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Eu posso tentar explicar porque está errado. Não me recordo de ler na Constituição da República Portuguesa um parágrafo sequer sobre a definição de Esquerda e Direita e as percentagens mínimas de "ideologia" para preencher esse requisito. A lógica da soma das partes do Partido Socialista (PS), da Coligação Democrática Unitária (CDU) e do Bloco de Esquerda (BE) pura e simplesmente cai por terra. Pressupõe que existe um teor ideológico mensurável a partir do qual se pode definir forças de Esquerda ou de Direita. Se assim fosse teriamos um ramo do Estado dedicado à fiscalização da percentagem ideológica contida nos preparados políticos - uns agentes EMEL do estacionamento ideológico. Ofereço este exemplo contraditório, mas que bastará para consubstanciar o que digo. A Esquerda que defende com unhas e dentes o Estado Social, deve saber que essa invenção não é inteiramente ideológica, e muito menos um exclusivo da Esquerda. A Suécia, tida como exemplo nos campos da Segurança Social e dos Serviços Nacionais de Saúde, também pode ser retratada como um país intensamente neo-liberal, adepta dos mercados, da livre iniciativa e do lucro. A pergunta que deve ser colocada e que relativiza as demandas dos perdedores das eleições legislativas é a seguinte: como se define o grau de pureza ideológico? Qual a percentagem de esquerdice ou direitice que permite determinar a matriz ideológica dos participantes? Como podem constatar, aquilo que os maus perdedores pretendem, viola os pressupostos de desempenho político eficiente - a obrigação de requisitar soluções da totalidade do espectro político e ideológico. Se os "três amigos" da Esquerda fossem coerentes, e se conseguissem assaltar o poder com um golpe, então estariam proibidos de usar as práticas e costumes da alegada Direita que invocam. Teriam de abolir os mercados, as empresas altamente lucrativas, racionar o número de empreendedores e criar uma economia de direcção central. Por outras palavras: nem sequer são de Esquerda. Serão, quanto muito, oportunistas que se servem de todos os argumentos possíveis e imaginários para derrubar uma força política que legitimamente ganhou as eleições. Se fossem tão altruístas e defensores do interesse trans-partidário, deveriam ter construído a sua coligação a tempo e horas de disputar honestamente uma competição política. Teriam tido tempo para sedimentar ideias e limar arestas. Deste modo, abrupto e perturbador, colocam em causa importantes fundamentos que sustentam um Estado de Direito. Os portugueses votaram nas partes e não na equação pós-eleitoral de ocasião. E os portugueses vêem a milhas de distância o que está acontecer. Esta tentativa de colar a cuspo uma força de bloqueio e de insolvência do governo, merece a mais firme denúncia da parte daqueles que fizeram a revolução de Abril. A não ser que queiram outra cravada na realidade política nacional. Portugal está apurado para o Europeu. Quanto ao resto não sei.
Quem vai receber Yanis Varoufakis à Portela? O ministro das finanças grego está em tournée europeia, e embora ainda não tenha sido noticiado, Portugal deve constar do seu rol de visitas. Apenas sabemos que existem uns quantos em território nacional que já se estão a acotovelar, a dar uns empurrões para ficar bem na fotografia. É assim que funciona em política, seja qual for a causa, a missão a cumprir. A Catarina Martins, a Ana Drago, o Jerónimo de Sousa, ou mesmo o Daniel Oliveira, devem ser os candidatos com ganas de mostrar os cantos à casa - a desgraça que nada tem a ver com a tragédia grega. Nesse dia de recepção, António Costa encontrará uma desculpa para se esquivar - quiçá, a inauguração de mais uma ciclovia. Mas o amigo Yanis não vai ficar muito contente. Então malta? O que se passa? Na Grécia, Syriza! Em Espanha, Podemos! E em Portugal, nicles batatóide? Pois, sabe Dr. Varoufakis, aqui a malta tem dificuldade em instigar a mudança. Pode dar-nos uma ajudinha? Umas dicas. Mas a verdade é que nem Tsipras nem Varoufakis têm algo para oferecer. Aliás, a cada hora que passa as probabilidades de reestruturação da dívida são cada vez mais ténues. Vejam-se os números das casas de apostas. Estudem o comportamento das taxas de juro, das condições de mercado cada vez que sopram ventos de utopia financeira. Se Varoufakis pretende chegar a um acordo com credores deve meter-se no expresso e zarpar rumo aos Goldman Sachs e Rothschilds deste mundo. Se realmente quer marcar a diferença e cortar relações com a Troika e os interlocutores formais da União Europeia, deve demonstrar que consegue ser criativo e original. Para já o duo Tsipras-Varoufakis conseguiu conquistar o poder, muito à custa do rasgo visceral de uma população derreada pela Austeridade, ávida de pão e vingança. Pensando bem, vir a Portugal é uma perda de tempo. Nenhum dos esquerdistas radicais de ocasião que acima referi percebe patavina de como funciona o mundo. Não pretendo ser cínico com este desabafo. Mas, meus senhores, as grandes decisões já foram tomadas. O resto são flores de estufa. Decoração.
