Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bem sei, se aqui postasse aqui o retrato de um qualquer magnicida popularucho que pelos polliticamente auto-proclamados correctos é entendido como um benfazejo líder que apenas "falhou nos detalhes porque não sabia e não controlava tudo", quase todos ou a maioria acharia coisa normal. Pois não é.
Ontem fui vendo em directo a transmissão da TVE e fiquei elucidado acerca da manif barcelonesa, fazendo ocasionalmenmte o zapping para as homólogas nacionais, todas elas muito excitadas e sublinhando o inegável facto de terem vindo muitos espanhóis "de toda a Espanha" e ainda por cima dando-lhes a total preferência nas entrevistas. Vamos então ao dedilhar no ábaco electrónico que o materialismo dialético impõe, como a contabilidade de sacas de trigo, pepinos, batatas ou arroz.
Por aqui os mais exaltados partisans do "quanto pior, melhor" - praticamente os mesmos que até há pouco diziam Espanha, Espanha, Espanha como ultra prioridade do nosso regime - , diziam nas tv que foram 100 autocarros de toda a Espanha para engrossar-se assim o número de "manifestantes falangistas". Vá lá que cada autocarro seja um mega-machimbombo que leve umas 100 pessoas apinhadas e em vias de sufoco. Ora, agora multipliquemos 100 por 100. Quantos "penetras falangistas" foram à manif? Sim, isso mesmo, seriam uma ridiculíssima minoria, mesmo contando e dando de barato que mais uns dez mil "cótchês" - como eles chamam aos carros - terão vindo de Madrid e arredores com 4 pessoas cada um ou, outra vez o sempiterno vá lá, cometendo a illegalidade a que a "falangista Guardia Civil" faria vista grossa, claro, de transportarem 5 "falangistas". 50 mil + 10 mil são 60.000. Ora a manif foi "muito pífia", oscilando estranhamente entre os 350.000 alegadamente contados pelos dedinhos dos "mossos d'esquadra" e o milhão dos organizadores. Fiquemos então por muito baixo, pelos 500.000, pois as avenidas de Barcelona são deveras mais compridas e largas do que aquelas que (ainda) temos em Lisboa.
Ontem perderam moralmente a hipótese da golpada, não é verdade? Arranjem lá outro focozinho que mereça uma libertação, talvez no Curdistão - sempre desestabilizam 4 países de uma assentada -, num qualquer Estado do sul dos EUA ou até no oprimido Cachemira. Nas vizinhanças do nosso país, no irmão siamês a que estamos irremediavelmente ligados, é coisa que não nos convém mesmo nada.
*Uma boa ideia seria aliviarem as pulsões aqui mesmo, internamente, focando os seus interesses sobre a imperiosa necessidade democrática de libertar a Constituição de 1976 dos Limites Materiais que foram impostos por homens comuns e não por entes que por muito discretos que fossem, não eram divinais.