez esteja a chegar o momento certo para um discurso real directo, sem peias ou filtros da Moncloa.  É que atravessando a fronteira, não existe um patético cúmplice, encavacado no vértice da pirâmide do Estado. Nada de confusões.

publicado às 19:23

O velho truque para sacar mais dinheiro

por Nuno Castelo-Branco, em 12.09.12

 

Têm a fama de falsários de contas, arrogantes aldrabões, maus gestores e esbanjadores a lembrarem gente de paragens mais próximas. Assim podemos definir a classe política catalã, não esquecendo a fama de péssimos e duríssimos patrões.

 

Agora apertados pelos desvarios cometidos, encontraram uma maneira para pressionarem o governo central a conceder-lhes mais dinheiro sem contrapartidas políticas: uma manifestação. Claro que o facto da produção catalã ser primordialmente destinada ao mercado interno do Reino onde existem mais de 35 milhões de criaturas estranhas ao Llobregat, pouco conta para estas manias de grandeza postiça. O marketing político peca por falta de originalidade. Podíamos ir mais longe, dissecando todo o tipo de argumentos utilizados, mas mencionemos apenas a impante assunção do egoísmo propalado pelos sucedâneos do detestável Rovira e uma total falta de solidariedade para com o todo nacional espanhol. Querem que os impostos cobrados na Catalunha integralmente aí permaneçam, mandando às malvas as outras regiões mais pobres do Estado. Imaginemos um artifício destes em Portugal, com a zona metropolitana de Lisboa exigindo o mesmo. 

 

Uma manifestação em Barcelona? E depois? Ainda há dois meses assistimos a uma muito mais concorrida na mesma cidade, comemorativa da vitória espanhola no Euro 2012. Sem bandeiras idênticas às do antigo Vietname do Sul. 

 

Em suma, a coisa está bem montada e no trilho daquilo que Barroso hoje mesmo disse. Os ininterruptos ataques à Monarquia espanhola, consistem apenas num dos recursos. Será muito mais fácil o "projecto europeu", se Estados como a Espanha, Reino Unido e a Itália desaparecerem, transformando-se em migalhas. Nem a pequena Bélgica está a salvo. Apenas restarão a Alemanha e a França. Entenderam?

publicado às 15:59

Não, não há nem pode haver

por Nuno Castelo-Branco, em 05.09.12

Aguiar Branco perguntou: "há uma cultura suficientemente forte de partilha interna e com países vizinhos, neste caso, Espanha, para se poder edificar despreconceituadamente e descomplexadamente aquilo que é fundamental para sermos produtores de segurança"?

 

Não.


Porque não? Porque este é um velho e relho projecto republicano e para mais, já a contar com uma improvável mudança de regime em Espanha, essa arcaica monomania de certas lojas e marcenarias para todos os gostos. Aguiar Branco não parece ou não quer entender o percurso secular de Portugal na história e o que significa essa inevitável subalternização à Espanha. Aguiar Branco não entende? Olhe para o mapa, os militares podem explicar-lhe: Zona Económica Exclusiva no Atlântico, o Caso das Selvagens e a posição de Portugal na NATO. Estes três argumentos entre muitos outros sobejamente conhecidos e em suma, a independência nacional. Dada a situação do espaço lusíada no Atlântico, chegou o tempo de começarmos a olhar para o Brasil e para já, aproveitar melhor a estadia de Paulo Portas naquelas paragens. Angola e Cabo Verde seguir-se-ão automaticamente. 

 

Que outras brilhantes ideias terá o sr. ministro? Também pretenderá reeditar o anúncio guterrista do fecho do ensino militar em Portugal, remetendo a nossa gente para a Academia de San Fernando? Atenção, existe um limite para tudo.





publicado às 18:42

Socorro!

por Nuno Castelo-Branco, em 28.08.12

 

Connosco, os catalães funcionam sempre naquele bem conhecido sistema do "duche escocês". Ora lhes dá para desdenharem da nossa independência - eles são sempre os "injustiçados e os que teriam merecido" a vitória pós-1640 - ou antes pelo contrário, no dia seguinte alçam-nos ao firmamento mais luminoso. Antes assim.

