Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
O Partido Socialista (PS) informa a população do continente e das regiões autónomas que, devido a questões técnicas alheias à sua responsabilidade, não teve condições de emitir o programa dedicado à derrota eleitoral na ilha da Madeira. A gerência garante que todos os esforços estão a ser empregues no sentido de restabelecer o sistema de comunicação. A gerência também aproveita a ocasião para informar que segue com atenção o futuro político de Alberto João Jardim, pelo que regista alguma preocupação sobre um seu eventual ingresso na Assembleia da República na qualidade de deputado com especial vocação para destabilizar a bancada socialista. O PS acrescenta ainda que a região autónoma da Madeira não é Portugal, pelo que os eventos registados naquela parte do Atlântico não podem ser correlacionados com eventuais acontecimentos políticos que se venham a verificar nas próximas eleições legislativas. Pedimos desculpa pelo transtorno. Prometemos ser breves. Gratos pela compreensão.
António Costa evoca as glórias do Bloco Central (PS/PSD) liderado por Mário Soares nos anos 80, e esse facto deve servir de bitola para interpretar as suas intenções e a sua base ideológica. Deve pensar Costa que os portugueses são idiotas. Foram pactos de regime dessa natureza que promulgaram a falsa rotatividade do poder - ora mandas tu, ora mando eu. Foi esse arranjo que possibilitou a distribuição mais ou menos equitativa dos meios necessários para implementar verdadeiras redes de influência e a apropriação dos meios económicos para os membros dos respectivos partidos. Para além dessa evidência, o "regresso" ao conceito de bloco revela a incapacidade em pensar prospectivamente e de um modo inovador. Os blocos são coisas do passado. Houve um Bloco de Leste, e mais recentemente um segundo que conheceu a ruína, quase idêntico etimologicamente - o Bloco de Esquerda. Diz ainda o secretário-geral do Partido Socialista que foi Soares que salvou o país e hasteou a bandeira da recuperação. Mentira. Foi o FMI que também esteve cá nessa ocasião e que não deixou o afogamento nacional suceder. Não sei que tipo de dividendos Costa pretende extrair deste ângulo de abordagem ao poder, mas arrisco dizer que sente que não são favas contadas, que as legislativas não estão no papo absoluto, absurdo. Ao envolver o Partido Social Democrata na antecâmara das considerações, obriga esse mesmo partido a exercício semelhante. Ou seja, a uma declaração ténue de uma nota de intenções sobre constituições de sociedades gestoras de poder. Porque no fundo é disso que se trata. Uma empresa política repartida por quotas a que alguns dão o nome de bloco para soar a luta sindical, a levantamento de operários - demagogia central. Portugal, lamentavelmente, tornou-se refém do seu legado. Torna a encontrar as mesmíssimas sementes que a conduziram ao descalabro, à colheita rara de ideias caducas. A montanha pariu um bloco.
