Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




By the rivers of Babylon

por Nuno Castelo-Branco, em 01.09.14

A mensagem que passa para a generalidade da receosa opinião pública ocidental, apenas indica algo de muito embaraçoso: desespero.

Num ápice, os guerreiros curdos passaram a ser uma das rações de emergência a tomar por quem se sente ameaçado pelo pretenso califado. E quem tem então essa sensação de insegurança? Todos, desde Assad aos governantes de Bagdade, seguindo-se-lhes o rei Abdalá, o rei Abdulá, os EUA, toda a Europa e talvez, Israel.

 

Nos Estados Unidos da América, é praticamente consuetudinária uma expressão que indica um programa tendente à obtenção da vitória: Peace on Earth. Quem queira um dia sentar-se no cadeirão da Sala Oval ou no trono de Miss USA, infalivelmente a pronunciará. 

 

O Prémio Nobel da Paz, o Sr.  Obama, não julga oportuna a deslocação de forças de combate para o prolongamento daquilo que foi a campanha do Iraque. Queiramos ou não queiramos aceitar este facto, os actuais acontecimentos são indissociáveis daqueles ocorridos há uma década. Britânicos - os verdadeiros e não os Omar, Karim e Moamedes das notícias trágicas -, os alemães, australianos e outros, declaram todo o interesse no envio de armas aos até agora incipientes peshmergas. A ser assim, apenas duas questões:

1. Conhecendo-se a até agora férrea oposição turca - e Síria e iraniana - a qualquer concessão ao grupo curdo que ameaça as fronteiras gizadas após a queda do Império Otomano, como reagirá Ancara - ou melhor dizendo, os seus militares - a este súbito e desvelado amor aos combatentes curdos? Não temerão a repetição dos iniciais entusiasmos pelos mujahedin dos tempos da guerra russo-afegã? 

 

2. Uma hipotética vitória curda, mesmo que poderosamente apoiada pelo Ocidente, não poderá deixar de ter reflexos políticos em termos de organização territorial, ou seja, o fim da sagrada intangibilidade das fronteiras. 

 

A proclamação da independência do Curdistão iraquiano será algo de pacífico para a Turquia, Irão, Síria e para a própria ficção que hoje é o Iraque? 

 

À primeira vista, a ingrata solução apenas poderá ser aquela que todos temem e ainda vão negando: a colocação de um importante contingente internacional naquele teatro de operações, significando isto a resolução de vários outros problemas aparentemente insolúveis: a relevância do interesse do apoio russo e as incontornáveis negociações com Assad. Com a situação criada na zona a norte do Mar de Azov, até poderíamos de forma anacrónica e irrealista, traçar um paralelo: Suez e o praticamente simultâneo cerco e destruição de Budapeste, em 1956. É que nestes casos da grande política, ao oportunismo chama-se oportunidade. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:41


1 comentário

Sem imagem de perfil

De João Pedro a 01.09.2014 às 17:58

Nos últimos tempos, a posição da Turquia para com o Curdistão tem-se tornado mais flexível. Passou de opressão de um povo pária a um aliado tácito pela estabilidade na região e barreira ao ultra-salafismo do ESIL. Mas pode temer que a zona sudeste do seu teritório procure juntar-se aos seus "irmãos". A Síria tem mais com que se preocupar. O Irão certamente não verá com bons olhos, embora a cisão do Iraque pudesse aumentar a hegemonia dos xiitas. Mas seria uma correcção histórica aos traçados do pós Império Otomano, que deixaram os curdos de fora, espalhados em vários novos estados e à sua mercê (como Saddam Hussein tão terrivelmente demonstrou).
O paralelo com o Suez-invasão de Hungria é bem oportuna e também j´me tinha passado pela cabeça.

Comentar post







Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas