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Há qualquer coisa que não bate certo neste guião. A Grécia vive dias muito difíceis. Tem a corda na garganta. Prometeu libertar o seu povo da Austeridade imposta pela Alemanha e chora desalmadamente porque não tem como pagar as contas. Mas isso não a inibe de negociar a compra de sistemas de mísseis à Rússia. Tsipras confirma os nossos piores receios. Não é um libertador da Europa periférica. É um perigoso apostador que arrisca lançar a Europa na maior das imprevisibilidades. A Grécia está à espera de um ataque turco? De uma investida de Panzers alemães? A União Europeia procura salvar a face, mas estes eventos exigem uma tomada de posição intransigente. Será o povo grego que em última instância pagará a factura, mas repartirá a mesma pelos restantes europeus. A política de casino, bluff, e o cinismo de Tsipras terão certamente os seus dias contados. O problema, no entanto, serão os danos colaterais deixados ao abandono. A poesia lírica do Syriza, que serviu para encantar as Esquerdas da Europa, está a ceder o seu lugar a algo intensamente explosivo. Há limites que devem ser respeitados por aqueles que afirmam pertencer à grande família europeia. O mais irónico deste enredo é que serão os Estados-membros da União Europeia a financiar a compra do sistema de mísseis à Rússia. Tsipras faz lembrar outros chicos-esperto de praças conhecidas. Se deixarem, pegará nos dinheiros de "salvamento" para comprar brinquedos para fazer a sua guerra. Não se esqueçam, Tsipras é um produto europeu. Certificado democraticamente, eleito por cidadãos no seu perfeito juízo. Dêem dinheiro ao Varoufakis e Tsipras. E depois não se queixem quando o mesmo se extraviar.

publicado às 18:33


4 comentários

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De Armando Marques Guedes a 16.04.2015 às 19:17

A compra ganha em ser vista em mais quadros semelhantes, adjacentes latu senso, e quase simultâneos: a venda russa de S-300 ao Irão, e os acordos celebrados por Moscovo para o estabelecimento de bases militares navais no Chipre. Para além das bases militares que Moscovo tem já em Tartus e Latakia, na costa mediterrânica da Síria. E dos acordos no mesmo domínio (neste caso reactores nucleares) que Putin celebrou com a Hungria do Órban. O leste do Mediterrâneo e o Estreito de Ormuz têm aqui óbiva centralidade, de par com o Mar Negro.
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De Laranjeira a 17.04.2015 às 15:05

Não só, mas parece que a Grécia vai comprar aviões aos EUA para a sua força aérea. A jogada grega parece ser tentar arranjar o apoio de americanos e russos contra a UE, através da compra de material militar desses países. É claro que a lata é mais que muita, já que para aí não há "crise humanitária". E é claro que os alemães ao verem isto até nem se chateiam muito, porque só ajuda a expor o Syriza como um bando de espertalhões, e se necessário for que a Grécia saia do euro, a culpa recairá sobre os gregos. Qualquer dia nem o Bloco de Esquerda conhece o Syriza...


Já toda a gente percebeu que a dívida da Grécia é incobrável. O que a "Europa" quer é que a Grécia não chateie mais e deixe de dar (tanta) despesa. Daí a pressão para as "reformas", ou seja, pôr os gregos a gastar o que têm, e que nem pensem em voltar a endividar-se, pois os nórdicos não querem ser avalistas das dívidas dos outros. Para um país que nunca reconheceu que se fartou de estragar dinheiro, e para quem todos os seus males derivam da intervenção estrangeira, este racional não encaixa. Mas o pior é quando os países da periferia não sabem encontrar uma narrativa que os defenda (e a da Grécia é um desastre), estarão condenados a ficar subdesenvolvidos à escala europeia.


O euro pressupõe regras. O tal governo económico que os portugueses andam a pedir não são só transferências orçamentais dos países mais ricos para os mais pobres. Se tal vier a suceder, os contribuintes líquidos do processo vão exigir supervisionar o que se faz com o seu dinheiro nos outros países, e depois que não nos dê um assomo de "independência". Se não queremos que nos "controlem", temos de recuperar a nossa credibilidade, ou então sair do euro e arcar com as consequências. O resto são fantasias.
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De Laranjeira a 17.04.2015 às 17:47

 "temos de recuperar a nossa credibilidade"


Onde é que é eu já ia. Não podemos recuperar o que nunca tivemos relativamente à economia e às finanças. Temos é de criar um HISTÓRICO de credibilidade para que os países ricos não sejam paternalistas com Portugal (a estória do "bom aluno europeu"), ou nos tratem como um protectorado, cada vez que o país vai à bancarrota.


Quanto à Grécia, tudo de bom para eles, mas JAMAIS devemos importar o CAOS dos outros por simpatia (o governo grego é o equivalente ao que seria uma coligação entre o Bloco de Esquerda e o PNR em Portugal...), porque para  pior basta assim.
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De X Sam a 20.04.2015 às 14:04

Ao que parece, faz parte de um "pacote" maior, que deve envolver mísseis, contrapartidas, um gasoduto e dinheiro adiantado...<br /><a href="http://fingirqueacredito.blogspot.pt/2015/04/southstream-s300-e-5mm.html">http://fingirqueacredito.blogspot.pt/2015/04/southstream-s300-e-5mm.HTML</a>

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