O que está a acontecer ao Partido Socialista (PS) é realmente muito positivo. Os políticos vêm sempre com aquela conversa de abrir os partidos à sociedade civil, da regeneração, do alargamento das bases, sem esquecer a máxima da sua importância na história da democracia em Portugal. Sem o ter planeado de um modo estratégico ou programático, o PS está a braços com um processo de saneamento. Mas há motins que são bem-vindos. O conflito visceral que opõe Seguro a Costa está a servir objectivos diversos, entre eles a falsa purificação do partido. Por mais voltas fratricidas que o PS dê, não se afastará do seu core-business. E a sua actividade nuclear (à semelhança dos outros partidos) consiste em redistribuir o poder pela rede de apoiantes que fazem com que os candidatos cheguem ao poder. No próprio partido as falanges esfregam as mãos pelas migalhas maiores ou menores que serão lançadas como prémio pelo apoio incondicional. Vozes desconhecidas, de norte a sul do país, começam a dar a cara na expectativa de participar na OPA lançada por António Costa sobre as bases distritais. A velha-guarda, depositada a longo prazo no capital ideológico do partido, não precisa de se mexer, de se fazer ao piso. Está presa aos valores que sempre lhe granjeou dividendos. Uns a favor do actual secretário-geral, outros a amparar aquele que almejam que chegue a primeiro, mas todas estas voltas não passam de um mesmo caminho batido, da mesma alvenaria que eterniza essa ideia de superioridade moral, política - como se os socialistas fossem os únicos bons de Portugal. E, nesse processo de clarificação, temos sabores para todos os gostos. Diria que o espectro ideológico de Portugal entornou-se todo na casa socialista. Se o Rato representasse a totalidade do espectro político de Portugal, António Costa seria um partido de direita, alicerçado em valores e processos conservadores - seria o CDS do PS. António José Seguro o BE do PS e Sócrates/Soares o PS do PS. Podemos, sem nos afastarmos dos socialistas, ler Portugal na sua íntegra. Aquele microcosmos, no seu presente estado de ebulição, serve de exemplo, de tabela períodica de como o processo político decorre em Portugal. Não sai dali. É como um toiro encrençado nas tábuas. Que se afasta um pouco, mas que regressa sempre à sua natureza. E enquanto decorrem as faenas na arena, Portugal resvala ainda mais para um beco sem saída. As frases feitas já não servem de consolo, quanto mais para um programa de governo.
António José Seguro recorreu à ideia das Primárias para ganhar tempo e inverter a tendência que lhe é desfavorável no partido, e consequentemente a nível nacional. Mas há muito mais que pode fazer. Pode, por exemplo, avançar com uma petição (com não sei quantas assinaturas) para que o Parlamento leve a discussão a reformulação da lei que rege os partidos políticos em Portugal. Pode concomitantemente, ou em caso de insucesso da solução que acabo de avançar, propor ao mesmo grémio legislativo um referendo nacional sobre e sua eligibilidade ou não, enquanto secretário-geral do PS ou candidato a primeiro-ministro (sem especificar por que ordem). Para além disto, pode ainda aliar-se a António Costa e negociar uma coligação intra-partidária. Para isso basta imitar o governo e a relação quase simbiótica entre Passos Coelho e Paulo Portas. Ou ainda, à chairman ou CEO, negociar com a empresa PS uma saída com um pacote indemnizatório com opções à mistura - uma rescisão quase-amigável de contrato político com uma pensão dourada e uma posição no conselho de supervisão do Partido Socialista. Ou finalmente, ir à guerra (quem vai dá e leva) e levar a maior coça política que alguma vez se viu em Portugal. Para já, enquanto não passam aos murros e pontapés, António José Seguro anda a monte, perseguido por captores da própria casa que o amamentaram, jotalizaram e que agora parecem dispostos a pô-lo no olho da rua. Uma outra opção seria requerer asilo político num país sem acordo de extradição. França não me parece que seja um destino favorável e Espanha também será de excluir agora que o Rei D. Juan Carlos colocou em marcha o seu próprio processo de sucessão. Realmente ando preocupado com o futuro de Seguro. Havia tanta gente que depositava esperança no rapaz e agora é o que se vê.
António Costa já está em campanha. Os votos dos lisboetas também servem para eleger primeiros-ministros. Não sei quantas alminhas vão passar pelo RockinRio, mas quando chegarem as legislativas, a promessa do regresso do evento também ajudará a amaciar o pêlo a uns quantos indecisos. Mas o futuro ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato a chefe de um governo nacuonal, usará, com o mesmo sentido despudorado, outras bandeiras de populismo. O clube de futebol de seu coração político certamente também irá merecer um prémio ou uma menção especial. Tudo somado na cartilha demagógica, falamos de umas centenas de milhar de eleitores que se deixam levar no embalo. Por causa deste tipo de comportamento, pago com dinheiros públicos, começo a sentir um nojo profundo em relação à política.