Nas comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República, Cavaco Silva criticou a acção do actual governo, em particular no que se refere ao empobrecimento dos portugueses, ao desemprego, aos funcionários públicos e pensionistas e afirmou que é preciso fazer-se a reforma do Estado que está por fazer. Heloísa Apolónia conseguiu ver no discurso uma colagem total à acção do governo.
Jerónimo de Sousa, por seu lado, no que concerne à referência do Presidente da República ao cerco ao parlamento em 1975, afirmou tratar-se de um "desabafo reaccionário" de Cavaco Silva, pois que "não existiu nenhum cerco ao parlamento, que na altura nem era parlamento, era só uma assembleia constituinte, mas uma mera manifestação".
Uma viagem no tempo, proporcionada pelo já venerável Jerónimo de Sousa. Talvez em homenagem à conhecida dentadura postiça com que Cunhal passou a mastigar no ocaso de década de oitenta, o secretátrio-geral escolheu a Faculdade de Medicina Dentária como palco. Ali nada faltou, desde o saudoso tom declamatório a fazer-nos recordar inflamadas crianças no Bolshoi dos anos 30 e 40, até ao sonho de glórias imaginadas, as vanguardas e destacamentos internacionalistas hoje circunscritos a regiões onde umas tantas bananas amadurecem ao sol caribenho.
Aqui está algo de diferente, contornando os paradoxais anúncios de crise que garantem a maior reserva de hotéis e viagens desde há anos. Ontem, acompanhado por criancinhas de barba rija, Jerónimo de Sousa fez-nos embarcar numa máquina do tempo. Antes da própria invenção do artefacto, foi obra. Hurraaaaaaaaaaaaaaaa! Hurraaaaaaaaaaaaaaaa! Hurraaaaaaaaaaaaaaaaa!
A recomendação quanto à demissão do governo é desprovida de sentido, e a verdade é que o problema da natalidade em Portugal é muito mais grave e estrutural do que meramente resultado das políticas do actual governo. Todavia, Jerónimo de Sousa tem razão no diagnóstico.
De há vários anos e governos a esta parte que parecemos viver duas realidades diferentes no que concerne a esta questão, em que os governantes proclamam querer incentivar a natalidade, mas as suas políticas e acções, que são o que realmente importa, vão no sentido precisamente contrário. O mesmo é dizer que na prática a teoria é outra, ilustrada pelo líder comunista:
Jerónimo de Sousa disse ainda que "não há defesa da maternidade e da paternidade nas políticas laborais que comprometem PS, PSD e CDS, quando se defende o aumento e a desregulação dos horários de trabalho e a intensificação dos ritmos de trabalho que impedem os trabalhadores de ter tempo para os seus filhos".
O secretário-geral do PCP criticou ainda o que considerou ser "demagogia em torno da natalidade".
"Quando se nega o direito às mulheres de decidirem o momento e o número de filhos que desejam ter, quando há discriminação das jovens no acesso ao trabalho por decidirem engravidar, quando existem pressões para que não gozem as licenças de maternidade e paternidade, quando faltam vagas em creches públicas e crescem no privado, quando se corta nos apoios sociais"
Se querem realmente incentivar a natalidade, para além da melhoria das condições a nível laboral e das creches, a melhor política será a diminuição da carga fiscal. Quando os níveis de IRS são o que sabemos e as deduções com despesas de educação e saúde foram reduzidas a praticamente nada, fica a dúvida sobre se muitos de nós não andarão a trabalhar para aquecer e se o estado não será já um filho que temos a nosso cargo. Nestas condições, ter filhos acaba por ser um acto quase heróico.
