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António Costa e Seguro directo

por John Wolf, em 28.08.14

Jogo limpo e política não combinam. Aliás, iria mais longe. Política é uma actividade suja pela sua própria natureza. Alguém no seu perfeito juízo acredita, por um instante sequer, que António Costa prescindiria da sua principal ferramenta de comunicação política? O alegado presidente da Câmara Municipal de Lisboa sabe muito bem que as batalhas se ganham nas televisões, em directo, ou enquanto motivo de reportagem das peregrinações de norte a sul do país. António José Seguro faz o que lhe compete. Expõe a vantagem comparativa do seu adversário, mas ao fazê-lo, demonstra as suas fragilidades. Contudo, a pergunta deve ser colocada de outra forma. A SIC apoia qual dos candidatos e porquê? A estação de televisão nem sequer é tímida na declaração da sua preferência. Existe uma relação histórica entre as vitórias socialistas e o tempo de antena cedido pela SIC. Assim foi na campanha de Guterres e assim será com António Costa, que não precisa nem deseja debates com Seguro. Costa tem feito um bypass a Seguro de um modo prepotente e com um sentido de desprezo deplorável. Trata o homem como se não existisse e este não encontra modo de dar nas vistas. António Costa tem uma agenda social carregada que lhe granjeia grande visibilidade. É a entrega do troféu da Volta a Portugal, é a primeira fila na Moda Lisboa, é a inauguração disto e daquilo, e, para Seguro, pouco sobra. Seguro tem rapidamente de inventar uma fórmula, de se lançar numa operação dirigida por si. Se eu fosse Seguro, participava numa conferência TED(io). Convidava membros parlamentares de todos os partidos, mas excluiria António Costa, para um debate em directo numa sala ampla com eco e tudo. Se eu dirigisse a campanha de Seguro, certamente que teria ideias um pouco mais ousadas e desconcertantes. Porque de politicamente correcto, este Seguro tem em demasia.

publicado às 15:48


4 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 28.08.2014 às 16:38

Nem conseguirei dormir, tal a expectativa pelo debate "debalde". 
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De Nuno Castelo-Branco a 28.08.2014 às 17:04

A propósito, não quererá o Sr. Seguro pegar nos temas candentes da cidade de Lisboa? São manancial para horas de ininterrupta preparação de artilharia...
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De Francisco a 29.08.2014 às 01:35

Confesso que ficaria um pouco desiludido com a gerência da TED se permitissem que aquele espaço (às vezes enTEDiante sim :P) servisse de plataforma de campanha partidária. Afinal é suposto haver algum tipo de critério de inteligência em relação aos speakers não?

Mas adiante. Também concordo com a sua visão neste caso. António Costa está a demonstrar os seus anos já consideráveis de experiência. Suspeito que Seguro vá ser mais uma vítima da política, oh da injusta política. Merecia melhor? Há quem pense que sim, pela sua dedicação e fidelidade ao partido e outras coisas digamos bonitas, se bem que o bom senso dita que nestas situações apenas os imediatos beneficiados e as pessoas mais  passionais é que porventura partilham desta opinião.  Conseguirá ele competir com AC de uma forma eficaz? Duvido. Existe uma noção que se está a votar no próximo PM de PT. E neste prisma, Seguro aparece algo fragilizado por simplesmente não possuir o perfil habitual e quer queiramos quer não, muitas vezes na política, o que parece ser é (com as devidas ressalvas democráticas).

A quem é que Seguro apela? Qual é a sua base? Dentro do partido não sei ao certo, mas fora dele penso que a um grupo de eleitores cada vez mais reduzido. Aquele formalismo de qualidade mediana descendente que o senhor emana, aquele olharzinho de carneiro mal morto, aqueles casaquinhos tipo lacoste fazem-no parecer uma imitação muito mais baratinha de um Hollande, algo que já por si não traz lá grande coisa.
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De John Wolf a 29.08.2014 às 08:56

Caro Francisco,
Grato pelo comentário que amplia as considerações que giram em torno de Seguro.
Cordialmente,
John 

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