A ténue vitória dos socialistas nas Eleições Europeias serviu para agitar as águas da liderança do Partido Socialista (PS). António José Seguro saiu enfraquecido pelos resultados alcançados, e nem mesmo António Costa esconde o seu desalento. A percentagem obtida não pode ser considerada um sucesso político. Vitor Ramalho, embora não seja um dos barões do Rato, afirmou de um modo inequívoco que os socialistas estão obrigados a repensar a organização da sua casa. Não é preciso ser socialista para entender que o país beneficiaria com outro lider naquele partido. Não significa isto que António Costa seja a pessoa indicada para o substituir - é quem está mais à mão. O actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa também tem o seu track-record, e, embora possa parecer que não faz parte do grupo com responsabilidades no descalabro de Portugal, a verdade é que Costa também emana dessa mesma matriz de tráfico de influências e redes. O PS poderia aprender algo com a estrondosa "vitória" de Marinho Pinto. E o mesmo se aplica aos outros partidos políticos. A época dos jokers está aberta e a abstenção poderia ser reciclada e aproveitada para fazer renascer um nova vaga de confiança na política. Certamente que existirão por aí candidatos tresmalhados e com a folha limpa que poderiam ser a expressão dessa ideia de renovação. Penso que é positivo para o país que António José Seguro seja posto em causa de um modo intenso. O erro de casting de que foi alvo é brutal, a não ser que tenha havido uma agenda cínica que se serviu do secretário-geral como carne para canhão na guerra perdida à partida. A tarefa de oposição ao imposto pela Troika, sabíamos, de antemão, que seria sempre uma batalha em vão. As regras do jogo nunca poderiam ser postas em causa por quezílias internas ou por uma oposição agarrada a argumentos demagogos e populistas. Nessa medida, os grande estrategas socialistas preferiram não queimar o cartucho-Costa, reservando-o para outros voos - essa bala nunca poderia ser gasta num campo de batalha totalmente desnivelado. Talvez Seguro, embalado pelo entusiasmo hipócrita dos camaradas, não tenha dado conta, mas a sua missão está praticamente cumprida. O seu prazo de validade está a chegar ao fim. E não será tratado pela História de um modo particularmente interessante ou carismático. Foi apenas algo que aconteceu, alguém que passou pelo Largo do Rato sem passar pelo país real.
A máxima: "o que hoje é verdade amanhã não é", deve ser tatuada no corpo da política. Todos sabemos de antemão que a mudança de posições é uma constante da vida política. A morte ideológica, no seu sentido clássico, já ocorreu há muito tempo. Os discursos da Esquerda e da Direita confundem-se como premonições de irmãos gémeos. A disciplina de pensamento já não é o que era, e como dizia o outro: "prognósticos só no fim do jogo". Vem a propósito este post porque o impensável deve começar a ser considerado no que diz respeito a emparelhamentos que decorrem de legislativas, que servem para constituir governos de coligação. Embora Seguro repita jamais a cada interpelação, o contrário talvez não seja o caso. Passos Coelho sabe, no contexto de desalinhamentos na Esquerda (com a excepção do PCP), que deve amaciar o pêlo daqueles que precisa para prolongar o governo de Portugal. As Europeias podem ser um bom ensaio dessa lógica de encosto, a demonstração para inglês ver que a distância que separa o PSD do PS não é assim tão grande. Aliás, os socialistas foram tão ou mais neo-liberais que o actual governo, embora no defeso afirmem o oposto - neguem tudo. Uma metade do actual governo de coligação sabe que deve lançar as suas redes de pesca em mares orientais, mas essa é apenas a face visível do jogo. Nunca saberemos o que se passa nos bastidores e que realmente conta. Nunca saberemos que negociações decorrem entre os barões de São Caetano e do Rato. Ora veja-se; o PS não rejeita liminarmente os elogios do Governo no que diz respeito à elaboração do programa de fundos comunitários. E faz sentido que assim seja. Os fundos comunitários são como uma bandeira de tudo de bom e mau que a governação acarreta. Foram os fundos comunitários que alimentaram a ideia de grandeza. Foram os dinheiros comunitários que deram azo a desvios e desfalques. Portanto, em abono da verdade histórica, faz muito sentido que o PSD e o PS repartam o ónus desse pacto, desse património que geriram com tanta arte. Não me admiraria portanto, que nas legislativas que se seguem, uma nova coligação nasça com toda a naturalidade. Assim sendo, vislumbro a possibilidade de mais um governo de coligação repartido entre o PSD e os PS. Não encaro uma viragem radical do eleitorado, a penalização excessiva do presente governo nas Europeias que se seguem. Vejo algo distinto, mas frequente na grande mesa do convívio político em Portugal. Numa situação em que não há claros vencedores, em que há um empate técnico, as comadres lá terão de se entender para repartir o poder. De qualquer modo, não fará diferença alguma. Se são os mercados que mandam, se é a Troika que manda, então não interessa muito quem recebe as ordens. E é fundamentalmente isto que está em causa. A existência de uma força política capaz de demolir o edifício desse jugo, da submissão da austeridade imposta por decreto e chantagem financeira. Não me parece que o PS seja capaz de o fazer, de levar por diante a revolução, e, lá no fundo, Seguro sabe, mas não quer admitir, que terá de ser um menino bem comportado e acarretar as ordens dadas. Já lhe disseram várias vezes nas diversas visitas de avaliação do programa de ajustamento, mas ele ainda não confessou esse pecado mortal. Finge-se morto e nada diz.
Passos Coelho, há dias, afirmou que não fará uma coligação pré-eleitoral com o CDS. Agora, Paulo Rangel, assumindo a mesma orientação, aconselha "Paulo Portas a tomar um chá e ficar mais calmo".
Concordando com o que o Henrique Raposo escreveu há uns meses, não posso senão assistir com preocupação a esta escalada de posições tacticistas. Demonstra que o PSD está mais preocupado em obter uma maioria absoluta do que em gerar um consenso alargado que passe, obviamente, por uma coligação, que permita criar um movimento de fundo na sociedade portuguesa. Aliás, cheguei até a sugerir uma ampla coligação PSD-PS-CDS, claro que sem José Sócrates, mas as nossas personalidades à direita, a começar por Cavaco, foram demasiado medricas para isso, há uns meses. Não deixa, contudo, de ser uma possibilidade. Entretanto continuamos neste limbo que nos vai desgastando, enquanto José Sócrates nos leva para o abismo.
Separados, PSD e CDS correm o risco de entrar numa espiral eleitoralista que dividirá ainda mais a sociedade portuguesa. Aliás, o PSD de certeza que entrará nessa espiral. Juntos, podem obter uma legitimidade acrescida decorrente da respeitabilidade que lhes seria granjeada por uma postura de seriedade que apele à mudança, dando-lhes maior resiliência e autoridade para conduzir reformas estruturais no Estado. Mas, por agora, ninguém sabe sequer se teremos eleições legislativas este ano. O panorama é tão incerto que, como dizia há dias José Adelino Maltez, "nada é inevitável".
Porém, de um ponto de vista meramente tacticista, a avaliar pelas atitudes dos dirigentes do PSD, caro Paulo Portas, permita-me dar-lhe um conselho: deixe-se, como sugere Rangel, estar no seu cantinho. A haver eleições, sozinho o PSD não terá um discurso tão forte, especialmente porque terá que enfrentar PS, BE e PCP a explorar até à exaustão algo que por agora parece esquecido: a aprovação do Orçamento do Estado para 2011 com o aval do PSD. Será, com certeza, uma campanha extremamente violenta e intensa. Mantendo-se à parte desta contenda, o CDS terá espaço para se focar no PS, principal causador do descalabro que vivemos, e para mostrar aos portugueses o seu sentido de Estado e de responsabilidade. No fim, provavelmente obterá ainda mais lugares no parlamento. Nessa altura terá o PSD a bater-lhe à porta.