O ensinamento vem de longe, do tempo em que o PC era uma criança de teta, hábito que por muitos anos manteve, sequiosamente esmifrando os opulentos seios da mãezinha soviética que lhe deu sustento. O pai Estaline ensinar-lhe-ia o b-á-bá dos procedimentos, aliás criteriosamente seguidos pelos partidos irmãos. O ódio mortal à social-democracia que lhe "roubava" apoios - devia preocupar-se mais com o meio irmão nacional-socialista - que jamais lhe pertenceriam e que apenas seriam seus naqueles exóticos delírios de uma imaginação fértil, teve como representante máximo da praxis exclusivista, o já há muito defunto primogénito, o KPD. Apesar de repetente nas matérias prodigamente ministradas por todos os povos europeus - a começar pelo russo -, o actual chefe da lusa-tribo, o Excelentíssimo Senhor Jerónimo de Sousa, tudo esqueceu e pouco ou nada aprendeu.
No rescaldo da evocação saudosista do totem de alva cabeleira que durante décadas lhes garantiu o até sempre, o Supremo Congressista mostrou-se muito aberto àquilo que designa de "convergência de esquerda". O que significaria tal felicidade? Resumidamente, a união de todos os partidos que se reclamam de lutas, amanhãs qualquer coisa entre muros e promessas eleitorais repetindo 97% sobre 97,9% indefinidamente.
Em suma, o PC quer a participação do Partido Socialista numa Frente de Esquerda, desde que o timoneiro seja o próprio PC coadjuvado pelos satélites mais próximos. Quer um PS que o siga sem tugir nem mugir e que "não seja burguês", quando o PS apenas conforma aquilo que há muito é a sociedade portuguesa: teimosa e gostosamente burguesa. Utilizando as palavras há quase quarenta anos proferidas pelo Grande Totem, o PC estaria para o sistema político nacional, tal como o Sol existe para a Terra. O PS, esse enorme Júpiter, seria o frígido planeta gasoso onde vivalma aterraria.
As coisas são como são. O PC quer continuar a ser aquilo que sempre foi e estando no seu pleno e justíssimo direito, rejeita um PS que continuará a ser como desde 1973 o conhecemos. O Partido Socialista é algo de muito diferente daquel'outro mais original e nascido na Monarquia Constitucional. Passaram cem anos, o mundo está mesmo muito diferente e enfrentando os factos, o PS não tem outra hipótese por mais excêntrica que seja, pois o mínimo desvio transformá-lo-ia numa redição da UEDS ou numa repetição do grupinho do Manecas das Intentas.
Felizmente há coisas que não mudam e apenas nos resta a imagem de um Álvaro Cunhal, até sempre sorridente por mais uns séculos.
Há apenas umas duas horas, o camarada Jerónimo de Sousa sugeria corrermos com a "troika da agressão", ou por outras palavras, Portugal decidir-se pelo calote global. Poderia ser mais preciso e colocar como possível ponto de discussão, os usurários juros exigidos. Isso todos compreenderiam.
Talvez devêssemos dar uma oportunidade à gestão PCP, porque este país iria mesmo pagar a dívida fosse de que forma fosse, preferencialmente à bruta e por "interesse colectivo". Por exemplo, Jerónimo de Sousa até poderia adoptar aquele modelo outrora tentado pelo seu correligionário Nicolae Ceausescu: nada de carne, nada de peixe, nada de gasolina e gasóleo nos postos de abastecimento, nada de cuidados de saúde, educação reduzida ao mínimo dos mínimos e plena satisfação dos credores internacionais.
Quem sabe se um ou dois anos depois, não teríamos por cá um Génio do Tejo?
Ontem, no Algarve, dizia o camarada Jerónimo de Sousa que..."é mais fácil apanhar um mentiroso do que um deficiente de uma perna!" (sic). Em suma, já não há coxos que sirvam.
Não nos bastava o "acordo" ortográfico ao gosto do esquema e agora ainda levamos com a estranha adequação de velhos ditados, ao cada vez mais absurdo modismo de época.
...desta vez estamos de acordo. A tal comissão parlamentar tresanda a ameaça partidocrática, ficando-se por aí e sem consequências de maior. O estardalhaço pê-ésse-deutico acerca de uma investigação beneditina às PPP rodoviárias, bem poderá significar mais um daqueles joguinhos de fazer encher o tempo de um Congresso sem pés nem cabeça, aproveitando para chantagear o comparsa antecedente na governança de S. Bento. Discurso após discurso, é o zero absoluto que este Partido há décadas significa, embora consiga fazer-se eleger! De todo aquele marceloso redemoinho de pequenos grandes interesses, há ainda que tomar nota do Menezes júnior - presunto sucessor do actual autarca de Gaia - que já vai dizendo umas, precisamente aquelas que envolvem o habitual esconde-esconde dos assuntos incómodos que encafifam dinheiro dos outros.
