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Também tenho uma palavra a dizer sobre o debate entre António Costa e António José Seguro. Sim, já todos sabemos que Seguro, na sua versão "animal feroz", surpreendeu António Costa e o país. Claro que certa direita que parece quase odiar António Costa, principalmente por temer que este consiga vencer a coligação PSD-CDS nas próximas eleições legislativas, saiu a terreiro exultante com Seguro, não lhe poupando elogios. Boa parte da mesma direita que se dedicou a caricaturá-lo e menorizá-lo ao longo dos últimos 3 anos. 


Ainda que concorde com o João Gonçalves a respeito da recorrente prática de refúgio no "ataque pessoal", pois que em política, ao contrário do que António Costa dizia há tempos, os julgamentos de carácter são essenciais, não nos esqueçamos que António Costa também poderia ter explorado semelhantes contradições. É que António José Seguro era, alegadamente por princípio, contra a implementação de eleições primárias no PS, mas passou a ser a favor destas quando confrontado por Costa. Afinal, já dizia Sir Humphrey Appleby que "where one stands depends upon where one sits." Seja como for, subscrevo o Embaixador Francisco Seixas da Costa: «Espero que AJS tenha dado por ditas todas as queixas pessoais que tem contra AC. Era o que faltava se, nos próximos dois episódios, viéssemos a assistir a um "remake" do tema da "deslealdade" e da "traição".» 


António Costa evitou comprometer-se em relação a alterações na carga fiscal e a eventuais coligações, o que lhe dá maior margem de manobra, mas que tanto pode passar por moderação e realismo, para quem tenda a simpatizar com ele, como por tacticismo, para os que prefiram vê-lo derrotado por Seguro. 


Mas, agora que os ânimos já acalmaram um pouco, quanto a Seguro, que partindo em desvantagem se vê na obrigação de jogar mais duro, prometer demitir-se se tiver de aumentar impostos leva a política portuguesa para um domínio algo surreal. Se eleitoralmente poderá passar muito bem, não deixa de me recordar o episódio em que Passos Coelho, na campanha para as legislativas de 2011, quando questionado por uma criança se aumentaria impostos caso chegasse ao poder, recusou liminarmente tal ideia. E isto chama-se demagogia e populismo. Sem esquecer que Seguro descarta também qualquer possibilidade de coligação com o PSD e o CDS, o que lhe retira precisamente o espaço de manobra que António Costa pretende preservar. 


Por último, permitam-me ainda assinalar que a percepção sobre a vitória no debate também depende muito da gestão de expectativas. Naturalmente, esperava-se que António Costa fosse claramente superior a António José Seguro. Não o foi, e a agressividade de Seguro criou a sensação de que esteve melhor do que o seu oponente. Mas pelo que acima escrevi, ou seja, a atitude de vitimização de Seguro, as promessas algo surreais e o reduzido espaço de manobra em que voluntariamente se coloca, parece-me que este não é um candidato que possa viabilizar uma futura opção de governo, caso os resultados eleitorais não ditem uma maioria absoluta.

publicado às 20:14







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