Estou fora de Lisboa, em trabalho, agora que se iniciam duas semanas loucas e com pouco tempo disponível para vir aqui. Não podia, no entanto, deixar de expressar o meu regozijo com o resultado alcançado pelo CDS/PP. O partido que muitos gostavam de ver desaparecer, tem vindo a crescer sustentadamente, e a pouco e pouco tem criado uma identidade própria. Por outro lado, o PSD lá continua com a sua crise, e vamos ver quanto tempo demora a oposição interna a manifestar-se. Entretanto, o CDS vai ganhando espaço aos sociais-democratas. De resto, noto com agrado que ainda não é desta (e espero que nunca venha a acontecer) que o Bloco vai para o governo, e a CDU foi relegada para quinta força política. Bom, a não ser que Sócrates se coligue com Louçã e Jerónimo, o que me parece altamente improvável. Por último, quanto à governabilidade do país, não se augura nada de bom. Quaisquer cenários que se possam conjecturar são pura especulação. Vamos aguardar para ver o que nos reservam os próximos dias.
Ainda não estão online os clips do excelente programa de hoje, de onde se recomenda aquele em que demonstram uma certa incoerência de Alberto João Jardim em relação ao Presidente da República, Cavaco Silva. Mas os Gato Fedorento estão novamente em grande, parecendo ter reencontrado aquilo que os tornou tão célebres. Têm feito um especial uso, em particular, daquela técnica incomodativa que os jornalistas abandonaram nos últimos anos, mostrar declarações de uma dada personalidade numa dada altura, contradizendo aquilo que o mesmo diz noutra altura. Bom, entretanto, aqui fica a fulgurante entrada de Groucho Marx na campanha eleitoral do PS:
(imagem tirada daqui)
Salazar continua na boca de todos. E ou muito me engano ou ainda virá à baila o fássismo, feixismo ou lá o que é. Portas compara Louçã a Salazar, Sócrates e João Soares insinuam que Manuela Ferreira Leite será um sucedâneo do ditador. Parece-me é que os políticos muito pouco democráticos que nos têm (des)governado terão um qualquer desejo secreto de governar em condições idênticas às de Salazar, e de ver o seu nome inscrito nos anais da História, à semelhança deste. Deixo aqui apenas aquilo que António Barreto há tempos escrevia:
Se de cada vez que o seu nome fosse invocado Salazar recebesse 1 euro, por esta altura já seria dono do Céu. Ou do Inferno.
(também publicado no Novo Rumo)
Do debate de Manuela Ferreira Leite com Paulo Portas, parece-me que há a ressalvar a defesa do indefensável por parte de MFL. Alberto João Jardim pode ter repetidamente excelentes resultados nas eleições regionais, mas isso não significa que a Região Autónoma da Madeira seja verdadeiramente democrática. MFL revelou a falta de conhecimento quanto à teoria e prática da democracia, legitimando-a com base apenas nos resultados das eleições. A isso chama-se democracia eleitoral e/ou iliberal. Para quem não saiba o que é, perguntem a Hugo Chávez.
Do debate de ontem retive algumas ideias que me parecem essenciais para entender os postulados que o Bloco de Esquerda defende. Logo a começar, Louçã fugiu à pergunta de Portas sobre a forma como conduziria as tão propagandeadas nacionalizações, nada referindo relativamente aos investidores estrangeiros e às indemnizações que teria (o contribuinte) que pagar. Nada referiu ainda em relação aos cerca de milhão e meio de pequenos investidores que têm participações na EDP ou na GALP. Louçã com o dinheiro dos outros era até fartar vilanagem!
Fugiu novamente à questão que Portas lhe colocou relativamente à nacionalização das patentes dos projectos de investigação científica. Na prática isto seria não reconhecer o mérito dos talentos que (ainda) temos em Portugal, impelindo-os a sair do país.
