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Dos táxis imundos de Lisboa

por John Wolf, em 23.01.15

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Uma vez que nos encontramos em plena época de caça ao veículo que tenha nascido antes de 1996, gostaria de lançar outro mote respeitante à poluição, à saúde dos utentes - dos passageiros, entenda-se. Convido-vos a deixar as virtudes do carro particular na garagem mais próxima e a entrar no primeiro táxi que conseguirem parar. Hoje mesmo fí-lo, e mais uma vez fui confrontado com uma lixeira em andamento. Mas vamos por partes. Comecemos pelo factor humano. O condutor deste táxi para além de praticar uma modalidade de pára-arranca indutor de vómitos, descurará, e provavelmente desde sempre, a sua higiéne pessoal. O hálito projectado pelo espelho retrovisor tresandava a uma misto de urina e feijoada transmontana. Os assentos de tecido húmido decadente estavam literalmente ensopados em imundice pegada esquecida por uma catadupa de passageiros de perfume duvidoso. Os tapetes de borracha que beijavam as solas dos meus botins, corroídos pelo bicho da marcha - de certeza que as minhas solas apanharam uma doença qualquer. As pegas das portas com resquícios de corrimentos de vária espécie - não perguntem de que género que eu não respondo. Enfim, um martírio do princípio ao fim da viagem. António Costa bem pode estar preocupado com questões de aparência do parque automóvel da cidade de Lisboa e brincar às "capitais modernas", mas o autarca-mor não tem a mínima ideia do que falo. Não anda de táxi. Quer lá saber. Para quando um regulamento "a sério" da Câmara Municipal de Lisboa respeitante às condições que os táxis e seus condutores devem observar? Para quando uma brigada de intervenção para proteger a saúde pública? Isto é uma vergonha. Ah, falta apenas um detalhe. Sim, o taxista tinha o tal mindinho para esgravatar o ouvido e sacar cêra para fabrico, quem sabe, de uma vela de santuário - Santo António.

publicado às 17:36


4 comentários

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De Joaquim Lopes a 24.01.2015 às 12:02

Ao contrário do que este texto/opinião generalista (com os "perigos" inerentes à generalização das opiniões) possa fazer querer também há serviço de táxi com muita qualidade em Portugal.
É pena que tipos como o Sr.
John Wolf que talvez ande de táxi 1 ou 2 vezes por ano, tal como a sua frase "Convido-vos a deixar as virtudes do carro particular na garagem mais próxima e a entrar no primeiro táxi que conseguirem parar"deixa transparecer, logo à primeira tentativa tenha apanhado um táxi chunga na sua, provavelmente, única viagem de táxi anual...
Serviço de táxi é, infelizmente, como os restaurantes; há de tudo; desde os mais chungas até serviço personalizado de alta qualidade.

Joaquim Lopes
(um motorista de táxi que não se revê no texto do Sr.
John Wolf...)
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De John Wolf a 24.01.2015 às 13:10

Grato pelo seu comentário, Exmo. Sr. Joaquim Lopes,

Ainda bem que temos profissionais de grande qualidade. Sabe perfeitamente ao que me refiro - mas infelizmente são muitos casos que  mancham a reputação geral dos taxistas. Mas convenhamos, há melhorias enormes a realizar. Não existem matérias que não devem ser levadas à discussão. O sentido crítico deste "tipo" (como me define) não se restringe ao sector dos transportes. Sou igualmente exigente em relação às profissões que exerço por ambicionar um mundo melhor e apreciar a competência. E não, sirvo-me de táxis com mais frequência do que descreve. Ainda bem que não se revê no meu texto. Apenas significa que tem brio no exercício da sua profissão.
Cordialmente,
John
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De Mário a 03.04.2015 às 23:39

Olá sr. Passageiro,  apesar de poder ter razão sobre a limpeza de alguns motoristas e táxis de Lisboa, estes são uma minoria que efectivamente não representa de forma alguma os Motoristas de Táxi,  quem é desleixado no Táxi e na sua higiene já o era de certo antes de abraçar esta profissão,  não foi o taxi que o fez ser assim. 
Por outro lado gostaria de lhe dar uma visão do outro lado, da do motorista de taxi que todos os dias transporta pessoas nos seus afazeres diários, pois esses clientes (como o meu caro amigo) transportam para o taxi todos os seus odores possíveis e imaginários, sejam os que não tomam banho de manhã,  sejam as senhoras que estão naquela altura do mês e saíram atrasadas e não tiveram tempo de fazer a sua higiene matinal, seja aqueles indivíduos que o seu cheiro e de tal forma desagradável que obriga o motorista a ir de vidro aberto,  apesar de estar a chover, para tentar não mandar o almoço fora, entre outros tantos exemplos que seria fastidioso estar aqui a relatar.
sim existem motoristas fé taxi que cheiram mal e não têm higiene, mas são muitos mais os clientes que não têm o mínimo de higiene para serem transportados de Táxi.  Já agora só para acabar caro sr., se o banco atrás por vezes está sujo, são os clientes que lá se sentam que os sujam...
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De Mário a 03.04.2015 às 23:41

Olá sr. Passageiro,  apesar de poder ter razão sobre a limpeza de alguns motoristas e táxis de Lisboa, estes são uma minoria que efectivamente não representa de forma alguma os Motoristas de Táxi,  quem é desleixado no Táxi e na sua higiene já o era de certo antes de abraçar esta profissão,  não foi o taxi que o fez ser assim. 
Por outro lado gostaria de lhe dar uma visão do outro lado, da do motorista de taxi que todos os dias transporta pessoas nos seus afazeres diários, pois esses clientes (como o meu caro amigo) transportam para o taxi todos os seus odores possíveis e imaginários, sejam os que não tomam banho de manhã,  sejam as senhoras que estão naquela altura do mês e saíram atrasadas e não tiveram tempo de fazer a sua higiene matinal, seja aqueles indivíduos que o seu cheiro e de tal forma desagradável que obriga o motorista a ir de vidro aberto,  apesar de estar a chover, para tentar não mandar o almoço fora, entre outros tantos exemplos que seria fastidioso estar aqui a relatar.
sim existem motoristas fé taxi que cheiram mal e não têm higiene, mas são muitos mais os clientes que não têm o mínimo de higiene para serem transportados de Táxi.  Já agora só para acabar caro sr., se o banco atrás por vezes está sujo, são os clientes que lá se sentam que os sujam...
As.: Mário Motorista de Táxi. 

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