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Da profundidade (e)leitoral

por Fernando Melro dos Santos, em 28.06.14

(em actualização)

 

Jornais, quase todos, noticiam em tom de denúncia tocha-e-forquilha que a questão 5.2 do exame de Matemática continha um limite "que só se pode calcular na universidade". 

 

E pronto, assim. 

 

O resto é o espelho das urnas. Uma escassez confrangedora de interesse pelas camadas menos evidentes da actualidade, a raiva odiosa e escarninha a quem sobressai da mediocridade ou critica a ração que brota das manjedouras comunitárias, e a redundância, sempre a redundância.

 

Haverá alguma razão genética para que esta gente seja assim, crédula, manipulável, mesquinha, pequena, desinteressante, desinteressada, e tão perigosamente habilitada a direitos sem escrutínio?

 

O que a turba quer é que lhes sejam dados a apontar fascistas. "Empresas" por nomear que não deixam que mulheres suas colaboradoras engravidem. Empresários fascistas. "Limites" por particularizar num exame que causaram uma quebra de açúcar no sangue da Serafina. Crato fascista. "Cortes" em apoios e subsídios que nunca deviam ter sido concedidos, e só o foram para caçar votos. Passos fascista. 

 

Os únicos fascistas (isto é quase como pedir a uma vara de porcos que grunha em latim) que por cá andam são vocês, amigos, que no lugar daqueles a quem criticam transformariam, de acordo com o velho adágio de Alberto Pimenta*, o que resta do país em cacos ainda mais fininhos. 

 

 

* "o sonho do pequeno filho da puta é ser um grande filho da puta"

 

 

 

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publicado às 13:22


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