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Agarol televisivo

por Nuno Castelo-Branco, em 06.07.14

Eixo do Mal encerra a grande vantagem de servir como bomba de extracção de todos os dejectos semanalmente expelidos pelo sistema vigente. Poupa-nos o trabalho de pesquisa para um post. O eixo balsemónico tem por norma a escolha de dois ou três casos candentes, ou por outras palavras, as principais vigarices, incompetências ou faltas de juízo protagonizadas pelos áulicos do regime:

 

1. A reunião do Conselho de Estado que  aquele génio encerrado numa garrafa de Agarol considerou interessante, foi coisa tão relevante como uma visita presidencial a um torneio de golfe em Cascais-Quinta da Marinha. Quando pensamos que aquele órgão gloriosamente serviu durante a Restauração e decidiu a salvação da soberania quando transferiu a capital portuguesa para o Rio de Janeiro, fácil é percebermos aquilo que hoje é. Nada.

 

2. A Intifada no PS, esta semana desenvolvida com uma autodestruição de cartazes e mais algumas sandices protagonizadas por Seguro e pelo piramidal Costa. É interessante verificarmos as cada vez maiores semelhanças entre o PS e o  seu predecessor Partido Progressista da Monarquia Constitucional. Em matéria de faltas de tacto, mau perder, urdidura de influências dos finca-pé do esquema vigente, pusilanimidade e descarada inépcia demonstrada em Lisboa, Costa facilmente consegue bater o há quase um século desaparecido sr. Alpoim:  eu quero e desejo o poder pelo poder; nada mais. Onde isto poderá chegar, já todos adivinham. 

 

3. O Caso BES, assunto tão sórdido quanto pouco surpreendente, pois há anos todos sabemos ou desconfiamos de algo que agora é evidente. Voltando ao génio do Agarol, é sempre oportuno recordarmos os meandros da ascensão do sr. Sócrates ao cargo de 1º ministro, logo após uma embaixada chefiada pelo então chefe do BES e a consequente dissolução parlamentar decidida como se de um laxante se tratasse. Todos agora se arrepelam pela nomeação da gente do PSD para a gestão do BES, coisa tão expectável como lógica neste regime. Dantes, era normal lermos e ouvirmos protestos acerca das interferências dos banqueiros na política, mas pelos vistos chegou um tempo de vindicta, passando os políticos ao grande sacrifício da gestão daquelas crateras capazes de engolir o país inteiro. Surpreendente é a reacção da nossa gauche a esta escalada PSD, até porque segundo os cânones ideológicos, à direita compete o interesse por esse sector da economia e finança de mercado. Ou pretenderiam o PC e o BE uns tantos lugares naqueles antros da mais desbragada plutocracia? Com o PSD - o PS já lá está há muito - no BES, talvez o regime consiga esconder o que por lá alegadamente se passa há décadas e com isto salvar-se-ão as vidinhas e carreiras de muita gente do hemiciclo e arredores, gauche incluída. 

 

 II

A visita dos Reis de Espanha

Já aqui tinha sido dito que para qualquer comentador da nossa praça, antes de qualquer charla a respeito da Monarquia, é sempre necessário recorrer ao cerimonial da ablução republicana. A partir daí, da forma mais alvar podem eles tecer loas á Monarquia, seja ela a belga, a espanhola ou a britânica. Desde que não seja a hipotética portuguesa, tudo muito bem. Nisto existe uma unanimidade em todos os canais televisivos e no caso da TVI24, tivemos hoje o testemunho do jornalista Pedro Anunciação. O homem - "não sou monárquico" but no, but yeah, but no, but yeah - disse duas ou três coisas com algum sentido.

 

Durante alguns minutos, vi-me transportado para a sede do PPM dos anos 80, então sita na Rua da Escola Politécnica. Foi uma autêntica viagem no tempo, parecendo estar a escutar o Rodrigo de Moctezuma,  o Morais Sarmento, o Melo Lapa e alguns anónimos  Zekas que por lá pontificavam. A cara, o tom de voz, o penteado e a indumentária, o deslumbramento pelo Espanha, Espanha, Espanha, o desbobinar de nomes de gente bem - mas afinal os Espírito Santo são mesmo gente bem cuja ascendência remonta a Tutmés II, ou o costado da primata Lucy é muito mais credível? - , comezainas, voyages, encontros fortuitos em paraderos nas imediações de Badajoz, etc. A isto e pouco mais se resume aquilo que descobrem "na Monarquia". 

 

De Filipe VI ficamos a saber que é por Pedro Anunciação considerado como monocórdico, algo que que teremos de decifrar na sua decerto elaborada  escalpelização daquilo que o Rei de Espanha é  como ser humano e homem de Estado. Pois bem, longe de campechanismos, este  tom monocórdico parece antes de tudo significar ponderação, prudência e poucos "tu cá tu lá" tão ao gosto do nacional porreirismo que em toda a Península vinga. O jornalista é capaz de estar certo em algo que talvez não tenha considerado: aquilo que os espanhóis mais criticavam em João Carlos I, era precisamente o que a generalidade dos europeus consideram ser características dos próprios espanhóis. Como Filipe VI "sai à mãe", parece que podemos antever muita seriedade e um estrito sentido do dever. Um aborrecimento, portanto. 

 

publicado às 19:57







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