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Excitações balsemónicas

por Nuno Castelo-Branco, em 03.06.14

Os meias brancas da nossa informação especializada em mexericos, dramas, terrores, adenovírus urbi et orbi, pés chatos, naperons sobre a geleira e cachecol do clube emoldurando a TV, andam numa fona com o que nas últimas vinte e quatro horas se passou em Espanha. A gente de Balsemão - João Carlos I deveria ser mais selectivo quanto às amizades que por cá mantém - fala de uma "maré republicana", para logo depois depararmos com a visão de uma modestíssima praça que dá pelo nome del Sol, apinhada com 20.000 pessoas oriundas das sedes habituais. Em Barcelona, foi ainda menos evidente a reclamação da república, reunindo apenas 5.000 furibundos. Tão modestas reuniões, fazem-nos logo recordar a ainda muito recente festança da vitória do Real Madrid que em pouco mais de meia hora, arrebanhou um milhão de entusiastas de "bandeira monárquica" em riste. Perdão, há que chamar-lhe bandeira de Espanha. Por outras palavras, no nosso CRonaldo vale mais que todo o pagode visto nas Puertas del Sol, Ramblas e similares. 

 

Por cá os artifícios são sempre os mesmos vulcões de ranho espirrado por patetas pivotados apontando o dedo a quem para lá da fronteira, vive num país muito mais moderno, justo e progressivo que esta grotesca republica de falsários, incompetentes institucionais, reservistas mentais e reputados gatunos de comenda ao peito. Dir-se-ia que a gente da RTP, SIC e TVI jamais deu conta dos Limites Materiais da revisão constitucional, pecisamente no que estes apontam naquele infamante artigo que proibe os portugueses de reporem no devido lugar, a legalidade histórica e institucional roubada em 1910. Em Portugal, nada de referendos!, pois vigora o princípio do facto consumado, seja este quanto à república, "descolonização", adesão à CEE, Maastricht, adopção do Euro, Tratado de Lisboa, etc. Como a propósito de Maastricht disse um dia o Sr. Cavaco Silva, ..."os portugueses não estão preparados para este tipo de decisões". 

 

Quanto a Espanha, nada de preocupante. As entrevistas feitas in loco já demonstram a falta de convicção e de fibra daquela gente: já não se trata de João Carlos I o tal O Breve de quase quarenta anos de reinado. Já nenhum deles se ilude quanto à entronização de Filipe VI. Agora, a conversa é outra: ..."su hija jamás sera Reina!".


Já cá não estarei para comprovar ou não o dia da proclamação de Leonor I, mas tenho a certeza de que há coisas que dificilmente mudam. 

 

Adenda: no meio de tanta cretinice televisionada, aqui está alguém que merece a nossa atenção.

 

 

publicado às 19:14


3 comentários

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De João Pedro a 03.06.2014 às 20:20

Pois eu acho que é algo de preocupante...a comunicação social tem tendência a menosprezar as monarquias e a sublimar as repúblicas, com todo o primarismo que isso acarreta. E a gente que protesta pode não ser a maioria em Espanha, mas tem aquele ar radical e furioso, típico dos seus avós dos anos trinta, que se divertiam a incendiar igrejas, sob o olhar complacente de Manuel Azaña.
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De petitprince a 04.06.2014 às 00:42

Os Filipes da Casa de Austria acabaram com Filipe de Anjou. Este Filipe, que Deus o guarde - e a nós também...- não vai ter vida mais fácil que o primeiro Bourbon. E talvez também case duas vezes...
Don Juan Carlos, passe lo que pase, foi um optimo Rei e ficará como tal na verdadeira História da Europa. Quanto à "criança"... aguardemos. A rainha Sophia ainda não disse a última palavra...  
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De Anónimo a 04.06.2014 às 01:50

Quem fala (escreve) assim não é gago:)  Não posso estar mais d'acordo. Parabéns Nuno.
Maria

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