 

Durante anos, foi um esbanjar à tripa forra, numa imbatível movida política, cultural e de outros etc a toda a brida. Enfim, desta vez têm mesmo de baixar ao planeta Terra e finalmente reconhecerem o que todos lá para as bandas do Llobregat sabiam, mas fingiam desconhecer: à beira do colapso, pedem auxílio à pérfida Madrid, mas "recusam-se a ceder no campo político". Mas de que sugestões de cedências estariam à espera? Ainda há poucos meses os vimos delirantes pelas ruas de Barcelona, ruidosamente festejando a vitória espanhola no Euro. Não se vislumbrou nem uma daquelas bandeirolas parecidas com a do Vietname do Sul. Tudo fogo de vista e muito apreciaríamos escutar o que o sr. Rovira tem para nos dizer.

publicado às 15:00

Na senda do Doutor Cavaco

por Pedro Quartin Graça, em 15.08.12

RAMAL DE CÁCERES

RIP

"Encerrado por sua Excelência Dr. Passos Coelho"

Inaugurado em 08-10-1881

Encerrado em 15-08-2012

 

Esta é uma cruz, pesada e triste, que pode ser imputada a Pedro Passos Coelho e ao seu Governo: a de continuar a desastrosa obra do seu antecessor, actual presidente da república, Aníbal Cavaco Silva. Na verdade, ambos parecem ter uma fixação relativamente à ferrovia. O anterior primeiro-ministro foi o que se sabe. O actual parece dar mostras de que os combóios também não fizeram parte da sua meninice e, quiçá, são a causa dos elevados gastos dos transportes em Portugal...

Portugal, de novo, mais pobre...

publicado às 08:42

La dolorosa: Catalunha pede ajuda a Castela

por João Quaresma, em 24.07.12

«Catalunha vai pedir ajuda financeira a Madrid


A região da Catalunha, a segunda de Espanha em termos de PIB depois da de Madrid, vai pedir ajuda financeira ao governo espanhol, disse o responsável pela Economia do governo catalão.

A região de Valência pediu na sexta-feira ajuda financeira a Madrid.

Questionado ao canal de televisão britânico BCC sobre um apelo da Catalunha a Madrid, Andreu Mas-Colell respondeu: "Sim. A situação actual é que a Catalunha não tem outro banco além do Governo espanhol".»

 

A regionalização acaba quando acaba o dinheiro de todos, ou seja, do estado central. Resta saber como é que agora, na hora de pagar a conta, vão funcionar os nacionalismos, regionalismos e outros populismos que foram exacerbados durante décadas.

publicado às 16:00

FMI aconselha prudência a Rajoy

por João Quaresma, em 18.07.12

«El Fondo Monetario Internacional (FMI) recomienda a España que lleve a cabo un proceso de consolidación fiscal "menos inmediato", en el que se debe dar más peso a las medidas relacionadas con los ingresos. El Fondo, cuyas recomendaciones son anteriores a los últimos recortes anunciados por Moncloa, pide que las medidas se lleven a cabo en un marco macroeconómico "más prudente".

En el informe correspondiente al Artículo IV sobre la eurozona, el FMI incluye una tabla con recomendaciones para cinco países concretos de la unión monetaria(Grecia, Irlanda, Portugal, Italia y España) en materia de políticas y reformas fiscales, reformas del sector financiero y reformas estructurales.

En lo que respecta a la política fiscal en España, el Fondo defiende un ajuste "menos inmediato" y que se integre en un marco macroeconómico "más prudente". Además, apuesta por aumentar el papel de las medidas relativas a los ingresos, especialmente en torno a los impuestos indirectos.

El FMI también alude en sus recomendaciones a la situación de las comunidades autónomas españolas y propone que se apliquen sanciones en las finanzas de los gobiernos regionales y se mejore su transparencia.»

publicado às 22:15

Parabéns, rapazes!