Quanto ao racismo social, de que dei conta aqui, a desculpa de Louçã para não fiscalizar os abusos na atribuição do RSI prendeu-se essencialmente com os abusos que se verificam na atribuição de subsídios à agricultura ou nas baixas médicas. Ou seja, só porque uns abusam, vamos deixar abusar todos, é isso não é? Entretanto continuamos a ter pessoas a viver em casas com rendas irrisórias, a receber o RSI e a ter actividades legais e/ou ilegais que lhes permitem ter grandes carros e outros sinais exteriores de riqueza, enquanto ao lado continuam pensionistas e reformados a viver na miséria, é isso não é? Fico sempre espantado de cada vez que oiço os argumentos bloquistas, não haja dúvida. Esteve bem Paulo Portas quando apontou as diversas medidas de apoio social criadas por governos de direita, desmontando o falacioso lugar comum de que a esquerda é que "tem o monopólio do coração e da solidariedade".
No tema que se seguiu, imigração, viu-se um Louçã desconhecedor das indicações provenientes de Bruxelas, e um Portas pragmático de acordo com essas mesmas recomendações. Em resumo, é necessário regular a imigração em função das oportunidades de trabalho e da exigência de deveres dos estados de acolhimento para com esses imigrantes, i.e., propiciando-lhes dignas condições de vida. De resto, esta política vai de encontro ao que estados como o Canadá e Austrália praticam de há vários anos a esta parte.
O debate finalizou com o tema da segurança. Louçã defende uma polícia de proximidade e de integração na comunidade, embora esteja contra o aumento de efectivos e acredite na socratista teoria da melhor organização, assente na transferência de agentes que estão afectos à burocracia das forças de segurança para o terreno. Como apontou Portas, muitos já não têm idade para ser operacionais. São, por isso, necessários mais efectivos, e leis mais firmes no combate à criminalidade, especialmente quanto à reincidência.
Agora falta aguardar pelo último debate antes do início formal da campanha. Ou muito me engano, ou Sócrates vai sair a ganhar do embate com MFL.
(também publicado no Novo Rumo)
José Sócrates ganhou claramente o debate a Francisco Louçã. Estava longe de imaginar que isto pudesse vir a acontecer, especialmente porque já esperava um debate centrado no tema da economia, área de eleição e especialização de Louçã. A irritação que fez Sócrates sair mal na fotografia em querelas parlamentares com Louçã no passado não se fez mostrar. Pelo contrário, um José Sócrates calmo desconcertou Louçã, algo nervoso. O segundo trunfo de Sócrates foi limitar-se a desmontar os preconceitos ideológicos patentes no programa do BE, que Louçã teve o desplante de desmentir. À questão das nacionalizações Sócrates perguntou de forma muito clara, e que serve para todos quantos intelectualmente retrógados e apologistas do colectivismo: "No dia seguinte a nacionalizarmos a banca, os seguros, a energia, estaríamos melhor?". Pois não, não estaríamos. A prová-lo estão todas as experiências do comunismo real, exemplos gritantes do crasso erro de ter uma economia centralizada, planificada e totalmente dirigida pelo estado. Como Sócrates apontou, as nacionalizações levaram sempre à total miséria.
Já ontem Paulo Portas tinha feito o mesmo em relação a Jerónimo. O problema de Jerónimo e de Louçã são os exacerbados preconceitos ideológicos. Ambos preferem que o sistema de saúde seja inteiramente público, esquecendo-se da atrocidade que são as eternas listas de espera para cirurgias tão simples como a remoção de cataratas. Como muito bem colocou Portas, "Em nome de que ideologia deve um doente ficar à espera de uma consulta?"
Entretanto, quanto à visita de Ferreira Leite à Madeira, subscrevo na íntegra o Carlos Abreu Amorim: "Não é possível andar a representar convictamente o ‘Portugal de Verdade’, tentar ser a encarnação da democracia transparente, espalhar reclames em toda a parte acerca do respeito pelas pessoas, jurar que, ao contrário dos adversários, nunca irão asfixiar democraticamente ninguém e, acto contínuo, branquear aquela espécie de Chávez insular. Porque são precisos uns votitos. Porque, para ganhar, o PSD de Manuela Ferreira Leite é capaz de tudo. Como qualquer outro partido ou político profissional."