Tonitruante e fluente, Alberto João Jardim disse muitas verdades, num estranho discurso que saiu da boca de um homem que ao selvático capitalismo recorreu, utilizando-o nas suas obras e serviços públicos insulares. Agora acusa a plutocracia, devendo ter deixado babados de gozo os PC e BE que decerto aguardaram pelo único momento alto do tal milionésimo Congresso do PSD. De facto, quem escute AJJ, poderá imaginar um enxerto de Cunhal em Mussolini, tal a verve pós-capitalismo. O "pior" é que até estamos de acordo com o diagnóstico....
Decididamente, parece existir uma máquina do tempo antes da sua improvável invenção.
Há já mais de um século, a oposição ao regime decidiu aventurar-se numa saga que escolheu como alvo aquele que menos podia defender-se dos ataques, viessem estes de onde viessem. Agora, alguns distraídos da história, enveredam pelo mesmo caminho ainda fresco da lama alegremente pisoteada pelos seus precursores. Atacam sem cessar o Chefe do Estado. Não olhando a meios e fingindo indignações apelantes ao sistema digestivo dos portugueses, têm hoje Cavaco Silva como fruta de fácil apanha, quando em boa verdade estão a impiedosamente demolir a árvore, ou melhor, a forma com que o regime se reveste. Isto, com a ajuda dos próprios aúlicos palacianos.
Que risonha ironia, esperemos um pouco mais. É tudo o que há a fazer.
O secretário-geral do PC, reagiu intempestivamente às notícias que dão conta de um artigo em que os Protocolos servem de base para os avermelhados argumentos da teoria da conspiração. Existindo ou não existindo essa dita conspiração, de facto os comunistas há muito se têm servido dos Protocolos dos Sábios do Sião, justificando os mais diversos posicionamentos "de classe"ou "acções políticas internacionalistas". Deles Estaline se serviu copiosamente durante as suas purgas, onde se numa vez visava esvaziar a "sinagoga" - o ministério dos Negócios Estrangeiros soviético -, noutra pretendeu eliminar as "batas brancas", ou melhor, os seus próprios médicos judeus. Enfim, se a tudo isto juntarmos a torrente de prosa vertida durante os alegres anos em que vingou o Pacto Germano-Soviético de 23 de Agosto de 1939, não tem qualquer cabimento a artificiosa surpresa de Jerónimo de Sousa. Pela via das dúvidas, dê a conhecer os há muito surripiados exemplares do clandestino "Avante!" dos dois primeiros anos da II Guerra Mundial. São edificantes.
Neste período de reavivar de bruxedos, cartomancias e outros exotismos dados à prensa em obras de consumo de massas, o abusivamente chamado Canal de História, além de ter encontrado âncora no dourar da pouco apetecível pílula da 2ª república espanhola - as fábulas, delírios de "progresso" e choraminguisses a que recorre, valha-lhes Deus! -, dedica-se agora a dar voz às mais disparatadas loucuras sobre o "fim dos tempos". Os programas sucedem-se e todas as semanas há um novo "Efeito Nostradamus" . Agora, pasmem, além da Terra Oca, dos OVNI do Führer e da infalível Profecia Maia, os espanhóis do Canal de "História" atiram-se como mastins a bofe, à "certeza" de um Da Vinci semi-extraterrrestre. Ao longo dos tempos, ..."sempre existiram homens de génio em directo contacto com seres de outro-mundo" que por sinal, há muito que "vivem entre nós". Segundo os locutores deste chorrilho de episódios, está tudo "cientificamente provado", desde o aquecimento global até aos tsunamis, vulcões que escarram lava em fúria, ou tornados devastadores. Todos estes catastróficos eventos "são mesmo" fruto da intencional mãozinha de extraterrestres interessados no progresso dos bípedes que por cá comandam o planeta. Até uma parte do nosso ADN é manipulado por aquelas programáticas criaturazinhas. Neste último episódio da passada segunda-feira, surgem uns "cientistas" que naquele típico movimento Made in USA de assentimento que faz oscilar as respectivas cabecinhas, vão marcando a "data final" para Dezembro de 2012, pois tal "está escrito" nos textos e nas pedras deste e daquele templo. Os egípcios ..."construíram as pirâmides com a ajuda ou supervisão dos aliens e precisamente o mesmo terá ocorrido quanto aos templos da América Central". Stonehenge, um amontoado de calhaus erguidos quando o planalto de Gizé já era cortado pela presença das pirâmides, é apresentado como algo de verdadeiramente excepcional. Pobres extraterrestres, se Stonehenge prova a sua genial presença, então é melhor contentarmo-nos com aquilo que a NASA e a ESA ainda terão para nos proporcionar num futuro mais ou menos longínquo.
