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Antes que António Costa, Catarina Martins ou qualquer outro oportunista aproveite o desfecho das eleições na Grécia, e a "re-eleição" de Alexis Tsipras, para tecer considerações de ordem revanchista-revolucionária, convém lembrar o seguinte; qualquer que seja o governo que se venha a formar naquele país, mais de 60 medidas prévias à recepção de dinheiros do terceiro bailout devem ser aprovadas e implementadas, um vasto conjunto de privatizações deve ser realizado e a pressão da Troika manter-se-á para efectivamente controlar os mesmos. Quem ganhou as eleições foram os credores da Grécia e não o cidadão ateniense ou os residentes da ilha de Lesbos. Para complicar ainda mais a equação, a crise de refugiados (ou migrantes, conforme a etiqueta de correcção política) será mais um factor de desequilíbrio. Veremos até que ponto um governo de inspiração maoista (com possíveis laivos de Direita-extrema à mistura) resiste à tentação Orbaniana de instituir um regime de protecção reforçada dos interesses dos seus nacionais, levantando barricadas para deter forasteiros. São externalidades desta natureza que podem alterar o rumo dos acontecimentos. Portugal, que se encontra nos antípodas geográficos da Europa, alegadamente não corre o risco de ser atropelado por um influxo maciço de gentes fugidas de regimes persecutórios. Mas não é bem assim e convém lembrar que todas as hipóteses devem ser consideradas. Por exemplo, um avanço notável do ISIS (Estado Islâmico) no Norte de África, com uma eventual queda de regime em Marrocos que transformaria Algeciras e o Algarve em pontos de desembarque de refugiados. São noções desta amplitude que devem fazer parte da visão de estadistas, mas com tanta conversa sobre reposição de pensões e inviabilizações de Orçamentos de Estado, poderemos ficar à mercê das políticas de taberneiros que apenas cuidam do seu quintal. Os tempos não são para facilidades e demagogia barata, embora a tentação seja grande.

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publicado às 20:09


1 comentário

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De Nuno Castelo-Branco a 21.09.2015 às 07:31

Pois, a questão dos "migrantes- ver o significado no diccionário, estou farto de bullying mediático - é o primeiro grande problema que Tsipras poderá, ou não, enfrentar. A verdade é que o jogo está nas suas mãos, apenas o seu governo poderá decidir a aplicação do estipulado pela própria UE, talvez por isso mesmo podendo vir a ser tratado como um Orban II. Para isso tem a felicidade de poder contar com os seus colegas da extrema-direita a quem poderá atirar as responsabilidades pelo "odioso de toda esta questão. Não tem muitas escolhas, a menos que faça em toda a vastíssima costa grega, o mesmo que os alemães fizeram com a Organisation Todt na zona do Canal e na Normandia. Mesmo asim, teriam de abandonar as ilhas à sua discutível sorte.


Quando ontem saíram os resultados, pensei exactamente o mesmo e foi com um sorriso que escutei a reacção dos convivas do costume: nem o BE nem o PC conseguirão entender que os gregos se limitaram a escolher quem, talvez para humilhação dos próprios executores, será forçado a implementar o acordo? 


Gostem ou não gostem - e não gostam, tenho a certeza -, aí têm a pastilha sem cobertura adocicada. Portugal já o fez e da forma dolorosa que todos experimentámos. Isso mesmo dizia anteontem um grego a um entrevistador de um dos canais portugueses, fazendo a oportuna comparação. Pois, a vida não é fácil.

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