Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

"Evitar as barracas" — são algumas das palavras da candidata à Câmara Municipal de Lisboa (CML) Alexandra Leitão. Se não soubéssemos o contexto, diríamos que a língua socialista é muito traiçoeira. Barracas são muitas — o Processo Marquês, o falhanço do camarada Pedro Nuno Santos ou os alegados sintomas de prevaricação de Fernando Medina enquanto presidente da CML. Pois. Sabemos que a candidata necessita de se demarcar dos camaradas como pão para a boca. Carece de uma figura paternal de peso para se inspirar. António Costa está indisponível, a tratar da sua vida em Bruxelas, e o secretário-geral José Luís Carneiro anda perdido num rebanho de fantasias e absurdos políticos. E assim sendo, nada como pedir uma mãozinha ao quase extinto Bloco de Esquerda, à unicórnia do PAN e ao céfalo do LIVRE. Tudo junto, somado, à falta de argumentos próprios, configura uma frente revolucionária para derrotar Carlos Moedas, mas não necessariamente os problemas da cidade. Teremos uma autarquia, se a elegerem, em que todos gritam e ninguém tem latão. Já lá estiveram, em ciclos recentes, socialistas de corpo e alma, e o resultado não foi grande coisa. Transformaram Lisboa num enorme urinol e a Baixa num anexo indistinto. Leitão diz-se fazedora e menos faladora. Mas aponto-lhe outras qualidades. Não tem memória de elefante. Esqueceu-se por completo de que fez parte do governo que gizou as grandes opções estratégicas do país, que naturalmente ajoelharam Lisboa e que colocaram a cidade no estado que se conhece. A candidata quer fazer parte da solução, sê-la. O que joga a seu favor? O que joga a seu favor é a pulsação ideológica que ainda bate na carótida de tantos que dividem os factos e as verdades entre a direita e a esquerda, onde dizem que abril nasceu. Mas convenhamos, já não há remédio ideológico ou partidário para remendar o que está estropiado. Alexandra Leitão, se tivesse juízo, cedia o lugar a alguém com folha limpa. Mas não. Ela insiste em colocar o Rato em Lisboa ou o Rato em Lisboa, não sei bem. Perdido por mil ou perdido por abril, quem se lixa é o concidadão. Alexandra Leitão não soa a futuro. Faz parte do passado. E ainda não percebeu que nada tem para oferecer à capital. Nem que as barracas abanem.