As profecias dos cartomantes e adivinhos de Jerónimo de Sousa, cabem perfeitamente neste âmbito. Não será possível arranjar-lhes um "cantinho mais ibérico" no Canal de "História"?

No meio do muito ruído que vai por aí a respeito da moção de censura do BE, e obviamente concordando com o Pedro, saliento alguns pontos:
1 - Mérito para Louçã. Nunca foi tão atacado ad hominem como nos últimos dias. Pode ser uma criança, teimoso, ideologicamente preconceituoso, intelectualmente desonesto e enviesado e ter tendências autoritárias (mesmo totalitaristas). É verdade. Foi oportunista e excessivamente tacticista. Talvez se tenha precipitado inadvertidamente. É tudo verdade. Mas conseguiu recuperar do desaire do apoio a Manuel Alegre, marcar indubitavelmente a agenda (gostei particularmente do argumento de certos militantes do PSD, que acham que por este ser um partido maior que o BE, que não tem que andar a reboque deste, como se o tamanho de um partido tivesse alguma relação causal com o agenda setting, ou não sejam os jornalistas portugueses, na generalidade, alinhados com o BE e PS), e mostrar verdadeiramente as intenções de todos os partidos e actores relevantes - começando, agora, a capitalizar com estas.
2 - José Sócrates, sempre ele, continua a resistir a tudo e todos. Melhor, tem encontrado no PSD de Passos Coelho um grande aliado, mesmo passando a vida a enxovalhá-lo, como se viu no fim-de-semana que passou. Começa, até, a ter uma certa aura de invencibilidade, pois que todos parecem ter medo de o enfrentar em eleições.
3 - Saem mal na fotografia o PSD e o CDS. Demonstraram não estar assim tão preocupados com o país. De salientar a incoerência de Paulo Portas, que se primeiro se escudou na necessidade de conhecer o texto da moção, agora já veio dizer que o CDS irá abster-se - ainda sem conhecer o texto da moção, texto este que, como aqui escrevi, poderia dizer as maiores alarvidades do mundo que nada aconteceria para além do único resultado prático que seria a queda do governo -, e a falta de coragem de Passos Coelho, que a continuar a salvar José Sócrates como tem feito, corre sérios riscos de começar a ver a sua liderança do PSD ameaçada. Até porque, por tudo o que António Balbino Caldeira já explicou, será praticamente impossível a aprovação de uma moção de censura no parlamento - a não ser que, Passos Coelho e Paulo Portas consigam negociar um altamente improvável acordo com Jerónimo de Sousa.
4 - Muitas razões há para que se acabe com o consulado Sócrates assim que possível. Pelo tal interesse nacional, de que este se apropriou indevidamente. Álvaro Santos Pereira, Pinho Cardão (via Blasfémias), e Rui Crull Tabosa demonstram-nas com particular acuidade. O discurso do PSD deveria, na verdade, ter sido do género do que Ricardo G. Francisco recomendou. E a conclusão mais acertada e mais simples que há a retirar de toda esta novela é, sem dúvida, a de Tiago Loureiro: «Esta esquerda sectária e fundamentalista que habita num cantinho em S. Bento prova que a chave para a necessária queda do governo não está numa qualquer moção de censura. Está em Belém.»
5 - Perdeu-se uma oportunidade de ouro, com o BE a colocar-se como refém da sua moção de censura e em que se poderia ter dado a estocada final neste desgoverno. Perdemos todos. É pena. Os juros da dívida externa continuam a aumentar, o Estado continua sem ser reformado e reestruturado, a carga fiscal continua a ser brutal, a economia continua a contrair. Continuamos a caminho da tragédia do ano. Mas está tudo bem.