Hoje viu-se também, na SIC, uma peça jornalística que mostrou a faceta mais pessoal de Paulo Portas, um homem descontraído e à vontade em frente das câmaras, como é seu apanágio. E na sua visita ao mercado mensal de Évora, foi certeiro como sempre, criticando os caciquismos e o país onde o estado é o maior empregador, especialmente por intermédio das câmaras municipais, onde muitos têm medo de perder o seu emprego.
Aproveito ainda para, em relação ao post da Cristina, afirmar apenas que o único partido merecedor do meu voto, tal como o foi nas europeias, é o CDS, pelo que respondo "sim" ao mesmo apelo, subscrevendo ainda o André Azevedo Alves:
Concordo que o melhor do CDS está quase todo no Rua Direita (falta por exemplo o Michael Seufert, insurgente, líder da Juventude Popular e número 4 na lista pelo Porto) mas o ponto fraco do partido é o pior do CDS que, apesar de não estar no Rua Direita, continua a ter um peso decisivo na direcção nacional do partido e na respectiva agenda.
Quando o melhor do CDS determinar o rumo do partido talvez o partido possa ter o fio condutor que faz falta à direita em Portugal. Até lá, ficam os contributos de um excelente blogue que está bastantes furos acima da direcção do partido que apoia.
(também publicado no Novo Rumo)
.jpg)
(imagem tirada do Politikae)
Os cartazes do CDS/PP são extremamente certeiros, colocando o dedo na ferida em questões essenciais que têm flagelado o nosso país. Será que alguém, do PS ou PSD, do Jamais ou do Simplex, se quer atrever a responder a estas 4 perguntas:
Há bom ensino sem autoridade dos professores?
É justo dar rendimento mínimo a quem não quer trabalhar?
Porque é que os criminosos têm mais direitos que os polícias?
É normal proteger o BPN e abandonar as PME'S?
(também publicado no Novo Rumo)

Inscrevi-me tardiamente e em vão para a tão afamada conferência de José Sócrates com os bloggers. Era logo dos primeiros suplentes. De qualquer das formas já tinha outros afazeres e acabaria por não poder ir. E parece que não perdi muito. Eu e todos os outros que estavam a contar assistir em directo. Ao que parece houve uma falha técnica. Bom, até eu com um portátil, uma ligação à net razoável e uma webcam consigo fazer broadcast para o Youtube e Facebook. Grandes técnicos esses, ao que parece até são coordenadores do Plano Tecnológico. O país das Novas Oportunidades e dos Magalhães sempre a inovar - é o que dá tirar cursos nas Independentes e Farinhas Mayzena...
Entretanto já vão em três os blogs dos partidos para as legislativas: Simplex (PS), Jamais (PSD), Rua Direita (CDS/PP). Sou suspeito porque já estive para me filiar na JSD - descobri ainda há dias finalmente a causa da rejeição da minha ficha, e ainda bem que a rejeitaram -, e fui recentemente convidado para me filiar na JP (não me filiei) - ainda gostava de perceber porque é que de tantos amigos e conhecidos que tenho no PS/JS nunca nenhum me convidou para essa agremiação, embora obviamente faça uma ideia... - e embora as minhas reflexões não encontrem pleno eco no espectro partidário português, aqueles com que ainda me vou identificando em certos aspectos estão precisamente no que poderá ser um resquício de uma direita liberal-conservadora, o CDS/PP, como aponta a Cristina. Por isso, só espero que por ali a elevação do nível do debate seja uma constante, ao contrário do que se tem passado nos outros dois blogs, e não caiam na tentação da demagogia como tem sido apanágio do Simplex (gente que acha que a política e a retórica são coisas simples só pode mesmo recorrer à demagogia).
Já agora, notem-se estras três ideias assinaladas pela Teresa Ribeiro. Subscrevo esta na íntegra:
Não sou um homem de partido e quero é que eles (os partidos) se danem pelo que nos têm tramado. Manuel Villaverde Cabral, i (11.7.09)