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.12

 

Finalmente provou-se que é possível contrariar o "tiki-taka" espanhol e fazer frente de igual para igual à selecção espanhola. Faltou o bocadinho de sorte, como é habitual. Estão todos de parabéns e agora é seguir em frente rumo ao Mundial, onde de certeza esta belíssima selecção fará outro percurso excepcional! 

publicado às 00:14

Venham eles!

por João Quaresma, em 27.06.12

publicado às 15:45

Força, rapazes!

por Samuel de Paiva Pires, em 27.06.12

 

Ao contrário de muita gente, não sofro de anti-espanholismo primário, daquele que nos é praticamente incutido desde os primeiros anos de escolaridade. Simplesmente não os suporto devido à irritante mania de fazerem um banzé, berrando e incomodando toda a gente à sua volta. Há qualquer coisa de muito elegante na atitude portuguesa no espaço público. Quanto mais não seja por isto, adoraria que a selecção nacional de futebol os silenciasse mais logo.

 

De resto, é como diz o Dragão:

 

«Por regra, futebol não é questão que me ocupe. Mas como pretexto é tão bom como outro qualquer. Para bater nesses filhos da puta. E só num país onde viceja e infesta uma prole imensa da mesma mãe é que  pode ter-se implantado o conceito catita de "país irmão".  Nustros hermanos, o caralho! Vossos, não sei; meus é que não!»

publicado às 11:45

Basura

por João Quaresma, em 26.06.12

«A agência de classificação financeira Moody's reduziu nesta segunda-feira a nota da dívida de 28 bancos espanhóis e de dois emissores de crédito, após a decisão da Espanha de oficializar seu pedido de "ajuda financeira" à Europa para suas instituições financeiras. (...)

Ao argumentar sobre sua decisão, a Moody's afirmou que os bancos enfrentam crescentes perdas com os empréstimos imobiliários e que a redução da nota da dívida soberana da Espanha contribuiu para a queda das classificações.

Os problemas da Espanha "não apenas afetam a capacidade do governo de apoiar os bancos, como também influem nos perfis de crédito dos bancos", completou a agência de classificação de risco.

Entre os bancos afetados pela decisão da Moody's estão Banesto (de A3 a Baa3, três níveis), Banco Bilbao Vizcaya (também de A3 para Baa3), Bankia (de Baa3 para Ba2, dois níveis) e Santander (A3 a Baa2, dois níveis).

Outras instituições que veem suas notas reduzidas são Banco Popular Espanhol (A3 a Ba1, quatro níveis), Banco Sabadell (Baa1 a Ba1, três níveis), Unicaja (A3 a Ba1, quatro níveis) e CaixaBank (A3 a Baa3, três níveis).

No total, três instituições viram sua nota reduzida em um nível, 11 em dois níveis, dez em três níveis e seis em quatro, levando em conta os dois emissores de crédito.»

 

Como é que eles diziam há um ano? «Nós não somos Portugal». Pues que no.

publicado às 01:50

Já nem tem qualquer prurido em, escandalosamente, divulgar publicamente o que pensa, em plena competição. Anuncia os finalistas do Europeu, em clara pressão psicológica sobre os árbitros, condicionados que ficam a viabilizar o caminho às equipas da Espanha e da Alemanha. Portugal, mesmo que passe a República Checa, o que não será fácil, terminou o Europeu porque já não pode ir mais longe, não passa, ou seja, depois defronta Espanha, o finalista anunciado, de forma vergonhosa, pelo... Presidente da UEFA, Platini. Há confissão de um crime mais perfeita do que esta? Cadeia com ele!

publicado às 08:04

Vigarices nos futebóis

por Nuno Castelo-Branco, em 19.06.12

Aconteceu o mesmo no jogo Alemanha-Croácia, onde um penalti que até um zarolho veria, foi olimpicamente ignorado pelo árbitro de serviço, prejudicando os croatas. Ontem os irlandeses também pagaram as favas, sendo os espanhóis beneficiados por duas penalidades ignoradas pelo juiz da partida e assim tem sido ao longo de anos, sendo sempre os mesmos "grandes", aqueles que auferem de todas as oportunidades de vitória na secretaria. Por outro lado, o bovino senhor Platini nem sequer se rala em disfarçar, consciente como está das mãos rotas de uma Alemanha que enche com 37% das contribuições, os cofres da UEFA. A continuar assim, a pressurosa instituição chegará ao ponto de estabelecer quem poderá ou não aceder aos torneios, decretando antecipadamente o vencedor.

