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1941, os alemães entram na Ucrânia
É verdadeiramente cataclísmica, a torrente de disparates que por estes dias é possível lermos e ouvirmos a propósito dos acontecimentos ucranianos. Reage-se sempre segundo as impressões transmitidas pela televisão, numa eterna recriação dos gloriosos dias que em boa hora derrubaram Ceausescu e com ele, toda a restante tralha que durante décadas esmagou a Europa central e oriental.
Este é um caso muito diferente, implicando para uns tantos, o quase imediato el dorado dos bons negócios que simultaneamente arruínam aqueles que aparentemente seriam os primeiros interessados numa idílica adesão europeia. No outro campo, o do status quo, estão os russos, bem cientes às suas próprias custas, daquilo que potencialmente significa uma Ucrânia aberta a forças que um dia poderão ser hostis. Se a isto juntarmos a difícil gestão de um país que pende entre o ocidente e o leste e a não menos importante alínea do controlo da energia que passa pela Ucrânia em direcção à Europa central, temos então um quadro ainda mais complexo.
Há setenta e três anos, muitos dos soldados da Wehrmacht, cuidadosamente camuflados nas imediações da fronteira delimitada pelo pacto Germano-Soviético de 23 de Agosto de 1939, estavam piamente convencidos de fazerem parte de um corpo expedicionário que iria ocupar a Ucrânia arrendada por Estaline à Alemanha. Os soviéticos eram pródigos na ajuda material concedida ao Reich, justificavam todas as acções militares - Escandinávia, Bélgica, Holanda, Grécia - até então decididas por Berlim e eram bons anfitriões dos seus mais recentes aliados. Assim sendo, nem para os soldados alemães, nem para o Kremlin, existia qualquer justificação para o desencadear da guerra.
O conflito tornou-se num facto e os russos não esqueceram. A questão que naqueles dias de tórrido verão de 1941 se colocava a muitos dos dirigentes de Moscovo, era esta:
- E se tivéssemos perdido a Ucrânia em 1920?
Este artigo é esclarecedor acerca do que verdadeiramente está em causa.