 

Onde é que já vimos isto? A resposta é clara: em tudo o que tenha a ver com "Europa", desde festivais de cançonetas com cinco pré-seleccionados "porque são grandes",  até aos favoritismos do directório de Bruxelas, cada vez mais reduzido aos mesmos Big Five. Na bola, a trapaça, a indignidade assumida como norma que falsifica o espírito desportivo, dá-nos uma ideia daquilo que seria uma "federação". Um asqueroso chiqueiro. Aliás, a pocilga já existe e vai enchendo a cada dia que passa.

publicado às 07:40

Durão Barroso apunhala Rajoy pelas costas

por Nuno Castelo-Branco, em 12.06.12

Pouco importará quem tenha razão quanto ao esperado episódio do resgate da banca espanhola. No passado fim de semana, Mariano Rajoy afirmou ter sido ele quem pressionou para que essa ajuda fosse concedida. Hoje, o sr. Durão Barroso, precisamente o homem que devia manter-se calado por um básico princípio de oportuna decência, falou e desmentiu o espanhol em apuros. A situação interna em Espanha não é das melhores e as palavras de Barroso são um incentivo à desordem e subversão do próprio regime. Barroso não deve preocupar-se minimamente com aquilo que a imprensa espanhola escreve e muito menos ainda, com o tom insurreccional dos comentários.  Se não lê o El País, o Público e o ABC, devia fazê-lo logo pela manhã.

 

A tolice desta enfatuada gente que não vê mais longe que as cercanias da unha negra do seu pé esquerdo, é coisa ilimitada e sem direito a uma consulta de psiquiatria. Adeus, Europa.

publicado às 14:25

A islamização de Espanha

por Pedro Quartin Graça, em 02.06.12

 

Aqui mesmo ao lado, pouco a pouco, o Islão "ataca". Não acredita? Então confira e abra a boca de espanto.

publicado às 12:47

O que há para dizer acerca da visita real

por Nuno Castelo-Branco, em 01.06.12

"As pessoas têm de começar a ler antes de poderem pensar. Não devem os portugueses falar no assunto com os espanhóis. Com eles devemos ser cordiais, sorridentes, generosos no receber. A casa real espanhola sente por Portugal grande afecto, mas não deixa de ser a casa real de Espanha.

 

No dia em que tivermos um Rei em Belém, o problema desaparece automaticamente. A monarquia é a maior caução e garante da liberdade de Portugal."
Leia tudo o que havia para dizer, no Combustões

 

 

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publicado às 15:35

Há 50 anos

por Nuno Castelo-Branco, em 14.05.12

Muito se tem especulado acerca do relacionamento entre D. João Carlos I e D. Sofia, os monarcas espanhóis. Se a imprensa aproveita todos os motivos verídicos ou imaginários para vender papel aos maços de tipo "higiénico", a opinião pública é também direccionada para episódios menores e completamente alheios às realidades institucionais. Tal como noutras monarquias europeias, a Coroa tem sido um precioso elo de unidade do Estado, especialmente tratando-se de Espanha, onde os "nacionalismos" estão uma vez mais prontos para mortalmente se digladiarem por um pueblocito, uma nascente de água, pelo Tesouro público do Estado, pelos navios da Armada, pela frota pesqueira ou pior ainda, por fronteiras medievais que satisfaçam pequenas vaidades de um ou outro candidato a caudilho de pacotilha.

 

A Portugal interessa uma Espanha unida, próspera e feliz, a Espanha desta Monarquia. Imaginemos o desastre que significaria uma Espanha fragmentada ao estilo jugoslavo, forçando o nosso governo a discutir águas fluviais, acessos à Europa, delimitação de fronteiras e enxames de refugiados em fuga de micro-potentados andaluzes, leoneses, castelhanos ou galegos?

 

Ao contrário daquilo que ignominiosamente ocorreu nos últimos anos da Monarquia Portuguesa, os Partidos espanhóis têm sabiamente conservado o respeito e intangibilidade da figura do monarca, deixando a iconoclastia para a marginalidade trauliteira, seja ela partidária de caducidades como a ETA, IU e ERC, ou ruidosamente "indignada" de very expensive computador portátil e telemóvel em punho cerrado. 

 

Num casamento presenciado toda a realeza europeia e asiática, João Carlos e Sofia uniram as suas vidas. Pouco nos importa ou interessa se existiu ou existe algo mais que o sentido do dever que juraram carregar até ao fim da sua presença terrena. São conhecidos os flirts de S.M. o Rei de Espanha, assim como são estimadas as suas acções que beneficiam o seu país, tratando-se estas de exercícios de influência junto de governos estrangeiros, ou da eficaz contenção de um qualquer arrivista candidato a ditador perpétuo. O que deve ser criteriosamente analisado é o seu papel institucional e aqui nada existe a apontar. O Rei não interfere nos assuntos da governação, apenas o fazendo quando para tal é solicitado. D. João Carlos jamais se incompatibilizou com qualquer um dos Presidentes do Conselho que o povo espanhol nomeou para a Moncloa e pelo contrário, defendeu-os sempre que atacados por estrangeiros. O Rei jamais dissolveu "por apetência" ou interesse pessoal, qualquer um dos Parlamentos eleitos. O Rei mantém baixo o preço do sustento da Casa Real a cargo dos contribuintes, em flagrante contraste com qualquer uma das repúblicas fronteiriças do Estado espanhol. O Rei mantém as Forças Armadas em passo constitucional, cumpriu e cumpre escrupulosamente a Constituição da qual é sem dúvida o inspirador e símbolo máximo. Internacionalmente, o reconhecimento abre-lhe as portas de todos os palácios de governo e é mesmo a imagem de uma Espanha que apesar de uma crise que decerto passará à história, vive o seu melhor momento desde há mais de quatro séculos. O mesmo se poderá dizer da Rainha Sofia, mulher excepcionalmente inteligente e culta - poliglota, é uma raridade em Espanha -, de uma moderação, rectidão de carácter e sentido de dever sem qualquer contestação. Se a Rainha dá que falar, isso apenas dever-se-á ao seu perfeito sentido do interesse do Estado, à sua acção no campo da cultura e em numerosas instituições dos mais variados cambiantes sociais, assim como ao completo interiorizar de emoções que perturbem a sua missão. Arriscamo-nos mesmo a afirmar que à influência de D. Sofia deve o Rei a Coroa, pois o círculo de hierarcas que rodeava o Generalíssimo Francisco Franco,  não parecia disposto a abrir mão de um poder conquistado pela força das baionetas. Nas Armas de Espanha presentes na Bandeira, existem dois símbolos heráldicos representados pelas colunas de Hércules, marca da soberania do Reino sobre a entrada do Mediterrâneo. Uma mostra a faixa com a inscrição Plus, enquanto a outra ostenta o Ultra. Podia bem ser esta a definição do já longo reinado de D. João Carlos e de D. Sofia.

 

Devido ao infeliz episódio de índole privada recentemente ocorrido e no qual esteve envolvida uma vulgaríssima pistoleira de mau porte e emprestado apelido, em Espanha não haverá qualquer comemoração oficial do cinquentenário do casamento real. É uma falta inexplicável, mesmo tratando-se do momento em que o país está mergulhado numa crise na qual a Monarquia não arca com qualquer tipo de culpa. Mais ainda se pode dizer que a Monarquia representa o mais importante activo político do Estado espanhol, não havendo assim lugar para amuos ou a satisfação do rodízio de intrigas a que a imprensa de  barbudos "intelectuais do whisky" e a imbecil prensa del corazón se dedica. 

 

50 anos deste casamento, são bem o símbolo daquela nova Espanha acima referida e isto devia a Monarquia reter como marca indelével. Como egoístas populares que somos, pouco nos importarão os casos pessoais, os amores e desamores das régias figuras, pois o fulcro da sua existência é a sua permanência ao serviço e isso têm feito de forma exemplar.

 

Parabéns, Majestades.

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publicado às 09:00

Oh the irony

por Samuel de Paiva Pires, em 11.05.12

Spain's indignado protesters face anniversary crackdown:

 

"In the meantime a battle for leadership of the indignado movement, and control of its social network assets, has broken out. The fight pitches purists, who do not want any formal structure or leadership, against those who complain that the movement's assembly based system is cumbersome and easily blocked by a handful of extremists."

publicado às 18:15






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